CAPÍTULO VI

A mudança de assunto era uma tática desesperada por parte de Hermione. Embora naturalmente curiosa sobre a tia, naquele momento fora dominada por uma necessidade de preencher a mente para não pensar no estilo de vida decadente que aquele homem levava!

Não conseguiria agüentar as visões que se insinuavam em seus pensamentos, ou os acessos irracionais de ciúme que a acometiam quando pensava em Draco saciando-se sexualmente no quarto ao lado, enquanto ela rolava na cama queimando de desejo... desejando-o ainda mais do que desejara Ronny.

Tentarei não incomodá-la, ele dissera...

Mas ao mesmo tempo, Hermione sabia que alimentar aquele desejo era tolice, uma tolice que ela não pretendia cometer por mais tempo!

E justamente por isso perguntou a Draco sobre a tia.

— Não sei ao certo porque seu pai chamou Maxine de depravada — Draco considerou, aliviado com o fato da conversa ter se desviado de sua vida pessoal. — Não sei qual é o conceito de depravação do ponto de vista dele. Era um homem religioso?

— Não.

— Qual era a atitude dele em relação ao sexo?

— Papai nunca conversou comigo sobre esse assunto. Ele não voltou a casar depois que minha mãe morreu, nunca falou por que e eu nunca perguntei.

— Fale-me sobre sua mãe — Draco pediu, acendendo outro cigarro.

— O quê? Oh... Oh, bem, não há muito para falar. O mais certo seria dizer que não sei muita coisa. Ela morreu quando eu tinha dezoito meses, por isso não guardei nenhuma lembrança pessoal. Também não tenho nenhuma fotografia. Meu pai raramente falava sobre ela. Augusto finalmente me contou alguns fatos depois da morte de papai, revelações que esclareceram algumas coisas. Eu estava muito curiosa, você pode imaginar.

Draco também estava, por isso perguntou: E o que Augusto disse sobre ela?

— Nada muito encantador. Ela era uma vadia, pura e simplesmente. Uma garota de vida fácil que foi para os campos de mineração em Coober Pedy para fazer fortuna do mesmo jeito que garotas desse tipo fazem há séculos. Passou pelas mãos de vários mineiros, dependendo da situação financeira de cada um no momento. Meu pai estava com sorte no jogo quando chegou na cidade, por isso ela dormiu com ele. Quando a sorte se foi, ela o abandonou por outro sujeito. Papai voltou à cidade dois anos depois e procurou-a, descobrindo que ela tinha uma criança. Eu.

Hermione fez uma pausa para respirar.

— De acordo com Augusto, papai soube que eu era sua filha imediatamente... e justamente porque eu era parecida com a irmã dele, Maxine, quando ela era bebê. Papai também disse que minha mãe foi à única mulher que lhe deu prazer, sexualmente falando. Quem sabe? Talvez houvesse mesmo alguma coisa entre os dois. Ele disse a Augusto que ela era... incrível... hã... naquele sentido, se é que você me entende. De qualquer forma, ele jamais voltou a olhar para outra mulher até morrer.

— Como seu pai conseguiu sua custódia?

— Quando ele me encontrou, mamãe tinha acabado de morrer. Por causa de uma picada de cobra, você acredita? Uma cascavel. De qualquer maneira, outra mulher estava cuidando de mim e não queria me deixar ir. Felizmente minha mãe tinha colocado o nome de papai na certidão de nascimento, por isso ele pôde requerer minha guarda. E por isso que falo com um sotaque estranho... Papai era inglês.

— Eu sei. Estava no relatório do investigador.

— Íamos juntos a toda parte. Éramos grandes companheiros, e de uma forma particular, ele era um bom pai. Não que tenha se preocupado em se estabilizar por minha causa, claro. Jamais tivemos uma casa decente, e ficávamos em acampamentos na maior parte do tempo.

— E como você foi parar no hotel de Augusto?

— Papai chegou em Drybed Creek quando eu tinha oito anos. Naquela época, a cidade era melhor do que hoje em dia. A mina local produzia bastante prata e cobre. Seja como for, papai decidiu ficar por algum tempo e acabou se tornando amigo de Augusto. Ele sempre ficava amigo do dono do bar local. Realmente bebia muito, assim era ele.

Draco ficou triste por pensar no tipo de infância que Hermione havia tido.

— De qualquer forma, Augusto logo se apegou bastante a mim. Disse para meu pai que eu devia ter uma vida mais estável. Ser mandada para a escola, e coisas do gênero... Insistiu até que eu fosse matriculada na escola local. Depois disso, o próprio Augusto ficava cuidando de mim sempre que papai precisava sair da cidade.

— Uma infância bem pouco usual — Draco comentou. — Esse arranjo não chamou a atenção de ninguém na cidade, de nenhuma autoridade?

— Sei o que está querendo dizer, mas eu realmente estava segura. Drybed Creek sempre foi um lugar pequeno, e praticamente todos na cidade cuidavam de mim. Não apenas o Augusto. E o campo não é como a cidade grande. Não costumam fazer coisas ruins com crianças por aqui.

— É mesmo? Pois eu conheço uma criança do campo que não teve a mesma sorte.

Draco arrependeu-se das palavras amargas assim que as pronunciou, principalmente depois do olhar espantado que Hermione lançou em sua direção.

— Você viveu no campo? Eu não acredito nisso!

— Vivi numa fazenda, numa região remota em Queensland, dos oito aos dezesseis anos — ele admitiu com voz rouca. — E sozinho. Minha mãe tinha morrido quando eu tinha cinco anos, e meu pai simplesmente desapareceu numa noite e nunca mais voltou. Fui colocado numa instituição em Brisbane até que meus tios resolveram me dar um lar.

— Mas você não gostava de viver na fazenda? — Hermione perguntou, parecendo genuinamente surpresa.

— Digamos que eu preferia ter ficado no orfanato em Brisbane, um lugar que também não era nada bom, posso garantir.

— Oh... Mas que pena... No meu caso, apesar de viver de um lado para o outro, creio que tive uma infância feliz. Não posso entender porque você achava tão ruim viver no campo. Embora não possa saber pelo que passou, claro... Era por causa do clima? Do isolamento? Qual era o motivo?

O primeiro impulso de Draco foi contar toda a verdade, mas uma reação emocional violenta o impediu de fazê-lo.

— Vamos deixar o passado para trás — disse bruscamente. — Não adianta falar sobre ele. Mas, voltando ao assunto, você queria saber por que seu pai considerava a irmã depravada. Escute, pode ser porque Maxine enriqueceu vendendo lingerie ousada. E, pode acreditar, algumas peças da coleção Femme Fatale são realmente muito provocantes. Mas desconfio que ele disse isso porque ela era homossexual...

O choque fez Hermione esquecer a curiosidade que tinha sobre a infância de Draco.

— Homossexual! — ela exclamou.

— A mulher que morreu com ela no acidente de carro não era apenas a gerente de marketing da Femme Fatale. Era amante de Maxine. Na verdade, Maxine pretendia deixar tudo para essa mulher. Mas como as duas morreram ao mesmo tempo, a herança indicava como beneficiária a parente mais próxima, ou seja, você.

— Céus! Mas que espantoso! Nem sei o que dizer. Alguém mais na companhia sabia sobre esse relacionamento.

— Com certeza. Maxine não fazia muita questão de ser discreta... Mas por que você fez essa pergunta? O fato de sua tia ter sido homossexual a incomoda?

— Não. Mas admito que fiquei um pouco chocada. Espero que a equipe da Femme Fatale não esteja imaginando que sou parecida com Maxine.

— Duvido que estejam — Draco murmurou. — Além disso, ninguém teria coragem de se insinuar enquanto eu estiver a seu lado.

Hermione engoliu em seco ao pensar em ter aquele homem a seu lado dia e noite.

— Você quer dizer que... que vão achar que somos amantes?

— Possivelmente. Isso a incomoda?

— Se não incomoda você, por que me incomodaria? — ela replicou cuidadosamente. — Mas o que Pansy vai achar?

— Pansy não vai achar nada.

Disfarçando a incredulidade, Hermione perguntou:

— Por acaso ela permite que você durma com outras mulheres?

— Ela não tem que me dar nenhuma permissão — Draco observou rapidamente. — Faço exatamente o que quiser.

Hermione não sabia o que dizer, ou pensar.

Augusto tinha dito que Draco era um conquistador, e não estava enganado. Na verdade, ele era o pior tipo possível de playboy, e nem mesmo tinha pudores quanto a falar abertamente sobre aquilo.

O que deveria torná-lo menos atraente aos seus olhos.

Mas por que a revelação não produzira tal efeito? Para ser absolutamente franca consigo mesma, ela sentia-se ainda mais fascinada pelo canalha.

E nem mesmo podia acusá-lo de ser mentiroso...

— Naturalmente, direi a Pansy que não existe nada entre nós — Draco adicionou com firmeza, mantendo uma expressão completamente neutra.

— E ela vai acreditar em você? — Hermione tinha a impressão de que se ela fosse a namorada, certamente não acreditaria.

— Claro que vai. Eu já lhe disse... nunca menti para as mulheres em toda a minha vida. E elas sabem disso.

— Elas?

Um sorriso malicioso curvou os lábios másculos.

— Tenho que admitir que nunca fui exatamente um monge...

— Sim, agora me lembro... Uma de cada vez, certo? — indagou num tom muito seco.

— Você parece cética.

— Não. Apenas estou tentando compreendê-lo. A

expressão de Draco era de complacência.

— Essa é muito boa. Mas, se aceita um conselho, não tente me entender, Hermione. Um mês não será o bastante para isso, garanto. A única coisa que posso lhe dizer com franqueza é que ficará muito rica se tudo correr conforme meus planos. Até vai poder comprar aquele hotel quando voltar para Broken Hill.


N/A:Meninas muito obrigada por lerem a Fanfic e obrigada por comentar também...

Mila Pink: a conversa não acaba ali meu bem nesse cap você vai ler o restante.

É bem engraçada e um pouco melodramatica

Lally Sads: Que bom que gostou *-*

bella: desculpe a demora é que são tantas coisas que fica dificil postar e com o ano de vestibular os professores passam muitas provas e lições de casa T.T

mas prometo tentar postar com mais frequencia ;)

Miss Perfection

PS: Participe da Campanha Faça um Autor Feliz. Comente! *-*