CAPÍTULO VII
- Oh, olhe! Posso ver Sidnei. Oh, meu Deus, é tão grande! Céus, nunca vi tantos telhados em minha vida. Ou tantas piscinas! Oh, e o mar... as praias, a areia. Nunca estive numa praia antes. A água é tão azul, tão bonita... E essa baía, Draco, veja. Está bem aqui embaixo.
A excitação de Hermione fez Draco lembrar das emoções que ele mesmo sentira na primeira vez que tinha visto Sidnei, embora daquela vez não estivesse num avião. Na verdade, tinha viajado para a cidade pela primeira vez pegando carona desde Queensland.
Chegara numa van, sujo pela poeira da estrada e extremamente cansado. Mesmo assim, sentira-se imediatamente cativado pelas paisagens, principalmente a vista da baía e da ponte. Tudo naquele lugar lhe parecera estonteante.
E as sementes da ambição germinaram no mesmo instante. Um dia, ele jurou, seria rico o bastante para ter uma casa na rica região da baía.
Fora necessária uma década de esforços e muito trabalho, mas ele finalmente atingiu tal objetivo.
— Esta não é Port Jackson — Draco informou, desafivelando o cinto de segurança para poder ver o que Hermione estava apontando. — É Botany Bay. A baía de Sidnei e a ponte ficam um pouco mais ao norte. Desse ângulo ainda não é possível vê-la. Mas não se preocupe, você vai ter uma visão perfeita quando estiver em meu apartamento.
Ela virou a cabeça, ficando com o rosto muito próximo ao dele. Draco não fez qualquer menção de afastar-se, provavelmente deliciado com o prazer quase infantil que Hermione demonstrava desde que tinham decolado, no aeroporto de Broken Hill.
Como nunca tinha viajado de avião, ela ficou entusiasmada com tudo o que viu durante o vôo. Os lugares na primeira-classe, o serviço, a comida... e o champanhe. A primeira experiência de Hermione com o vinho borbulhante não poderia ter sido melhor.
Mas não bastava apenas observar tamanha excitação... Draco, impulsivamente, quis sentir aquela alegria mais de perto.
E ele teria cometido uma tolice se não fosse pela aproximação da comissária de bordo, que avisou-os para colocar os cintos, pois já iriam descer no Aeroporto Mascot.
Draco ajeitou-se na cadeira, sentindo-se nervoso por quase ter cedido a um impulso estúpido. Beijar Hermione teria arruinado sua missão. Algumas garotas não gostavam de homens muito audaciosos, e Hermione com certeza pertencia a esse grupo.
Se ele a tivesse beijado, ela provavelmente teria concluído que Draco era tão canalha quanto o tal Ronny, e então tomaria o primeiro avião de volta para Broken Hill.
Ele respirou fundo, tentando desesperadamente reorganizar os pensamentos. Daquela vez tinha sido por pouco, muito pouco mesmo...
Nem conseguia se lembrar da última vez que agira como um tolo com uma mulher. Mas não haveria nenhuma comissária para resgatá-lo quando ele estivesse com Hermione em seu próprio apartamento... Precisava urgentemente arranjar uma forma de manter o autocontrole, coisa que infelizmente não estava conseguindo no momento.
Nada que uma noite com Pansy não possa consertar, seu lado cínico lembrou-o. Ligue para a mulher assim que desembarcar, e marque um encontro para hoje à noite.
Mentalmente, Draco já foi descartando tal hipótese. Não, não naquela noite. Seria muito rude deixar Hermione sozinha em sua primeira noite em Sidnei. Realmente precisava providenciar algo especial para ela. Iria reservar uma mesa no The Quay, um de seus restaurantes favoritos.
O lugar não estaria muito cheio numa noite de quarta-feira. Com um pouco de sorte, conseguiria um dos lugares com a melhor vista. Pansy teria que esperar até sexta. Seria melhor para ela também. Com certeza Pansy estaria muito cansada naquela noite para fazer o que Draco desejava. Cansada demais. Olhando de relance para a garota que estava causando todos aqueles problemas, Draco espantou-se ao notar que ela segurava ferozmente os braços das cadeiras. O avião acabara de passar por uma turbulência sobre o mar. Não era uma experiência confortável para uma passageira de primeira viagem. Hermione parecia aterrorizada. E muito jovem. Jovem demais, fez questão de lembrar a si mesmo.
— Não se preocupe — disse suavemente. — É um procedimento de pouso normal. Não vamos cair. Tudo vai ficar bem.
E ele realmente acreditava no que dizia. Hermione quase riu. Ele não fazia a menor idéia. A menor idéia... Caso contrário não iria interpretar a tensão dela como sendo um simples ataque de medo de voar.
Porque, na verdade, os pensamentos dela voavam muito longe. Num terreno lânguido de imagens eróticas de todos os tipos. Oh, céus...
Tinha se saído bem durante quase todo o vôo, ignorando o prazer que a simples companhia daquele homem a fazia sentir. Fingindo que seu coração não disparara quando os lábios dele quase roçaram nos seus...
— Logo estaremos a salvo — Draco emendou, sorrindo de forma encantadora. Magnética. Para piorar as coisas, ainda tocou-a levemente na mão.
E a memória daquele toque permaneceu, e produziu uma onda de excitação que percorreu todo seu corpo.
Hermione tentou lembrar se a mesma coisa tinha acontecido com Ronny. Achava que não, embora a química entre os dois a fizera ir com ele até um quarto do hotel... Um passo muito grande para uma garota que tinha jurado a si mesma que jamais dormiria com um homem sem ser, pelo menos, sua noiva.
Claro que tinha dito a si mesma que amava Ronny loucamente. Mas na verdade aquilo fora apenas uma desculpa para justificar as próprias ações. A realidade era que tinha mesmo desejado mais, depois de sentir o prazer que os beijos de Ronny lhe provocavam. O que teria acontecido se só descobrisse que Ronny era casado depois de dormir com ele?
Era um pensamento aterrador, especialmente agora que estava numa cidade onde existia um número enorme de homens daquele tipo. Iria mesmo ficar de cabeça virada em cada esquina? Seria escrava do próprio impulso para sempre?
— Sente-se melhor, agora que estamos em terra firme? — Draco perguntou assim que desembarcaram.
Hermione respondeu quase sem pensar:
— Muito melhor, obrigada.
— Não julgue Sidnei pela área do aeroporto — ele continuou. — É uma zona industrial, um tanto distante do centro. Infelizmente, não vamos conhecer o centro hoje. Pretendo ir direto para minha casa, que fica na zona norte. É melhor evitar o tráfego pesado durante o dia. Estão fazendo muitas obras na cidade, o que às vezes causa certo transtorno. Mas é o preço do progresso. Sidnei é uma cidade jovem, sempre mudando, sempre crescendo. Para ser franco, é o que mais gosto daqui... apesar do barulho.
— Não acho que seja tão barulhento assim — Hermione comentou com sinceridade. — Mas... Uau, nunca pensei que existissem tantos carros no mundo... o que dizer na Austrália...
Do alto, o panorama de Sidnei era impressionante. Mas agora que via os arranha-céus do chão, ela achou tudo mais imponente e impressionante.
Era realmente uma cidade espetacular!
— Essa estrada, infelizmente, vai por um túnel e não passa pela ponte — Draco informou quando já estavam no táxi. — Mas, para ser honesto, não vai faltar chance para você conhecer tudo... Podemos sair para um passeio qualquer dia desses, se quiser. Eu a levarei para um cruzeiro na baía, caso a idéia lhe agrade.
— Caso a idéia me agrade? — ela replicou rindo. Na verdade, seu riso era mais nervoso que o habitual, pois não era nada fácil ficar tão perto de Draco no banco de trás daquele carro.
— Será um prazer, então — ele prometeu num tom sincero. — Adoro mostrar Sidnei para os visitantes. E tenho a impressão de que gostarei especialmente de mostrar a cidade para você...
— Oh... Especialmente? Por quê? — Hermione simplesmente não conseguiu conter a pergunta.
— Porque você faz com que eu me lembre de quando cheguei aqui. Achei o lugar incrível, depois de viver tanto tempo no campo.
— E é mesmo incrível, não é? — ela indagou.
— Eu penso assim. Nunca viveria em outro lugar. Mas espere até ver a vista do meu apartamento — Draco anunciou orgulhoso.
— Não sei por que — ela murmurou sorrindo —, mas tenho a impressão de que seu apartamento não é do tipo econômico...
Ele riu.
— Acho que não.
— Deve ser um tipo de palácio, certo?
— Uma cobertura muito grande? Sim.
— Quantos Uma cobertura, para um playboy, Hermione pensou. Um lugar para onde ele eventualmente levava as presas inocentes... ou nem tão inocentes assim! O pensamento podia desgostá-la, mas na verdade acabou despertando certa curiosidade mórbida. Afinal de contas, o que ela mesma não daria para ser a presa de Draco por apenas uma noite?
quartos? — ela perguntou casualmente, tentando afastar os pensamentos insanos.
— Quatro.
— Hã... e o balcão da sacada é grande?
— É panorâmico, do tipo que circunda todo o prédio. Pode-se ter uma vista de trezentos e sessenta graus.
Hermione engoliu em seco.
— Quer dizer que o apartamento ocupa um andar inteiro?
— Hã-hã.
— Santo Deus, você deve ser multimilionário!
— Eu lhe disse que era rico.
— É que eu não tinha imaginado que era tão rico assim.
— Isso importa? Pelo menos isso lhe garante que não estou ajudando você por interesse pessoal. Não vai precisar desconfiar dos motivos que me fizeram trazê-la para Sidnei.
— Mas eu não desconfio de seus motivos. Caso contrário, nunca teria aceitado vir com você.
O rosto dele assumiu uma expressão séria.
— Quer dizer que abriria mão de todo aquele dinheiro?
— Não. Eu teria entrado em contato com uma firma de advogados e pediria para que cuidassem dos detalhes legais para assegurar meus interesses — ela informou com firmeza. — Nunca permitiria que alguém tomasse decisões em meu nome.
— Uma garota sensata — Draco assentiu. — Para ser franco, percebi que você era assim no momento em que a vi. Espero, de qualquer forma, que não tenha problemas para aceitar alguns conselhos.
— Que tipo de conselho?
— Sobre a imagem que planejei para você.
— Que tipo de imagem?
Naquele momento a conversa foi interrompida, pois o táxi finalmente chegou ao seu destino.
O prédio onde Draco vivia não era tão alto, Hermione notou. Devia ter doze, treze andares no máximo. Uma estrutura de concreto e vidro de arquitetura arrojada.
Depois de desembarcar a bagagem, ele entrou em contato com um funcionário do edifício pelo interfone e pediu ajuda para levar as malas até o elevador.
Hermione ficou impressionada com o luxo do lugar assim que pisou no hall. Só tinha visto ambientes como aquele nos filmes de televisão. E o que mais a impressionou foi o sistema de segurança da entrada. O acesso só era liberado para quem possuísse, como Draco, um cartão magnético e uma senha pessoal.
— Nunca vi nada parecido em Broken Hill — ela comentou, já no elevador, enquanto subiam para a cobertura. — Não é um pouco de exagero para um simples prédio residencial?
— Evita assaltos — Draco foi sucinto. — E também que visitantes indesejados possam bater em sua porta. — As portas do elevador se abriram. — Desça primeiro, por favor — ele pediu, fazendo um gesto de cabeça para indicar que Hermione devia sair. Em seguida retirou toda a bagagem, colocando-a sobre o luxuoso tapete do corredor.
— E se for um visitante esperado? — ela perguntou, observando-o transportar mala após mala até colocar todas diante de uma imponente porta de madeira. As paredes eram revestidas por enormes espelhos com desenhos feitos com jatos de areia.
— A pessoa tem que entrar em contato com a segurança — Draco replicou, procurando a chave do apartamento no bolso da calça. — Depois disso, se o visitante for autorizado, um vigia tem que escoltá-lo até a entrada e usar um cartão magnético para permitir o acesso.
— E como as pessoas vão embora?
— O sistema de segurança só impede a entrada dos indesejáveis, não a saída.
— E se você perder seu cartão?
— Todos os homens da segurança devem conhecer os moradores e, eventualmente, seus hóspedes. Se acontecer algum problema, como a perda de um cartão, eles precisam ser informados imediatamente. Mas tente tomar cuidado com o seu. E mantenha um olho na bolsa quando sair de casa. Sidnei é um lugar bonito, mas oferece os mesmo riscos que qualquer outra grande cidade.
— Tomarei cuidado — Hermione disse com firmeza. — E não vou perder meu cartão. Sou uma pessoa muito cautelosa.
— Isso é bom — Draco murmurou. — Vai precisar disso.
Ao perceber uma insinuação, mesmo que inconsciente, nas palavras dele, Hermione decidiu que não agiria como tola daquela vez. Não depois do que sofrera por causa de Ronny...
— Posso me cuidar muito bem sozinha, você sabe — ela garantiu num tom defensivo. — Sou uma mulher adulta.
— Com vinte e três anos, parece, bastante jovem para mim — Draco replicou, girando a chave na fechadura.
— As garotas amadurecem mais rápido do que os rapazes — Hermione comentou, contendo a raiva com certo custo. Às vezes o comportamento seco daquele homem era realmente desagradável.
— Não tenho dúvida sobre isso. Posso apostar que você é mesmo uma garota bem madura... se comparada a um rapaz da sua idade.
— Sou uma mulher, não uma garota.
A expressão de Draco tornou-se sarcástica, como se não quisesse discutir seu ponto de vista. E Hermione mais uma vez teve que se esforçar para manter o controle.
— Nesse caso — ele retrucou sorrindo, abrindo a porta e afastando-se um passo para trás —, pode entrar em minha casa... mulher.
N/A:Meninas muito obrigada por lerem a Fanfic e obrigada por comentar também...
Mila Pink: Vão ter muitas surpresas pode esperar ;)
Lally Sads: Ela só vai dar um jeito nele nos ultimos capitulos
bella: nossa será que eu vou ser assim também?
Charlie E. Fox, Grazi e claudia malfoy: que bom que gostaram.
Miss Perfection
PS: Participe da Campanha Faça um Autor Feliz. Comente! *-*
