N/A's: Nós, autoras de "The Sisterhood's Diary", pedimos IMENSAS desculpas aos nossos leitores. Problemas ocorreram e nós tivemos que dar uma pausa forçada à continuação da fic. Esperamos que tudo se normalize, mas infelizmente não temos previsão para um novo capítulo.

Novamente, MIL DESCULPAS a todos e esperamos que voltem a ler nossa fic e gostem desse novo capítulo.

Beijos e desculpas sinceras de todas.

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Cap. 8 - Surpresas

- Mas o que é que você faz aqui? – disse Lynn pausadamente em tom nervoso ao esbarrar com uma figura alta no corredor da Corvinal. E respirando fundo voltou a perguntar. – O que é que você quer aqui hein? A Parkinson nojenta não passou por esse corredor... – cuspiu ela de uma vez só.

- Quê?! – perguntou o rapaz confuso.

- Não vem com essa... não precisa disfarçar a Ann já me falou que ela andou se engraçando pra cima de você... er... – e num sussurro inaudível disse algo que o rapaz não pôde identificar, mas que com certeza fora um palavrão. Deixara escapar a informação que lhe foi dada e assim, dado chance para que ele captasse o verdadeiro motivo pelo qual a garota esbravejara com ele.

- Ah... Isso! – falou ele num tom vitorioso. Com certeza havia percebido o ciúme da loira, fazendo assim com que ela corasse diante dele. – Não quero nada com aquela cara de buldogue. – e ao dizer isso percebeu o semblante dela aliviar-se.

Mas o que estava acontecendo? Estava transparecendo demais suas sensações, e se havia uma coisa que sua mãe tinha lhe ensinado durante toda vida é que nunca deveria demonstrá-las, por todo o perigo que podiam lhe causar, sendo em uma situação perigosa ou pior, para o homem que seu corpo todo se estremece ao toque. Nunca se sentira assim, sempre tivera completo domínio por suas ações e palavras, e quando estava à frente dele ficava completamente abobada. Teria de se manter forte, prometera a Ann tentar ao máximo ficar longe dele, e prometera a si mesma que não queria lhe causar mal. "Que cassete é esse?!", pensou Lynn ao recobrar sua consciência, ela sentia que não deveria estar importada com o estado dele e sim com o seu próprio. E ao perceber que o alívio que sentira ao ouvir que o seu moreno ("Meu? Desde quando ele é meu?! Pelo amor de Merlin Lynn Kath Lestrange tome tino da sua vida!", odiava seu nome do meio, mas aquele era um momento insano! Era preciso!), tornou a pensar em algo desagradável fazendo com que sua expressão voltasse à sua costumeira.

- Enfim... – tinha o queixo erguido em uma posição que não enxergava um palmo a sua frente, apenas encarava o teto. Era mais fácil, olhar aquela tempestade cinzenta a fazia estremecer a cada vez.

Continuou o seu caminho de volta com passos firmes, fazendo o garoto sair de sua rota, desviando dos obstáculos, que a faziam tropeçar a cada centímetro. Não só por estar (ainda) encarando o teto alto mal iluminado, mas sim por manter seu velho hábito incutido de ser a mais desastrada desde criança.

Ele por sua vez estava radiante.

Cedric sentiu seu coração pular, sua loirinha estava com ciúmes e não deixaria isso passar tão facilmente. Após desviar de sua "reta", o moreno agarrou a garota pelo braço fazendo-a parar abruptamente. Lynn sentiu um puxão, rolou seus olhos de tédio, mas por dentro, sentiu um calor tomar conta de seu corpo fazendo-a arrepiar.

- O QUE É?! – berrou a garota sem um pingo de paciência. Seu corpo berrava por descanso, queria sua cama o mais rápido possível.

- Nada... – falou ele calmamente, porém com um tom malicioso em sua voz, o que fez a loira sentir um calafrio. – Só gostaria de saber o que a senhorita faz nos corredores após o horário de recolhimento?

Lynn havia realmente corrido até chegar aquele patamar dos corredores. Não só pela necessidade física de um banho e de sua cama, mas também porque já haviam se passado muitos minutos do horário estipulado pela escola para o confinamento dos alunos. Até ali não tinha esbarrado com Filch, Madame Nor-r-ra ou qualquer monitor (que ficavam até certa hora após o horário de recolhimento para se certificar de que nenhum aluno permanecia fora de suas salas comunais depois das 21:00 horas).

Realmente elas haviam se excedido no tempo de fofocas na Sala Precisa. Já tinham ouvido Mione ralhar com elas, pois após uma longa gargalhada olhou desconfiada para seu relógio e se tocou da hora. Parecia parar o tempo quando ficavam juntas daquela maneira. A morena havia dito que estava atrasada para a sua última ronda e que se Minerva ou alguém as pegassem elas estariam fritas, e ela própria (Hermione) correria o risco de perder seu cargo de monitora ("Drama.", na opinião de Ann).

Mas Lynn tinha plena consciência de que aquele dia fora feito para sua tortura e desgaste físico. Tinha absoluta certeza de que se tinha engordado trocentos quilos, como dizia todo dia ao fim das refeições, havia perdido todos eles hoje. Acordara cedo graças às suas doces e amadas amigas que tinham ido lhe acordar às 6 da manhã em um pleno Domingo! Estavam loucas, só podiam estar, e isso com certeza era mais alguns dos planos malévolos e mirabolantes da dulcíssima querida amiga Diggory. Durante a manhã elas resolveram praticar com Lynn feitiços. A corvinal era a melhor aluna de todas as casas do sexto ano ("E quem sabe de toda a escola.", palavras ditas pelo próprio Flitwick em sala para o espanto da loira.) nesta matéria e Gina solicitou sua ajuda, e já que inseparáveis, todas decidiram acompanhá-las. Passara toda a tarde correndo com Gina nos jardins, em volta do lago, e nos jardins novamente... e observando Ann e Hermione estudarem compulsivamente embaixo da árvore. "Culpa desses malditos N.I.E.M's.", dizia Ann com raiva por estar se sentindo tão pressionada a estudar, memorizar feitiços e poções.

Voltando ao sujeito...

- Er... eu já tava chegando olha... – e apontou para a entrada da sua sala comunal. – e nem se passou tanto tempo assim do horário... – riu sem graça, atrapalhando-se toda na explicação. - sabe como é né? Eu e as meninas acabamos fofo... – e parou abruptamente de falar. – PERAÍ... – berrou Lynn contorcendo seu rosto e cerrando seu olhar que mudara para um azul elétrico em meio ao nervosismo, mas que mal era notado pela meia luz dos corredores. – Que que você tem a ver com o meu horário ou não defunto?!

Ele riu marotamente...

E isso novamente mexeu comigo! Sinceramente... eu acho que vou mandar uma coruja à minha mãe falando "Oh mamãe fiquei louca! Me interne em St. Mungus por favor.", pelo amor de Merlin, eu não posso estar em sã consciência.

Mas daí vocês lêem e falam... "Mas que bobagem Lynn, isso não é nada demais...", e eu SEI que vocês falariam isso! Nada demais? Nada demais?! Vocês vão ver o que não é nada demais. Se ainda tem mais? Isso é pouco, pro que vem por aí. Merlin me desgraçou no momento em que eu nasci lindinha e graciosa desse jeito, com certeza ele pôs uma praga bem danada em mim, ah se pôs...

- Um monitor tem todo o direito de saber o porquê de um aluno estar fora de sua casa à uma hora dessas... – disse ele com um ar pomposo e satisfeito apontando para o distintivo. Mas ainda tinha aquele sorriso bobo na face e seus olhos pareciam brincar pelo corpo da menina. – Estou terminando a minha ronda.

"Estou terminando a minha ronda.", murmurou Lynn para si em tom debochado. Estava extremamente incomodada com aquele ar pomposo do rapaz.

Monitor?! Quem ele pensa que é? ("Um monitor talvez?!", foi o que acabou de dizer esse meu pensamento idiota, ridículo e sem-noção)... Não passavam nem das 21:30 e ele já vem todo, todo... arrrgh! Todo daquele jeitinho, com aquele sorrisinho... Por Merlin, PÁRA! Eu juro! Eu vou rachar a minha cabeça ou então matar de novo o seu irmão Annabelle! E se ele se atrever a ressuscitar de novo eu juro que eu... eu mato mais uma vez e mais outra e outra e outra... e quantas vezes mais forem precisas pra ninguém mais poder morrer por aquele maldito! Urrrrgh...

E puxou o corpo de Lynn para o seu num encontrão surdo, suas faces se aproximaram, ele olhando para baixo encarando-a e ela para cima. Seus olhares se encontraram e ela o olhou nos olhos como tantas outras vezes fizera, "Não faz mais isso..." disse com pesar e dessa vez tirou forças sabe-se lá de onde para separar-se do seu moreno (e por mais que brigasse intempestivamente consigo mesma, sempre que pensava nele para si, era seu.) e seguir seu caminho para a Corvinal sem olhar para trás. Precisava da sua cama com ainda mais necessidade.

Se pudesse cairia estatelado no chão naquele momento. Por que diabos era tão difícil tê-la? E se tinha consciência de que não poderia tê-la, por que insistia em brigar com seu corpo, seus malditos braços que necessitavam proteger aquele corpo que parecia tão frágil? Mas não queria conformar-se, só se daria por vencido quando passassem a ele o atestado de maior perdedor do século e ponto. Decidiu voltar para a Lufa-lufa, mas antes que isso tomasse completamente seus pensamentos viu três garotas correndo ao seu encontro animadíssimas. Uma delas ele reconheceu, era Ana Abbott do sétimo ano da Lufa-lufa, monitora como ele, e a conhecera no ano que tinha ocorrido o Torneio Tribuxo em Hogwarts, e durante o decorrer desse ano já havia puxado algumas conversas com o garoto. As outras também da mesma casa, porém (não aparentemente) mais novas.

Lynn ouviu um tumulto no corredor e decidiu apressar o passo não dando atenção, pois possivelmente era Filch batendo nos corredores à procura de algum aluno para pôr em detenção, e com certeza adoraria pegá-la. Ela e as amigas não ganharam a simpatia do zelador do castelo como ganharam a de Hagrid, Madame Pomfrey e outros serviçais da escola. Graças ao grande talento das quatro para se meter em confusão, Filch parecia roer não só as unhas (que eram nojentas), mas também os dedos na vontade de capturá-las numa cena culposa de suas atitudes e pô-las em detenção. As quatro em conjunto se possível.

Quando já estava à porta ouviu um baque como se alguém houvesse sido imprensado à parede contra a vontade e encolhendo os olhos para enxergar melhor naquele corredor mal iluminado, viu Cedric junto à parede de pedra, cercado por três garotas que pareciam querer do garoto mais do que ele podia dar. Deveria ignorar aquilo e entrar logo na sala comunal livrando-se de possíveis encrencas, ou ajudá-lo? Seu semblante de socorro era nítido graças a um archote que estava posicionado bem ao lado dele.

E eu deveria ter entrado logo... ai minha doce caminha.

Num impulso a garota refez seu caminho voltando para onde tinha o deixado. Tinha passos firmes e decididos, e em meio a escuridão do corredor que cruzava, repassava mentalmente o que faria ao chegar na pequena confusão. "Chego lá, livro ele e cada um vai pro seu lado... é, é isso!". Mas parou abruptamente ao perceber que uma das garotas o puxava pela gravata das vestes e as outras o empurravam pelas costas. Ele claramente relutava à atitude das "oferecidas" (como pensava Lynn), mas não tinha como não acompanhá-las já que aparentemente ele estava cercado, e obviamente cairia no chão se tentasse pender para o lado para escapar delas, mas sorria sem graça como um apelo para deixarem-no ir. Lynn começou a andar calmamente pelo corredor sem fazer barulhos e tentar descobrir para onde elas o levariam, e começou a seguí-las na surdina.

Elas o levaram a uma espécie de sala vazia no segundo andar e deixando a porta entreaberta, dando plena visão do que acontecia a loira. Aparentemente elas estavam tentando "conquistá-lo" e como percebiam que aquilo não estava criando muito efeito apelaram drasticamente. A garota do meio, que parecia comandar as outras duas, mandou-as sair (e nesse momento Lynn teve de se encolher em um canto escuro para que não a vissem, e quando elas passaram voltou a espiar a fresta da porta.). A menina que permaneceu na sala passou a andar decidida em direção ao moreno parecendo deixá-lo espantado. Para manter distância dela, a cada passo que a garota dava em sua direção, Cedric dava um passo para trás e foi assim até ele encontrar a mesa do professor às suas costas e cair sobre ela.

- Agora você não tem mais saída... Ced. – falou ela maliciosa.

Ao ouvir ela chamando-o dessa maneira o sangue subiu a cabeça de Lynn, afinal, ela estava chamando seu, SEU moreno de um apelido tão íntimo. Sentiu ímpeto de levantar dali e esbofeteá-la, mas ficou bem satisfeita ao ouvir a resposta do garoto.

- Wow, wow, woow… - disse ele ajeitando-se, afastando-a com as mãos, pois ela já o atacava. – Peraí Abbott.

Mas uma súbita raiva tomou conta de si. Lynn sentiu um fogo consumi-la. Seu sangue fervilhava de ódio em suas veias. Então ele a conhecia?! Vai ver já tinham feito alguma "festinha" lá pela Lufa-lufa e ela só queria um repeteco... afinal, a loira sabia muito bem (por mais que não quisesse admitir para si mesma) que os beijos do moreno eram realmente viciantes, e uma vez provado daqueles lábios, não se tinha paz até encontrá-los de novo.

Era realmente um porco-nojento-filho-da-mãe como todos os outros! Ficava com ela, se fazia de coitado e ainda assim saía beijando e se aproveitando das meninas das outras casas e ainda mantinha aquela pose de bom moço... Urgh! Por isso que no quesito de homens, preferia muito mais Draco Malfoy a qualquer outro.

Ah, isso eu prefiro! Pelo menos o Quinho joga limpo. Não é como esses babacas ai-eu-sou-santo-coitado-de-mim! Argh! Eu tenho horror, verdadeiro HORROR a esses tipinhos. Francamente (e Hermione... eu estou andando demais com você!), enfim... Fracamente Ann Diggory, que belo irmão você foi me arranjar hein?!

- Peraí o que Ced? – perguntou ela cinicamente intrigada.

Ela insistia em chamá-lo daquela maneira? Por que? Por Merlin, Lynn sentia seus nervos aflorarem e sabia que se um dia cruzasse com aquela pessoa num corredor do castelo só proteção divina para mantê-la longe de suas mãos. Mas porquê se sentia tão intrigada, tão nervosa? Era simplesmente levantar-se dali e deixar que ele resolvesse o problema, afinal, não eram mais três, e sim só uma o cercando. Mas seus pés estavam grudados no chão e seus olhos fixos no interior da sala, não saía dali nem se quisesse. Além dos pensamentos presos ao que acontecia na sala, Lynn rezava paralelamente para que ninguém aparecesse batendo os corredores, estava longe demais da Corvinal e não poderia entrar na sala em que os dois habitavam.

Cedric se sentia confuso. Em um instante estava junto a Lynn no meio do corredor, em outro imprensado à parede com garotas que ele mal vira na vida, e a outro havia uma garota se debruçando insistentemente sobre seu peito, agarrando sua blusa e aproximando seus corpos.

- Peraí... peraí. – disse ele tentando se livrar das milhões de mãos que a garota parecia ter. – Ana, certo? – e ela confirmou com a cabeça impacientemente. – Escuta... eu não quero parecer chato, mas... eu... eu gosto de outra garota. – as sobrancelhas dela se ergueram, e assim fizeram as de Lynn. Sentiu uma brisa leve arrebatar seu peito, uma calmaria incomum apoderou-se da garota, e ela não entendeu nada.

Juro. Eu não entendi necas de pitibiribas! Por que será que eu senti isso? Mas que porra!

- Que garota? A Cho Chang? – e disse esse nome como se cuspisse um palavrão (se Lynn não fosse tão áspera como a garota foi ao dizer aquele nome, de certo sentiria medo dela).

MAS QUEM PORRA É CHO CHANG?! (dá pra vocês me explicarem Gina e Mione?! Ann?? Socorro!)

- Não... não é a Cho. – falou ele com uma expressão calma no rosto. – Outra pessoa.

E de novo esse maldito vento vem bater na minha cara. Sério... acho que esse castelo tá com um sério problema na tubulação de ar...

- Duvido que seja melhor do que eu! – ela cortou o silêncio que havia se instalado após a resposta de Cedric.

Lynn sentiu uma pontada de ódio em sua testa. Como a sujeitinha se atrevia, tinha a audácia de dizer que era melhor do que ela?! De novo a vontade de levantar dali e meter um belo sopapo no meio daquela cara grande, feia e gorda (Mentira! De gorda não tinha nada e era muito bonita). Mas peraí... de onde foi que ela tirou a mirabolante idéia de que era dela que o moreno se referia? Com que certeza ela estava afirmando ser dona do "gostar" do rapaz? E seu estômago nesse momento afundou como se alguma coisa pesada, gosmenta e muito ácida tivesse entrado ali a força.

Vou morrer seca e esclerosada, internada em St. Mungus mamãe...

- Ahn? – perguntou ele confuso, mas no segundo seguinte a garota já estava posicionada novamente sobre seu peito.

E agora fazia muito pior (na opinião de Lynn)! Ela além de debruçada, rasgara com violência a blusa dele deixando a mostra aquele belo, malhado e másculo peitoral.

E olha que ele tava doente hein?!

Lynn arregalou os olhos e abriu a boca sem proferir som algum repetindo esse ato várias vezes. Ficara boquiaberta com a atitude da garota e mais ainda com o corpo do rapaz. As únicas oportunidades que tivera de observá-lo foram durante o "incidente" no corredor da sala precisa (E na sala precisa, não é mesmo?!), e no ano novo quando encontrou-o adormecido em seu dormitório sem camisa. Já havia reparado no seu corpo e sabia que não era nada mal (nada mal MESMO), mas nunca tinha-o visto deste ângulo, perspectiva, ou nos braços de outra (como queiram entender).

Grrr... Infeliz!

A objeção de Cedric veio alguns segundos depois, já que também ficara bestificado com o que a garota à sua frente tinha acabado de fazer. Tinha passado dos limites...

- Ana... eu não quero te enfeitiçar. Deixa disso. Vai embora agora e eu vou fingir que nada aconteceu. – disse ele firme olhando diretamente para Ana Abbott.

"Ana... eu não quero te enfeitiçar", "Ana, deixa disso.", "Ana, vai embora e eu finjo que nada aconteceu.". Argh! Mas é um nojento mesmo esse seu irmão não? RIDÍCULO! Como é que a garota se atira pra ele, rasga a roupa dele e faz tudo isso e ele ainda diz que vai perdoar?! Merece é um belo cassete esse daí! Ai que filho da mãe mais bonzinho e cheio de escrúpulos é esse daí. Se eu tivesse no lugar dele colocava um bom feitiço paralisante e deixava ela lá, às traças pro Filch pegar ela na boca da botija! ("Mas você não está!", ô vozinha mais irritante essa que eu tenho na cabeça hein?! Puta merda!) Mas nããão... ele tem que ser essa coisinha perfeita mais-que-linda né?! Arrrgh! Odeio, odeio, mil vezes ODEIO o defunto ressuscitado.

- Embora? – disse ela mordendo o lábio inferior.

Cedric parou e olhou-a com dúvida. O que mais será que ela ia fazer?

E pra que diabos eu perguntei isso? Parece que só de pensar coisa ruim atrai. Ê lelê.

Ela deu dois passos para trás, aliviando a pressão que voltara a fazer sobre o corpo do garoto, mas mesmo assim ainda mantendo seus corpos próximos. Lynn não acreditou no que seus olhos viam e eles pareciam estar traindo-a. Esfregou-os com força, e ao abri-los novamente parecia ainda pior. Ela estava... ela estava TIRANDO A ROUPA PARA ELE.

Absurdooooo!

Lynn levantou-se rapidamente no chão disposta a entrar na sala e acabar com tudo aquilo, já não se importava mais se fosse pega ou não. Mais uma ou menos uma detenção, não estava nem aí, tiraria ele das mãos daquela baleia orca. Mas seus pés permaneciam grudados no local onde estava, não conseguia se mover, seu corpo não respeitava uma ou qualquer ordem dada por ela. Bufou. Cruzou os braços e continuou a observar o que se passava dentro da sala. Sua boca foi se abrindo ao passar de cada segundo. Ela observava a garota retirar a capa, depois gravata, abrindo os primeiros botões da blusa (deixando um belo decote, mostrando o começo da curva de seus seios. Muito murchinhos na minha opinião.). Voltou-se para a parte abaixo de sua cintura e fez menção de tirar a saia, mas ainda não chegara a esse extremo.

Cedric pareceu hipnotizado ao perceber o decote da garota, e fez uma cara de quem havia gostado do que tinha visto. Pela fresta da porta Lynn resmungava coisas com: "Vamos seu pervertido desgraçado, saia daí!", ou então "Eu juro que eu te mato punheteiro de quinta!", e mais várias outras coisas. Mas nada que perfurasse a atmosfera quente do local.

- Ana... acho melhor irmos embora... Se o Filch nos pega aqui... – disse ele em tom de aviso recobrando sua consciência após o transe.

Se o Filch nos pega? Miserável filho da mãe! Olha com o que ele tá preocupado?! "Eu gosto de outra garota..." você gosta é da sua vidinha boa seu desgraçaaaado. Não merece uma gota de preocupação minha! Você tem que sofrer seu escroto. Grrrrrrr!

Aonde estava aquele velho babão que não estava guardando aquele corredor? Ahh, maldito Filch! Onde ele está quando se precisa dele? Aborto imprestável...

Ao contrário do moreno, ela não parecia nem um pouco preocupada. "Deve se sentir A invisível, não?!", Lynn ainda resmungando. E com aquela tranqüilidade inquietante, ela depositou o dedo indicador nos lábios de Cedric, para logo depois depositar seus lábios no dele, que depois de muitas investidas correspondeu aos beijos.

Uma pontada forte invadiu o peito de Lynn, fazendo com que a decepção tomasse conta de si. Um gosto amargo veio a sua boca, e ela vomitou silenciosamente do lado de onde estava parada. Pegou uma bala que sempre levava consigo e pôs na boca. A tristeza passou como um vento frio por seu rosto, perpassando seus platinados cabelos. Uma lágrima escorreu silenciosamente por sua face entrando na fresta aberta entre seus lábios. A menina engoliu, e aquele gosto salgado misturado ao da bala, a fez sentir aquele misto de sensações ruins, a traição. Jamais se sentira traída na vida, e era assim que acabaria.

Não havia mais seu moreno, não restava mais nada. Todos os momentos de consideração em que ela parou para levá-los em conta se desfizeram, só o que restava era aquela amargura que respondia pelo nome de Cedric Diggory em seu peito.

Dando-se por vencidos, seus pés resolveram ceder a tamanha mágoa que a consumia, e dando uma última olhada em choque, Lynn viu a menina completamente nua à frente de Cedric. Ela era muito bonita, teve que admitir, sentia-se derrotada e pra ela orgulho não representava mais tanta coisa naquele momento. Parou mais uns segundos, pois percebeu que ela iria se pronunciar ao garoto bestificado que se encontrava ali.

- Você não resiste não é? – proferiu ela num sussurro bem audível. Pegou as duas mãos dele e começou a passá-las por seu corpo despido.

Ele a olhava encantado. Como uma criança que acabara de ganhar sorvete. Estava claro que ele não resistiria... que homem resistiria a uma tentação como aquela parada à sua frente disposta a satisfazê-lo como quisesse? Sustentou aquela visão durante incontáveis minutos. Não sabe por quanto tempo ficou olhando pela fresta da porta a garota com uma expressão totalmente sensual e ele ainda deslumbrado, mas parecendo travar uma batalha dentro de si olhando para o chão. Será que estaria confuso?

Ele levantou o rosto para a garota e nesse momento Lynn sentiu lágrimas mais grossas virem aos seus olhos. Ele iria ficar com Ana Abbott, querendo ela ou não. Não suportou mais, virou as costas e quando ia começar a andar, ouviu:

- Não posso fazer isso Ana, sinto muito. – disse ele baixo, mas o suficiente para Lynn ouvir um pouco de longe. Afinal o silêncio naquele corredor era perturbador.

- Mas... – tentou recorrer ela, e a loira nunca saberia dizer qual foi a reação da garota, pois não vira.

Seguia por seu caminho reto, não sabia onde seus pés estavam a levando. Tomara que fosse ao salão comunal, para sua cama, que agora definitivamente estava no topo da lista de coisas urgentes urgentíssimas. Não controlava mais suas lágrimas e um soluço escapou de sua boca no momento em que escutou o ranger da porta.

Uma bela merda!

Ele teria a ouvido? Por Merlin, não! Correu, esbarrando nas estátuas sem se importar com o barulho que estava fazendo, Filch com certeza a pegaria, mas não estava mais importada. Continuava correndo quando ouviu passos apressados, ou pisadas firmes no chão e tinha certeza de que alguém havia ouvido sua bagunça que abafou seus soluços. Entrou rapidamente na primeira sala que viu aberta. Era uma sala grande e estava iluminada por pouco mais que quatro archotes.

Jogou-se na cadeira debrunçando-se na mesa do professor, que estava posicionada à sua frente. Parecia que haviam planejado aquela cena totalmente melodramática, pois o ambiente da sala se encaixava perfeitamente ao estado de espírito da garota.

Passava os dedos nervosos pelos cabelos desesperadamente. Chorava como um bebê pedindo colo. Fazia um bom tempo que não chorava, mas odiava o fato de estar sozinha. Nunca fora uma pessoa sozinha. Sempre estava rodeada de pessoas e todas pareciam a mimar, a amar demasiadamente. Sempre contara com o colo de Draco, outro namorado durante sua adolescência e principalmente seu pai. De quem ela sentia tanta falta que chegava a doer em seu peito. Seu grande amigo, seu melhor amigo, seu pai era seu mundo e o dia em que ele se foi, fora tão triste quanto a noite que estava passando nesse momento.

O vazio que sentia dentro de si era incomensurável. Precisava das amigas dela, precisava de Ann, Gina e Mione ali ao seu lado apoiando, secando suas lágrimas, dizendo-lhe palavras reconfortantes, e principalmente, xingando aquele desgraçado-miserável-filho-da-mãe. Queria alguém para velar seu sono durante a noite, queria se sentir completa de novo, e após a morte de seu pai apenas uma pessoa, um gesto a fez se sentir assim, e ele era o último ser pensante que ela queria ver sobre a face da terra dentro de mil anos!

Mas quando eu falo que pensar em coisa ruim atrai, ninguém acredita em mim. Acredita?! Não, não acredita. Filho da mãe miserável, não me deixa em paz nem quando eu tô chorando casseta! E é tudo culpa dele... culpa dele. Argh! Pra que merda este sujeitinho foi ressuscitar, me explica?

E quem aparece diante da porta? Ninguém menos do que ele, Cedric Diggory! O campeão do ano do troféu Idiota dos idiotas!

- ME DEIXA EM PAZ! – bradou Lynn com ódio.

Havia erguido seu rosto para ver o dono da sombra parado à porta, mostrando assim, seus olhos intensamente vermelhos de tanto chorar.

Ele continuava lá parado. Olhando fixamente para ela que permanecia jogada sobre a mesa do professor, onde parecia conter uma poça de lágrimas.

Mas o que ele queria afinal? Zombar da cara dela? Já não se dava por satisfeito por ser o responsável por aquele chororô, por todo aquele auê?!

- O que você quer seu miserável?! – e Lynn continuava a gritar olhando agora também, fixamente para ele. Queria matá-lo, espancá-lo, mutilá-lo, fazer o que deveria ser feito para que ele sentisse uma pontinha da dor que ela sentia.

Ele se aproximou. Lynn levantou-se rapidamente da cadeira, na tentativa de se manter o mais longe possível daquele monstro. Se ele tentasse cercá-la, ele veria com quantas penas se tem uma asa de hipogrifo. E então ele perguntou-a:

- O quanto você ouviu? – ele estava sério. Demasiadamente sério.

- O bastante pra saber que você não presta, seu... seu... seu crápula, cafajeste. – havia diminuído o tom de voz. Mas era impossível disfarçar que havia chorado rios e mais rios de lágrimas, seus olhos continuavam extremamente vermelhos e seu rosto inchado.

- Eu não sou nada disso! – retrucou ele revoltado.

- Aaahahhaha, não é não! – disse Lynn rindo maleficamente em tom debochado, gesticulando ainda bem nervosa. Tinha que pôr seus ânimos de volta aos seus lugares. – Tão inocente o Diggory coitado! Ele morreu, ressuscitou, perdeu o pai, a irmã dele estuda na Sonserina e ainda tem aquela loira aguada da Lestrange que pisa, samba e sapateia em cima dele. Coitadinho... tsc, tsc. – dizia Lynn recobrando seu tom frio e citando essas coisas em tom penoso/debochado, como todas as desgraças presentes na vida de Cedric.

Ele a mirava incrédulo. Por que ela fazia tudo aquilo? Por que?!

- Advinha só defunto! – falou ela da mesma maneira que Ana Abbott mencionara Cho Chang, como se cuspisse alguma palavra indigna de ser proferida por sua boca. – Não foi só você que perdeu o seu pai – e nesse momento os seus olhares se encontraram. A voz de Lynn embargou e as grossas lágrimas voltaram a embaçar sua vista. – e não é só você que sofre nessa merda de colégio. – sua voz agora saiu chorosa, quase inaudível.

É claro que ela se referia ao impasse da relação dos dois. "Mas se tem alguém culpado por não estarmos juntos, essa culpa é sua.", pensava Cedric que iria dizer essas mesmas palavras que falharam ao vê-la chorando como uma criança sem chão em sua frente.

Ele se aproximou, iria acolhê-la, secar suas lágrimas, lhe dar um abraço quente e forte assim como ela desejava. E seria ainda melhor, pois seria o seu abraço, aquele gesto que fazia com que nada mais no mundo impostasse a não ser aquele instante, eles dois, e só.

Mas que espécie de idiota eu sou?! Eu sou tapeada muito fácil. LEMBRETE A MIM MESMA: Nunca mais dar uma de débil quando choro.

Ela continuou dando os passos para trás, mas a cada três passos que ele dava para se aproximar ela dava um para trás. Até que a distância foi vencida por ele. Ele então com as costas de sua mão acariciou o rosto molhado e inchado da loira.

Sua pele queimou, sua espinha gelou e o resto parecia revirar dentro de si. Como conseguira ficar tanto tempo sem aquele toque? Desde o episódio do refeitório não se encontrara mais com ele. Estava com saudades? Era isso?! "Mas que bela jumenta eu sou!", pensava ela ao passar aquele turbilhão de sensações. Como poderia deixar ele tocá-la depois de tudo o que acontecera. Deu mais um passo, e mais outro para trás, instalando uma distância não muito grande, e nem mesmo segura entre os dois. Havia parado de chorar, mas e agora? O que será que ia acontecer? E ela ficou satisfeita por ele quebrar o silêncio...

- Olha... aquela garota, ela me cercou! E... e haviam mais duas! Elas saíram porque a outra mandou, e... – dizia ele rapidamente, aparentemente nervoso.

- Você não me deve explicações Diggory. – já tinha voltado a sua velha forma. Nada como um feitiço reparador e a certeza de que não iria mais abrir o berreiro. – Além do que, eu vi tudo.

- Tudo mesmo? – perguntou ele inseguro.

- Tudo...

E num sopro de alívio, ele assoviou e disse:

- Então você sabe que eu não sou culpado de nada...

- Não posso responder por você. Eu sei o que vi, - ela dizia isso dura e fria, como uma muralha intransponível. – e aliás... você não parecia muito desgostoso com a situação.

- Er... bem...

Ele disse isso de um jeito tão bobo. Sinceramente, eu quis matá-lo nesse instante. Garoto mais ridículo, há poucos minutos eu tava chorando por causa dele (e ele sabia disso!) e logo depois ele tava se gabando na minha frente! Ah... faça-me o favor... que óóódio!

- Grr... Você é realmente um idiota!

Tá, tá... eu assumo! Nessa hora a vontade de chorar veio a tona de novo. E a muralha de pedra intransponível? Quebrou em um monte de cacos feito vidro.

E após esse berro, Lynn sentiu um silêncio inquietante ecoar incomodamente em seu ouvido. Ela ameaçou sair da sala, passando por Cedric que nesse momento ouviu passos ao longe. Agarrou-a pela cintura, o que a fez arregalar os olhos de surpresa e sentir um calafrio de prazer ao seu toque, tampou a boca dela com suas mãos, que estavam muito frias, e puxando-a para um canto escuro da sala, eles se camuflaram num imenso breu que havia.

O dono dos passos parou a porta da sala em que habitavam. Era Filch, e Madame Nor-r-ra em seu encalço.

Maldito velho banguela! Quando se precisa dele ele não aparece, aí tem que dar uma de empata foda?... Não que houvesse foda, é claro...

Ele meteu a cabeça para dentro da sala e encolhendo os olhos, fez um vistoria ótica minuciosa na sala para ter certeza de que não havia ninguém. Estava realmente negro o canto em que estavam, não os veria naquele escuro de nenhum jeito. A maldita gata ainda miou, mas Filch (sem paciência como sempre), disse a gata para seguirem e ela muito contrariada o acompanhou, com ele fechando a porta ao ir embora.

Lynn colocou a cabeça para fora da escuridão, agora firmando a mão de Cedric em sua barriga, para que sustentasse seu peso se ameaçasse cair. E mesmo quando se tocou de seu estado, novamente pareceu permanecer colada àquela posição, era a terceira vez na noite. Caminhando para frente de modo a remover os dois da completa escuridão, a loira depositou sua cabeça no ombro do garoto ficando numa posição extremamente confortável, seus braços ainda a envolviam, sentindo-se protegida.

- Essa foi por pouco... acha que ele já foi? – perguntou ela virando-se para mirar o moreno que olhava bestamente para ela.

- Aham... – e com isso soltou uma risada que a arrepiou.

Ai ai ai ai ai... esse maldito sorriso. Hunft!

- O que foi? – disse ela voltando à cara fechada.

- Nada... – respondeu ele ainda com um sorriso bobo no rosto. – Já te disse que você está linda hoje? – e ao dizer isso Lynn se tornou púrpura.

- E olha que eu acabei de chorar feito um filhote de trasgo! – retrucou ela tentando ser irônica, mas obviamente desconcertada com o elogio que ele havia lhe feito.

E ele riu. Mas por que maldições colossais ele tinha que rir? E daquela maneira?! Por Merlin, um dia ainda me mata...

- Escuta... – começou ele um pouco sério. – aquilo que aconteceu não significou nada. A Ana já havia dado em cima de mim uma vez ou duas, mas nunca achei que ela fosse apelar pra tanto. Acho que vou conversar com...

Mas ela não o deixou terminar.

- Eu já disse... Não me interessa o que aconteceu, não precisa me dar satisfações... – e por fim – não sou nada sua.

Ele a virou bruscamente, retirando-a da posição em que havia permanecido fazendo-a ficar de frente para ele, encarando novamente aquele olhar cinzento que agora parecia um misto de raiva e mágoa. Com uma das sobrancelhas levantadas, depois de algum tempo ele finalmente falou:

- Por que você sempre diz a coisa errada na hora errada?

Ele passou os dedos pelo seu queixo, deixando sua mão deslizar do pescoço até a nuca, firmando o toque e aproximando seus lábios. Ele por final olhou em seus olhos como se pedisse uma autorização, que não foi negada, para o beijo. Por Merlin, dessa vez não haveria como se desvencilhar, alguma frase em seu cérebro formou-se como um "Me desculpe Ann" que se apoderou de sua mente por breves segundos, já que a sensação de plenitude lhe tomou conta logo depois. Por quanto tempo ficara sem seus beijos, ah como sentia falta de seu hálito quente junto do seu, a ferocidade com que seus lábios se chocavam, a necessidade com que suas línguas se encontravam. A paz que desejara sentir momentos antes quando seu peito apertava em angústia e ela pedia aos céus que aquela dor cessasse, estava ali, se espalhando por seu peito como algo tão bom.

Levou suas mãos ao rosto dele, acariciou-o, aquela pele lisa e alva, tão fria causada pelo suor. Queria mandar para o inferno aquele aspecto enfermo do rapaz. Queria cuidar dele, tê-lo em seus braços e espantar qualquer doença ruim para longe. Não suportava o fato de pensar que era a causadora de tamanho mal a ele, mas era, sabia que era, e isso a rasgava por dentro. Merlin! Estava ficando louca, só podia estar!

Enlaçou seus braços pelo pescoço do garoto, e pela necessidade de recuperar o fôlego quebraram o contato entre seus lábios. Ele ofegava forte, seu hálito quente se chocava com o rosto de Lynn, que agora estava corado devido ao calor trocado por ambos os corpos. Ela também ofegante, mirava-o fixamente, sem nem piscar, e mil pensamentos invadiam sua cabeça. Não queria pensar, sabia que seus momentos com ele eram únicos e por se forçar a admitir isso, queria todo o tempo que pudesse passar ao lado de Cedric. Ele olhou-a intrigado, não entendendo muito bem o que aquele olhar significava. Era uma mistura de possessão com carência, medo e espanto, só o que quis foi tirar a menina daquele mar de pensamentos ruins, e tomá-la em seus braços.

Beijou-a com fervor e a acolheu em seus grandes e fortes braços. Aquela sensação se perpetuaria na mente de Lynn, sabia que jamais iria esquecer esse momento, por mais que algum dia se repreendesse dele mentalmente. Mal conseguia pensar que há horas atrás estava xingando o moreno dos piores nomes que conseguiu achar e agora se encontrava aninhada em seus braços, se sentindo completamente plena.

Uma confusão das pitombas essa minha vida. Eu realmente não sei o que pensar! Relembrando isso eu me sinto a pessoa mais idiota e patética do mundo! Ridícula... Seu irmão pra mim continua sendo o mais Idiota dos idiotas.

Já deveriam ser por cerca de 3 da manhã quando eles se localizavam sentados ao chão. Cedric encostado à parede com Lynn entre as suas pernas, envolvida por seus braços, com a cabeça pousada sobre seu peito. Trocavam carícias, riam bobamente um do outro, quando ela virou-se olhando seriamente em seus olhos e se levantou. Estendeu a mão para que ele levantasse também, mas ele claramente não entendeu nada.

- Anda. Acho que não corre mais risco da gente ser pego. – seu tom era doce.

- Ah... mas por que? – falou em tom de pirraça, como o de uma criança mimada.

- Porque sim oras! – disse ela como se isso explicasse tudo.

- Hmm... Então vem aqui...

E sem nenhum tipo de aviso ele puxou-a para si e lhe envolveu num beijo doce e necessitado. O beijo, ao encontrar de línguas, foi se intensificando tornando-se quente e feroz. Aprofundando-se e tornando-se mais sensual do que nenhum outro, mordia o lábio inferior de Lynn fazendo-a arfar. Então ele começou a fazer o que ela temia...

Desceu os lábios suavemente por seu rosto e pelo seu pescoço, passeando por ele, depositando um beijo na alva curva do seu pescoço fazendo-a se arrepiar interna e externamente. Ele tomou-a em seus braços de forma extremamente possessiva e ao perceber isso, sentiu a mãos frias do garoto passeando por todo o seu corpo, até uma delas se depositar na parte interna de suas vestes. Ele havia parado, como se novamente esperasse por sua permissão para seguir adiante, e essa permissão logicamente lhe foi concedida.

Era como uma criança marota que queria explorar todos os cantos de um novo local, ou todas as habilidades de seu novo brinquedo. Os beijos trocados eram quentes, e a cada um, Lynn tinha a sensação de que enlouqueceria a qualquer minuto. Com as mãos novamente entrelaçadas na nuca do rapaz, ela começou a andar para frente, fazendo com que ele andasse de costas, até chocar-se com a parede. Num baque surdo o corpo de Cedric estava prensado entre o quadro negro e aquele corpo que o fazia delirar. Os dois fervilhavam de desejo e se não se contessem fariam uma besteira... mas a questão é: eles queriam fazer essa besteira.

Lynn se debruçou sensualmente pelo corpo dele, encaixando uma de suas pernas entre as dele. Seu cabelo que estava preso, foi solto por Cedric no calor da situação. Suas faces suadas devido ao calor da sala e a intensidade da situação, faziam com que fios de seus cabelos grudassem nelas, sendo removidas imediatamente pelo outro. A preocupação, o carinho, o cuidado que tinham um com o outro, era algo incomum e a própria garota se surpreendia com tamanho trato, especialmente de sua parte.

Com a perna livre, Lynn decidiu usá-la como mais um artifício para deixá-lo louco. Atritou sua perna com a dele, fazendo movimentos de cima para baixo, como faz um gato quando quer carinho de seu dono. Cedric por sua vez também tinha seus artifícios, e ainda mantinha a mão por de baixo das vestes da garota. Passou a dar arranhões leves e sensuais fazendo-a tremer, arrepiando-se na parte em que ele a tocava. Com a mão livre agarrou a perna de Lynn que se roçava sensualmente em seu corpo e segurou-a com firmeza, pausando o beijo, olhando-a fixamente. Ela sorriu. Um sorriso maroto e sensual, mordendo o lábio inferior, fazendo-o ferver por dentro. E nesse momento quebrou o contato de seus corpos, e ele olhou-a desconfiado. Afastou-se ainda mais, fazendo com que a mão que a acariciava escapasse e a feição do menino explodisse em desagrado. E novamente ela sorriu, daquele mesmo jeito.

Virou-se de costas para ele, e então ele entendeu, sorriu.

Ela removeu primeiro o casaco que lhe cobria, mostrando mais acentuadamente agora suas curvas, já que sua blusa delineava-as corretamente e a saia lhe tapava um pouco abaixo das nádegas. Virou o rosto de lado, podendo ver de rabo de olho aquela linda imagem de Cedric largado na parede com as mãos apoiadas no apoio do quadro negro, sorrindo, parecendo gostar muito do que via. Enquanto ela também matinha aquele sorriso bobo e maroto.

Ele riu gostosamente, enquanto ela removia os sapatos e as meias sensualmente. Soltou novamente os cabelos, e balançou a cabeça de um lado para o outro de modo que uma onda platinada sedosa tomasse conta de suas costas inteiras. Levantou a cabeça, encarou o teto e riu do mesmo modo que Cedric havia feito, por Merlin, estava perdendo a sanidade.

E então o silêncio tomou conta da sala. Ele pareceu tomar consciência de que tudo aquilo era mesmo sério, em meio a pouca luz e o único som vindo do crepitar do fogo nos archotes, Lynn ouviu-o engolir seco. Ainda de costas para ele virou o rosto para encará-lo de lado, e ele viu o perfil dela parecer sério. Aquilo realmente iria acontecer... ela removeu a gravata azul da Corvinal que tinha um nó sempre meio desengonçado, e jogou-a para o lado quando ele quebrou o silêncio:

- Você quer mesmo fazer isso? – perguntou ele sério, muito baixo e engolindo seco novamente, pois Lynn havia feito um sinal positivo com a cabeça.

Ele já havia se ajeitado melhor na parede, agora estava reto e parecia muito tenso. Ela por sua vez removia a blusa, ficando de sutiã, deixando a mostra sua barriga alva e lisa. Lynn virou de frente para Cedric vendo aqueles olhinhos deslumbrados brilharem. Não havia sido como com a outra garota, ele apenas tinha ficado extasiado, deslumbrado, afinal que homem não ficaria com tamanha beleza nua a sua frente. Mas dessa vez era diferente, ela não estava completamente despida, mas mesmo assim aquele deslumbre transbordava em seu olhar. Seus olhos brilhavam, como se tivesse achado o tesouro mais precioso do mundo.

Ela voltou a se aproximar. Seus pés tocavam o chão frio, aquele vento frio que perpassava a sala graças a fresta aberta da janela a fazia se arrepiar, mas tinha passos firmes em direção ao garoto. Partes de seu cabelo cobriam seu colo e barriga nua, a fazendo sentir cócegas quando eles encostavam-se a sua pele. Sorriu. Entrelaçou seus dedos aos do rapaz, puxando suas mãos para sua cintura, fazendo-o enlaçar seus braços em volta de si. Beijou-o suavemente, passando as mãos carinhosamente pelo pescoço dele, acariciando por fim os cabelos de sua nuca.

Lynn removeu a blusa já rasgada de Cedric, jogando-a no chão. Desabotoou a calça dele, não a retirando completamente. Ela passou seus braços por debaixo dos braços do garoto, posicionando seu antebraço em suas costas e as mãos prendidas ao seu ombro, apoiando também sua cabeça. Firmou um abraço e jamais queria sair dali. Queria permanecer ali, protegida no calor do corpo do moreno que agora transpirava, mas não pela enfermidade (que parecia ter desaparecido), mas sim pelo calor trocado. Ele mirou-a e ela retribuiu o olhar.

Beijou-a com avidez e ela se desfez do abraço. Desabotoou sua saia fazendo-a cair automaticamente no chão, deixando a vista a mínima calcinha que cobria seu sexo. Cedric arregalou os olhos, parecia por segundos ter esquecido da situação que se instalava ali. Como num impulso abaixou sua calça, deixando-a encontrar-se com as frias pedras do chão.

A loira pegou uma das mãos do rapaz encaminhando-a para a alça do seu sutiã. Sem pestanejar, ele afastou os cabelos loiros da menina posicionados em seu ombro, deixando clara a vista de sua pele branca. Colocou a mão por baixo da alça e afastando-a, deixou pender para o lado e pôs-se a beijar, não só o ombro, mas todo o colo da garota com necessidade. Lynn arfou baixinho extasiada com tudo a aquilo.

Cedric sentia-se perdido, sem chão, e procurou a boca da garota com desespero a beijando com violência. A garota respondeu da mesma forma passando nervosamente as mãos pelo peitoral e abdômen do rapaz, dando leves e sensuais arranhões, ouvindo um gemido abafado vindo dele. Ela gostou. Gostava do efeito que causava nos homens, mas sabia que em Cedric era particularmente diferente, pois com ele, ela se sentia da mesma forma.

Quando parecia explodir, Cedric a puxou com vontade para seus braços retirando seu sutiã e desvendando seus seios nus. Fez o mesmo com a última parte de pano que a cobria e um brilho ainda mais cegante apoderou-se de seu olhar. Ele beijou-a com ainda mais vontade, queria ela para si, necessitava daquele corpo somente para ele. Desceu os lábios correndo por toda a extensão do pescoço, ombros e colo, quando parou de súbito. Sentiu a mãos de Lynn acariciar-lhe a região do umbigo e descer ainda mais, depositando-se no interior da última peça que lhe cobria. O moreno encarou pela milésima vez aquela noite aquele mar azul profundo e viu um sorriso malicioso formar-se entre os lábios da garota. Num impulso, ele arregalou os olhos e percebeu que ela tinha apertado sua bunda. Não se segurando soltou uma gargalhada.

Corta climaaaaaaaaaaaaaaa...

- Desculpa... – falou ele ainda rindo. Como era lindo aquele filho-da-mãe!

E ela não respondeu nada. Apenas tinha aquele sorriso maroto na face, enrugou a testa, sobrancelhas e nariz, e balançado a cabeça roçou os lábios nos de Cedric. Ele sorriu satisfeito e puxou-a para mais um beijo. A temperatura se elevou naquele momento, e Lynn debochada, falou:

- Você não resiste não é?

Ele soltou uma gostosa risada.

- Você não presta...

- Nem um pouco. – disse ela mordendo os lábios e puxando-o para mais um beijo.

Cedric beijava toda a extensão de seu corpo, fazendo-a soltar gritos abafados de prazer pedindo-lhe mais e mais. Beijava com vontade seus seios firmes e redondos, dando leves mordidinhas em seus mamilos rosados. Ela que continuava em pé, mas se contorcia pelas carícias do moreno, percebeu ele se abaixar e se seguir com os lábios para sua barriga e ainda abaixo da cintura. Tinha sede em provar toda aquele pele macia e despejava leves mordidas pelo abdômen da garota, tocando seus lábios macios suavemente, e ao se deparar com o órgão de Lynn ele surpreendeu-se consigo mesmo, pois quando se deu conta estava-o beijando com avidez. Posicionara-se de maneira que tinha plena visão daquela parte da menina, em plena consciência de que ela gritava em êxtase e implorava para que não parasse. Ela tentava se agarrar em vão nas paredes, passando as unhas pelas pedras da parede, perdendo-as do tato já que não se prendiam as suas mãos. Sentiu que chegaria ao limite e no mesmo segundo puxou Cedric pelos cabelos fazendo-o se levantar e encará-la. E foi a vez dela de proporcionar-lhe prazer. A loira desceu devagarzinho ainda encarando aquelas orbes cinzas e colando seus lábios carnudos o peito do rapaz pôs-se a beijá-lo e mordê-lo sensualmente. Ao chegar nos seus mamilos ele gemeu alto e mordeu o lábio inferior ficando extremamente sensual. Numa descida rápida, Lynn agarrou a parte de roupa que ainda guardava o garoto e puxou-a expondo seu órgão. E tão rápido quanto foi sua descida, ela subiu a ponto de ainda vê-lo corado. Sorriu docemente e seus olhos brilharam junto com os dele. Beijou-o de forma carinhosa e uma de suas mãos que ainda arranham levemente o corpo do rapaz, tocou suavemente seu sexo já erguido, fazendo-o se arrepiar. Cedric tocou a mão dela que havia se retirado automaticamente do local e a pôs novamente onde estava, fazendo-a o segurar firmemente. Fez certos movimentos arrancando mais gemidos do moreno. Ao perceber que ele também chegaria ao seu limite, pois ele parecia estar de alguma forma concentrado com seus olhos fechados, ela roçou seus lábios nos dele e puxou-o pelo ombro em direção a mesa do professor (eles haviam explorado cada canto daquela sala). Sentou-se na mesa e posicionou Cedric entre suas pernas. Foi descendo sutilmente, aproximando daquela forma seus corpos, deixando que o membro erguido do garoto lhe penetrasse com suavidade. E então, aconteceu.

Lynn gemia e arfava baixo no ouvido de Cedric, estava tomada de prazer ao senti-lo invadir seu corpo. Com movimentos leves e compassados ela o sentia mais dentro de si e tinha certeza de que era aquilo o que lhe faltara, a sensação de vazio que sempre tivera, era por ele que ela esperava. Cravava suas unhas em seu peito e suas costas másculas, mordia o lóbulo de sua orelha, e ele soltava gemidos abafados em êxtase. Respirava fundo, puxava o ar para si como se nunca tivesse respirado na vida. Estava experimentando sensações que nunca pensara ter na vida, não queria romper jamais aquela ligação. Abraçava-o forte, no medo e na ameaça iminente de tê-lo separado de si. Por ela ficariam ali até tudo definhar, e só o que lhe importava era o prazer que trocavam. Cedric arfava alto, e seus gemidos eram abafados pelos beijos que distribuía pelo corpo da garota. Ela estava apoiada na mesa do professor e ele em pé, fazendo movimentos suaves e devagares, arrancando exclamações da loira que respirava alto na altura de seu ouvido. Suas mãos fortes percorriam todo o corpo perfeito da garota, apertava cada centímetro, como se quisesse senti-la por inteiro, arrancando-lhe suspiros pausados, até parar em seus firmes seios. Apalpou-os gentilmente e com movimentos mais firmes tocava-lhe os mamilos com suavidade e vontade. Seu limite havia chegado. Lynn já entrelaçara suas pernas a volta da cintura do moreno, e aquele sentimento de possessão ainda lhe tomava conta. Não era preciso trocarem muitas palavras, apenas se sentiam. Como um filme tudo o que havia acontecido entre os dois passou pelos olhos azuis da loira e ela o empurrou para fora de si quando o sentiu aliviar-se.

Os dois pingavam de suor e ele tinha um semblante de dúvida gravado no rosto. Ela apenas o olhou com mágoa e sentiu seus olhos mais uma vez lhe falharem. Segurou-se o máximo que pode enquanto colocava novamente suas roupas e as lágrimas teimavam em surgir, mas elas não a venceriam e Lynn não as deixariam escorrer. Cedric ainda parado a mesa, já havia colocado sua calça, mas ainda assim mantinha aquela feição de que nada do que estava acontecendo fazia sentido. Acabara de tê-la para si, e por que diabos ela estava se comportando daquela maneira agora? Ele a agarrou pelo braço quando percebeu que ela estava pronta e saindo da sala.

Olhou fixamente em seus olhos e viu grossas lágrimas brotando daquele oceano.

- Me deixa em paz. – proferiu Lynn cheia de ódio retirando-se como um furacão da sala.

Ê merda!

-

Hogwarts, 23 de Janeiro.

Eu e Gina estamos na aula de Herbologia. Não pretendo comentar mais sobre os infelizes acontecimentos desta madrugada, e muito menos citar o maldito durante um bom tempo. Entendam como quiserem, mas isso é uma promessa, uma promessa inquebrável. Eu tenho olheiras, minha cara ainda tá inchada e o dia hoje infelizmente veio prometendo ser bem horrível. A começar por essa aula maravilhosa... Odeio plantas, não suporto a Sprout, que toda aquela Lufa-lufa amarela se exploda!

-

Hogwarts, 24 de Janeiro.

Mais calma, confesso.

A sardinha sofreu comigo ontem coitada. Gina, MUITO OBRIGADA por ter trazido o meu almoço e jantar ontem. Não tava com a mínima vontade de caminhar até a cozinha e ver aqueles elfos horríveis (desculpa Mione, mas que eles são feios, ah isso são!). Sem contar que corredores pra mim são áreas de perigo constante... nunca mais ando pelos corredores desse castelo sozinha! E isso é mais uma meta pra essa merda de ano que mal começou e já tá uma boa desgraça.

- Ele ficou nos encarando ontem durante todo o almoço... – disse Gina como se estivesse narrando um conto, caminhando com a loira pelos corredores. – Acho que estava esperando você aparecer. – finalizou concluindo o óbvio.

- Ainda bem que eu não fui! – falou Lynn levantando e sacudindo as mãos para o teto, no mínimo engraçado.

- E no jantar também... mas a Ann tratou de ir falar com ele e voltou bem zangada.

- Zangada por que? – perguntou a corvinal em dúvida.

- Não sei... responde você! – e a loira abriu a boca incrédula parando no meio do corredor abarrotado de alunos, já sabendo o que viria adiante. – O que foi que aprontou dessa vez com o coitado do Cedric?

Na mosca! Mais uma vez ELA era a culpada por algo que ELE tinha começado. "Coitado do Cedric (?)" pensou Lynn bufando.

- Há... faça-me o favor Virgínia! EU não fiz nada.

- Mas então aconteceu alguma coisa... – concluiu a ruiva passando os dedos pelo queixo.

- A culpa é dele! – respondeu a loira nervosa encerrando o assunto. – E, afinal... no domingo você vai saber. Agora me deixa com essa história!

Se fosse pra te contar todo dia se eu cocei minha bunda antes de dormir, eu não vejo necessidade de escrever nessa budega de diário Virgínia.

Continuaram seu caminho até se dispersarem, cada uma para sua aula. No caminho de sua aula de feitiços, Lynn deparou-se com uma cena não muito agradável. Uma garotinha da Corvinal que aparentava seus 12 anos, recolhendo seus livros espalhados pelo chão sob o olhar severo de uma monitora. A pequena garota tinha seus olhos vermelhos, o que acusava que estivera chorando, enquanto a outra sustentava uma expressão satisfeita e ameaçadora. A loira apesar de sentir pena da menininha, não se importou, afinal, a monitora provavelmente estaria cumprindo suas obrigações. E ao se aproximar mais da cena (teve de seguir aquele caminho até a sala de Flitwick), percebeu, a monitora em questão era da Lufa-lufa, Ana Abbott.

Seu sangue subiu a cabeça, seu rosto tornou-se escarlate, uma fúria a consumia por dentro e então parou. Respirou fundo, se aproximou ainda mais das duas e abaixou-se, recolheu o restante dos livros da pequena corvinal, entregou-lhe com um sorriso e disse docemente:

- Pode ir.

- Mas... mas, eu estava acabando de receber uma detenção, eu... eu... – disse a menina ainda chorosa, olhando diretamente para Lynn que continuava abaixada.

Mas que de súbito levantou-se e encarou as orbes furiosas de Ana. Percebia a lufa-lufa quase espumar de raiva por Lynn estar inferiorizando sua autoridade.

- Você não pode mandá-la embora. A monitora aqui sou eu. – falou Ana tentando se conter.

- Uma pena, pois ela vai. – e lançando um olhar sombrio à garotinha, ela seguiu abarrotada de livros em seus braços e saiu do local apressando o passo.

Se Ana Abbott não deixava transparecer um pingo de sua raiva, seu limite estava perto do fim.

- Quem você pensa que é para me questionar assim? – retrucou Abbott olhando Lynn de cima a baixo.

- Lynn Lestrange, prazer. – e num sorriso sarcástico estendeu a mão para a garota nervosa a sua frente.

Tremeu, o nome Lestrange não era um dos mais populares no mundo bruxo. Ela recusou o aperto de mão e continuou de braços cruzados analisando a loira.

- Aquela garota estava causando tumulto nos corredores, mal conseguia se sustentar nas próprias pernas derrubando livros a cada passada. Estava aplicando-lhe uma detenção e você me desrespeita assim. Vou comunicar ao diretor da Corvinal de sua detenção, e também aplicarei uma para você por desrespeito. – ela deu uma entonação diferente quando se referiu a Lynn como "você". E na opinião da loira, muito pomposa, cortaria suas asas.

- ­Você não irá comunicar NADA ao nosso diretor. – falava a loira com firmeza. - Aquela garota não fez nada a não ser pegar livros demais na biblioteca, e se ela te irrita por isso, então bom... o problema é todo seu. – a frieza de seu sorriso e suas palavras, fizeram a lufa-lufa abrir e fechar a boca várias vezes sem proferir som algum.

- Mas que audácia! – disse ela passado alguns minutos.

Os corredores já estavam vazios. O toque para entrarem na sala de aula já tinha ressoado e na vontade de tirar aquela monitora do sério, Lynn nem havia percebido que estava atrasada.

- Audácia é alguém te nomear monitora! – falou Lynn revirando os olhos e dando as costas a garota.

Mas com certeza aquele não era o fim. Ana Abbott agarrou-a pelo braço e Lynn parou, mas não pela força aplicada pela garota par fazê-la parar, e sim pela incredulidade de que a lufa-lufa tinha lhe agarrado.

- Escuta aqui... se você acha que vai se safar assim... – berrou Ana ao encarar a loira novamente, mas foi interrompida por ela...

- Escuta aqui você ô projeto de gente... Nunca mais na sua inútil vida volte a me tocar! – bradou Lynn com os olhos fervilhando de ódio querendo esganá-la, mas não pelo que acabara de acontecer, e sim por aquela noite. – E se você quer me dar uma detenção dá, tô pouco me lixando pra você... vai catar bicho-de-conta e vê se não me enche! – bufou e continuou olhando para a cara de besta que a lufa-lufa ainda fazia.

- Algum problema Abbott?

Era o que faltava sabe?

Ele havia chegado pelas costas de Lynn e fora tão silencioso, que ela nem havia percebido até ele se pronunciar. Mas percebeu que seu tom para a colega de monitoria era formal demais para dois "companheiros" (e a loira tremeu a pensar nessa palavra e lembrar-se das cenas daquela madrugada). Não iria se virar, não queria encará-lo, e assim o fez. Mas parecia sentir o calor emanado do corpo dele lhe abraçar mesmo estando distantes, sua insanidade estava ultrapassando limites agora.

- Mas é claro que tem Ced! – disse ela ainda nervosa, mas mais nervosa ficou Lynn ao ouvi-la chamando-o mais uma vez de Ced. – Esta garota aqui... Ly... Lestrange, ah sei lá! Ela dispensou uma garota que estava fazendo bagunça nos corredores e eu a passava uma detenção.

E eu só então me toquei que eles tinham virado 'companheiros'. Mas pra que diabos monitores existem? Hein Hermione?

Lynn estremeceu ao perceber que Ana iria dizer seu nome a Cedric. Não sabia ao certo o porquê desse "segredo" quanto ao seu primeiro nome para o moreno, e como é que ele ainda não sabia, só sabia que o diria quando a hora fosse certa. Aliviou-se ao perceber que ela não gravara seu nome devido ao nervosismo. Ela então sentiu o olhar dele queimando em sua nuca.

- Você fez mesmo isso Lestrange? – seu tom era tão formal quanto o que usara com a Abbott.

- Sim, fiz. – disse Lynn friamente, ainda de costas para o garoto. – A menina não fez nada, apenas carregava livros demais.

- E com que autoridade você me desrespeita assim sua atrevida?! – revoltou-se Ana metendo-se de volta na conversa.

- Abbott, se a garota só levava alguns livros a mais, não há motivos para aplicar-lhe uma detenção. – falou ele formalmente calmo.

- Mas... mas... ela estava tumultuando o corredor Cedric! – repetiu ela inconformada.

Ele então passou pelo lado de Lynn que sem poder evitar, olhou de esguelha para o garoto. Tinha a aparência doente de costume, olhos fundos, olheiras, muito pálido e ainda mais magro.

Mas que diabos de montanha russa é a saúde desse garoto???

Dirigiu-se a Ana e puxou-a para o lado, falando-lhe em voz muito baixa, mas que Lynn não deixou de escutar: "Me chame de Diggory! Somos monitores.". E então uma satisfação enorme tomou conta do peito de Lynn.

- Quanto a você Lestrange... – ele virou-se para Lynn e dessa vez ela não pôde deixar de encará-lo. – Não questione novamente um monitor ou acabará levando a pior. – mas ele disse isso docemente, olhando em seus olhos, como se pedisse a ela alguma explicação para toda aquela mágoa aparente nele.

Lynn assentiu com a cabeça, baixando os olhos. Abbott com certeza perceberia tudo aquilo, não queria olhá-lo mais.

- Eu estava lhe dando uma detenção... Diggory. – disse ela firme quebrando o silêncio, e a última palavra pronunciada com certo desgosto.

- Não... deixe que quanto a isso conversamos nós dois. Pode ir Abbott, as aulas já começaram, vou em seguida.

- NÃO! – berrou Lynn de susto imediatamente após Cedric. – Não... – falou recompondo-se, e os dois encarando-a. – Ela estava me aplicando a detenção, vá você Diggory. – mantendo-se fria.

Ana tinha uma expressão vitoriosa, que contrastava com a confusa do moreno. Lynn continuava a evitar o seu olhar.

- Mas...

- Mas nada Diggory – disse Ana pondo-se à frente dele, tapando a visão de Lynn do garoto. – Vá para a aula e diga que estou chegando.

Cedric ainda olhou a loira por cima dos ombros da Abbott, assentiu com a cabeça e seguiu seu caminho.

- Tá bem sua imbecil. Sexta-feira às cinco horas na Sala de Troféus. – falou Lynn rapidamente e já retomando seu caminho.

- Quem decide o dia e horário da sua detenção sou eu! – retrucou ela bestificada. – Eu é que falo... – mas novamente foi interrompida.

- Você não fala nada sua mistura de dragão com explosivin. – e a lufa-lufa abriu a boca em indignação, mas era tarde para retrucar, pois a loira já tinha saído de suas vistas.

E quando percebeu que já estava longe o suficiente dela, desatou a correr. Olhou em seu relógio, já estava atrasada meia-hora para sua aula de feitiços, Flitwick lhe passaria com certeza um grande sermão. Chegou a sala ofegante, e o professor descontou 10 pontos da Corvinal devido ao seu atraso.

Ao fim da aula dirigiu-se ao refeitório e teve seu almoço apenas na companhia de Gina, pois Ann e Mione estavam na biblioteca (segundo a ruiva) estudando para os N.I.E.M's, o que na opinião de Lynn era um exagero, pois as provas só eram no fim do ano letivo.

O resto do dia passou lentamente (diga-se chato), com dois tempos de Poções com a Lufa-lufa, nunca fora muito boa em poções e a companhia de uma turma inteira daquela maldita casa, tornava-se um maldito martírio; e um "agradável" tempo de Adivinhação. O dia realmente tinha vindo para testar a paciência da loira.

No fim do dia, finalmente, encontrara todas as suas amigas. No jantar, Ann, Gina, e Mione estavam sentadas à mesa da Grifinória a espera de Lynn para comerem. Devido a distração e raiva passou direto por suas amigas sentando-se no fim da mesa da Corvinal e ali ficou com as mãos no cabelo apoiando a cabeça e encarando seu prato. As garotas não entendendo dirigiram-se então à mesa da casa, com Mione sentando-se ao seu lado e Ann e Gina à sua frente, com travessas cheias de galinha e costelas impedindo-lhe a visão. A ruiva então afastou a comida para o lado e se pronunciou:

- Que houve Lynn?

- O ouvido sardinha... – respondeu a loira entediada sem tirar os olhos do prato.

Ann não se segurou e soltou uma gargalhada audível para todo o salão. Todos se viraram e deram risadinhas. Quem em Hogwarts ainda não estava acostumado com o quarteto mais famoso de toda a escola? Durante todo ano que se passava já eram usuais os risos ensurdecedores, as brincadeiras chamativas... sem contar a autoridade que cada uma tinha em todo o castelo, e ninguém ousava tirar ousadias com qualquer uma das quatro. Também eram bem conhecidas por suas belezas incomparáveis (nesse quesito Ann e Lynn), que sempre arrancavam assovios por onde passavam naqueles corredores.

- Hahhahahah... péssima! Péssima Lynn... – falou a sonserina ainda rindo mais para irritar Gina do que pela piada sem graça.

- Ah! Não enche também Ann...

- Nooossa... que que deu em você hein?! – perguntou Hermione parecendo tão cansada quanto ela.

- Eu, eu... eu não sei. – a loira tinha virado para encarar a grifinória, e vieram lágrimas aos seus olhos.

- Ai Lynn, por Merlin, o que aconteceu?! – perguntou Gina assustada, já desemburrando a cara.

- Não Ginn... acho, acho que sinto falta de casa – e as amigas sabiam que ela se referia a Beauxbatons quando mencionava isso. -, eu, eu... me desculpem! – falou ela deixando as lágrimas escorrerem por seu rosto, e Hermione as enxugando em seguida com um lenço que acabara de pegar. – Vocês aqui me ajudando, me dando força... brigando comigo – e nesse momento ela olhou para Ann – e eu dizendo que quero voltar para a França. Desculpem meninas... meu lugar é aqui, com vocês. – disse por fim passando um braço pelo pescoço de Hermione e dando a mão livre para Gina e Ann.

- Não esquenta com isso Pitzie – e Lynn arregalou os olhos para Ann, ela nunca havia chamado a loira pelo seu apelido de infância -, eu também sinto falta de Eton às vezes, mas nada que me faça comparar a saudade que eu sentiria daqui se deixasse vocês.

E nessa hora foi a vez de Gina arregalar os olhos e encarar Ann... a valentona Diggory sendo sentimental? Essa era uma cena inédita! As únicas vezes que a viu falar daquela maneira, foi quando mencionava seu irmão, Cedric. E então encenou uma cara de choro que primeiramente foi vista por Hermione que não se agüentou e riu, para logo depois ser vista por Lynn e Ann.

- Mas é uma broca mesmo essa sardinha hein?! AHAHHAHAHA – falou a morena.

- Tsc... vocês não prestam! – disse Lynn também rindo, e enxugando as lágrimas que agora transbordavam de tanto rir.

E por fim pararam quando sentiram a barriga doer de tanto rir uma da cara da outra. Realmente não havia grupo mais excêntrico em todo o colégio.

Sentiam os olhares maliciosos vindos de várias mesas. Olhares cobiçadores, que as faziam abafar risadas enquanto comiam e conversavam em alto em bom som. Gina mirou a mesa da Grifinória e percebeu que Harry não desgrudava os olhos do local onde estavam, assim como Hermione percebeu a fixação de Cedric no ponto em que estavam, Lynn percebendo o de Richard e Ron, e Ann o de Draco.

- Parece que o Harry não tira os olhos de você Ann. – e novamente abafou um riso.

- É... e nem o Draco de você sardinha! – disse com ferocidade, deixando Gina mais vermelha ainda de raiva.

- Ann... será que o Richard quer um repeteco? E o Weasley? – disse Lynn caindo na gargalhada logo depois, olhando para Ann e deixando Mione corada.

- Não sei o que ele quer, mas com certeza a gente sabe o que o Cedric quer. – bombardeou Hermione com sua língua afiada, deixando Lynn instantaneamente séria e Ann olhando para a mesa da Lufa-lufa confusa.

- Não me diga que novamente... – começou a sonserina fitando Lynn.

- Não vou lhe dizer nada... – respondeu a loira curta e grossa, antes que iniciassem uma nova conversa sobre Cedric.

Mas aquele clima chato não durou muito, pois o jantar foi terminado pouco depois e iam seguindo para a porta quando perceberam alguém se apressar atrás delas. Era a Prof ª McGonagall e parecia se dirigir a elas. Estavam certas.

- Ah, ainda bem que alcancei vocês meninas. – disse ela ofegante parando ao portal do salão para recuperar o fôlego. – Srta. Lestrange, preciso que vá a minha sala amanhã após o almoço, quero tratar de alguns assuntos com a senhorita. – disse ela já em sua pose habitual.

- Ahnn... está bem professora. – respondeu Lynn olhando confusa de Minerva para as amigas, que retribuíam seu olhar.

Elas seguiram adiante ainda olhando confusas umas para as outras quando Hermione finalmente quebrou o silêncio, intrigada.

- O que será que a Profª McGonagall iria querer com você?

- Não faço a mínima! – respondeu Lynn dando de ombros.

Provavelmente seria alguma coisa administrativa ligada a Beauxbatons que teria de resolver. Mas não se preocupara.

Pelos corredores ainda a caminho de seus dormitórios escutaram passos acelerados, parando logo atrás delas. Era Pansy Parkinson, e pelo que parecia estava procurando uma delas, pois ao deparar-se com o quarteto seguiu mais calma dirigindo-se a Ann. E com sua voz esganiçada falou:

- Diggory!

- Que é buldogue? – respondeu a morena com impaciência, seguida por risinhos das três amigas.

- McGonagall está te procurando. – ela falava com certo desprezo na voz olhando Ann de cima a baixo, assim como fazia com Lynn sempre que a encontrava. "Deve ter descoberto que a Ann ficou com o Quinho... patética!", pensou Lynn reprovando a atitude da buldogue, que saiu em seguida.

- Mas o que será que a velha quer comigo? – e ao se referir da diretora assim ganhou um olhar reprovador de Hermione.

- Não sei... mas é melhor ir logo! – disse Gina, apontando para o relógio, já eram quase 21:00 horas.

- É mesmo. Vejo vocês amanhã. – e dizendo isso virou-se para fazer o caminho até a sala de Minerva.

As três caminharam até chegar ao corredor da Corvinal onde Lynn despediu-se das amigas e elas rumaram a Grifinória.

Não sei... mas que diabos a McGonagall iria querer comigo amanhã? E que coisa mais estranha, ela me diz isso, e logo depois chama a Ann pra ir pra sala dela. Essa velha deve tá ficando esclerosada. Ai ai ai..

-

- Bom dia raio de sol. – disse Lynn sorrindo ao pequeno raio solar que entrou pela fresta das cortinas de sua cama.

Hogwarts, 25 de Janeiro.

Éééééé crianças. Hoje o dia começou bom! Tá um frio delicioso, eu ainda tô embaixo das minhas cobertas e tá tuudo legal. Hoje nós temos aula de Aritmancia e Runas Antigas, êêêê! Mas enfim... ainda tô encucada pra saber o que a McGonagall quer comigo, e mais curiosa ainda pra saber o que ela quis com a Ann ontem a noite. Enfim... té mais tarde!

Mas Ann não apareceu no café da manhã. Ela, Gina e Mione tomaram seu café relativamente rápido ganhando tempo para ir até a Sonserina saber o que tinha acontecido com a amiga.

- Ela não pode ter estudado durante toda a madrugada! – disse a loira inconformada.

- Ué, por que não?! – perguntou Hermione ainda mais inconformada.

- Porque é absurdo Mione! – falou Lynn.

- E é demais! Vocês estão estudando demais, os N.I.E.M's ainda estão longe... – continuou Gina, apoiando a corvinal.

- Longe?! Vocês acham que estão longe?! – quase berrou a Granger. – Estamos a menos de 5 meses dos testes e vocês vem me falar que estão longe!

- Ah... relaxa sangue-ruim... – disse aquela voz inconfundivelmente arrastada. – Vê, você tem um consolo... se não conseguir N.I.E.M's suficientes você ainda pode arrumar um emprego chinfrim qualquer no Ministério, como o pai da sua amiguíssima Weasley. – falou ironicamente e olhou de esguelha para Gina aparentando asco.

- Pelo menos ninguém vai estar comprando a minha entrada Malfoy! – esbravejou Hermione vermelha feito um tomate, com Gina ao seu lado olhando mortificamente para Draco.

- Epa, epa, epa... Peraí... vai pra lá Quinho. Nada de confusão. – disse Lynn se metendo na conversa, pois percebeu que seu primo iria sustentar mais uma briga com as amigas.

- Não... – e Lynn o olhou furiosamente. – eu vim aqui falar contigo Pitzie, vem. – disse ele estendendo a mão e vendo o olhar da loira aliviar-se.

- Não dá Quinho! A gente tava indo lá ver a Ann... ela não apareceu no café e... – mas foi interrompida.

- Você encontra com a Diggory a todo o segundo, e há dias que não nos falamos, vem! – e puxando-a pelo braço ela apenas esboçou um "desculpa" pelos lábios para as amigas que lhe acenaram ainda furiosas.

Eles seguiram o caminho do corredor de salas de aula. Pareciam ter pedido o interesse em se agarrarem pelos corredores da escola, e o interesse de Draco era dirigido a perguntá-la se Cedric tinha voltado a se aproximar dela e mentindo, Lynn dizia que não. Perguntou como ela estava lidando com as aulas, disse que estava feliz por saber que era uma boa aluna em feitiços e falou que já havia ouvido falar sobre a boa fama da prima nessa matéria. Mostrou-se satisfeito a fácil adaptação da prima em Hogwarts, mas ainda parecia sentir por ela não ter sido escolhida para a Sonserina. Era um Draco Malfoy totalmente diferente ao lado daquela loira.

O dia passou rapidamente e logo chegou o almoço. Seguiu apressada para o salão, pois tinha a expectativa de encontrar Ann e saber o que havia acontecido nas últimas horas. Quando chegou ao Salão Principal, a morena já conversava absorta com as amigas grifinórias. E sentando-se ao lado delas Lynn percebeu o semblante cansado da amiga.

- Ann... por acaso um trasgo sambou em cima de você? – e abafou uma risada. Mas Ann se mantinha séria e parecia não ter gostado nem um pouco da piada da amiga.

E como percebeu que ela havia lhe ignorado e as outras ainda nem percebido a sua presença de tão surpresas que pareciam, Lynn focou-se em pegar uma costela de porco que lhe parecia deliciosa.

- Mas então... ele está bem? – perguntou Hermione parecendo preocupada.

- Não... nada bem. Madame Pomfrey disse que talvez tenham que transferi-lo novamente para St. Mungus.

E então Lynn engoliu de vez a costela mais seca que já comera na vida.

- Mas então... o que a McGonagall vai fazer? O Cedric vai sair de Hogwarts de novo? – disse Gina em tom penoso.

E a loira engasgou-se com o suco de abóbora que tomava para que a costela presa descesse por sua garganta, espalhando suco por toda a mesa e sujando suas vestes.

- É. Talvez ela tenha que sair mesmo. A velha mandou uma carta para mamãe explicando o que aconteceu. – falou Ann sem perceber que Lynn estava quase morrendo ao seu lado.

- Mas afinal, o que foi que aconteceu? – perguntou Hermione também indiferente ao que acontecia com a loira que murmurava um "socorro" muito baixo para quebrar a concentração das amigas.

- Ele desmaiou. McGonagall falou que todos já estavam fora do Salão, ele só estava acompanhado pela outra monitora da Lufa-lufa – e nesse momento, por mais debilitada que estivesse Lynn enrugou a cara o máximo que pode em desgosto. -, ele parecia estar se queixando de tontura, ele realmente não tem se alimentado direito ultimamente. Segundo a professora, ela já estava se retirando, mas parou para observar a cena, porque parecia que a garota não estava ajudando. Ele então mandou-a se afastar – e nesse momento o rosto de Lynn desmanchou – e se levantou de uma vez só, e aí caiu no chão. A professora correu para ajudá-lo, gritou por Hagrid e ele o carregou até a Ala Hospitalar. Após a minha conversa com a professora Minerva, fui até lá e Madame Pomfrey me deixou passar a noite ao lado do Ced. Ele estava tão, tão... fraco.

E quando a loira não conseguia mais puxar o ar para respirar agarrou fortemente o braço de Gina, fazendo-a soltar um "Ai!" de exclamação, mas só assim saindo do transe e lhe dando tapas nas costas para que desengasgasse.

- Porra! Finalmente vocês se tocaram... quem ia acabar morrendo aqui era eu cassete! – mas ao invés de risadas ela recebeu olhares repreensivos. – Ei... peraí... que foi que eu fiz?! – perguntou confusa ainda massageando seu peito.

- Você sabe por que que ele está lá não? – respondeu Hermione com outra pergunta. Das três ela era a que tinha o olhar menos duro, Lynn não conseguiria encarar os olhos de Ann.

- Porque ele não tem comido direito, como disse a Ann a pouco... – falou na tentativa de se esquivar das acusações.

- Não seja idiota Lynn – e ao dizer isso, a loira arregalou os olhos para Gina. A ruiva nunca tinha falado com ela daquela maneira. -, você sabe muito bem que ele está lá porque está sofrendo. E por VOCÊ!

- Não Gina, não vem com essa! No duro, eu não fiz nada. – e nesse momento olhou a sonserina, seus olhos claros pareciam exalar chamas azul-vivas de tanta fúria. – Ann... eu te juro, eu não tive culpa.

- Lestrange, a gente está falando aqui sobre a saúde do meu irmão! – Lynn engoliu seco, nunca vira Ann tão furiosa. – Você tem culpa desde o dia em que se viram. Mas ele é o mais culpado de tudo, foi fraco, não resistiu. Me desculpa Lynn, mas a raiva que eu sinto de você agora é maior do que a razão, e se algo de pior acontecer com o Ced – e nesse momento pareceram brotar lágrimas em seus olhos. -, eu não vou conseguir fazer com que ela suma.

A loira assentiu, imaginava o quanto era difícil para Ann se manter diante de sensações entre sua amiga e seu irmão. E calada, levantou-se, deixando a mesa e seguiu para a sala da Profª McGonagall. Chegando lá, deparara-se com ninguém menos que...

- Ora se não é o Potter podre... – disse ela debochada tentando obter alguma alegria no dia.

- Lestrange. Notícias da sua maldita mãe em Azkaban? – retrucou ele nervoso. Possivelmente o episódio da morte de Sirius ainda atormentava seus pensamentos.

- Ótima. – respondeu Lynn afiada não se deixando abater. – Quem sabe ela dá uma escapulida pra matar o afilhado de uma vez?! – e enviesou um sorriso.

Ele pareceu avançar, mas em defesa num aceno de varinha as pernas dele se colaram

- Feitiços não-verbais. Ora sua... – mas nesse momento seus lábios também foram fechados num novo aceno de varinha da loira.

- Não avance mais. Não sabe com quem está se metendo, Potter podre... – e suas últimas palavras soaram num tom musical. Ela havia aprendido a musiquinha com Pirraça, o poltergeist do castelo.

Desfez com um contra feitiço e Harry não falou nada, espumando de raiva. Mirou a loira furioso e se retirou batendo os pés sonoramente no chão. Lestrange por sua vez adentrou a sala de Minerva, mas notou que não havia ninguém, deveria estar ainda no almoço, saíra demasiado cedo de lá. Timidamente, sentou-se na cadeira em frente a imponente mesa de McGonagall que obtinha vários objetos curiosos. Depois de algum tempo, começou a correr os olhos pela sala, e inquieta, levantou-se e passou a percorrer a dimensão da sala. Pelas estantes encontravam-se livros sobre Transfiguração, Transformação e afins; nas paredes esquemas de animais que se tornavam invisíveis, ou em cálices d'água; e curiosamente em um canto isolado do local um armário entreaberto de onde fachos de luz branco-prateados se desprendiam da fresta. Aproximou-se e abriu de uma vez a porta do armário, revelando uma bacia de pedra sabão com escrituras em runas antigas (reconheceu-as, afinal estudava essa matéria há muito) e um conteúdo branco-prateado, fonte da luz emitida. Lynn reconhecera, era uma Penseira. Seu pai teve uma, mas nunca a deixara se aproximar, e desde a época em que se mudara para a França, não tinha visto mais nenhuma. Era gasta, parecia muito velha, e ao se debruçar sobre viu imagens ressoando em sua borda, até surgir uma em especial. A corvinal aproximou melhor deu rosto da superfície líquida para analisar a lembrança, e então seus cabelos tocaram o líquido viscoso e num forte solavanco Lynn sentiu um puxão para frente e de repente a sala da professora desapareceu.

O local que tomou lugar era frio, escuro e ao ar livre. A garota se viu entre túmulos, era um cemitério. Percebeu dois garotos conversando, um deles muito alto, másculo e o outro esmirrado e baixo. Aproximou-se para ouvir a conversa, pois devido as sombras não pôde saber quem conversava, não até ouvir suas vozes. Ocorreu-lhe que eles não sentiam sua presença, pois não haviam se virado para observá-la quando chegara. Eles haviam mencionado chaves de portal, tarefa, e daí empunharam suas varinhas.

Eram Harry Potter e Cedric Diggory parecendo cansados e com leves ferimentos. Apesar da escuridão Lynn percebeu que Harry mancava, tinha sua varinha em punho e não parava de olhar para todos os lados a todo segundo. E não pela exclamação de Harry, mas sim por também estar olhando para todos os lados, a loira percebeu o vulto de um homenzinho gorducho e baixo vestido em uma capa com capuz se aproximar na escuridão, parecendo carregar algum tipo de embrulho entre os braços. Lynn que estava mais a frente dos dois garotos viu o pequeno homem passar por seu lado e o embrulho que carregava se assemelhava a um bebê ou coisa assim. Virou-se para trás para mirar os rapazes que trocavam olhares, e observar novamente o homem que se aproximava deles. Ela seguiu o homenzinho pelas costas, passando por ele se posicionando ao lado de Harry. O pequeno vulto se prostrou a uns dois metros de onde eles estavam posicionados e percebeu os três se entreolharem. No segundo seguinte Harry estava gritando de dor e apertando a mãos contra a testa, deixando sua varinha cair ao chão, como também seu corpo. Nesse momento percebeu Cedric intrigado e olhando Harry com grande confusão, mas ainda atento ao próximo passo do homem encapuzado. Ainda tinha sua varinha em punho, as sobrancelhas arqueadas em confusão, e a indecisão entre preocupar-se com Harry ali caído no chão gemendo de dor ou protegê-los, até que uma voz fria e aguda foi ouvida ao longe: "Mate o outro.", e então Lynn entendeu. De um impulso posicionou a frente do peito do garoto fixando sua expressão quando uma segunda voz arranhou o ar e proferiu: "Avada Kedavra". Um facho de luz verde cruzou a distância entre eles atravessando o corpo da loira se chocando no peito de Cedric e o peso de seu corpo encontrando com o chão. Lynn mirou seu rosto e por segundos gravou sua expressão ao morrer, tinha aqueles olhos cinzentos arregalados, estava confuso, surpreso, não estava entendendo nada, e morreu. Perdeu suas forças, suas pernas não sustentaram mais seu peso e caiu sobre seus joelhos ao lado do corpo de Cedric, estava morto e não havia nada que poderia fazer para mudar aquilo. Debruçou-se sobre o seu peito, acariciando seu rosto frio e imóvel desatou a chorar sobre ele, pedia para que voltasse, queria vê-lo sorrir novamente. Levantou-se e mirou novamente o nada, por um momento lhe fugiu a memória de que estava revivendo uma lembrança e por mais real que tudo ali havia sido, já tinha se passado, mas se lembraria sempre da sensação de perda que teve ao vê-lo inexpressivo. Afastou-se, não suportaria continuar a ver o corpo dele ali, caído. Pouco se importando se Harry estava sendo torturado, mirou novamente o corpo do rapaz estendido ao chão e as lágrimas vieram mais uma vez banhar seus olhos, e então ainda caminhando de costas, chocou-se com o que pareceu um corpo. Confundiu-se, sabia que naquela lembrança não poderia encontrar-se ou ser vista por ninguém. Virou-se rapidamente e se deparou com Harry Potter mirando-a com um olhar piedoso, mas ainda sim de braços cruzados e uma expressão de poucos amigos no rosto.

- Está na hora de voltar intrometida. – disse ele agarrando-a pelo braço. Novamente o solavanco, mas dessa vez puxando-a pelas costas, e a trazendo novamente para a sala da professora McGonagall. – Eu voltei porque lembrei que tinha deixado o armário aberto, e pra minha surpresa você já foi futucar. Possivelmente pra descobrir os meus segredos, cara...

- Hahhahah... – limpou o rosto até que o último vestígio de que chorara tinha desaparecido. - Até parece que eu descobri alguma coisa de interessante, cara! – dando ênfase a última palavra.

Lynn não se agradou ao se tocar de que Potter tinha visto todo o seu "desequilíbrio" dentro da penseira. Mas ao perceber que Minerva já estava sentada em sua mesa e Harry ainda tinha os braços cruzados e a olhava fixamente como se pedisse uma explicação para a invasão de sua penseira, ela o olhava de cima a baixo e o encarava como se dissesse "Você acha mesmo eu vou te pedir desculpas?". Até a professora cortar o silêncio.

- Bom Potter, retire-se. – disse Minerva com altivez, e virando o olhar para Lynn. – Preciso ter uma conversa com a Srta. Lestrange. Feche sua penseira e volte mais tarde se quiser.

- Está bem professora. – grunhiu Potter abaixando a cabeça e saindo pela porta, fechando-a.

Lynn que ainda estava absorta pensando em tudo o que tinha acabado de ver, e sua vontade de correr dali pulsando, sentou-se para ouvir o que McGonagall tinha a dizer.

- Muito bem Lestrange... – começou a professora muito séria, o que fazia acentuar suas rugas pelo rosto.

Tão velhinha coitada...

A conversa seguiu, com Lynn ouvindo atentamente tudo o que dizia a professora. Embora Minerva parecesse esperar alguma reação, a loira se manteve séria durante todo o falatório. Lynn tinha sua atenção dividida, mas escutava atentamente tudo o que a professora lhe dizia.

Ela narrava a nova fuga de sua de sua mãe e de mais alguns Comensais capturados e presos em Azkaban depois da última batalha entre os Bruxos das Trevas e os membros da Ordem. Bellatriz Lestrange havia sido capturada novamente pelos bruxos componentes da Ordem da Fênix no ano passado logo no começo do verão. Lynn tinha acabado de retornar à mansão dos Malfoy (aonde vivia nas férias desde a primeira prisão de seus pais), quando recebera a notícia da captura de sua mãe e mais alguns amigos da família pela tia Narcisa que parecia muito abalada. Achava demasiada a obediência e desprendimento que a mãe mostrava ao Lord das Trevas, quando se disponibilizava a missões arriscadas que poriam em risco sua vida, não pensando num futuro ao lado de sua filha. E nesse aspecto a loira se entendia melhor com o pai por essas razões, leal e dedicado como sua mãe, mas dava muito mais importância ao carinho dado a filha do que aos seus deveres como Comensal da Morte. Apesar de um pouco magoada e sempre achar a mãe muito autoritária, tinha grande admiração pela mulher que era e nunca deixaria ninguém manchar a honra de seu nome. Minerva expunha os riscos de Bellatriz aparecer pelos terrenos de Hogwarts, ou tentar se comunicar com a filha de alguma maneira. Parecia transtornada ao lhe transmitir essas informações e por fim...

- Você entendeu a gravidade do assunto Lynn? – e com isso a tirou de seus tumultuados pensamentos. Ouviu mal ou McGonagall acabar de chamá-la pelo primeiro nome?

- Ah... sim, sim professora. – disse Lynn confirmando positivamente.

- Então está bem. Sua aula de defesa Contra as Artes das Trevas já começou há quase 1 hora atrás – e então ela se deu conta da hora. Minerva passara quase 2 horas seguidas falando. -, não há necessidade de assistir a esta aula. Mandarei um bilhete ao professor. Vá direto para a Corvinal.

- O.k.

Mas foi só virar a esquina e mirar a escada que dava acesso ao andar acima que Lynn rumou para lá. Ainda tinha um assunto a tratar. Seguia seu caminho, com os ventos frios ressoando nos corredores vazios, aquela escola era realmente muito diferente sem tantos alunos abarrotando sua reta. Pelas grandes janelas tinha plena visão dos terrenos de Hogwarts, ainda cobertos pela densa neve. Bateu suavemente na grande porta à sua frente e entrou.

- Madame Pomfrey, boa tarde. – Lynn tinha um sorriso sem graça. A enfermeira sempre abria um grande sorriso quando via uma das meninas.

- Boa tarde minha querida... – e então hesitou. – Está tudo no lugar, não?

- Que?... Ah, sim, sim... está tudo bem comigo. Na verdade eu vim aqui para...

- Ah ainda bem. – falou a enfermeira a interrompendo. – Mas me desculpe Lestrange, não poderei conversar muito com a senhorita. Estou tratando de um paciente realmente grave... – e nessa hora tinha um pouco de severidade na voz.

- Mas foi por esse paciente que eu vim. Eu queria vê-lo. – e fez uma cara manhosa para Madame Pomfrey.

- Não, não, não e não! – respondeu ela firme encarando a parede. – Não posso deixá-la se aproximar dele. Ele está muito debilitado e a única pessoa de quem eu tenho autorização para deixar visitá-lo é a irmã.

- Mas, mas... – já ia desistindo e então pensou. – faz uma coisa. Ele está acordado?

- Sim. Acabei de dar sua sopa de almoço. – falou satisfeita. Não havia nada que deixasse Madame Pomfrey mais feliz do que cumprir suas obrigações de cuidar dos doentes de Hogwarts.

Sopa? Canja! Êêêêêêêbaaaa, a galinha mor de Hogwarts morreu! Virou canjaaaaaaaaaaaaa! Ana Abbott virou canja.

Me animei...

- Então... – começou a loira dando voz ao seu pensamento. – Fala com ele, pergunta se... se eu posso entrar para vê-lo.

- Ahm... Não, não posso fazer isso. Sinto muito Lestrange.

- Por favooorrr Madame Promfreyzinhaa querida...

- Ah, está bem, está bem! Um momento. – e então seguiu para o leito no fim da Ala Hospitalar que estava coberto. Voltando com uma expressão desapontada no rosto disse: - Sinto muito, mas ele não quer. Além do que, ficou nervoso ao saber que estava aqui, ainda está muito fraco, nada de emoções fortes.

"Então é assim não é seu defunto maldito?!", pensou Lynn ao assentir para Madame Pomfrey e se retirar da enfermaria. Esperou o que lhe pareceram horas, mas graças a sua falta de paciência percebeu ao olhar no relógio que só haviam se passado 30 minutos. Ainda circulava pelo corredor da Ala, e de longe viu a enfermeira cruzar o corredor ao lado da porta. Era sua chance. Cruzou novamente a grande porta de madeira e dirigiu-se até o leito coberto.

- Agora você vai me escutar! – e nem tinha olhado para o leito.

- Aqui atrás. – disse ele com a voz sonolenta, levemente irônico (de onde diabos ainda tirava energias para ser irônico?!).

Então Lynn se tocou, entrou tão rápido que virou-se para o canto contrário, onde havia um outro leito coberto e uma menina com vários furúnculos espalhados pelo rosto o ocupava. Ela tinha uma cara assustada e Lynn teve ânsia de vômito ao olhar melhor os furúnculos da menina.Virou-se para ele.

O rosto daquela menina estava realmente nojento. Urgh! Coitada... não sei o que me segurou de cair na gargalhada naquela hora.

Ele estava como tinha aparentado nos últimos dias, magro, olhos fundos com olheiras, muito pálido, seus lábios trincados, mas se era possível, parecia ainda pior. Aproximou-se do leito e percebeu que um tubo preso por uma agulha em sua mão, levava um líquido verde-claro até suas veias.

- Poção para Reanimar. – disse ele após alguns minutos de silêncio.

- Ahn? O que? – perguntou a loira confusa pulando de seus pensamentos.

- Isto aqui – e apontou para o tubo com a poção. -, é poção para reanimar. Já disse a todos que me sinto bem, mas me tratam como se eu estivesse em leito de morte.

E ao ouvir a palavra morte proferida pela boa do moreno, lembrou-se do acontecido no cemitério e um arrepio gélido cruzou toda a extensão de sua coluna.

- Por isso que eu prefiro muito mais o jeito que eu morri da primeira vez... nada de chororô, nada de preocupações. Foi de uma vez e pronto!

Sinceramente, ele parecia um maluco! Só uma pessoa fora de suas faculdades mentais fica falando do jeito que morreu e que preferia ser de novo daquele jeito e blábláblá... eu hein?! Eu mereço!

- Ah! Pra você foi de uma vez, não é? – e antes de perceber, as palavras saiam de sua boca. – Para as pessoas que te amam durou muito mais do que os simples segundos que foram pra você. Elas sofreram! Não vê o seu pai? Por três anos o coitado trabalhou numa forma de te trazer de volta e, e... deu a vida por você. E você faz o que?! Fica doente e se mete em uma cama de hospital! Você não tem juízo algum... e nem amor pelos que te prezam!

- Com certeza você não se inclui nesse grupo, não é? – disse ele sentando-se rapidamente na cama. Suas palavras tinham raiva e mágoa. – Eu não tenho mesmo juízo! Meus amigos, minha irmã, ninguém, NINGUÉM nunca me viu nesse estado. E sabe de quem é a culpa? É minha! Minha por ser fraco, por exatamente amar quem está pouco se lixando pra mim.

- Você está delirando! – falou Lynn sorrindo nervosamente, tentando disfarçar o que sentia. Ele acabara de dizer que a amava, e aquela brisa suave novamente tocou seu rosto frio. – Deve ser falta de comida... ou quem sabe... tem certeza que isso é poção para reanimar? – perguntou ela ironicamente tocando o tubo ligado ao rapaz.

Ele agarrou sua mão. Uma tremedeira tomou conta de seu corpo, de repente tudo ficou extremamente frio, as pontas de seus dedos pareciam congelar, seu nervosismo a dominara. Ele a puxou para poder encarar seus olhos azuis num mesmo patamar.

- Pára! Para de fingir! – e a loira arregalou os olhos em surpresa. - Eu sei que você sente alguma coisa quando eu te toco – e ela queria negar, mas era impossível. -, sei que pensa em mim nas horas mais inesperadas – mais que pretensioso! (o que não deixava de ser verdade) -, sei que necessita do meu toque assim como eu do teu!

E por fim soltou-a como se a quisesse longe dali. Mas ela permaneceu na mesma posição vidrada naqueles olhos, que se tornaram parcialmente negros, devido as pupilas dilatadas. Projetou-se para frente e seus lábios se tocaram suavemente, e em seguida entrelaçando-os carinhosamente. "Por Merlin! Por que é tão difícil?!" pensou ela ainda colada a face do moreno. Então um baque os separou.

Madame Pomfrey estava parada à frente do leito de Cedric com uma bandeja caída ao chão, e este molhado com a sopa que a enfermeira trazia para o garoto.

- Eu não disse que não poderia vir Lestrange?! – cochichou a senhora tentando fazer o menor barulho possível depois de ter derrubado a bandeja. Tinha as mãos na cintura demasiadamente irada. – Me desculpe Diggory... ela já está indo embora... – continuou ela com severidade olhando para a loira.

- Ela vai ficar Madame... – disse ele a interrompendo e Lynn corou.

- Mas você precisa de descanso. Não, não, ela vai. Amanhã se quiser ela voltará. – respondeu ela firme, ainda muito brava.

- Já descansei o bastante por enquanto. – retrucou ele lançando um olhar ameaçador. – Não quero que me trate como um inválido. Estou bem, no duro. Eu e a Lestrange estamos conversando algo demasiado importante. – e a loira que agora mirava a parede, abriu um sorriso. – Então se puder se retirar... seria de grande ajuda.

E Madame Pomfrey saiu batendo os pés nada satisfeita. "Ela nunca vai me perdoar por isso" lamentou Lynn em pensamento. Mas não teve tempo de pensar mais em coisa alguma, pois logo após isso ele virou seu rosto de frente para o próprio e a encarou com aquele olhar confuso de muitas vezes.

- Não me olhe assim. – pediu a corvinal abaixando a cabeça mirando os lençóis branquíssimos da cama hospitalar.

Ele posicionou o dedo indicador abaixo do queixo de Lynn, levantando-o, fazendo-a encarar novamente para o rosto dele. Ela desviou o olhar e uma lágrima silenciosa correu pelo seu rosto, encontrando a fenda entre seus lábios pra se depositar, "Se controla Lynn.", apelava ela para seu subconsciente, que parecia não responder. A mão dele veio a socorrer, limpando aquela lágrima de seu rosto, e cedendo o orgulho mirou as orbes do garoto. Ele parecendo desesperado, começou a falar:

- Por que você fica comigo e me deixa sozinho sem explicações? Por que você me beija e no segundo seguinte parece se arrepender? Por que me deixa nessa tortuosa vontade de te ter, se me quer também? Por que você faz isso comigo? – ele pedia, e necessitava de uma boa explicação, mas não podia dar, era angustiante.

E novamente o vômito de palavras começou.

- Eu faço isso porque é necessário! – ia falar tudo, e não conseguiria evitar. Maldição! – Faço isso porque senão... senão eu enlouqueço. Você me enlouquece! Você, você me deixa fora de mim. Eu não me comporto como deveria, não me concentro, não consigo fazer nada direito. Meu corpo não me obedece, eu não me controlo, eu pareço perder a sanidade quando você se aproxima. Seu cheiro, seu toque, seus olhos, VOCÊ deixa tudo de ponta cabeça. E eu não posso, não quero, não vou gostar de você!

Ele tinha os olhos esbugalhados. Estava bestificado com tudo o que a garota tinha acabado de dizer e ainda dizia...

- E parece ser inútil sabe? Você não sai da minha cabeça, esses pensamentos ridículos, essa minha raiva de todo mundo infundada. Eu não queria estar assim. Desde o que aconteceu naquela noite, nada faz mais sentido. Eu explodi com aquela garota – "A Abbott?", perguntou ele e ela confirmou com a cabeça, agitada. – e nunca a tinha visto na minha vida! As minhas amigas me criticam porque dizem que eu te faço mal. A Ann não quer me ver pintada, porque você tá aqui. Eu... Nem os feitiços mais esdrúxulos eu consigo realizar porque eu não me concentro devidamente. Não estudo, não faço nada decente porque você me assombra a todo minuto! Não me deixa em paz sequer quando eu durmo... eu estou ficando maluca, eu não agüento mais! – ela já gesticulava nervosamente.

E dando-se por vencida ela se jogou em seu peito. Ele automaticamente a acolheu, mas ainda tinha um semblante confuso, aquela descarga de informações possivelmente havia sido muito para ele. Ela desatou a chorar e entre soluços, sentia o peito do garoto arfar em emoção e seu coração bater mais forte. E passado algum tempo quando já estava mais calma, virou-se para ele e viu um Cedric bem mais saudável e feliz.

Por Merlin! Eu sou uma monstra...

- Todas as vezes, todas elas, eu me senti péssima. Juro que me senti. As vezes que você me viu com o Quinho, e tudo o que acontecia eram puras coincidências... bem, não todas, mas a maioria eram sim. – começou a falar do nada e só depois ele se tocou do que ela falava e murmurou um "Não tem problema.". – Não. Tem problema sim senhor! Eu sou horrível, eu te deixo doente. É tudo culpa minha, olha! – apontou para ele que sorria bobo. – Olha como você está agora e se eu me afasto, é por medo, medo de sentir o que eu já sinto.

Ele parou e tentou se ajeitar melhor na cabeceira da cama não acreditando muito bem no que havia acabado de escutar. Uma felicidade inundou seu peito, e beijou aquela loirinha com todo o carinho que reservava inteiramente para ela. Lynn não sabe ao certo quanto tempo ficara ali, enrolada nos braços de Cedric que parecia bem mais saudável do que jamais aparentara. Prova disso foi os susto que Madame Pomfrey levou ao ir checar as condições do moreno. Ouviram Ann chegar, mais a um pedido do rapaz, a enfermeira informou-a que ele estava descansando e não queria que a irmã o incomodasse, Lynn se sentiu a pior das amigas naquele momento. Já havia anoitecido e nem haviam percebido, ela ainda permanecia enlaçada por ele, quando decididamente Madame Pomfrey se aproximou e disse que a corvinal deveria voltar à sua casa. Cedric ainda insistiu para que ela passasse a noite ao seu lado, mas a enfermeira citou normas e regras da escola que não permitiam a estadia da garota. Ela levantou-se e quando já cruzava o leito coberto do rapaz, voltou a posicionar a cabeça tendo plena visão do rosto do rapaz, chamou-o:

- Cedric... – ele se virou instantaneamente, a garota nunca havia lhe chamado pelo nome, e este soava extremamente doce de sua boca.

- Uhmm... – respondeu ele com os olhos brilhando e um sorriso besta.

Ela sorriu. Era a imagem mais linda do garoto, tão vulnerável e feliz naquela cama de hospital.

- Lynn. – e um sorriso de orelha a orelha se formou em seus lábios, com seus olhos irradiando a mesma alegria que possuíam os do moreno.

-

O dia amanheceu com poucas nuvens no céu, este num azul intenso belíssimo aos olhos. Foi acordada em meio a bagunça em sua cama feita pelas suas amigas.

- Aaaai, quem foi que saiu do atraso pra essa felicidade toda? – perguntou Lynn coçando a cabeça tentando parecer mal-humorada, mas por dentro estava flutuando nas nuvens.

- Ninguém. – respondeu Gina que pulava em sua cama freneticamente. – O Cedric saiu da Ala Hospitalar e todas estamos felizes! – falou ela finalmente parando de pular.

- Ah... saiu foi? – Lynn deixou escapar um sorriso besta, mas que foi logo contido. – Que bom então. A Ann?

- Já está tomando café. – pronunciou-se Hermione que tinha uma expressão intrigada.

- O que foi Mia? – indagou Lynn já se pondo de pé e dirigindo-se ao banheiro.

- Ah – respondeu Gina em seu lugar. -, ela acha que o Cedric se recuperou rápido demais. E pra ela só tem uma solução.

- E qual é? – gritou a loira pondo a cabeça para fora do chuveiro.

- Você. – respondeu Hermione ainda séria.

A Lestrange voltou para debaixo do chuveiro e estendeu um sorriso feliz. "Essa Hermione adivinha tudo!", disse ela balançando a cabeça.

Saíram da Corvinal apressadas para o refeitório. Já estavam atrasadas e ainda depois do longo banho de Lynn, restava pouco tempo para tomarem café e rumarem para as salas de aula. Ao chegarem ao salão houve a já comum chamada de atenção para suas entradas e cumprimentos de bom dia. Elas acenavam simpaticamente, até localizarem Ann. Ela estava sentada ao lado do irmão na mesa da Lufa-lufa sob o olhar assassino de Ana Abbott que estava logo a sua direita, aparentemente Ann sentara entre ela e Cedric para fazer companhia ao irmão. O moreno por sua vez ao perceber chegada das meninas estendeu um largo e bobo sorriso que a loira retribuiu. Recebeu cutucões dos dois lados da cintura e sorrisos maliciosos de Gina e Mione, deixando-a corar. Ele sorria bestamente e nada disfarçado para a corvinal que se aproximava. Ao se postarem à frente dos dois que já estavam virados para o corredor ao invés da mesa, as grifinórias cumprimentaram Cedric e sentaram-se ao lado da sonserina afastando ainda mais a Abbott do rapaz, o que a fez espremer ainda mais a face em ódio. Davam risadinhas enquanto se sentavam, Lynn permanecia em pé mirando Cedric que continuava sentado, com o mesmo sorriso bobo do garoto. Foi tudo muito rápido, mas quando todos perceberam a corvinal e o moreno beijavam-se apaixonadamente no meio do salão principal. Ela posicionada entre as pernas do garoto que ainda sentado, tinha o rosto (coberto pelos longos cabelos platinados de Lynn) levantado para corresponder aos carinhosos beijos e as mãos estrategicamente colocadas na cintura da loira, proporcionando-lhe leves carícias. Ela que mantinha o tronco levemente inclinado, e acariciava suavemente o rosto do garoto, ouviu as risadas altas e assovios de exclamação de Gina, Ann e Mione, e não se agüentando abriu um sorriso em meio ao beijo com o moreno seguindo seu gesto. Ao se separarem ouviam murmúrios como: "Uma Lestrange e um Diggory juntos?", "Novamente ele com uma corvinal?" (os lamentos de algumas garotas) e todos fofocando uns com os outros. Mas o que a garota fez realmente foi virar-se para o lado e se deliciar com o espanto e raiva de Ana Abbott, a lufa-lufa estava vermelho-tomate e suas narinas pareciam exalar fumaça como um dragão raivoso. Lynn abraçou-o contra o seu peito, e ele enlaçou seus braços em volta dela, que deu uma gostosa risada encarando o teto.

Eu me redimo!

Tá tá tá, o seu irmão não é tão mal assim Annabelle! Agora vê se pára de me encher, porque ele tá tentando ler!

Ann após a cena do início do café da manhã, não parava de cutucar Lynn e lhe lançar beijinhos, e belisca-la na cintura deixando a loira impaciente. Com a ajuda de Gina e Mione, elas soltavam urros, chamando mais a atenção de todas as mesas.

A loira que pegara o diário de impulso, ainda tentava esquivá-lo da vista de Cedric que tentava olhar por cima de seu ombro. Ela encontrava-se em seu colo e os dois tomavam café extremamente entretidos um no outro. Por tentar ler o que a corvinal escrevia, ele levava leves tapinhas no ombro dados por ela, que também lhe lançava olhares não muito amorosos. Na tentativa de se esquivar da curiosidade do rapaz, Lynn saiu de seu colo, e sentou-se ao seu lado, o que não adiantou muito e voltou a lhe distribuir tapas pelas costas e peitoral. Ann que estava sentada do outro lado percebeu que ele tentava ler o diário e sem pestanejar deu um tapa na nuca do irmão enquanto ele se esgueirava para ler por cima dos ombros de Lynn e tomava uma colherada do seu mingau de aveia, não deu outra e Cedric engasgou-se, ficando vermelho e pedindo ajuda para a loira. Mas Ann acudiu o irmão logo que percebeu que não era uma encenação e a corvinal dando-se por vencida fechou o diário e o guardou na mochila, e passou a depositar beijos suaves nos lábios do moreno já recuperado. Hermione e Gina já riam da situação, assim como muitas outras pessoas que observava as garotas.

Nada de muito diferente ocorreu durante o resto do café da manhã. A não ser por um fato: o Correio Coruja.

A chegada de uma bela coruja negra de olhos acinzentados foi notória no Salão Principal. Não apenas pela beleza da coruja, e por onde ela havia pousado, mas as corujas negras eram sempre relacionadas à famílias dos Bruxos das Trevas. Sua dona quem seria? Lynn Lestrange.

A entrada majestosa da ave e seu perfeito pouso a frente da sua dona, pregou os olhares da maioria dos estudantes. A coruja carregava um pacote pardo, e ao entregá-lo para a loira, passou a dar-lhe bicadinhas carinhosas em seus dedos e fuzilar Cedric com aquelas orbes obscuras ao perceber o contato dos dois.

- Pinky! – gritou Lynn ao vê-la pousada à sua frente. – Que saudades de você. – após retirar o pacote da perna da ave, deu-lhe um carinhoso beijo nas penas negras e brilhantes muito bem cuidadas.

- Não sabia que você tinha uma coruja Lestrange. – disse Ann parecendo ainda fascinada com a beleza desta.

- Ah... ela é minha há muitos anos. – disse a loira balançando a cabeça avidamente. – Mas eu a deixei com a tia Ciça antes de vir à Hogwarts. – ela então cobriu os lábios para que a ave não percebesse o que ela iria falar em seguida, e sussurrou. – Na verdade... eu a esqueci sabe? E como eu precisei disto aqui – e apontou para o pacote – pedi a tia que me mandasse pela Pinky... assim, ela já fica aqui comigo pelo resto do ano.

Pegou uma noz numa tigela e levou até o bico de sua imponente ave.

- Aaah sim... – disse a sonserina já rindo da amiga.

Gina não se conteve de curiosidade e por fim perguntou:

- Mas afinal... o que tem nesse pacote Lynn? – ela tinha as unhas das mãos na boca na mais perfeita expressão de curiosidade e medo.

Gina como uma família de bruxos puro-sangue tinha receio do que a coruja havia trazido. O mesmo olhar devastador que a ave lançava para o moreno ao lado delas, era enviado para a ruiva e para Hermione, e a única que parecia simpatizá-la era Ann. A Granger também desconfiava. Cedric se sentia pouco a vontade, para não dizer assombrado por aquele olhar. E aqueles segundos que pareceram uma eternidade de pavor, Lynn respondeu à grifinória.

- Aaahh... isso daqui é a minha tinta! – disse ela apontando para o pacote, rindo.

- Tinta?

Lynn não respondeu com palavras. Apenas apontou para a raiz de seus cabelos, onde nasciam fios negros seguidos pelo loiro platinado da garota.

- Agora enfim eu posso te chamar de oxigenada! – disse Ann um pouco alto demais com um sorriso no rosto, batendo a mão fechada na mesa do café.

Seguiram-se risos por todo o Salão Principal, e a loira mantinha a mesma expressão desembrulhando feliz a sua tinta recém-chegada.

-

Lynn andava sozinha pelos corredores logo após separar-se de Cedric calorosamente e se despedir das amigas, seguia para sua aula, até esbarrar com um grupo de grifinórios (de novo, avoada e desastrada!).

- Então quer dizer mesmo que o Diggory faturou você, hein belezinha? – falou Simas Finnigan virando-se malicioso para a loira. Ele parecia ter entrado para o clube do Potter, 'marombados e sem cérebro cia. Bruxa ltda.'.

- Não me enche! – retrucou a corvinal que nem sequer olhou para os meninos, que estavam de braços cruzados secando seu belo corpo.

- Será que eu vou ter que ressuscitar pra ficar com você também doçura? – gritou Dino Thomas rindo, para que a loira já longe escutasse sua gracinha.

Ela escutara. E apenas se dera o trabalho de levantar sua mão esquerda no ar, ainda de costas, fazendo um gesto obsceno.

-

Sexta feira. Os últimos dias ao lado de Cedric e das amigas estavam passando maravilhosamente bem. Nos intervalos e no fim dos dias, os passeios no lago com um garoto lindo e sorridente ao seu lado, os almoços e jantares ainda mais divertidos, pois a cada dia parecia transparecer mais a raiva de Ana Abbott pela loira.

E por falar em Abbott... hoje é a minha detenção! Ê, a pintinha vai sofrer! HAHHAH...

Naquela sexta feira Lynn acordou estranhamente bem humorada, dando inclusive, 'bom dia' as suas queridas-sebosas (como as chamava) companheiras de dormitório. A razão para isso é que desde de sua entrada em Hogwarts, lhe parecera desencadear acessos de inveja e ciúmes por sua tremenda beleza... nada que a satisfizesse mais. Ela e Ann eram as mais belas do castelo. Logo depois seu namoro com Cedric, parecia ser a gota d'água para a população feminina de Hogwarts.

Mas retornando ao que dizia... tomou um longo banho e ao sair para os corredores do castelo, Cedric. Ele estava a sua espera na primeira esquina (esse era o tipo de atitude que tirava um sorriso da loira, apesar do maravilhoso dia até o momento). Ela, ainda com aquela incomum excitação, parou e esperou que ele viesse até ela, findando a distância entre os dois. Ele assim o fez, beijando-a com carinho logo em seguida e sussurrando coisinhas (besteiras! Diga-se de passagem...) em seu ouvido após virá-la de costas para si e envolve-la pela cintura.

- Seu gordo pervertido! – disse Lynn audivelmente, arregalando os olhos e dando-lhe um leve tapa nas mãos depositadas em seu corpo. – Você só pensa nisso agora é?

Ele riu. Aquela risada extramente sensual, quase como um ronronado. Um frio serpenteou sua espinha e ela agradeceu por não estar olhando-o, senão, não se controlaria. Ela preferiu rir, e confortar-se ainda mais em seu abraço.

- Mas com você é difícil resistir... – falou ele manhosamente esgueirando-se e depositando sensuais beijos no pescoço da loira.

Não conseguindo resistir, soltando um gemido abafado.

- Ah... Ced... – ela mordia o lábio inferior na tentativa inútil de se segurar, enquanto ele já voltava a beijá-la avidamente e puxava-a para a primeira sala aberta.

- Hmmm? - perguntou ele ofegante pausando as carícias com um sorriso malicioso nos lábios.

- A gente ainda... – e ele voltara a lhe beijar... – tem que tomar café! – disse ela juntando seu resto de sanidade, separando seus corpos.

- Depois eu cuido disso. – disse por fim entrando numa sala.

-

No intervalo encontrou-se com as amigas.

- Onde é que você se meteu no café? – perguntou Gina já ao lado de Lynn, assim como as outras.

- Ah... estava com o Ced. – e um tímido sorriso surgiu na face da loira, que há pouco tempo era impassível.

- Não me diga que... – falou Ann apressadamente, já fazendo cara de nojo. – Écaaaa!

Hermione riu timidamente. Já Gina, soltou-se mais ainda, dando gargalhadas audíveis no corredor. Ann parecida digerir a informação, mas ainda enjoada imaginando seu irmão...

Isso porque foi muito agradável saber da sua transa com o Cohen... e o pior de tudo!! O seu beijo com o Potter... Ergh!

O almoço não foi muito diferente também. Meninos secando Lynn e Ann, que na companhia de Gina e Hermione estavam acostumadas a ignora-los, e agora com Cedric, transformavam-se em momentos um tanto engraçados, pois o moreno olhava-os com o famoso (graças a Ann) Olhar Mortífero Diggory.

Ao final do dia Lynn lembrou as amigas do seu 'amistoso encontro' com Ana Abbott.

- Aaaah... Massacra ela Lynn! – falaram Ann e Gina ao mesmo tempo empolgadas, e após olharem intrigadas uma para outra, começaram a gargalhar.

Hermione que percebera o brilho maligno no olhar da amiga decidiu preveni-la.

- Não! – falou ela séria, cortando as outras amigas que já iam dar mais opiniões. – Você tem que cumprir a sua detenção corretamente Lynn.

A loira rolou os olhos. Era como se Hermione tivesse falado a coisa mais tediosa do século.

- Ah Mia... por favor né? – falou ela ainda entediada.

- Por favor nada Lestrange! – disse a morena duramente. Era raro Hermione tomar a pode de monitora-chefe e repreender as amigas. – Veja você... Se não cumprir corretamente a sua detenção com a Abbott, ela irá reclamar com a McGonagall. Se isto acontecer, a professora Minerva irá solicitar que eu venha fazer-lhe cumprir sua obrigação e mais severamente, – e nessa hora enfraqueceu a voz como um apelo. - e não só eu, como o Cedric também!

- Ah Hermione! Francamente! – riu Ann.

- Não tô de brincadeira Diggory! – ficando já vermelha.

- Mione... – Gina tentou falar calmamente. – A Lynn não vai fazer nada que aquela vaca não merecer.

- Mas quem tá lá pra pagar um castigo é ela... – e olhou diretamente, que já não estava tão animada como no início da conversa. – e não a Abbott. Além do que, ela é uma monitora. Vai saber no que você tava pensando ao enfrentá-la. Vocês devem obediência a ela.

Foi a vez da loira rir. Mas agora tinha sido uma risada nervosa/macabra. Hermione chegou a compará-la com a de Bellatriz, quando a ouviu na noite do Ministério. Por mais diferente que fosse da mãe, naquelas situações Lynn tornava-se mais cruel.

- Eu tava pensando em defender (aham... até parece!) uma garotinha que não tinha feito nada e acabou caindo nas mãos daquela idiota. E quer saber do que mais? Me poupa! Nem a Bella eu obedeço. Quanto mais aquela coisa medíocre. Hermione... se você quiser botar pra fuder comigo depois, eu não me importo. Só não vou deixar a chance de fazer ela perder aquela pose. Não vai ser por causa de mais uma merda de detenção que eu vou deixar de fazer isso.

- O Cedric não vai gostar disso... – disse Hermione em tom de desaprovação.

- Argh! Eu não tô nem aí pro que o Cedric vai pensar... e porra! Você quer pelo menos uma vez deixar de ser essa árvore certinha e se comportar como minha amiga?? – e saiu batendo os pés.

-

Encontrou-se com Cedric no corredor da Sala de troféus, onde só o percebeu pela exclamação que ele soltara, ou teria passado direto pelo garoto. Ele percebendo sua exaltação, acalmou-a em uma abraço.

- O que aconteceu hein? – sussurrou ele carinhosamente para a garota em seus braços.

- Briguei com as meninas. – respondeu ela desanimada, aninhando-se mais em seus braços.

- Ahmm.. – disse ele, como se compreendesse tudo. – Por que brigaram?

- Nada demais. – disse ela depositando um beijo na bochecha do rapaz. – Tenho aquela detenção com a Abbott agora. Preciso ir.

- Tá bem. – falou ele calmamente libertando-a do abraço. – nos encontramos mais tarde no jantar então. – e por fim selou seus lábios aos dela.

Lynn sorriu maliciosa e se desvencilhando do moreno, disse:

- Eu tenho uma idéia melhor...

- Ah... tem é? – começou ele provocante, e quando ela lhe deu as costas enlaçou-a pela cintura.

- Seu safadinho! – brincou ela, quando o garoto mordeu-lhe o lóbulo da orelha, causando-a arrepios. – Não estou falando disso... – e percebeu que ele bufara.

Por Merlin! Eu ainda estava cansada da manhã! (Tá bom Ann... desculpa!)

- Enfim... você poderia vir me pegar aqui.

- Tá bom. – disse ele já sorrindo magnificamente.

- Daqui há... hmmm... – olhou para o relógio de pulso e falou: - Uma hora.

Cedric ficou surpreso. A corvinal estava indo para a Sala de Troféus cumprir uma detenção, o que levaria no mínimo três horas e uns dez troféus para lustrar. Sem contar que quem aplicaria o castigo seria a própria Abbott, que não deixaria barato, pois planejara tudo minuciosamente. Coisa boa não sairia dali.

Não mesmo.

- Mas Lynn...

- Uma hora. – interrompeu ela e beijou-o.

Ela seguiu sensualmente, até entrar na sala e o baque da porta fechando-se, despertá-lo do transe.

-

- Pois muito bem. – disse a excitadíssima Anna Abbott ao ver a loira entrar.

Argh! Não sei o que me irrita mais... A presunção dessa garota ou as minhas unhas mal feitas...

- Então Dragãozinho... tudo bem? – começou a loira risonha.

- Mais respeito Lestrange! – bradou Ana levantando o indicador e tendo a face tomada por um tom púrpura.

Bonita cor aliás... HAHAHHAHA

- Ah Abbott, eu prefiro a sua carinha azeda... Assim você fica parecendo tão... – e fez uma careta.

Ana nervosíssima pareceu recobrar sua consciência percebendo que o objetivo da garota era tirá-la do sério. Lynn por sua vez mantinha um sorriso frio, e seus olhos azuis exalavam um brilho sinistro.

- Muito esperta... – falou a loira com um sorriso no canto dos lábios.

Um armário na sala tinha suas portas de vidro abertas. Dentro, troféus de prata que gritavam por um novo polimento.

Então aquela seria sua tarefa.

Fácil.

A lufa-lufa, já calma, recebeu um olhar questionador da loira e apenas confirmou com um balançar de cabeça. A corvinal se dirigiu ao armário e parando de frente a ele observou a flanela e a pasta à espera de suas delicadas mãos. Ela torceu o nariz e pelo canto do olho pôde ver o sorriso satisfeito que a monitora ostentava.

Lynn pegou a flanela pela ponta dos dedos com o maior nojo possível e passou delicadamente pela pasta e começou a esfregar levemente a peça de prata. Mas hesitante, parou, erguendo a sobrancelha direita e olhando fixamente para o troféu voltou a esfregar o pano sobre ele. Olhou de volta para uma risonha Ana Abbott, e parando, começou a encarar suas unhas impecáveis. A garota olhou-a confusa, como se esperasse uma explicação.

- Tsc... – disse Lynn ainda encarando suas mãos, e depois olhando para a confusa Ana. – Pensando bem... isso vai acabar com as minhas unhas. Sem contar a minha pele né? – Ana parecia não entender nada. – É... porque imagina quantos hidratantes diferentes eu vou ter que usar depois disso?! É, é... não vai dar certo. – continuou ela torcendo os lábios. – Mas vamos dar um jeito não?

Ana observava atentamente seus movimentos. Pegou a varinha de dentro das vestes e com um feitiço não-verbal ('Lustre brillium', de sua autoria.), balançando-a, a flanela e pasta se encontraram e começaram a lustrar o troféu.

Ana Abbott ficou boquiaberta com a atitude da loira, pois era expressamente proibido o uso de magia em detenções. Olhava para o troféu, já com uma parte perfeitamente brilhante, para a loira que agora possuía um sorriso triunfante.

- Espertíssimo não é? – falou, finalmente quebrando o silêncio. – É trabalho manual, só que feito por magia. Fica impecável!

Ana ainda tinha a boca meio aberta.

- Isso não é permitido! – você não pode usar magia! – berrou ela raivosa.

- Na verdade...eu posso sim! – sorriu ela. – Você vê... esses troféus ficarão perfeitos. Sem contar que você não sabe o feitiço que eu usei. – e fazendo um som entre os lábios começou a andar pela sala. – Essa é uma das grandes vantagens do feitiço não-verbal... Assim como criar seus próprios feitiços. É muito útil sabe? Você deveria tentar um dia. – parou e sorriu para a loira abobalhada a sua frente.

- Você não pode! – gritou ela novamente. – Eu vou chamar alguém... você não vai escapar! – ela girou, já seguindo para a porta.

Com um novo balançar de varinha, a porta se fechou, fazendo com que Ana ficasse parada encarando a porta, contorcendo-se de costas para a loira.

Lynn ainda ostentava um belo sorriso.

- Pra que tanta pressa Aninha? – falou ironicamente. – Ainda temos... – ela checou seu relógio de pulso. – 40 minutos. Por que não conversamos?

Ao se virar fumegando de raiva, ela viu os olhos diminuídos de Lynn, devido ao largo sorriso cínico que ela exibia.

- Não... me... chame... de... Aninha! – disse ela pausadamente. E depois de alguns minutos ela respirou fundo, e entrando no jogo, falou cinicamente. – Sobre o que quer conversar queridinha?

Lynn torceu o nariz. Não gostava nada do atrevimento da lufa-lufa, e aquele era o seu jogo.

- Não sei... maquiagem, mas claro que você não entende nada disso. – e a garota praticamente soltou fogo pelo nariz. – Então temos: quadribol, Hogwarts... meu namorado... – Ana arregalou os olhos e corou furiosamente. – enfim, o que você quiser meu bem. – A loira tinha um sorriso frio, quase macabro, e os olhos brilhantes.

Ana se mexeu nervosamente, gesticulando avidamente e ainda corada, transparecia todo o seu constrangimento.

- Conversar? Sobre o Cedric? Ahnnn...

- Aaaah... – ela jogou a mão, como se desse um tapa no ar. – Conversar sobre vestidos é mais divertido... – Abbott aliviou-se e pareceu até ficar feliz, mas apenas não havia notado o sarcasmo tão natural da loira. – Mas se você quer falar sobre o Cedric, vamo lá! – E novamente aquele brilho intrigante nos olhos.

O semblante meio feliz de Ana se desfez totalmente e ela tremeu por dentro. Os cabelos de sua nuca arrepiaram-se...

Hahahahahah... parecia um doninha na frente de um hipogrifo! YAY!

- E se eu não me engano... – ainda olhando fixamente para a garota, ela colocou o dedo indicador na boca, na mais perfeita imagem de uma pensante, com a testa enrugada e tudo mais. – Pra você é Diggory. Não?!

Ana riu maliciosamente, lançando um olhar cortante à corvinal, que com isso sentiu um desconfortável frio na espinha.

Eu tenho que admitir... ela sabe jogar. ¬¬

- Não na sua frente.

Um ódio tomou todo seu pensamento. Seu sangue ferveu, e tudo o que ela queria era esmagar aquele projeto de pelúcio com tronquilho.

- Deixa de ser ridícula garota! Se toca, ele não te suporta!

- Uau! – riu ela desconfortavelmente (na minha opinião. Ô risadinha mais feia!). – Será que eu conseguir deixar a toda-poderosa-Lestrange com ciúmes? – perguntou ela balançando a cabeça e fazendo um bico não muito bonito de se ver. – Estou lisonjeada. – disse depositando a mão no colo e abrindo a boca em fingida surpresa.

A loira então percebeu que ela estava sendo massacrada pelo seu próprio jogo, e o quão infantil estava agindo.

Mas por que não ser um pouco mais criança? Hehehhehe

- Tsc!

Lynn ergueu o indicador no ar e voltou a andar pela sala como se estivesse em uma passarela. Ana a encarou tediosa, já estava mais do que acostumada com os desfiles da garota e de sua irritante e inseparável amiga Ann, pelo castelo.

- Assim... – disse ela depois de muito tempo. – eu não gosto dessa sua cara gorda me encarando o dia todo. Então eu acho que tá na hora de parar, senão eu vou ser obrigada a te azarar de novo.

- O que? – falou Ana confusa e risonha. – Mas do que você está falando garota? Você nunca me azarou Lestran... – e quando foi checar o troféu recém lustrado e arrumar seus sedosos cabelos dourados, percebeu.

Ela viu uma pequena verruga do lado direito do queixo. Soltou um grito tão estridente, que Lynn tapou os ouvidos e fechou os olhos em agonia.

- A McGonagall vai saber disso sua bruxa!

- Hahahahahaah... é exatamente o que eu sou! – ela tinha um largo nos lábios. – Ah! E a professora vai saber sim querida. Só aprenda Abbott... fique longe das minhas amigas, do meu namorado e... de MIM.

Ana tinha extravasado todo o seu ódio em palavras. Lynn já estava exausta de ouvir aquela voz irritante, e olhando para o relógio, percebeu que já havia se passado mais de uma hora que estava naquela sala com a monitora descontrolada.

- Ah... que pena! Já está na minha hora.

- VOCÊ NÃO VAI SAIR DAQUI! – e apontou para os troféus ainda sendo limpos pela flanela encantada.

- Não se preocupe, daqui há alguns minutos eles estarão prontinhos. – Encolheu os olhos devido ao largo sorriso e saiu.

Ana ainda gritava e do corredor podia-se ouvir claramente seus xingamentos. Lynn saiu risonha e ao encontrar Cedric ouvindo tudo o que a outra berrava, fez uma carinha de coitada nada convincente.

- Por Merlin Lynn... o que foi que você fez pra ela ficar desse jeito? – perguntou ele compreensivo.

- Nada. Foi ela que fez. – e deixou escapar um riso.

- Aham. Até parece! – disse ele já num tom mais exaltado. – Lynn... você não conhece a Abbott... não sabe o que ela é capaz de fazer...

A loira que já havia cruzado os braços parecendo uma criança emburrada, olhou-o pelo canto do olho fazendo-o pensar melhor.

- Bem... – disse ele corando rapidamente. – Sabe. – e voltando ao tom sério, continuou. – O que importa é que ela é uma monitora Lynn... e pode te prejudicar muito com a diretora.

Mas vocês querem para de falar isso pra mim??!

Lynn estendeu a palma da mão no ar, para que o garoto parasse de falar. E então falou:

- Eu não me importo se ela pode me prejudicar. O que não pode na verdade.

- Ah... pode sim.

- Não, não pode. – disse ela já nervosa. – E nem ela, nem você também sabem o que eu sou capaz de fazer.

- Mas Lynn...

- Mas nada Diggory. Chega de ficar tentando mudar o que eu já estou decidida a fazer. A Hermione também já tentou, e não conseguiu... você também não vai! O que você tem que entender, é que ela mexeu com a pessoa errada. Cruzou o meu caminho e ainda quer sair por cima... e isso nunca vai acontecer chuchu. – ela riu manhosamente e depositou um beijo na ponta do nariz do moreno.

Ele riu. Os dois caminharam pelos corredores do castelo de mãos dadas.

Muito lindinhos! Hahahhaha!

-

Chegando a entrada do Porão da Lufa-lufa, eles pararam e Cedric não agüentava mais manter as palavras em sua boca.

- A Ann não devia te apoiar nisso.

- Ah Cedric... por Merlin, isso ainda?! – dizia ela entediada.

- Lynn... se a McGonagall descobre... E vocês ainda ficam levando a pequena Weasley com vocês!

- Ela não vai fazer nada se descobrir seu mala! E a Sardinha não é tão inocente quanto todo mundo pensa!

Para terminar logo aquele dia, a corvinal deu um leve beijo no garoto, que com sua sede, aprofundou-o. E com aquele sorriso malicioso, a loira sabia que alguma coisa vinha pela frente.

- Hhahahahahha... o que foi? – perguntou ela entre risos.

- Er... você ainda não conhece o meu quarto, conhece? – disse ele um pouco corado, olhando rapidamente da garota para o chão.

Aiiiinnn... tããão bonitinho encabulado. #)

- Não, não conheço. – Ela havia achado engraçadíssimo o jeito envergonhado do moreno, mas segurou a risada para não deixa-lo ainda mais tímido.

- Pois é... – disse ele ainda envergonhado, beijando-a.

Lynn tinha um doce sorriso nos lábios e ao ver o garoto entrando em sua sala comunal, sussurrou roucamente:

- Mas adoraria. – estreitou os olhos e estendeu um belo sorriso.

Ele virou-se boquiaberto, tomou-a nos braços e direcionou a corvinal pela tumultuada sala da Lufa-lufa.

Após passar pelo que lhe pareceu um corredor de olhares fuzilantes, a loira encontrou uma simpática ruiva sentada ao sofá, acompanhada de alguns meninos e meninas igualmente hospitaleiros.

- Oi Lynn!

- Oi Susana! – Lynn sorriu e abraçou a garota. – Como vai?

- Vou bem... e você? – perguntou a garota, enquanto seus amigos olhavam a corvinal como se dissessem 'Olá!'.

- Tudo ok. – respondeu a loira, agora impaciente com tamanha receptividade.

- Hmm... – resmungou Susana com um sorriso fraco nos lábios devido a falta de assunto. Mas sua curiosidade atacou-a fulminantemente, impedindo-a de segurar as palavras na boca. – O que faz aqui?

Lynn sorriu sem graça.

Pronto! O que que eu ia falar praquela garotinha que mais parece um anjinho de tão inocente?!

- Ah Susana... vim pra cá 'dormir' com meu namorado.

Aaaaiii Merlinzinho...

- Cedric. – disse ela entre os dentes, jogando a cabeça para indicar o garoto ao seu lado 'meio' distraído.

A loira cutucou o garoto com o cotovelo, o que fez ele despertar. A ruivinha a olhava um pouco corada e envergonhada, mas seu estado agravou-se quando Cedric cumprimentou-a.

- Ai! – disse ele baixo na hora do cutucão. Lynn estava aparentemente sem graça, e tinha os lábios retorcidos com a face virada para ele, mas com os olhos virados olhando de canto para Susana. – Ah! Oi Bones. Como vai?

- Be... bem, bem... E... e você? – perguntou ela atrapalhando-se totalmente, enquanto Lynn sorria para ela graciosamente.

Mas o que eu não entendo é essa reação dos outros quando vêem o seu irmão Ann. Tudo bem, tudo bem... ele é bonitinho... mas po... ele é um bosta.

- Ah... muito bem, muito bem. – sorriu simpaticamente e virou-se para a loira. – Bem... vamos?

- Aham! – respondeu prontamente, despedindo-se da menina Bones com um abraço carinhoso. – Tchau. E cuide-se!

- Você também. – disse ela retribuindo o gesto e sorrindo ainda um pouco corada.

Gosto da Bones... como diria a sardinha: Ela é gente boa, cara.

E novamente os amigos sorridentes de Susana olharam a loira como se dissessem animadamente um 'Tchauzinho! Apareça quando quiser!'.

Mas que porra! Seres maníacos! Alguém me salva? Sardinha! Por que você não tava lá pra assustar eles?? Hunft!

Ainda bem que já passou...

Ao chegarem ao quarto particular do garoto (que passou a habitá-lo depois de se tornar o novo monitor chefe de Hogwarts), Cedric abraçou a loira por trás depositando um carinhoso beijo no seu pescoço.

- E então? O que acha? – perguntou ele em seu ouvido ainda abraçado a ela.

- É legal... – disse Lynn com um biquinho balançando a cabeça positivamente.

O quarto amplo com um grande quadro na parede maior, sua cama extremamente grande e convidativa com lindas colchas amarelas e pretas e várias almofadas das mesmas cores. Criados-mudos em cada lado da cama e a frente seu baú. Uma escrivaninha num canto do quarto e um sofá negro na outra extremidade. O quarto não era muito arejado, mas por algum tipo de feitiço permanecia constantemente resfriado.

Fechou a porta atrás deles e começou a fazer cosquinhas na garotas que começou a se contorcer (Eu sou muito frágil presse tipo de coisa tá? ¬¬) e rir descontroladamente. Até chegarem a cama e caírem no colchão macio. Ao cessar com as brincadeiras, Cedric posicionou-se acima da garota, tirando mechas loiras da sua face, acariciando-a e com um semblante muito sério, beijou-a. Lynn que ao não sentir mais as cócegas ergueu uma das sobrancelhas e enrugou o nariz enquanto o garoto tirava carinhosamente as mechas de seu rosto. Beijou-o com paixão... e mais uma noite se seguia.

-

Hogwarts, 27 de Janeiro.

O Ced ainda ta dormindo. E eu hoje decidi,vou estudar! Não quero saber de café da manhã (eu tô engordando horrores sabiam?!), almoço (pfff... nem se fala!) e jantar. Meu dia vai ser exclusivamente dos livrinhos mofados e fedorentos daquela biblioteca suja e que mais parece um galinheiro nos últimos tempos. Sabe que eu não agüento mais encontrar com o Potter-podre dando uma de intelectual nas seções de DCAT? Sem contar quando aquele bando de galinhas velhas ficam fazendo estardalhaço lá. Ta aí sabia? Achei a razão porque há tanto tempo eu não vou estudar. Potter! Meu Merlin... porque ele não vai logo lutar com o Tio Voldie, pra ver se ele não tem a cabeça fritada de uma vez? Acho que eu vou fazer uma faixa e pregar na porta do saguão 'AVANÇA TIO VOLDIE!'. Que tal meninas?

Hermione. Gina. Não me venham com chorumelas...

E ela assim o fez. Levantou da cama e tomou um demorado banho. Cedric acordou e se juntou a ela no banho.

Mas que homem insaciável! Oo

Despediu-se do garoto, e ao passar pela sala comunal da Lufa-lufa recebeu olhares questionadores, mas que ela não notou.

Chegou a biblioteca e um tempo depois Ann e Hermione juntaram-se a ela.

- Fomos hoje cedo a Corvinal. Aonde você estava? – perguntou a grifinória inocentemente.

- Lufa-lufa. – respondeu ela naturalmente, pegando livros da prateleira e empilhando-os na mesa.

Ann olhou-a atônita. Mas ao receber um olhar de Lynn como se dissesse 'Pelo amor de Merlin Ann. O seu irmão não é mais uma criancinha de 10 anos.', ela engoliu a saliva que se acumulou na boca e começou a ler um dos livros que Lynn pegara.

- Beber, hoje? – perguntou a loira, não muito certa porque havia perguntado aquilo, afinal, sempre recebia um olhar severo de Hermione.

- Se a Sardinha aparecer... – disse Ann impaciente.

Hermione cutucou-a e ela soltou um 'Ai!' muito alto, e bem na hora em que Madame Pince fazia sua ronda pela biblioteca. Receberão um olhar severo da senhora e voltaram a encarar a mesa como criancinhas de castigo.

- E ela sumiu por acaso? – disse a loira displicentemente.

- Aulas com o Malfoy. – respondeu Hermione com um certo desgosto na voz.

- Ah Hermione... tá mais do que na hora de você parar de falar assim do Quinho. Tudo beem que vocês não são melhores amigos, mas vocês têm que parar com essa implicância. Afinal...

Nós somos primos... a Ann é muito amiga dele... E, mais importante, a Gininha está se agarrando com ele. Portanto, engula mulher!

Hermione empertigou-se em sua cadeira. Falar muito do Malfoy em um dia era demais para sua paciência.

- Tá bom! – falou ela, pondo um fim na discussão. – Vamos estudar, está bem?

- Aham. – disse Lynn, rapidamente parecendo viajar num livro de Transfiguração.

Digo que passei a ver essa matéria de outra forma. Graças a arvorezinha querida, Transfiguração não é mais chato!

Sardinha! Eu não gostei! Nós passamos o dia inteiro estudando e praticando (o que seria ótimo para você!) e onde você se meteu? Bem... eu sei que o Quinho é gostoso, beija bem, pega direitinho (e eu não posso mais dizer e nem pensar nisso porque eu sou uma pessoa comprometida agora)... Mas pó! Não é para esquecer da gente né, cara?

-

Hogwarts, 28 de janeiro.

Hoje é dia de sair do castelo e ver mato!

Ah... se eu pudesse ia agora pra Bora-Bora fritar no sol e tomar um banhozinho de mar. Vocês não imaginam como é revigorante. Não é Ann?

Lynn dirigiu-se ao dormitório da Sonserina, onde as quatro combinaram de encontrar-se. Hermione quis chegar o mais cedo possível, não só por não conseguir acordar tarde como as demais, mas também pelo fato de não haver muitos sonserinos pela manhã em sua sala comunal.

Acordaram Ann (com certa dificuldade) e se encaminharam a faia do jardim de Hogwarts. Como sempre, olhares maliciosos lançados a Lynn e Ann, e agora também Gina, que parecia ter conquistado a atenção dos garotos após o passeio a Hogsmead.

Ao mudarem de cenário, tendo o Lago Negro como vista, receberam as 'visitas' de Ron Weasley, que passara muito abobado pela irmã e Hermione, cumprimentando rapidamente as outras duas; Harry Potter que parecia não descolar os olhos de Ann (e que mesmo de costas, parecia querer deslocar o pescoço para não tirar os olhos da morena), seguido pela sua legião de galinhas malucas; Draco Malfoy que se juntara as meninas por algum tempo, conversando com Ann e brincando com Lynn, para o grande incômodo de Gina, que bufava a cada três segundos; e Cedric Diggory, que ao fim da tarde juntou-se as garotas, cumprimentando carinhosamente Gina, Hermione, Ann e Lynn, e travando uma briga com Draco pela atenção da loirinha e da irmã.

- Mesma hora meninas? – perguntou Lynn desnecessariamente, recebendo um aceno positivo das garotas e saindo com o moreno ao seu lado.

Despediram-se calorosamente a entrada da Corvinal, como usualmente.

-

No caminho de ida para a Sala Precisa, Lynn deparou-se com uma coisa vermelha movendo-se freneticamente de um lado para o outro. Ao se aproximar mais, o garoto se deu conta de sua presença e a cumprimentou.

- Ah... Oi Lestrange. - disse ele indiferente, angustiado, ainda andando de um lado para o outro.

Lynn que havia parado com uma cara de poucos amigos, devido ao bloqueio em seu caminho, começou a acompanha-lo com os olhos até perder o pouco de paciência que tinha.

- Weasley! – gritou ela, fazendo o garoto parar, com sua famosa expressão de espanto. – Está me deixando tonta dessa forma! – disse ela rude.

- De... des... desculpa. – gaguejou ele, claramente nervoso, com todo o rosto rosado.

Lynn bufou e revirou os olhos em tédio.

- Agora sai da minha frente. – falou ela rispidamente.

Num passo rápido, Ron deslocou-se para a direita, dando passagem livre a garota para a escada.

A loira já ia subindo, quando percebeu de novo a movimentação. Ele voltara a se mover de um lado para o outro. Respirou bem fundo, e soltando o ar demoradamente, virou-se e falou em tom severo.

- Você quer parar com isso?! – e bufou. – Nossa! Deixa qualquer um com os nervos a flor da pele.

Ron havia tomado um susto, e seu estômago se revirou com a 'volta' repentina de Lynn e com o que ela falava. Poucas pessoas despertavam esse tipo de reação nele. Quando percebeu que aquela loira, com olhos brilhantes descia as escadas com repentino interesse, ele recuou alguns passos.

Com sua grande curiosidade, Lynn não resistiu a perguntar o que deixava o ruivo tão inquieto. Seus olhos brilhavam de tanta malícia.

- Então Weasley... o que foi que aconteceu? – indagou ela venenosamente. – Finalmente descobriu que o que você e o Potter têm é amor enrustido um pelo outro? – e então riu maldosamente.

Ron sentiu seu estomago revirar-se novamente, enquanto fechava os olhos com força.

- Ahm... – resmungou ele.

- É... foi o que eu imaginei. – disse ela já subindo as escadas novamente.

O ruivo respirou fundo, e quase não acreditava que estava prestes a ter uma verdadeira conversa com a loira.

Aposto 100 galeões que ele queria que a Gina aparatasse no meu lugar naquela hora.

- Aaaahm... – começou ele, gaguejando e tossindo para limpar a garganta e afastar o nervosismo. – Lestrange...

- Uhm... – resmungou Lynn ainda de costas.

- Você... er... hmmm...

- Desembucha Weasley!

- Er... ok. Então... lá vai!

- Tá demoraaandoo... – falou a loira pegando uma lixa de unha das vestes e observando atentamente suas unhas azuis, com os ouvidos ligados para o que ele dizia.

Resmungava, na verdade.

- Bom... – disse ele respirando fundo e soltando o ar com força, como se tentasse espantar a timidez. – Você é amiga... – e fez uma pausa. – da Hermione, certo?

- Até onde eu saiba... – ironizou ela, tamborilando os dedos no corrimão da escada.

- Então.

- Então?

- Ora, você já entendeu!

Era lógico que já tinha entendido. Mas perder um oportunidade como aquela, era o desperdício de uma boa e engraçada história.

- Não entendi nada Weasley. – falou duramente, disfarçando muito bem toda sua diversão.

- Não vou me humilhar pra que me ajude Lestrange. – disse ele já com uma cara de que não sabia mais de onde tirar uma solução.

- Pois é assim que você não a terá mesmo. – ela deu de ombros, dando as costas para o garoto.

- Está bem, está bem. – ele engoliu em seco, relutando dentro de si. – Eu preciso que você me ajude com a Hermione.

Lynn sorriu. Mas diferentemente de antes, este era um sorriso agradável, amigável. Ron sentiu-se confortado, chegando por um minuto a realmente gostar de Lynn Lestrange.

- Você não precisa da minha ajuda Weasley. – falou a loira ainda rindo.

- Não preciso?

- Não, não precisa. – falou ela, fechando automaticamente seu semblante.

- E por que eu não preciso?

- Porque eu já disse que não seu bocó. Agora tira essa cara de bobo-alegre da minha frente.

- Bobo-alegre? – esganiçou-se o ruivo.

- Quer parar de repetir tudo o que eu digo criatura? – disse ela batendo a mão nas pernas. – Só não meta os pés pelas mãos e tudo vai dar certo.

Subiu as escadas, a tempo de ver um feliz Ron Weasley sumindo pelo corredor.

Minha boa ação do ano. Pronto, esgotou-se a cota!

Conselhos amorosos a um Weasley? Já não basta a Sardinha se agarrando com meu primo. Merlin!

Mas pondo isso de lado...

Dááá-lhe Hermiônini! (HAHAHAHAHAH. Como eu soube disso??!)

Arrasando corações gatxiiinha! Hahahhaha! Ahm... Primeiro: No primeiro encontro de vocês eu farei a sua maquiagem E o seu cabelo!

Aiiin, que lindooo!

Oiin x)

Chegou a Sala Precisa rapidamente. Ann a esperava na entrada com um 'presentinho' nas mãos.

- Eita que hoje a noite vai ser boa! – disse a loira tomando a garrafa de firewhisky das mãos da amiga sonserina.

-

N/A's: Reviews serão respondidas no próximo capítulo. Beijos.