CAPÍTULO XIII

Eu os declaro marido e mulher — o celebrante concluiu. — Pode beijar a noiva, rapaz.

Draco estava sentado ali, aturdido pela forma como a cerimônia simples no jardim da casa de Lunna o tocara, e também pelo olhar cheio de significado que ela trocou com o homem que agora era oficialmente seu marido. Quando o noivo ergueu o véu da noiva e a beijou foi... ora, foi muito terno.

Os olhos de Draco estavam rasos d'água. Incrível! No passado, sempre detestara casamentos. Seu lado cínico o levava a considerar aquele tipo de ocasião sentimental demais. Que Bobocas, ele costumava pensar. E segundo as estatísticas, a metade dos novos casais acabava se divorciando em menos de dois anos...

Naquele dia, porém, sentia certo otimismo no coração. Afinal de contas, a outra metade dos casamentos agüentava firme, lembrou a si mesmo. Era realmente uma questão de escolha e compromisso, de estar preparado para enfrentar os tempos ruins e apreciar de verdade os momentos bons... Concentrar-se neles, para ser mais preciso.

Claro que sempre ajudava ter uma mulher compreensiva como esposa. Uma mulher capaz de compaixão, que conhecesse as falhas do homem e o amasse mesmo assim.

Ele olhou de relance para Hermione, que estava sentada a seu lado numa das cadeiras que haviam sido colocadas no jardim da mansão Zambine. A aparência dela era simplesmente gloriosa, vestida naquele modelo florido... cujo decote, aliás, era bastante revelador.

Sentindo o olhar dele, Hermione virou-se e o encarou com o mais adorável dos sorrisos nos lábios.

— Viu? — Ela disse zombando. — Até que não foi tão ruim, não é?

Draco sorriu. Aquela mulher o conhecia muito bem. O fato era que ela o conhecia melhor que ninguém, melhor que o próprio Harry. Na última semana tinham conversado muito. Ele contara a Hermione a história de como um simples garçom tinha se transformado no dono da agência publicitária mais bem-sucedida de Sidnei, usando apenas a imaginação e um profundo senso de oportunidade.

Divertira-se falando sobre o próprio passado, ate mesmo quando contara sobre as surras homéricas que o tio lhe dava de vez quando. O castigo físico fora o principal motivo para Draco deixar aquela maldita fazenda e fugir para a cidade grande. Era irônico, mas de certa forma ele devia agradecer ao tio por aquela agressão... Hermione fora uma excelente ouvinte, e o abraçara

com muito carinho quando a história finalmente terminara

Meu pobre querido — ela murmurou, cobrindo-o com beijos — Não me admira o fato de você achar tão difícil amar e confiar em outra pessoa. Mas tudo isso ficou no passado e agora você tem a mim. É hora de esquecer tudo isso. Eu te amo. É tudo o que precisa lembrar.

Ele pensara bastante naquelas palavras, mas algo ainda o incomodava.

— Hermione...

— Sim, querido?

— Acha que eu seria um bom pai?

— Acho que você seria o melhor de todos eles.

— Apesar dos meus genes? Meu pai abandonou minha mãe e eu, e meu único tio era um bastardo nojento... Não é muito animador

— Draco não está escrito em lugar nenhum que esse tipo de característica passa de pai para filho. Foi você mesmo quem disse que um adulto deve assumir as conseqüências de seus atos. Se realmente quiser, será um pai excelente. É um bom homem, e acho que nunca conheci uma pessoa tão íntegra. Além disso, tem muito amor guardado aí, neste seu coração enorme. Vamos encarar os fatos, não tem exercitado muito sua capacidade de amar nos últimos anos, certo?

— Isso é um cumprimento ou uma crítica?

— É a verdade.

— E você ainda quer se casar comigo?

— Faria isso agora mesmo, se pudesse.

— Pensei em esperar até depois do réveillon.

— Oh, meu Deus... — Draco adorou o súbito rubor que dominou o rosto de Hermione.

— Por mais que eu tenha gostado dessa cerimônia simples, preferia que nós nos casássemos numa igreja. A fábrica da Femme Fatale vai fechar no período de festas, e só reabrirá em janeiro. Existe alguma igreja em Drybed Creek?

Ela piscou ao encará-lo.

— Quer se casar em Drybed Creek?

— Claro. A tradição diz que o casamento deve se realizar na cidade natal da noiva. E então? Drybed Creek tem uma igreja?

— Uma bem pequena. Mas o pastor só a visita uma vez por mês.

— Será suficiente. Vamos marcar a data.

— Deve se lembrar de que faz muito calor naquela região nessa época do ano.

— Não se preocupe. Vou providenciar ar condicionado para a igreja e para o bar do hotel.

Hermione engoliu em seco.

— Não posso deixar que o adorável vestido branco da minha noiva fique arruinado por causa do suor, posso?

— Mas isso será um desperdício de dinheiro!

— Podemos providenciar aparelhos portáteis para a igreja... e não acho que serão um desperdício no caso do hotel. Augusto finalmente decidiu reformar todo o lugar para torná-lo mais atraente para os turistas.

— Ele nunca contou isso para mim...

— Acho que Augusto não fez isso porque foi Ninfadora que o convenceu a mudar de idéia.

— Ninfadora!

— Você queria que ele e Ninfadora ficassem juntos, não é?

— Sim, mas...

— Então pare de agir como uma mulher típica. Nem pense em mudar de idéia agora.

— Não era essa minha intenção.

— Bom. Agora cale-se e me beije.

— Aqui? Com toda essa gente olhando?

— Ninguém está nos observando. Todos os olhares estão nos recém-casados nesse momento. Aliás, caso não tenha notado, somos os únicos ainda sentados. Os outros convidados já estão com drinques na mão.

— Sim. Mas você sabe o que acontece cada vez que começa a me beijar. A situação escapa ao controle e nós realmente não podemos... quero dizer... não aqui...

— Vou encontrar um jeito — Draco afirmou, beijando-a em seguida.

Foi um desafio encontrar um lugar privativo com tantos convidados naquela festa. Mas Draco adorava desafios.

E, como sempre, saiu-se muito bem...

Eles se casaram na pequena igreja de Drybed Creek no dia dois de janeiro. Como previsto, a temperatura exterior passava dos quarenta graus, mas dentro do templo o ar-condicionado tornava o ambiente agradável. A noiva estava deslumbrante em seu vestido branco, e o noivo não conseguiu tirar os olhos dela por um segundo sequer. A recepção aconteceu logo depois no Hotel Drybed Creek, e estendeu-se por toda a noite. Especialmente porque os drinques eram por conta da casa.

Augusto sentia-se orgulhoso como o pai de qualquer noiva se sentiria, e Ninfadora não o soltou por um instante, obviamente planejando, ela mesma, ser a noiva num futuro bem próximo.

Noivo e noiva deviam passar apenas uma noite na cidade, partindo na manhã seguinte para o aeroporto de Broken Hill, onde embarcariam numa viagem de lua-de-mel cujo destino Draco preferiu manter em segredo. Mas Hermione achou difícil se despedir, como sempre, e dessa vez o próprio Draco relutou em partir. Estar apaixonado o fazia ver aquele lugarejo de forma diferente. No final, acabaram adiando em uma semana o início da viagem de núpcias...

— Sabe de uma coisa, querida? — ele disse ao passar os braços em torno dos ombros da esposa naquela noite. — Mudei de idéia. Acho que Drybed Creek é mesmo um lugar romântico, afinal.

Hermione sorriu para o marido, imaginando que qualquer lugar seria romântico dali em diante. Desde que Draco estivesse a seu lado.

— Tudo bem se eu não usar nenhuma proteção hoje? — ele perguntou.

O coração de Hermione disparou.

— Tem certeza disso, Draco? Certeza absoluta?

— Nunca estive mais certo em toda a minha vida — ele replicou. — Mas preferi perguntar a você primeiro.

— Quero tudo o que você quiser, Draco. Ele sorriu. E então a beijou.

* F * I * M *

Obrigada de coração a todos que acompanharam essa história!

N/A: Pois é Acabou Gente T.T

beijinho especial a todas vocês *-*

Miss Perfection