Acho que nem o Harry nem o Rony entenderam muito bem o que tinha de tão "errado" no que a Alice Velth estava fazendo, eu já achava obvio. Depois de mais de uma hora dizendo pra eles que os Velth eram comensais da morte, eu só consegui demonstrar a gravidade de tudo isso comparando essa família com a Malfoy.
- Então ela está me ajudando, mas com o que? – perguntou o Harry
- Alguma coisa ligada com você-sabe-quem Harry, só sei isso.
Fomos para a aula, o Harry dormiu na aula do professor Bins, o Rony na de transfiguração e levou uma bronca da McGonagall por isso, a melhor aula do dia foi de Runas Antigas, mas nada de especial, só alguns bilhetes explosivos do Malfoy na aula de Herbologia pra uns alunos da Grifinória.
Tínhamos trabalhos de casa demais, estavam todos atrasados, ficamos nós três – eu, Harry e o Rony – até tarde na biblioteca pra terminarmos os trabalhos, a Luna nos ajudou falando umas coisas sobre Narguiles para um trabalho que valia pontos extras para o professor Flitwick.
Eu sempre -praticamente - fiz os trabalhos dos dois, mas esse ano eles estavam fazendo os trabalhos deles de verdade pela primeira vez, eu ajudava, mas era só ajuda dessa vez. A melhor parte desse dia foi - perto das 23 horas - eu estava sentada no meio do Harry e do Rony, a Luna estava sentada do lado do Harry, os dois estavam conversando, e ficamos eu e o Weasley, olhando um pro outro, sorrindo, só isso, ele tava coma mão na minha cintura e eu estava com a minha mão na mesa, ajudando ele a achar umas respostas no livro, o que pode até parecer bobo, mas bom, eu amava ficar perto assim dele.
Harry desistiu de fazer o trabalho da nota extra do Flitwick e subiu com a Luna bem rápido, não podiam ser pegos nos corredores essa hora. Fiquei mais umas 2 horas com o Rony lá.
- Então... Mione, essa hora, ontem – Rony estava vermelho, estava se referindo a gente se beijando.
- Porque você fez isso? – tinha que perguntar isso, precisava saber.
- Eu te disse...eu queria fazer isso a meses, eu precisava...eu preciso Mione.
- Alguém sabe Rony?
- Eu, eu não sabia se podia contar, nem ao Harry eu sabia.
Ele gostava de mim? Parecia, mas como? Não podia ser isso, parecia que não combinava com ele se apaixonar, mas não sei, ele estava tão diferente, principalmente comigo. E o preciso, ele ainda precisava me beijar. Eu estava feliz, demais até, mas mais confusa ainda.
Ronald Bilius Weasley, ele a cada dia mais, me deixava mais confusa, apaixonada e ansiosa. Ansiosa por saber se ele sentia por mim o mesmo que eu por ele, se nos beijaríamos de novo, quem sabe até nesse mesmo dia, ali na biblioteca, ou não sei, não sabia de nada, se eu deveria contar ao Harry, a alguém.
- Então, será que falta muito pra terminarmos o trabalho?
- Acho que já acabamos até.
Fui me levantando, pegando os livros, mas daí eu senti ele me puxar pra trás e chamar meu nome, olhei pra ele e ele me disse "Você vai continuar fingindo que nada aconteceu?" e em segundos eu pensei em milhões de respostas dentro da minha cabeça, milhões mesmo, e só o que me saio foi um "Não sei como agir"
- Eu tento ficar mais perto de você do que antes, tento de abraçar, falar mais com você, as vezes pego você olhando pra mim, e eu acho que alguma coisa vai mudar, mas não muda, você fica igual. Só eu mudei com você... eu paro pra pensar se aquele beijo não significou nada pra você.
- Significou! – falei meio estressada, como ele poderia pensar que não significou nada pra mim, significou tudo – Eu só não sabia... se tinha sido um beijo, ou se você sentia alguma coisa.
- Sinto ! Como você não vê isso! – ele estava falando alto, estressada pelo mesmo motivo que eu – Eu sinto sim! – ele ficou em silêncio por alguns segundo, e voltou a falar normalmente – Agora você sabe que eu sinto, mas o que isso vaio mudar?
- Eu não sei muito bem o que é sentir alguma coisa por alguém, nunca fui disso, não sei o que é se apaixonar, mas eu acho que eu... acho que eu gosto de você. Só não sei o que isso muda – fiquei em silêncio – pra você.
Ele estava sorrindo, e bom, o sorriso dele me fazia bem, bem demais, e nesse momento o sorriso dele significava tanta coisa que me fazia mais bem ainda.
- Muda tudo, muda minha vida, significa que eu posso contar pra todo mundo que eu te amo, que você... eu acho que me ama também, que eu sei que eu posso te beijar sem me sentir culpado, ou passar horas pensando "será que fiz certo?".
Bem nessa hora o professor Snape com seus cabelos sujos e oleosos e seu nariz extraordinariamente grande e a McGonagall com aquele olhar que nos dava o impulso de obedecer entraram ali.
- Srta Granger, Sr Weasley! O que estão fazendo aqui essa hora? Já pra sala comunal! – disse a McGonagall
- Incrível saber que o Sr Potter não está aqui, visitas noturnas são a especialidade dele não é?
- disse Snape nos encarando com os olhos aparentemente maldosos dele.
Corremos dali na direção do dormitório, mas no meio do caminho o Rony me jogou contra parede, segurou forte no meu pulso e ficava repetindo "Você vai ficar aqui,comigo e me dizer tudo", "Tudo o que?O que?","O que vai acontecer agora Hermione? Vai mudar tudo ou...vai ficar tudo igual antes? Comigo tentando se aproximar, te abraçar, ficar perto de você".
Estava nervosa, se nos pegassem ali pegaríamos castigo, não queria isso, mas tinha que falar com o Rony. Depois de um tempo convenci ele a conversarmos na sala comunal. Chegamos lá, sentei no sofá velho e vermelho de sempre, o Rony sentou do meu lado, ele estava com os olhos vermelhos e molhados, ver ele assim me fazia mal, mal demais.
- Eu nem sei direito o que está acontecendo Rony.
- Eu te amo, e eu não sei se você...também sente isso, eu não sei de nada, você foge de mim quando eu tento ficar mais perto de você.
- Eu te amo.
Eu nem acreditava que essas palavras haviam saído da minha boca, elas simplesmente fugiram de mim. Apesar de saber que eu era correspondida, era estranho dizer isso. Mas o jeito como os meus olhos e os do Rony brilharam quando eu disse isso mudou alguma coisa.
