Capitulo II
- Quero você. – Chupou o lóbulo da orelha.
- Droga gatinho. – Se contorceu. – Não quero te machucar.
Ray esfregou os quadris juntos, gemendo em protesto.
- Por favor?
Kai se virou, derrotando o moreno contra o colchão. Mordendo o ombro, se moveu passando a língua pelo pescoço.
Acordou com a luz invadindo o quarto, abriu os olhos cor de vinho. Sentiu algo molhado em suas roupas.
- Inferno.
- Esta muito cedo para já sair amaldiçoando, irmãozinho. – A voz calma veio de uma das poltronas dispostas no quarto.
- Khan, tem noção das horas? – Resmungou se sentando, levantando o lençol para olhar o estrago que tinha feito na calça do pijama.
- Não, não da pra ver as horas. – Sorriu de leve. – Cadê o povo?
Kai olhou para o relógio de pulso.
- Dormindo. – Se levantou indo para o banheiro. – Vou tomar banho.
- Frio? – Perguntou em voz alta.
- Vai a merda.
Khan riu baixo, se levantou saindo do quarto. Sorriu sentindo o cheiro familiar.
- Bom dia, gatinho.
Ray se virou um pouco surpreso, estava descendo para comer algo.
- Khan. – Sorriu com prazer.
Foi até o homem o abraçando com força, Khan soltou uma risada fraca.
- Eu não sou o Kai pra você ter tantas saudades. – Murmurou com um sorriso.
- Não me fala do seu irmão. – Suspirou.
- Ainda chateado com o cabeça oca? – Franziu a tez pálida.
- Esquece isso. – Se afastou.
- E aquela coisa acéfala que você chama de esposa? – Debochou, colocou a mão sobre o ombro de Ray enquanto andavam pelo corredor.
- Nos separamos. – Suspirou contendo o riso.
- Pode rir. – Sorriu mais abertamente. – Então, posso fazer aquele asno que meu irmão transa, sumir?
- Parece não gostar do Scott. – Comentou parando no alto da escada.
- É um animal. – Deu de ombros. – Se acha o senhor do mundo.
- Porque esta falando isso?
- Por que eu prefiro você como cunhado. – Respondeu em tom de brincadeira.
Ray rolou os olhos para o teto, o levou até a escada o fazendo colocar uma das mãos no corrimão, o segurou pela outra enquanto descia um degrau. Khan ia o acompanhando devagar.
- Então… hn… sabe algo sobre esse cara? – Perguntou tentando disfarçar a curiosidade que ardia em sua garganta.
- O Henry? – Não escondeu o tom de desgosto.
- É.
- Hn… ele trabalha pra Biovolt. – Deu de ombros.
- Isso eu sei.
- Quando ele esta aqui, o Kai geralmente passa todo o tempo que pode com ele. – Continuou com o tom de descaso. – Ele é meio arrogante, se acha o sabichão. Pela descrição que o Dimitri fez, acho que é bonito.
- E como ele é? – Perguntou receoso.
- Sabe como é deve ter a minha altura, ou seja, mais ou menos uns 1,78. – Continuou fazendo pouco caso. – Loiro, pelo o que o Dimitri disse o cara tem um sério problema com o barbeador já que nunca faz a barba e eu acho que o Kai esta pegando essa doença. Olhos azuis sejam lá que merda seja essa e cabelos curtos.
- Ah…
- É eu sei bem diferente de tu né? – Deu de ombros. – Meu irmão gosta de ir aos extremos.
Ray o sentou em uma das cadeiras da mesa da cozinha.
- Chá?
- Pode ser.
Ocupou-se com a chaleira, pegou duas canecas as colocando na mesa, junto com dois saquinhos de chá.
- Preocupado com o inglês?
- Ele é inglês?
- É. – Deu de ombros. – Qual é gatinho, eu sei que meu irmão prefere as especiarias chinesas ao chá inglês.
Ray sorriu de leve, mas ainda se sentia incomodado.
- Ainda gosta dele?
- Não sei. – Passou a mão pelos cabelos. – Ele não me quis perto dele.
- Você tem que entender que o nosso querido vovô era um animal. – Comentou reprimindo um bocejo.
- Eu sei disso, mas poxa eu fiquei louco de preocupação com vocês dois. – Ralhou olhando para a mesa.
- Kon, imagina que se você tivesse no carro junto com o Kai quando ele capotou. – Parou respirando, odiava lembrar daquilo. – Você poderia ter morrido junto com o segurança.
- Ele capotou de carro? – Arregalou os olhos.
- É meu querido avô fez o carro dele capotar. – Suspirou. – E não muito satisfeito, também deu uma surra e uma facada no abdômen.
- Que?
- Ray, eu garanto pra você. – Se curvou tentando encontrar as mãos do moreno, Ray prontamente as segurou. – Se o Kai tivesse permitido que você viesse conosco, se o meu avô tivesse a noção que você existia. Ele teria te matado, na frente do Kai.
Ray apertou as mãos dele de leve.
- Abrir mão de você foi a pior coisa que ele fez por causa do Voltaire.
Levantou-se pensando nas palavras de Khan, pegou a chaleira que assobiava no fogão e preencheu as xícaras.
- Ah, bom dia. – Dimitri entrou na cozinha e sorriu para os dois homens. – Jovem mestre imagino que já tenha acordado seu irmão.
- Mas é claro que acordei. – Comentou sorrindo. – Dimitri, me diga a verdade, aquele ser de sotaque abominável é narigudo né?
- Esta falando do Sr. Scoot? – Perguntou rindo. – Não, ele não é narigudo.
- Esta mentindo.
Ray colocou a xícara na frente de Khan e se sentou tomando o próprio chá, em silencio.
- Qual o problema, seu irmão me parece satisfeito. – Se ocupou com a cafeteira.
- Eu tenho o meu próprio candidato a cunhado. – Sorriu com um leve ar de criança arteira.
- E quem seria? – Dimitri alimentou a chama.
- O Sr. Kon aqui presente, óbvio. – Ouviu Ray engasgar.
Dimitri se virou olhando para Ray, o moreno estava levemente vermelho e fitava com um interesse incomum o conteúdo da xicara.
- Uma bela escolha, devo dizer. – Comentou com um tom solene. – Será uma disputa acirrada, os dois são bem bonitos.
- Dimitri, às vezes eu acho que você também gosta de homens. – Khan pousou a xícara com um suspiro impaciente. – Ray ganha ou não?
- Ganha o que? – Kai entrou na cozinha nesse instante, andou até a cesta de frutas pegando uma pera.
- Estou dizendo para o Dimitri que prefiro o Ray para cunhado. – Comentou inocentemente. – E queria saber se entre ele e o Henry, quem era mais bonito.
- Não acha que já esta bem grandinho para esses joguinhos? – Perguntou levemente irritado.
- É, Ray você ganhou. – Tomou um gole de chá.
- Khan. – Kai se irritou realmente.
- O que? – Khan também elevou o tom. – Vai dizer que você realmente gosta do Scoot?
- Isso não é da sua conta. – Se sentou em uma banqueta, encostando as costas no balcão da cozinha.
- Ótimo. – Deu de ombros. – E para a sua informação se eu estou muito velho para joguinhos, você esta muito velho para ter uma babá.
- Dimitri, me faça um favor? – Ignorou o ultimo comentário do mais velho.
- Claro jovem mestre.
- Pega a carta, eu deixei no escritório. – Se levantou indo sentar ao lado do irmão.
- O Scoot te mandou uma carta? – Provocou.
Kai se limitou a morder com força a pera.
- Coitada, ela não tem culpa. – Khan suspirou.
Kai olhou para Ray que permanecia olhando o fundo da xícara. Ficaram em silencio até o mordomo voltar.
- Deixarei os senhores sozinhos.
Saiu, Ray se levantou para acompanha-lo. Kai o segurou pelo pulso.
- Fica. – Pediu.
Khan arqueou as sobrancelhas, Kai e Ray se entreolharam por alguns segundos antes do Kon retornar ao lugar.
- É do Susumu. – Continuou olhando para o homem na sua frente, enquanto rasgava o papel. – Susumu é o nosso pai.
- Pelo menos é o que a certidão de nascimento diz. – Khan deu de ombros. – Bem, eu não sei exatamente o que ela diz, mas o Kai confirmou.
- Achei que os pais de vocês estivessem mortos. – Ray fez um semblante intrigado.
- Bem que eu gostaria. – Khan retrucou com descaso. – Enfim, o que o não-tão-morto-como-eu-gostaria quer dessa vez?
Kai leu em silencio a carta, bufou ao término desta.
- É merda. – O mais velho bebericou o chá.
- Ele esta dizendo que quer uma parcela na empresa. – Kai dobrou o papel.
- Não pode a única coisa de certo que o Voltaire fez foi deserdar ele.
- Ele quer um pouco meu e um pouco seu. – Suspirou empurrando o papel com a ponta dos dedos parecia que ele estava tirando algo particularmente nojento de perto.
- Resumindo ele só quer encher o saco. – Deu de ombros. – Kon, seu sogro é um caso sério.
Kai passou a mão pelos cabelos, os bagunçando, olhou para Ray.
- Infelizmente, sou obrigado a concordar com o meu irmão. – Se recostou, permaneceu olhando par Ray.
- Eu disse que você ganhava. – Khan riu baixo.
- A questão. – Se curvou para os dois, olhou para Kai com um leve descaso. – É se eu quero ganhar.
- Ah, inferno. – Khan deu um soco na mesa. – Quando um para com a palhaçada o outro começa?
- Khan, da licença pra gente. – Kai se inclinou para Ray.
- É, Dimitri vai ter que mandar limpar e muito bem essa mesa. – Se levantou. – Acho que depois de hoje eu não como mais aqui.
Esperou até o outro sair, Kai se levantou dando a volta na mesa. Estendeu a mão.
- O que é? – Ray perguntou ainda sentado.
- Você não quer?
- O que?
- Ficar comigo?
- Ah, isso. – Retrucou baixo, terminou de beber o chá e se levantou. – Mande lembranças ao Henry.
Passou por ele, encostando os ombros. Kai o segurou pelo braço o puxando de volta, o abraçou pelas costas descansando o queixo na curva do pescoço dele. Ray se arrepiou. Kai afastou a trança e depositou um beijo seco na nuca, Ray inclinou a cabeça para frente dando mais espaço. Kai apenas encostou a testa na parte traseira da cabeça deixando a respiração bater no pescoço. Passou a língua pela pele, causando um arrepio, a moveu indo para a lateral do pescoço. Ray girou a cabeça, podendo encostar a nuca no ombro de Kai, o sentiu roçar a barba, arranhando de leve a pele e o sussurro:
- Fica comigo?
Ray suspirou e fez ele lhe soltar, se virou para Kai. Se aproximou dos lábios, movendo a cabeça de um lado para outro, o ar cheio de tesão entre eles, quando Kai tentou lhe beijar Ray recuou:
- Vai ter que fazer melhor do que isso, Hiwatari.
Khan, Max e Tyson conversavam na sala.
- Advogado? – O ex-campeão do mundo riu. – Usa colam vermelho e salta sobre os prédios?
- Hn? – Khan apertou de leve a bengala que segurava.
- Demolidor. – Riu.
Khan fez um movimento rápido com o braço. A bengala atingiu em cheio o braço de Tyson.
- Não senti falta disso. – Resmungou esfregando o braço.
- Eu posso continuar. – Riu.
Max soltou uma gargalhada, tampando os olhos.
- Não obrigado. – Resmungou. – Ninguém merece os irmãos Hiwatari.
- Ray gosta. – Aumentou o sorriso.
- Hn? – Os dois não entenderam.
- Esquece. – Assoprou com um leve descaso. – Então Tyson, quem foi a louca que resolveu ficar com você?
- Não fale assim da minha noiva. – Tyson chiou baixo.
- Uh. – Sorriu. – Sinto por isso Maxie.
- Sentir? – Perguntou confuso.
- Sempre achei que vocês dois tinham um caso. – Deu de ombros.
- Você não muda né? – Max continuou rindo.
- Nah. – Estalou o pescoço. – Pra que mudar algo tão perfeito?
- Metido igual ao teu irmão. – Alfinetou.
- Modéstia é algo de família. – Riu.
- O que tem o Ray? – Max continuou interessado.
- Meu irmãozinho esta tentando refinar o seu gosto. – Deu de ombros mais uma vez.
- Eu o que? – Kai pediu entrando na sala, Ray vinha com ele.
- Merda. – Fingiu irritação. – Eu nem posso falar mal de você em paz.
Kai suspirou e se adiantou, indo para o bar.
- Kai. – Khan o chamou de repente, o fazendo se virar para o irmão. – Rapidinha é uma coisa, agora em menos de cinco minutos é preciso ver um médico.
Ray fechou os olhos, sentindo os dois pares de olhos virarem na sua direção.
- Eu já disse que eu prefiro quando você não esta perto? – Kai tentou mata-lo com as palavras.
- Também te amo irmãozinho.
Murmurou em desagrado, começou a mexer nas garrafas e copos.
- Não esta um pouco cedo para beber? – Perguntou um pouco intrigado.
- O fígado é o único órgão do corpo humano que se regenera. – Respondeu se servindo de uma dose de uísque. – Enquanto o meu estiver se regenerando, ótimo eu vou beber.
Levou o copo aos lábios bebericando o líquido âmbar, os olhos de Ray encontraram os seus e percebeu a insatisfação do moreno. Pousou o copo sobre o balcão e suspirou de leve.
Dimitri apareceu na porta, dando um leve pigarro para ser ouvido.
- Jovem mestre, o senhor tem uma visita. – O tom calmo e profissional.
O homem loiro e magro apareceu no portal. Os olhos azuis bem claros, a barba por fazer deixando um ar desleixado, os cabelos loiros em um tom médio estavam elegantemente bagunçados e um pouco arrepiados. O nariz pequeno lhe dava um ar de superior.
- Odeio voos noturnos. – Murmurou largando a bagagem aos pés de Dimitri. – Dimi, leva isso pra mim? Obrigado.
Andou até Kai que se manteve sério, os olhos dos presentes estavam nele. A camisa social branca com listras finas em preto combinava com o jeans desbotado. Ele exalava um ar de garoto e ao mesmo tempo os olhos indicavam um ar sensual. Envolveu o pescoço de Kai e lhe beijou os lábios.
- Vou subir e tomar um banho. – Murmurou alto o suficiente para todos lhe ouvirem. – Te espero no chuveiro.
Saiu como entrou. Khan balançou a cabeça ouvindo os passos se afastarem.
- Esquece o que eu disse. – Se dirigiu ao irmão. – Pra aturar uma merda dessas, só bêbado, enche a cara, maninho.
Kai virou o conteúdo em um gole, evitou olhar para Ray e saiu da sala, apenas ouviu o ultimo comentário do irmão.
- Que raios é "Dimi"? – Comentou irônico. – Tadinho do Dimitri, Ray eu disse que você não tinha com o que se preocupar.
Entrou no quarto, observou as roupas jogadas pelo chão.
- Henry. – O chamou fechando a porta.
- Vem, a água esta uma delicia. – A voz pela porta aberta, um leve vapor vinha dela.
- Quero falar com você. – Encostou-se ao portal.
- Assim que você entrar. – Abriu a porta do Box deixando o corpo magro, apenas com os músculos trabalhados, definidos, e molhado amostra. – Vem.
Kai cruzou os braços, encostou a cabeça na madeira, os olhos brilharam frios.
- Estou falando sério.
- E eu também. – Passou a mão pelo tórax indo para o abdômen. – Senti sua falta amor.
- Henry. – Rosnou.
O loiro suspirou, desligou o chuveiro e pegou uma toalha se enxugando, andou até Kai. O abraçou, deu um beijo leve nos lábios.
- Irritado por que eu não vim ontem?
- Não. – O empurrou de leve, andou para dentro do quarto. – Não percebeu que eu tinha visitas?
- Se irritou por que eu falei daquele jeito? – Foi até ele, o empurrou para que Kai se sentasse na cama e se acomodou em seu colo.
Kai o segurou pela cintura e o removeu, fazendo com que ele se sentasse sobre o colchão.
- Kai, o que aconteceu?
- Tem outra pessoa.
Henry arqueou uma sobrancelha, virou a cabeça na direção da porta. Levantou-se colocando a mesma roupa.
- Henry.
- Como eu não o reconheci? – Se virou para Kai, parecia alterado. – Ele esta lá embaixo não esta?
- Henry…
- Não precisa me responder Kai. – Pegou a blusa social e saiu pela porta. – Eu vou descobrir.
Tyson olhou para o homem moreno que parecia um pouco chateado.
- Você e o Kai? – Tyson se levantou. – Sério? E a Mariah?
- Estou me divorciando, Ty. – Ray olhou para o lado da escada.
- Tyson. – Max o segurou levemente pelo braço. – Se eles estão felizes…
- É claro que eu vou apoiar. – Tyson olhou um pouco ofendido para Max. – Só quero saber se eles têm certeza disso.
- Temos. – Ray respondeu ainda distraído.
- Então, sejam felizes. – Tyson encolheu os ombros.
Khan se levantou de repente, apertou a bengala.
- Ray, senta aqui do meu lado.
- Você esta em pé. – Tyson brincou.
- Ray, sai de perto da porta. – Khan ignorou o comentário de Tyson. – Agora.
- Khan… - Ray começou sem entender.
Os passos duros desciam pelas escadas junto com passos apressados.
- Ray… - Khan ficou mais agitado.
- Qual de vocês é o vagabundo que esta dando em cima do meu Kai? – Rugiu assim que entrou na sala.
Kai entrou logo atrás o pegando pelo braço e o puxando de volta.
- Olha a cena. – Murmurou irritado. – Odeio isso e você sabe.
- Não vou te perder. – Henry murmurou, o rosto estava ficando avermelhado.
- Não tínhamos nada sério e você sabe.
- Como assim nada sério? – Elevou o tom de voz, todos na sala podiam ouvir. – Um ano juntos e você me diz que não é nada sério?
- Nunca te fiz promessas. – Tentou acalma-lo, um pouco impaciente. – Então não me venha com essas.
- Kai Hiwatari, quem é ele? – Olhou para os presentes na sala.
- Abaixe o tom. – Khan deu um passo para frente. – Você não esta na sua casa.
- Khan. – Kai o advertiu.
- Kai, olha como essa coisa fala comigo. – Henry se virou para ele.
- Coisa? – Ray reagiu antes de Kai. – Olha como você fala com ele.
- Quem você pensa que é para se intrometer nesse assunto? – Henry o olhou de cima em baixo. – É ele?
- É, sou eu. – Sentiu Khan lhe procurar com a mão, o segurou com firmeza.
- Insolente. – Rugiu, tentou avançar nele, mas Kai o impediu. – Você realmente acha que o conhece?
- Ninguém pode conhecer totalmente uma pessoa. – Sentiu Khan lhe apertar o braço, deu um passo para traz se aproximando dele.
- Você não tem noção do que é acordar de noite por que ele teve um pesadelo com o maldito do Voltaire. – Abraçou Kai, escondeu seu rosto no pescoço pálido. – Você não sabe o que é ver o corpo dele todo marcado.
Kai olhou para Ray em um pedido mudo de desculpas, Ray tencionou o corpo.
- O que você não sabe… - Khan começou calmo. – É que o Ray não sabe de tudo isso, por que o Kai teve medo do nosso amado vovô fizesse algo com ele. Por isso o Kai afastou o Ray.
- Seu avô está morto há quase dois anos. – Levantou o rosto para Kai, puxou o rosto dele o forçando a lhe olhar nos olhos. – Você poderia ter procurado por ele, você não gosta dele.
- Você não sabe do que esta falando. – Tyson de repente entrou na conversa. – Kai teve os motivos dele para não procurar o Ray. E não tem ninguém no mundo que conheça o Kai tão bem quanto nós.
- Tyson. – Max o puxou. – Vamos deixa-los resolverem isso sozinhos.
- Não Max. – Kai olhou para os dois, fez um aceno de reconhecimento para o dragão. – Eu agradeço, mas quem sai somos nós dois.
Empurrou ligeiramente Henry, o olhou com frieza.
- Vamos conversar lá em cima.
- Não. – Olhou para Ray e tornou a olhar para Kai. – Você não ousaria não depois de tudo o que eu fiz por você.
- Eu sou grato por tudo isso. – Sussurrou o segurando pelos pulsos. – Mas não posso continuar com isso.
- Eu te amo.
- Não faça isso. – Sibilou o maxilar tenso. – Tenha o mínimo de dignidade.
- Ele sabe o que é isso? – Khan se colocou a voz sarcástica.
Henry encostou o rosto no ombro de Kai, fechando os olhos.
- Quem mais te aguentaria de mau humor? – Murmurou comprimindo o rosto contra a camisa dele. – Quem mais te entende sem precisar nem ouvir a sua voz?
- Henry…
- Eu te amo, Kai. – O puxou selando os lábios.
Kai o segurou pelos ombros, o empurrando de leve, deu um passo para traz. O olhou sério e abanou com a cabeça. Henry suspirou, lançou um olhar venenoso para Ray e saiu da sala como um furacão.
- Hn… - Tyson se pronunciou assim que ouviram o estrondo de uma porta. – Fácil né?
- Nem tanto. – Kai murmurou, estava saindo.
- Kai. – Ray o chamou de volta.
O Hiwatari se virou para olha-lo, tentou parecer indiferente.
- Vamos tomar um chá? – Khan sugeriu, virou o rosto na direção que ele sabia estar Max e Tyson.
- Boa. – Max arrastou Tyson para fora da sala.
- Se comportem. – Khan murmurou indo atrás dos dois.
Kai se aproximou um pouco cauteloso. Ray olhou para o chão entre eles.
- Você disse que eu teria que fazer melhor. – Sussurrou.
- Melhor, não uma cena. – Levantou os olhos, a tempo de ver um resquício de dor passar pelos olhos de Kai.
- Não foi minha intenção. – A voz dura e sem emoção. – Vou ver como ele esta.
Ray o segurou pelo pulso, o abraçou e ainda podia senti-lo tenso.
- Não quis dizer isso. – Sussurrou, deu um beijo seco no pescoço pálido. – Desculpa?
Kai virou o rosto, fechando os olhos. Ray se afastou um pouco o olhando, aninhou o rosto dele entre as mãos.
- Me desculpa Kai?
- Não estou zangado. – Sussurrou abrindo os olhos.
- Então me abraça. – Pediu se aproximou na intenção de beija-lo.
- Tenho que resolver a história com o Henry primeiro. – Desviou os lábios, os pressionando contra o rosto de Ray.
Ouviu um rosnado baixo de insatisfação, sorriu enquanto o envolvia nos braços.
- Pensei que tinha que fazer melhor. – Tornou a sussurrar.
- Você consegue ser melhor? – Sorriu.
- Dane-se o Henry. – Murmurou se curvando para Ray.
Sorriu deslizou as mãos pelo pescoço o puxando para mais perto. Sentiu os pelos pinicarem seu rosto enquanto ele lhe abraçava com mais força. Soltou um gemido baixo quando os dedos de Kai entraram em contato com a base de sua coluna, puxou de leve os cabelos dele. Kai diminuiu o ritmo:
- Senti… - Deu um leve beijo. – falta… - Mais um beijo curto. – de você.
- Também. – Sorriu de olhos fechados.
Kai subiu a mão por dentro da camisa, aninhou seu rosto ao pescoço moreno. Ouviram um estrondo no andar superior que fez Kai se separar levemente dele.
- Melhor eu subir antes que ele destrua a porcaria do quarto. – Rosnou baixinho, Ray o olhou um pouco apreensivo.
- Não quero você lá em cima.
- Vou lá acalma-lo e depois eu volto. – O olhou tentando transmitir calma. – Fica com o Khan.
- Por quê?
- Qualquer coisa ele usa a bengala. – Riu baixo, deu um rápido beijo e saiu.
xXxXx
Boa noite.
Demorei eu sei, mas vocês tem que entender que eu andei ocupada com a faculdade e em breve eu espero ter uma noticia boa, mas que vai limitar ainda mais o meu tempo.
Espero que tenham gostado e acima de tudo que tenham gostado do novo personagem. A dica do capitulo é: prestem atenção nele por mais que pareça ele não vai se dar por vencido tão facilmente.
