CAPÍTULO VIII

Draco observou Hermione erguer o queixo em desafio, apesar do rosto feminino estar bem vermelho. Em seguida, ela adentrou no hall da cobertura com passos decididos.

Tamanha ingenuidade tanto o frustrava quanto o encantava. Diabos, ela nem mesmo sabia o que era um cartão magnético até alguns minutos atrás! Há quanto tempo não levava até aquele apartamento uma mulher que já não tinha experimentado tudo o que a vida, e os homens, podiam oferecer? Muito, muito tempo mesmo.

Hermione, de qualquer forma, era relativamente inocente. Podia não ser mais virgem, mas ainda era muito inexperiente. Se não, por que teria corado tanto?

A verdade é que ela provavelmente só havia ido para a cama com o canalha um par de vezes. E talvez o desempenho do homem tivesse sido patético...

Draco ficava excitado só em pensar nas coisas que poderia mostrar, e no prazer que poderia dar a ela. Pena que seus pensamentos nunca se tornariam realidade.

Ele sempre fora um homem de palavra. E fizera uma promessa a Augusto. Certo, tecnicamente dormir com Hermione não faria diferença, já que ela não era mais virgem ao sair de Drybed Creek. Mas mesmo assim, Draco não conseguiria ficar em paz com a própria consciência caso fizesse aquilo.

Seria diferente se ela fosse mais velha, e menos vulnerável. O problema com uma garota como Hermione é que ela podia se apaixonar por ele antes que Draco pudesse dizer: me dê outro preservativo, querida.

O que significava que não haveria nenhuma cena de sedução naquela noite. Ou em qualquer outra noite durante o próximo mês. Ele não pretendia descer tão baixo.

Mas, céus, ela era uma tentação. Uma tentação maior do que Draco tinha imaginado ao conhecê-la.

Contendo a frustração com uma vontade de ferro, ele colocou a bagagem para dentro e trancou a porta.

— Certo — disse subitamente ao virar-se para encará-la outra vez. — Vou lhe mostrar o apartamento rapidamente, depois terei que fazer alguns telefonemas para colocar nosso plano em ação.

Hermione permaneceu sempre alguns passos atrás de Draco, e seus olhos ficaram mais arregalados do que nunca. Já esperava por um apartamento luxuoso, mas aquela cobertura era superior a qualquer expectativa.

Não foi o luxo da mobília ou a decoração fantástica o que mais a surpreendeu, mas, sim, o tamanho do lugar. Tudo era enorme. As salas, a cozinha, os banheiros e os quartos.

Ela não acreditou quando viu o quarto que Draco lhe reservara. A cama era enorme, e o ambiente mais agradável de toda a casa.

E quanto à vista do balcão...

Hermione estacou petrificada diante da paisagem magnífica da baía, que naquele fim de tarde era emoldurada pelo tom avermelhado do crepúsculo no horizonte.

A ponte ficava à direita, a superfície das águas era calma, um espelho maravilhoso para as luzes que começavam a se acender por toda a cidade.

O Opera House ficava bem em frente, e parecia ainda mais espetacular que nas fotos dos cartões postais. Entre o Opera House e a ponte ficava uma marina circular, onde vários barcos depositavam e recolhiam passageiros.

Sem dúvida era um lugar lindo para se voltar no fim de um dia de trabalho... e foi justamente naquele momento que ela decidiu que nunca voltaria para Broken Hill. Aquela era a vida que sempre desejara. Ali, naquela cidade linda e apaixonante!

Não importava o que iria acontecer com a empresa, mas Hermione pretendia ficar.

— Então, o que achou? — Draco perguntou a seu lado. Ela suspirou.

— Você tem sorte por viver aqui, Draco.

— Sorte não tem muito a ver com isso — ele observou brevemente. — Agora, acho que devemos ligar para Augusto e informá-lo que você chegou sã e salva, certo?

— Oh, sim. Por favor.

Ela o seguiu através da porta de vidro até a sala de estar central, toda forrada com um lindo carpete verde.

Um belo sofá de couro azul ficava entre duas cadeiras prateadas revestidas de brocado, e todo o conjunto ficava disposto em torno de uma mesa de vidro baixa, diante de uma elegante lareira. A mistura de cores, estilos e texturas era surpreendente, mas de extremo bom gosto. Quando Hermione perguntou a Draco se ele tinha escolhido tudo pessoalmente, a resposta foi curta e um tanto surpresa.

— Santo Deus, não. O lugar já veio totalmente decorado.

Ele fingia uma polidez indiferente desde que chegara, adotando um comportamento bem mais impessoal do que antes. Era óbvio que se sentia o senhor da situação agora que voltara para seu próprio território. Era um homem cosmopolita e ocupado, com muitas coisas a fazer.

Hermione imaginou quando poderia perguntar novamente sobre a imagem que Draco tinha em mente para ela...

Ele não se sentou na cadeira diante do telefone, apenas tirou, o fone do gancho e discou um número.

— Só vou reservar uma mesa no restaurante para o jantar de hoje, espere um momento — ele informou.

— Oh, não, por favor, Draco, hoje não — ela implorou. — Eu... eu estou um pouco cansada, e sinceramente não quero ir a lugar nenhum até dar um jeito nos cabelos.

Hermione tinha esquecido daquele detalhe durante a viagem, mas a opulência da cobertura de Draco fez com que se sentisse inadequada e feia.

— Mas você pode ir, claro — continuou, antes que Draco pudesse contestar. — Eu... me viro com uma torrada ou coisa assim. Escute, sei que é vaidade da minha parte, mas simplesmente odeio aparecer deste jeito em público.

Draco encolheu os ombros.

— É justo. Pedirei comida pronta pelo telefone. Agora, qual é o número de Augusto?

Quando foi informado, ele discou, e então esperou.

— Augusto? — disse finalmente. —Aqui é Draco. Sim, já estamos em minha casa... Não, o avião não caiu, mas acho que Hermione ficou com medo que isso acontecesse quando aterrissamos em Sidnei... Sim, ela está bem aqui, louca para falar com você. Só um segundo... — Draco ofereceu o fone a ela. — Fale o quanto quiser. Eu tenho que fazer algumas ligações particulares, por isso vou usar a outra linha que tenho em meu quarto. Volto logo.

Draco ficou feliz ao deixá-la, e satisfeito por finalmente poder fazer alguma coisa para marcar uma noite de sexo e pecado com Pansy. Aquela garota definitivamente o perturbava.

Ele se jogou na cama assim que entrou no quarto, expressando sua irritação em voz alta:

— Vou aconselhá-la a cortar os cabelos. É isso que vou fazer... Detesto mulheres com cabelos curtos. E também vou esquecer aquela idéia estúpida de escolher pessoalmente suas roupas. Deixarei que vista o que a querida Maxine lhe deixou!

Estendendo o braço, Draco alcançou o telefone e teclou o número do escritório de Pansy com gestos bruscos. Ela ainda devia estar trabalhando. Nunca saía antes das sete da noite no meio da semana.

O telefone foi atendido ao segundo toque.

— Pansy Parkinson — disse uma voz rouca e familiar, que Draco sempre achara incrivelmente sexy. Por que, então, ele subitamente estava preferindo outra voz, com aquele sotaque inglês esquisito?

— Olá, querida, é o Draco — ele murmurou.

— Draco! Estive tentando encontrá-lo o dia inteiro. — O tom dela era petulante. — Sua secretária disse que você estava fora da cidade.

— Isso mesmo. Escute, Pansy. Tenho que vê-la. Que tal hoje à noite?

O convite foi recebido com um silêncio sepulcral.

— Pansy? Você está aí?

— Será que não vai me perguntar por que eu estava querendo entrar em contato com você antes?

— Por quê?

— Vejo que os homens não podem pensar em nada mais, especialmente quando só têm sexo na cabeça... As coisas devem estar difíceis para que você me ligue no meio da semana.

O comentário o atingiu em cheio.

— Você me conhece muito bem — ele disse secamente. A risada de Pansy soou artificial.

— Céus, Draco, não! Não o conheço tão bem. Pelo menos, não o verdadeiro Draco. Mas sei que ocasionalmente você se torna vítima dos próprios hormônios... Sinto muito, querido, mas não dá. Tenho um milhão de coisas para fazer hoje à noite, e precisarei voar para Melbourne amanhã pela manhã. Uma conferência. Um colega meu devia ir, mas ele adoeceu e terei que substituí-lo. Era por isso que estava tentando ligar para você...

— Droga, Pansy.

— Estarei de volta no sábado.

— São três malditos dias até lá...

— Você pode ir comigo... — ela sugeriu maliciosamente. — Minhas noites são livres.

— Mas meus dias não são. Terei muito trabalho a fazer nesta semana.

— Você não iria mesmo — Pansy acusou —, mesmo que tivesse tempo.

— Não querida, eu não iria.

— Não se pode culpar uma garota por tentar. Então... vejo você no sábado. Jantamos?

— Se você insiste.

— Eu insisto. E depois... no seu apartamento ou no meu?

— No meu — ele respondeu sem pensar, sentindo-se culpado um segundo depois. Isso porque sabia que não pensaria em Pansy naquela noite, mas na garota que estaria na sala de estar. Draco sempre fora honesto com suas mulheres, mas daquela vez estava usando Pansy da pior maneira possível.

— Pansy? — ele chamou.

— Sim? — ela respondeu num tom esperançoso.

— Nada — ele murmurou. De qualquer forma, a outra alternativa era ainda mais depravada. Ele não devia... não podia... fazer aquilo. — Preciso que me indique um lugar onde eu possa levar uma garota para um serviço completo de beleza. Um salão que cuide de tudo. Cabelo, unhas, pele, corpo e maquiagem. Dinheiro não é o problema, eu quero o melhor. E precisa ser para amanhã.

Mais uma vez houve um silêncio mortal do outro lado da linha.

— Pansy? — ele repetiu.

— Estou aqui, Draco. Isso é um assunto de trabalho?

— Não, é particular.

— Entendo. E por acaso eu posso saber quem é a donzela em apuros?

— Apenas uma garota.

— Foi por causa dela que saiu da cidade?

— Sim.

— E a trouxe de volta com você?

— Sim.

— Você está hospedando a mulher? Aí, no seu apartamento? — Ela parecia chocada. E devia mesmo estar. Normalmente Draco nunca deixava mulheres passarem mais que uma noite em sua cobertura. Aquele era o limite.

— Sim — ele replicou.

— Por quanto tempo?

— Indefinidamente.

— Por quê?

— Você não precisa saber, Pansy.

— Discordo de você.

— Ela não tem nada a ver com nós dois.

— Não brinque. Conte logo a história.

— O que quer dizer com isso? — ele indagou com hesitação.

— Quero dizer, Draco, que a menos que você me diga quem é essa garota e o que ela significa para você, nós terminamos.

— Simples assim?

— Exatamente.

— Então, parece que nós terminamos.

Do outro lado da linha, Pansy praguejou de forma pouco feminina antes de bater o telefone.

Draco recolocou o fone no gancho e respirou fundo.

Por que diabos fez isso, seu idiota?, perguntou a si mesmo irritado. Agora ele realmente não tinha mais nenhum empecilho que o afastasse da doce Hermione.

— Mas que droga — disse em voz alta. — Maldito imbecil!

Pegou o telefone outra vez e ligou para a própria agência.

A recepcionista já devia ter ido embora, mas sempre havia alguém trabalhando até tarde na Wild Ideas.

— Sim? — uma voz feminina atendeu impacientemente.

— É você, Lunna?

— Sim.

— Ótimo. Queria falar justamente com você.

— Chefe?

— O próprio.

— Onde você está? Eu precisei consultá-lo a respeito da conta da Packard Alimentos, mas Sally disse que você estava fora da cidade e não podia ser contatado.

— Eu estava, mas já voltei, qual é o problema?

— Não se preocupe... Peter já me ajudou a resolver o assunto.

— Ótimo. Tenho uma tarefa urgente para você.

— Draco — Lunna resmungou. — São quase seis horas e o Blasio vai passar às sete para me apanhar para um encontro. Tenho que ir para casa e ficar bonita até lá.

— Tudo bem. Isso não vai atrasá-la muito. Além disso, você já deve ter a resposta. Tudo o que preciso é do nome e do número de telefone de um excelente salão de beleza. Do tipo que faz o tratamento completo nas mulheres. Tenho certeza de que você sabe do que estou falando... a garota entra parecendo uma faxineira e sai parecendo uma verdadeira top model.

— Oh, entendo — Lunna disse indignada. — Você acha que sou cliente regular de um lugar assim?

Draco teve que rir.

— Bem, querida, tenho certeza de que você gosta de se produzir às vezes. Em certas ocasiões mal a reconheço.

— E faço tudo isso sozinha, Draco — ela comentou secamente. — Só recebo um pouco de ajuda de Lucille.

— Quem é Lucille?

— Uma vizinha e grande amiga minha.

— Acha que ela pode conhecer um lugar assim?

— Talvez. Lucille está sempre a par das novidades. A aparência é muito importante no tipo de trabalho que faz.

— E que tipo de trabalho é esse?

— Corretora de imóveis. Minha amiga tem que lidar diretamente com o público.

— Solteira?

— Divorciada.

— Idade?

— Trinta e poucos...

— Pode me dar o telefone dela?

Lunna riu.

— Está perdendo seu tempo, Draco. Lucille ainda está na fase em que odeia os homens, todos eles... reflexo de um casamento ruim, claro. E mesmo que ela já tivesse se recuperado, não é o tipo de mulher que gosta de playboys. Para ser franca, ela os evita a todo custo.

— Pobre alma torturada — Draco lamentou. — Talvez ela só precise encontrar um outro tipo de homem, mais compreensivo e gentil...

— Você é muito cínico, Draco. Escute, vou conseguir a informação que você quer, e ligo em seguida. Vai estar em casa?

Draco confirmou, e agradeceu:

— Muito obrigado, Lunna.

— Não por isso... Apenas uma pergunta.

— Sim?

— Para quem é?

— Apenas uma amiga.

— E desde quando o seu relacionamento com mulheres passou a ser só de amizade, chefe?

— Agora quem está sendo cínica? - Ela riu.

— Tenho que me apressar, Draco.

Ele desligou e colocou o fone no gancho lentamente, como se esperasse ouvi-lo tocar naquele instante. Mas o aparelho permaneceu silencioso. Pelo visto, Pansy tinha realmente terminado o relacionamento com ele.

Era estranho, mas Draco não sentia nada a não ser alívio.

Em seguida, ligou para Harry, que ficou entusiasmado ao saber que tudo tinha corrido bem.

— Mas, pela sua descrição, ela é diferente do que eu esperava — Harry disse.— Mais esperta.

— Ela é — Draco concordou. — E graças ao pai tem um sotaque britânico que será muito útil. Os acionistas vão ficar impressionados, posso garantir. E a equipe da Femme Fatale também. Tudo que preciso fazer é melhorar um pouco sua aparência.

— O que há de errado com a aparência da garota? O relatório disse que ela era atraente.

— Atraente para uma garçonete do interior, mas não o suficiente para a presidente da Femme Fatale. E não se veste muito bem, um dos motivos que me fez ligar para você. Onde estão as roupas de Maxine?

— Guardei tudo aqui em minha garagem.

— Pode trazer tudo isso à minha casa amanhã? Pode entregar para qualquer um dos seguranças.

— Farei isso. Quando pretende levá-la até a Femme Fatale?

— Sexta-feira pela manhã.

— Então vou ter que ligar para Ronny Weasley e avisá-lo sobre a visita. Ainda não disse nada ao homem, mas agora tenho que contar a verdade para não ferir o ego enorme do velho Ronny...

— Tenho algumas reservas quanto a esse tal de Sr. Weasley. Se ele é tão brilhante quanto diz sua reputação, por que não fez um bom trabalho na Femme Fatale? Digo isso porque, basicamente, a companhia ia muito bem quando Maxine morreu.

— Ele diz que Maxine investiu muito no perfume que pretendia lançar. Um projeto que ele cancelou imediatamente.

— Sim, eu entendo. Minha agência estava cuidando da campanha publicitária. Mas por que cancelar? Não se recupera um investimento desistindo, apenas indo em frente. Pode-se fazer muito dinheiro vendendo perfumes, você sabe. E a Wild Ideas certamente teria ajudado a empresa a realizar tais vendas.

— Não tenho tanta certeza. Perguntei ao próprio homem outro dia e ele me explicou que o mercado andava meio instável, me mostrou tantos gráficos que fiquei com os olhos cansados. Sugiro que você fale pessoalmente com Ronny. Você possui tino comercial, Draco. Eu sou apenas um advogado...

Sem dúvida, o amigo não era um homem de negócios brilhante. Mas Draco ainda não podia acreditar na estupidez de Harry, que tinha arriscado o patrimônio de toda uma vida num único investimento.

— Tem certeza de que essa sua idéia vai funcionar, Draco? — o outro homem indagou depois de um segundo, num tom vacilante.

— Harry, meu velho, pode tirar aquela garrafa de vinho da adega e começar a poli-la agora mesmo.

Harry resmungou algo incompreensível.

— Tenho que desligar, parceiro — Draco avisou sorrindo. — Ou nossa herdeira vai começar a se perguntar o que aconteceu comigo.

Ele encontrou Hermione ainda conversando com Augusto, descrevendo cada detalhe da paisagem que podia ser vista do balcão. Seus olhos azuis brilharam assim que o viu entrar na sala.

— Draco finalmente voltou — ela informou casualmente à Augusto. — É melhor eu desligar antes que ele me jogue pela janela por ter gasto tanto dinheiro com esta ligação. Sim, sim, eu vou. Cuide-se bem... E não deixe Ninfadora Tonks cozinhar para você.

Hermione sorriu ao desligar, um sorriso discreto e estranho.

— Do que acha graça? — Draco não pôde deixar de perguntar.

— Homens — ela disse. As sobrancelhas dele ergueram-se.

— Homens?

— Sim. Basta dizer a eles para que não façam algo, e logo essa se torna a coisa mais atraente do mundo.

— Hã... a que exatamente está se referindo?

— Ninfadora Tonks. Estive tentando juntar os dois por anos, mas Augusto não movia uma palha. No momento em que comecei a criticá-la, o comportamento dele mudou completamente.

— Está querendo me dizer que você quer que Augusto se case com a viúva negra Tonks?

— Claro. Essa seria a solução perfeita para mim, pois assim não teria que me preocupar tanto com ele.

Draco meneou a cabeça devagar.

As palavras de Hermione o fizeram pensar. Ela tinha começado a atraí-lo logo depois que Augusto o advertira. Será que era tão simples assim? Será que estava se sentindo tão atraído só por que ela se tornara o fruto proibido?

Aquilo era perverso, mas possível.

— Por que está me olhando assim? — ela perguntou.

— Sinto muito — ele murmurou desajeitado.

— São meus cabelos, não?

— Não. Não é isso. Eu estava pensando. Algumas vezes fico distraído quando penso.

— Em que estava pensando?

— No que poderíamos pedir para jantar.

— Que tal uma pizza?

— Uma pizza? Pensei que você gostasse de comida saudável...

— Na maioria das vezes. Mas também sou humana. Acontece que gosto de pizza, e comer uma ocasionalmente não vai me matar. Não tenho colesterol alto, como Augusto. Você tem?

— Não faço a menor idéia. Nunca fiz um exame.

Ela parecia transtornada.

— Devia começar a se cuidar, ou pode ter um ataque do coração fulminante qualquer dia desses.

— É uma pena. Mas não tenho nenhuma intenção de mudar minha vida ou começar a me preocupar com a saúde. Além disso, acho que o trabalho vai acabar me matando mesmo... Por falar nisso, vou marcar um horário para você no melhor salão de beleza de Sidnei amanhã. Harry vai trazer as roupas que eram de sua tia, e sexta-feira você vai fazer sua entrada triunfal no escritório da Femme Fatale.

Ela empalideceu consideravelmente.

— Tão depressa assim?

— Não há sentido em retardar o inevitável.

— Eu... eu vou ficar terrivelmente nervosa, Draco.

— Uma reação muito natural. Mas não deixe os nervos tomarem conta de você.

— Como fazer isso?

— Mantenha o pensamento fixo no que você quer. E então não deixe que nada... e eu quero dizer nada mesmo... interfira no caminho que traçar para seu objetivo.

— E o que eu quero nesse caso? — Hermione perguntou ingenuamente.

— O respeito da sua equipe — ele declarou com firmeza — e a revitalização da sua empresa.

— Minha empresa...

— Sua, Hermione. Nunca se esqueça disso. A Femme Fatale lhe pertence.

— Minha empresa — ela repetiu, mordiscando o lábio inferior. Estava obviamente excitada, o que podia ser notado pelo rubor de seu rosto.

Draco estava começando a sentir um desejo quase incontrolável de tomá-la nos braços quando o telefone tocou. Pansy, ele suspeitava. Talvez ela quisesse implorar seu perdão. E certamente ele a perdoaria dessa vez, pelo menos até que a garotinha do bom e velho Augusto voltasse em segurança para casa.

— Draco Malfoy — ele anunciou bruscamente ao atender.

— Draco, é Lunna. Fui rápida, não acha? Lucille disse que o lugar certo para sua garota chama-se Janine's. Fica na zona norte, numa velha mansão de esquina, a meio caminho entre sua casa e o escritório. Tenho o endereço e número do telefone. Você tem uma caneta?

— Pode falar. — ele inclinou-se para anotar os detalhes no bloco que ficava ao lado do telefone.

— Lucille disse que o salão deve estar lotado numa quinta-feira. Pediu para avisá-lo que o preço é indecentemente caro mas que vale cada centavo, e também disse que, na verdade, não são capazes de transformar faxineiras em supermodelos. Mas eu assegurei a Lucille que nenhuma mulher sua teria o aspecto de uma faxineira... Ela disse que você deve saber exatamente o que quer, especialmente no que diz respeito aos cabelos. Caso contrário, os cabeleireiros podem acabar usando sua amiga para testar algum corte esdrúxulo...

— Não se preocupe — ele murmurou. — Sei exatamente o que quero. E será bem melhor se seguirem as minhas ordens.


N/A:Meninas muito obrigada por lerem a Fanfic e obrigada por comentar também...

Desculpem a demora para postar, foi uma semana agitada :)

Mila Pink: ela não vai gostar muito do que o Draco vai fazer nela mas ele vai amar(mesmo pensando que não ia) ;)

Lally Sads: Ele não vai se controlar por muito tempo, nem a Mione...

Miss Perfection

PS: Participe da Campanha Faça um Autor Feliz. Comente! *-*