N/A: Por favor não me matem pelo Sirius. Esse capítulo ele vai estar um DEMÔNIO de chato. Eu odeio ter que fazer isso com ele, de verdade. Mas como o comportamento dele é inspirado na minha melhor amiga, e ela sempre tem essas fases dela em que todos querem estrangular ela de tão chata, eu achei que o Sirius também tinha que ter essa fase. Ah, e me perdoem pelos palavrões excessivos e repetitivos em alguns pontos. Assim como o papo meio 'aberto' sobre as garotas usarem drogas. É que como essa fic é baseada em fatos reais, eu achei que deveria realmente colocar certas coisas reais nela. E eu e os meus amigos nos chingamos de 'seu merda, seu bosta, de merda, de bosta, etc' o TEMPO TODO. É nosso jeito carinhoso de demonstrar nossos mais profundos sentimentos hehe

Cap 5. Entre corujas e corações partidos.

James sorriu ao lembrar da noite que passara com Lily no sofá do Salão Comunal. Mesmo que não tivesse trocado uma mínima palavra com a ruiva desde o acontecido, sentia como se eles estivessem finalmente bem. Quer dizer, não que a semana que passara com ela antes do incidente com o Ranhoso não tenha feito que ele sentisse que estava 'de boa' com ela. Mas é que ele finalmente se sentia a vontade para começar uma conversa com ela, chamá-la pra sair (como amigos, é claro) ou simplesmente quem sabe mandar-lhe uma coruja durante as férias.

Talvez eles não tenham se falado desde aquele dia porque ela passara todo o tempo dentro do dormitório, provavelmente dormindo. E ele estivera com os marotos, pois era uma semana de lua cheia. A única oportunidade que teve de ao menos ver a sua cabeleira ruiva passando em meio a tantas outras, foi no último jantar em Hogwarts. Ela havia visto ele de longe e acenara, sorridente, antes de sentar-se com as garotas perto de algumas outras meninas do 4º ano.

Sirius o acordou de suas lembranças, jogando um pequeno bolo de meias sujas em sua cara. Ele deveria estar a muito tempo parado de joelhos em frente ao seu baú, pois o moreno não parecia muito feliz.

- VEADÃO DE MERDA, VAMOS NOS ATRASAR SE VOCÊ NÃO TERMINAR ESSA BOSTA DE MALÃO LOGO.- James o ouviu gritar, enquanto ainda tentava focar o que havia a sua frente. Como não obteve resposta, Sirius jogou outra coisa qualquer que estava ao seu alcance.

- Ô Cachorrão, seu lixo. Dá um tempo. Tô terminando aqui...- O maroto respondeu, colocando seja lá o que Sirius acabara de jogar nele dentro do malão. – Você tem que parar de ser tão rude comigo as vezes.

Era verdade. Sirius estava sendo horrível com James de uns tempos pra cá. Quer dizer, mais do que o normal. Eles normalmente criticavam um ao outro o dia todo, mas era coisa de melhor amigo. Sabiam que o outro não estava falando sério ou fazendo aquilo para magoar. Mas Sirius estava estrapolando a dose normal dessa habitual guerra constante entre os dois. James não sabia como iria aguentar os próximos 3 meses com ele em sua casa. Não sabia nem por que havia o convidado, pra falar a verdade.

Sirius deu de ombros para o comentário do amigo e se jogou na cama, pois sua mala estava pronta a milênios. Peter estava lendo uma revista de moda ou coisa parecida, e o maroto resolveu cutuca-lo.

- Ei, Wormtail. O que você tá lendo?- Ao ouvir a voz rouca do amigo, Peter assustou-se e colou a revista contra o peito, como se lê-la fosse um crime. Ao ver a expressão do pequeno, Sirius gargalhou.- Não vou te zuar, o que você tá lendo?

- Uma revista de boa forma, e tem umas dicas de roupas também...- Peter sussurrou, apertando a revista ainda mais forte contra o peito, enquanto enrubrescia. Remus, que estivera no banheiro, entrou no aposento bem a tempo de ouvir a sentença proferida pelo ratinho. Instantaneamente lançou um olhar feio para Sirius, que deu de ombros.

- Acho legal você estar lendo essas coisas, Wormtail. De verdade. E sua dieta, como anda?- Remus perguntou, sorridente e doce, sentando ao lado do garoto com a revista. Ele se sentiu menos ameaçado e finalmente descolou a revista do peito, deixando-a jogada no colo.

- Obrigado, Moony. – Disse, abaixando a cabeça e ficando ligeiramente mais vermelho.- A dieta anda bem, está dando resultado... Quando eu chegar em casa vou começar a fazer academia.

- É, eu tenho notado que você andou emagrecendo mesmo. É assim que se fala! Tem que ficar bonitão mesmo!- O lobisomem abraçou o amigo de lado e lhe deu tapinhas de animação em seu ombro. O pequeno sorriu levemente para ele.

- É, tem que ficar gatão pra poder pegar todas como o resto dos seus amigos!- James brincou, inocentemente, enquanto fechava o seu malão e sentava-se em cima do mesmo. Remus olhou torto para ele, como se tivesse falado algo realmente errado. Sirius o olhou com cara de quem queria gargalhar loucamente, e ao mesmo tempo reprovando-o. – O que foi?

- Prongs está certo. Eu sou o único feio do grupo... E mesmo com os problemões dele com a Evans, ele continua pegador como vocês dois também são. Eu quero ser como vocês, caras. Vocês não entendem?- Peter disse, enchendo seu peito de coragem e levantando o rosto para os outros. Cada um teve uma reação totalmente diferente.

- Nós não somos pegadores. – James tentou consertar, fazendo um bico torto. Sirius estava gargalhando loucamente desde que Peter dissera 'e mesmo com os problemões dele com a Evans' .

- James não fica com ninguém desde que beijou a Lily aquele dia no três vassouras. O Sirius só fala, mas não pega ninguém.- Sirius parou de rir ao ouvir o amigo falar mal dele. Remus virou-se para ele para poder ralhar com o mesmo.- É verdade, Padfoot. Desde que você começou com essa graça de ficar babando na Nonuah, você não pegou mais ninguém. – O garoto cruzou os braços e fechou a cara, concordando com o que o amigo dizia. Remus voltou-se para Peter novamente. – E eu namoro a Bruna já faz um ano. Antes dela, eu fiquei, tipo, com umas duas garotas e olhe lá.

- Vocês só estão numa fase ruim. Mas continuam os gostosões lindos da Grifinória. Eu sou só uma sombra pra vocês. Sei lá, eu quero muito ser considerado um dos mais bonitos de Hogwarts que nem vocês são todo ano.

- Aquela lista não vale nada. – James disse, chegando perto do amigo. – São sempre as mesmas meninas que fazem e sempre colocam os mesmos caras. Chega a ser injusto.

- Eu não acho nada injusto porque elas sempre me colocam por primeiro lugar. – Sirius comentou, abrindo um sorriso galanteador. Os outros três lhe lançaram um olhar mortal. – O que? É verdade, ué.- E se jogou novamente na cama. Não queria ouvir o bla bla bla que eles continuaram a tagarelar.

- BOTAS DE MERLIN QUE ME ACUDAM, BARBAS CACHEADAS DE DUMBLEDORE ME SALVEM!- Lily gritava, enquanto revirava a sua cama pela décima vez seguida. Chiara estava sentada em seu malão, gargalhando. Podia-se até ver lágrimas escorrerem de seus olhos. A ruiva ignorava a amiga, pois continuava aflita.

- O que você tá procurando tanto, Lils?- Mary perguntou, fechando o próprio malão e se aproximando da amiga.

- CADÊ? CADÊ? CADÊ AQUELA MERDA?- Lily continuava a revirar o lençol, como se não tivesse o feito antes. Mary olhou feio para ela, queria sua pergunta respondida. Lily parou um segundo, levando a mão a boca e roendo um pedaço de sua unha. Olhou para a pequenina com uma expressão realmente preocupada e então tirou a mão da boca o suficiente para poder pronunciar palavras inteligíveis. – Os brincos que eu ganhei. Não estou achando!

- Ah.- Mary deu de ombros e virou as costas para a amiga. Pensou que fosse algo realmente importante. – Você guardou ontem na mochila, dizendo que não queria perder de jeito nenhum. Parece que esqueceu, né.

- E quando ela não esquece alguma coisa? – Ilanna comentou, quando finalmente engoliu o enorme pedaço de chocolate que estava em sua boca até o momento. – Certeza que ela não lembra nem o que ela comeu ontem.

Lily deu um sorriso cínico para a amiga, mas logo em seguida percebeu que realmente não lembrava do que elas tinham comido no jantar anterior. Muito menos no almoço. E, Merlin do céu, também não lembrava nem o que ela tinha comido hoje de manhã.

- Adoro ver a cara dessa merda quando ela percebe que não lembra da coisa. É muito engraçado!- Chiara gritou, entre as próprias gargalhadas que ainda não tinham parado. Lily não conseguiu segurar o próprio riso, e acabou gargalhando com a amiga. Mary fechou a cara.

- Não é pra você rir. – Lily parou de rir assim que ouviu a pequena o dizer, mas ainda continuou sorrindo. Mary se inconformou e começou com suas expressões manuais. – Nossa, que mina babaca...

- Sua melhor amiga, até parece que não conhece. – Ilanna adicionou, abrindo outra caixa de sapos de chocolate. – Droga, tirei o Dumbledore denovo. Esse cara não cansa de sair nas caixinhas não?

- Como se você se importasse com esses cartõezinhos, né, Lan. – Lily comentou, rindo, sentando ao lado da amiga na cama.- O chocolate é a única importância.

- ÚNICA IMPORTÂNCIA.- Ilanna concordou, enfiando mais da metade do sapo dentro da boca de uma só vez. – mfquemf mfhomfrasmf mfomftremfmmmfsamfi?

- FALA COM A BOCA, CARALHO.- Mary explodiu, como era de costume, dando um tapa no tampão do malão. Ilanna engoliu o que tinha na boca e repetiu.

- Que horas o trem sai?

- Agora. – Chiara falou, se levantando e pegando seu gato no colo. – Vou deixar vocês para trás mesmo.

- Peraí, tô indo. – Lily levantou-se de supetão e foi em direção a mochila que jazia ao lado do malão. – Só vou colocar meus brincos.

- E por que não fez isso antes? – Mary reclamou, colocando a sua mochila nas costas e atravessando a porta do dormitório enquanto Lily vestia os brincos que James lhe dera às pressas, também jogando a mochila nas costas e descendo as escadas com as meninas.

Sirius contava, com o sorriso mais convencido do mundo, as inúmeras cartas de "fãs" que recebera antes de partir. Disse que tinha guardado todos os nomes para investir no próximo ano letivo. Peter brigava com ele, argumentando que já tinha gostado de, pelo menos, metade da lista. Remus ria loucamente de ambos, enquanto James observava as paisagens que passavam, com a cabeça tão longe quanto sempre. Queria que o carrinho de doces passasse logo, queria preencher o vazio que sentia no peito com vários sapos de chocolate. Não importava se iria engordar. A única coisa que iria fazer as férias inteiras seria jogar Quadribol e discutir com Sirius sobre o mesmo pegar ou não a sua vizinha mais uma vez.

- Prongs, tá tudo bem com você?- Remus perguntou, depois que as suas risadas cessaram. O moreno continuara no transe, então o lobisomem jogou a primeira coisa que achou, acertando bem no meio do nariz do amigo, fazendo o mesmo soltar um sonoro urro de dor. – Ei, você tá bem?- O garoto fez que sim com a cabeça enquanto massageava o nariz.- O que a Evans fez?

- Por que você foi perguntar? Vamos ter que ouvir esse merda falar daquela ruiva sem graça a viagem inteira...- Sirius cruzou os braços e virou-se para o corredor do trem. James deu um sorriso fraco.

- Na verdade, não aconteceu nada.- Ele desconversou, mexendo no cabelo. Remus arqueou as cobrancelhas. O maroto retribuiu o gesto com um sorriso e um balançar de ombros. – A gente até que tá de boa.

- Como assim? A última vez que vi vocês conversando foi aquele dia do Ranhoso, e ela queria a sua morte. Ou pior...- Peter comentou, transcrevendo as dúvidas que todos do vagão compartilharam.

- Ah. – James esquecera que não havia contado aos amigos sobre a noite em que conversara com a ruiva sobre o incidente com Snape. – A gente conversou esses dias... Estamos de boa, sério.

- Quando? Eu não vi vocês conversarem. Nem ao menos ficarem no mesmo cômodo. – Sirius reclamou, cerrando os olhos.

- No último dia antes da Lua Cheia. Eu não conseguia dormir, desci pro salão e encontrei ela lá. – James respondeu, como se fosse algo comum.

- Tem certeza que não sonhou?- Sirius zombou, e Remus olhou feio para ele.

- É, Padfoot. Só você pode se dar bem com as meninas, todos nós estamos destinados a morrer sozinhos com gatos. Acorda, cara.- James disse, finalmente se irritando. Levantou-se e abriu a porta.- Vou atrás daqueles doces, não aguento mais esperar.

- Olha o que você fez.- Remus disse, depois que o maroto fechou a porta atrás de si. Sirius deu de ombros.

- Claro, meu bom senso fez ele se entupir de açúcar. Como sou malvado.- Falou, desdenhoso.- Acho que também vou dar uma volta.

Ilanna comia um sapo de chocolate que trazera na bolsa, enquanto Mary brigava com Chiara por algum motivo idiota. Lily sonhava acordada olhando para o corredor. Deviam ter um milhão de coisas rondando a sua cabeça ao mesmo tempo, mas não conseguia prestar atenção em nenhuma. Estava cansada de usar seu cérebro, queria desligá-lo completamente por aqueles 3 meses que estavam por vir. A única vez que se concentrou em um pensamento foi quando a cabeça dos cabelos desarrumados passou em frente ao seu vagão. Andava com o olhar baixo e parecia triste com alguma coisa. Não muito depois, Sirius abriu a porta delas. Parecia bravo.

- Posso ficar aqui? O clima lá no nosso tá meio pesado.- Disse, já entrando e se sentando entre Mary e Lily.

- E ia adiantar dizer que não, Black?- Mary perguntou, com a pior cara que pôde fazer. Sirius deu de ombros.

- O que aconteceu com o James?- Lily perguntou, com um ar levemente maternal. Todos na cabine ficaram surpresos, principalmente Sirius. Então ele tava falando sério, pensou ele.

- Ele ficou bravo porque eu discordei dele.- Disse, como se o amigo fosse um retardado mental.

- Aff. Mas ele é muito sentimental mesmo! Puta cara otário!- Mary concordou do jeito que só ela sabia fazer.

- É, eu não posso falar nada que ele já fica chateado e...- Sirius continuou reclamando. É melhor do que a Mary tentar arrebentar a cara da Chiara, pelo menos. Pensou Ilanna.

James encontrou com a mulher dos doces alguns minutos depois. Ela estava sendo assediada por alguns primeirianistas da Sonserina. Comprou alguns doces que queria, e também uma caixa de feijõezinhos. Eram os preferidos de Sirius, seria uma boa bandeira de trégua. Quando foi pagar, percebeu que havia um doce novo. Uma bala sabor tomate, que além do mais era picante. Ele riu ao imaginar a ruiva provando o doce e ficando irada com o sabor. Comprou-o também e resolveu dar uma passada na cabine das garotas para deixar o doce e quem sabe dar um 'Alô'. Não sabia onde elas estavam, mas era só procurar por uma cabeça ruiva encostada em algum canto, provavelmente sonhando acordada, como sempre.

Andou um pouco com um sorriso no rosto, até que as encontrou. Parou e ficou encarando-as. Mary dormia encostada à janela, Ilanna escrevia alguma coisa e Chiara tentava ler o que ela escrevia. Mas Lily, sua Lily, estava às gargalhadas com ninguém mais ninguém menos do que Sirius Talarica Black. Este, tinha um dos braços em volta da garota. O maroto que ria, encontrou o olhar mortal do amigo e fechou a cara instantaneamente, e mostrou o dedo do meio. Lily olhou na direção que ele estava olhando e se deparou com James, parado e murmurando as piores azarações que existiam. Mandou um tchauzinho para ele, mas o mesmo estava com muita raiva do amigo para retribuir a garota. Ilanna subiu o olhar para ver o que estava acontecendo. Sentiu que o clima estava realmente ruim entre os dois garotos, por isso levantou-se e abriu a porta.

- Entra aí, Potter. Ou vai ficar no corredor pra sempre? – Disse, com o seu típico sorriso simpático. Pareceu mal educação não responder o sorriso. Entrou e sentou em frente a Sirius, entre Ilanna e Chiara. A loira chiou um pouco, pois queria continuar a ler seja lá o que fosse que a morena estava escrevendo.

- Ei, Padfoot, comprei feijõezinhos pra você. – James disse, meio encabulado, estendendo a caixinha para ele. O garoto abriu um sorriso e pegou-a.

- Valeu, Veadão.- Ele disse, sincero, abrindo a caixa.- Vai querer, Evans?

- Claro, Cachorrão.- Ela respondeu, sorrindo e enfiando a mão na caixinha. Os dois marotos presentes arregalaram os olhos. Lily percebeu e sorriu enquanto colocava um feijão na boca.- Sempre ouço vocês se chamarem assim, ué. Argh, gosto de aspargos. Dou graças à Merlin que não existe sabor tomate.

James lembrou do doce que comprara para ela. Pensando bem, não era uma boa ideia. Era capaz dela voltar a odiá-lo se a fizesse sentir tal gosto 'horrível' alguma vez. Colocou a mão no bolso e sentiu a balinha. Sua vontade era jogá-la longe.

- Ah, tem coisa pior. Tipo gosto de remela.- Chiara comentou, puxando um assunto para se destrair.

- Se for pra chamar pelo o que eu ouço, te chamaria de merda, bosta, magrela babaca, etc...- Sirius voltou ao assunto, cortando Chiara, que olhou torto para ele. Lily riu enquanto coçava a nuca.

- Se fosse assim também chamaria o James de seu lixo, seu bosta, cheira bolas...- Ela disse, olhando para o mesmo. Aqueles malditos lindos olhos verdes o fitando tão docemente. Ele provavelmente estava sorrindo bobo e apaixonado para ela, pois todos (ainda mais Sirius) estavam rindo.

- É, pra você ver como a galera se ama aqui. Só adjetivos amáveis...- James disse, passando a mão pelo cabelo, com um sorriso encabulado. Tirar a atenção da sua cara de babaca apaixonado era a sua intenção com aquilo, não continuar aquele papo.

- Falando em "se ama"... – Chiara começou. Ótima oportunidade para começar um conflito. Sua especialidade. – Desde quando você chama o Potter de James, Lils?- A loira cerrou os olhos, maliciosa. Lily sorriu encabulada.

- Desde um dia aí, né James?- A ruiva perguntou, mais para o chão do que pra qualquer um .

- É, verdade Evans.- O garoto respondeu, voltando o olhar para qualque lugar que não fosse o rosto de alguém ali presente.

- Ih, voltaram a ficar aurtistas de novo...- Ilanna comentou, levantando o rosto da sua folha de papel.- Falando com amigos imaginários?- Tanto Lily quanto James olharam para a morena e sorriram.

- Ei, Veadão, vamos voltar pro nosso vagão? Por favor. Moony e o Wormtail devem estar se perguntando onde estamos...- Sirius disse, já se levantando e abrindo a porta. James o imitou, mas hesitou na hora de partir. Não sabia se iria vê-las novamente.- Tá esperando o que, seu merda?- Gritou, já do corredor. Lily sorriu para James. Ele olhou todas as garotas e suspirou antes de dizer alguma coisa.

- Ahn... Tchau meninas. Vou sentir saudades.- Falou, saindo e fechando a porta em seguida.

Eu também. Pensou Lily. Mas era tarde demais para falar. Ele já estava longe.

Já fazia duas semanas que seu melhor amigo estava em sua casa e já desejava a sua ida. Foi quando ele recebeu uma carta e teve que ir embora. James teria ficado feliz se fosse Remus ou Peter requisitando sua visita. Mas não, tinha sido a Sra. Black. Sirius teria que ir a um casamento da família. Sabendo o quanto o garoto não se dava bem com a mesma, ficou realmente triste com a ida dele.

Depois da ida de Sirius, ficou em torno de 3 dias deitado na cama, apenas admirando o teto. Quando o quarto dia estava prestes a começar, uma coruja entrou pela janela destrancada e deixou cair uma pequena carta bem no meio do rosto do rapaz. Sentou-se num pulo, abrindo o bilhete rapidamente. Uma letra engraçada e fofa se apresentou, onde r's podiam muito bem ser confundidos com v's.

Ei James,

Lembra que você disse que viria me visitar?

Então, adoraria.

Abraços,

Lily

O garoto pulou instantaneamente da cama, e tomou um banho. (Coisa que não fazia a dias.) Arrumou uma mochila e estava descendo as escadas quando percebeu o quão maluco estava aparentando. Não sabia onde ela morava. Nem se ela estava falando sério. Muito menos se sua mãe iria deixar. Voltou para seu quarto e se jogou na cadeira de sua escrivaninha. Puxou um pedaço de papel e escreveu com a letra mais bonita que pôde:

Oi Lily,

Estranho te chamar assim, um dia eu acostumo. (Quem sabe)

Espero que esteja falando sério, estou com a mochila pronta pra ir aí.

Me passe seu endereço que aparatarei aí antes que você consiga dizer Quadribol. (Ou Futebol se você preferir.)

Beijos,

James

Prendeu a carta ao pé de sua coruja. Resolveu fazer outra coisa para se destrair. A única coisa que tiraria Lily da sua cabeça, à essa altura, seria Quadribol, mas não tinha com quem jogar. Nunca se sentiu tão mal por ter desejado a ida de Sirius. Estava tão ansioso que acabou tomando outro banho e voltou a dormir. A resposta chegou ao final da tarde:

Deixe de ser bobo, James.

Desde quando alguém pode ter medo de dizer um nome?

Eu estava brincando, mas se quiser vir, será bem-vindo. A Mary chega amanhã e vai passar uns dias. Seria legal se vocês dois estivessem aqui.

Desde quando você aparata? Faltam 2 anos pra gente aprender como se começa a aprender a aparatar...

Lily

James sorriu tão abertamente que quase sentiu seu rosto rasgar. Anotou o endereço anexado à carta em um papel enquanto puxava outro para respondê-la.

Você sabe que eu sou bobo e sempre serei.

OK, vou te chamar de Lily. Mas só até arranjar algo melhor...

Irei amanhã então. Vou chegar antes da Mary pra dar um susto nela!

Eu tava brincando, né. Não sei aparatar. Você realmente pensou que eu soubesse?

Achou a resposta idiota demais, mas mandou mesmo assim. Ele sabia que era cedo para isso, mas já estava morrendo de saudades de todo mundo. Ainda mais da ruiva dos seus sonhos. Não viu nem como perguntou para seus pais, nem lembrou como fora a resposta. Eram 10 horas da manhã e andava em uma rua trouxa. Sua barriga parecia ter acabado de sair de um frigorífico, de tão fria que ele a sentia. Parou à frente da porta do pequeno número 4. Tocou a campainha, e ao mesmo tempo sentiu que sua bexiga iria explodir.

Quando a porta começou a abrir, seu sorriso cresceu para o tamanho habitual de quando seu amor estava por perto. Mas ao ver quem estava à porta, seu sorriso murchou. Era uma garota loira, alta e de pescoço repuxado. Não era tão alta como Lily, mas sua altura incomodava, ao contrário da ruiva. Também era magra e de nariz comprido. Ela parecia uma versão malfeita daquela que ele esperava lhe atender. Ao mesmo tempo que seu sorriso murchava, o dela crescia.

- Oi, quem é você, bonitão?- A garota perguntou, abraçando a porta, em uma tentativa falha de seduzi-lo.

- Eu sou James Potter, amigo da Lily.- Ele respondeu, simpático, disfarçando o nojo que sentira do ato da garota. Tentou imaginar como Ilanna conseguia fazer isso o tempo todo. – Ela está aí?

- Não, ela foi buscar a tal da Hopegood na estação de trem.- Disse, com certo nojo. Mas em seguida voltou ao sorriso "charmoso". – Eu sou Petúnia Evans, irmã da Lily. Prazer.- Ele respondeu apenas com um hm e um arquear de sobrancelhas. A garota percebeu que não estava agradando tanto quanto queria.- Quer entrar?

James entrou sem olhar para ela e se sentou no sofá. A ansiedade para ver "sua ruiva" de novo foi superior do que qualquer educação que ele podia demonstrar. A loira o acompanhou e perguntou se queria algo para beber. Quando ela voltou com copos de água, a simpatia do maroto já havia se restaurado, portanto conversaram um bom tempo como pessoas normais, antes da porta da sala clicar e abrir ao som de gritos e risadas de duas garotas que faziam James se sentir quente e confortável apenas por estar na presença delas.

A pequenina bochechuda era praticamente sua irmã. Sua maior vontade era levá-la no colo para todos os lados, cuidar dela e não deixar nada acontecer com aquelas bochechas. Ela sabia se cuidar sozinha, e deixava isso claro. Mas também tinha uma péssima mania de se meter em encrenca.

A outra, não precisava dizer nada. Só de vê-la sorrir, colocar o cabelo atrás da orelha, morder o lábio, olhar para ele e rir, andar perdida e sonhadora... Só de saber da sua simples existência, seu coração se enchia de calor e sua vida era ligeiramente mais completa.

As duas passaram pela porta, imersas em meio a alguma piada/história que Mary contara, e provavelmente estava apenas juntando ar suficiente para continua-la. Lily carregava uma pequena mochila, enquanto a outra balançava as mãos e fazia caretas. Quando os olhos verdes percorreram a sala, logo encontraram os castanhos. O seu riso se transformou em um sorriso. A pequenina percebeu o olhar fixo da ruiva e procurou o seu detsino. Quando encontrou James sentado no sofá conversando com Petúnia, fez sua melhor expressão de falsa surpresa.

- Oh, o que o Potter faz aqui?- Perguntou, cínica, fazendo mais caretas e mexendo as mãos.- Não dá pra fingir, Lils. Não sei fazer isso.

- Eaí, James?- A ruiva ignorou levemente a amiga, enquanto sorria e colocava o cabelo atrás da orelha. James jurou ver ela morder levemente o lábio por dentro da boca. – Pensei que você fosse chegar mais tarde.

- Não recebeu minha coruja?- O garoto se levantou se foi ao encontro das garotas. Cumprimentou Mary com um abraço e um beijo estalado em sua grande bochecha e se virou para a alta ruiva. Olhou em seus olhos, mesmo que tivesse que erguer o rosto drasticamente para o mesmo.- Tá desatenta, ein Lily.

- DESATENTA?- Mary explodiu, como era de costume. James ainda fitava os olhos de Lily, e a viu sorrir também com os mesmos quando a pequena começou. – Eu repeti a semana inteira que eu chegava às 8. Mas não, ela vai me buscar às 9! Fiquei uma hora esperando essa magrela de merda...

Petúnia pigarreou descaradamente, para lembrar aos presentes que ela continuava lá.

- Ah, eaí, Tuney?- Mary apenas levantou o dedão, enquanto a loira cerrava os olhos.

- Oi, Hopegood.- Sibilou, o veneno escorrendo entre os lábios. Se virou para Lily. – A mãe e o Pai disseram que sua amiga pode ficar no seu quarto, mas o James fica na sala. – E com isso um sorriso malicioso surgiu em seu rosto.

- Não, não... Eu não vou dormir aqui. – James se defendeu, balançando as mãos. Lily levantou uma sobrancelha. – Até parece que meus pais iam deixar...

- Aaaaah, a criancinha não pode dormir fora de casa? – Mary brincou, apertando a bochecha do maroto.

- Então vamos aproveitar, né. – Lily comentou, coçando a nuca. – Vamos subir e deixar suas coisas lá no quarto, Mary. – E apontou para a mochilinha que carregava. – Sobe aí também, James.

As duas meninas subiras as escadas rapidamente, de dois em dois degraus. James apertou um pouco o passo para acompanhá-las. Lily abriu a porta para James passar, e fechou-a, trancando-a, tão logo ele entrou no quarto. As duas se jogaram na cama, e o garoto permaneceu de pé, encabulado com a situação. Não fazia muito tempo que virara amigo da ruiva, e já estava em seu quarto. O "plano" estava indo bem demais pro gosto dele.

- Comprou antes de vir, Mary? – Lily resmungou enquanto fitava seu teto. A outra a imitava, como se houvesse algo de realmente interessante ali.

- Comprei sim. Não sabia onde encontrar, daí perguntei pruns trouxas na rua.- Murmurou de volta. Então sentou e olhou para Lily, com um olhar horrorizado.- Não sabia que era ilegal!

- Lógico que é, por isso a gente se esconde.- Lily respondeu, rindo, apenas virando o rosto em direção da amiga. A pequena esbugalhou os olhos e apontou James com a cabeça. Lily suspirou.- Ele sabe, relaxa.

- Você fuma, Potter? – Mary perguntou com um belo sorriso malicioso. O garoto estava com a cabeça em outro lugar, mas ao ouvir a palavra ser dirigida a ele, acordou do transe.

-Ah, sim. Com meu primo.

- Pensei que você fosse o último Potter. – Mary rebateu, cruzando os braços. James piscou algumas vezes.

-É, então. Na verdade, meu primo é o meu vizinho. Eu cresci com ele, é a única "família" que eu tenho. Ele é mestiço e uns 5 anos mais velho, então sempre foi minha inspiração. A gente sempre se chamou de primo, pra mim sempre foi como se fosse.- O garoto pareceu triste enquanto contava, passando sempre a mão pelo cabelo. Não gostava de falar sobre a família dele. Era ótima, sem dúvida. Mas não tinha outras pessoas da idade dele. Nem de idade próxima. Todos tinham, no mínimo, 30 anos a mais que ele ou estavam mortos.

- Pega lá então, Mary. Vamos no terreno aqui atrás. – Lily levantou-se da cama e o disse, para cortar o clima ruim que ficara depois da declaração do maroto.- Só tenho que dar um perdido na Tuney.- Terminou, fechando a janela e as cortinas do quarto, enquanto Mary abria a mochila.

James estava jogado no sofá da sala dos Evans, mordendo seu polegar enquanto ria loucamente da cena à sua frente. Lily estava o seu lado, com a cabeça caída em seu ombro, rindo tanto quanto o garoto. Mary, o motivo das risadas, declamava um longo poema, interpretando todas as imagens que nele continha. Então, ao chegar ao fim, enfiou uma faca imaginária em seu peito, "morrendo". Aplausos e mais risos.

- Não sei por que eu ainda faço isso. Juro. Muito babaca.- Mary resmungou, enquanto levantava e sentava o lado de Lily. James sentiu seu peito apertar ligeiramente enquanto a cabeça ruiva desencostava de seu ombro e voltava a sentar retilineamente, ainda rindo. Seu cabelo acabou parando inteiramente desarrumado, com a franja dividida no "lugar errado". James se sentiu inquietado.

- Ô Lily, deixa eu arrumar seu cabelo?- A ruiva olhou para ele com uma sobrancelha erguida.- Sério. Rapidão.

Colocou a mão em sua franja e a arrumou, então descendo a mão para as laterais do cabelo. Não soube porquê, mas desviou o olhar dos longos fios vermelhos para os seus olhos brilhantes. E aí se perdeu. Ela o olhara de volta, mesmo que risonha, com um olhar profundo como se escondesse um segredo. E realmente guardava. Não tinha compartilhado com ninguém o sentimento que descobrira meses atrás naquele maldito verdade e desafio. O garoto percebeu que estavam assim a tempo demais. ( O que não era verdade, deviam ter ficado daquele jeito por algumas frações de segundos.) Tirou as mãos de onde estavam e virou-se rapidamente para um lugar qualquer, acabando por fitar o abajur do outro lado da sala.

- Mano, quero dar uma volta.- Mary comentou, olhando para os próprios pés.

- Ah, James, o que você fez com o meu cabelo?- Lily reclamou, olhando seu reflexo na tela da televisão desligada e passando a mão pelos fios, tentando deixá-los do seu gosto.- Você deixou pior...

- Ah, não mexe! Tava bom daquele jeito!- James reclamou, segurando ambos os punhos da ruiva, que começou a soltar várias onomatopéias enquanto começava a rir, acompanhada do garoto. Mary pigarreou.

- Caralho, falei pra gente dar uma volta.- A pequena se levantou e olhou torto para os dois, que ainda "brigavam", com os braços de ambos balançando para os lados. James ainda segurando os punhos de sua adversária. – Lamentável.

James largou os braços de Lily e se levantou, abraçando Mary. A mesma fez a típica cara de merda que fazia quando esse tipo de coisa acontecia.

- Vai se foder, Potter. Não sei nem por que você veio.- Resmungou com um sorriso disfarçado enquanto o garoto a largava.

- A Lily que me chamou.- Respondeu rindo e dando de ombros.

- Não devia ter chamado, né, Mary? Cara babaca...- Lily riu, coçando a nuca e olhando para ambos.

- É, nem devia ter chamado mesmo!- Mary respondeu, séria, mesmo que todos soubessem que ela estava se matando de rir por dentro. Abriu a porta da sala e os três saíram pela mesma, ligeiramente cambaleantes.

Ficaram caminhando na rua algum tempo, simplesmente conversando sobre bilhões de besteiras diferentes. Comentaram as manias irritantes de Chiara, e em como Ilanna sempre queria o bem de todo mundo. James contou da "transformação" que Peter sofreria durante as férias, para elas não assustarem depois. Reclamaram de algumas ações de Sirius, mas todos concordaram o quanto ele fazia falta. E foi logo após discutirem o quanto o namoro de Remus e Bruna não fazia sentido, que Mary lançou:

- E aquele seu vizinho que você tá pegando e me contou nas cartas, Lils?

James sentiu uma enorme mão rasgando seu peito e arrancando seu coração lentamente do lugar, depois o colocando em um estilingue e jogando-o para a China. Abriu a boca para falar alguma coisa, mas a voz simplesmente não saiu. Se sentiu sem ar, sem nada. Tinha levado um tiro no estômago. Seu corpo parecia fraco, não conseguiria voltar para casa. Não conseguiria nem viver. Deitaria a ficaria ali mesmo para sempre, no lugar onde rancaram-lhe o coração. Pessoas passariam por lá e diriam "Foi aqui que James Potter desistiu da vida e morreu de decepção". Não, parou de viajar na maionese. Sirius tinha razão. Ele fazia muita tempestade em copo d'água.

- Ah.- Lily parecia sem reação. Não iria saber responder. Queria falar a verdade, mas não queria magoar o garoto. Sabia como ele ficaria se ficasse sabendo de alguma coisa do tipo. Mary não parecia ter entendido a tensão da situação.

- Eai?- A pequena parou de andar e ficou fitando a garota, que colocou o cabelo atrás da orelha e mordeu o lábio, sem sorrir.

- Sei lá. Fiquei algumas vezes com ele. Mas nem sei, ele queria ficar comigo pra sempre, e eu quero aproveitar meu tempo solteira...

James suspirou aliviado. Mas mesmo assim se sentia mal. Nunca desejou tanto a presença de Sirius e suas verdades doloridas, que no fundo lhe faziam tão bem. Quis voltar para casa e mardar-lhe uma coruja, implorando sua volta. Nunca se sentiu tão deslocado como naquele momento. Era uma tarde de amigas que queriam se ver durante as férias, contar as novidades e falar sobre meninos que elas andaram pegando. E lá estava ele, no meio das duas, com a maior cara de perdido, atrapalhando os bons momentos que elas poderiam estar passando.

- Sei... Você diz isso toda vez.- Mary comentou, voltando a andar. Chutou uma pedra e ficou encarando o céu. Tanto Lily quanto James a imitaram, como se procurassem o que a pequenina estava olhando.

- Como será que é ser um pássaro?- Lily soltou, virando o olhar para o maroto ao lado dela. Aquilo soara como uma pergunta que ele saberia responder. James riu, mesmo que pensando em como respondê-la. Porém, Mary interferiu.

- Não deve ser muito diferente de voar numa vassoura. – E deu de ombros, chutando a mesma pedra para um pouco mais longe.

- Não, eu quero dizer como um pássaro mesmo. Comer minhocas, fazer ninhos, botar ovos, escolher um parceiro...- Ela falava enquanto admirava o céu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. James não sabia onde ela queria chegar com aquela conversa, mas sentiu a intenção na voz da ruiva mudar ligeiramente durante a última sentença.

- Ah, vai começar... O fantástico mundo de Lily.- Mary bravejou, jogando os braços para baixo, como se aquilo a tivesse ferido. Lily riu da amiga, e o garoto se sentiu à vontade para imitá-la.

- Não, sério, Mary. Imagina. – Lily parou de andar momentaneamente e agarrou o braço da amiga, fazendo-a parar também. James juntou-se a elas. – Se você pudesse ser uma Animaga, e seu animal fosse um pássaro. Como seria? Tipo, subir lá no alto e ficar cantando... Nossa, deve ser muito loco!

- Deve mesmo.- James soltou, enquanto olhava para o céu e se permitia viajar junto com a ruiva. Abaixou o olhar para as garotas com um sorriso, e percebeu que a reação que obteve não era a esperada. Ao menos Lily sorria para ele de volta, com um olhar 'é, alguém concorda comigo!' enquanto Mary lançava-lhe o melhor olhar 'você é um cheira bolas do caralho mesmo' que pôde fazer no momento. O garoto riu verdadeiramente ao olhar para Mary, que parecia a ponto de estrangulá-lo.

- Que cara babaca, velho... – Ela murmurava, com os olhos cerrados. – Muito cheira bolas, muito!

- Né, muito cheira bolas!- Lily riu, virando-se para o céu novamente. Deu uma última olhada para James que estava divertidamente confuso.

- Ah vão catar piolhos na barba do Dumbledore, vão!- James disse, chutando uma pedrinha perto dele.

- AH NÃO, O CARA É MUITO CHEIRA BOLAS!- Mary gritou, apontando a pedrinha que o garoto acabara de chutar. Os outros dois presentes se acabaram de tanto rir enquanto a garotinha passava a mão no rosto, incrédula.- A próxima coisa que você fazer igual a gente, eu juro que vou te bater!

- Ok, ok. Eu paro!- James se defendeu, colocando as mãos à frente em rendição.- Eu paro de ser cheira bolas...

- AH NÃO!

- O que foi agora?- O garoto perguntou, escondendo o rosto com as mãos, enquanto a ruiva sentava no chão de tanto rir. Mary estava quase rancando os próprios cabelos.

- Você. Está. Usando. A. Nossa. Gíria. – Disse, entredentes. James tentou se manter sério, mas não se conteve. A risada da outra garota atrapalhou todo o seu "esquema".

- Hm.. desculpe. Que termo deveria eu usar?

- AFF QUE CARA BABACA. – Mary virou-se de costas para ambos e voltou a andar, enquanto murmurava pra si mesma. – Pra quê né, velho... Pra quê?

- Eai, James. Você não falou nada sobre suas férias até agora...- Lily puxou assunto, dando um leve empurrão no garoto, quando voltaram a andar atrás de Mary. James pensou em mentir sobre alguma vizinha deliciosa que estava pegando, ou quem sabe de alguma familiar distante que lhe ensinara a fazer algo realmente surpreendente. Mas mentir não seria uma boa escolha. Eles estavam indo bem, não queria estragar isso.

- É que não aconteceu nada nas minhas férias até agora.- Ele disse, simplesmente, dando de ombros. Ouviu a garota murmurar um 'ah' enquanto olhava seus pés. – Quer dizer, o Sirius estava em casa, mas a mãe dele o requisitou urgentemente para um casamento da família e ele teve que ir. Isso foi a uma semana atrás quase. Desde então tenho passado os dias deitado na cama pensando.

- Pensando no quê?- A garota se interessou, chegando mais perto dele. Sentiu seu rosto corar e suas mãos suarem levemente. Diria-lhe a verdade? Não, era cedo demais. O plano estava indo bem demais. Não estragaria tudo agora.

- Peças pra pregar no Ranhoso no próximo semestre.- Ele vomitou, quase gaguejando. A garota rolou os olhos e voltou para a distância normal que os separava minutos antes.

- Entendi. Você não cresce mesmo, ein. – Ela riu, chutando uma pequena pedra à sua frente, que bateu no calcanhar de Mary, fazendo a mesma se virar com um olhar medonho para James.

- Não. Não cresço.- Aproveitou, rindo. – E você, o que tem feito?- Lançou o melhor sorriso que conseguiu. – Além de ficar dando uns pegas no seu vizinho, é claro.

Foi a vez da ruiva enrubrescer. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes, procurando as palavras certas. Olhou desesperada para o garoto, que ria. Não se conteve e também riu.

- Não tenho dado uns pegas nele.- Ela aproveitou e fez um bico logo em seguida, fazendo o maroto rir ainda mais. – Fiquei com ele umas vezes, só isso...

- Até onde eu sei, dar uns pegas e ficar algumas vezes, significam a mesma coisa, Lily. – James jogou a cabeça para os lados, enquanto ria. Era fácil falar desse jeito com ela sobre esse tipo de assunto. Brincar sobre ela ter ficado com o sujeito fazia não doer em pensar que ela realmente tinha ficado com o mesmo.

- Lógico que não!- A menina gargalhou, chegando mais perto dele novamente. Ele estava se sentindo tão bem, não parecia em nada com o sentimento que estava o incomodando minutos antes.

- Lógico que sim!

- Lógico que não!

- Lógico que sim!

- Não falo nada pra você, James.- A ruiva terminou, sorrindo e colocando o cabelo atrás da orelha. James sorriu abertamente, passando a mão pelo cabelo e o despenteando. Ele se perguntou se era o único no mundo todo que conseguia perceber que ela mordia os lábios todas as vezes que ia sorrir daquela maneira.

- Não precisa falar, eu sei o que você está pensando.- Ele sorriu malicioso. Ela arregalou os olhos. Será que ele desconfia de alguma coisa? Pensou ela, levando a mão à boca e roendo a ponta do dedo.

- Pensando o que?- Disse, tirando levemente o dedo da boca.

- 'Como você é bobo, James. Bla bla bla'. – Riu, com uma voz de falsete. Lily suspirou tão profundamente que devia ter colocado o próprio pâncreas para fora. James percebeu e riu, mesmo que confuso.- O que foi?

- Ah, nada. – Ela desconversou, acelerando o passo e ficando ao lado de Mary. – Ei, anã de merda, vamos voltar pra casa? Tô ficando com fome!

- Anã é a safada da sua mãe, Lils. – Mary rebateu, com a mesma expressão de sempre. – Mas também estou com fome... Bem que a safadona podia preparar um lanche pra gente, né?

- Então eu já vou indo embora.- James comentou, parando. As duas garotas, como estavam andando à frente, não o viram parar. Mas o ouviram, então viraram-se para o garoto com as sobrancelhas torcidas.- Eu disse que não podia ficar muito, não quero atrapalhar sua mãe e tals.

- Pare de bobeira, James. – Lily jogou os braços e rolou os olhos. Não queria que ele fosse embora.

- É, Potter. A Mãe da Lils vai ficar feliz em servir você, de verdade.- A pequenina adicionou, com o rosto sincero.

- Mas eu não quero.- James completou, sério. Na verdade, o seu medo era conhecer o Senhor e a Senhora Evans. Queria conhecê-los quando ele e Lily estivessem namorando, e não como amigo apenas. Se é que eles namorariam. Mas do jeito que o plano andara funcionando... Mas mesmo assim, ele tinha uma péssima experiência com essa história. Lily pareceu triste pelo garoto estar partindo, e Mary lhe deu um abraço tão apertado que ele provavelmente não sentiria suas costelas nos próximos dias.

- Pelo menos deixa meu pai te levar até a estação...- Lily insistiu, enquanto eles voltavam para a casa da mesma.

- Não precisa.- O garoto balançou a cabeça. – Meu pai está aqui por perto, ele pode vir me buscar.

- Seu pai vai vir de vassoura até aqui? Ele tá maluco? É um bairro trouxa!- Mary comentou, balançando as mãozinhas. James riu fracamente e mecheu no cabelo.

- Não, ele vai vir de carro. Ele anda usando muito os carros do Ministério, sabem? Ele troca todo mês quase, é tipo uma paixão dele.

- Acho muito legal famílias bruxas que usam "comodidades" trouxas no dia-a-dia. – Lily comentou, sorrindo para o garoto.- O que mais você usa de trouxa na sua casa?

- Meus pais são totalmente obcecados com artigos trouxas, de verdade.- James sorriu de volta para a garota.- Minha casa parece uma casa normal de trouxas. Só que, claro, fizemos algumas mudanças...

- Por exemplo? – A garota parecia muito curiosa, aproximando-se cada vez mais do garoto. Mary não estava entendendo nada. Na casa dela, a única coisa trouxa talvez fosse a televisão, que sua mãe vira uma vez na casa de uma vizinha e se apaixonara completamente por aquele espelho negro.

- A torradeira avisa quando o pão está do jeito que cada um gosta. Por exemplo, eu gosto dele branquinho, apenas quentinho. E quando chega nesse ponto, ela grita 'JAMES SEU PÃO ESTÁ PRONTO!' – Ele imitou a vozinha da torradeira, fazendo a ruiva rir.

- O que é torradeira?- Mary perguntou, contraindo suas grandes bochechas em tom de dúvida.

- É uma coisa que transforma pão de forma em torrada.- Lily explicou, coçando a nuca.

- Nossa, por isso vocês são trouxas... Precisam de uma coisa pra fazer isso.- Mary balançou a cabeça de um lado para o outro, como se negasse algo.

Já fazia dois dias que James tinha ido embora. Mary agora se preocupava apenas em fumar maconha e comer a comida da Sra. Evans. Petúnia perguntava a todo instante sobre onde estava aquele garoto maravilhoso que havia as visitado e quando seria a próxima vez que o veria. Mas Lily, não dava a mínima paras as perguntas da irmã, já que andara trocando corujas com Ilanna sobre motivos diversos. Um deles, o maroto que tinha ido até a sua casa.

Não havia dito à ela sobre seus sentimentos. Não havia dito a ninguém. E nem pretendo, pensou ela. Mas conversava com a garota sobre coisas que a presença dele a faziam pensar e as vezes até sentir. Talvez eu esteja dando pala. Não ligo. Pensou mais uma vez, enquanto terminava de escrever em um longo pergaminho. Havia destilado o dia que passara com o menino em palavras jogadas e que não fariam tanto sentido para Ilanna se ela não soubesse dos sentimentos da ruiva.

Queria que a morena simpática estivesse ali com ela. Precisava dos papos românticos e sonhadores que a garota sempre puxava. Mary não tinha sentimentos. Quer dizer, se tinha, não demonstrava. Pelo menos não do tipo de sentimento que Ilanna tinha para dar e vender. Não era a primeira vez que ela se apaixonava por alguém e dividia com as amigas, como se fosse algo que interessasse à todas. Bem, interessaria à garotas normais, mas não para elas. Elas eram, provavelmente, as garotas mais insensíveis de toda Hogwarts. Talvez até do mundo inteiro.

Engraçado que elas fazia exatamente o oposto com os Marotos. Eram os garotos mais sentimentais e abertos pra esse tipo de coisa do mundo todo. Ok, 3 deles o eram realmente. Apenas Sirius só se abria entre os amigos, de milênios em milênios, para reclamar da mesma garota. Talvez a única que ele ame a vida toda. E por maior ironia do destino, também era a única que não lhe dava a mínima.

Finalmente terminou a carta, dobrou-a e colocou dentro de um belo envelope, amarrando ao pé de sua coruja. Havia um bilhete ao fim, escrito:

Se eu soubesse que eu iria me sentir tão bem sempre que estivesse com ele, teria passado a minha vida inteira ao seu lado. Falando em ao seu lado, por que você também não vem pra casa, Lan? A Mary já está me dando nos nervos.

Beijos,

Lily

N/A: Oooooi galera, espero que tenham gostado do capítulo! Escrevi ele praticamente inteiro durante as aulas. O que me fez mostrar aos meus amigos o que eu estava escrevendo, e explicando para eles do que se tratava. Claro, os que mais gostaram foram "a Remus" e "o Ilanna". Lindos demais. E a Ju, minha amiga que não tem personagem na fic (Por alguns motivos que não cabem aqui.)

Acho que todos que estão aqui presentes chegaram a ler algum pedaço. "A Sirius" leu vários pedaços e sempre disse a mesma coisa. 'Tá uma merda. E eu não sou assim'. É, não é não...

A única pessoa que não chegou a ler nem um trecho foi "o Lily", porque ele é um merda e eu escondo essas coisas dele se não já era. E porque nós dois vivemos nos desentendendo. Faz parte.

Bom, mais uma vez, muito obrigada por estarem acompanhando a fic! Agradeço a todos que mandam reviews, eu gosto mesmo!

É isso, abraços beijos e afins. Até a próxima!