N/A's: Os capítulos andaram passando por uma revisão, mas nada que mudasse completamente seus conteúdos. Mas antes de lerem gostaríamos de esclarecer alguns pontos: Nós somos quatro! É. Somos quatro garotas que escrevemos esta fic e administramos cada shipper. Vocês também irão perceber que nesses primeiros capítulos, focamos muito mais a Lynn e a Ann, e temos um motivo para isso. Elas são personagens originais, por isso explicitamos melhor suas histórias já que vocês conhecem muito bem a Hermione e a Gina. Os shippers D/G e R/H, são um pouco mais trabalhados e mais lentos de se chegar direto ao ponto, por isso pedimos a vocês um pouquinho de, paciência! E que também leiam todos os capítulos com atenção, pois neles contém grande parte importante da história, e que se pularem, essa história pode se distorcer. Devido a alguns problemas estamos postando-os novamente, mas às pessoas que ainda não leram, por favor, aproveitem!
Primeiro capítulo do diário e alguns esclarecimentos: As partes em itálicos são as escritas no diário, narradas em primeira pessoa pelas personagens. As partes em letra normal e em terceira pessoa é uma interpretação do que está escrito no detalhe, mas com uma narração mais detalhada.
Leiam e se divirtam ;)
Cap. 4 – Nada aconteceuHogwarts, 26 de Dezembro.
Segundo dia da Irmandade (até que a nossa marca ficou bonitinha, não é meninas?), primeiro dia no diário. E acreditem... eu já tenho coisas pra contar.
Ontem fiquei alguns minutos a mais, distraída, depois que todas vocês saíram da sala precisa. E quando eu estava a caminho da sala da Corvinal acabei por cruzar com o Diggory. Não sei que insistência divina é essa, mas Merlin sempre faz o favor de colocar esse garoto no meu caminho! Urgh... Eu estava passando pelo corredor...
Cedric estava passeando pelo castelo quando duas garotas o pararam no pé da escada. Eram da Grifinória e Lufa-lufa, possivelmente do 4° ano. Ao abordarem o moreno começaram a lhe fazer mil perguntas e paquerarem o menino, que desde a sua volta havia virado nova celebridade da escola. Conseguindo se desvencilhar das garotas insistentes, o garoto rodou sobre seus calcanhares e voltou pelo mesmo caminho que havia feito. Andou sem rumo até que se viu parar no terceiro andar. Este estava deserto... Mesmo depois de sua liberação era pouco povoado, na verdade quem ia até lá era na intenção de ficar sozinho.
Deu uma volta pelo andar e ao descer as escadas percebeu alguém parar ao alto delas. Era ela. Com um semblante exausto, a garota loira de rosto frio estava ali parada e ele ao virar-se passou a admirá-la. Tão linda, os beijos que trocaram até aquele momento e depois a repulsão repentina que vinha a separá-los causada por ela, arrogante. Totalmente arrogante, mas aos seus braços era sua necessidade, ele sabia disso, por mais que não quisesse aceitar. Então ela começou a descer as escadas e ao passar por ele, falou:
- Onde estão suas fãs Diggory? Finalmente o deixaram em paz? – em tom irônico.
- Por que pergunta? Até parece que se importa... – disse ele desanimado olhando-a fixamente.
- E não me importo. Apenas estou surpresa. – Lynn já estava se sentindo invadida com aquele olhar. Desejava que ele parasse naquele instante, mas era em vão.
Cedric a esse ponto já estava muito próximo à garota.
- Surpresa? – disse quase num sussurro bem próximo aos ouvidos de Lynn.
- Sim... – falou segurando sua voz, mas por dentro tremia feito vara verde. – Ah Diggory, não me venha com seu charme barato. Não sou como essas garotinhas bobas. – tinha firmeza na voz.
- Não, não é... - Lynn só sentiu uma mão puxar-lhe pela cintura e mais uma vez seus lábios se encontraram. Os lábios tenros do moreno beijavam com carinho a boca carnuda da loira.
Momentos como aqueles haviam se repetido por várias vezes desde a primeira vez em que se beijaram após o baile, e a partir dele, passaram a acontecer com mais freqüência. A loira sentia uma raiva tomar conta de si, pois a cada vez que estava disposta a iniciar um rinha com o garoto, ele a puxava pela nuca ou cintura e lhe acolhia num beijo arrebatador. E odiava ainda mais o fato de querer se separar e apenas não o fazer. Não só a freqüência aumentou, como também o tempo em que ficavam juntos.
Lynn já estava prensada entre a parede e o corpo quente de Cedric, o que a fazia borbulhar de desejo, mas se mantinha firme. Trocavam beijos calorosos e ardentes, e apenas por precisarem de ar separavam suas bocas, e daí trocavam algumas palavras. Geralmente ofensas partidas da garota e ele consentia, beijando-a novamente.
- Que ato mais idiota Diggory. – disse ela rispidamente.
- Estúpida como sempre. – ele balançava a cabeça para os lados em sinal negativo.
- Sim. E se não gosta, por que insistentemente me procura? – falou a loira num ar superior.
- Primeiro... eu não te procuro. Nós nos encontramos sempre... é diferente. Segundo: Eu ainda não sei o seu primeiro nome? – no momento em que falava um sorriso se formou no canto dos lábios do moreno, o que fez Lynn estremecer por dentro.
- Diferente seria se não estivesse sempre no meu caminho. – retrucou friamente olhando nos olhos de Cedric. – E novamente essa história de primeiro nome Diggory? Está muito bom assim... sempre gostei muito dos tratamentos formais. – dizia totalmente irônica. - Além do que, você não é NADA meu para me tratar tão intimamente. Para você é Lestrange, e continuará a ser até o dia que eu quiser.
Aquele jeito bruto e ignorante de falar cortava o peito do garoto, o dilacerava. Mas a necessidade de tê-la em seus braços, sentir seu cheiro doce e marinho eram maiores do que qualquer ofensa proferida por ela.
- Está bem, Lestrange... – falou Cedric seriamente com os olhos semicerrados, olhando diretamente naqueles oceanos azuis. Aproximou seus lábios aos de Lynn, que deixou escapar um suspiro, e apenas os encostou aos lábios doces da menina. – Está bem.
Lynn sentiu o hálito quente do moreno deslocar-se ao seu pescoço, beijando-o com grande desejo e ferocidade. A menina já prensada novamente a parede percebeu um fogo consumir totalmente o seu corpo, que involuntariamente começou a fazer movimentos delicados ao sentir o corpo do garoto encostar-se mais ao seu. Cedric apenas seguiu os movimentos da menina, deixando-se guiar por ela. Aquilo era bom demais. Sua vontade de tê-la crescia a cada balanço de seus corpos, que pareciam estar conectados, os beijos eram cada vez mais profundos, suas línguas se encontravam com ardor e necessidade e ao se separarem para tomar ar, era uma tortura para ambos. Queriam mais carícias um do outro, precisavam. O moreno passava as costas de sua mão delicadamente pelo rosto frio e macio de Lynn, e a outra mão o apoiava na parede na altura da cintura da loira, que já estava tão envolvida por tudo aquilo que havia entrelaçado seus braços pelo pescoço do garoto, puxando-o para aprofundar seus beijos e por Merlin, se sentia tão bem.
Lynn passou a beijar com desejo o rosto de Cedric. Beijava com suavidade suas bochechas, sua boca, até descer ao pescoço do rapaz, que se rendeu em êxtase. Cedric ao sentir os beijos macios da garota em seu pescoço arfava baixo e queria mais. Ao levantar a cabeça para olhar o moreno percebera seu semblante desejoso, pegou a mão dele e a levou para sua barriga posicionando-a embaixo de suas vestes. Cedric se surpreendeu ao perceber que a loira havia levado sua mão à barriga dela, ele agora sentia a mesma pele fria, mas mais macia ainda que o seu rosto. Resolveu continuar a explorar o corpo da garota que trocava ardentes beijos com ele, subindo a mão por seu abdômen chegando aos seios dela, parou inseguro e pensava: "E se ela revidar com tapa?". Lynn nesse momento parou o beijo e arregalou os olhos, sentiu ímpeto de rolar a mão na cara do garoto à sua frente, mas consumida pelo desejo como estava, sua mão guiou a de Cedric apertando-a contra seus seios cobertos pelo sutiã, que também arregalou seus olhos olhando para a menina que abaixara sua cabeça. O rapaz engoliu seco e com a mão que estava desocupada levou seu dedo indicador ao queixo de Lynn, levantando-o, erguendo a cabeça da menina e depositando um leve beijo em sua testa.
A loira não sabe ao certo o que sentiu aquele momento, um misto de sensações passaram por sua mente e corpo e quando percebeu estava desabotoando seu sutiã, firmando a mão de Cedric em seus seios e beijando-lhe a boca carinhosamente. Um frio bateu de ponta a ponta a espinha do garoto que correspondeu o beijo, e passou a tocar de leve os seios da loira. Eram firmes, redondos e macios e uma sensação inigualável tomou conta do garoto naquela hora e percebera que ao seu toque Lynn gemia baixo ao seu ouvido, decidindo assim acelerar e firmar os movimentos que fazia. Seu toque era algo mágico, Lynn nunca sentira nada comparado àquilo, era brando e forte ao mesmo tempo, era suave e violento, queria que aquelas mãos lhe acariciassem todo o corpo, e ao sentir seu desejo crescer, Lynn beijava-o com mais necessidade. O moreno já não se continha em si e com violência abriu a blusa branca da loira, revelando-lhe os seios desnudos. Sem pensar duas vezes beijou-lhe o colo branco feito papel, assim como os seios alvos com os mamilos muito rosados, já excitados. Beijava-os com necessidade retirando gemidos abafados de Lynn, que trincava os lábios de prazer e também já estava em seu limite, não resistia mais. Mordia-os levemente enquanto a loira presa contra a parede passava suas pernas em volta de sua cintura acelerando o movimento e abrindo a sua blusa. Quando subiu a cabeça para o pescoço da loira, ela o segurou pelas bochechas e lhe acolheu num beijo quente, estava fora de si, e só o que queria era corpo dele junto ao seu. Lynn beijou ferozmente a boca de Cedric e desceu rapidamente para seu pescoço, uma de suas mãos segurava seus cabelos com selvageria e a outra tentava em vão agarrar-se na parede de pedra. Desenrolou suas pernas da cintura do garoto, tocando seus pés novamente no degrau da escada de mármore, passou a beijar-lhe o peito másculo bem definido, mostrando também sua barriga malhada. Era um belo pedaço de homem. Com a mão que estava desocupada a loira decidiu acariciar-lhe a barriga descendo suavemente. Cedric pegou-a pelas coxas, colocando-as de volta em sua cintura, havia gostado daquela posição. A mão de Lynn estava parada no umbigo dele enquanto a outra ainda permanecia na sua nuca aprofundando mais um de seus necessitados beijos. Passou a dar leves mordidas nos lábios da loira deixando-a extasiada, e assim descendo a boca para seu pescoço, depositando beijos ardentes e dando leves chupões na curva de seu pescoço deixando marquinhas vermelhas. Ela puxava-o pela nuca mais par si, como se quisesse que ele a possuísse.
Então, o relógio começou a tocar. Badalou uma vez e chamou a atenção da loira, separando-se imediatamente do moreno a sua frente. Ela contou as badaladas... 12! Eram meia-noite ela estava à ponta de uma escada no terceiro andar praticamente seminua presa pelas pernas à cintura de um menino também não muito composto.
- Fomos muito longe dessa vez. – disse ela já fria, mas ainda ofegante abotoando sua camisa rapidamente.
- Você acha? – ele tinha um sorriso malicioso na boca, seu rosto estava muito vermelho e quente, e respirava com dificuldade tentando recuperar o fôlego, diferente da garota que tinha um olhar assustado na face. Tinha uma mão apoiada na parede com a garota ainda entre ele e a muralha de pedra. Pela nuca puxou-a para um beijo.
Ela lhe deu um selinho apenas e depositou o dedo indicador nos lábios dele.
- Shhhh... – disse muito séria. – Você quer ser pego aqui, nesse estado pelo Filch, Diggory?
- Realmente... não. Vamos, vamos voltar para nossas salas comunais. – falou ele raciocinando rapidamente, libertando a garota.
- Você só pode estar louco! – abafando a voz, sussurrou Lynn fitando o moreno.
- E pra onde você quer ir? Se não formos vamos ter que ficar aqui parados, e aí sim o Filch nos pega. – murmurou Cedric, agora ficando nervoso.
- Mas é um paspalho mesmo! – bufou a loira.
- Arrgh... não começa Lestrange! – disse ele crispando os lábios com o olhar semicerrado diretamente para Lynn.
- Não começa o que? Você é burro demais! – falou Lynn agressivamente para o rapaz muito nervoso a sua frente. – Você acha que eu sou tão anormal como você que fica andando pelo castelo feito um fantasma? O que você não é mais... – soltou uma risadinha irônica. – Eu estava em uma sala antes de infelizmente esbarrar contigo seu lerdo. – berrou Lynn muito grossa.
- Infelizmente! – soltou uma leve risada. – Sei, sei... – disse em tom sarcástico. – e que pelo jeito você gostou bastante... - disse olhando a garota de cima a baixo e parando em um ponto em sua blusa que não tinha sido abotoado e mostrava um pedaço de seu seio.
Lynn seguiu o olhar maldoso de Cedric até perceber aonde havia parado e tapou imediatamente a fresta que o moreno olhava fixamente passando a língua pelos lábios e logo após fazendo uma cara safadinha, dando uma risada gostosa e muito sexy. Aquele sorriso causava delírios à loira, que ainda não entendia porquê ele mexia tanto com ela. Aquela altura Lynn já estava se repreendendo mentalmente ao se dar conta de todo o tempo que passou e tudo o que havia feito com o rapaz naquela escada, se não fosse pelo relógio, só Merlin saberia o que eles fariam ali mesmo.
- Argh! Puta que pariu! Eu devo ter bebido e não sei... – falou mais para si do que para o garoto. – E você... não pense que isso voltará a se repetir! Foi um momento de insanidade, nada mais. – disse Lynn apontando o dedo para o rapaz e franzindo sua testa.
Cedric não gostou do que a garota tinha acabado de lhe dizer, pois sabia que era bem possível de acontecer. Todas as vezes anteriores em que tinham ficado juntos, sempre era escondido dos demais alunos do castelo num lugar escondido e na maioria das vezes a noite, e no dia seguinte Lynn passava por ele como se nada tivesse acontecido. Os beijos que trocavam eram sempre quentes, mas semelhante ao que acontecera esta noite, isso nunca tinha se passado entre os dois, havia sido muito mais do que uma simples ficada... assim pensava ele. Tinha que engolir a loira passar aos abraços provocantes pelos corredores de Hogwarts com o primo Draco, isso quando não a via trocar selinhos com o mesmo. Nesses momentos sentia uma raiva incomum subir a sua cabeça, o sangue fervia em suas veias, tinha vontade de esganar aquele Malfoy e até mesmo sua doce e cruel loira. Seus pensamentos voaram e então ele disse:
- Diz logo então onde é essa sala... – já impaciente.
- Você não pode saber aonde é... – falou Lynn surpresa... tinha certeza que Cedric iria retrucá-la, mas ele não o fez e ao invés disso a olhou intensamente com um olhar triste.
- E como eu vou pra lá se não posso saber aonde é?
- Feche os olhos. – retrucou ela, aquele olhar triste vagava em sua cabeça, não queria mais ter que encará-lo.
- Está bem... – conformou-se o moreno ao sentir o tom sério da garota.
- Vamos.
Lynn pegou Cedric pela mão, o que a fez tremer, não era muito acostumada a andar de mãos dadas com alguém, e pra se somar, entrelaçara sua mão ao menino que mexia com seu corpo como nenhum outro havia feito até o presente momento. Depois de virarem muitas esquinas de corredores pararam e o rapaz estava abrindo o olho quando Lynn levou as mãos delicadas até o seu rosto...
- Não... ainda não pode abrir.
O moreno assentiu com a cabeça... Percebeu um vulto passar por três vezes à sua frente. Eles haviam chegado à frente da sala precisa. A loira passou por três vezes à frente da porta grande de madeira pensando: "Estamos encrencados, precisamos entrar.", repetiu a cada passada que deu. Cedric ouviu o som de uma grande e pesada porta se abrir, quando sentiu Lynn puxá-lo para dentro.
- Pode abrir. – disse Lynn.
- Onde estamos? – perguntou Cedric ao olhar para os quatro cantos da vazia e enorme sala.
- Isso não te interessa. – falou a loira rispidamente. – Basta saber que aqui é seguro.
- Olha, não me venha com agressividades, não fiz nada que você também não quisesse. – bradou o moreno automaticamente após a resposta da loira.
- Durma Diggory. E amanhã quando sair faça o favor de vendar os olhos até estar bem longe daqui. Não quero que passe a freqüentar este lugar. Já tem dono! – falava Lynn calmamente em seu tom frio usual.
- Deve ser aqui que você se encontra secretamente com seu priminho amado... – disse Cedric com desdém na voz, e pensando "Por Merlin! Que idiotice eu acabei de saber? Agora essa convencida vai pensar que eu estou com ciúmes!".
Lynn se espantou com a resposta do rapaz. "Mas quem ele pensa que é pra falar de mim assim!", pensava furiosa.
- Você está insinuando que eu durmo com meu primo aqui? – contendo sua raiva. – HAHAHAHA... Não me venha com piadas! – essa risada havia saído muito sinistra. – E se sim... você não tem nada a ver com isso defunto! – disse a loira fitando o garoto incrédulo a sua frente.
- Você não presta. – falava Cedric inconformado.
- Novidade. – respondeu curta e grossa.
Cedric de súbito virou-se para a porta e fez menção de sair, mas sabia que não podia, correria grande risco de ser pego, e assim levaria uma severa punição afinal, já passava de uma da manhã, que desculpa teria para estar fora do dormitório a essa hora! Lynn ficou surpresa ao ver o rapaz virar-se para a porta e se aproximar parecendo que estava indo embora. Correu e meteu-se entre a porta e o garoto.
- Nem pense em sair! – bradou seriamente.
- Não vou...
Cedric apenas baixou um pouco sua cabeça, aproximando sua boca a da loira e a beijou calmamente. Ele mesmo terminou o beijo, fitou Lynn por um tempo indeterminado. Os dois ficaram àquela porta parados perdidos em seus olhares. Ele se deixou penetrar pelas órbitas mais parecendo um grande mar azul, enquanto ela fixou-se naquelas nuvens cinzentas que lhe transmitiam sofrimento. Num ímpeto inconsciente Lynn enlaçou seus braços em volta do pescoço de Cedric, depositou um leve beijo em seus lábios e lhe disse:
- Vai dormir.
- Boa noite. – disse ele ainda fitando a loira.
Lynn não conseguiu retribuir, tirou seus braços do garoto e dirigiu-se ao meio da sala. Deitou-se no chão de pedra, estava frio, mas não se importava apenas queria que o sono viesse logo e que aquela noite acabasse. Cedric seguiu na mesma direção que a loira e se posicionou ao seu lado, sua mão se depositou na cintura da menina alisando sua barriga por debaixo da blusa, ela estava de costas, por isso depositou sua cabeça na mesma altura da dela e passou a sentir o aroma que exalava de seus cabelos loiros, longos e sedosos. A loira tremeu ao sentir aquele toque novamente, e a respiração quente dele um pouco acima da sua nuca, não iria resistir por muito se aquilo continuasse. Virou-se ficando cara a cara com o moreno, ele que a olhava assustado por não saber qual seria a reação dela que o encarava com os olhos frios.
- Ponha-se a dormir... e me deixa, estou cansada. - sussurrou ela.
- Tem certeza que ninguém virá aqui no meio da noite? – murmurou ele em resposta, deixando seu hálito quente escapar em um suspiro.
Ficou tonta de desejo com aquele suspiro, por Merlin, aquilo era tortura para a bruxa. Contendo-se, disse com firmeza.
- Tenho sim. Por favor, não tente mais nada. – quando em seu interior ela gritava por mais beijos dele.
- Então durma bem. – sorriu e virou-se para o lado.
Aquele sorriso, aquela boca... Aaaaiii era tortura! Lynn rolou agachando-se e ficando de quatro em cima do moreno, ele estava surpreso, mas agradou-lhe a atitude da loira. Os cabelos longos caíram pelos ombros depositando-se no peito do garoto que estava sem camisa. Abaixou-se lentamente e quando percebeu seu corpo estava deitado por cima do dele fazendo movimentos semelhantes aos que fazia quando estavam na escada, e ele os seguia dando uma sensação de plenitude incrível a garota. Beijavam-se ardentemente, era um vício, não conseguiam parar, e a cada beijo seus corpos ficavam mais quentes e desejosos. A essa altura, Lynn já estava com seu colo e seios novamente desnudos, com Cedric em cima de si com movimentos mais bruscos e beijando necessitadamente seus seios que pareciam explodir de prazer, e ela gemia em êxtase. Ele desceu pela barriga percorrendo um caminho perigoso e prazeroso por aquela pele macia, abrindo os botões da mini-saia da menina e voltando rapidamente para beijar-lhe os lábios. Não estava muito diferente, pois seu rosto estava vermelho e com seus corpos muito juntos, Lynn pôde perceber que ele estava mais animado do que o normal da cintura para baixo. Ao se tocar disso, a loira se desvencilhou dos braços do garoto, não queria que aquela noite acabasse no que viria a seguir, cobriu como em reflexo seus seios e segurando com a outra mão sua saia.
- Você tá indo longe demais. – disse recuperando o fôlego já em pé tentando se tapar.
Era absurdamente linda envergonhada, foi o que veio subitamente a mente de Cedric ao vê-la totalmente corada tentado se tapar á meia luz da sala.
- Que eu saiba foi você que pulou em cima de mim... – falou ele rindo.
- Eu já disse! Devo estar fora de mim! – berrou ainda um pouco corada, mas já composta e contida.
- Não me vem com essa Lestrange... Você me quer tanto quanto eu quero você! – bradou Cedric levantando-se. "Merda! Que merda eu acabei de falar!"... Sabia que acabara de entregar o ouro ao bandido.
- Há! Você sonha em possuir esse corpinho aqui Diggory... – disse ela friamente passando o dedo pelas curvas de seu perfeito corpo e trincando os lábios. – quanto a mim... não lhe cabe saber os meus desejos. E chega de falatório... Daqui a pouco amanhece e graças a Merlin, não vou ter que suportar sua cara por muito tempo.
- Você é um idiota Cedric. – sussurrou ele para si mesmo. Encarou a garota e dirigiu-se a um canto frio e escuro da sala.
Lynn não entendeu muito bem o que aconteceu, mas só percebeu Cedric mover seus lábios como se dissesse algo para si mesmo e seguir em silêncio a um canto asqueroso e frio da sala. Não se sentiu muito bem, mas pelo menos assim estavam numa distância segura um do outro, sem riscos do espírito louco que parecia baixar nela ao estar próxima do rapaz. Alguns minutos depois, por uma fresta de luz que se dirigiu ao garoto percebeu que ele havia se rendido ao sono, enquanto ela, não parava de pensar no que havia acontecido. O que ela tinha feito? Mas que porcaria se passou na cabeça dela para subir em cima do garoto e beijá-lo daquela maneira? Como tinha dirigido a mão dele aos seus peitos e sentido prazer naquilo? Quis transar com ele no meio das escadas do colégio a perigo de qualquer um vê-los? Essas perguntas passavam pela mente da loira enquanto ela desatava a escrever no pequeno diário que havia sido passado a ela pelas amigas como a primeira a relatar os acontecimentos de sua semana. Mas por que logo naquele dia tinha que ter acontecido tudo aquilo?
- As meninas vão me achar uma maníaca sexual quando lerem isso logo na primeira página! Mas que merda! – murmurava Lynn, com uma vontade aguda de apagar aquele dia de sua vida. – Nada acontece nessa minha vida... Só promoções e alguns agarrinhos bestas com o Quinho... Daí surge esse ridículo do irmão da Ann pra complicar minha vida. Urrrghh... – bufando, Lynn escrevia mais.
Então eu ouvi as 5 badaladas, já eram 5 da manhã. Decidi então deixar o Diggory lá dormindo, não quis acordá-lo e me dirigi para a sala comunal, me esgueirando pelos corredores. Tô agora sentada aqui na minha cama, depois de um bom banho esperando a hora o café da manhã. Ia até o quarto da Mione, mas achei melhor não. Eu devo estar louca meninas, o que deu em mim pra me comportar dessa maneira? Tudo bem que o Quinho já disse várias vezes pra mim que eu sou safadinha, mas pelo amor de Merlin! A gente tá falando aqui do defunto... Com todo respeito Ann, mas seu irmão ressuscitou. Urgh... Me dá nojo de pensar, beijar ele e sentir algum verme entrando na minha boca! Errrgh.
Mas enfim, não vou dizer que ele beija mal, pelo contrário! (E isso fica guardado aqui! Entendeu, Ann Diggory!) Sinceramente, eu acho que o espírito de alguma garota apaixonada pelo defunto baixou em cima de mim essa noite, porque eu confesso... Eu nunca senti tanto desejo na vida! Ahm... Já são 7:00 as meninas aqui ainda estão acordando. Vou tomar café. Té depois.
Ao dirigir-se pelos corredores até o Grande Refeitório Lynn encontrou Gina.
- Bom dia Lynn. – disse a ruiva num sorriso.
- Nem tão bom assim. – falou Lynn seriamente.
- Nooossa... Que bicho te mordeu? – indagou Gina curiosa.
- Um que já morreu e veio me atormentar! – respondeu automaticamente olhando para a grifinória sorridente, com os olhos vermelhos e grandes olheiras.
- Hmmm, já entendi tudo. – falou menina entre risinhos. – Mas o que aconteceu Lynn... não dormiu essa noite? Essas olheiras... Seus olhos...
- E ainda por cima eu esqueço da maquiagem e do colírio. – bufou a loira, soltando um grunhido fino e indecifrável.
- Por Merlin menina! Diz logo o que houve. – disse a grifinória ao seu lado já preocupada.
- Você vai ler Gina! – bradou Lynn não se importando se outros iam ouvir.
Rodou sobre os calcanhares deixando Gina com uma expressão confusa no meio do corredor, voltando para seu dormitório. Ao chegar abriu seu baú violentamente e abriu a bolsinha de medicamentos trouxas que comprara uma vez em Londres, retirou um medicamento pingou aos seus olhos e como que por mágica tornaram a seu branco natural, pegou uma caixinha prateada muito pequena e delicada, ao abrir, começou a passar base na região abaixo dos olhos. Sua caixinha de maquiagem mínima ao se abrir tinha uma imensidão de produtos e variedades, como adorava a mágica. Após cobrir as grandes olheiras que gritavam em sua face Lynn que tinha uma pele lisa feito pêssego, passou de leve pó de arroz e blush para corar sua face muito branca. Passou um gloss rosado em seus lábios que ficaram brilhantes, olhou-se no pequeno espelho e guardou sua caixinha e seu baú. Ao chegar à porta do refeitório já atrasada, encontrou as três amigas paradas de braços cruzados olhando fixamente para ela como se estivessem à sua espera.
- O que foi? – perguntou não entendendo nada. Elas tinham expressões de estarem esperando por uma reposta bem convincente da loira.
- Pode ir desembuchando Lynn. – falou Ann rispidamente.
- É... pode ir falando mocinha. – dessa vez era Gina.
- Por que você não nos conta? – disse Hermione calmamente a amiga.
- Falar o que meninas? – a essa altura ela já sabia muito bem sobre o que se tratava.
- A Gina nos falou, que você estava bem estranha há poucos minutos atrás. E disse que você não estava falando nada com nada... só sabia que se tratava do... er... do irmão da Ann. – Hermione falou muito tranqüila a Lynn, enquanto Ann olhava de suas unhas para a loira com os olhos semicerrados, muito parecidos com os do irmão.
"O quê? O que é que você tá pensando Lynn Lestrange? Você está louca, só pode estar! Agora fica lembrando do olhar dele assim é? A toda hora?", pensava a menina que quase se debatia por ter esse pensamento.
- Ah Mione... Eu contaria. Se não estivesse tudo escrito tudo no diário. – falou Lynn fitando a morena de cabelos desgrenhados. – Se eu contar, que graça vai ter lê-lo na próxima reunião? – sussurrou pra as amigas que agora formavam, uma roda.
- Isso ela tem razão Ann. – disse Gina abanando a cabeça positivamente.
- Ah... Cala a boca Weasley! – berrou a sonserina. – Tá ok Lynn... Mas se eu souber que você fez mal ao Cedric, ah se eu souber. – disse a garota cerrando as mãos, com um semblante aterrorizante na face.
Nesse momento um grupo de pessoas saía pela porta do refeitório, e uma delas um certo loiro com olhos cinzentos mirados na garota Lestrange. É, aquele oxigenado também havia permanecido no castelo para as férias de Natal.
- Bom dia Pitzie. – falou Draco num estranho bom humor.
- Bom dia Quinho. – rindo, Lynn revidou. Odiavam seus apelidos de criança, mas atiçavam um ao outro se chamando assim. – E o que aconteceu? Tirou o atraso foi priminho?
- Hahahahaha... Sim, sim Pitzie. – Draco gargalhava e a este momento já havia agarrado a prima pela cintura juntando seus corpos e seus lábios também muito próximos.
Lynn soltou um muxoxo e então sorriu. Cenas como aquelas já haviam se repetido por várias vezes ao decorrer do ano em Hogwarts e as garotas que estavam ao lado da loira estavam começando a se acostumar.
- E quem foi a tapada dessa vez?
- A mesma de sempre... Pansy. – o loiro dizia o nome da garota com certo desdém.
- Argh! – falou Ann de impulso. – Malfoy... – em tom de deboche - mas como você tem coragem de ... com aquela cara de buldogue? – se estremeceu como se tivesse tido um calafrio.
- Não tive oportunidade com uma melhor... – disse o loiro provocante.
A prima nesse instante deu-lhe um tapa de leve no ombro e desatou a rir.
- A Ann tem razão Quinho... Eca! Só de imaginar aquilo pelada me dá vontade de vomitar. – Lynn torcia o rosto com nojo.
Draco franziu a testa, mexeu graciosamente seu nariz ficando encantadoramente bonitinho, puxou Lynn para um fogoso beijo, que a pegou de surpresa, mas que o correspondeu à altura. Entendiam-se divinamente aqueles dois, e os boatos que corriam pelo castelo, diziam que os dois tinham uma espécie de namoro liberal. Um cúmulo na opinião da loira, mas decidira não perder seu precioso tempo tentando contornar fofocas de bruxas encalhadas, feias, invejosas e desocupadas, loucas para estarem em seu lugar recebendo ardentes beijos de um dos garotos mais bonitos da escola.
Estavam à frente do refeitório, em plena luz do dia se agarrando freneticamente, enquanto mais alunos saíam do salão em direção as suas aulas e olhavam impressionados para o casal, um deles parou e cumprimentou as amigas da loira. Falava com Ann e olhava fixamente para os loiros ofegantes, mas precisamente para ela, que por segundos também colou no olhar do moreno ali parado. Cedric ao presenciar aquela cena tinha mágoa nos olhos, e esta cresceu ao ver que Lynn olhou-o e em seguida voltou a beijar Draco sem alguma preocupação.
- Você está bem Ced? – perguntou Ann.
- Estou sim Ann, por que? – falava Cedric com a voz baixa.
- Porque você tá pálido, com olheiras, e seus olhos estão muito vermelhos. – dizia a morena analisando cada detalhe no rosto do irmão. – Você dormiu essa noite? Comeu direito agora? – bradou ela muito séria, percebendo o olhar baixo do irmão direcionado a Lynn.
- Não, não dormi. – voltou o olhar a irmã sério. – E também não comi. Estou com uns problemas na cabeça e tenho que resolvê-los logo.
- E esse seu problema pelo jeito tem nome e sobrenome. – falou Ann já revoltada.
- Por favor, Ann... não se mete. – disse Cedric com firmeza na voz retirando-se da roda.
A morena fuzilava Lynn com os olhos, que ao perceber que o garoto já havia ido embora e a amiga fumaçava de raiva, separou-se de Draco e se despediu das amigas seguindo pelo corredor ao lado do primo. Ao se distanciar do grupo ela olhou para trás e percebeu que Ann quase berrava com as outras meninas que se encolhiam de medo a cada som que Ann proferia.
- Aquela Lestrange me paga! – bradava Ann com ferocidade na voz. – Eu disse pra ela não mexer com o Ced. Eu avisei!
- Mas o que aconteceu Ann? – perguntou Gina encolhida, da mesma forma se encontrava Hermione.
- Você não viu a cara dele sua estúpida? – gritou a morena. – Ele passou a noite acordado, possivelmente eles ficaram de novo e ela voltou a ignorá-lo.
- A Lynn tem que medir as atitudes dela. – Hermione falou baixo para as amigas.
- Medir! Ela estava aos agarros com aquele primo pateta dela agora mesmo na nossa frente, e pra toda a escola. Por menos gente que tenha aqui, ela não estava nem aí! Depois dizem que eu é que não tenho coração. – gritou Ann para quem quisesse ouvir.
As poucas pessoas que permaneceram no castelo passavam pelo salão e não entendiam o porquê de uma garota estar gritando à porta do refeitório, de manhã cedo. Estava vermelha feito um tomate, enquanto Gina e Mione tentavam acalmá-la.
- É Ann... Vamos conversar com ela.. – dizia Hermione apreensiva.
- Aham... – murmurou a ruiva.
O dia passou rapidamente, apesar de não terem nada para fazer, e no horário do almoço nenhuma das três localizou a loira. Sabiam que provavelmente ela estaria fugindo da sonserina malvadona, senão a localizariam facilmente desfilando pelo refeitório arrancando assovios dos garotos, o que não aconteceu. A tarde também passou como uma flecha e logo a noite não havia mais sinal de alunos nos corredores do castelo.
Ann decidiu não ir até a sala comunal da Corvinal, sabia que ao final da semana leria tudo o que acontecera no diário. Se havia uma coisa que a morena sabia fazer era esperar, paciência sempre foi um de seus fortes, o que a proporcionava grandes vantagens comparada a outros bruxos. Lynn havia ignorado seus avisos, que sempre foram claríssimos, para não mexer com seu irmão, e se confirmasse que o que aconteceu entre eles tinha sido a razão dos problemas de Cedric, ela pagaria.
Hogwarts, 27 de Dezembro.
Eu sei que a essa hora todas vocês devem estar querendo me matar. Fuzilar, enforcar, queimar, esquartejar e vai lá se saber quantas formas mais. Vocês viram! Foi o Draco que me agarrou, eu não poderia simplesmente descartá-lo no instante em que o príncipe-encantado-Diggory apareceu. Ele provavelmente se sentiu péssimo ao me ver daquele jeito com o Quinho, mas o que eu poderia fazer? Não vou dizer que eu não senti pena, porém eu não posso mudar o fato de que assim como o Malfoy, é ele que me aborda, ele que me beija e eu não vou recusar, porque antes de bruxa eu também tenho as minhas fraquezas. Mas para nisso aí. É só. São apenas beijos trocados, não tenho sentimento nenhum por ele e muito menos compromisso, sou livre e desimpedida. Vocês são provas de que ele passou a me perseguir desde o momento em que me viu, principalmente você Ann... sabe muito bem como é ter um menino no seu pé pra todo canto que vai. Enfim... tá na hora do café, e eu tenho certeza que ao me olharem vão querer me matar, tadinha de mim... Maldita escola vazia!
E como esperava, três pares de olhos a seguiram até sentar-se à mesa, e durante todo o seu café sentiu-se perseguida e invadida. Ao terminar, levantou-se e se dirigiu ao corredor das salas, sendo seguida por três garotas alvoroçadas.
- Por que você fugiu da gente ontem Lynn? – perguntou Gina calmamente limpando os farelos de biscoito em suas vestes.
- Do que está falando Gina? Eu não fugi de vocês. – Lynn fez uma cara de "nada aconteceu, do que vocês estão falando?".
- Corta essa Lestrange! – bradou Ann sem paciência. – Você fugiu da gente sim! Ou melhor, fugiu de mim. – franziu a testa, semicerrando os olhos.
- E por que eu fugiria de você Diggory? – indagou a loira não muito satisfeita com o tom da amiga.
- Porque você fez alguma coisa ao meu irmão e sabe que eu iria tomar satisfações.
- Ah... por favor, Ann. – falou a corvinal em tom de deboche. – Seu irmão não é mais nenhuma criancinha, sabe muito bem se cuidar sozinho.
- Sabe. Mas cabe a mim olhar pela saúde dele, que não vai nada bem graças ao seu constante desprezo após usá-lo, como faz com seu primo.
Lynn engoliu seco, não queria fazer mal a saúde do garoto.
- Ceninha de ciúmes agora não Diggory, por Merlin! – disse a loira tentando não transparecer preocupação.
- Aaaaaah Lestrange! Você não falou isso! – Ann agora trincava os dentes de raiva e sua mão se dirigia às vestes pronta para pegar sua varinha.
- Algum problema meninas? – falou Minerva que passava pelo grupo e percebendo uma agitação anormal se aproximou.
- Não Profª McGonagall, nenhum. – disse Hermione de imediato segurando a mão de Ann.
- Muito bem. – respondeu satisfeita, mas ainda com olhos desconfiados. – O que estão esperando? Dirijam-se às suas respectivas aulas imediatamente.
De um pé só as quatro correram sem deixar sombra a frente da diretora. Ao sair Ann lançou um olhar mortífero para Lynn que tinha em sua companhia Gina e Hermione.
- Você tá louca Lynn? – cochichou Gina caminhando rapidamente.
- Louca por que Gina? O que eu fiz? Me diz! – fala Lynn inconformada, mas com culpa na voz.
- Ficou mais uma vez com o Cedric. – disse Hermione parando bruscamente a encarando.
- Mas o que vocês querem que eu faça? Ele me pega pela cintura, me beija e eu que sou a culpada?
- Então vocês ficaram mesmo... – sussurrou a ruiva para si mesma.
- Você não é culpada Lynn, mas ele gosta de você. – explicou Herminone ainda fitando-a. - Se o mesmo não acontece com você, da próxima vez que ele vier, impeça-o!
- Mas aí é que tá o problema Mione. Eu quero separá-lo de mim, mas eu não consigo. – falou calmamente a loira para grifinória a sua frente.
- Então você também gosta dele! – disse a garota Weasley estalando os dedos virando-se para as duas amigas.
- NÃO! – gritou Lynn, que saiu correndo do local.
Hermione e Gina se entreolharam durante alguns minutos ainda meio ensurdecidas com o grito que tinham acabado de ouvir. Voltaram a caminhar em direção as suas salas enquanto conversavam.
- Ela não gosta dele... disso eu tenho certeza. – falou a morena calmamente.
- É lógico que gosta Mione. Senão, por que outro motivo não se separa dele quando ele a agarra? – perguntou a ruiva
- Atração.
A ruiva ficou impressionada ao ouvir aquilo sair da boca de Hermione. Tão ligada a lógica e aos livros, nunca pensara que algo tão abstrato como sensações seriam entendidos assim tão fácil pela morena. Abriu e fechou a boca várias vezes sem nenhum som sair dela, esse pensamento voou e pararam no meio do corredor.
- Que tal visitarmos Hagrid Mione? Acho que deve estar muito sozinho... – disse Gina com pena.
- Também acho Ginn. Boa idéia. Vamos.. – falou Mione um pouco séria. Pegou na mão da amiga puxando-a em direção à cabana do guarda-caças.
Lynn seguiu desembestada pelos corredores, passando pelas salas de aula. Estava alterada demais e partiu direto para a sala precisa. Entrou na sala que tinha uma sacada mostrando os campos da propriedade do castelo nesse momento cobertos por camadas grossas de neve. Ficou parada admirando a paisagem por vários minutos, até ouvir a pesada porta ranger e se abrir.
- Ah... Você está aqui. – desdenhou Ann, batendo a porta atrás de si.
- Também não estava com cabeça para assistir as aulas?
- Não. – respondeu a morena com rispidez.
- Ann... – disse Lynn, com a voz firme. – Me desculpa se eu deixei o teu irmão doente ou algo do tipo, mas não foi minha intenção.
- Não é para mim que você tem que pedir desculpas...
- Eu sei, mas não devo desculpas necessariamente a ele também. – falou a loira.
- É lógico que sim sua oxigenada. Você tá machucando ele! – bradou a sonserina já com o sangue subindo a cabeça.
- Ele está se machucando Ann. Eu não corro atrás dele, não peço pra ele ficar comigo. E se ele mesmo assim quer, não sou eu que vou negar. Eu não sou de ferro Diggory, e o seu irmão não é de se jogar fora.
Ann sabia que o que Lynn falava era certo...
- Você tem razão Lynn. Mas o que mais dói nele é o dia seguinte, que você o olha como se nada tivesse acontecido, e eu tenho que encarar aqueles olhos cheios de mágoa, cheios de dor porque você não dá a mínima pra ele. – falava a morena já mais calma, tentando fazer com que a amiga entendesse a gravidade de seus atos.
- Eu também não gosto nem um pouco. Porém, antes de você ter que encará-los, eles já estão virados a mim, é como se ele pedisse decepção. E não que eu atenda a esse pedido, mas o que eu posso fazer se eu não sinto nada por ele além de uma forte atração? Eu não consigo ter a consciência pesada por algo que eu não fiz. – dizia a garota explicando à sua amiga.
- Eu acho que ele gosta de você. Não fique mais com ele, ou vai machucá-lo ainda mais. – preveniu a sonserina.
- Eu não posso fazer isso Ann. Não consigo. – disse Lynn baixando os olhos. – Mas te garanto que procurá-lo eu não vou.
- Está bem. E se puder tente resisti-lo, evitá-lo, pelo bem dele. – pediu Ann a amiga.
- Não posso lhe prometer nada, mas farei o possível. – Lynn assentia com a cabeça. – Converse com ele, peça-o para não me procurar mais. Fale que não sinto nada por ele e que se ele não quer sofrer, não tente me ter.
Um vento frio passou entre as duas garotas que se entreolharam e se abraçaram. Ao se separarem Ann tinha os olhos marejados, sabia que o irmão sofreria ao ter que ouvir tudo aquilo, mas era preciso.
- Ah... e Ann? – falou a loira olhando fixamente a amiga que se encaminhava para a porta. – Não lhe diga o meu nome. Não quero que ele saiba.
- Não direi. – ficou confusa, mas assentiu Ann firmemente à porta, fechando-a.
- Por Merlin, finalmente. – disse Lynn encostando-se novamente na sacada com uma forte dor no coração. Mal sabia ela que já era a falta que sentia do moreno.
Os dias se passaram e Cedric permanecia pálido, suando frio, alguns quilos mais magro e com olheiras fundas, que acusavam as noites mal dormidas do garoto. Desde a sua volta garotas insistentes andavam na sua cola esperando ter a chance de ser a companhia constante do rapaz que as ignorava constantemente. Ann parecia preocupada com seu irmão, tanto que ao decorrer daquela semana o perguntava diariamente se havia comido direito e tido uma boa noite de sono, a resposta estava estampada em sua cara. Porém o motivo do quadro deplorável do garoto não era desconhecido por ela e por suas amigas. Sempre que o moreno se aproximava para falar com a irmã, Lynn arrumava um pretexto para afastar-se das amigas. Durante os intervalos e caminhos para as aulas procurava estar sempre acompanhada ao primo, sabia que o Diggory não e aproximaria dela na companhia do Malfoy. A essa altura, se os boatos sobre o "namoro aberto" dos primos era discutido constantemente entre todos na escola, eles aumentaram ainda mais quando passaram a ser inseparáveis. O que não fazia muito bem a Cedric, que a cada vez que escutava a tal história vomitava e suava descontroladamente.
Hogwarts, 31 de Dezembro.
Ano Novo. Ê, vai ser uma festa e tanto hein garotas?
Ann... desculpa pelo que aconteceu ontem, aquilo ficou martelando na minha cabeça durante toda essa noite. Não sei, ele mexe comigo, mas é atração, pura atração! Blergh. Vou tirar essa história pelo menos por hoje, quem sabe assim eu não viro o ano e nada disso me atormenta mais amanhã?
Lynn desceu as escadas e se dirigiu ao refeitório. Encontrou-se com suas inseparáveis amigas e tomaram seu café calmamente. Afinal, estavam de férias, sem aulas seguidas e com toda Hogwarts praticamente só pra elas.
Decidiram então, passar o dia à beira do lago negro num agradável picnic vendo a lula gigante se debatendo. Além de comer e fofocar bastante, as meninas riam umas com as outras e apesar de suas briguinhas paralelas se entendiam perfeitamente bem. O dia passou bem rápido. Decidiram pular o almoço, pois já haviam comido bastante pára um dia inteiro, era o que Ann dizia, e a tarde veio. Reuniram-se no dormitório de Hermione já que nenhuma garota do sétimo ano da Grifinória ficou no castelo para as férias de dezembro, ao contrário das outras meninas que tinham companhia em seus quartos. Dormiram por quase 5 horas seguidas e Hermione começa a acordar as outras rapidamente.
- Acordem suas loucas. Já são sete horas. Sete horas! – disse ela parecendo incrédula com o horário.
- E qual o problema de serem sete horas Mione? – falou Lynn caçoando do tom da amiga.
- O problema é que se vocês não se recordam, a Professora Minerva disse que era pra nos reunirmos às nove! Do jeito que vocês – dizia ela fitando Ann e Lynn. – demoram pra se arrumar, chegaremos lá no ano que vem! – e saiu aparvalhada para o banheiro.
- Ela está certa. – disse Gina rindo da cara das demais amigas bestificadas com o que a Granger tinha acabado de dizer.
- Mas nós não demoramos tanto assim... – disse Lynn inconsolável. – Que culpa eu tenho de ter que passar um creme diferente para os pés, e outro para as minhas pálpebras...
E continuou falando, mas só o que era ouvido por Ann e Gina eram "blá blá blá's". A morena estava indignada com o que tinha acabado de ouvir, mas ainda mais brava porque tinha sido acordada. Detestava esse ato. Saiu rapidamente do dormitório grifinório puxando Lynn pelo braço, que no momento do puxão parou de falar abruptamente e seguiu a amiga rapidamente quase tropeçando em seus próprios pés. Gina saiu ao encalço das duas se dirigindo ao seu dormitório. Ao cruzarem o retrato da mulher gorda, a morena falou rapidamente para Lynn.
- Lynn, corre e vai se arrumar. A velha não vai gostar se nós nos atrasarmos.
- Tá ok... – disse a loira num tom não muito entusiasmado, enquanto Hermione fazia uma cara de desaprovação.
Separaram-se ao tomar diferentes corredores e ao chegarem as suas salas comunais não muito cheias, miraram as escadas em direção aos seus quartos. Mas breves obstáculos apareceram em seus caminhos.
Ann teve uma aparição loira cegante à sua frente, com uma expressão tarada para seu corpo.
- Sai da minha frente Malfoy. Vai infernizar a Parkinson! – bradou a morena empurrando o garoto que caiu bruscamente em uma poltrona ao lado.
Já Lynn não ficou tão insatisfeita com o que surgiu em seu caminho.
- Richard! – falou ela com um sorriso no rosto.
Richard Cohen também havia permanecido no castelo para as férias e como antes não era comum, agora era fácil encontrá-lo lendo algum livro calmamente na pouco movimentada sala comunal da Corvinal.
- Lynn. – disse ele levantando-se com uma graciosa expressão de prazer no rosto.
- Não sabia que tinha ficado aqui para as festas. Aproveitando bastante?
- É... um pouco. Mas estou aproveitando mais para botar a leitura em dia sabe? Essa calmaria já me fez terminar uns 4 livros. – e apontou para uma pilha de livros muito grossos de aparência velha.
A loira não se segurou e riu.
- Você e teus inseparáveis livros. Será que não se diverte nem um pouquinho Richard? – falou Lynn depois de uma gostosa risada que pareceu hipnotizar o rapaz.
- É... quem sabe? – disse ele em tom provocante mordendo o lábio inferior.
Richard Cohen provocando-a? Uma situação totalmente inusitada, onde a garota não sabia como se postar diante dela, afinal ele a olhava de cima a baixo maliciosamente e parecia esperar uma resposta.
- Quem sabe? – falou Lynn com um largo sorriso no rosto.
Despediu-se do garoto a sua frente e correu para seu dormitório. Já estava mais do que atrasada para o jantar, e sabia que se houvesse mais um contratempo não era Minerva que daria um corretivo nela, e sim Hermione. Incrível o medo que a grifinória conseguira pôr nas outras três garotas, que tremiam ao ver seu semblante fechar.
Após um tempo, todas se reuniram à frente do Salão Principal às 21:30. Hermione estava impaciente batendo os pés, enquanto Gina tentava lhe acalmar. Mas Ann não se encontrava lá.
- Ué... cadê a Ann? – perguntou a loira confusa.
- Tão atrasada quanto você. McGonagall vai ficar furiosa! – disse Hermione tremendo a voz.
Logo após dizer isso, Ann chegou pelas escadas laterais do castelo sorridente as amigas.
- Lynn... fala pro teu primo que eu só fiquei uma vez com ele e pronto! Isso porque eu tava na seca muito grande. Ele é gostosinho, mas também não é o último suco de abóbora gelado do deserto. Por Merlin!
- Hahhahahaha... – disse a loira entre risos. – Eu falo, eu falo...
- Então, vamos entrar logo?- perguntou Gina.
As outras assentiram e passaram pela grande porta de madeira do Salão Principal. Estava absolutamente lindo. Uma única mesa tinha sido posta pela quantidade pequena de pessoas presentes na ceia, estava coberta por uma toalha bordada branquíssima, com as taças e pratos dourados dispostos ao longo dela. Todos estavam vestidos de branco à espera do novo ano que estava se aproximando. Sentaram-se a mesa, haviam cochichos de todos os cantos. Todos conversavam alegremente à espera do discurso de McGonagall para iniciarem o jantar.
Estavam todos presentes com exceção de Cedric. Ann havia comentado com as amigas que ele não estava se sentindo muito bem e decidira ficar em seu dormitório descansando e que assim que o ano novo chegasse ela iria à sala da Lufa-lufa ver como estava o irmão. Lynn não se sentiu muito bem ao ouvir isso e foi ao banheiro lavar o rosto, até perceber que não estava sozinha no banheiro.
Susana Bones havia acabado de sair da cabine e se deparou com Lynn a frente do espelho, e ficou em dúvida se deveria ou não se aproximar da loira para lavar suas mãos. Seus olhos estavam arregalados numa expressão de pavor.
- Não se preocupe, - disse Lynn muito antipática, com um sorriso frio no rosto olhando para o espelho em direção à garota. – eu não mordo.
- E quem me garante isso? – perguntou a garota ainda desconfiada, meio desconcertada.
Lynn bufou e rolou os olhos, e em seguida falou:
- Como queira. Não estou pedindo pra você falar comigo mesmo. – disse ela dando de ombros.
- Er... desculpa. – falou a Lufa-lufa muito sem graça.
- Deixa pra lá... afinal, é Ano Novo. – disse Lynn abrindo um simpático sorriso. – Estava pensando mesmo em uma nova meta para esse ano...
- E qual seria?
- Ser mais amigável. – a loira ainda sorrindo, apresentou-se para a menina. – Lynn Lestrange, Corvinal.
- Ah... sim. Susana Bones, Lufa-lufa. – a menina não tinha uma aparência muito saudável, o que intrigou Lynn.
- Você tá bem? – perguntou a Corvinal, abaixando a cabeça tentando fitá-la.
- Não, não. Não estou me sentindo muito bem. Acho que comi alho por engano, tenho estômago sabe?
- Alho? – disse Lynn tentando abafar uma risada, tentando imaginar que tipo de pessoa comeria alho puro. – Essa Ann... – comentou ela mais para si mesma.
- Essa quem? – retrucou Susana confusa.
- Ninguém, ninguém... Enfim, quer que eu te acompanhe até a Ala Hospitalar?
- Não, não é necessário. Mas se quiser me acompanhar até a sala comunal da minha casa, agradeceria muito! – falou a menina esboçando um sorriso no rosto pálido.
- Lógico. – respondeu Lynn num tom suave.
Susana dirigiu-se até a porta do banheiro e Lynn seguiu ao seu encalço. Andavam calmamente pelos corredores e até metade do caminho ouviam-se as alegres conversas tidas no Salão Principal. Durante o percurso discutiram sobre as matérias que tinham, e a Lufa-lufa acabou fornecendo dicas valiosas sobre certos assuntos à loira. Apesar de tímida, Susana mostrou-se bem falante ao lado de Lynn que sempre achava defeitos na maioria dos estudantes de Hogwarts, mas que simpatizou com a menina. Pararam em frente a entrada da Lufa-lufa, então Lynn falou.
- Está entregue. – sorrindo para menina.
Susana correspondeu o sorriso e ao perceber que Lynn iria se virar para ir embora se pronunciou:
- Não gostaria de comer alguns sapos de chocolate? – seu tom era confuso a suspeita da recusa da loira. – É... que ganhei em demasia no Natal, e ainda não acabei de comê-los.
Lynn questionou-se mentalmente: "Por que as pessoas só mandam sapos de chocolate umas para as outras?".
- Ahmmm... sei como é. – disse em tom cômico, lembrando-se do dia que se entupira dos sapos de chocolate a mais de Gina com as amigas.
- Vamos. – falou a menina, entrando à sala da Lufa-lufa e virando-se novamente para Lynn. – Espere um pouco enquanto vou pegá-los no meu quarto. Fique a vontade. – dizendo isso Susana dirigiu-se a uma escada espiral, logo desaparecendo de vista.
Lynn sentou-se em uma poltrona amarela na vasta sala, e começou a cantarolar uma melodia que se assemelhava a uma cantiga de despedida do ano que se passava. Tamborilava os dedos em seu joelho e passado alguns minutos, devido a sua impaciência, começou a olhar periodicamente o relógio em seu pulso, já eram 23:35. Estava encrencada! Sabia o quanto iria escutar das amigas por não estar ao lado delas na passagem de ano, e mesmo se corresse nunca chegaria a tempo no Salão Principal.
Susana ainda não havia aparecido e seu relógio já marcava 23:40. Começou a correr os olhos pela sala em agonia, torcendo para que em algum canto daquele local achasse uma passagem secreta ou algo que a fizesse voltar para o lado das amigas em tempo de comemorar junto a elas. Desde que chegara àquela sala sentira um aroma familiar que a deixava irritada, fora de si e estranhamente inquieta. Não se recordava de onde o conhecia ou talvez não quisesse se lembrar.
Seus olhos seguiram um caminho até uma escada semelhante a qual Susana havia se deslocado, porém era do lado oposto e a imagem da porta entreaberta com uma fraca luz saindo dela. Lynn sempre fora uma criança muito curiosa, e se tinha algo que sempre a instigava era isto. Decidiu se "aventurar" e seguiu o caminho subindo as escadas e parando em frente a porta. Ela se abriu rangendo absurdamente e ela deu graças a Merlin por todos estarem na festa e não ter acordado ninguém. E ao prestar melhor atenção quarto adentro, olhou de onde vinha a luz fraca.
Era uma vela acessa em cima de um criado-mudo, e depositados nesse móvel estavam pés cruzados. Todos estavam na festa, a não ser... Cedric!
Lá estava ele. Sentado em uma cadeira ao lado de sua cama, virado de frente à janela que iluminava seu corpo, aquela luz prateada depositada no seu semblante cansado, onde sua cabeça pendia para o ombro. Suas pernas cruzadas apoiadas no móvel, um pouco mais altas que o resto do corpo, pois o criado-mudo era mais alto do que a cadeira onde estava acomodado. Estava magicamente lindo, adormecido. Seus olhos pareciam cansados, sua boca tão doce estava sutilmente fechada num sorriso enviesado ("provavelmente está tendo bons sonhos", pensou Lynn carinhosamente). Deveria estar naquela posição à espera dos fogos à meia-noite, a vista de sua janela era muito privilegiada dando para observar vários cantos da propriedade. O céu estava limpo, belíssimo e cheio de estrelas brilhando, o perfume que exalava de seu corpo, sua vulnerabilidade, aquelas coisas faziam Lynn se derreter com aquela visão. Caminhou para mais perto dele, por fim posicionando-se à sua frente, Oh santo Merlin! O que tinha este garoto que a enfeitiçava daquela maneira? Por que sua vontade era pular em seus braços e só querer apenas uma coisa! E por que diabos esses pensamentos rondavam sua cabeça à simples visão de um moribundo totalmente piegas?
Mas não conseguia mandar em seu corpo, este tinha vida própria quando se tratava de atração. E que atração ela sentia por aquele moreno! Sentia como se um ímã a puxasse de encontro ao corpo quente e suado dele, e não conseguia se desvencilhar daquele campo magnético criado entre os dois, e nem ao menos sabia se queria.
Por fim, rendida a tentação, sentou-se ao seu colo, tentando pôr menos peso possível sobre o corpo dele. Encantada com tamanha doçura, a fisionomia de Cedric lhe transmitia paz. Levou as costas de uma de suas mãos ao rosto do rapaz, acariciando-o levemente. Cedric pensara estar sonhando ao sentir um toque tão macio e suave em sua face, e foi abrindo os olhos vagarosamente na expectativa de que aquilo tudo não fosse fruto de sua imaginação.
Ao acordar serenamente, ele estendeu um de seus mais largos sorrisos ao perceber que não era somente um sonho, mas que também quem estava ali era quem ele mais desejava naquele momento. Apesar de tudo o que Lynn o fazia passar em suas mãos, era como se uma hipnose o tomasse conta ao ver aquele inquietante olhar azul profundo e aqueles convidativos lábios, sabia que nunca resistiria.
Lynn viu os miúdos olhos se abrirem e um sorriso de satisfação dele pareceu iluminar toda aquele quarto. Ao se deparar com aquelas lindíssimas e encantadoras íris cinzentas, e o charmoso sorriso que havia se formando no rosto do rapaz, a loira jogou-se em seus braços. Abraçou-o afetuosamente pressionando seu colo contra o peitoral firme do moreno, posicionando suas mãos nas costas dele apertando com necessidade. Fechou seus olhos com muita força e pensou estar louca. Abriu os olhos, afastou um pouco seus corpos, e encarou novamente aquelas orbes.
Cedric pendeu seu corpo para frente diminuindo a distância entre seus lábios, olhando dos olhos de Lynn para sua tentadora boca, que se encontrava molhada e parecia apelar por um beijo dele. Os lábios do moreno não estavam muito diferentes, entreabertos, dando-lhe um aspecto totalmente sensual, e os olhos que gritavam o contato de seus corpos.
Findando a distância e se rendendo a mais um desejo de seu corpo, Lynn jogou sua cabeça para frente colando seus lábios carinhosamente com os dele. Cedric pareceu explodir de felicidade ao sentir novamente aquela loirinha em seus braços. Era um abraço protetor, mas quente e que pareciam soltar faíscas só de se tocarem. Lynn abriu suavemente a boca, dando passagem para que a língua do moreno tocasse a sua e que aquele beijo se aprofundasse. Era uma sensação inigualável e sublime, e isso a perturbava (apesar de não negar que lhe dava imenso prazer), ao contrário de Cedric que cada momento ao lado dela era precioso.
E enfim os fogos começaram a estourar. Lynn tomou um susto e se virou para admirá-los pela janela ainda no colo de Cedric.
- Feliz Ano Novo! – disse ela roçando seu nariz no dele num ato carinhoso.
- Feliz. – falou Cedric olhando para Lynn com um sorriso bobo estampado na face.
Hogwarts, 1 de Janeiro.
Domingo! Finalmente domingo. Nada de aulas, professores intragáveis, fofoquinhas no meu ouvido... nada disso. Só a minha cama e eu. Uma delícia. A noite teremos a reunião e eu passarei o diário para a Mione. Não sei de que cor eu vou ficar ao lerem o que eu escrevi no primeiro dia do diário, mas enfim, não guardei segredo algum. Estou disposta a por as tarefas em dia aqui no dormitório mesmo, está vazio, quieto, muito propício para um monótono dia de estudo. A tarde acho que vou passar as cortinas em volta da minha cama e dormir até a hora de encontrar com vocês. Hoje eu estou tão, tão... sei lá.. acho que é a bonitinha que vem chegando, hhahahahah. Pois bem, vou estudar, se acontecer algo mais escrevo aqui, vou estudar.
Lynn fechou o diário, foi até seu baú pegou um de seus livros, deitou de bruços na cama com as pernas para o ar e abriu o livro de feitiços, não precisava estudar aquela matéria, mas queria se adiantar aos assuntos que viriam nas próximas aulas. Naquele momento percebeu que uma coruja bicava na janela ao lado de sua cama, levantou-se enrolada em seu roupão, abriu a janela deixando a coruja entrar ficando em cima de seu criado mudo. Percebeu que a coruja carregava um pedaço de pergaminho que tinha um "L." escrito na ponta, retirou das pernas da ave que voou em seguida. Desenrolou o pergaminho que tinha escrito apenas:
Vai para o refeitório, preciso falar contigo.
D.
"Estranho? Porque a Ann iria querer me encontrar no refeitório?", pensou Lynn já vestindo uma calça jeans apertada e uma blusa branca de algodão. Guardou o pedaço de pergaminho no bolso da calça e colocou os livros e o diário no seu baú descendo rapidamente as escadas até o refeitório. Ao chegar a porta visualizou Ann que estava comendo e parecia concentradíssima em um livro que segurava, olhou para o outro extremo do salão e viu Mione e Gina conversando e rindo. Ao verem a loira entrar abanaram as mãos e lhe estenderam um sorriso que foi correspondido. Lestrange se encaminhou a mesa da Corvinal e apenas comeu uma torrada com geléia de morango e tomou suco de abóbora bem gelado, lendo o Profeta Diário que havia pegado emprestado da garota que estava ao seu lado, estava entediada já que só haviam as mesmas manchetes de sempre noticiando ataques em várias comunidades bruxas.
Resolveu esperar Ann na porta do refeitório, levantou-se e se dirigiu a saída, quando de súbito uma mão forte a segurou pelo braço. Não tinha a mesma firmeza de alguns dias atrás, mas era impossível se passar despercebida. Era seu toque.
- Vejo que recebeu meu recado. – sussurrou ele firme aos ouvidos da loira, embora seu semblante o declarasse fraco demais para permanecer em pé.
- Então foi você. Pensei que tivesse sido sua irmã, mas que burra eu sou! – murmurou ela batendo a mão que estava livre em sua testa.
Cedric a olhava confuso, afinal achou que após a noite passada tudo estava bem entre os dois. Todos olhavam impressionados para a cena que acontecia no meio do salão. Cochichavam algo que a cada segundo chamavam mais atenção das pessoas. Cedric olhou em volta e viu várias cabeças viradas para os dois.
- Vamos sair daqui. – disse ele calmamente ainda segurando firme no braço da garota que parecia não gostar muito da situação.
Já haviam saído do refeitório e agora se encontravam ao meio saguão da escola. A maioria das pessoas decidiu então ignorar o que haviam visto, afinal não deveria ser lá grande coisa. Após alguns minutos curiosos começaram a se dirigir para a porta do refeitório e se recostar no corrimão das escadas tentando ouvir a conversa que era tida ali abaixo.
- Mas... o que é isso Diggory? – falou Lynn com uma voz de riso. - Você só pode gostar de sofrer. É a única razão pra tudo isso. – disse ela com um tom divertido, porém irônico.
Lynn tentava se manter impassível. O que havia acontecido entre eles no corredor do terceiro andar tinha acontecido naturalmente decorreu-se por atração. Mas passara a última noite em claro. A passagem do ano lhe revelou que o que acontecia entre ela e Cedric já estava começando a ultrapassar o limite da razão e não se permitiria perder o controle por causa de um bom-samaritano-piegas.
- Não significou nada pra você o que aconteceu entre a gente? – bradou ele ficando fora do sério.
- O que aconteceu entre eu e você foi muito pouco comparado ao que eu já vivi com outros garotos. – falou ela com rispidez. Dizia a verdade, porém, não tinha sentido nem metade do que sentiu com suas experiências anteriores, comparadas à todos os seus encontros.
- Você só pode estar brincando comigo. – dizia ele muito nervoso gesticulando bastante.
- Não. Não estou. Não sou casta e inocente como pensa Diggory! E o que você provou, alguns também já tiveram esse prazer. – falou a loira provocante.
- Pára! – berrou o moreno com os olhos marejados e profundas olheiras no rosto pálido. – Eu estou cansado. Não durmo, não como, não penso em mais nada a não ser no maldito dia em que te vi. Por que me consome, e tortura dessa maneira?
Lynn arregalou os olhos. Estava bestificada com o que acontecia à sua frente.
- Mas... mas por que? – perguntou confusa.
- Eu não sei. Eu não sei! Por Merlin! Eu gostaria muito de saber. – disse ele já se contendo.
- Mantenho o que disse a sua irmã Diggory, não me procure mais. Se cruzar comigo em um dos corredores finja que eu não existo. Não quero ser a causa da sua fraqueza, da sua doença. – falou Lynn friamente.
Nesse instante Ann percebeu uma movimentação incomum no corredor do salão, sabia que algo acontecia para tanto movimento. De súbito olhou diretamente para a mesa da Lufa-lufa e não encontrou o seu irmão. Largou o livro em cima da mesa Sonserina, empunhou sua varinha e seguiu para a porta. Ao ver a morena exaltada, Draco também se levantou e seguiu logo atrás. A sonserina passava forte pela multidão, até se ver no meio de muitas pessoas e não conseguir mais abrir caminho. Malfoy surgiu a sua frente, dando cotoveladas a quem surgisse no seu caminho dando espaço para Ann passar. Ao chegar ao pé da escada ouviu a voz de Lynn gritando e a de Cedric em seguida, desceu as escadas num pique só, e quando descia o último degrau, viu o que temia, os dois estavam frente a frente, ele com os olhos marejados tentando se conter e ela com o queixo erguido numa pose imponente ambos gritado um com o outro. Ann chegou a ouvir Lynn mantendo-se firme, dizendo que não queria machucá-lo e então Cedric proferiu:
- Mas você é...
Ao dizer-lhe isto já estava bem próximo da loira, puxou-a pela nuca e a beijou. Lynn não teve tempo de escapar e nem sabia ao certo se queria sair dali, os beijos do moreno lhe gritavam falta.
- Ah não Ced... – sussurrou Ann para si balançando a cabeça negativamente.
A loira sentiu as pernas fraquejarem, seu ar faltar quando foi tomada naquele beijo doce e necessitado. Sentiu o gosto salgado da única lágrima que havia sido derramada no rosto do rapaz e no outro segundo sentiu uma mão fria puxar-lhe pelo braço.
- Que pensa que está fazendo defunto? – esbravejou Draco tomado numa raiva sem igual. Tinha a testa franzida, a boca trincava de ódio e abraçava Lynn de um jeito protetor, ela dava graças e ao mesmo tempo queria matar o primo por ter feito o que fez.
- Nada Malfoy. Nada que te interesse. – falou Cedric recuperando o ar e fitando a loira que abraçava o primo, saiu com a cabeça baixa.
Lynn viu transtorno naquelas órbitas acinzentadas. Sabia que ele se dirigiria ao seu quarto e dormiria, até chegar ao seu limite. E era aquilo que ela também desejava, dormir.
- Você está bem Pitzie? – perguntou Draco ainda um pouco vermelho preocupado com a menina.
- Sim... estou sim Draco. Deixe-me ir dormir. – sussurrou a loira se desvencilhando dos braços do Sonserino e seguindo para seu dormitório.
Ann e Draco se entreolharam e seguiram caminhos opostos, não haviam entendido muito bem o que tinha acontecido ali, mas era de certo que também não tinham gostado nem um pouco do que presenciaram.
Alguém me mandou uma carta, apenas com a minha inicial. Mas é claro! Como é que eu pude ser tão burra? Ele só sabe o meu sobrenome, que por um acaso tem a mesma inicial do meu primeiro nome! E ainda só põe "Vai para o refeitório, preciso falar contigo. D.", e eu burra ainda penso que o D. de Diggory era da Ann. A Ann nunca me chamaria tão formalmente pra me encontrar, e mesmo se quisesse, ela viria até aqui. Hoje é domingo, o dormitório está vazio, não teria problema nenhum ela vir.
Aaaaaaaaaaaaaargh... mas como eu sou débil! Caí feio na história do defunto e deu no que deu. Que raiva eu tenho desse garoto, que raiva! Ainda bem que o Quinho estava lá, ainda bem, que ele interviu, ai meu Merlin, muito obrigada. Quem ele pensa que é? Me beijar no meio do saguão da escola... Pra todo mundo ver? Só pode ter bebido! Vou dormir, esse episódio tomou minhas energias.
Lynn fechou o diário e guardou pena e tinteiro no criado mudo junto com ele. Arrastou as cortinas do dossel de sua cama, cobrindo totalmente. Dormiu toda manhã e tarde, acordando por volta das seis horas, já estava perto da hora de se dirigir à sala precisa para a reunião com as amigas. Tomou um demorado banho, e vestiu-se calmamente. Estava linda num vestido branco muito simples e os cabelos presos num coque. Pegou o diário e se encaminhou ao terceiro andar.
Ao entrar na sala, Hermione estava impaciente esperando tanto que se virou bruscamente ao perceber a porta sendo aberta por Lynn.
- Onde estão as outras meninas? – perguntou a grifinória a loira.
- Eu não sei Mione. Achei que já estariam aqui. – disse Lynn sem se preocupar.
Não demorou muito e Ann e Gina chegaram rindo bastante de alguma piada idiota que a ruiva contara.
- Já não era sem tempo! – bradou Hermione acendendo velas apontando a varinha.
- Não demoramos tanto assim. – falou Gina ainda risonha.
- Muito bem, vamos logo com isso. – rosnou Ann.
A cerimônia foi muito silenciosa, pois as meninas liam muito concentradas as folhas do diário. Hermione arregalava os olhos e saíam sons de espanto não decifráveis de sua boca. Ann tinha uma expressão pensante e Gina coçava a cabeça meio confusa com o que lia.
- Então foi por isso que o meu irmão ficou naquele estado deplorável? – perguntou Ann séria para a loira. – E eu pensava que tinha sido pior.
- Ele me levou a fazer tudo isso garotas. Eu estava fora de mim! – falou Lynn com uma expressão convincente. – E... er... eu não escrevi com muitos detalhes... Mas enfim... foi praticamente assim.
- E foi por isso que você sumiu na noite de reveillon! – disse Gina apontando para as últimas páginas escritas no diário.
Lynn estava corada e não sabia o eu dizer as amigas. Ou melhor, as palavras não saíam de sua boca.
- Agora você vai contar tudo tim-tim por tim-tim. – bradou Gina.
Dando-se por vencida com a exigência de Gina, a cara feia de Ann e o rosto pidão de Mione.
- Tá bom, tá bom... Eu conto. Mas vou logo dizendo, eu não sou nenhuma santa. – ao dizer isso Hermione bateu a mão na testa com se pensasse "lá vem bomba.".
Ao escutarem cada detalhe as meninas abafavam risadas, impressionavam-se com o que aconteceu, e chamavam a loira de safadinha lançando piscadelas e sorrisinhos provocantes.
- Hahahahhaha. – gargalhava a Weasley ao final da narração de Lynn. – Não sabia que seu irmão era tão safadinho assim Ann. Mesmo depois de morto... oops.. ressuscitado, ele sabe pegar uma guria de jeito han?
- Muito engraçado sardinha! – disse Ann sem o maior senso de humor. – Assumo que não foi uma experiência muito agradável pensar no meu irmão fazendo tudo isso... Por favor Lynn, se um dia vocês transarem não me conte tão detalhadamente assim. Senão eu tenho certeza de que vomito tudo o que eu comi durante o dia. – dizia Ann já começando a rir.
- Tá bem... tá bem. – falou a loira entre risos. A risada da ruiva era algo tão contagiante que fez com que todas as quatro caíssem numa gargalhada gostosa.
Até Hermione ria descontroladamente. Mesmo com todas as ameaças a vida bruxa, com seus problemas pessoais ou qualquer outro que surgisse, elas se apoiariam, iriam rir das desgraças umas das outras. Estariam sempre ali pro que precisassem, eram inseparáveis. Lynn passou então o diário as mãos de Hermione que ficaria durante a próxima semana com o objeto até sua próxima reunião.
N/A's: Primeiro capítulo do diário com a Lynn... e nós esperamos que vocês tenham gostado. Gente, deixem reviews, por favor! A história é muito legal, e nós escrevemos com muito carinho, e as poucas reviews estão nos deixando triste :
As respostas das review que chegaram...
Bellatrix Black: Nem todo mundo gosta do Cedric, maaanss... Uma Lestrange! Realmente, acho que nunca li uma fic de uma filha da Bellatrix. Bom... este último capítulo falou muito dela... espero que tenha gostado. Ah, e a Ann é realmente um personagem fascinante. Teremos mais dela logo logo. Brigada e beijos.
Rayane: Nossa Rayane! Muito obrigada mesmo pelos elogios xD Realmente nos deixou alegres. Ca´pitulo novo aqui. Espero que tenha gostado. Beijos.
Belinha: O pacto é o tema principal da fic (dãã Pitzie... ninguém tinha percebido u.ú) e tudo gira em torno dele. Bom, mais explicações virão com os capítulos. Brigada pela review e deixe muito mais xD Beijo.
Maggy94: HAHAHAHAH nossa Maggy! Muito obrigada mesmo por tudo o que falou. O livro é realmente fascinante, e o filme também é bem legal. Elas vão permanecer com a marca sim, e isso a gente vai explicitar mais pra frente. Bom... novo capítulo e espero que você tenha gostado dele também! (: Beijos e brigada de novo.
Como eu disse... muito poucas reviews: Caprichem nas reviews que no fim de semana nós vamos postar o capítulo inédito da Hermione! Sejam boazinhas com a gente pessoas (: Beijo.
