N/A: Gente... mil desculpas! Eu fiquei um tempinho sem internet porque me mudei e depois ocorreram algumas coisas e acabei adiando muito a postagem do novo capítulo! Espero que voltem a ler... :

Beijos!

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4° - Gordos!

Acordamos bem cedo. Bem cedo? Bem cedo uma ova! O combinado era estarmos todos prontos no máximo às cinco, para irmos tomar o café da manhã com calma e em seguida chegarmos em Hogsmead, onde o Expresso de Hogwarts partiria às oito da manhã.

E lá estávamos nós, às sete e meia, ainda no Salão Principal vendo a Mel decidindo o que iria comer. DECIDINDO? Mas que diabos! Nós estávamos atrasadas e aquela ruiva dos infernos decidindo o que ia comer.

- Ai Sophs, relaxa... – falou, confortavelmente sentada no banco da mesa da Lufa-lufa, examinando as travessas de comida.

- Melanie! – berrei. – Nós já estamos atrasados!

Mel olhou com significância pra mim, levando os olhos até o Oliver, e logo após para o Cedric. E eu bufei.

Deixe-me esclarecer o porquê. Oliver conversava animadamente com aqueles gêmeos estúpidos, e o resto do time de quadribol, exceto o Potter. Acho que ele deu uma esticadinha na soneca... mas enfim, meu ponto é que, nem meu próprio namorado estava dando o exemplo! Além do Oliver, o Cedric também estava animadinho demais rindo e conversando com os amigos dele da Lufa-lufa. Homens! Argh... a Ella sim... essa estava do meu lado, e tinha se mantido no horário. É por isso que eu gosto de corvinais mais até do que acidinhas.

É, eu gosto de acidinhas... qual o problema?

Então. Estávamos atrasadíssimos, ainda no Salão Principal, quando a Mel terminou sua refeição e partimos rapidamente para a entrada do castelo.

Lá já estavam dispostas as carruagens que nos levariam até a estação de Hogsmead. Muitos alunos do primeiro ano, e de outros anos se amontoavam na entrada do castelo para pegarem logo uma carruagem, afinal, todos estávamos atrasados, com grande risco de perder o trem!

Bando de palermas!

Sei que fiz jus a minha posição de monitora, e coloquei uma ordem naquela bagunça, mas lógico que para o meu proveito. Em pouco mais de cinco minutos, organizei uma fila dupla de alunos para que entrassem na carruagem e todos se livrarem daquele inferno congestionado. Lógico que os primeiros a subir nas carruagens fomos nós, e ai de alguém se se atrevesse a abrir a boca. Mas enfim... fomos um pouquinho apertados, afinal as carruagens são feitas para o transporte de 4 pessoas, e como somos dois casais, mais a nossa preciosa amiga Ella, cinco. Mas ninguém se incomoda... não mesmo.

Assumo que o clima não estava tão legal quanto eu imaginei que estaria. Afinal, nós somos amigos! Pff... olha só, acho que isso está ficando muito comprometedor... Sophia Heaney falando uma coisa dessas? É, até eu estou me surpreendendo. Voltando... o clima estava terrível. Ahm, a Mel olhava pra mim, eu olhava pra Mel, da Mel pra Ella, a Ella olhava de mim pro Oliver, o Oliver olhava da Ella para mim e eu do Oliver pro Cedric, que definitivamente era o único que não olhava pra ninguém Ele, sentado ao lado da janela, ficava olhando para o caminho que percorríamos. Eu sinceramente senti meu coração apertado ao ver a Melanie olhando para ele e como é mesmo que se fala? Ah sim, ele não estava 'nem aí'.

Confesso que essa descrição foi um pouco confusa, mas tenta entender. A ruiva me olhava, e eu olhava pra ela, e dela eu olhava pra Ella, que correspondia o meu olhar e olhava pro Oliver, que olhava pra ela e logo depois olhava pra mim, que depois de olhar para ele, olhava para o Cedric que olhava pro matinho, neve e terra do caminho. Enquanto isso a ruiva olhava para ele e eu olhava para a ruiva, com o peito tão apertado, que eu cheguei a apertar o abraço do Oliver. Eu realmente tremi com a possibilidade daquilo acontecer conosco. Era tão... triste. E eu não estava disposta a ver uma das minhas melhores amigas assim (uma das? Falando assim parece que eu tenho trezentas ao invés de duas. Eu não sou normal. Definitivamente.).

Chegamos a estação de Hogsmead no que pareceu uma eternidade. Geralmente aquele percurso que a gente fazia em dez minutos (e eu tenho certeza que agente fez em dez minutos. Até porque se não tivéssemos feito, teríamos perdido o trem, já que ele estava partindo naquele exato minuto. Mas enfim... estou chegando a conclusão de que eu falo demais.), pareceu uma hora senão mais. Eu já estava me sentindo sufocada por toda aquela atmosfera, e dei graças a Merlin por sair dali.

Até porque, durante o caminho eu parei pra pensar num fato estranho que havia acontecido no café. Um dos Weasleys parecia tremendamente doente. É, ele ostentava um semblante muito cansado, e estava bem pálido. Mas não é que eu tenha reparado nisso, não. É porque aquele demônio ruivo ficou me olhando durante todo o tempo em que eu comia. E putz (eu estou falando putz, por Merlin!), é muito difícil comer com alguém te olhando tão fixamente. Bom, pra mim é, se pras outras pessoas não é, eu não entendo. E não venha me dizer que eu sou problemática... comer com alguém te olhando é extremamente desagradável. Então, como eu não tava agüentando mais, olhei pra ele, daí eu vi o quanto ele parecia adoentado. Sabe? Olheiras, olhos fundos, bem pálido... não sei, mas não tive uma sensação muito boa.

Por causa do clima e o tipo de coisas que ele me leva a pensar, eu dei graças ao chegar à estação.

Oliver chegou a me perguntar se eu estava me sentindo bem, ou se algo havia me chateado, pois eu estava 'séria demais'. Por favor! Como se eu fosse uma boba-alegre que vive sorrindo, 24 horas por dia. Eu esbravejei esse meu comentário, e ele apenas me olhou com uma carinha de cachorro assustado.

Entramos quase na hora da partida no trem e conseguimos uma cabine muito chinfrim. Ainda bem que não tive de ficar lá por muito tempo. É nessa e em outras horas que agradeço bastante por ser monitora.

Depois de algum tempo na cabine dos monitores eu, Cedric, Keith e mais uma monitora da Corvinal, saímos para checar as cabines de todos os que viajavam. Keith fez estranhamente questão de que eu prosseguisse com Cedric, deixando os dois sozinhos.

- Aí tem coisa. – falou Cedric, após deixarmos a cabine dos monitores, com um sorriso um tanto quanto forçado.

Vou ser honesta. Ele não estava com a mínima de vontade de viajar conosco, mas acho que tanto quanto a Mel, ele queria dar mais uma chance ao o namoro deles. Mas voltando...

Ele não parecia tão bem, tão disposto. Aquilo o estava cansando, e não só a ele. Pouco antes de sairmos da cabine que nos instalamos, Mel tinha um olhar tão triste, que acho que nunca a tinha visto tão infeliz em tantos anos de convivência.

Resolvi então não perguntar o que havia, porque apesar de saber, distraí-lo seria a melhor opção.

- Esse Keith não tem mesmo jeito. – ri um pouco.

Cedric então parou na minha frente com a sobrancelha um pouco arqueada, como se estranhasse o fato de eu estar sorrindo.

- Sophia... o que aconteceu?

- Como assim? – perguntei, um pouco ruborizada.

- O que aconteceu? De uns tempos pra cá você anda tão sorridente e...

- Feliz? – indaguei, parando para pensar pela primeira vez em muito tempo.

Era. Eu estava feliz! Eu andava sorrindo bobamente pelo castelo, ria das maiores besteiras, onde estava a verdadeira Sophia Heaney?

- É! – falou ele arqueando ainda mais a sobrancelha. – Acho que desde que te conheço, foram poucas as vezes que te vi sorrindo... e ultimamente o que eu não vejo mais é você séria.

- Acho que é... – respondi distraída.

- Pois é... – disse ele me trazendo de volta a terra. – A velha Sophia já teria ralhado comigo e saído com raiva.

- Ahm... – resmunguei, logo fechando o semblante. – Não comece Diggory.

Ele riu e logo em seguida falou:

- Devo dizer que você fica muito mais bonita com um sorriso no rosto. – e passou a mão pelos cabelos.

Eu novamente senti aquele tremelique e estranhamente minha boca começou a salivar.

- Eu sou linda de qualquer jeito.

O virei para a frente e voltamos a andar. Ele rindo, e eu com um leve sorriso no canto dos lábios.

-

- Eles estão demorando demais! – disse Mel, andando de um lado para o outro na cabine.

- Acalme-se Melanie... eles já estarão de volta. – falou Oliver já cansado de ver a garota andando de um lado para o outro.

Já estava na hora do almoço e não haviam recebido sinal de vida de Sophia e/ou Cedric. A ruiva, desde as dez horas, já se questionava preocupada pelos dois.

- Eles disseram que estariam aqui logo. – disse, finalmente sentando-se.

Oliver nem se deu ao trabalho de agradecer a Merlin por aquilo, porque logo em seguida ela levantou-se de novo, como havia feito outras quatro vezes durante a viagem que mal havia começado.

Era como se houvesse algo no assento, que não a deixava ficar sentada. Na verdade, aquela inquietação estava tirando a paciência do Grifinório, que lançava olhares cansados à outra garota que se encontrava na cabine. Ela apenas lançava-o um olhar calmo, e ria, olhando para a amiga agitada.

- Mel... calma, eles estão vindo.

- Você me disse isso há uma hora atrás Ella.

Ella novamente riu, e recostou-se no banco, voltando a ler sua nova edição do Profeta Diário.

- E aí? Alguma coisa sobre Sirius Black? – perguntou Oliver depois de algum tempo de silêncio, e várias voltas de Melanie pela cabine.

- Não... nenhuma. – respondeu, olhando do garoto para o jornal novamente.

Com o silêncio que se instalara na cabine, os passos de Melanie se faziam ouvir, o farfalhar das folhas do jornal que Ella lia, e Oliver começou a sentir o sono chegar, embora seu estômago já roncasse de fome. Ao longe, o sininho do carrinho de comida trazido pela bruxinha gorducha era ouvido, levando muitos alunos a porem as cabeças para fora e prepararem seus bolsos para a compra de guloseimas.

O som do sino se aproximou, e preguiçosamente Oliver levantou-se, encaminhando-se para a porta da cabine, mas não sem antes segurar Mel pelos braços e sentá-la forçadamente.

Com um sorriso satisfeito ele abriu a porta da cabine e esperou a bruxinha aproximar-se dali. Virou-se atenciosamente para as duas e perguntou-as:

- Vão querer comer algo?

- Sim sim... – disse Ella com um sorriso doce. – Vou querer duas tortinhas de abóbora, três pedaços de bolo de caldeirão, uma caixinha de feijõezinhos de todos os sabores, quatro acidinhas, e ahm... três ratinhos de sorvete. – e sorriu um tanto quanto corada quando percebeu que Oliver a olhava risonho.

- Que apetite. – e sorriu simpaticamente.

- E você Melanie? Não vai querer nada?

- Ahm? – indagou distraída. – Ah... acho que vou querer um pedaço de bolo de caldeirão.

- Só isso? – perguntou espantado.

- Só...

- Mas isso não alimenta nem uma formiga.

Melanie olhou-o envergonhada, com as bochechas já púrpuras.

- É que eu estou de regime.

- Ah... não vem com essa. Você está linda. – e rapidamente seu rosto tomou um tom violento de vermelho.

Ele nunca havia elogiado as amigas de Sophia, e Melanie sentiu-se bem mais satisfeita ao ouvir o elogio. Sorveu vagarosamente o ar, e logo sorriu.

- Ah... então eu quero o mesmo que a Ella.

- Tá bom... – falou o moreno, ainda extremamente envergonhado.

A bruxinha chegou a cabine dos três com um sorriso satisfeito.

- O que vão querer crianças?

Oliver novamente corou. Não se acostumava com o jeito carinhoso de falar daquela curiosa e angelical bruxinha.

- Bem... vamos querer doze tortinhas de abóbora, quatorze pedaços de bolo de caldeirão, cinco caixinhas de feijõezinhos de todos os sabores...

E parou pensativo, enquanto as garotas olhavam-no espantados por vê-lo pedindo tanta comida.

- O Cedric gosta de acidinhas? – virou-se, mirando a ruiva.

- Ahm... adora. – disse, olhando dele para Ella que parecia ter entendido a razão de tanta comida.

Ele riu ao percebê-las um pouco espantadas e explicou:

- Estou pedindo comida para todos logo. Sophia me disse que viria almoçar conosco. – e sorriu virando-se para a bruxinha do carrinho de comida.

Mel finalmente olhou para Ella com entendimento, e sorriu.

- Então... vinte e duas acidinhas, dezoito ratinhos de sorvete de creme e ahm... cinco sapos de chocolate. – sorriu e foi passando para Mel as toneladas de comida que havia comprado.

A cabine já estava cheia de comida, quando a senhora entregou-o as cinco caixinhas de feijõezinhos de todos os sabores.

Ella e Mel já estavam pegando suas bolsas para partilhar a conta de milhões de galeões (sim, porque toda aquela comida deve ter dado uma conta estrondosa), quando Oliver balançou a mão em sinal negativo.

- Deixem... hoje é por minha conta. – e sorriu.

Ella achou aquele gesto tão 'fofo' que suspirou audivelmente. Mel levantou-se inquieta e disse:

- Não Oliver... isso deve ter dado uma fortuna. Não é justo pagar por tudo isso sozinho.

Quando Ella recuperou-se do 'transe' levantou-se também, concordando com Mel.

- Tem razão. Pagaremos com você.

- Mas isso não é nada meninas.

- é sim... – disse Mel, batendo o pé. – E mais, todos gastarão demais na França. Não é justo que você pague um almoço desses para todos nós.

Ella balançava a cabeça, concordando avidamente com tudo que a ruiva falava.

Vencido pelo cansaço, aceitou que as garotas dividissem a conta (que por sinal fora sim, muito alta) com ele.

Após a saída da bruxinha com o carrinho de comida bem mais leve, Oliver fechou a porta da cabine e se deu conta do quão apertada ela estava com tanta comida e os três em pé.

- Imagina a Sophia e o Cedric aqui dentro ainda. – falou, já pegando um pedaço de bolo de caldeirão para si.

As garotas acompanharam seu gesto e já se deliciavam com as tortinhas e bolos de caldeirão, quando Sophia e Cedric chegaram a cabine, parecendo descontraídos.

Os dois se entreolharam ao ver tamanha quantidade de comida em uma só cabine.

- Vocês trouxeram a cozinha de Hogwarts pra cá? – perguntou a morena, surpresa.

- Não. – falou Ella risonha, com os olhos encolhidos e a boca cheia de bolo.

Todos riram, com exceção de Mel, que parecia feliz com tudo aquilo, mas ao ver Cedric, toda a sua animação sumiu.

- Bem... – disse Oliver para tentar contornar o momento incomodo durante a troca de olhares entre os namorados. – Soph... venha. Comprei bastante acidinhas.

Sophia bateu a palmas das mãos freneticamente, com um largo sorriso no rosto e os olhos angelicalmente encolhidos. Passou com cuidado por toda a comida espalhada no chão da cabine e sentou-se no colo do namorado que estava sentado ao lado da janela.

Ao entregá-la uma guloseima, foi presenteado com vários beijos estalados. Sophia parecia uma garotinha feliz, que bem, havia ganhado o melhor presente do mundo, seu doce preferido (o que basicamente era o que acabara de acontecer, exceto pelo garotinha).

A viagem tinha tudo para ser perfeita. Todos almoçavam harmonicamente, pois com o tempo, o clima estranho entre Mel e Cedric tinha se desfeito, e já saboreavam as guloseimas abraçados, Sophia ria com as brincadeiras de Oliver e Ella ria devido as cócegas que Sophia e Oliver faziam nela.

Já era tarde e começava a escurecer quando Oliver comia seus últimos e amados ratinhos de sorvete e Sophia ainda se deliciava comendo aos poucos suas últimas acidinhas.

Enquanto todos se sentiam três quilos mais pesados, e no chão, além dos farelos de tortinhas de abóbora e bolo de caldeirão, caixas de feijõezinhos de todos os sabores e ratinhos de sorvete, encontravam-se os cinco, com tamanha de preguiça de levantarem-se e prepararem-se para o desembarque.

- O trem deve estar um caos. – disse Cedric, olhando para um preguiçosa Sophia.

- Pois é... – retrucou ela, que se encontrava sentada, confortada no peito de Oliver, olhando para a parede.

- Nós devíamos ir ajudar os alunos do primeiro ano...

- Também acho... – falou novamente sem nenhuma animação sentindo-se estupidamente empanzinada.

- Então vão logo oras! – disse Ella, totalmente alerta devido a tanto açúcar no seu sangue.

- Ai... eu disse pra você não comer aqueles sapos de chocolate Ella.

- Culpa do Oliver! – disse a sonserina, acordando o namorado que dormia tranquilamente.

- Culpa minha? Que que eu fiz? – perguntou inocentemente, ainda bocejando.

- A Ella comeu açúcar demais. – falou Cedric, levantando-se preguiçosamente do colo confortável da ruiva que lhe fazia carinho nos cabelos.

- Você também tem que ir? – perguntou Oliver com um biquinho, ao sentir Sophia tirando seu peso de cima dele.

- O dever me chama...

E com essa frase todos caíram numa audível gargalhada.

- Iiiihh... não vi graça. – resmungou fechando o semblante.

Oliver levantou-se, abraçando-a pela cintura e beijando-lhe o pescoço, arrancando risadinhas da morena mal-encarada.

Cedric abaixou-se, beijando com carinho os lábios da namorada, fazendo-a se sentir confortada com tal carinho.

Quando os dois cruzaram o portal da cabine Ella falou:

- Voltem logo sim? Para descermos todos juntos.

- Ok. – gritou a morena já longe da cabine.

-

Cedric e Sophia andavam calmamente pelos corredores do trem, garantindo que todos estavam devidamente comportados e preparando-se para o desembarque.

Passando por uma cabine com estudantes do terceiro ano, deparou-se com dois garotos estupidamente grandes para suas idades (diga-se de passagem, grandes em todos os aspectos!) guardando a porta para qualquer um que passe pelo corredor não pudesse ver o que acontecia no interior.

- Dá licença. – falou Sophia para os dois.

- Não. – falaram em uníssono.

A morena revirou os olhos. Aqueles garotos eram tão estúpidos que um tronquilho tinha um QI mais avançado do que os dois juntos.

- Meus queridos... eu sou monitora, deixem-me passar.

- Não! – e se juntaram mais ainda.

Sophia teve a visão das duas barrigas gordas, juntando-se, tornando-se quase uma, e todo o conteúdo do seu almoço de repente revirou em seu estômago.

- Eles não vão sair Sophia. – disse Cedric calmo, mas olhando-os desafiadoramente.

- Eles têm de sair. Nós somos monitores e nossa obrigação é olhar cada cabine e nos certificarmos de que todos estão comportados e prontos para desembarcarmos na King's Cross. Portanto... se alguém estiver fazendo coisa errada aí...

Nesse meio tempo Sophia estava certa de que os 'guarda-costas' da cabine já tinham dado algum tipo de aviso para os infratores do interior, pois era impossível que fossem tão estúpidos assim. Além do que, eles já suavam tanto que seus rostos já estavam brilhando tamanho era o nervosismo.

- Nós não podemos fazer nada... lembra? Estamos de férias. – disse Cedric inconformado por não poder puni-los como mereciam.

- Isso não importa! – esbravejou a morena. – Abram essa porcaria. Agora! – rosnou.

Não demorou mais que dois segundos e ela afastou os dois garotos e irrompeu a cabine, vendo um casal de 13 anos um tanto quanto descompostos.

- Olha o que temos aqui. – disse maliciosa pondo os dedos no queixo e olhando em seguida para Cedric que estava vermelho de vergonha.

- Heaney... – disse uma voz particularmente arrastada.

- Malfoy. – sorriu ainda maléfica.

Sophia deu uma volta sem sair do lugar, observando tudo satisfeita.

Uma garota morena tinha seus cabelos desgrenhados e os botões da blusa abotoados erradamente. Draco Malfoy por sua vez, tinha sua calça de linho de melhor qualidade, com a braguilha totalmente aberta deixando a mostra sua samba-canção de seda verde esmeralda.

Amorena não resistiu a uma risada e sentando-se no banco da cabine, olhou para Cedric que continuava extremamente envergonhado.

- Ora Diggory... por favor! – reclamou, puxando-o pela calça, forçando-o a se sentar.

Desajeitadamente, Cedric caiu no banco, e logo depois ajeitou-se. Sophia mirava maliciosamente o casal, e o moreno ainda não entendia muito bem o porquê dos dois estarem ali perdendo tempo se não poderiam aplicar detenções aos garotos.

Depois de alguns minutos desconfortáveis, sendo mirado por todos aqueles sonserinos, Cedric desfez o silêncio, virando-se para Sophia num cochicho.

- Será que dá pra sairmos daqui?

- Tá bom... – disse a morena, dando-se por vencida, mas com um sorriso bastante satisfeito no rosto.

Draco Malfoy também exibia um leve sorriso no canto dos lábios, bastante malicioso.

- Não sei do que está rindo Draquinho... isso ainda não terminou. – sorriu para todos, e saiu logo depois de Cedric.

O loiro permaneceu com a boca aberta por alguns segundos, pasmo do atrevimento daquela garotinha insignificante.

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- Mas por que diabos demoraram tanto? – perguntou Ella, já um pouco corada.

Eu fiquei tremendamente bestificada ao ver a Ella naquele estado. Sempre tão controlada, tão...

- Calma... o que houve?

- O que houve? – foi a vez da ruiva gritar nos meus ouvidos. – Foi que nós seremos os últimos a saltar do trem por causa do atraso de vocês dois!

- Mas o que é que você está falando?

- Olhem para fora!

- Que bobagem Mel, nós acabamos de passar pelo corredor, e estava vazio vazio... – disse Cedric tranqüilo, que assim como eu, estava de costas para o corredor.

Oliver, que olhava pra mim com encanto, ao ouvir o que Cedric disse, pigarreou alto olhando para o exterior da cabine. Eu virei-me desconfiada e do nada, é do nada (!), o corredor estava abarrotado de pirralhinhos loucos para descer do trem.

Continuei com uma expressão de confusão (pelo menos era assim que eu achava que estava), com uma das sobrancelhas erguidas, tão intrigante, que fiz com que Cedric se virasse e mirasse a mesma coisa que todos já viam.

Não deixei de perceber que o seu queixo caiu levemente, afinal, nós estávamos na cabine a menos de dois minutos, e o corredor já estava tão cheio de gente, que haviam alunos com as bochechas grudadas no vidro da nossa cabine.

Sentei-me no banco da cabine, como se estivesse me rendendo. Na verdade eu não me sentei, eu me larguei de qualquer jeito (ai minhas aulas de etiqueta...) no banco ao ver tanta gente competindo por um mísero espaço naquele corredor.

- Nós vamos ser os últimos a sair desse trem. – disse em tom choroso.

- Nem me fale... – falou Cedric, tão surpreso que seus olhos ainda estavam presos na porta da cabine.

Mel sentou-se no chão parecendo bem mais calma, enquanto a Ella retirava as malas do porta-malas e colocava-as no chão um pouco insatisfeita.

Cedric sentou-se entre as pernas da ruiva e em pouco tempo, Oliver, ele e Mel estavam jogando snap explosivo enquanto esperávamos todos descerem.

Ella permanecia em pé, com a cara fechada, batendo os pés freneticamente, numa tentativa de chamar a atenção de todos.

Eu, com todo o meu amor e carinho (como você bem já conhece) olhei para ela e recebi um furioso olhar vermelho. Assumo, aqueles olhos da Ella assustam a qualquer um! Mas bem, olhei para ela, e com um sorriso bobo no rosto falei ironicamente:

- O que houve Ellinha?

Eu não sei porque, mas acho que estou ficando boba, meio abobalhada... eu hein.

- Ellinha? – perguntou a Mel, já risonha.

Ella fuzilou a mim primeiro (lógico!) e depois a ruiva que parou de rir no mesmo instante.

Deixei ela mais brava, eu sei. Mas pelo menos isso fez com que ela parasse de bater os pés no chão. Aquele som já estava me enlouquecendo. De verdade!

Enfim... depois do que pareceu uma eternidade, e meus cabelos fedendo a pólvora, nós conseguimos sair daquele cubículo. Acho que graças a esse episódio eu agora tenho claustrofobia adquirida. Sério... não consigo mais ficar em um lugar pequenininho por muito tempo.

Voltando...

Quando finalmente saímos, o tempo pareceu ficar ainda mais frio ao cruzarmos a barreira para a King's Cross dos trouxas. Chovia bastante, e o céu escuro estava totalmente coberto por nuvens cinzentas.

Abraçada ao Oliver, nos dirigimos até o carro, seguindo a Ella, a Mel e o Cedric, carregando todas as nossas malas em um único carrinho.

Encontramos os pais de Ella ao lado do carro, que devo dizer, apesar de já ter visto alguns nos noticiários bruxos do Profeta, são bem estranhos. Voltando... os pais da Ella, com a calmaria nas feições do rosto, que passaram para a filha, estenderam os braços ao vê-la ao longe. Ella abraçou os pais, apresentou os meninos para eles (que ficaram vermelhos como pimentões assados de vergonha) e então nos liberaram para a viagem.

Um tanto quanto ensopados e com os sapatos cheios de água mais tarde, devido a chuva torrencial daquele dia, foi meio (não foi meio, mas como eu estou numa fase de brisa, leia-se: legal demais, eu digo que foi meio ao invés de totalmente.) desagradável ter que me espremer no carro com aqueles garotos gordos (sim, gordos!) no banco de trás. O frio estava quase nos matando, mas depois de algum tempo, já no carro, a atmosfera começou a ficar tão abafada, que ao olhar-me no retrovisor, minhas bochechas estavam tão vermelhas quanto um morango silvestre. Olhei sem graça (eu? Sem graça? Pois é, pra você ver como estão as coisas nessa fase de brisa) para os meninos que pareciam estar tão vermelhos quanto eu, se não mais, e tão desconfortáveis quanto eu.

Ella e Mel que estavam folgadas nos lugares da frente do carro, estavam cantando, felizes da vida. Miseráveis.

De repente, Ella deu um grito estridente que quase (e isso não é um dos meus comuns exageros) me deixou surda! Eu os tapei imediatamente e ao ver que ela já falava, tirei meus dedos, destapando-o, podendo ouvir o que aquela baixinha falava. Ainda com um som fino e insuportável nos meus ouvidos, pude ouvir que ela estava desesperada com a pouca reserva de zagolina (não sei o que isso quer dizer) e que teríamos que parar num posto para abastecer. Pra mim, aquilo tudo era maluquice, mas enfim...

Assim que chegamos no tal posto, soube que era uma estação de abastecimento de Gasolina para os carros dos trouxas. (Tudo explicado então não?) Então... assim que pude sair daquele grande aperto, fui para a pequena lojinha de conveniência no posto e comecei a procurar algo gostoso para comer, mas advinha? Não havia UMA singular acidinha pra matar a minha vontade... eu deveria ter guardado algumas do almoço.

Me contentei com um cachorro-quente, uma comida bem estranha, com uma carne avermelhada bem suculenta, estranha, mas gostosa. E um refrigerante... não sei, mas era tão gaseificado, que lembrou-me uma poção que tomei quando era pequena, anti-constipante. Depois de satisfeita, voltei ao carro, e ainda do lado de fora, ao ver ao Mel bastante confortável na frente do carro, minha fase brisa passou e eu soltei um grito.

- Ah não! Dessa vez quem vai aí sou eu!

Mel deu um leve pulinho, pois não esperava pelo meu grito nem nos sete céus.

- Desculpa Sophs... não vai dar.

- Aaaahhh... eu vou fazer dar! - e lancei um olhar ameaçador (que pessoalmente, faria tremer a minha espinha se recebesse um daqueles).

- Calminhaaa...

- Nada de calma! Eu aguentei por mais de duas horas espremida nesse carro apertado, entre esses dois gordos!

E eles então olharam-me indignados e depois olharam um para o outro para analisar suas silhuetas. Viraram-se com um susto ao ouvir mais gritos meus, e da Melanie, que também já estava um tanto quanto alterada, mas não desgrudava do banco, encostada na janela abaixada, gritando comigo (e eu gritando com ela), chamando a atenção de todos no posto.

- Você vai sair daí agora!

- Não!

- Agora sua... sua... ruiva! - (nunca me faltaram chingamentos. como eu odeio essa fase brisa!)

Ela riu satisfeita, e em seguida, como se viesse de alguma profundeza maldita a Ella chegou ordenando todos a entrarem no carro, olhando-me furiosamente.

Mesmo sem querer, abaixei minhas orelhas e entrei novamente no carro, entre os dois obesos, recebendo carinhos do Oliver e dando bufadas em resposta.

Depois de algum tempo de silêncio absoluto no carro, Ella gritou:

- Você está doida Sophia?!

- Eu?! - perguntei, ainda surpresa com o grito da Ella.

- Não... minha avó!

- Peraí Ella...

- Perái uma ova! - (fui interrompida. Olha que audácia!)

- Aaahh... não vem não baixinha... eu tô aqui apertadíssima... enquanto essa ruiva tá aí no bem bom!

- Não tenho culpa se o seu namorado, - e olhou para Oliver pelo canto dos olhos. - o único bruxo maior de todos nós, não sabe fazer um feitiço expansor digno.

- É lógico que ele sabe...

- Se sabe deveria ter feito então. - disse ela, já virada para mim, me encarando com aqueles grandes olhos avermelhados inquisitores.

- Oliver... - falei, fechando os olhos, respirando fundo.

- Um segundo. - ele falou, depositando suas grandes e quentes mãos sobre meus ombros. - Ella, será que poderia parar o carro um momentinho?

- Tudo pra Sophia não reclamar mais.

Eu abri minha boca indignada, sem pronunciar som algum, olhando-a perplexa.

Não demorou dois segundos e o MEU NAMORADO executou o mais perfeito feitiço expansor.

Então foi só entrar no carro para sentir a diferença. Espaço! Essa é a melhor coisa do mundo! Não que eu seja uma pessoa gorda e não caiba em nenhum lugarzinho pequeno, mas vamos lá, nada como você ter espaço para se sentir confortável, se remexer o quanto quiser, sem ter que esbarrar com alguma bunda gorda. É ótimo!

E eu sei exatamente o que você está pensando. Eu não odeio gente gorda... e nem tenho nenhum preconceito também. Aliás, eu era uma pessoa gordinha quando criança (e era muito lindinha também). Mas de novo, isso não importa! O que importa é inteligência, caráter, bondade (não é ser mané... Mané?! A que ponto chegamos! Eu, Sophia Heaney, falando 'mané'! Merliiiin!). Ou seja, beleza interior. A pessoa não precisa ser deslumbrante por dentro para ser especial.

A partir do momento que aquele cheiro de mar penetrou minhas narinas eu fiquei totalmente extasiada. Não há nada a se comparar com o mar. Ella diz que Deus (como se fosse o nosso Merlin para os trouxas, o criador de tudo, do mundo e etc.) fez do mar uma de suas mais lindas criações. Mesmo não acreditando nesse tal 'Deus', acho que o mar é realmente algo superior, 'divino' como a Ella chamaria. Sei que ele me deixa relaxada, me faz bem quando mais nada está bem, aquela foto com mamãe e papai na costa da Inglaterra me fazem lembrar de um tempo tão bom, vejo minha mãe sorrindo, papai feliz com aquele brilho misterioso nos olhos. Nossa última viagem à praia antes da morte da vovó, depois, mamãe estava sempre deprimida, papai sempre sério, e logo depois desse infortúnio, o Lord corrompeu-os e desde então minha vida é um inferno. Saudade dos meus verdadeiros pais, saudades da vovó Marieta, saudade.

-

Chegavam ao porto, onde pegariam uma balsa para encaminharem-se finalmente até Paris, onde ficariam durante as festividades. O cheiro de maresia entorpecia a qualquer um dentro do veículo e encantava-os com aquela maravilhosa vista.

Oliver acarinhava a cabeça de Sophia, mas tinha os olhos grudados na janela, e ao mirá-la percebeu seus graciosos olhos marejados. Agora com o banco espaçoso, havia se distanciado minimamente dela e reaproximou-se abraçando-a carinhosamente. Depositou um leve beijo em sua testa e nada falou. Ela continuou na posição em que estava e não moveu um milímetro sequer seu corpo.

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Depois de algum tempo aguardando a balsa, os vários carros em espera subiram no grande barco, assim como o dos bruxos. Quando o veículo estava devidamente estacionado, Sophia que continuava em silêncio desatou-se dos braços do namorado, saindo do carro e se encaminhando para o parapeito da balsa.

Melanie estranhou a atitude da amiga, como todos do carro que se entreolharam no mesmo momento, fazendo bicos e dando de ombros em seguida. A ruiva olhou para Oliver que parecia confuso e um tanto quanto perdido com a atitude da namorada.

A bruxa saiu do carro e foi à procura da amiga pelo pátio da balsa, enquanto os outros continuaram no veículo. Ainda, antes de sair, lançou um olhar significativo para o namorado da amiga, mas ele não pareceu se manifestar. Não precisou andar muito e logo encontrou-a encostada num lugar mais isolado do barco encostada ao parapeito.

Sutilmente aproximou-se de Sophia que parecia estar hipnotizada com a beleza daquele oceano sem fim. Tocou levemente seu ombro, tirando-a de seu transe, e ao mirar seus olhos percebeu-os de uma tonalidade diferente. Estranhamente, os comuns olhos grafite da amiga estavam num tom azulado, vítreo, lembrando muito as íris de alguém que ela tinha certeza que conhecia, mas não se recordava no momento.

- Tudo bem? - perguntou num tom estranhamente sério.

- Tudo. - respondeu a morena numa voz etérea.

- Ahm... - disse constrangida com o clima.

Um silêncio se instalou entre as amigas, que de diferentes maneiras miravam aquele belo mar. Depois de algum tempo, a sonserina se pronunciou, num tom mais calmo, nada comum dela.

- É lindo não?

- Ahn? O que? - indagou a ruiva confusa.

- O mar...

- Ah sim... é lindo sim. Mas não sei, ele me deixa um pouco... - e pausou, como se procurasse a palavra exata.

- Melancólica. - completou a morena.

- Isso mesmo. - falou estalando os dedos.

Sophia mostrou um leve sorriso no canto dos lábios e Mel olhou-a confusa.

- Você está realmente bem?

- O que? - questionou confusa.

- Você, Sophia, está mesmo bem?

Ela estreitou aqueles estranhos olhos, enrugou grosseiramente a testa, juntando suas sobrancelhas e com um estalo entre os lábios, mostrou um sorriso extremamente falso para a amiga.

- É lógico que sim Melanie. Por que não estaria? - e riu novamente de um jeito totalmente falso.

A ruiva colocou o dedo no queixo, o que fazia quando geralmente estava pronta para dar razões óbvias para algo, e soltou um ruído.

- Talvez porque, de repente, assim, do nada (!), você ficou toda... ahm... melancólica, - e apontou para a amiga - estranha e ahm, sei lá amiga, triste.

- Eu não estou triste Melanie. - falou a morena em tom teatral.

- Está! Não é típico de Sophia Heaney ficar pendurada no parapeito de nada, olhando pro nada!

- Desculpa te decepcionar querida, mas não é nada disso que você está pensando.

Sorriu, e ia saindo quando Melanie puxou-a fortemente pelo braço, fazendo-a parar bruscamente. Sua mão em reflexo abriu-se e um pequeno pedaço de papel caiu ao chão. A ruiva, curiosa por natureza, pegou com agilidade o papel do chão antes da amiga e então abriu-o.

Uma foto em preto e branco magicamente enfeitiçada, mostrava um belo casal feliz. Uma mulher de cabelos negros e sedosos, com estranhos, intrigantes e profundos olhos claros, e um sorriso que reluzia com a luz do sol; o homem, alto e extremamente bonito, com os olhos de um tom grafite e com um brilho indescritível, encolhidos devido ao seu grande sorriso. O cenário era uma bela praia, ambos cobertos por casacos grossos de inverno, cachecóis, luvas e gorros para se protegerem do frio que era aparente, não só pelas vestes, pelo céu nublado. A foto retratava a alegria do belo casal, e a chegada de uma pequenina garotinha sorridente, assim como os pais, que se jogava no colo do pai, que a rodopiava no ar.

Melanie no primeiro instante não entendeu o que uma foto daquela poderia estar fazendo com a amiga, mas analisando melhor, percebeu que a sua amiga tinha os mesmos traços da mulher da foto, e que para não se dizer idênticas, as duas tinham olhos e trejeitos diferentes.

- Me devolve isso Melanie! - esbravejou Sophia.

- Quem são esses?

- Ninguém que te interesse. Agora me dá! - gritou nervosamente a morena sem um pingo de paciência.

E então Melanie notou melhor a garotinha da foto. Um sorriso tímido, mas feliz, covinhas nas bochechas, uma pele extremamente alva, olhos profundos e claros à beira do mar, e uma doçura no rosto, que mesmo depois de tantos anos e tanto disfarce, era impossível ela não notar. A garotinha da foto era Sophia.

- É você!

- Não pense besteiras Melanie!

- É você si... - e antes de terminar a frase Sophia tomou a foto de suas mãos.

- Você não devia se meter no que não lhe diz respeito!

- Nossa Sophs, é só uma foto...

- Não... não é só uma foto Melanie.

- Mas parece com uma... - e então percebeu que não era hora de fazer gracinhas.

Sophia começou a andar, na direção oposta de onde o carro estava. A ruiva confusa, correu desajeitadamente atrás da amiga alcançando-a rapidamente. Apoiou-se em seu ombro antes que perdesse o equilíbrio e torcendo para que aquele enjôo desconfortável passasse. Lembrou-se vagamente de sua chegada à Hogwarts no seu primeiro ano de ensino, quando vomitou na barca que Hagrid transportava até o castelo pelo belo Lago Negro.

Sophia continuou de costas para a amiga e logo em seguida sentou-se em um banco que estava bem a sua frente.

- Não entendo...

- O que? - indagou a morena impaciente já com uma resposta na ponta da língua caso a ruiva questionasse o conteúdo da foto.

- Como posso me sentir tão bem voando, e tão mal viajando pelo mar. É terrível.

- Normal... não gosto muito de voar.

- Não... meu estômago tá dando voltas! Um absurdo!

- Hm... preparo uma poção quando chegarmos.

- Tudo bem...

E antes que a morena pudesse respirar em paz, a ruiva voltou a falar:

- Mas então...

- O que...?

- Quem são as pessoas na foto? - perguntou a lufa-lufa com os olhos piscando angelicalmente.

- Ninguém importante Melanie.

- É claro que são! Senão, você não guardaria esta foto.

- Claro que guardaria... por que não?

- Tá, tudo bem... você guardaria... afinal, você guarda tudo, é incrível! - começou a tagarelar a garota, enrolando uma mecha de cabelo entre os dedos. E quando percebeu que já estava falando demais, voltou a se focar no assunto discutido. - Mas enfim, a questão é: você não a guardaria com você se não fosse importante.

Sophia bufou.

- Então... pode ir desembuchando...

- Desembuchando? Ai Mel, que linguajar hein?

Foi a vez da ruiva bufar. Sophia deu-se por vencida, mirando a foto com apreço. Respirando fundo e segurando o choro iminente, soltou com a voz embargada.

- São meus pais.

- Nããããão?! - cochichou Melanie impressionada.

- São. - disse Sophia com pesar.

- Tia Clara? Tio Theodor?

- Sim... mamãe e papai.

- Mas aqui eles estão tão...

- Felizes?

- É. - e a voz da ruiva murchou no mesmo momento.

- Acontece... - respondeu a sonserina desanimada.

Mel não sabia muito bem o que dizer. Não era tão óbvio que aqueles eram os pais de sua querida amiga, pois a única e última vez que os viu, a mãe ostentava um semblante sério e fechado, e não produzira som algum durante os três dias que Mel se hospedara na casa dos Heaney. O pai, ela apenas vira uma vez durante toda sua estadia, e esta foi suficiente para marcar bastante a imagem de uma pessoa dura e impassível. Comparando à foto, o belo sorriso naquele rosto sereno da mulher e toda a felicidade estampada nele, sumira; quanto ao homem, aquele estranho brilho radiante nos olhos foi coberto e com o passar dos anos totalmente apagado, deixando apenas um vazio cruel. Na verdade, ao contrário do casal da foto, que transpassava-a tranquilidade e serenidade, o casal do presente apenas lhe transmitia tristeza e um calafrio desagradável na espinha.

Decidiu não questionar à morena sobre o que havia acontecido de tão terrível para torná-los naquilo que eram hoje. Ela já parecia bastante mexida com todas as lembranças que aquela foto lhe trouxera.

Voltaram em silêncio ao carro e assim permaneceram até a chegada no destino final. França.

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Ao descerem da grande balsa, não percorreram uma grade distância até o posto de imigração. Com uma apatia profunda, Sophia entregou ao guarda fardado aquilo que os trouxas chamavam de passaporte. Estranhamente isso era necessário ao partirem de um país a outro. (Os trouxas, sempre complicando tudo) Assim como o dela, o de todos os outros viajantes foram checados e eles então foram liberados à entrada no país.

Passaram por muitas cidades do belo interior da França e com a chegada da noite e do cansaço, foram obrigados a instalarem-se numa pequena pousada para um descanso noturno.

Mesmo com toda a exaustão da viagem, Oliver que ainda não tinha se aproximado da namorada desde o episódio da balsa, colou seu corpo ao dela ao deitar-se na cama que dividiriam aquela noite. A morena permaneceu imóvel ao toque do garoto, como se estivesse dormindo, mas Oliver sabia que não estava, pois sua respiração acelerada à delatava.

- Eu tô aqui com você Soph. - sussurrou ele em seu ouvido.

E o silêncio continuava a cortar o quarto em que todos eles dormiam.

Permaneceu por alguns minutos fazendo carinhos em seu rosto, mas como continuava sem resposta alguma, o cansaço lhe venceu e ajeitou-se melhor para dormir.

Sophia continuava acordada. Não dormiu por um segundo e lágrimas silenciosas molharam seu travesseiro durante toda noite.

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Enquanto isso em Ottery St. Catchpole...

- Me dá isso Fred! - gritava a caçula Weasley, correndo freneticamente atrás de seu irmão.

- LALAALALALAL Vem pegar Gininhaaaa!! - falou ele abanando no alto (onde ela não poderia jamais alcançar) uma calcinha de babados.

A ruiva grunhiu raivosamente, ficando vermelhíssima, assemelhando o tom de sua pele a cor de seus cabelos flamejantes.

- NÃO ME CHAMA DE GININHA!

- Gininha, Ginoca, Ginigulinha, Gininhazinha...

Gina berrou palavras indecifráveis, junto a um grunhido selvagem, olhando para o irmão de modo assassino.

- Me devolve isso seu retardado! - berrou a pequena novamente.

- Já disse pra vir pegar baixinha...

Gina voltou a correr atrás do irmão que corria um tanto quanto desengonçadamente, devido a sua altura e magreza. Por ser pequena e bastante ágil, Gina o alcançou rapidamente, segurando firmemente as pernas do irmão, que perdeu o equilíbrio, caindo em cima de seu outro irmão que se encontrava cadeira de balanço, bastante pensativo.

Com o susto, George voltou de seu transe bastante assustado sentindo as batidas fortes de seu coração. Ao olhar para a cena, viu Fred caído sobre seu colo com a face contorcida em desagrado, e Gina logo em cima dele com uma calcinha rosa de babados em suas mãos.

- Isso é pra você nunca mais mexer nas minhas coisas seu mongolóide. - disse ela, dando um forte tapa na nuca do irmão.

Sorriu para George angelicalmente, dando um beijo carinhoso em sua bochecha em seguida, e saindo de cima do outro irmão, subindo as escadas até seu quarto.

Fred ainda permanecia no colo de George, até ele limpar a garganta forçadamente produzindo um som forte chamando a atenção do outro gêmeo. Tocando-se do desconforto do irmão, ele se moveu de cima dele, sentando-se ao lado, no sofá. Ainda com a face retorcida, e George voltava a mirar o nada, distraído.

Fred, intrigado com a distração incomum do irmão, retorceu ainda mais suas feições, passando a mirá-lo confusamente. Ele estava dessa maneira desde que haviam chegado em casa há um dia atrás, mas já havia percebido as ações do irmão ainda em Hogwarts.

- O que tá acontecendo George? - perguntou o ruivo de repente.

- Ahn?

- O que tá acontecendo com você lerdo!?

- Lerdo?! Ahn? - indagou o outro ruivo ainda distraído.

- Se liga cara! Tu tá viajando?!

- Viajando? Eu? Pra onde cara?

- Foi você que pediu!

E sem mais avisos, lançou sua forte mão na cara do irmão, produzindo um barulho alto e deixando uma marca vermelha de sua mão no rosto do outro gêmeo.

George finalmente pareceu acordar, mas com uma expressão feroz no rosto, fuzilando o irmão com suas íris castanho-esverdeadas.

- Você enlouqueceu cara? Tá doido é?! - bradou o ruivo, levantando-se velozmente da cadeira.

- Po cara... eu tive que fazer isso... você tava lerdo demais! - disse Fred, pacificamente.

- E daí? O que que você tem haver com isso? Não dá pra me deixar em paz não?

- Me desculpa se eu te despertei do seu sonho meu rei. - falou sarcasticamente.

- Argh... quer deixar de ser idiota? Só tô pedindo meu espaço...

- Pois tenha o espaço que quiser!

O ruivo subiu as escadas resmungando, pisando forte nos degraus, produzindo um barulho alto dos pés de encontro a madeira velha.

- Por acaso essa casa está em guerra?! - gritou Molly Weasley chorosa da cozinha.

George enrugou a testa em confusão, levantando-se novamente da cadeira e se aproximando silenciosamente da cozinha. Sua mãe ainda estava falando sozinha, administrando os encantamentos da cozinha e inspecionando o almoço que preparava.

- Esses meninos... só vivem berrabdo, gritando, brigando... ah meu Melin, o que eu fiz pra merecer algo assim?! - disse de modo desesperado.

George sabia que era puro exagero, mas não dava para deixar tais coisas de lado, pois eles eram realmente 'peças raras' em termos de boa educação.

A senhora Weasley virou-se de olhos fechados e antes que o ruivo pudesse sumir dali, ela abriu seus olhos e o viu. De um estado de choque momentâneo, suas feições seguiram para um estágio de raiva extremo. Se aproximou do garoto com passos pesados, e ele imóvel de pavor, sentiu sua orelha queimar quando sua mãe a apertou com toda a ferocidade.

- É isso que eu mereço? Tantos anos de esforço e dedicação? Ver meus filhos, brigando feito animais? Todos se chingando, se socando e se azarando?! Você Fred... você e George...

- Ei... eu sou o George... - disse revoltado, ignorando a dor por alguns segundos.

- Ah... me desculpe meu querido... - falou graciosa, e rapidamente seu semblante tornando púrpura de ira. - Não importa! Vocês só me dão desgostos! Eu engoli a briga da Gininha e de seu irmão agora há pouco... e agora você dois se maltratando... logo vocês? Meus gêmeos?!

'Que dramalhão!', pensou George, mas novamente uma ponta de dor o afetou.

- Mãe... - disse ele, pacientemente, retirando a mão da mãe de sua orelha que já estava totalmente vermelha e quente. - Nós somos assim... até parece que não sabe os filhos que têm...

- Sei... mas eu daria tudo pra ter filhos normais! - disse ela já chorando.

- Mamãe... não posso prometer que vou me comportar, ou a Gina, ou até mesmo o Fred. Mas você sabe que nós te amamos, e que sempre apreciamos todo o seu esforço e o do papai.

- Eu sei meu filho... eu sei.

A senhora Weasley já estava com o rosto inchado e totalmente vermelho de tanto chorar, e ainda falava entre soluços:

- Ah meu filho... eu estou com tantas saudades do Ronald. Aquele desnaturado, quem já se viu passar o Natal longe de nós!

- Mamãe... não há nada de errado ele não querer vir, pelo contrário, ele quis ficar ao lado do Harry, isso demonstra muita solidariedade.

- Eu sei... mas ah... tantas saudades do Gui, do Carlinhos... do seu pai... sua tia tia Guilhermina... há quanto tempo não a vemos...

E durante quase uma hora George ouviu as lamúrias de sua mãe na cozinha da Toca.

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N/A: E aí gente? Po, to sem internet, por isso a eterna demora para a postagem do novo capítulo. Não é um dos meus preferidos, mas até que tá bomzinho (eu acho x.x). Espero que gostem, e deixem suas reviews para que eu possa continuar escrevendo essa fic de uma maneira legal.

Agora as respostas das reviews passadas...

Srta Pontas: O George está realmente apaixonante : Até eu to caidinha por ele! isahdiuhsa Bom... Brigada pelos elogios e ainda be,m que gostou. Beijão!

Wilson: Coisa marlinda xD Brigada pela review meu bem x) Espero que tenha gostado do começo das férias, mas ainda vai acontecer muuuita coisa:D Muitos beijos

nanetys: Economizou mesmo nos elogios hein? UIHAIHSUIHA Bom... brigada pela review linda, e tomara que você tenha gostado desse capítulo! Beijo beijo

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