Cap V

A primeira coisa que sentiu quando acordou foi dor, MUITA dor. Abriu os olhos e se deparou com o peito duro e perfeito de Kai, subia e descia calmamente. Uma das mãos lhe envolvia e a outra segurava um relatório que ele lia calmamente recostado nos travesseiros. Soltou um gemido se pressionando contra o peito dele, Kai subiu a mão que o abraçava pelas costas nuas.

- Não sei o que dói mais minha garganta ou minha bunda. – Falou em voz baixa escondendo o rosto contra o meio do peito dele.

Kai reprimiu o riso e continuou a deslizar os dedos pelas costas dele.

- Meu gatinho estava safado ontem. – Sussurrou dando um beijo no topo dos cabelos negros colocou o relatório sobre a mesinha do lado. – Eu gostei disso.

Ray subiu o rosto até encosta-lo no pescoço de Kai deu uma mordida leve abaixo do queixo.

- Eu te amo. – Sussurrou beijando onde mordeu.

- Eu sei disso. – Se virou o colocando de lado no colchão. – Doendo muito?

- Sim, mas valeu tanto a pena. – Sorriu fechando os olhos.

Os dedos de Kai rastrearão pela cintura descendo até a coxa desnuda.

- Vou sentir falta. – Sussurrou.

Ray abriu os olhos o encarando sem entender. – Do que?

- De quando você for embora. – Estava sério e evitava o olhar nos olhos. – Vou sentir sua falta.

- Não vai ser por muito tempo. – Sorriu acariciando o pescoço dele. – Te prometo isso, eu vou voltar o mais rápido que eu conseguir.

Segurou a mão dele e a beijou apaixonadamente, Ray se mexeu tentando ficar mais perto dele, mas gemeu.

- Uh gatinho. – Se mexeu o colocando de bruços. – Vou cuidar de você.

Sorriu fechando os olhos sentiu o peso da cama sumir. Kai foi até o armário pegando um creme dentro de uma das gavetas, voltou para a cama ajoelhando ao lado do moreno.

- Isso vai aliviar. – Passou um pouco na ponta dos dedos e começou a aplicar.

Ray fechou os olhos sentindo a cremosidade gelada, suspirou quando Kai penetrou um pouco o dedo espalhando bem o creme. Sentiu o beijo que Kai começou a distribuir por suas costas, sorriu mordendo o lábio.

- E eu tenho que trabalhar. – Suspirou se afastando um pouco e olhando as costas morenas. – Deus por que você tem que ser tão tentador?

Inclinou a cabeça exigindo um beijo, Kai se curvou e atendeu o pedido. Gemeu o puxando pelo braço, Kai soltou um riso abafado e se afastou.

- É sério eu tenho que ir.

Ray o empurrou se deitando sobre o peito dele.

- Manhoso. – O abraçou com cuidado.

- Eu olhei ontem a data da minha passagem. – Sussurrou apertando o rosto contra o peito do outro. – Meu voo parte essa tarde.

Kai ficou quieto, tentou não ficar tenso. Ray ergueu a cabeça o olhando, mas ele estava tão vazio de emoções que não dava para lê-lo.

- Eu queria que nossa ultima noite fosse perfeita e que você não ficasse zangado.

Kai o moveu para o lado e se levantou.

- Não faz assim, me escuta. – Levantou atrás dele. – Amor.

Parou na porta do banheiro, Kai lavava o rosto com água gelada. Adiantou-se passando as mãos pelas costas dele.

- Fala comigo.

- Você vai voltar com ela? – Perguntou olhando para a pia.

- O que? – Tentou fazer com que ele virasse, mas o Hiwatari permanecia imóvel. – É claro que não, Kai que ideia é essa?

- Não quero que você volte.

- Eu já te disse eu tenho que ir, mas eu volto.

- Não tenho tanta certeza. – Fechou os olhos puxou o ar com força.

- Você não pode estar falando sério. – Deu um passo para trás. – Não pode estar duvidando de nós.

- Não é isso. – Voltou para ele irritado. – Você mesmo já disse que a Mariah não quer te dar o divórcio.

- Eu vou arrancar esse divórcio nem que para isso eu tenha que entrar em um tribunal.

Kai encostou na bancada, olhou para a parede do lado parecendo ainda muito irritado.

- O que te preocupa?

- Que ela te leve pra cama.

Tentou não rir, se adiantou passando os braços pelo pescoço dele.

- Eu não consigo.

- Que?

- Posso contar nos dedos quantas vezes eu e Mariah transamos.

- Sério?

- Nas vezes em que tivemos algo ou eu tinha que pensar em você ou ela misturava algo na minha bebida. – Franziu o cenho tentando lembrar. – O que não me agradava muito.

- E se ela fizer isso e engravidar?

Parou e o olhou sem saber exatamente o que responder, queria ter filhos e Kai sabia disso. Sabia também que se isso acabasse acontecendo ele não conseguiria abandonar o filho, mesmo que isso significasse deixar Kai.

- Não vai acontecer. – Assegurou. – Eu não vou deixar assim como você não deixou o Henry chegar perto de você.

- Ela vai tentar.

Sorriu e o beijou. – Estou vendo um deja-vu?

Max olhou para a mãe que dormia tranquila, a enfermeira tinha lhe assegurado que tinha sido apenas um susto. Seu celular vibrou no bolso o saco e olhou o numero rapidamente deu uma olhada em volta querendo saber se tinha alguém, mas estava sozinho.

- Sim?

- Senhor Tate? – A voz forte e profunda. – Sou o detetive Ishibashi.

- Sim o senhor Kon já me deixou de aviso. – Abaixou a voz. – Ele já lhe deixou a par do assunto?

- Sim, estou ligando para avisar que o senhor tem sorte eu estava na Espanha quando o senhor Kon me ligou.

- Entendo e quando o senhor vai poder vir para a Itália?

- Já estou nela meu jovem, só preciso que o senhor me envie alguma foto do alvo e o nome completo o resto o senhor pode deixar comigo.

- Certo eu posso enviar uma foto pelo celular e com relação ao seu pagamento?

- Não vou cobrar. – Podia ouvir o riso. – Essa será por conta da casa.

- Eu insisto.

- Não, não esse será um favor pessoal para o Ray. – Falou mais firme. – Me envie o combinado e eu já irei começar o trabalho.

- Certo muito obrigado.

Fechou o celular e respirou fundo, teria que arranjar uma foto de Hillary isso seria fácil. Tyson entrou carregando uma bandeja com dois cafés e um saquinho com sanduiches.

- Aqui, você não pode ficar de estômago vazio. – Colocou no colo do loiro. – Já liguei para o Kai, mas o celular dele está dando desligado.

- Ray deve estar o deixando ocupado. – Sorriu pegando um dos copos.

- Eu espero que ele se lembre que o bilhete é para hoje.

Rolou os olhos para cima, estava de boca cheia, mastigou rápido e engoliu.

- Já falou com Hillary?

Fez uma careta e negou com a cabeça.

- Por quê?

- Não quero brigar. – Encolheu os ombros. – E a Judith é mais importante.

- Está tudo sobre controle. – Resmungou.

- Você quer leva-la para a América? – Mudou de assunto. – Eu posso providenciar isso.

- Seria ótimo, mas ela não vai querer.

- Quem não vai querer? – A voz de Judith junto com um leve sorriso. – Max.

- Mãe. – Se levantou atrapalhado correu para o lado da cama. – Que susto.

- Você não deveria ter vindo. – Lhe censurou. – Seu trabalho.

- A senhora é mais importante. – Tyson se aproximou pousando a mão no ombro de Max. – E digamos que o chefe dele é bonzinho e deu uma folga.

- Tyson, como você está? – Sorriu para o dragão.

- Aliviado agora que a senhora está bem. – O sorriso se alargou. – Vou deixa-los conversando.

Parados olhando os aviões, Ray se encostou discretamente nele.

- Eu vou voltar. – Sussurrou segurando a mão.

- Eu sei. – Virou o rosto olhando em volta.

Sentiu algo ser forçado em sua mão quando olhou o tigre se aquecia sobre seu toque.

-Driger? – O olhou.

- Fica com ele. – Sorriu querendo lhe tocar. – Eu garanto que volto amor.

Kai colocou a mão dento do paletó e pegou Dranzer dentro do bolso interno.

- Então fica com ela. – Colocou o pião na mão dele.

Já tinha se passado um mês desde que voltara a China e não tinha conseguido falar com ele nem por um minuto. Sentiu o estômago dar outra cambalhota, gemeu massageando a barriga antes de correr para o banheiro.

- Ray-Ray. – Mariah abriu a porta do apartamento, ouviu o barulho vindo do banheiro. – De novo amor.

Ray encostou-se na parede gelada, massageou a barriga mais um pouco. Mariah apareceu na porta lhe olhando com pena, andou até estar ao lado dele.

- Só pode ter sido algo que você comeu. – Tirou os cabelos negros e suados da testa.

- Infecção intestinal por quase duas semanas? – Ele se levantou sem esconder a raiva por ela estar ali. – E sem diarreia?

Ligou a torneira e começou a tirar aquele gosto horrível da boca.

- Eu liguei para o Lee ele já deve estar vindo. – Ela tentou lhe fazer um carinho, mas Ray a repeliu. – Não me trata desse jeito.

- Então assina a porcaria do divórcio. – A olhou irritado. – Agora de preferencia.

- Eu quero uma segunda chance. – Ela tentou se abraçar a ele, mas Ray a empurrou e foi para a sala.

Jogou-se no sofá abraçando a barriga, começou a pensar no que poderia ter lhe causado tanto mal. Uma coisa lhe veio à cabeça: "Mas você foi muito bruto".

Não poderia ter… poderia?

Lee entrou acompanhado por Mariah.

- Preciso falar com você a sós. – Ray se levantou, olhou para Mariah. – A sós.

- Vou limpar o banheiro. – Ela fungou e saiu.

- Senta. – Lee pegou a maleta. – Que infecção em meu amigo.

- Não é infecção. – Olhou para a porta do banheiro e abaixou a voz. – Lembra-se da lenda?

- Qual delas?

- Sobre homens que podem engravidar. – Abaixou ainda mais a voz.

Lee ficou parado e quieto olhando o amigo, olhou para a direção em que a irmã tinha saído.

- Você está querendo dizer que…

Ray o interrompeu pegando Dranzer.

- Hiwatari? Sério?

- Não faz essa cara de quem não sabia. – Tornou a guardar o pião.

- Olha deu pra perceber quando fomos te buscar. – Passou a mão pelos cabelos. – Ela já sabe?

- Não, mas eu já estou farto disso. – Suspirou. – Tenho que voltar para a Rússia.

- Ele já sabe?

- Não eu descobri quase agora. – Tampou o rosto com as mãos. – Mas ficar longe dele esta me matando.

- Não acredito que vou falar isso, mas arruma as suas coisas eu vou conseguir duas passagens para a Rússia. – Levantou-se.

- Você vai comigo?

- Acha mesmo que vou deixar o meu irmão nas mãos dos médicos de lá? – Arqueou as sobrancelhas. – Que nunca viram isso na vida?

- E você já viu?

- Você ficou afastado muito tempo da vila. – Pousou a mão no ombro dele. – Me deixa ir com você?

- Obrigado. – Levantou abraçando Lee. – Ela vai enlouquecer.

- Quando ela entender que não tem volta ela vai se conformar.

Correu para o quarto e jogou sua mala sobre a cama, começou a tirar todas as roupas do armário.

- Onde você vai? – Mariah apareceu na porta.

- Estou me mudando. – Pegou mais roupas. – Assina o divórcio de uma vez?

- Você está me deixando?

- Eu já te deixei Mariah, quando sai da vila a primeira vez.

Kai estava deitado na cadeira, olhando o teto, fazia um movimento mecânico com a mão e a caneta. Tala empurrou a porta e entrou furioso.

- Há um mês ele me disse que voltaria no final de semana. – Rosnou andando até Kai que não o olhou. – Há um mês Kai.

- Não fala tanto escândalo. – Resmungou ainda encarando o teto.

- O que você sabe Kai?

- Ele me pediu dinheiro emprestado. – Deu de ombros. – Só sei isso e ele também não me deu mais noticias.

Tala gemeu se sentando na cadeira, cobriu o rosto com as mãos. Kai finalmente olhou para o ruivo ele parecia realmente muito mal, as olheiras sobre os olhos, os ombros baixos. Toda aquela pose de superioridade estava no chão.

- Não fica assim, ele deve ter um bom motivo. – Se levantou e foi até ele. – Tala.

O ruivo se levantou e abraçou Kai, tentando arranjar algum conforto.

- E se ele me deixou?

- Ele não é louco. – Sussurrou também abraçando o ruivo. – Calma Tala.

- Odeio ficar longe dele. – Fungou apoiando o rosto no ombro dele. – Aquele brutamontes idiota.

- Que você ama de paixão é eu sei. – Tentou faze-lo sorrir. – Vamos Tala, Bryan não teria colocado uma aliança na sua mão se não quisesse realmente ficar com você.

- E se ele estiver em perigo? – Olhou dentro dos olhos carmim.

- Tala se acalme. – O segurou pelos ombros. - Ok? Eu vou mandar alguém atrás do Bryan se isso te acalma.

- Posso ir? – Pediu.

Kai ficou quieto, Tala estava meio inútil pensando tanto em Bryan.

- Pode, arruma as suas coisas e pode pegar o jato da empresa.

Tala o abraçou com força e colocou um beijo na bochecha de Kai.

- Se você precisar de qualquer coisa me procura ok? – Falou olhando o ruivo sair.

- Eu te amo. – O ruivo abriu a porta e saiu.

Suspirou e se sentou na cadeira que o ruivo estava antes, olhou para a mesa o retrato que estava ali. Era a foto do primeiro campeonato deles, seus olhos pousaram no moreno que sorria satisfeito.

- Por que você não me liga? – Murmurou. – E por que não me atente?

Mordeu o lábio uma das mãos estava pousada sobre a barriga, Lee tinha ido mandar as bagagens.

- Será que você vai gostar dessa surpresa? – Olhou para baixo. – Vamos conseguir ter os nossos filhos.

- Ele vai adorar. – Lee murmurou se sentando ao lado dele. – Como pretende contar?

- Ainda não pensei nisso. – Sorriu sem graça. – Eu ainda tenho minhas duvidas se ele vai gostar.

- Por que ele não gostaria?

- Quando falamos em filhos ele disse que poderíamos adotar, mas eu acho que ele falou isso por que eu quero ter filhos.

- Eu acho que ele vai entrar em choque primeiro. – Soltou uma risada. – Mas depois ele vai adorar a ideia.

- E se…

- Ele vai gostar. – Falou firme. – Se ele não gostar deixa que eu me acerto com ele.

- Muito corajoso você. – Riu. – Você parece que aceitou bem.

Lee olhou para o lado antes de responder. – O que você quer que eu faça? Que te de uma porrada e tire as crianças?

- Crianças?

- Costumam ser mais se uma. – Acenou com a cabeça. – É o nosso lado meio gato.

Mordeu o lábio de novo e abraçou a barriga. Filhos.

Kai chegou em casa, foi direto para o bar. Jogou o casaco e a maleta sobre a poltrona, as chaves no balcão do bar. Pegou a garrafa de vidro e um copo começou a se servir quando sentiu as mãos tatearem seu abdômen e o beijo no seu pescoço.

- Quer a Dranzer de volta? – Sussurrou em seu ouvido.

Virou tão rápido que Ray se assustou, o puxou pela cintura e tomou seus lábios com fome. Ray sorriu durante o beijo o segurando pelos cabelos enquanto correspondia com o mesmo entusiasmo.

- Você entrou tão cego que nem me viu sentado no sofá. – Encostou a testa na dele sorrindo. – Dia cansativo?

- Mês cansativo. – O puxou com mais vontade. – Por que não me atendeu?

- Mariah sumiu com o meu celular. – Rolou os olhos e mordeu o lábio dele. – Deus como eu senti sua falta.

- Vamos subir? – Olhou para a porta. – Ou você quer relembrar a nossa ultima noite.

Sentiu que ele ia lhe empurrando para o sofá soltou uma risada. Kai o deitou no sofá e se deitou por cima dele o beijando no pescoço.

- Espera. – O empurrou pelo peito de leve. – Não quer tomar um banho?

- Estou fedendo?

- Não amor, estou falando para você tomar banho e relaxar e então podemos ficar juntos um pouco. – Acariciou o rosto de Kai. – Você tirou a barba?

- Você não gostava. – Encolheu os ombros. – E não me faz falta.

- Sinceramente? – Ergueu um pouco o dorso se aproximando dos lábios de Kai. – Eu gostava quando você me beijava nas costas e a sua barba me arranhava.

- Não faço a barba amanhã. – Estava hipnotizado pelos lábios dele.

Soltou mais uma risada. – Vai tomar banho e relaxar.

Parou escutando o barulho d'água batendo contra o corpo do Hiwatari. Sorriu, talvez devesse contar agora.

- Kai?

- Oi. – A voz veio por de traz do box escuro.

- Melhor.

- Um pouco, por quê?

- Lembra quando você disse que queria tudo comigo? – Encostou-se na madeira, o ouviu desligar o chuveiro e abrir a porta.

Kai saiu do chuveiro, o olhou com um pouco de curiosidade enquanto apanhava a toalha para se enxugar.

- Lembro. O que você esta pensando gatinho?

- Já disse que você fica muito sexy com o corpo todo molhado e que essa toalha é totalmente dispensável. – O tom malicioso, enquanto o sorriso se espalhava pelos lábios.

- Já entendi o que você quer. – Se aproximou o puxando pelo pescoço.

- Na verdade. – Virou o rosto com um sorriso maroto. – Quero conversar com você.

Kai o olhou com os lábios entreabertos, os olhos arderam de curiosidade. Ray o puxou até a cama.

- Sobre o que quer conversar? – Se sentou ao lado dele.

- Realmente não me concentro com você usando esses trajes. – Moveu a mão na direção da toalha.

- Ok. – O segurou. – O assunto é sério, para você estar dando tantas voltas.

- Bem… - Começou segurando o sorriso. – Na minha vila, existiam algumas lendas sobre os homens de determinadas famílias.

- Hn…

- Minha família é uma dessas. – Olhou para as mãos, entrelaçando os dedos. – Neko-jiins, é como chamamos esses homens, eles tem um olfato, visão, tato e audição mais apurados.

- Hn… meu neko. – Murmurou se curvando, distribuindo beijos pelo pescoço moreno. – E?

- Uma dessas lendas. – Fechou os olhos sentindo as caricias um pouco mais entusiasmada de Kai. – É sobre a preservação do nosso povo.

- Interessante. – Sussurrou, antes de retornar as carícias.

- Esses homens, os neko-jiins podem… - Suspirou quando o beijo subiu para a parte atrás da orelha. -… engravidar.

Kai se afastou o rosto desprovido de qualquer emoção, ficaram em silêncio até Kai o quebrar:

- Acho que não entendi.

- Amor…

- Ray, é biologicamente impossível um homem engravidar. – Se afastou um pouco incrédulo. – Precisa de um óvulo e um espermatozoide.

- Amor. – O segurou pelo rosto. – Calma.

Correu os dedos pelos cabelos molhados, o olhou e soltou um suspiro.

- Não gostou? – Se sentiu inseguro, mordeu o lábio e o soltou.

Suspirou, dando um beijo na testa do moreno.

- Eu só estou um pouco assustado, só isso.

Abraçou as pernas, encostando o queixo no joelho.

- Tem certeza?

- Tenho. – Resmungou chateado.

Sorriu e se deitou o puxando com si. O prendeu em seus braços, com um sorriso largo, raramente visto.

- Então eu realmente vou ter tudo com você.

- Não está chateado? – Apoiou o queixo no peito molhado do amante.

- Chateado não é a palavra. – Soltou uma risada baixa. – Eu não esperava ter filhos agora.

- Eu sei.

- Eu te adoro. – Colocou a mão em concha no rosto dele. – E eu vou amar ter um milhão de filhos com você.

- Um milhão não, mas com certeza mais de um. – Sorriu.

- Hã?

- Meu lado gato amor. – Se sentou na cama, acariciando o peito dele. – Provavelmente teremos mais de um.

- Gêmeos? – Arqueou as duas sobrancelhas se sentando. – Mais alguma surpresa?

- Hn? – Agora vinha à outra parte crítica. – Mariah não assinou o divórcio.

- Isso eu já esperava. – Rolou os olhos para o teto. – Mais alguma coisa?

- Lee está aqui.

- Que?

- Ele sabe o que fazer na minha situação Kai, por favor, não faz essa cara.

- Eu posso pagar os melhores obstetras do mundo.

- Algum sabe alguma coisa de gravidez masculina? – Arqueou uma sobrancelha. – Vai amor, ele aceitou nós dois quer a nossa felicidade e a saúde dos nossos filhos.

- Ray. – Kai o puxou para o seu colo. – Mariah vai acabar aparecendo aqui.

O abraçou pelo pescoço dando um beijo no ombro.

- Não se preocupe com isso, eu só quero você.

Tala estava sentado na poltrona em frente a cama, as pernas cruzadas e os braços repousados nos braços da mesma. Mastigava a língua e olhava pela milésima vez no relógio, já passava da meia-noite.

Bryan entrou no quarto, colocou as chaves na cômoda enquanto puxava o blazer para fora e afrouxava a gravata.

- Cansado, amor? – Tala apoiou o queixo em uma das mãos.

Bryan endireitou a cabeça e respirou fundo antes de se levantar.

- O que você está fazendo aqui Tala? – Perguntou jogando o terno na banqueta aos pés da cama e se sentando nela para retirar os sapatos.

- Bem, a um mês você me disse que voltaria no final de semana. – Sorriu debochando. – E foi muita burrice da sua parte não ter mudado de hotel.

- Eu não disse que ia voltar no final de semana daquela semana. – Argumentou desabotoando os punhos da camisa.

- Não me enrole Bryan. – Rosnou se levantando. – Por que você não volta pra casa?

- Estou resolvendo alguns problemas. – Suspirou. – Não faça drama.

- Não estou fazendo drama, só quero saber por que o meu noivo esta fora de casa a quase 3 meses e não me dá o mínimo de explicações. – Começou a ficar vermelho.

Bryan se levantou o segurando pelos braços com violência.

- O que você esta insinuando? – Rosnou apertando suas mãos no corpo dele.

- Me diga você Bryan.

O puxou para si o beijando violentamente, Tala tentou empurra-lo, mas Bryan o segurou com mais força.

- Não insinue que eu estou tento um caso. – Os olhos lilases estavam furiosos, o jogou sobre a cama.

Começou a desabotoar a blusa. Tala rosnou tentando chuta-lo, mas Bryan o segurou e jogou a perna para o lado.

- Bryan. – Se sentou, mas o lavanda o empurrou de volta para o colchão.

- Não ouse duvidar de mim Ivanov. – Rosnou no rosto dele. – Eu tenho um excelente motivo para ficar longe de você, ou você realmente acha que eu faria esse sacrifício atoa?

- Não me faça de tolo, Bryan.

- Então não duvide do meu caráter. – Devolveu.

Tala encostou a cabeça no travesseiro, Bryan colocou um beijo no pescoço dele.

- Droga é horrível ficar sem você. – O Kuznetsov resmungou. – Esses últimos meses foram uma porcaria.

- Bryan…

- Depois. – Sussurrou o beijando. – Vamos ficar juntos um pouco.

Abriu os olhos e bocejou, se sentou reprimindo o leve gemido. Olhou para o lado Bryan dormia tranquilamente, sorriu se levantando e caçando suas boxers para colocar. Pegou a camisa social branca e a colocou, deixando aberta. Foi até o telefone e pediu o serviço de quarto.

Kai saiu do banheiro terminando de dar o nó da gravata, Ray estava dormindo de bruços na cama.

- Gatinho. – Chamou acariciando os cabelos dele deu um beijo no topo dos cabelos negros. – Ray.

- Hn? – Abriu os olhos sonolento. – Odeio acordar cedo.

- Sério eu nem sei disso? – Sorriu de leve. – Eu estou indo.

- Já comeu? – Se espreguiçou sentando.

- Durante essa madrugada. – Sorriu mais abertamente, recebeu um olhar astuto.

- Esta tão sociável que me assusta. – O beijou no rosto. – Você não vai para o escritório sem comer nada.

- Claro amor. – O observou se levantar.

- Ah antes que eu esqueça. – Parou na porta do banheiro e o olhou. - Henry?

- O que tem ele?

- Onde ele está?

- Não faço a mínima ideia. – Sorriu. – Ele não cuida mais da minha conta, mandou um assessor júnior resolver tudo.

- Acho bom.

Tala terminou de arrumar a mesa e olhou para o noivo ainda dormindo.

- Bry. – O chamou esfregando seu peito. – Bry acorde.

Abriu os olhos e piscou por alguns instantes antes de puxa-lo para baixo.

- Bryan o café está na mesa. – Sussurrou enquanto ele o prendia embaixo de si. – Não, não é hora de dormir.

- Só mais um pouquinho. – Pediu.

- Não, você tem que me explicar algumas coisas lembra? – O empurrou para cima. – Acorda Bryan.

- Tá acordei. – Se levantou, bagunçou os cabelos.

Foi até o armário e pegou uma calça de moletom a colocando.

- Satisfeito? – Perguntou bocejando.

Tala começou a servir o prato dele e logo em seguida se sentou servindo o próprio.

- Encontrei meus pais. – Falou do nada enquanto espetava uma salsicha.

- Você o que? – Parou na hora que ia servir o café na xícara.

- Encontrei meus pais. – Repetiu o olhando. – Minha mãe está doente, meu pai é um bêbado.

- Por que você não me ligou eu teria vindo.

- Meu pai é um machista idiota. – Balançou a cabeça tomando um gole da própria xícara. – Eu tinha uma irmã mais velha.

- Tinha?

- Morreu há três anos atrás. – Pousou os talheres e entrelaçou os dedos na frente do rosto. – Eu tenho um sobrinho.

Tala ficou em silencio absorvendo tudo o que ele disse, sua mente começou a se familiarizar com a situação.

- Você disse que sua mãe está doente?

- Sim está. – Suspirou. – Eu tenho tentado arranjar médicos e soluções para a situação dela, mas ela não tem cura.

- Sinto amor. – Segurou o braço dele. – E agora?

- Eu quero a guarda do garoto, já dei entrada no pedido.

- O que Bryan?

- Me escuta só por um segundo, meu pai melhor o desgraçado que ofereceu metade dos genes para a minha concepção. – Correu a mão pelos cabelos. – Ele é violento, bate na minha mãe e no garoto.

- Bry.

- Tala nós sabemos o que é ser maltratados e humilhados todos os dias. – Apertou a mão do ruivo. – Me apoia vamos criar esse garoto, dar uma chance a ele.

- Quantos anos ele tem?

- Fez 15 semana passada.

- 15? – Assobiou. – É um grande passo amor.

- Eu sei, mas eu não posso simplesmente dar as costas e ignorar o fato que ele existe.

Tala olhou para o próprio prato e sorriu.

- Quando vou conhecer o meu sobrinho?

Bryan sorriu.

Max estava lendo um livro, estava cansado, já passava do meio dia. O monitor do computador piscou lhe alertando que tinha um e-mail novo.

Fechou o livro marcando a página, abriu o e-mail e sentiu seu estômago dar um solavanco.

Era uma foto de Hillary agarrada nos beiços de um homem loiro, desceu mais um pouco e viu outra foto sabia muito bem quem era aquele homem. Enrique Tornatore.

- Não acredito. – Recostou-se na cadeira. – Mas que merda.

Tala esperava no carro enquanto Bryan havia subido para falar com a mãe. Estava impaciente pelo que tinha conseguido entender ele ainda não tinha contado sua opção sexual e nem muitas coisas do seu passado. O pai era quem tinha o dado para a adoção sem a permissão da mãe.

Bryan desceu as escadas esfregando as mãos.

- Como foi? – Pediu saindo de dentro do carro.

- Ela ficou um pouco abalada, mas está disposta a te conhecer. – Sorriu para ele o segurando pelas mãos. – O menino está com ela.

- Ele não é menor de idade? – Perguntou enquanto andavam para dentro do hospital.

- Nada que o dinheiro não resolva. – Sussurrou. – Por isso pedi dinheiro ao Kai, não queria tirar da nossa conta por que sabia que você ia notar.

A senhora estava deitada, era magra de mais. Os cabelos lilases como os do filho eram ralos e finos de mais, ela parecia estar conversando com um garoto. Magricelo parecia que não comia o suficiente, os cabelos da cor de Bryan vinham na altura do ombro cobrindo o transversal que ele tinha na orelha, o piercing na sobrancelha assim como algumas espinhas.

- Mãe. – Bry a chamou enquanto entrava, Tala estava com a mão em seu ombro. – Este é o Tala.

- Olá. – Ela sorriu fraca. – Então é este o rapaz. Eu me chamo Jelena.

- Prazer. – Beijou a mão da senhora.

- E esse é o meu sobrinho, Luka. – Bryan indicou o garoto.

- Prazer. – Estendeu a mão, mas o menino o ignorou olhando para fora.

Retirou o pen-drive do computador do café e se levantou pegando o late que bebia. Saiu da cafeteria e colocou os óculos de sol, se aproximou de uma lixeira e jogou o pen-drive e as luvas lá dentro.

- Max? – A voz feminina um tanto alterada saltou aos seus ouvidos.

- Hey Hill. – Se virou com um sorriso. – Achei que já tinha voltado para o Japão.

- Não, vou ficar por mais algum tempo. – O abraçou com um pouco de receio. – O que você está fazendo aqui?

- Minha mãe está doente infelizmente. – O sorriso morreu em seus lábios. – Então eu estou aqui cuidando dela.

- Tyson deixou isso?

- Claro, na verdade ele ficou aqui comigo por uma semana. – Sorriu mais abertamente. – É claro ele não quis atrapalhar o seu trabalho.

- Ah. – Tentou sorrir, mas não conseguiu.

- Hillary. – O homem loiro e forte apareceu segurando dois expressos.

- Enrique. – Max sorriu estendendo a mão. – Quanto tempo não nos vemos.

XxXxXx

Não sei vocês, mas estou com tanto orgulho do Maxie *-*
O que mais tenho para dizer? Ah sim, tenho duas fics novas postadas aqui no site Kotek e Day after today.
Espero que apreciem as novas tanto quanto gostam dessa. Bjs e até a próxima.