3° - Chuva de balaços
Durante a semana seguinte não se ouvia mais nada além da invasão de Sirius Black ao castelo, e suposições malucas do porque ele teria entrado aqui. Cada uma mais mirabolante que a outra. Segundo a Mel, uma garota da Lufa-lufa dizia com toda a convicção que Black era capaz de se transfigurar em um arbusto florido. Quando eu ouvi isso, eu quase cuspi, em meio a risada, o suco de abóbora que tomava em uma de nossas visitas à cozinha do castelo.
Estava se tornando insuportável toda aquela investigação barata, daqueles alunos desocupados, quando a atmosfera finalmente começou a mudar. Porém, não mudou para um assunto muito agradável, em meus conceitos. A temporada de quadribol estava prestes a começar, deixando a todos eufóricos. Todos menos a mim e a Mel. Bem, a ruiva porque está sendo forçada a treinar mesmo nesse tempo terrível, sem a mínima condição; e eu, porque além de ter que encontrar a maioria das semanas com um Oliver ensopado, ando ouvindo com ainda mais freqüência sobre o maldito primeiro jogo.
Na semana do jogo, Oliver chegou com uma expressão nada satisfeita, cansadíssimo do treino, e pela maneira que estava não tinha boas notícias. Eu retirei sua encharcada capa, e o livrei da ensopada camisa, sentando-nos no sofá. Acarinhei seu rosto e depois de alguns beijos percebi que ele ainda parecia imensamente chateado. Por mais que eu soubesse que era sobre o quadribol, e por mais que eu não quisesse mais ouvir falar daquilo, não poderia negligenciar sua chateação. Então, perguntei:
- O que aconteceu Oli?
Ele suspirou. Olhou com significância para mim como se dissesse 'você quer mesmo saber?', e como eu nada respondi, ele tomou como um sim.
- Flint nos disse que Sonserina não irá jogar.
Flint, aquele dentuço, nojento, asqueroso, baforento, pervertido, maluco, obsessivo, doido, e mais outros adjetivos agradáveis. Aquela coisa, que chegou a pensar que euzinha deixaria o meu lindo e maravilhoso Oliver, pra ficar com ele. Ah! Tenha santa paciência. Acho que nem o divino Merlin agüentaria aquele estorvo! Além de feio, trasgo e acéfalo, vive me perseguindo durante os corredores e se achando o melhor na Sonserina, apenas por ser o capitão da porcaria do time de quadribol. Vamos encarar, GRANDE coisa!
- Por que a Sonserina não vai jogar?!
- Malfoy ainda está com o braço ferido, segundo eles. Mas eu sei que ele não está ferido coisa nenhuma, assim como o Harry diz.
- Aquele oxigenado espertinho. – eu cochichei para mim mesma.
- Ahn?
- Nada, nada. Mas e agora? O jogo vai ser cancelado? – perguntei com uma grande esperança no meu coração de que ele dissesse um 'sim'.
- Não. – então eu murchei. – Vamos jogar contra a Lufa-lufa. – ele falou insatisfeito.
- Contra a Mel?!
- Não só contra ela. – ele disse, tentando tirar algum riso daquela história. – A questão é que não sei como vamos jogar contra eles no sábado. Todos os nossos treinos foram de acordo com as táticas de jogo da Sonserina.
- Sei... – falei, tentando mostrar algum interesse.
- Mas o Diggory se tornou capitão, e além de ser um ótimo apanhador, montou uma defesa muito forte.
- Eu que o diga. A Mel andou treinando bastante.
- Pois é! Estamos perdidos Soph!
Eu não sabia o que fazer. Ele já tinha se jogado no meu colo, e ao vê-lo com o rosto afundado na minha barriga, eu não sabia o que dizer para animá-lo, a não ser, tentar inflar um pouco seu ego.
- Meu amor... você é um ótimo goleiro, e não é você que sempre me diz que vocês têm um time espetacular. Não se entregue. Tudo vai dar certo, você vai ver.
Ele levantou-se, sentando-se no sofá, e me olhou pelo canto dos olhos com um pouco de desconfiança. Eu o encorajando com o quadribol? Provavelmente pensou que fui atingida por algum vírus passageiro. Eu não resisti a uma risada e me joguei em seu colo.
- Mas agora... – eu disse, um pouco sapeca. – Deixe-me abusar um pouquinho desse capitão preocupado...
Oliver estendeu um belo sorriso, e me beijou em seguida.
-
Sexta feira o tempo piorou e o interior do castelo durante o dia se encontrava tão escuro que os archotes foram acesos pra que pudéssemos ver o caminho. Nas refeições, e durante todos os intervalos das aulas, os garotos da Sonserina não resistiam a uma alfinetada aos grifinórios. Malfoy principalmente, que não perdia uma oportunidade ao encontrar-se com o Potter e seus dois amigos nos corredores. Num momento, eu não agüentava mais tanta conversa e interferi. Parei a frente dos dois que se olhavam ameaçadoramente.
- Está na hora de parar Malfoy.
Olhou-me com desdém, como sempre o fazia, e pareceu engolir as palavras ao ver meu semblante de poucos amigos. Granger, amiga do Potter, olhou-me com agradecimento, e o Weasley olhava-me com certo receio.
- Obrigado Heaney. – falou o Potter já seguindo seu caminho.
Vi ao longe Oliver pará-lo. Parecia angustiado, coitado, na certa dando dicas de última hora para o jogo do dia seguinte. Eu ri, e ao virar a esquina, deparo-me com duas cabeças ruivas cochichando.
- O que fazem aqui... andem, para aula!
- Por que não vai você?
- Por que você não obedece e vai?
Nós já estávamos próximos. Meus lábios crispados, e ele mostrava os dentes, e nossos olhos arregalados presos um ao outro.
- Fred... vamos.
- O que há com você George? – perguntou o que me encarava, quebrando o contato, olhando para o irmão que o segurava pelo ombro.
- Nada! Só que temos aula.
- E desde quando você se importa com isso?
Ele se virou para o outro e eu novamente confundi-me. Era impossível diferenciar um do outro. Odeio coisas iguais.
- Desde nunca.
- Então...?
- Então, vamos!
Voltaram a cochichar e eu então prestei um pouco mais de atenção, para ouvir o que eles tanto falavam.
- Você não estava tentando arrumar uma solução para jogar amanhã?
- Sim... mas o que isso tem a ver com a Heaney?
E eu particularmente não gostei do tom que ele usou para se referir a mim.
- Contrariá-la não iria ajudar muito.
Ele o olhava duvidoso, como se não houvesse entendido uma única palavra do que seu irmão havia lhe falado. Eu também não havia entendido nada, mas conseguir guardar a minha dúvida apenas em pensamentos, não transparecendo nada.
- Agora Weasleys!
Fred olhou o outro com grande receio, como se dissesse 'é bom você estar certo', e levantando as mãos de um jeito inocente foi saindo para a sala. O Weasley restante tinha um sorriso no canto dos lábios, que prendeu o meu olhar por breves segundos. Quando eu ia saindo, este me chamou:
- Heaney.
- Vá para aula Weasley. – falei em tom cansado, virando-me para seguir meu caminho.
- Primeiro nós temos que conversar.
Tremi. O tom de voz que ele havia usado tinha sido baixo, manso, e levemente rouco. Tinha certeza que se o olhasse, eu iria perceber seus olhos correndo pelo meu corpo, como ele, estranhamente, tem feito com freqüência esse ano. e eu sentia o peso daquele olhar, e gostava daquela sensação. Merlin!
- Não tenho nada pra conversar com você Weasley. – minha voz saiu esganiçada.
- É aí que você se engana.
Ele se aproximou, e eu pude sentir o calor do corpo dele chegando ao meu, quase findando a distancia entre nós. Quando me virei, dei de cara com seus lábios na altura dos meus olhos. Revirei-os, como em tédio, e segurei minha voz antes de falar.
- Acho que não, nenhum engano.
- Bem... – ele começou, ignorando o que eu havia acabado de falar. – Como você bem ouviu, Fred não poderá jogar amanhã...
- Eu não ouvi nada. – disse, interrompendo-o.
Ele riu pelo nariz, olhando-me.
- Porque Filch decidiu que sua detenção será amanhã bem no horário do jogo.
- Não posso fazer nada se vocês não conseguem ficar fora de uma confusão.
Dei de ombros, e já ia saindo, quando ele voltou a falar.
- Acontece... – e ouvi seus passos se aproximando, e ao pararem, senti uma respiração quente na minha nuca, e uma voz soar ao pé do meu ouvido. – que nós não nos metemos em confusão. Ele está em detenção pelo incidente daquela noite.
Fechei meus olhos e senti minhas pernas fraquejarem. Mas que diabos de sensação era aquela? Ele estava tentando me enfraquecer, sei que estava. Mas não conseguia me segurar, e de novo a sensação do meu cérebro derretendo veio à tona.
- In... incidente?
- É... lembra? Você nos dedurando pro Filch, madrugada, corredor, passagens secretas...
- O que quer Weasley? – perguntei impaciente, afim de acabar com tudo aquilo e poder sair dali.
- Quero que você dê um jeito do Fred jogar amanhã.
Ele falou completamente seguro do que queria e até cruzou os braços, olhando-me com significância. Após assimilar o que ele havia me dito (eu já disse que meu raciocínio é lento perto daquele panaca), eu ri nervosamente, parecendo uma insana.
- Eu não tenho autoridade pra fazer isso.
- Bom... você me deve uma. É assim que deve pagar.
- Você não pode cobrar essas coisas assim, do nada. O jogo é amanhã!
- Heaney... não pense que estou satisfeito em cobrar o favor que lhe fiz assim. Pensei que poderia cobrá-lo em outra, ocasião.
Ele passou a língua, umedecendo os lábios e eu senti tudo se liquefazer na minha cabeça. Com um sorriso nos lábios, ele deu um tapinha no meu ombro, como se me desejasse sorte, foi saindo e disse em voz alta:
- Espero que dê tudo certo.
Ótimo! Simplesmente ÓTIMO! Primeiro: ter que livrar o Weasley da detenção, uma coisa que eu nunca pensei em fazer na minha vida, já que meu hobby é colocá-los na detenção. Segundo: como diabos eu iria fazer para enrolar o Filch e ele dispensar o cabeça de tomate? Merlinzinho... do que você tá tentando me castigar?
-
Ao chegar a sala, Snape estava prostrado na mesa do professor e eu novamente chequei o meu horário: Defesa Contra as Artes das Trevas. Ergui minha sobrancelha, mas nada falei. Sentei-me no mesão e outras duas garotas, uma da Grifinória e outra da Sonserina, juntaram-se a mim, e então a aula começou.
O professor Snape nos informou que o professor Lupin encontrava-se enfermo, e incapacitado de dar aulas, por isso, enquanto ele não melhorasse, ele tinha tomado o controle e responsabilidade pela matéria. Tudo o que ele queria no mundo! Começou a falar de maneiras de se identificar um Lobisomem, e mais outras coisas do gênero. Mas daí me ocorreu uma coisa, Lobisomens? Nós estudamos lobisomens no terceiro ano de escola, por que diabos ele estava nos falando sobre essas criaturas? Seria algum tipo de revisão para os N.O.M's? Mas no começo do ano letivo? Muito estranho.
No fim do dia, fui me arrastando até a sala do Filch, ainda sem a mínima idéia do que falar-lhe. Inventei algo bastante mirabolante, e como o perfeito aborto burro que é, caiu na minha história. Muito insatisfeito, pois pelo visto tinha preparado essa detenção com muito gosto, mas eu tive que lhe prometer que ele cumpriria tal detenção em outra ocasião.
-
No sábado todos acordamos bem cedo, e eu apenas tive chance de desejar um bom jogo ao Oliver, pois tinha ido á entrada da Grifinória. Ele tremia, e suava frio, mesmo o tempo estando congelante e sem a mínima brecha para alguém transpirar. Beijei-o com carinho e depois de algum tempo, nos encaminhamos para o salão principal. Oliver me levou até a mesa da Grifinória, onde Potter estava mirando uma tigela de mingau e o restante do time se aproximava. Eu apenas lhe dei um leve beijo nos lábios e saí.
Mel eu e Ella tomamos o café da manhã juntas, mas depois de quinze minutos, só restamos eu e Ella. Mel estava claramente nervosa, e Cedric além de fazer o papel de namorado tentando acalmá-la, tinha de fazer o papel de capitão do time motivando sua melhor artilheira. Desejamos boa sorte aos dois e vimos juntarem-se ao time da Lufa-lufa.
Ouvi Oliver conversando preocupado com todos e percebi que não comia nada. Fiquei preocupada de vê-lo tão tenso e de estômago vazio, ele tinha de comer, senão, como iria enfrentar aquela partida. Mas não tive chance de falar com ele novamente, mas tive a maravilhosa oportunidade de esbarrar com os Weasleys. Uma delícia. Urgh!
Pararam à minha frente com os olhos brilhando em expectativa. Eu adoraria ter que dar uma má noticia para acabar com aquele brilho incomodo nos olhos dos dois. Maldito Filch estúpido!
- Você está liberado. – disse sem nenhuma animação e não sabendo para qual dos dois olhar.
- É! – comemorou um deles.
Presumi que fosse aquele que estava encrencado, e então foi a vez dos meus olhos brilharem. Estava na hora de dizer que ele teria de pagar a detenção de qualquer maneira.
- Mas sua detenção foi apenas adiada. – falei, olhando para o que eu tinha certeza que era o encrencado. – Você vai poder jogar, mas não pense que se livrou da detenção.
- Eu sabia que você não ia deixar barato. – ele falou, mas ainda parecia satisfeito. – Vamos George.
O outro me olhou nos olhos em agradecimento, e então eu senti minhas bochechas queimarem. Eu não podia estar corando! MALDIÇÃO! Com um sorriso, ele saiu arrastado pelo irmão, mas ainda olhando fixamente para mim, quase entortando o pescoço, até que quase tropeçou. Eu ri, e vi que ele então passou a prestar atenção no caminho.
Mas isso não me fez esquecer de que eu corei. Será que você pode me dizer o que há de errado?
-
Bem... o jogo não foi muito interessante, exceto por partes que qualquer um dizia que não acreditaria se não tivesse visto.
A começar pelo tempo. Chovia insistentemente há muitos dias, mas parece que haviam escolhido o dia do jogo para que ela piorasse. O vento estava fortíssimo, capaz de arrastar qualquer coisa com sua força; a neblina cobria todo o campo, impossibilitando a visão da platéia para o que acontecia, e mesmo assim os alunos faziam grande estardalhaço e o barulho ensurdecedor parecia motivar ambos os times.
O jogo começou, Oliver e Cedric se cumprimentaram, e só o que eu ouvia, além dos gritos histéricos, era a marcação das pontuações dos times. Houve um intervalo na partida, pedido pelo Oliver, quando a Grifinória mantinha uma vantagem da Lufa-lufa de cinqüenta pontos. Sentia uma excitação, por saber que a Grifinória estava ganhando (ao contrário dos demais sonserinos, que torciam fervorosos para o outro time), mas ao mesmo tempo ficava triste por saber que o time da Mel estava em desvantagem. Ella ficou ao meu lado durante todo o jogo e me parecia torcer pela Lufa-lufa com muita excitação.
Trovoava bastante, ventava forte e o céu já estava escuro, como se a noite houvesse caído. Vultos dos jogadores passavam forte por nós e tudo o que eu mais esperava era que aquela partida acabasse logo e eu pudesse ver minha amiga e meu namorado sãos e salvos. Cada vez ficava mais perigosa e alguns trovões em particular, iluminavam o céu, como num clarão intenso, dando a todos uma visão rápida do que acontecia mais acima.
Cedric subia em grande velocidade, possivelmente atrás do pomo de ouro, e Potter, que parecia estranhamente distraído, só se tocou do movimento do Cedric devido ao alarme do Oliver, que parecia ainda mais desesperado. Potter subiu em seguida logo atrás, e de repente tudo se tornou muito estranho. Era como se tudo houvesse sido transportado pra outra dimensão ou algo assim.
Eu ainda sentia o vento forte bater no meu rosto e movimentar meus cabelos, a chuva forte me molhar, mas não ouvia nada. E não foi só comigo, pois a Ella olhou-me com estranheza. Então um frio tomou conta de todo estádio, e junto com esse frio, veio-me uma sensação de que eu nunca mais conseguiria sorrir por algo, e por alguns segundos esqueci-me das coisas mais maravilhosas da minha vida, como meus pais, minhas amigas, e o Oliver. Olhei para cima e vi cerca de cem dementadores descendo com rapidez e cercando o infeliz do Harry Potter. Ele parecia desacordado, pois simplesmente caiu da vassoura, e foi caindo de uma altura de quase quinze metros. Todos pareciam extremamente preocupados, quando o diretor com um gesto de varinha diminuiu a velocidade de sua queda, e lançou um Patrono nos dementadores.
Aquelas coisas asquerosas se dispersaram imediatamente, e o Potter chegou ao chão ainda com algum impacto. Todos ficaram bastante preocupados e os dois times se reuniram a volta dele. Cedric pegou o pomo antes de perceber a queda do Potter, e assim que viu, pediu o cancelamento da partida. Mas todos justamente concordavam que eles haviam merecido, até o Oliver. Da arquibancada eu consegui ver o semblante triste dele, e o que eu mais queria era poder abraçá-lo naquele minuto.
Todos saíram do caminho do Dumbledore, quando ele e Madame Pomfrey chegaram e removeram o garoto para a ala hospitalar. Aos poucos todos foram saindo do estádio e eu fiquei a porta do vestiário a espera do Oliver. Todos os jogadores da Grifinória saíram juntos e compenetrados numa espécie de preocupação e desânimo, enlameados e a caminho do castelo. Todos menos Oliver.
Entrei receosa no vestiário e ouvia o barulho do chuveiro ligado ao máximo, com a água correndo, batendo no chão com violência.
- Oli? – perguntei com a voz fechada, com certo medo daquela atmosfera.
Ninguém respondeu, e eu me aproximei ainda mais, até que cheguei a frente das cabines dos chuveiros, com apenas uma fechada, a que tinha o chuveiro ligado. Bufei, mas ainda preocupada, bati com delicadeza na porta da cabine. Ela se abriu na minha primeira batida, exibindo um garoto de cabeça baixa, totalmente concentrado embaixo da água.
- Oliver! – eu falei com firmeza, e ele se virou.
Não sei se tinha notado antes, mas só então percebi que ele estava totalmente despido. Eu corei imediatamente. Você pode falar que é besteira minha, depois de tanto tempo de namoro e este sendo já um pouco 'profundo', por que eu ficaria com vergonha de vê-lo sem roupas? Sei lá, acho que é... timidez.
Ele se virou, e acho que estava impressionado por me ver ali, pois mantinha a boca aberta, os olhos arregalados e aquele monte de água ainda caindo em cima dele. Sacudiu a cabeça e só então percebeu a situação em que estava. Ele fez menção de desligar o chuveiro e se cobrir, mas nesse meio tempo algo tinha tomado conta de mim, me fazendo borbulhar de desejo. Eu sorri, e entrei na cabine, fechando-a em seguida.
- O que você tá fazendo? – perguntou ele em tom malicioso.
Eu ri, mordendo meu lábio inferior em seguida e beijando-o com paixão. Enlaçou-me com seus braços pela cintura e me levou para debaixo do chuveiro, me fazendo sentir aquela água gelada correr sobre o meu corpo e me beijando mais e me mais. Quando percebeu que estávamos chegando ao ápice dos beijos e evoluindo para algo mais quente, ele fez menção de parar, retornando aos poucos as leves carícias, como sempre fazia.
Mas o que o surpreendeu foi que eu o instiguei, fazendo com que ele voltasse ao ritmo que estávamos seguindo.
- Você tá bem Soph? - questionou-me, engraçado.
- Melhor do que nunca.
Puxei-o para a parede, fazendo com que ele prensasse meu corpo contra os azulejos frios e molhados e seu corpo. Meus braços prendiam seu pescoço, aprofundando nosso beijo e tudo aquilo me fazia querer mais. Eu não estava em mim àquela hora. Nunca que em sã consciência, eu me trancaria no vestiário do campo de quadribol e transaria com meu namorado. Nunca! Mas enfim...
O Oliver se animou bastante com a situação, e além de senti-lo 'animadinho', senti a pressão que ele exercia sobre meu corpo, nos deixando quase colados e me afundando na parede. Ele puxou minhas pernas, prendendo-as em volta de sua cintura, e eu me senti totalmente confortável naquela posição. Com violência ele abriu minha blusa, os botões saltando longe, e assim descobrindo meu colo, parte que ele parecia se divertir todas as vezes. Com avidez, ele beijava meus seios, agora também já descobertos do sutiã, arrancando gemidos abafados de mim.
Eu já estava tremendamente excitada e cravava minhas unhas em suas costas trabalhadas, deixando caminhos vermelhos causados pelos arranhões. Enquanto nos beijávamos, meus pés tocaram lentamente o chão, e com a mão desocupada, Oliver retirava minha calcinha. Em seguida, pegou novamente minhas pernas e me pôs naquela posição confortabilíssima mais uma vez. Ele começou a invadir-me docemente, como todas as vezes, seus movimentos lentos arrancavam de mim gemidos baixos e minha respiração parecia falhar em vários momentos, e ali eu me senti segura em seus braços. Era uma sensação inigualável, que eu vinha querendo senti-la sempre, desde que a minha necessidade de vê-lo tem se tornado sufocante. Abracei-o mais forte, no decorrer de tudo, na intenção de sentir seu hálito quente encostando-se em minha pele, beijar a pele molhada, senti-lo ao máximo. Mordi levemente o lóbulo de sua orelha e sussurrei:
- Eu amo você.
Nesse momento, toda a minha essência invadiu meu ventre, lhe proporcionando imenso prazer, e logo em seguida ele me inundou com seu suco. Gemeu abafado, e ainda arfando alto, com a respiração pesada, beijou-me com fervor e olhou fixamente nos meus olhos, murmurando docemente:
- Eu te amo.
Nos abraçamos ainda mais forte e ficamos por não sei quanto tempo ali, daquela maneira. Sei que tudo aquilo só me fez ter mais certeza de que eu o amo, e que quero aquela sensação por muito tempo na minha vida.
-
Voltamos ao castelo já quando era noite, e nos olhávamos tímidos, como se houvesse sido a primeira vez que tínhamos feito aquilo. E me lembro que nem na primeira vez havia sido assim... acho que alguém andou derretendo alguma coisa dentro de mim. Sabe, eu me sinto mais, mais, sei lá. Até palavras andam me faltando para descrever as coisas. Estou gostando dessa nova 'fase', mas também espero não me tornar um boba-alegre feito a Mel.
Por falar em Mel, a ruiva e a Ella pareciam estar montando guarda na frente da Sonserina, provavelmente a minha espera. Quando as vi de longe, estreitei meus olhos, para enxergar melhor, pois não entendia o porquê das duas estarem lá. Elas também haviam me visto de longe, e a Mel estendeu um grande sorriso, que ao ver Oliver em seguida murchou, o que me fez rir um pouco. Quando chegamos a frente das duas, nós dois, ainda com aquele estranho brilho nos olhos, nos beijamos e Oliver cumprimentou as meninas e seguiu para sua sala comunal.
Maliciosas com dificilmente outras pessoas são, imediatamente captaram o clima no ar, e já me bombardearam de perguntas. Eu rapidamente cortei-as com um rápido pigarro, mas a ruiva não se deu por vencida, soltando um leve gemido.
- O que foi Melanie? – eu disse, morrendo de vontade de rir por dentro.
- O que aconteceu entre você e o Wood hein?
- Nada ué.
- Nada? – perguntou a Ella desconfiada. – E esse sorrisinho no canto da boca, é o que?
- Nada. – falei, e meu sorriso se abriu ainda mais, encolhendo meus olhos.
- Aconteceu sim! Nos diga Sophs! – falou ela em tom manhoso. – Onde vocês estavam?
- Vestiário...
- O que vocês ficaram fazendo no vestiário até essa ho...
Ella virou-se para mim envergonhada por ter feito a pergunta e raciocinado a resposta antes que a pergunta terminasse. Ella nunca gostou de comentar esse tipo de coisa conosco, porque ela sempre fora a mais tímida de nós três, e ainda era virgem.
- Vocês transaram no vestiário? – berrou a Mel no meio do corredor.
- Shhhh... – resmunguei, corando violentamente. – Vem, vamos pra outro lugar. Vocês são muito escandalosas!
Fui falando, arrastando as duas pra primeira sala que vi aberta.
Conversamos e apesar de toda excitação da Mel, consegui terminar de contá-las o que aconteceu. A ruiva quase morreu de rir durante o meu 'relato', e ainda tirou algumas brincadeiras comigo. ela estava extremamente feliz, ainda porque tinha ganhado o jogo e a comemoração entre ela e Cedric parecia estar guardada para mais tarde.
- Boa noite então tigresa.
Ella na conseguiu agüentar e caiu numa gostosa risada. Melanie me olhou de esguelha não gostando muito do que eu acabara de chamá-la.
- Tá bom taradona do vestiário.
Ella ainda continuava a rir, enquanto nós nos encarávamos com falsa raiva e depois caímos na risada junto com a baixinha. Descemos para o salão principal e jantamos na mesma mesa. Cedric se juntou a nós, e quando o Oliver parou para nos cumprimentar, acho que só não se juntou a nós, porque a Mel o olhava de cima a baixo, como se imaginasse o 'desempenho' dele. No mínimo engraçado. Mas na hora eu cutuquei-a, pois ela havia deixado-o desconfortável, tanto que ele me olhou de um jeito como se falasse 'você contou pra elas?!'. Eu o olhei, risonha, e o beijei, fazendo todos esquecerem de qualquer coisa. Oliver parecia um pouco mais aliviado (aliás, quem não pareceria um pouco mais aliviado depois do que aconteceu?), mas ainda parecia desanimado com a derrota.
No domingo Oliver passou toda a manhã com o time de quadribol na ala hospitalar com o Potter. Segundo ele, o garoto foi obrigado por Madame Pomfrey a permanecer lá durante todo o fim de semana. Contou-me também que sua vassoura foi destruída, pois quando caíra, a vassoura foi jogada pelo vento para o salgueiro lutador, e bem, daí você já imagina o que aconteceu com a pobre vassoura.
A Mel também apareceu bem satisfeita e calma, e durante o nosso dia no lago, seu namorado deu o ar da graça e tinha um semblante bem parecido. Por mais discreta que tentei ser, não resistir a olhá-la de cima a baixo (como ela fizera com o Oliver no outro dia) e tentei NÃO imaginar seu 'desempenho'.
-
A semana seguinte foi um tanto quanto engraçada. Malfoy se livrou das bandagens no braço e passou todo o tempo na sala comunal, nos corredores do castelo e nas refeições, pulando e comemorando a derrota da Grifinória, no quadribol. Todo tempo via-se o loiro aguado fazendo espirituosas imitações do Potter caindo da vassoura, ou dos dementadores em ataque. Assumo que eram engraçadas. E enquanto eu, Mel ríamos, recebíamos repreendedores olhares da Ella, Oliver e Cedric. Mas qual o problema? O garoto é engraçado! Quanto drama!
Tivemos aulas do Snape que parecia mais intragável ainda (se é que é possível) e finalmente o professor Lupin voltou as suas atividades com professor de Defesa. Eu sinceramente não agüentava mais ter que estudar com o Snape seguidas vezes na semana, e olha que só foi por uma semana.
As repercussões da entrada dos dementadores nos terrenos do castelo corriam, e cada uma afirmava a outra de que Dumbledore nunca parecera tão contrariado como nos últimos dias. O professor Lupin nos esclareceu algumas coisas sobre os Dementadores durante as nossas aulas devido a vários pedidos dos alunos. Aprendemos coisas realmente interessantes, coisas que eu nunca tinha lido nos livros, e como uma discussão leva a outra, na sala, chegamos à pergunta que todos andam se questionando: como diabos Sirius Black escapou de Azkaban?
Bem... como Lupin mesmo disse, isso é o tipo de coisa que o único capaz de responder é o próprio Black. Nunca havia acontecido nada assim no mundo bruxo. Todos tinham pra si que Azkaban era a prisão mais segura, agora, não parecia tanto, e todos temiam a fuga de outros assassinos malucos.
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As coisas não melhoraram com a chegada de novembro. O inverno foi chegando devagarzinho, e ao fim do mês aconteceu a partida de quadribol entre Lufa-lufa e Corvinal. O time da Lufa-lufa sentia-se motivado pela vitória contra a Grifinória, mas toda essa motivação não os ajudou a vencer, sendo literalmente massacrados pelo time da Corvinal. A Mel ficou bastante desanimada, e seu namoro com Cedric até deu uma estremecida. Segundo ele, a Mel é muito competitiva (eu que o diga) e não aceitou muito bem a perda, já ele estava conformado, pois deram tudo de si. Eles andavam brigando bastante, isso quando estavam juntos... não sei, mas não tenho uma sensação legal quanto a isso. Por outro lado, essa derrota pareceu dar um gás ao Oliver e com isso, a todo o time da Grifinória, que com essa perda, não foram eliminados da competição.
Dezembro chegou e Oliver parecia continuar animadíssimo para a próxima partida de quadribol. Eles treinavam com mais empenho, o que resultava num namorado mais cansado, o que exigia mais paciência da minha pessoa. Com a chegada do mês, além dos planos para o Natal, e as meninas começamos a aprofundar nossos estudos para os testes no fim do ano letivo. Pode até parecer cedo demais, mas com a velocidade que o trimestre passou. Não me espantaria nada se daqui a alguns dias alguém viesse me dizer que já estamos em junho. Pelo menos um dia na semana, pulávamos o jantar e ficávamos na biblioteca até Madame Pince nos expulsar. Sempre gostei de ser expulsa de bibliotecas, é tão legal.
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No último fim de semana do trimestre, tivemos mais um passeio a Hogsmead. Decidimos que seria lá que terminaríamos de planejar nossas férias de Natal. É, é. Nesse ano decidimos dispensar as famílias e viajarmos por aí. Bem, não por aí, mas...
Ah. Eu e a Mel durante as férias de verão no segundo para o terceiro ano, nos encontramos em Paris e num ato de loucura abandonamos nossos pais e ficamos hospedadas por uma semana numa pequena e elegantíssima pousada no centro da cidade. Bom, não podemos dizer que foi uma loucura, foi mais porque meus pais não conseguiam dar um descanso para meus ouvidos por um segundo durante todo o tempo que estávamos na cidade, e a Mel, bem... a ruiva sempre foi a 'ovelha negra' da família. Tivemos um agradável descanso, com uma semana inteira só nos preocupando com 'Para onde vamos sair hoje a noite?', 'A que horas o café da manhã é encerrado?', 'O que vamos comprar amanhã?'; acho que não me lembro de férias tão boas quanto essa. Uma pena a Ella não estar com a gente, mas o que podemos fazer se ela quis ficar enfurnada na casa dos pais na Escócia?! O que lembro é que tivemos momentos maravilhosos, conhecemos pessoas interessantíssimas...
Por isso nós pensamos seriamente em viajarmos para a França. Seria ótimo voltar àquela pousada, lembrarmos dos dias inesquecíveis que tivemos naquela bela cidade, e chances para várias coisas. Chances para um belo descanso, uma chance para que o namoro da Mel melhorasse, pois parecia a cada dia pior, chances para que o meu namoro continuasse indo bem, afinal, Oliver passou o último mês treinando feito um escravo e quase não tinha mais disposição. É, essas férias caíram como uma luva para todos.
Ella não parecia muito acanhada. Queria ir à Escócia, passar o Natal com os pais e com os avós e a tia, dizia que não queria deixá-los sozinhos numa data tão importante quanto essa, mas nós a intimamos, ela iria de qualquer jeito. Férias em Paris sem Ella uma vez tudo bem, mais de uma, de jeito nenhum! Nós sabíamos que ela sentia muitas saudades dos pais, dos avós, inclusive da tia, que havia se tornado de grande ajuda para Ella, mas também sabíamos que a maior parte dela não queria ir pelo fato de estarmos indo acompanhadas pelos meninos.
Não adianta conversar com Ella... não venha me dizer uma coisa dessas. É simplesmente, impossível! Nada entra naquela cabecinha dura se ela não quiser que entre. Eu a conheço o bastante para saber que ela só iria para França conosco abrigada, amarrada e com uma varinha apontada para seu peito. Tudo bem, nós não iríamos fazer uma coisas dessas, mas ameaçar é sempre útil!
-
Chegamos a Hogsmead, e mais uma manhã exaustiva como monitora ainda não tinha me matado. Graças a Merlin! Alguns pirralhos bagunceiros resolveram se soltar mais já que era o último fim de semana na escola e, portanto não haveriam detenções. Espertinhos.
Oliver apenas se juntou a mim na entrada do restaurante, havia decidido ficar no castelo descansando e foi até lá para acertarmos os detalhes da viagem. Ella, Mel e Cedric chegaram juntos, e apenas dois deles estavam risonhos.
- O que aconteceu Mel?
- O que você acha...? Fiquei sobrando esse tempo todo. - cochichou raivosa no meu ouvido, já me empurrando para dentro.
Ella e Cedric haviam se aproximado bastante desde a crise de ciúmes da Melanie. Aquela moreninha parecia incrivelmente a vontade com ele, sorria e seus olhos tinham até um brilho especial. O que me deixava satisfeitíssima, mas por outro lado eu via o quanto a Mel se sentia deixada de lado.
Mas bem, voltando à Hogsmead... estávamos todos cobertos em montes de casacos. Ao entrar no local eu imediatamente retirei dois, dos que me cobriam superficialmente (bem grossos. Só para constar.) e permanecendo ainda com duas blusas, senti-me confortável. Os outros também pareciam estar afogados em tantos casacos, o inverno estava extremamente rigoroso esse ano.
Não nos demoramos muito nas discussões. Ficara decidido que nós partiríamos do castelo no dia seguinte, pegando o Expresso de Hogwarts na estação de Hogsmead, como o restante dos alunos, para a Kings Cross e chegando lá nos encaminharíamos de carro para a França. É, um carro, coisa de trouxas... e quem iria conduzi-lo seria a Ella. A única que teve uma criação trouxa de todos nós, e que sabia conduzir aquela máquina estranha. Estranha, mas agradável. Digo a você, não há nada como uma viagem de carro. É como andar de trem, mas é mais impessoal. Pode-se ver direito todas as paisagens por onde passamos, paramos quando queremos, sentimos o vento bater no rosto...
Depois de compras durante a tarde, na intenção de nos abastecermos do máximo de besteiras possíveis para a viagem, nos separamos, cada um com várias sacolas nas mãos, atoladas de coisas. Combinamos que nos encontraríamos no fim da tarde, para a volta ao castelo, pois após aquele horário, nos alertaram que o povoado não era tão recomendável. Após o pôr do sol os dementadores vão a vila pelo decreto do Ministério à procura de Sirius Black. Por favor! O que Sirius Black faria em Hogsmead?!
-
A volta de Hogsmead, ao invés de trazer um clima de saudade aos alunos que viajariam no dia seguinte para as férias de Natal, teve um gostinho, ou melhor, um cheirinho diferente aos alunos da Grifinória. Ao chegarem na sala comunal da casa, viram a zona em que ela se tornara.
Dois alunos efusivamente alegres dançavam no meio da sala tremendamente fedorenta devido as bombas de bosta que haviam sido soltas. Alguns alunos paravam para rir com os narizes tapados devido ao mal cheiro, outros respirando normalmente, habitualmente acostumados com aquele terrível odor. Os responsáveis por tal arruaça? Quem mais, se não Fred e George Weasley?
- Gininha minha florrr...
- Vocês são loucos Fred...
- Loucos? – perguntou George, entortando as expressões.
- Nós somos tão normais. – disse Fred zarolho.
Ron e Hermione que haviam acabado de chegar a sala, acompanhados por Harry, que correu para o dormitório masculino disfarçadamente, se juntaram aos outros alunos.
Hermione tinha a face retorcida em desgosto, e Ron também não parecia nada satisfeito. Se aproximou dos gêmeos e agarrou cada um pelo braço.
- Como vocês nunca me falaram daquele mapa?
- E desvendar o nosso segredo pra você?
- Jamais! – disse Fred levantando o dedo indicador, girando avidamente.
- Pô cara, eu sou irmão de vocês!
- Não diga?!
- Você não se parece nada comigo...
- Mas você sim... – falou George, com um falso espanto para Fred.
Gina não resistiu a uma risada, assim como outros que observavam os irmãos.
Ron encontrava-se mais vermelho que seus cabelos e parecia que iria exalar fumaça de seus ouvidos, e explodir a qualquer minuto. Não tinha a mínima noção de onde esconder a cabeça, e ouvia os risos de todos. Por fim, escondeu-se na curva do pescoço de Hermione, que surpresa e corada, continuou parada com os olhos arregalados.
Depois de segundos, ela bufou, enquanto os gêmeos já tinham voltado a sua dança e aquele odor não se dissipava.
- Limpem isso agora. Ou...
- Ou o que Hermione? – perguntou Fred num tom choroso, tentando imitá-la.
- Ou a professora McGonagall saberá disso.
- Por Merlin Hermione! Amanhã estaremos de férias... dá um tempo!
Ron a segurou pelos braços, quando fez menção de reagir com o próprio corpo, e num tom calmo, falou:
- Eles tão certos Mione... deixa pra lá. – e um sorriso leve apareceu em seu rosto.
Hermione percebeu que estava mais amedrontada por Harry do que pelo que os gêmeos haviam feito. Anuviou a expressão, e ao olhar para Gina que tinha os olhos arregalados, sorriu levemente e subiu para seu dormitório.
- É melhor limparem isso.
- Não enche também Roniquinho.
Os dois continuaram na sala comunal, e quando quase todos já haviam se encaminhado para seus dormitórios, os dois já se encontravam sentados, exaustos e um tanto quanto pensativos no sofá.
- Vamos dormir George.
George parecia mias imerso em seus pensamentos. Seu olhar parecida longe, desfocado, como se ele não estivesse ali.
- Vai você Fred... vou limpar essa bagunça.
- Ora George! Os elfos vão limpar. E mais, nós vamos voltar para Toca amanhã cedo, temos de descansar.
- Já disse Fred.
Seu tom saiu um pouco violento demais do que pretendia. Seu irmão recuou, com a dúvida estampada na face. Fred subiu as escadas para o dormitório masculino, ainda a tempo de ver seu irmão erguendo a varinha e apontando para a sujeira.
- Esse cara tá a cada dia mais estranho. – falou para si e cruzou o portal, fechando a porta atrás de si.
-
Um pouco antes do jantar, Oliver apareceu na sala de monitoria, onde eu tinha me enfiado desde a volta do passeio.
- Sabia que te encontraria aqui. – disse ele ao me pegar com os cotovelos apoiados na mesa, a cabeça baixa e as mãos afundadas nos meus cabelos.
Eu me virei um pouco surpresa ao vê-lo ali, pois não havia dito nada a ninguém, e ao mesmo tempo aliviada por vê-lo. Eu não conseguia entender, mas de repente senti-me tão cansada de tudo, tão sufocada, é uma sensação terrível, posso te garantir.
- Como sabia que eu estava aqui? – perguntei intrigada, ainda olhando para a porta, onde ele estava a poucos minutos.
Agora ele já estava ao meu lado, acarinhando meus cabelos, tentando me confortar. Sentindo que eu estava bastante tensa, colocou um livro que carregava em cima da mesa e posicionou-se as minhas costas começando a massageá-la divinamente.
Fechei os olhos e me deixei relaxar pelo seu toque. Não sei porquanto tempo fiquei ali, extasiada com aquilo, mas sei que quando ele parou, senti-me renovada. Olhei para ele, e sorri. Oli, com aquele sorrisinho lindo, e aqueles olhos infantilmente encolhidos, se curvou, beijando-me com carinho nos lábios.
Sentado ao meu lado e me fazendo carinhos, começamos a conversar enquanto trocávamos carinhos e eu folheava o livro que ele havia trazido. Era um exemplar do 'Qual vassoura?' e eu fiquei intrigada. Tudo bem que era comum ver o Oli carregando livros como 'Quadribol através dos séculos' ou outros sobre quadribol, mas o 'Qual vassoura?' era o mimo do Oliver, e sem contar que era quase a hora do jantar, e ele jamais correria o risco de cair um pingo de suco de abóbora na sua preciosidade. Disso eu sei, porque um dia quase derramei marmelada nele e ele quase me engoliu viva (!).
- O que faz com ele pelo castelo Oli? – perguntei, ainda folheando as páginas do livro extremamente bem cuidado.
- Ah... – falou, olhando de esguelha para o livro. – Vou emprestar ao Harry. Desde que a Nimbus dele quebrou ele vem treinando com uma Shooting Star deprimente.
- E...
- E daí que ele precisa de uma boa vassoura, e logo.
- Ele não poderia simplesmente ir ao Beco Diagonal procurar por uma?
- Não Soph... ele vai passar o Natal aqui em Hogwarts. Foi até por isso que eu pensei em emprestá-lo... pra que ele pudesse se distrair um pouco.
- Esse Harry Potter é realmente estranho... que tipo de pessoa passa o Natal no castelo?!
Oliver olhou-me com significância. Mas não era como das outras vezes. Era como das poucas vezes... aquelas onde sempre são para me repreender. Odeio aquele olhar.
-
No jantar, alguns informavam aos seus amigos aonde iriam passar o Natal e Ano Novo, outros os convidavam e muitos poucos diziam sobre sua falta de planos para as férias.
Mel sentia-se confortada com a possibilidade de viajar com o namorado e tentar melhorar o que não ia nada bem. Talvez as coisas melhorassem e aquele fiozinho de esperança ainda existia, e este sentimento era o que não a deixava pensar no pior.
O namoro dos dois ia muito bem, com discussões bobas e reconciliações calorosas (como o usual), até que com a derrota para a Corvinal e o espírito muito competitivo da ruiva, tudo começou a decair. Cedric sempre havia sido uma pessoa conformada. Mas não conformada daquele tipo folgado/conformado. Não. Ele era do tipo de pessoa que realmente sabe quando perde, e sabe reconhecer e dar o devido valor aos outros. Já Mel era uma inconformada.
Resultado? Choque.
Mas esse choque era comum. Todos já estavam mais do que acostumados ao presenciar uma briga entre o casal. Mas ultimamente, era isso que não estava acontecendo. Eles simplesmente pararam de brigar, pararam de se comunicar.
Ainda se comportavam como namorados, mas era uma pura relação de fachada. Ela já não sentia mais aquele fogo ao beijá-lo, mas tinha a certeza que ainda o amava. Já ele não sentia mais tanta necessidade de estar ao lado da ruiva, e passou a preencher seu tempo com outras atividades e outras pessoas. E assim era como andava o relacionamento de um dos casais mais 'conhecidos' do colégio. Mas mesmo assim, a idéia do fim atormentava as idéias de ambos. Foram dois anos juntos. Anos maravilhosos, que por mais brigas e conflitos que houvessem tido, não poderiam ser apagados, pois as lembranças felizes ainda prevaleciam.
O garoto, como andava afastado, decidiu comer sua refeição ao lado dos colegas de classe, coisa que não fazia há muito tempo, porque desde o namoro, passava a maior parte de seu tempo com Mel, e suas amigas.
Não agüentando aquela angústia, a Lufa-lufa se aproximou do namorado, e sorrindo simpaticamente para seus colegas (afinal, todos se conheciam muito bem), Mel se pronunciou:
- Posso roubar o amigo de vocês por um segundo?
Todos sorriram simpaticamente de volta. Alguns sem graça (estes, os amigos mais próximos do moreno, pois estavam a par de toda a situação) e outros com imensa simpatia.
- Claro. – falou Ernesto MacMillan sorrindo.
- Obrigada.
Cedric levantou-se, despedindo-se dos amigos e saiu do Salão logo atrás de Mel.
Logo no Saguão de Entrada, a ruiva olhou-o com pesar, e ele apenas a mirava num misto de carinho e confusão.
- O que está acontecendo com a gente Ced?
- Eu não sei...
- Eu não quero que isso acabe. – disse com a voz já embargada.
Cedric nada falou. Aproximou-se da garota e acolheu-a em seus fortes braços, prensando-a contra si. Mel levantou a cabeça, mirando os olhos dele, que num ato de carinho, encostou seus lábios aos dela.
Apesar de sentir-se mais confortada, Mel não achou que aquilo era suficiente, e precisou ter a certeza de que ele queria mesmo tentar.
- Você quer mesmo viajar conosco?
- Quero Melanie.
Melanie... ele nunca a chamava de Melanie. Com certeza algo vinha mudando, e tudo aquilo não lhe trazia um sentimento bom ao coração. Aquela viagem seria decisiva, querendo ou não.
-
- George... – ela chamou em um tom doce.
- Hum... – murmurou ele.
Olhou-a com ternura, deitando-se na cama, pondo todo o peso de seu corpo sobre aquela frágil e delicada garota. Sua respiração já era pesada, e seu hálito quente batia no pescoço dela arrancando leves gemidos. Já se encontrava afogado naquele mar negro e sedoso que eram seus cabelos, e sorria como se aquele fosse o dia mais feliz da sua vida.
- Te amo, te amo, te amo... – e enquanto falava, já ia atacando o pescoço da garota com beijos e mordidas.
Aquilo tudo lhe fazia cócegas e ela ria com todo o gosto. Parecia estar tão feliz quanto ele, tanto, que isso transparecia no grande sorriso em sua face. Ria pelo nariz, e já tinha o rosto todo vermelho e a respiração ofegante, enquanto o ruivo atacava as partes descobertas de roupa em seu corpo.
- Seu bobo! Hahahhahahah...
As carícias foram tomando uma conotação mais sensual, quando o ruivo já avançava para o colo da garota. Começou a desabotoar sua blusa e sem quebrar o contato que estabelecera com aquelas incrivelmente belas íris cinzentas. O brilho nelas contido parecia refletir o de seus próprios olhos e o encantou ainda mais. Esse brilho era estranho e ao mesmo tempo confortante. Não, não confortante, era... excitante.
Ainda olhando-a fixamente, ele subiu, mirando agora seus olhos de cima. Passou a movimentar-se levemente, e totalmente excitado, percebeu que ela seguia seus movimentos. Beijou com paixão e desejo aqueles lábios rosados que possuíam um sabor indescritível, e tal gesto arrancava suspiro de ambos.
- Sophia... eu...
Parecia não ter palavras, e após segundos de incômodo silêncio, onde um já olhava para o outro com certa timidez, George decidiu voltar a falar. Não sabia muito bem o que falaria, mas decididamente não queria assumir o tom púrpura que já tomava conta do rosto da garota.
Num impulso, ela o beijou com ardor, e aquele desejo ferveu dentro de si. George a queria naquele momento. Queria poder conhecê-la a fundo, amá-la de uma forma única, conectar-se a ela e estabelecer uma ligação que jamais se quebrasse. Sentia seu corpo tremer, a atração era forte demais, e ele já tinha os braços dela em suas mãos, que os apertavam com firmeza, tamanho era o desejo. Sophia gemia abafadamente, com o corpo totalmente mole, propenso aos desejos dele. Tinha a cabeça apoiada em seus ombros e seguia os movimentos que ele coordenava. Queria tanto quanto ele tudo aquilo.
Seus corpos já suavam, e eles já praticamente despidos, trocavam caricias e palavras, que pareciam estimulá-los a continuar. As peles em contatos, trocavam calor, e os dois suspiravam em uníssono, aquilo era perfeito. Sentiam-se plenos. Num gemido singular da morena, George abriu os olhos para observá-la.
Sua face contorceu em dúvida, ao mirar a garota que tinha um ar meio assustador.
Sophia sorria malignamente, e seus olhos, antes graciosamente grafites, agora encontravam num tom vermelho-sangue, tremendamente sinistro. Era medonho, na verdade. Ela parecia possuída ou algo assim.
Com o cenho franzido, o ruivo se aproximou, tirando fios de cabelos que encontravam-se grudados na testa suada da garota.
- O que houve com você?
Sophia gargalhou sinistramente, ainda ostentando aquele ar maligno, e um brilho psicótico nas íris incomuns.
- Sophia...?
- Idiota! Ela nunca te amará! – disse uma voz etérea saída da boca da morena, como se ela mesma houvesse proferido aquelas palavras.
- Seja lá quem você for, deixa ela em paz! Vai embora! – gritou em desespero, agarrando e sacudindo a garota pelos braços.
Sophia fechou os olhos e ao abri-los novamente parecia um pouco zonza, mas suas íris encontravam-se grafites, para o alívio do ruivo. George olhou fundo em seus olhos, abraçou-a forte contra si e soltou o ar lentamente.
A sonserina permanecia dura, sem fazer qualquer movimento. Ao ser envolvida pelos braços do rapaz, um sorriso cortou a linha de seus lábios, e no canto deles o sorriso foi se formando, assumindo o mesmo ar cruel de quando parecia estar 'possuída'. Ainda no abraço, aproximou os lábios ao ouvido do garoto e sussurrou:
- Então eu tenho de ir.
George arregalou os olhos, suando frio e sentindo ser sacudido.
- Acorda George! Acorda!
-
N/A: Gente, eu sei que eu sou uma péssima pessoa e que possivelmente todo mundo está de greve de mim e não vai ler mais a fic. Mas desculpa! Eu tive problemas na faculdade (aquele demônio que não me dá férias x.x), bloqueio mental (não consegui escrever nada por dias), mas finalmente consegui terminar o capítulo. Não fiquei muito satisfeita com ele, mas acho que não está de todo ruim.
Eu não tinha a mínima idéia pra um título, e coloquei esse daí. Mas não tem nada a ver com quadribol vê se vocês entendem a minha lógica: Balaços são coisas desagradáveis, assim como brigas, e o que eu tentei explorar nesse capítulo foi o lado de crise de todos os namoros e tal aqui, então chuva de balaços até que não foi um título tão ruim assim... foi/:
Enfim... espero sinceramente que vocês tenham gostado do capítulo. Mils (é, mils!) desculpas novamente. Ok? Agora vamos as reviews...
Nanny D.: A Mel é linda, é poderosa, é magnânima... é sim! A Mel é uma personagem imensamente boa de se escrever. Brigada pelos elogios meu bem, e espero que tenha gostado desse demônho de capítulo x.x Beijo.
Bia W. Malfoy: Sinceramente nem eu sei qual eu apoio mais! Minha intenção no começo tá totalmente arruinada pelo maldito Oliver ser tão fofo, mas o George é minha paixão. Então você já entendeu... estou num dilema dos infernos! Hahahaha... Tipo, coloquei a Mel ciumenta exatamente porque não consegui achar outro meio de desfalcá-la em certos ângulos, mas é uma ótima personagem e como você disse, todo mundo tem defeitos. Sophia é louca... é louca! Hahahah... Tomara que tenha gostado do capítulo novo. E ah... eu também ADOREI a tua fic, espero que atualize logo. Beijos e muito obrigada pela review, Bia.
VolkDiva: Obrigadíssima pela review e pelo elogio Volk, que bom que gostou. Beijos.
Nanetys: Nane! (posso te chamar de Nane? #) Bom, brigada pelo seu mega elogio, mas eu já acho que não é pra tanto (e juro que não é cú doce!). Como eu disse, eu não fiquei tão fã desse capítulo, mas acho que ele não ficou tão ruim assim, até porque... ah sei lá x.x E esse clima entre a Sophia e o George... ahm... er... você vai ver ;) Hahahah... Beijão, e tomara que você tenha gostado do capítulo (e que não tenha me abandonado pela minha imensa demora :).
Line Malfoy: Ah, muito obrigada por ter lido Line, e mais ainda por ter gostado e pelos elogios. Tomara que tenha se dado bem no vestiba, mas tipo, não é querendo ser chata... mas quando você passa só piora (¬¬). Veja o meu exemplo, deixei minha fic linda na mão por umas três semanas por causa daquela maldição (u.ú). é... todo mundo diz que eu sou um amorzinho... usdhsaiudhiaushd. Enfim... obrigada mais uma vez e desculpas mils pela demora. Beijão.
Então é isso aí galera... capítulo novo, e um pouco ruimzinho, mas é capítulo novo! (sempre vejam as coisas pelo lado bom:D) Provavelmente capítulo novo na semana que vem. Beijos e até lá!
