CAPÍTULO V

Draco quase não acreditou no calor da despedida na manhã seguinte. Outra pessoa pensaria que Hermione estava viajando para um país distante, do qual nunca mais voltaria, e não para Sidnei, onde iria ficar apenas um mês! Ela e Augusto realmente exageraram.

O gigante parecia estar arrependido por ter permitido que sua menininha fosse para a cidade grande na companhia duvidosa de Draco.

— Vai tomar conta dela, não é? — ele perguntou pela centésima vez quando, felizmente, já estavam ao lado da picape alugada. O sol prometia que aquele seria um dia quente.

— Já lhe dei minha palavra — Draco replicou impaciente, lutando para manter um sorriso casual nos lábios.

Se bem que, para ser honesto, a garotinha de Augusto tinha lhe surpreendido naquela manhã.

O velho jeans e a blusa que ela usava no dia anterior tinham sido substituídos por um vestido negro muito justo e meias também negras, e apesar da cor discreta, a combinação deixava entrever todos os detalhes daquele corpo feminino. E um detalhe chamou-lhe ainda mais a atenção: Hermione não estava usando sutiã.

Sinceramente, Draco estava lutando consigo mesmo desde que a vira, tentando desviar os olhos, que teimosamente recusavam-se a obedecê-lo.

Preocupado com o fato de já não se sentir tão imune aos atributos de Hermione, ele tentou concentrar-se em sua parte menos atraente: os cabelos. Infelizmente, porém, a precavida Srta. Granger usava um lenço de seda que ocultava-os, deixando a mostra um rosto que Draco nem suspeitava que pudesse ser tão bonito.

Na verdade, era como se uma garota tivesse ido dormir e acordado depois totalmente modificada... Transformada em mulher!

— Podemos ir? — ele perguntou com um sorriso, abrindo a porta para Hermione, mas evitando encará-la. Em seguida, virou-se para cumprimentar o simpático gigante pela última vez.

— Ligo assim que chegarmos em Sidnei — prometeu.

— Faça isso. E... Draco...

— Sim, Augusto — ele atendeu com um suspiro. — Vou cuidar dela. Prometo. Agora, você também deve se cuidar, certo? E não exagere com a boa e velha Ninfadora — emendou num sussurro para que Hermione não ouvisse.

Augusto riu.

— Ela não deve ter esperanças quanto a mim, colega. Sou um solteirão convicto também... Mas para mim já não há esperança...

No mesmo instante em que Draco encarava o ancião com espanto, Hermione abriu o vidro da janela e colocou a cabeça para fora.

— Sobre o que estão falando agora?

— Conversa de colega para colega, amor — Augusto replicou rindo.

Draco deu a volta no carro e acomodou-se atrás do volante, só voltando a olhar para Hermione depois de colocar o carro em movimento.

— Não precisa ficar preocupada com o Augusto. Ele é um adulto. Pode cuidar de si mesmo.

Hermione fez uma careta bem-humorada ante aquela afirmação.

— Ele vai começar a exagerar com o uísque e os charutos antes que a poeira da estrada abaixe.

— Bem, isso é prerrogativa de um adulto, Hermione.

— Mas é ruim para a saúde dele — ela queixou-se, amuada.

— Principalmente o fumo.

— Eu fumo — Draco murmurou. Hermione encarou-o espantada.

— Você não fumou desde que chegou, ontem.

— Na verdade, fumei. Lá fora, na varanda, antes de ir para a cama. Para ser franco, fumo muito pouco, e apenas em certas ocasiões. Uma delas é quando dirijo. — E quando sua mente ficava muito agitada. Sempre fumava um cigarro antes de dormir. E sempre depois de fazer sexo...

— Mas... Por quê? — ela perguntou, ainda perplexa.

— Um motivo simples. Isso me ajuda a relaxar. — Draco falava mecanicamente, como se não compreendesse as próprias palavras. — Não vai se incomodar se eu fumar, vai?

Surpreendentemente, Hermione encolheu os ombros.

— Por que eu deveria? Já estou acostumada com o cheiro, lembre-se de que trabalho naquele bar há muito tempo. Já vi muitas pessoas cometendo suicídio antes... E nem me importo mais em alertá-las. Se querem morrer, perfeito!

O riso dele foi meio abafado.

— Mas me diga, Hermione — perguntou, acendendo um cigarro em seguida. — Por que não gosta de mim?

Os olhos dela ficaram arregalados.

— O que... O que você quer dizer com isso?

— Vamos lá... Percebi seu olhar desde que entrei pela porta do bar, ontem à tarde. Por isso, não precisa negar.

Ela ajeitou o corpo. Seu rosto estava muito corado, e respirava fundo, provavelmente para conseguir manter a compostura.

— Não vou ficar ofendido — Draco continuou, num tom mais gentil que antes. — Mas eu quero a verdade.

A verdade! A verdade era a última coisa que Hermione diria naquele momento a Draco Malfoy. O homem provavelmente estava acostumado a iludir garotas ingênuas com aquela fala mansa, mas no caso dela não iria funcionar.

Além disso, não valia a pena dar tanta importância à atração sexual que sentia por ele. Afinal de contas, era apenas uma questão de hormônios. Hormônios que Hermione pretendia manter sob controle... Sob severo controle.

— Fale comigo, Hermione — insistiu o causador de seu tormento. Mas as palavras simplesmente não vinham-lhe à mente.

Ele suspirou.

— Escute, vamos ter que trabalhar juntos durante o próximo mês. Se não nos comunicarmos, as coisas só poderão ficar mais difíceis.

— O fato é que não desgosto de você — ela balbuciou, tentando reorganizar os pensamentos. Realmente queria ir para Sidnei e tentar salvar a companhia da tia. O projeto era muito excitante... Como era excitante a idéia de passar o próximo mês na companhia de Draco Malfoy.

— Então, qual é o problema? — ele indagou. — Por que você parece estar me evitando? E por que às vezes me olha como se tivesse acabado de ver um fantasma?

A resposta era óbvia, Hermione pensou. Estava agindo assim porque aquele homem a fizera lembrar de Ronny... E tudo que acontecera entre os dois.

— Sou todo ouvidos — Draco disse com firmeza.

— Sinto muito se fui rude ontem — Hermione murmurou, orgulhosa por ter conseguido manter o controle. — Só agora percebo que devo ter agido como uma tola... A verdade é que você me fez lembrar de uma pessoa que conheci no passado... Na verdade, alguém de quem eu nem mesmo queria lembrar.

Ele virou a cabeça lentamente e os olhares dos dois se cruzaram. E não demorou muito para que Hermione percebesse que os dele eram incrivelmente magnéticos...

— Um namorado do passado? — Draco especulou.

— Acho que se pode descrever Ronny assim.

O olhar dele voltou a se concentrar na estrada.

— Hã-hã... E por acaso eu me pareço com ele? é isso?

— Na verdade, não... — Ronny tinha cabelos vermelhos, e olhos verdes. — Mas era um homem bonito. Como você. E se vestia bem... além disso, tinha vindo de Sidnei.

— Ah. Entendo...

Hermione duvidava daquilo.

— Um vendedor? — ele perguntou.

— Não. Ele trabalhava como assessor de controle de qualidade para várias empresas.

As sobrancelhas de Draco arquearam-se.

— E o que um homem com esse tipo de trabalho foi fazer em Drybed Creek?

— Eu não o conheci em Drybed Creek. Encontrei-o em Broken Hill.

Ele não pôde conter o espanto.

— E quando foi isso?

— Alguns meses atrás.

— E o que você estava fazendo em Broken Hill? Compras?

— Não, estava trabalhando.

— Trabalhando? Mas pensei que você trabalhava no hotel do Augusto...

— Só estou ajudando Augusto há alguns meses... Ele ficou muito doente no meio do outono, uma gripe que acabou virando pneumonia. Voltei para ajudá-lo a se recuperar mais depressa. Mas sempre planejei voltar para Broken Hill... Na verdade, vivi e trabalhei nessa cidade desde que saí do colégio.

— Como garçonete?

— Não. Não trabalho como garçonete desde que terminei meu curso técnico de administração. A não ser ajudando o Augusto, claro..

— E que tipo de trabalho fazia antes de voltar para Drybed Creek. Contadora? Secretária?

— Era gerente de um hotel.

— Gerente de um hotel?

— Sim. Por que o espanto? — ela perguntou, estranhando a surpresa de Draco.

— É que me informaram que você era apenas garçonete...

— Sinto muito desapontá-lo.

— Não estou desapontado. Estou impressionado. E esse tal namorado acabou se hospedando no hotel em que você trabalhava?

— Sim. Por algum tempo... — Três semanas e um dia, para ser precisa.

— E aconteceu algo sério entre vocês?

— Na época eu cheguei a pensar que sim.

— O que aconteceu?

— Houve um incêndio no hotel certa noite, e uma ala inteira foi destruída. Um homem morreu asfixiado. O acidente foi notícia nos jornais de Sidnei, por isso a mulher de Ronny acabou ligando no dia seguinte para saber se estava tudo bem com ele.

— Oh-oh...

— Sim. Foi exatamente o que eu disse — Hermione comentou séria.

— E o que fez depois disso?

— Disse para Ronny procurar outro hotel para se hospedar... e outra tola para iludir.

— E?

— Foi o que ele fez.

Não imediatamente, claro, ela lembrou-se. No começo Ronny ainda insistiu, dizendo que a amava, e só não queria deixar a mulher por causa das crianças. Também disse que não contara a verdade no começo porque assim Hermione não lhe daria nenhuma chance.

E naquele ponto ele estava certo.

"Pobre garota", Draco pensou, notando que os lábios de Hermione estavam muito trêmulos.

Sempre ficava irritado quando homens mentiam para garotas como ela para conseguir sexo. Era baixo, e além disso desnecessário! Havia muitas mulheres liberadas que podiam dar a um homem tudo o que ele desejasse sem envolvimentos, e certamente sem mentiras.

Era uma história antiga... Mas garotas ingênuas sempre acabavam caindo no golpe. Aquilo o fez lembrar-se de uma coisa.

Hermione não falaria com tanta amargura do caso se não tivesse dormido com o sujeito... E aparentemente fizera isso mais de uma vez.

— Sabe, nem todos os homens são assim em Sidnei — ele comentou com gentileza.

— Bem, eu não poderia dizer — ela replicou. — Só estive envolvida com um.

— Qual era a idade dele?

— Não sei — Hermione respondeu com sinceridade. — Para ser franca, nunca perguntei. Qual é a sua idade?

— Trinta.

— Parece mais jovem.

— Obrigado.

— Obviamente, os malefícios do cigarro ainda não o atingiram — ela comentou, emendando secamente: — Ainda.

Draco não conteve o riso.

— Nem os malefícios da comida pronta, do vinho ou das mulheres selvagens.

— Mulheres selvagens? — Hermione repetiu arregalando os olhos. Assim que acabou de dizer aquilo, Draco desejou ter mordido a língua.

— Na verdade, hoje em dia esse tipo de mulher anda meio raro... e é claro que só saio com uma garota de cada vez — murmurou. — Mas achei melhor preveni-la sobre meus vícios antes que estejamos morando juntos. O fato, Hermione, é que ocasionalmente levo uma namorada para passar a noite em casa. Espero que isso não seja um problema. Serei discreto, naturalmente, e tentarei não incomodá-la sempre que for possível.

Os ombros dela encolheram-se num gesto de desdém, mas sua expressão parecia um tanto desapontada.

— Queria que você entendesse desde o começo — ele continuou com firmeza — que não vou mudar meu estilo de vida só por causa da sua presença.

— Eu não esperava que fizesse isso — Hermione informou, como se aquilo importasse.

— Ótimo. Agora que estamos combinados, quer me dizer algo sobre você antes de continuarmos? Sei que você tem certas... manias, por assim dizer. Augusto me contou que gosta de cozinhar quando está em casa. Sempre pratos bem saudáveis. Eu disse a ele que vamos jantar fora na maioria das noites, mas...

— Você está querendo dizer, só nós dois? — ela interrompeu.

— Algum problema?

— Não, não, é que... Bem, o que sua namorada vai pensar sobre isso?

— Pansy e eu não temos o costume de controlar a vida um do outro. Raramente a vejo mais de uma vez por semana, e nunca à noite. Agora, se gosta mesmo de cozinhar, teremos que passar num mercado antes, pois não tenho praticamente nada no meu apartamento...

— Você não cozinha nada? Nunca?

— Nunca.

— E quanto à sua namorada?

Draco sorriu.

— Santo Deus, não! Pansy nem sabe o que é um fogão. Ela é executiva numa companhia aérea e quase não tem tempo para comer, quanto mais cozinhar.

Mencionar a namorada o fez lembrar que as coisas não andavam bem entre eles. Era estranho, mas já não havia a vibração que existia no começo do relacionamento. E Pansy vinha insistindo em passar um fim de semana inteiro com Draco nos últimos tempos, para piorar a tensão.

Justamente ele, que nunca passara tanto tempo a sós com uma mulher. Aquele tipo de coisa sempre fazia com que elas começassem a ter idéias estranhas...

— E quanto ao café da manhã? — Hermione indagou, sem querer mudar de assunto:

Imediatamente ele parou de pensar em Pansy.

— Nunca tomo café em casa. Durante a semana tomo café e como uma baguete assim que chego ao trabalho. Nos finais de semana durmo até tarde, por isso acabo acordando quando já é hora de sair para o almoço...

— Você sai de casa para comer todos os dias? — A expressão dela era de descrença.

— Na maioria deles. Durante a semana tenho muitos almoços de negócios... mas eventualmente tenho mesmo que me contentar com um sanduíche no escritório.

— E também janta fora todos os dias?

— Sim. Mas às vezes, quando fico em casa para ver um vídeo, por exemplo, acabo pedindo comida pronta pelo telefone.

— É um estilo de vida bem dispendioso...

— Acho que sim. Mas felizmente posso pagar por essas comodidades. — Na opinião de Draco, a pequena Srta. Granger iria ficar surpresa quando visse o apartamento de cobertura.

Mas a observação seguinte da moça pegou-o de surpresa. Hermione também era bastante perspicaz.

— Você deve ser muito rico — ela murmurou, mantendo uma expressão pensativa no rosto.

— Eu sou. — Modéstia nunca tinha sido um dos pontos fortes de Draco, afinal de contas.

Por um longo trecho do percurso, ambos permaneceram calados e com feições introspectivas. Era como se estivessem tentando digerir as informações que haviam acabado de receber.

Finalmente, Hermione encarou-o com um olhar completamente indecifrável.

— Conte-me sobre minha tia — ela pediu abruptamente. — Por que meu pai a considerava uma depravada?


N/A: no cap anterior essa é minha parte favorita *-*

"— Para ser sincero, pensei em convidá-la para ficar em minha casa — Draco comentou casualmente. — Afinal de contas, fui quem pediu a ela para ir a Sidnei. Não seria justo que a viagem lhe custasse algo. Tenho um apartamento muito grande num bairro nobre da cidade, com vários quartos sobrando. Ela terá sua própria suíte. E se você está preocupado com a segurança dela, prometo que a acompanharei pessoalmente a todos os compromissos. Não vou tirar os olhos de Hermione um instante sequer.

Os lábios de Augusto curvaram-se num sorriso.

— Isso é ótimo, Draco, mas quem vai protegê-la de você?

A caneca de cerveja de Draco bateu no balcão.

— O quê?

— Você me ouviu.

— Acho que sim. Mas não tenho certeza se entendi bem.

— Quantos anos você tem? — Augusto indagou.

— Trinta. Por quê?

— Não é casado, certo?

— Não. Não combino com casamento.

— É gay?

Draco sorriu.

— Não que eu saiba.

— Tem uma namorada no momento?

Ele sempre tinha uma namorada.

— Claro."

Imaginem o Draco Gay! não dá pra imaginar rsrs

Brbara Lumioone: Amor você tem orkut? se tiver me manda pelo e-mail

vai ser mais facil de te avisar quando eu postar *-*

Lally Sads: pois é amor a Mi é uma leoa (rsrs) e vai por o Draco na linha rapidinho.

Mila Pink: claro a Hermione é bem engenhosa em descobrir coisas, você vai notar.

uma vez Malfoy sempre Malfoy não é?

o Augusto era pra ser o Hagrid,mas não sei,

acho que ficou melhor assim (você vai entender melhor nos proximos capitulos),o Augusto ama a Hermione por isso ele é fofo *-*

A Hermione aqui é virgem,mas não é santa lembre-se disso(rsrs)

Miss Perfection

PS: Participe da Campanha Faça um Autor Feliz. Comente! *-*