3º Capítulo: Bela

Sam não soube dizer quanto tempo vagueou por entre as grandes árvores que lhe tapavam qualquer visão do céu. O nevoeiro gelado provocava-lhe arrepios e o facto de estar nu, não abonava nada em seu favor. Desde que se levantara que mil e uma perguntas lhe passavam pela cabeça, mas até agora não obtivera uma única resposta.

Lembrava-se de ir com Dean até à casa dos Lawson, de desvendarem o mistério em torno da jovem Abigail. Mas quando se dirigia para o Impala, a sua mente ficara turva e a única coisa que fixara fora o berro de Dean o chamando. Tudo isso conjugado com o ambiente sinistro que o rodeava, fazia Sam beirar o estado de pânico. Sentia-se preso numa espécie de pesadelo onde tudo lhe parecia demasiado absurdo e assustador.

Perdido em pensamentos deu consigo no limite da floresta. Os seus pés descalços finalmente haviam deixado o tapete de folhas, pedras e terra, pisando o gramado verde de um pequeno vale. O nevoeiro dissipara-se e sob o céu enevoado, Sam pode ver uma pequena vila de casas em pedra.

- Mas que raio…? – Perguntou abrindo a boca. Nunca em toda a sua vida vira semelhante lugar.

A vila que se estendia perante os seus olhos em nada se parecia com as localidades mais pequenas dos Estados Unidos da América. Para falar a verdade, nada ali se parecia com o seu país, desde o clima húmido passando ao cheiro de terra molhada até acabar naquele aglomerado de casinhas de aldeia deitando fumo pelas chaminés, qual cenário de postal natalício.

Os seus olhos perscrutaram toda a paisagem até reparar num trilho em terra que até à dita vila. Só havia um único problema. Se aparecesse assim no meio da estrada, nenhum carro lhe daria boleia. Optou por seguir pela orla da floresta aproximando-se o mais que pudesse do aglomerado urbano. Durante todo o percurso, o silêncio só quebrado pelo cantar tímido dos pássaros, permanecera.

A bem da verdade, nenhuma alma viva se dignara a aparecer. Sentia-se só no mundo. Provavelmente teria sido vítima de algum encantamento, maldição talvez. Ninguém aparece nu no meio de um bosque. E sonho não era. Sam já o tinha provado ao beliscar o braço vezes sem conta. Só tinha uma única solução. Caminhar até achar gente. E aquela vila parecia ser o único meio urbano em centenas de quilómetros.

- Só espero que não seja um ninho de zombies. – Falou para si próprio, enquanto sentia os pés cortarem-se na gravilha da estrada.

Um sorriso fraco assolou o seu belo rosto. O que diria Dean se o visse naquele estado? Provavelmente a piada do ano. Sentia a sua falta. Para falar a verdade, Sam sempre receara perder o irmão. Ele era tudo para si. A sua única família, o seu porto seguro. E por muito diferentes que fossem, o que os unia era tão forte que nem o inferno acabou com esse sentimento.

A sua atenção foi desviada para a casa que agora aparecia na sua frente. Sam caminhou sorrateiramente até às traseiras, escondendo-se atrás do poço de pedra. Não se via ninguém, mas a chaminé deitava fumo. Olhou para a roupa masculina pendurada no estendal. Era a oportunidade perfeita para acabar com a figura ridícula em que se encontrava.

Sem querer dar nas vistas, olhou para todos os lados e para a porta traseira da pequena casa em pedra, antes de pegar numa camisa e num par de calças. Vestiu-as rapidamente e notou que a as calças castanhas justas lhe assentavam bem. A camisa era mais larga e Sam reparou noutro pormenor estranho a juntar a tantos. As roupas estavam fora de moda. Para falar a verdade eram antiquadas. Mas os pensamentos foram cortados ao identificar um barulho vindo de dentro de casa.

Amaldiçoou-se por não ter sequer uma faca consigo, mas não teve outro remédio senão ficar estático escutando mais algum barulho que fosse. Não se iria safar só com um as roupas. Precisava de sapatos e mais que tudo: dinheiro para sair daquele fim de mundo. Respirou fundo e arriscou bater na porta em madeira. Nada. Ninguém apareceu e Sam suspirou. Notou que a porta estava encostada e abriu-a devagar. Pé ante pé entrou na casa e viu-se invadido por uma sensação de calor. Simples mas reconfortante, era assim aquele lar. Ouviu o crepitar da lareira e alguém ressonando.

Um homem de meia idade dormia pegado, balançando-se na sua cadeira. Sam ficou sem saber o que fazer até ver os sapatos do homem a um canto. Detestava fazer isso mas não tinha outro remédio. Enquanto os calçava o brilho de algumas moedas em cima da mesa em madeira captaram a sua atenção. Céus, parecia uma prova de tentação. Aquele homem não era rico de todo. Já lhe bastava roubar as suas roupas e sapatos. Mas Sam não fazia a mínima ideia de onde estava, nem sequer o que lhe acontecera. Dean deveria andar que nem louco atrás de si. Precisava voltar e para isso tinha de pegar o dinheiro. Sem pensar mais recolheu as moedas e saiu porta fora, afastando-se da casa em pedra e retomando o trilho.

Mais uns passos e Sam acabara por entrar naquela localidade. As eram todas pequenas, em pedra escura, tornando o ambiente mais sombrio ainda. Exceptuavam-se duas a três casas com mais um andar de altura. A confirmação de que estaria em tudo menos nos Estados Unidos, veio com a placa à entrada da vila.

"Castleville", Sam leu mentalmente a placa em pedra. A passos lentos percorreu aquela que parecia ser a rua principal. Não estava no seu país e duvidava que estivesse em pleno século XXI. Ou era isso, ou então tinha entrado em algum estúdio cinematográfico. A estrada em terra enlameada anunciava o tempo que fazia ali.

Uma carroça atrelada a dois cavalos faria Dean ter um ataque por falta de um volante para conduzir. Uma mulher passava apressada por ele, levando um cesto com legumes. Trajava um vestido castanho comprido com uma saia armada.

Sam teve vontade de lhe perguntar onde estava ao certo, mas receou que o dessem como louco. Isto porque a mulher não levantou os olhos para si, mas colocou-se à espreita mal entrou na primeira porta que viu. Algo não estava bem. A juntar ao seu grande problema de estar perdido no meio de nenhures, aquele vila encerrava na sua óptica, algo de misterioso.

Um barulho de ferros foi ouvido e Sam olhou para a placa numa das casas, que abanava lentamente com o vento. A indicação de taberna, fez o moreno entrar, não sem antes respirar fundo. Com razão. Mal botou os pés dentro do estabelecimento tosco, os olhos dos presentes caíram sobre si. Tentando manter a compostura, Sam caminhou lentamente até ao balcão pedindo uma bebida.

- Aqui tem. - O dono serviu-o, vertendo o líquido acastanhado para um copo de barro. Sam notou o sotaque vincadamente inglês do homem de meia-idade. Pelo canto do olho, viu este dirigir-se ao fundo do balcão e conversar algo com dois homens. Não era preciso ser inteligente para perceber que o tema de conversa era ele mesmo.

Aos poucos foi entendendo que todos os presentes falavam baixo, mas mesmo assim o sotaque britânico era inconfundível. Estaria em Inglaterra? Como seria possível? Sam não se lembrava de apanhar nenhum avião para o Reino Unido, muito menos de fazer planos para lá ir. E mesmo que isso acontecesse, ninguém acordaria no meio da floresta sem roupa.

Mas depressa essa dúvida gigantesca abrandou quando aguçando o ouvido, Sam pode ouvir a conversa de três homens sentados numa mesa perto de si.

- O velho Jackson está desesperado. – Um homem aparentando quarenta e poucos anos, com o cabelo escorrido caindo para a frente dos olhos falou. – Só desta vez foram quase dez animais. Sem contar com as dezenas do mês passado.

- Não foi só ele, Alfred. – Um homem que olhava o baralho de cartas na mão falou. – Há registo de que outros rebanhos foram atacados.

- Mas não com o relevo daqui. – O primeiro abanou a cabeça. – Temos de montar uma armadilha. Quem quer que seja, tem os dias contados.

- Vocês devem estar a sonhar acordados. – O homem que até se mantinha calado, entretido a mastigar o palito na boca, levantou os olhos para os companheiros. – Viram como os animais ficaram. Homem nenhum faria aquilo. Eles foram literalmente devorados. Estripados vivos, por algo que estava sedento pelo sangue deles. Pela própria carne fresca, arrancada dos ossos.

Sam rodou a cabeça para os homens. Quase instantaneamente, o seu cérebro activou-se para aquela conversa sinistra. Ataques a rebanhos? Completamente devorados vivos? Isso não era bom sinal. Imediatamente passou os olhos pela taberna, procurando qualquer sinal de demónio próximo, mas todos pareciam tão interessados em si mais do que ele próprio.

- A maioria de vocês é demasiado novo para se lembrar. Ou então nunca abriram os olhos para a realidade. – O homem continuou. – Mas esses ataques não são de agora. Já o meu pai falava neles. Desde que era pequeno. Todos os meses, em noites de lua cheia o mal sai. Percorre esses montes em busca de alimento, matando e devorando todos os que se atravessarem no seu caminho. Não distingue animal de humano, não reconhece o pai do filho.

A taberna caiu numa autêntica onde de silêncio, escutando apenas o relato do homem. Sam decidiu então arriscar.

- E já alguém viu tamanho mal? – Sam perguntou e os homens olharam-no directamente.

- Não. Talvez porque ninguém ficaria vivo para contar a história.

- Ou porque pode não passar de uma lenda. – Sam avisou.

- Então como é que explica estes acontecimentos? – O homem tirou o palito da boca e olhou Sam ameaçadoramente. – Um forasteiro como você não faz a mínima ideia do que se passa.

- Sim. O sotaque dele é esquisito. – outro notou. – Donde você é realmente?

- De… dos Estados Unidos. – Sam arriscou e os presentes entreolharam-se.

- Oh, bem me parecia. O meu filho está lá. – O dono do bar disse, enquanto limpava um copo. – Mas o que faz aqui? Castleville não é uma paragem muito propícia a viajantes.

- Principalmente sem malas e tão mal vestidos. – Um homem careca desatou a rir.

- Eu… fui assaltado. – Sam mentiu. – Quando viajava para… Londres.

- Londres? – O dono da taberna sorriu. – Se quem o assaltou lhe roubou tudo, deixando-o com a roupa do corpo, fez o favor de o deixar ainda mais longe de Londres.

- Eu fiquei com algum dinheiro. – Sam apresentou umas moedas no balcão. – Talvez pudesse apanhar algum transporte até lá.

- Está a um dia de viagem de Londres. E o John foi fazer um serviço com a única carruagem de aluguer disponível.

Sam processou a informação. Carruagem? Um dia de viagem até Londres? Em que ano é que ele se encontrava realmente?

- A não ser que tenha alguma audiência urgente com a rainha, o melhor é ficar aqui. Há uma pensão na esquina. Não é grande coisa mas dá para dormir. E tente falar com a polícia. Pode ser que apanhem o dito patife.

- Oh… obrigado pela informação. – Antes de se voltar totalmente para a saída, Sam teve de tirar as dúvidas. – Rainha… Vitória não é?

- Claro. Vocês americanos com os vossos presidentes até se esquecem de quem é sua Majestade! – Um dos homens exclamou.

Sam saiu para o exterior mais baralhado do que entrara. Com quem então encontrava-se na Inglaterra, em pleno século XIX e não sabia como tinha ido lá parar. Com certeza só poderia ser duas coisas: ou estaria preso num sonho, ou teria sido vítima de uma maldição, ou na pior das hipóteses viajara no tempo. Enquanto caminhava pela rua enlameada, sujando as botas que "pedira" emprestadas, Sam tentou lembrar-se de tudo o que acontecera entre a última caçada e o caso Lawson.

Mas nada batia certo. Tanto ele como Dean passaram um dia relaxado até Bobby telefonar dizendo que precisava de ajuda. E mesmo depois do encontro com o fantasma de Abigail, nada de estranho acontecera. A não ser…

- Eu fiquei tonto. – Sam disse parando no meio do caminho. Lembrava-se claramente de começar a ver tudo enevoado, de Dean perguntando o que se passava e depois o nada. A escuridão abatera-se sobre si, acordando naquela maldita floresta.

Retomando a marcha lentamente, Sam pensou o quanto Dean deveria estar aflito. O mais certo era este andar à procura de respostas. E se também ele tivesse sido acometido pelo mesmo mal? Será que Dean estaria perdido na floresta?

Sam levou as mãos à cabeça passando-as lentamente pelo cabelo desalinhado. Depois lembrou-se do tema que povoara a conversa dos homens na taberna. Algo ou alguém estaria a matar os animais da vila. Pela descrição só poderia tratar-se de uma única coisa…

- Um lob… - Sam fechou a boca antes de terminar a sua conclusão. Estava num atalho. Uma rua estreita entre duas casas de pedras. Não se ouvia viva alma e um nevoeiro denso ameaçava cobrir toda a vila.

Olhou ao seu redor. Pareceu-lhe ter ouvido algo, mas tudo se mantinha silencioso. Demasiado silencioso… Voltou-se ao caminho que fazia, mas o barulho de algo a ser pisado, fez com que imediatamente olha-se para trás.

- Quem está aí? – Sam perguntou directamente, sentindo-se estúpido. Tinha a sensação de estar a ser seguido e o facto de não ter nada com que se defende-se a não ser o próprio corpo, deixava-o mais intranquilo.

Sustendo a respiração, escutou o mesmo barulho mas o seu rosto aliviou quando vira que não passava de um cão rafeiro de cor acastanhada e pelo completamente sujo que apenas analisava os cantos às casas à procura de comida. Sorriu de canto e decidiu rumar até à dita pensão antes que anoitecesse. Quanto à polícia, ficaria para depois. Poderia estar noutro tempo, mas para alguém como ele, o melhor era manter-se distante das autoridades.

Mas antes que tivesse tempo de se virar totalmente, Sam sentiu uma lâmina fina encostar ao seu pescoço. Percebeu que quem quer que fosse não era amigável.

- Bem me parecia que alguém seguia os meus passos. – Sam tentou não demonstrar nervosismo e colocou as mãos lentamente no ar. Talvez com um golpe de sorte e frieza conseguisse desarmar o possível assaltante. "Que ironia", pensou. Inventara a história de que tinha sido roubado e estava prestes a viver a mentira.

- Passe todo o dinheiro que tiver. – Uma voz feminina com sotaque carregado surpreendeu Sam. Mas ao tentar virar o rosto na direcção da ladra, esta enterrou ainda mais a faca no seu pescoço. – Não tente fazer nenhuma gracinha… forasteiro.

- Não estou vendo como. Afinal… a senhorita maniatou-me completamente. – Sam tentou aliviar a tensão. Era uma mulher que o tentava assaltar. Não uma possuída.

- Onde está o dinheiro? – A voz autoritária mas tão sedutora aos ouvidos de Sam tornou a insistir.

- No bolso… das calças. Oh, vá com calma! – Sam exclamou, quando esta levou as mãos ao bolso traseiro e retirou o dinheiro.

- Você é um homem estranho, forasteiro. Poucos colocam o dinheiro nos bolsos traseiros. – A ladra falou, mas antes que tivesse tempo de contar o pouco que havia, viu-se desarmada num movimento rápido de Sam.

Encostando a ladra à parede e prendendo o pescoço desta com o braço, Sam pensaria tudo naquele momento, menos ver aqueles olhos verdes de novo. Ficaria menos surpreendido se visse o próprio Lúcifer na frente dos seus olhos.

- Bela? – Sam balbuciou olhando completamente confuso para a mulher. Reconheceria aquela face tão delicada em qualquer lugar do mundo. Olhos doces que escondiam uma vigarista experiente. Se não conhecesse o verdadeiro feitio de Bela Talbot, diria que esta era um anjo.

Mas atrás da máscara de beldade escondia-se uma mulher sombria e Sam tratou de saber o que esta fazia ali. – Como veio cá parar? Você morreu! Será isto o Inferno?

- Como… - A mulher olhava-o assustada. Não, não era impressão de Sam. Bela estava assustada. – Como sabe o meu nome?

- Ora, não se faça de santa. Isso é coisa que nunca foi. – Sam rolou os olhos. – Eu não tenho tempo para piadas como o Dean. Por isso, o que é você? Um demónio?

- Que demónio, que Inferno? – Bela tentou-se soltar, mas Sam prendeu-a com mais força. Só agora a jovem dava conta do quanto este era atraente. – Eu não sei quem você é e nem faço ideia do que fala!

Sam ficou por uns momentos apenas fitando a sua interlocutora. Já achava Bela lindíssima. Tinha inclusive sonhado o que não devia com aquela mulher. Mas agora ela está mais bela que nunca. Os cabelos castanhos claros caiam pelos ombros e as roupas coloridas não permitiam que Sam raciocinasse direito.

Aproveitando o silêncio do homem, a jovem tentou libertar-se e enfiou uma joelhada entre pernas, fazendo Sam se abaixar. Solta, pegou novamente na faca que ficara caída e apontou-a a Sam.

- Como você me conhece? – Bela perguntou em tom ameaçador e assustado. – Você é um forasteiro. Nunca o vi mais gordo na minha frente. Responda-me!

- Eu… - Sam gemeu e tentou fixar Bela. Esta estava vestida com um vestido que lhe deixava um dos ombros à mostra. Como se fosse uma… cigana? – Você não se lembra de mim?

- Como haveria de lembrar de alguém que nunca vi? – Os olhos verdes de Bela faiscavam na direcção de Sam. – Esse seu sotaque esquisito. É um estrangeiro. Eu nunca saí daqui. É impossível conhecer-me.

- Oh, mas eu conheço-a muito bem. – Sam endireitou-se finalmente e sorriu de canto, ainda não acreditando na história louca que estava vivendo. Talvez fosse esse sorriso, ou as suas palavras que foram mal interpretadas por Bela. Num impulso, o moreno tentou emendar o erro. – Não é esse conhecimento que pensa. É que…

- Pensa que eu sou o quê? – Bela enfureceu-se. – Alguém de quem se pode aproveitar?

- Hei! Que eu saiba foi você que se aproveitou assaltando-me.

- Seu canalha. Forasteiro canalha! – A vontade de Bela era castrar aquele insolente, mas não percebia o porquê de não sair do sítio e muito menos o acelerar do seu coração quando olhos nos olhos destes. – Sabe uma coisa? Eu não quero o seu parco dinheiro.

- Arrependeu-se? – Sam perguntou quando esta atirou as moedas ao chão.

- Os dias estão frios. O meu povo precisa mais de mantimentos e roupa do que dinheiro. – Bela disse sempre apontando a faca. – Tire as botas.

- O quê? – Sam abanou a cabeça não percebendo.

- Faça o que mandei! Tire as botas. Ou vai querer que eu lhe tire antes outra coisa? – Bela aproximou-se um pouco. Sam tirou lentamente as botas e atirou-as para Bela. – Agora a camisa.

- Está louca? Já viu o frio que faz cá fora? – Sam perguntou, arrepiando-se ao lembrar do frio que passara momentos antes.

- Você é forte. Suporta o frio e mais coisas. – Bela troçou. Sam acedeu e retirou a camisa, deixando a moça perturbada com o belo tronco definido desta. Os seus olhos captaram a tatuagem que este possuía acima do coração.

- Mais alguma coisa? – Sam atirou a camisa a qual Bela apanhou prontamente. – Vai querer a calça também?

- Só se for para o capar depois. – Bela falou, afastando-se lentamente e sempre com os olhos felinos colados em Sam. – Nunca mais cruze o meu caminho, forasteiro.

Depois, tão depressa como apareceu, a cigana eclipsou-se no denso nevoeiro. Sam não soube dizer quantos minutos ficou ali parado, quase não sentindo o frio que lhe arrepiava a pele. Tudo era estranho, surreal mesmo. Mas a presença de Bela ali afastara todas as dúvidas que antes o assolavam. Bela Talbot estava morta. Ela própria, assim como Dean, tinham feito um contrato e pago por isso. A nova morada de Bela era o Inferno. Então porque estaria ali? Porque se chamava Bela e parecia não conhecer Sam? Porque este pode ver medo nos seus olhos em vez da coragem que sempre a assaltava quando se defrontava com os Winchester?

Sam já não tinha certeza de nada. Apenas que aquela mulher era sem dúvida a Bela que conhecera. Ladra, perigosa, bela como nunca mas com uma aura diferente daquela que conhecera há tempos atrás.

Continua…


Espero que gostem!

Saudações Piratas! :D

JODIVISE