CAPÍTULO XII

Você está cansada, não é? — Draco perguntou. Hermione ergueu pesadamente os olhos do pedaço de torta que o garçom acabara de servir.

— Acho que foi o vinho — ela arriscou. Na verdade, não estava mesmo habituada com bebidas alcoólicas.

Ele sorriu compreensivamente.

— Vou levá-la para casa.

— Mas você não pode! Quero dizer... ainda não terminamos de comer a sobremesa, e eu sei que isso deve custar uma pequena fortuna. Vi alguns preços no menu. — Os dois estavam num restaurante adorável, mas muito caro, que ficava numa das margens da baía, um lugar com toalhas de linho brancas e uma vista espetacular.

— Para o diabo com o dinheiro. Vou levá-la para a cama.

— Oh...

Cinco minutos depois eles estavam a caminho do apartamento, com as sobremesas intocadas numa caixa de papelão que Hermione carregava no colo.

— Que gentileza o garçom embalar as sobremesas para que nós as levássemos para casa, não é? — ela perguntou, tentando começar uma conversa. Seus nervos estavam à flor da pele. O que exatamente Draco quisera dizer com vou levá-la para a cama? Será que ele estava mesmo com sono? Hermione esperava que não, pois não conseguiria dormir sem terminar o que Draco havia começado no escritório da Femme Fatale naquela manhã.

— Gentileza nada... — Draco resmungou. — Paguei muito caro por esses dois pedaços de torta.

— Mesmo assim, foi um gesto gentil — ela repetiu teimosamente, o que fez Draco sorrir. Céus, como aquele homem era bonito quando sorria. O problema é que ele também era bonito quando não sorria. Era bonito o tempo todo.

— Você está certa — ele concordou, apesar do tom relutante. — Podiam ter se negado a fazer isso. Aquele restaurante não é especializado em entregar comida em domicílio.

— Prefiro mesmo comer mais tarde — Hermione confessou. — O jantar foi excelente... acho até que comi demais.

— Nós comeremos juntos na cama mais tarde — Draco murmurou.

— Oh! — ela engoliu em seco.

— Você não está muito cansada, não é? — ele inquiriu, parecendo um pouco preocupado.

— Não. Mas eu... eu acho que preferia tomar um banho antes. — Agora que Draco confirmara seu desejo de fazer amor, Hermione lembrou-se de que o dia de trabalho fora duro, e já fazia muito tempo desde que tomara banho pela manhã.

— Que tal tomarmos banho juntos? — ele sugeriu. O estômago de Hermione retorceu-se.

— Eu não sei se vou gostar disso — ela disse pensativa. — Posso ficar com vergonha de você.

— Por que uma garota com um corpo lindo como o seu ficaria envergonhada?

Hermione ficou surpresa com a opinião tão favorável de Draco. Na opinião dela, seu corpo era apenas comum. Não se parecia nem um pouco com os corpos esculpidos, tão em voga atualmente, já que ela nunca fora muito entusiasmada por ginástica. Tudo o que tinha era o que Deus lhe dera. As únicas coisas que sempre exercitara eram as pernas, hábito que adquirira durante as longas caminhadas com o pai, na infância.

— Se a idéia a incomoda — Draco continuou, agora com uma expressão séria —, então esqueça. Eu não quero que faça nada que não queira fazer, Hermione. Nunca — ele salientou.

— Muito obrigada, Draco — ela disse, tocada com tamanha preocupação. — Gostei disso. Mas acho que vou gostar de tomar banho com você. Realmente vou. Estava apenas sendo tola. Virgens recentemente defloradas têm reações estranhas, eu acho. Vai precisar ter paciência comigo.

O olhar de Draco foi sardônico.

— Nunca fui conhecido como um homem paciente.

Hermione riu.

— Ora, o que aconteceu com o seu Não quero que faça nada que não queira fazer?

— Ainda está de pé. É uma tática para convencê-la a concordar com meu ponto de vista.

— E o que pretende fazer se isso falhar?

— Que acha de uma oferta de um milhão de dólares?

— Céus! Tomar banho acompanhado deve ser um de seus passatempos prediletos!

— Acreditaria se eu dissesse que nunca tomei banho com uma mulher antes?

— Não.

— Bem... você estaria certa. Mas já faz muito tempo. E certamente não fiz isso depois que me mudei para a cobertura. Também não tenho o hábito de convidar as garotas para passar a noite ali. Pode se considerar uma mulher de sorte. Você é a primeira que convido para viver comigo, sabia?

- Ainda bem que a noite está quente, ou eu congelaria até os ossos... Bem, não fique aí de costas para mim, Draco Malfoy. Vire-se e me diga como estou.

Draco estava no terraço, fumando. Ele deu uma última tragada no cigarro e apagou-o no cinzeiro que havia sobre a mesa de fibra de vidro que ficava no balcão. Sabia muito bem o que estava prestes a ver. Na verdade, já vira o vestido naquela tarde, na butique onde levara Hermione para escolher dois modelos incríveis. Um deles seria usado na première da temporada de ópera naquela noite, e o outro no casamento de Lunna, que aconteceria no fim de semana seguinte.

Tinha sido um tolo ao escolher roupas tão provocantes para Hermione. Por outro lado, nos últimos dias vinha constantemente agindo como um tolo... em tudo o que dizia respeito à fabulosa Srta. Granger.

Ele se virou, e quase caiu para trás ao vê-la. Aquilo que parecera maravilhoso na butique agora se tornara simplesmente estonteante. Branco e sem alças, o vestido valorizava os seios fartos de Hermione, e ajustava-se perfeitamente a todas as curvas daquele escultural corpo feminino à medida que ela andava. Ela caminhou em sua direção, alta e elegante, com uma estola de pele artificial sobre os ombros nus e luvas de cetim brancas, que iam até os cotovelos. Um colar adornava-lhe o pescoço, e o conjunto era realçado por uma linda pulseira e brincos. A pequenina bolsa, também de cetim, completava o visual.

Draco olhou no fundo daqueles imensos olhos CASTANHOS e sentiu o estômago contrair-se. Seu olhar concentrou-se nos lábios carnudos de Hermione, o que não o ajudou nem um pouco. Naquela noite ela parecia uma mulher cosmopolita, não uma garota de vinte e três anos. Tinha se transformado numa verdadeira Femme Fatale durante as últimas semanas, uma mulher pela qual uma legião de homens enfrentaria uma guerra.

O último pensamento o distraiu momentaneamente.

— O que há de errado? — Hermione perguntou. — Deixou de gostar deste vestido? São as bijuterias? Você acha que exagerei? Não são diamantes de verdade, você sabe. Tudo veio junto com as coisas de minha tia. A bolsa e as luvas, inclusive. Veja bem, se não gostou de alguma coisa tem de me dizer! Não precisa ficar, assim, me olhando desse jeito...

— Não, não — ele replicou suavemente. — Nada errado com você. Na verdade, está adorável, querida. E que acabei de ter uma idéia, para sua nova linha de perfumes.

— É mesmo? Que idéia?

— O que me diz de batizar cada fragrância com o nome de uma Femme Fatale histórica? Mulheres como Helena de Tróia, Cleópatra, Salomé, Mata Hari e congêneres. As possibilidades de criação de anúncios seriam ilimitadas, e muito originais.

— Oh, Draco! — ela exclamou. — Isso é brilhante. Você é mesmo um homem muito esperto! Eu te beijaria agora mesmo, se isso não fosse arruinar meu batom.

— Não se preocupe — ele replicou sorrindo. — Eu até prefiro assim. Na última vez que me beijou quase fiz amor com você em cima daquela mesa...

Ela realmente havia corado? Draco duvidava. Mas quem poderia dizer com certeza com toda aquela elaborada maquiagem?

Já fazia quase um mês desde que a trouxera para Sidnei. Um mês maravilhoso e ao mesmo tempo miserável, durante o qual Draco fizera tudo a seu alcance para que Hermione se apaixonasse por ele.

Tinha feito amor com Hermione até a exaustão. A levara a todos os lugares que ela desejava ver. Conversara por horas e horas durante o jantar todas as noites sobre as idéias dela para a Femme Fatale, e a observara transformar-se na mulher notável que ela sempre prometera ser.

A reunião da diretoria da Femme Fatale iria se realizar na segunda-feira seguinte, mas na realidade aquilo era um fait accompli. Hermione já conseguira recuperar a empresa da tia, revitalizá-la e até mesmo melhorá-la. Tinha recontratado as três executivas demissionárias, e voltara a implementar o projeto dos perfumes. Até contratara a agência de Draco para fazer a publicidade. Também expandira a coleção de lingerie, interrompendo a produção de alguns itens obsoletos e introduzindo vários outros com design mais avançado.

Draco aplaudira aquela idéia, pois sabia que o mercado da moda vivia em constante movimento.

O lote de ações já atingira o preço de setenta e oito centavos, em parte porque Draco comprara uma grande quantidade delas, mas principalmente por causa do bom trabalho que vinha sendo realizado na companhia. Ele não duvidava que, depois da reunião, o preço voltaria a atingir o patamar de um dólar. Harry estava entusiasmado, e Draco... bem, agora era Draco o desesperado.

Ela não se apaixonara por ele. Draco tinha certeza disso. Caso contrário, Hermione teria se traído. Teria começado a tentar fazê-lo parar de fumar, e talvez até mesmo de beber. E certamente teria insistido em cozinhar para ele.

Mas ela não dissera uma palavra sobre os cigarros. E durante todas aquelas semanas não cozinhara uma única vez. Nem mesmo uma torrada... nada!

Tudo o que Hermione queria era aproveitar-se da experiência dele no mundo dos negócios. E de seu corpo também. Oh, sim, disso Draco também tinha certeza. Na verdade, Hermione praticamente se transformara em uma ninfomaníaca. Realmente tinha mudado muito, para uma garota que era virgem apenas um mês antes. E agora ela nem se preocupava mais em limitar sua ânsia de sexo ao quarto de dormir... Draco não estava seguro em lugar algum. Pior, era completamente incapaz de resistir a ela.

Bastava que Hermione o olhasse de certa maneira e ele entregava os pontos. Era como se ficasse excitado o tempo todo. Ele nem mesmo ousava mais encontrá-la para almoçar no escritório da Femme Fatale. No dia anterior Leanne quase os pegara em flagrante. Hermione achara aquilo engraçado, reagindo de maneira bem diferente à da garota ingênua de Drybed Creek.

O incidente salientara o fato de que, para Hermione, Draco não era uma pessoa, e sim um mero corpo masculino, um brinquedo usado para satisfazer seu inacreditável apetite erótico. Ele não sabia o que iria fazer quando ela ficasse entediada e quisesse ter experiências diferentes...

Talvez fosse a hora certa para começar a se proteger, distanciando-se um pouco daquela mulher. Talvez tivesse que aceitar o fracasso pela primeira vez na vida.

Girando sobre os calcanhares, Draco caminhou até o bar e pegou a garrafa de champanhe, retirando-a do balde de prata onde a deixara para gelar. Mais um de seus esforços patéticos para conquistar o coração da mulher de seus sonhos...

— Estamos celebrando algo especial? — Hermione perguntou, sorrindo ao vê-lo servir as taças com o líquido borbulhante.

Ocasionalmente se esquecia de agir como a candidata favorita para o prêmio "Mulher de Negócios do Ano" e voltava a ser a garota por quem Draco se apaixonara. E em momentos como aquele, ele ficava tentado por um instante a dizer exatamente o que sentia.

Mas junto surgia o temor natural de ser rejeitado ao expor a si mesmo emocionalmente. Por que devia correr o risco de se humilhar por nada?

— O sucesso na reunião de diretoria da Femme Fatale? — ele sugeriu.

— Isso vai ter que esperar até segunda-feira.

— Que acha, então, de fazermos um brinde à recuperação da empresa?

— Devo tudo isso a você, Draco.

— Bobagem. Você trabalhou muito duro. Tudo o que fiz foi lhe dar alguns conselhos...

— Fez muito mais que isso — Hermione murmurou, e por um momento seus olhos ficaram úmidos, como se estivesse prestes a chorar.

Mas aquilo não aconteceu. Hermione manteve o controle e ergueu a taça, encarando-o fixamente.

— A Draco Malfoy — brindou. — Meu mentor. E meu melhor amigo.

As taças se tocaram e Draco continuou observando-a atentamente.

Naquele instante percebeu exatamente o que aquela noite significava. Era uma espécie de noite de formatura para Hermione. O que significava que o papel dele em sua vida logo se encerraria...

Draco, meu velho, ele advertiu a si mesmo. Prepare-se para o beijo de despedida. Pode não acontecer hoje, mas não vai demorar. Oh, sim... não vai demorar mesmo.

— Somos bons juntos, não é? — ele indagou, sorrindo para ocultar a própria dor. Céus, por que as pessoas se apaixonavam? Aquilo era um martírio.

— Somos muito mais do que isso — Hermione concordou.

— Curiosa sobre a ópera que veremos hoje à noite? — Draco indagou casualmente, sorvendo um gole de bebida.

— Muito.

— Aluguei uma limusine para nos levar.

— Santo Deus! — ela exclamou, sorvendo um gole do champanhe. — Dias atrás eu criticaria sua extravagância, mas agora sei que isso seria inútil.

— Gosto de gastar dinheiro com minhas mulheres — ele comentou casualmente. Por que insistia em provocá-la? E o pior, como suportaria se descobrisse que ela não se importava?

Hermione segurou a taça com força, tentando não parecer devastada. Não que Draco pudesse notar. Ele nem mesmo olhava em sua direção.

Será que tinha dito aquilo deliberadamente? Será que pretendia humilhá-la com aquele comentário, insinuando que lhe dera aquelas roupas como um pagamento por "serviços prestados"?

Ela sentira uma mudança no comportamento dele naquela noite. Era como se cada palavra de Draco possuísse um sentido duplo, uma insinuação venenosa nas entrelinhas. O olhar dele até lhe parecera zangado um segundo atrás...

Precisava desesperadamente entender o motivo. Será que tinha feito ou dito algo desagradável para Draco?

Achava que não.

Talvez estivesse imaginando coisas.

— Quando vamos sair? — perguntou com certa hesitação.

Virando-se lentamente, Draco sorveu um longo gole de champanhe e em seguida olhou para o relógio de pulso, um belo Rolex de ouro que provavelmente custara uma pequena fortuna. Como o sofisticado smoking que vestia...

Ele nunca parecera tão bonito, ou inacessível a Hermione como naquela noite. Não importava o quanto ela se arrumava, o quanto tentava se transformar no tipo de mulher capaz de ficar para sempre ao lado de Draco. Nada ajudava Hermione a sentir um pingo de segurança no que dizia respeito àquela relação...

— O carro vai nos apanhar às seis e meia — ele informou. — A ópera não começará antes das oito, mas haverá um coquetel no hall de entrada antes do espetáculo.

Intimamente, Hermione estava determinada a se fazer notar por ele, e usaria qualquer truque imaginável para conseguir aquilo. Mas quando colocou a mão no joelho de Draco durante o percurso até a Opera House, num gesto de provocação, ele reagiu imediatamente, tirando sua mão e recolocando-a no colo da própria Hermione.

— Minha querida — ele murmurou. — Você realmente precisa aprender que os homens preferem tomar a iniciativa. Vai ter o que quer antes que a noite termine, não se preocupe.

A humilhação que Hermione sentiu foi aguda, e daquele momento em diante a noite não passou de um enorme pesadelo. Ela não gostou da reunião de ricos e famosos no luxuoso salão da Opera House, especialmente quando notou que uma legião de mulheres glamorosas fazia questão de se insinuar para Draco a todo instante. Uma delas era particularmente linda, uma loira com aparência de modelo internacional, que usava um inacreditável vestido dourado. Draco passou bons quinze minutos conversando com a mulher...

Hermione sequer gostou da ópera. Como poderia, quando estava sendo devorada pelo ciúme? Os dois mal trocaram uma palavra durante o trajeto dê volta para a cobertura no fim da noite. E foram dormir sem fazer amor.

O dia seguinte não foi muito diferente. Parecia que Draco evitava a todo custo ficar a sós com Hermione, inventando todo tipo de desculpa para manter o afastamento.

Ela só conseguiu sair-se bem na reunião de diretoria da Femme Fatale no dia seguinte porque estava muito bem preparada. Mas a ausência de Draco foi marcante. Ele desculpou-se, dizendo que precisava cuidar dos próprios interesses na agência de publicidade.

Naquela noite, ele apareceu para o jantar, embora não fosse exatamente um encontro íntimo entre duas pessoas. Ela e Leanne haviam organizado uma pequena celebração para a equipe executiva da Femme Fatale no restaurante de um hotel. Uma recompensa pelos esforços de todos para o sucesso da empresa. Hermione fez o máximo que podia para parecer animada... mas infelizmente o comportamento arredio de Draco acabou provocando nela uma tensão quase insuportável.

Aquela tensão finalmente explodiu durante a viagem de volta para a cobertura:

— Draco, o que há de errado com você? — ela disparou. — Não está feliz com o fato de eu ter me saído bem na empresa?

O olhar de relance dele foi frio.

— Não tente arrumar uma briga comigo, Hermione. E não diga tolices. Por que eu não ficaria feliz com o seu sucesso? Afinal de contas, a recuperação da Femme Fatale me rendeu uma fortuna...

— Não é sobre isso que estou falando. E eu não estou tentando brigar com você. Acontece que notei que você anda agindo estranhamente nos últimos dias.

— Tenho que pensar em muita coisa...

— Então converse comigo, Draco. Diga-me o que está acontecendo. Sei que existe algo e eu... eu simplesmente não posso mais agüentar isso.

— Não pode mais agüentar? Está insinuando que estou ignorando você?

Ela o encarou fixamente.

— Você está?

— Isso realmente é uma típica reação feminina! — ele zombou. — Está tentando inverter a situação só porque está cansada de mim.

— Eu não estou cansada de você!

— Querida, foi você quem não quis fazer amor no sábado.. ou no domingo. Não eu. E nas últimas semanas anda agindo mecanicamente, como um maldito robô. É você que anda estranha, não eu. Por que não admite isso?

— Agora é você que não está sendo honesto — Hermione balbuciou, chocada. — Não está mais querendo que eu viva com você e não tem coragem de simplesmente dizer isso! Está tentando distorcer a situação para colocar a culpa em mim. Eu vi como se comportou na outra noite. Não conseguiu tirar os olhos daquela loira. Talvez nem mesmo tenha percebido, mas realmente quer se livrar de mim... e digo isso com convicção!

Um silêncio pesado dominou o interior do carro, silêncio que perdurou até que Draco tivesse acabado de estacionar na garagem do prédio.

— Não vamos fazer uma cena, Hermione — ele disse finalmente.— Não suporto cenas, você sabe.

— Bem, e eu não posso suportar essa situação — ela gritou.

— O que quer dizer com isso?

— Não sei mais qual é o meu papel na sua vida. Como posso fazer amor com um homem que preferia estar com outra pessoa?

— Eu achei que era você quem queria estar com outra pessoa— Draco acusou-a friamente.

— Eu só queria que você fosse o homem que conheci. Gostei dele e o desejei. Mas você não é o mesmo... Você mudou, Draco.

— Eu mudei? Que engraçado. Realmente hilariante. E então... o que pretende fazer a respeito?

O corpo de Hermione ficou rígido. Draco estava colocando-a contra a parede, certo? Sentiu o coração apertar-se, mas ergueu o queixo altivamente.

— Vou me mudar para o quarto de hóspedes por hoje. E amanhã pretendo procurar outro lugar para viver.

Por um instante ela esperou que Draco protestasse, mas ele limitou-se a dizer:

— Ótimo.

Hermione saiu do carro, mas ele ficou parado atrás do volante.

— V-você... você não vai subir?

— Agora não. Preciso pegar uma coisa com Harry.

Ela, quase riu. Aquilo era mentira. Sem dúvida Draco iria ligar para a tal loira do seu telefone celular assim que ela estivesse no elevador. E provavelmente nem precisaria perguntar o endereço da mulher...

Nunca antes Hermione sentira-se tão propensa a odiá-lo como naquele momento.

— Ótimo — sibilou num tom frio e amargo, esforçando-se para manter a compostura.

Entretanto, quando chegou ao apartamento ela desabou sobre a cama sem conseguir conter as lágrimas por mais tempo. Chorou até ficar exausta, e acabou adormecendo com a mais amarga das sensações que já experimentara na vida.

Hermione acordou quando ouviu o ruído da música que vinha da sala de estar. Curiosa, caminhou para o corredor com passos vacilantes, mas parou antes de adentrar a sala, espantada com a cena que via diante de seus olhos.

Draco estava jogado no sofá de couro que ficava diante da ampla janela, segurando entre os dedos um cigarro e olhando para uma garrafa de vinho branco que estava em sua outra mão. Sua camisa estava aberta e ele cantarolava junto com a música. De tempos em tempos calava-se e engolia outro gole da bebida.

— Cinco mil dólares por um copo — ele murmurou, sem notar a presença de Hermione. — Uma forma bem cara de ficar de ressaca...

Subitamente a garrafa escapou da mão dele e um pouco do líquido entornou sobre a mesa de vidro. Draco deixou escapar um palavrão, e então, notando a presença dela, apanhou a garrafa novamente, e começou a rir.

— Não diga a Harry que isso aconteceu. Ele já ficou revoltado por saber que eu beberia essa coisa, imagine o que diria se soubesse que deixei cair um pouco no chão...

Hermione franziu as sobrancelhas.

— Realmente foi ver Harry?

— Foi onde eu disse que ia, não foi?

— Sim, mas...

— Mas você pensou que eu estava com outra mulher... Sinto desapontá-la. Estava aqui mesmo fazendo papel de tolo e me embriagando com um vinho muito raro que ganhei por sua causa.

— Minha causa?

— Exatamente... Harry concordou em me dar seu precioso vinho premiado se eu o ajudasse a recuperar o dinheiro que tinha perdido. Hoje ele vendeu as ações da Femme Fatale, e por isso fui pegar meu prêmio. Acredita que esta garrafa vale vinte e cinco mil dólares?

— E você a bebeu? Deve estar louco!

— É para isso que os vinhos servem, não é?

— Você está bêbado.

Hermione meneou a cabeça enquanto ele acendia outro cigarro e tragava profundamente.

— Onde mesmo eu estava? Oh, sim, fazendo papel de tolo...

— Posso abaixar o volume da música? — ela perguntou, sentindo dificuldade para ouvi-lo.

— Se você preferir.

Ela foi até a estante e desligou o aparelho de CD, depois voltou, colocando-se diante de Draco e ajeitando as lapelas do roupão que usava.

— Diga o que tem que dizer agora.

— Obrigado por sua permissão — ele replicou secamente. — Espero que mantenha tudo o que eu disser em segredo. Eu não gostaria de saber que estão circulando boatos sobre Draco Malfoy ter se tornado um idiota...

— Santo Deus, Draco, fale logo!

— Muito bem, eu te amo.

Hermione piscou.

— Eu disse que te amo — ele repetiu impaciente.

— Eu ouvi.

— Bem?

— Bem?

— Nada... eu acho — ele murmurou, tomando outro gole de vinho. — Apenas queria que você soubesse.

A cabeça de Hermione ainda girava. Não sabia o que pensar. Draco a amava.

— Se você me ama — ela balbuciou —, então por que quer se livrar de mim?

— Isso não é óbvio? Porque sei que você não me ama.

— Como sabe disso?

— Por causa das coisas que você não faz.

— As coisas que eu não faço? Mas, Draco, eu fiz tudo que você queria...

— Não estou falando sobre sexo, droga! Acha que é só isso que quero de você? Diabos, sexo não é tudo, você sabe... eu teria preferido um pouco menos de sexo, e um pouco mais de carinho.

— Carinho? — ela repetiu espantada. — Que tipo de carinho?

— Santo Deus, se você não sabe então não vou lhe dizer...

Ele levou o cigarro as lábios e tragou profundamente, praticamente soltando a fumaça no rosto dela.

Hermione não parou para pensar. Apenas avançou e retirou aquela maldita coisa dos lábios de Draco esmagando-a num cinzeiro que estava em cima da mesa.

— Já tive que agüentar o bastante destes seus malditos cigarros, Draco Malfoy. E não agüento mais essa tolice de autopiedade. Você mesmo me disse que não queria que eu dissesse que te amava, e eu obedeci. O que foi uma Bobagem, já que na verdade amo você, Draco Malfoy. Amo tanto que tenho estado desesperada desde o último sábado.

Ele parecia aturdido.

— Você me ama?

Hermione sentou-se no sofá ao lado dele.

— Foi o que eu disse, não foi?

— Não está cansada de mim? Não sente vontade de me deixar?

Ela duvidava que alguém já tivesse visto Draco Malfoy tão inseguro. Sentiu o coração apertar-se outra vez, inclinando-se para frente e cobrindo-lhe os lábios num beijo ardoroso.

— Nunca — murmurou em seguida.

Draco tomou-a nos braços e a beijou com avidez. Ela sorriu satisfeita. O velho Draco estava de volta.

— Diga outra vez que me ama — ele pediu, depois de uma série de beijos apaixonados.

— Eu te amo — Hermione repetiu. — Agora, diga você outra vez que me ama.

— Eu já disse duas vezes.

— Quero ouvir de novo.

— Oh, tudo bem! Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo! Está satisfeita? Agora me beije de novo.

— Não. Primeiro me diga: quando percebeu que me amava?

— Santo Deus, preciso fazer isso?

— Sim, você precisa.

O suspiro dele foi resignado.

— Tudo bem. Aconteceu no dia em que a levei até a Femme Fatale.

Hermione empertigou o corpo.

— Tanto tempo assim? Por que você não disse nada?

— Como poderia, depois de você concordar que entre nós seria apenas sexo? Eu... hã... contei ao Augusto.

— Quer dizer que Augusto já sabe de tudo isso?

— Senti que devia contar a ele. Uma questão de consideração. Não queria que Augusto pensasse que eu era um canalha. Porque se acha que ele não desconfiava que estávamos dormindo juntos, querida, está muito enganada.

— Mas ele nunca me disse uma palavra.

Draco arqueou as sobrancelhas.

— Claro que não. Somos parceiros, eu e o velho Augusto. Parceiros não revelam as confidências que trocam entre si.

— E o que mais seu grande parceiro Augusto sabe que eu não sei? — Hermione perguntou com desdém.

— Mais nada. Mas ele me deu uma dica sobre como saber se você estava ou não apaixonada por mim.

— Oh, ele deu?

— Sim, Augusto disse que você iria começar a tentar me fazer parar de fumar.

O coração dela acelerou-se.

— Oh, Draco, não sabe quantas vezes eu quis falar sobre isso, mas tive medo. Sei o quanto você gosta de fumar.

— Não tanto quanto gosto de você. Paro de fumar num segundo se você me pedir.

— Está falando sério?

— Sim. Mas devo adverti-la de que nunca vai conseguir me fazer desistir de tomar um drinque de vez em quando.

— Eu nunca faria isso. Foi o vinho que soltou sua língua e fez de mim a garota mais feliz do mundo.

— Como você pode ser feliz amando um playboy arrogante e egoísta como eu?

— Para ser franca, gosto que seja um pouco arrogante, e você não é mais egoísta que a maioria dos homens. Mas seus dias de playboy estão contados. Tenho planos para você, Draco Malfoy.

— Que planos?

— Augusto não lhe contou?

— Me contou o quê?

— Que sou o tipo de garota que sonha em se casar?

— Na verdade, ele mencionou algo assim... Quanto tempo vou ter antes de ser forçado a fazer a pergunta fatal?

— Um par de anos, eu acho. Tenho apenas vinte e três anos. Mas vou querer ter filhos antes dos trinta, e pretendo estar casada com o pai deles.

— Então não precisamos nos preocupar com isso ainda, certo? Podemos nos divertir por mais algum tempo, e deixar a grande decisão para mais tarde. Que acha de irmos para o quarto agora mesmo e começar com toda essa diversão?

— Por que não ficamos aqui? — ela replicou, fazendo-o piscar. Hermione levantou-se e desamarrou o roupão.

— Sempre quis fazer amor neste sofá — sussurrou com voz rouca e, sorrindo de forma sedutora, aproximou-se de Draco...

N/A:Meninas muito obrigada por lerem a Fanfic e obrigada por comentar também, estou com pouco tempo pra postar T.T

Preguia de logar lol: tenta ver essa imagem: ..

Deu pra imaginar agora?

Mila Pink: Só um aperitivo amore, vai ter cenas mais quentes ;)

Lally Sads: Ele já está gostando dela,mas não admite T.T homens aff¬¬

Betty: A Mione nasceu pra liderar *-*

Miss Perfection