N/A¹: O FANFICTION FICOU MALUCO E DELETOU O MEU CAPÍTULO 5, E COMEU MILHÕES DE PARTES DESSE CAPÍTULO. TIVE QUE REESCREVÊ-LO. Valeu FF, tá fumando mais que a Mary...

N/A²: Para a felicidade das fãs do "Sirius original", nesse capítulo ele volta a ser uma pessoa normal, ok? Aliás, "a Sirius" está voltando a ser gente (lê-se saindo da fase insuportável), então ela merece ter seu personagem refletido. Ah, aliás, essa banda "Caldeirão Crew Diretoria" obviamente é inspirada na banda Cone Crew Diretoria. Que, por algum acaso, é a banda preferida "do Mary". Eu ia colocar uma banda qualquer dos anos 70, mas ao escrever o capítulo, descobri que era bem melhor eu fazer essa gracinha. hehe

Cap6. Coincidências

Estava sozinho em uma sala, sentado em uma cadeira ao canto. Uma porta surgiu, e dela entrou uma ruiva dançante, que cantava palavras sem contexto. Abraçou-a e a beijou. Sentiu seus lábios macios, como se pudesse estar lá, naquele armário de vassouras, mais uma vez. Repentinamente a sala virou uma praia comprida e brilhante, e a cadeira virou um coqueiro. Estavam em cima do coqueiro. A ruiva dissertava sobre a vida dos macacos e as 12 utilidades para o sangue de dragão. Seu sorriso parecia como um pedaço de melancia cortado ao meio. Uma melancia se materializou, e começou a balançar suas sementes para os lados, enquanto a ruiva ainda dizia o quanto lulas e polvos eram parecidos e ao mesmo tempo diferentes.

Uma pedra acertou o vidro da janela. Um barulho surdo e baixo ecoou pelo quarto escuro. Um garoto de cabelos completamente bagunçados estava deitado em uma cama, balbulciando algo como 'não quero mais camarões, madame'. O barulho tornou a se repetir, dessa vez mais forte. O garoto apenas virou de lado no colchão. Voltou a murmurar palavras sem nexo. Um pequeno intervalo de tempo se percorreu antes de uma grande pedra atravessar a vidraça da janela e ir parar perto da cama do menino.

Ao ouvir o barulho, James abriu os olhos repentinamente. Esbugalhou os mesmos e procurou cegamente a causa do barulho. Tateou o criado mudo em busca de seus óculos. Levantou-se lentamente, esfregando os olhos. Olhou para o lado e viu sua janela estilhaçada, e uma grande pedra perto de seu pé, onde havia um bilhete. Correu até a escrivaninha e pegou sua varinha. Abriu a porta do quarto e olhou para os lados, checando se seus pais estavam por perto. Voltou a porta ao estado inicial e reparou a janela. Voltou a atenção para a pedra e pegou o bilhete.

Eai carinha. Estou de volta, vim passar uns dias com meus pais. Topa dar um rolê hoje? Consta aqui em casa mais tarde.

John

Sorriu abertamente. Se existia alguém que conseguia salvar as férias dele, era John. O cara é o máximo. Não era à toa que James o considerava um primo. O garoto tomou uma ducha e trocou de roupa rápido. Desceu as escadas e encontrou com sua mãe, que estava vestida formalmente, como se fosse para algum casamento ou coisa do tipo.

- Ei, bom dia mãe.- Ele disse, sorridente, dando um beijo na bochecha da Sra. Potter. Ela rolou os olhos e suspirou.

- Boa tarde, James. Sabe que horas são?- Ela disse, colocando alguma coisas dentro da bolsa e voltando-se para o garoto como se ele tivesse esquecido de algo realmente importante.

- Sei lá eu.- Ele deu de ombros, ainda sorridente. Seu pai saiu de uma saleta próxima, também elegantemente vestido.

- Ué, filho. Por que não tá pronto ainda?- O senhor perguntou, abotoando a manga do blazer. James estranhou. Pronto para o quê?

- Pronto pra quê?- Ele perguntou, bagunçando os cabelos.

- Nós vamos num casamento hoje, querido. Pensei que tivesse te avisado.- A mulher disse, docemente, pegando a sua bolsa.

- Eu não lembro disso não...- Ele respondeu, enduvidado, encostando na parede.

- Não tem problema, você não precisa ir. John veio aqui mais cedo, queria te chamar para sair com ele. Eu acho que você vai ser divertir mais com ele do que um casamento chato de gente chata.- A mulher disse, passando a mão no cabelo do filho.

- As vezes eu queria ser você, filho.- O Sr. Potter disse, rindo. Sua mulher olhou torto para ele. O mesmo retribuiu com um balançar de ombros.- Aliás, vamos aproveitar e resolver uns problemas... Voltamos só depois de amanhã. Comporte-se.

- Comportarei-me. – Ele respondeu, rindo, e batendo continência.

- Nada de dormir na casa dos outros. – A mãe adicionou, enquanto eles se encaminhavam para a porta. – Muito menos trazer alguém aqui em casa.

- A não ser que seja uma menina muito bonita.- O pai disse, piscando para ele.

- ALLAN!- A mãe gritou, dando um grande tapa nas costas do marido, fazendo o filho rir ainda mais.

- Ok, ok.- Ele se desculpou, fazendo a mulher sorrir.- A não ser que sejam várias garotas bonitas. - James caiu na gargalhada, enquanto a mãe, desesperada, largava a mão pesadamente sobre o marido.

- Melhor vocês irem logo, antes que o pai solte mais uma...- O garoto avisou, apontando a porta com as sobrancelhas. – Beijo, amo vocês.

- Também te amamos!- Os dois disseram em coro, enquanto passavam pela porta.

James suspirou quando os dois fecharam a bendita porta de madeira. Dois dias com a casa só para ele. Como se aquilo realmente importasse. John estava aí. John estava aí. A quanto tempo não o via. John está aí, não parava de pensar, enquanto abria a geladeira e procurava a primeira coisa comível para enganar o estômago. Se sentou à mesa e batucou os dedos em seu tampo, enquanto mordia animalescamente uma maçã. Ficou pensando no que ele poderia fazer com John. O que será que o garoto iria querer fazer? Não importava, qualquer coisa seria demais. Como fazia falta sair com ele, como fazia...

Saiu pela mesma porta que seus pais, e coçou o nariz ao olhar para o sol que brilhava ameaçadoramente lá no alto. Sua luz forte o fez ter vontade de espirrar. Passou a mão pelos cabelos e atravessou o jardim, dando pequenos acenos para alguns senhores que passavam pela rua, sorridentes. Abriu o pequeno portãozinho que separava o jardim da calçada, passou por ele e fechou-o logo em seguida. Atravessou a rua correndo, sem ao menos olhar para os dois lados. Chegou a um jardim pequeno, e pulou de pedra em pedra até a porta simples da casa grande porém modesta. Levantou o punho para bater-lhe, mas a porta abriu estrondosamente, fazendo o garoto se assustar.

Quem puxara a porta era um garoto não tão alto. Era baixo para sua idade, mas seus músculos extremamente definidos podiam ser vistos a quilômetros de distância, mesmo vestido. O que o fazia aparentar maior do que realmente era. Seu cabelo castanho claro contrastava com sua barba rala e ruiva, e com seu sorriso irresistivelmente galanteador. Como sempre, estava com um óculos escuros no topo da cabeça, como se fosse o vestir em algum momento oportuno. Ao ver quem estava a sua frente, James sorriu largamente, enquanto o outro o imitava.

- JOHN! – O maroto gritou, como se precisasse se confirmar que era ele mesmo que estava ali.

- EAI JAMES!- O outro gritou de volta, apertando-o em um abraço. Eles provavelmente tinham ficado assim por um bom tempo, pois uma mulher baixa, loira e atlética surgiu atrás do garoto, cutucando-o.- Ah, desculpa aí mãe. Já estou indo desfazer a mala.

- Eai, onde você estava esse semestre?- James perguntou, entrando na casa logo após de John, e fechando a porta atrás de si.

- Fui para o México. – Ele respondeu, jogando as chaves em cima de uma grande mesa de mármore próxima à porta.- Foi demais, você não acredita...

- Que da hora! O que você foi fazer lá?- Os olhos de James brilhavam de um jeito que só brilhavam quando estava em companhia de seu ídolo.

- Você sabe que eu não posso dizer. É coisa do ministério, James. – O garoto disse, virando-se para o maroto, sério. O outro respondeu apenas abaixando as orelhas, como um cachorro que havia acabado de levar uma bronca. O vizinho riu. – Ok, dessa vez não tinha nada a ver com o ministério, mas minha mãe acha que sim, então shiu!

James fingiu passar um zíper na boca, em tempo da mulher loira voltar para a presença deles.

- Sua mãe acha que o quê, John?- Ela perguntou, arqueando as sobrancelhas, encarando o filho que era pouco mais alto que ela. Ele balançou a cabeça e levou o indicador ao lábio, mostrando que era segredo. Ela rolou os olhos e virou-se para James.- Oh, James. A quanto tempo! Não vai nem dar um abraço na sua tia preferida?

- Claro que vou, Tia!- O garoto sorriu, apertando a mulher em um abraço forte. Ela riu quando ele a soltou, arrumando suas vestes.

- Está mais forte esse ano, ahn? Andou fazendo academia?

- Não tem academia em Hogwarts, tia. – O maroto riu, passando a mão pelos cabelos.

- Academia não tem, mas certeza que andou dando uns pegas em várias garotas.- John adicionou, jogando-se em um sofá. James enrubresceu, ao mesmo tempo que a mãe de John levava a mão à testa, pedindo piedade aos céus.

- Eu vou embora antes que a conversa comece a ficar nesse estilo.- Ela disse, saindo da sala e subindo as escadas.

- Eai, John? Qual o rolê pra hoje?- James perguntou, também se jogando no sofá, assim que constatou que a mãe do primo havia sumido de vista. O outro olhou para os lados, apenas para fazer graça, como se estivesse se constatando se havia alguém no recinto que não pudesse ouvir o que iria dizer.

- Hoje vamos a uma baladinha da cidade. Pequena, mas sempre rola umas gatinhas firmezas. – Disse, curvando-se para ele, como se contasse um segredo. James sorriu com o jeito dele. Sentia falta daquilo. O primo molhou os lábios, e fez um olhar de suspense para o garoto.- E amanhã, temos um show.

- Legal. Que show?- James perguntou, também entrando na brincadeira e se curvando em direção ao primo. O outro sorriu maliciosamente.

- Caldeirão Crew Diretoria. – E então sentou-se normalmente. Piscou para o garoto, levando os braços para detrás da cabeça, descansando no encosto do sofá.

- É a banda favorita da minha amiga.- Foi a única coisa que James conseguiu lembrar no momento. Mary amava aquela banda mais do que tudo. Coçou a nuca e então percebeu do que o primo estava falando. Deixou o queixo cair, esquecendo sua boca aberta. O outro apenas fez que sim com a cabeça. – Não creio! De verdade, não acredito!

- É, você acha que seu primo é pouca porcaria?- Ele disse, rindo, ainda com os braços atrás da cabeça. Os dois riram enquanto imaginavam o quanto iriam causar naqueles dois dias que estariam 'sozinhos'.

Uma coruja entrou pela janela e pousou ao pé da cama. Piou ardido ao ver que nenhuma das garotas no recinto tinham percebido sua presença. Uma pequena garota jogava toneladas de coisas dentro de uma pequena mochila. As coisas entravam e sumiam magicalmente. Uma alta ruiva procurava mais dessas roupas embaixo da cama. A coruja piou mais alto dessa vez, fazendo a ruiva se assustar e bater a cabeça no tampo da cama.

- AI!- Urrou, tirando a cabeça debaixo da cama e lavando a mão ao lugar afetado. – Mary, pega a carta logo antes que ela nos ataque.

- Quem será?- Mary perguntou mais pra si mesma, enquanto desamarrava o nó que segurava a carta.- Ah, é só a Ilanna. Pensei que fosse o Potter.

- Dá aqui.- A ruiva se levantou e ficou ao lado da amiga. Abriu a carta e leu as primeiras linhas. Seu sorriso cresceu de forma descomunal.- Mary, arrume logo sua mochila, nós vamospra casa da Ilanna ver o show!

- Que show?

- Caldeirão Crew Diretoria. – Lily falou, com voz de suspense. Mary deu um grito e pulou na cama.

- O CALDEIRÃO CREW VAI DAR SHOW NA CIDADE DA ILANNA? NÃO ACREDITO!

- É, o show é amanhã, ela tá falando pra gente ir pra lá hoje pra sairmos hoje mesmo e tals...

- VAMOS, POR FAVOR? AGORA, VAMOS!- Mary vestiu a mochila e voltou a pular na cama, como se quisesse pular pela janela.

- Calma aí, nem perguntei pra minha mãe ainda...

- Não tem problema, não tem problema. A gente foge! Vamos, vamos, vamos, vamos, vamos, vamoooooooooooooooooooooos. POR FAVOR.

Lily riu e continuou observando a amiga que ainda pulava insistentemente na cama.

- O que você tá fazendo aí parada? Vai logo perguntar pra sua mãe!- A garotinha gritou, apontando para o corredor. Lily olhou na direção que Mary apontara e virou-se para ela, mostrando-lhe as palmas das mãos, como que dizendo para ela esperar um segundo. Petúnia passava pelo corredor, ao telefone com seu noivo. Ao ver a porta do quarto da irmã aberta, enfiou seu longo pescoço para dentro do cômodo, para fazer a única coisa que tinha feito nos últimos dias.

- Essa carta, é do James?- Ela perguntou, sorridente, com sua mão tampando o telefone, impedindo seu noivo de ouvir sobre o que estava falando. – Quando ele vem aqui de novo? Mande um beijo para ele e diga que já estou com saudades.

- Não, Tuney. Não é o James. Não, ele não vem aqui de novo.- Lily disse, monotonamente.

- Mas os beijos a Lils manda com prazer. Já deu uns pegas uma vez, pode dar de novo.- Mary brincou, dando um tapa na nuca da ruiva, que esbugalhou os olhos e enrubresceu. – Opa, opa. Alguém aqui ficou encabulada.

- Cala a boca, Mary. – A ruiva coçou a nuca, enquanto chutou uma bola de meia jogada no chão.

- Eu não quero ficar aqui ouvindo essas conversas de gente esquisita de vocês. – Petúnia cuspiu, tirando o pescoço de dentro do quarto, porém voltou o mesmo na posição antiga em seguida. Tinha esquecido de um detalhe. – Ah, mas não se esqueçam de mandar um beijo bem molhado para o James.- E voltou o telefone à sua pequena e delicada orelha.- Ah, Vernon, querido... Era só a problemática da minha irmã quebrando alguns pratos...

- Essa mina merece morrer.- Mary comentou, balançando a cabeça e sentando-se na cama.

- Fale alguma coisa que eu não sei. – Lily disse, fechando a porta do quarto. – Como ela me irria... e agora essa história de ficar cheirando bolas do James... Daqui a pouco ela compra uma coruja só pra ela pra poder trocar cartinhas com ele. Como se ela já não estivesse pra se casar aqui a alguns meses, né.

- Se eu não te conhecesse diria que isso aí é ciúmes.- Mary brincou, cutucando a amiga, que a olhou torto. – Mas você tem razão. Nada a ver ela ficar cheirando bolas do Potter desse jeito. Não duvido muito que daqui a pouco ela mesma esteja mandando cartas pra ele. Quero só ver quando o robustagem descobrir essas gracinhas.

- Robustagem é o cara mais burro que eu conheço, relaxa. Ele nunca vai descobrir sobre a paixonite dela. Acredite em mim.- Lily riu, jogando-se na cama. – Ai ai...

- Viu, o que você pensa que está fazendo?

- Suspirando, talvez?

- Não, Lils, caralho. Você não tinha uma coisa pra falar pra sua mãe, não?- A pequena falou, apontando a porta com a cabeça. Lily se levantou num pulo e saiu correndo para o corredor. Mary ouviu os passos desesperados da ruiva na escada, e depois a voz da mãe da mesma falando algo realmente comprido, que ela não conseguiu definir o que era. Mais passos descontrolados na escada, e a ruiva alta estava à porta novamente, ofegante. Seu nariz comprido brilhava com as gotículas de suar que surgiram ali depois do cooper que acabara de realizar.- Eai?

- Pega a mochila, vamos de Flu pra casa da Ilanna. AGORA. Antes que minha mãe mude de ideia!

Devia ser a quinta vez que trocava de camiseta. Nenhuma das polos que o garoto tinha colocado, o tinham agradado. O primo esperava sentado à cama, com uma das mãos no queixo, enquanto olhava para os próprios pés.

- Vai demorar muito ainda, noivinha?- Murmurou, ainda olhando para o chão. James jogou a camiseta em cima da cama junto a muitas outras, enquanto revirava o quarda-roupa mais uma vez.

- Espera aí. Logo menos tô pronto.- Disse, jogando várias camisetas para cima, procurando alguma coisa no fundo da gaveta. Virou-se subtamente para a cama e começou a revirar as camisetas que ali já estavam. Pegou uma delas, vestiu-a e olhou-se ao espelho. Sorriu e despenteou os cabelos.- Pronto, agora sim!

- Essa foi a primeira que você experimentou- O primo disse, massageando as têmporas. – Você sabe que vamos pegar fila na porta da balada desse jeito, né?

- Não ligo. A gente tá com nome na lista, não?- Ele disse, e o primo apenas fez que sim com a cabeça, mas ainda assim incrédulo com a demora do maroto. James foi em direção do banheiro. John suspirou e se jogou na cama. – Espera aí, só vou passar perfume!

- Por que não passou antes então?- O garoto de barba ruiva reclamou, jogando as mãos para o alto. James apenas tirou a cabeça para fora do banheiro para dar um sorrisinho para seu primo.

- Peraí, John. A beleza leva tempo, ela não simplesmente surge do nada.

- Lá vai...

O maroto riu, enquanto borrifava o perfume em seu pescoço. Deu uma última olhada no espelho do banheiro e voltou ao quarto, sentando-se ao lado da cabeça de John.

- E o Sirius? Nada?- O vizinho perguntou, virando a cabeça em direção ao outro garoto.

- Ele disse que vai perguntar pra mãe dele ainda. Se vier, só chega amanhã. – James respondeu, voltando a olhar-se para o espelho em frente a cama e arrumando seu cabelo.- Só não entendo por que ele não fugiu ainda daquele inferno.

- Você conhece seu melhor amigo melhor que eu, James. E sabe que mesmo odiando a família, ele não a largaria assim de um dia para o outro.

- Ah, mas sei lá, viu? – Ele jogou os ombros, logo em seguida deitando-se como o primo.- Por exatamente conhecer ele, sei que ele fugiria de lá assim que tivesse a chance.

Tão logo proferiu essas palavras, um grande estalo ouviu-se vindo da sala. Uma tosse frenética o seguiu, uma tosse que mais parecia de um cachorro do que de um ser humano. Então ouviu-se passos pesados e desesperados, e um barulho que ecoava, como se alguém estivesse correndo escada acima.

- JAMES? JAMES! VEADÃO DO CARALHO, VOCÊ TÁ EM CASA?- James reconheceu a voz na hora. Mas a intensão ele não conhecia. Nunca tinha o ouvido tão desesperado. Os passos na escada continuaram, cada vez com mais força e mais rapidez. O garoto se levantou da cama em um pulo e abriu a porta do quarto, para encontrar com um Sirius pálido e assustado no meio do caminho da longa escadaria de sua casa. – AH VEADÃO, AINDA BEM QUE VOCÊ TÁ AQUI!

- Sirius Black, conte agora o que aconteceu!- James disse, desesperado, indo de encontro ao amigo. Assim que eles chegaram ao mesmo degrau, Sirius abraçou James repentinamente e se derramou em lágrimas, ao mesmo tempo que soluçava tão alto que cortaria até o coração da pessoa mais fria. – Calma, Cachorrão. Tá tudo bem agora, tá tudo bem... Pode falar o que aconteceu?

- Eu fugi, James. Eu fugi.- Ele disse, ainda com o rosto no peito do amigo. John aproximou-se e colocou a mão no ombro de Sirius, tentando reconfortá-lo. James olhou para o primo com um olhar auto-esclarecedor. – Aquela troll caolha da minha mãe, James. Ela já estava arrumando meu casamento, foi a gota dágua... Não queria que eu viesse pra cá, disse que você era uma má influência... – Ele soluçou um pouco mais alto dessa vez, fazendo John se assustar e tirar a mão momentaneamente de suas costas.- Eu cuspi na cara dela e disse que nunca mais voltaria. Usei o Flu e cheguei aqui antes que ela pegasse aquele maldito guarda-chuva.

- Mas tá tudo bem agora, Cachorrão. Tá tudo bem. – James repetia, passando a mão pelo cabelo do amigo. Quem visse aquela cena provavelmente os acharia gays. Mas o pensamento de Lily estava correto. Eles eram, provavelmente, os garotos mais sensíveis e sentimentais do mundo todo. E eles com certeza nunca deixariam um amigo na mão numa hora dessas. Além de serem extremamente carinhosos. – Você tá mais que certo de ter fugido daquele inferno! Eu estou muito orgulhoso de você.

- E eu lá preciso que um merda que nem você fique orgulhoso de mim?- Sirius sorriu, tirando a cabeça do peito do amigo, e secando as lágrimas. Os dois se olharam e sorriram, antes de se abraçarem, dessa vez de um jeito normal, ambos felizes de estarem juntos e estarem bem.

- Mas deu tempo de você trazer suas coisas? – John perguntou, quando percebeu que Sirius havia chegado apenas com as roupas do corpo. O garoto soltou do abraço e olhou para si mesmo, percebendo que havia deixado tudo lá.

- Puts, esqueci tudo!- Levou uma das mãos à testa, enquanto James ria.

- Pode deixar, eu consto lá com o James e pego suas coisas. Sua mãe não atreveria em encostar um dedo em nós dois. – John disse, com um sorriso galanteador.

- Eu duvido muito, mas se quiserem tentar...- O maroto disse, jogando os ombros e coçando o nariz. – Se não se importa, Veadão, posso dormir um pouco na sua cama? Eu tô meio debilitado...

- Claro, Cachorrão. Vai lá, enquanto isso eu e o John vamos tentar pegar algumas trocas de roupas pra você na sua casa.- James falou, apontando o quarto com a cabeça e dando um tapa de animação no ombro do amigo.

- Olha a bravata que você me mete.- John sussurrou, quando Sirius já estava longe. James sorriu enquanto os dois desciam as escadas em direção da lareira.

Uma sala de estar simples, porém grande, abrigava grandes sofás brancos de crochê. E, em cada sofá, se encontrava uma garota. Haviam três delas, cada uma mais cansada que a outra. Uma morena de nariz comprido olhava para o teto, ao mesmo tempo que estalava a língua contra o céu da boca. Uma pequena garota branca de cabelos pretos olhava para as próprias mãos, que acariciavam o tapete sob os sofás. A alta ruiva simplesmente dormia, provavelmente no décimo quarto sono. Estavam assim a um bom tempo. Parecia que nenhuma delas nunca iria sair deste momento de transe. Parecia.

- Acho que ela não vem não, viu.- Mary apontou. O susto foi tão grande que Lily caiu do sofá, procurando quem pronunciara aquilo durante seu sonho. Ilanna parou de fitar o teto e passou a fitar a pequena amiga, ainda estalando a língua.- Vocês sabem que a Chiara só fala mas não faz nada.

- Não acredito que a Chiara vai perder o show. – Lily disse, levantando-se e voltando para o sofá.

- É a cara dela fazer essas coisas, deixa ela pra lá.- Ilanna disse, logo após dar uma última estalada. – A gente vai hoje numa boate daqui mesmo? Vocês estão no pique?

- Eu tô muito no pique!- Parecia que Lily já estava lá. Dançava com os braços para cima e para baixo, balançando a cabeça.

- Eu nem sei, nunca dá certo essas coisas de danceteria. Você sabe bem disso, Ilanna.- Mary disse, voltando a admirar o tapete e a sua mão que passava por ele.

- Mas hoje vai dar certo!- Ilanna falou, levantando-se e ficando no meio dos três sofás, com um sorriso sonhador estampado em seu rosto levemente indiano. – Tem que dar certo!

- É isso aí, Lan!- Lily a acompanhou, levantando do sofá e abraçando a amiga de lado.- Hoje tem que ser LOUCO!

- Ainda acho que vai dar merda. – Mary virou-se no sofá, encarando o teto. Jogou as mãozinhas em cima dos olhos e esfregou-os. – Tô com esse pressentimento.

- Não vai dar nada! Relaxa, Mary!- A ruiva disse, lançando-lhe um sorriso muito encorajador.

- É, o que poderia dar errado?- Ilanna ajudou a amiga, também sorrindo. Mas não o sorriso simpático de sempre, e sim um sorriso de quem está pronta para armar alguma coisa.

Uma mulher horrenda olhava para eles, com um guarda-chuva nas mãos. Não sabiam se aquilo podia ser considerado invasão de domicílio, mas a mulher estava realmente irada. James engoliu em seco em torno de sete vezes, para evitar de chorar de nervoso. John apertava a alça da mochila com tanta força que sua mão já estava branca. A mulher continuava a encará-los, como se esperasse alguma explicação, ou quem sabe uma súplica de misericórdia. Aquele silêncio ensurdecedor se manteve por alguns segundos, antes da múmia personificada abrir seus lábios enrugados e secos para proferir palavras que mais pareciam ruídos de uma guerra trouxa.

- O que pensam que estão fazendo?- A mulher levantou uma de suas sobrancelhas medonhas ao mesmo tempo que batia o guarda-chuva mais uma vez em sua mão aberta. James estufou seu peito e levantou os olhos para a senhora, enquanto John tremia no próprio lugar. Sabia o que viria a seguir.

- Tendo um pouco de decência e pegando as coisas do meu amigo, que infelizmente um dia foi seu filho.- O maroto disse, com a voz mais ameaçadora que pôde. Ele era bom em brigar com as pessoas, porém era péssimo em insultá-las. Sempre o foi. – Agora, se me dá licensa, irei buscar o que falta no quarto dele.- Colocou uma das mãos sobre o braço da senhora, empurrando-a fortemente para o lado. John levou a mão livre ao rosto, balançando a cabeça. Não acreditava no que o primo estava fazendo.

- COMO OUSA?- A mulher pegou-o pelo pulso, fechando sua mão velha como os livros da sessão reservada, com a máxima força que arranjou de dentro de suas entranhas. James soltou um urro de dor, enquanto caía nos próprios joelhos. Sua mão estava ficando roxa, e virando ligeiramente esverdeada, enquanto a mulher apertava cada vez mais seu pulso. John largou a mochila que carregava, e pulou para perto dos dois, tentando fazê-la soltar o braço do primo. A mulher apontou o guarda-chuva para ele e fincou a ponta do mesmo em seu rosto, próximo aos olhos. O garoto desviou no último segundo, evitando de ficar cego. Voltou a forçar a mão da mulher para abrir-lhe os dedos, sem saber que estava sendo observado.

Um garoto estava parado próximo a eles, com a varinha aprontada para o bolo de confusão que acontecia nesse instante na sala dos Black. Parecia pronto a soltar uma maldição imperdoável no primeiro que lançasse o olhar para ele. Seus olhos percorriam rapidamente de um James ajoelhado ao chão, choramingando, a um John que forçava os dedos de uma idosa enquanto desviada das guardachuvadas da mesma. O garoto tremia cada músculo do seu corpo, enquanto empunhava a varinha ameaçadoramente. A mulher, após errar a cabeça de John pela décima vez, desviou o olhar para a figura que estava plantada a frente deles.

- REGULUS, AJUDE A SUA POBRE MÃE!- A mulher, esganiçada, gritou. Em seguida voltando a errar a cabeça de John, que agora pisava em seu pé.

- Quem são esses aí?- Regulus, o garoto, perguntou, com a voz mais trêmula do que o próprio corpo.

- INVADIRAM A CASA, REGULUS, QUERIDO. INVADIRAM A NOBRE CASA DOS BLACK! QUEREM NOS ROUBAR...

- MENTIRA!- James gritou, entre seus urros de dor. A mão da mulher não só apertava seu pulso, mas também queimava sua pele. Era como se ela tivesse se embebido de uma poção urticante, do tipo mais forte. Regulus voltou sua varinha para o maroto, que agora estava praticamente estirado ao chão. Uma linha de dúvida surgira ao meio de suas sobrancelhas. Ele conhecia aquele garoto. Era James Potter. Ele já tinha o seu dinheiro. Talvez ele tivesse mais dinheiro no seu bolso da calça do que ele e a sua mãe tinham na casa inteira. Por que ele assaltaria sua casa? James percebeu que Regulus tinha lhe dado espaço para explicar-se. – Viemos buscar as coisas do seu irmão. Material escolar e roupas, só isso! – Regulus abaixou a varinha. Apesar de tudo, ainda amava seu irmão. E sabia que ele estaria melhor na casa de Potter do que na sua própria casa. Sabia o que sua mãe o faria. A Sra. Black soltou alguns grunhidos, quando finalmente acertou a cabeça de John, fazendo o soltar um pequeno 'ai', ao mesmo tempo que a tentava derrubar no lugar.

- Mãe, solte ele.- Regulus pediu, olhando para o chão. A mulher não ouviu e continou balançando o guarda-chuva para cima e para baixo, na esperança de acertar o garoto mais uma vez. – MÃE, SOLTE ELE.- Um silêncio ensurdecedor se seguiu, a Sra. Black olhava incrédula para o filho, ainda segurando James, e com o guarda-chuva suspenso no ar, próximo à cabeça de John. – Solte-o, mãe. Eles vieram buscar apenas as tralhas de Sirius. Como se nós precisássemos daquele monte de lixo contaminado. Não duvido que ele tenha emprestado um de seus livros para aqueles sangue-ruins que andam com ele na escola.- A mãe abriu um pequeníssimo sorriso, enquanto soltava James. O maroto e seu primo só não pularam imediatamente no pescoço de Regulus, pois o mesmo piscou discretamente para eles. – O quarto de Sirius é o último do corredor, do lado esquerdo. Peguem tudo o que precisarem, vocês tem 15 minutos.

- O que não conseguirem carregar, colocarei fogo.- A mulher adicionou, limpando as vestes, enquanto os garotos já corriam corredor acima.

As garotas estavam paradas na frente da boate a quase uma hora. A fila só parecia crescer. Mary já bufava coisas como 'Eu avisei, mas pra quê ouvir a Mary?' enquanto Ilanna se encostava no alambrado da fila. Lily olhava sobre os ombros sempre que podia, observando as pessoas que entravam e saíam do lugar. Chiara estava com um sorriso que ia de um lado ao outro do rosto, enquanto dava pulinhos no mesmo lugar. Havia chegado minutos antes das garotas saírem da casa de Ilanna, e fez todas voltarem para ela poder se arrumar. O que tinha feito com que as garotas brigassem com ela e a 'mandassem tomar naquele lugar'. Os minutos pareciam passar tão devagar que até uma aula do Professor Binns teria sido mais produtiva do que aquela hora paradas na fila.

- Mano, tô morrendo de dor no pé, já.- Ilanna comentou, enquanto tentava subir no alambrado. O segurança fez sinal para que ela desencostasse do mesmo. A garota bufou e virou os olhos.

- É porque você não bebeu ainda. Quando a gente entrar, a gente chega virando tequila que já melhora.- Lily disse, sorridente, logo após olhar, mais uma vez, por cima do ombro um homem alto e bem vestido que passou por elas.

- A gente devia ter bebido na Lan, só acho isso.- Chiara adicionou, dando de ombros.- Mas não tem problema, hoje ainda vai ser DEMAIS!

- Eu duvido muito.- Mary disse, cuspindo no chão. Todas as meninas preferiram ignorar a pequenina.

- Ei, não é o Potter alí?- Ilanna disse após algum tempo encostada na parede da balada, espichando os olhos para o outro lado da rua. De um carro, saíam três garotos, sendo que um deles parecia que tinha acabado de sair de dentro de um tornado, tão bagunçado era o seu cabelo. Junto a ele, um garoto de cabelos compridos na medida certa, com olhos tão cinzas que faziam qualquer garota molhar as calcinhas só de apenas olharem para eles de relance. E um terceiro garoto, talvez o mais bonito dos três, nenhuma delas tinha visto antes. Era forte, com a barba por fazer e trazia consigo o sorriso sedutor mais sexy de todos.

- O Potter? O que o bosta do Potter estaria fazendo aqui?- Mary perguntou, rindo, depois de cuspir mais uma vez.

- James?- Lily perguntou mais pra si mesma do que pra ele mesmo, quando os três garotos chegaram perto das mesmas. Cerrou os olhos como se para enxergar melhor e perceber que não era quem ela estava pensando. O garoto, ao ouvir aquela voz tão conhecida chamar seu nome, levou um belo de um susto. Parou onde estava e ficou olhando para os lados, desesperado, procurando de onde vira o chamado. A ruiva sorriu, chegou perto do alambrado e repetiu.- JAMES! AQUI!

-LILY? – Virou-se para a ruiva, que não estava tão longe dele. Ao ver o sorriso que estava no rosto da garota, o seu próprio cresceu monstruosamente. Passou a mão no cabelo enquanto se aproximava dela, que estava pendurada no alambrado, com metade do corpo para fora da calçada. – O que faz aqui?- E então viu as garotas atrás dela. Ilanna forçava o seu sorriso simpático típico, Mary estava com os braços cruzados e olhava para o chão, observando o seu cuspe seguir a lei da gravidade. Chiara estava logo atrás de Lily, sorrindo tanto quanto a ruiva, dando tchauzinhos e pulando. – Ei! GAROTAS! Que saudade de vocês!

- Que que tá rolando aí, Veadão?- Sirius perguntou, jogando o cabelo para trás e encostando no amigo. Olhou para as garotas e esbugalhou os olhos, enquanto sorria elegantemente.- Olha só o que o gato trouxe...

- Oiii Sirius!- Lily dobrou-se ainda mais sobre o alambrado, abraçando o maroto, que apenas olhou para James e fez cara de 'O que eu posso fazer?' . – O que estão fazendo aqui?

- O mesmo que vocês, pelo o que parece.- James disse, sorrindo. John chegou e juntou-se a eles, cumprimentando as garotas apenas com um aceno de cabeça. Cutucou o primo, apontando a ponta da fila, onde ficava a porta da boate. – Peraí, John.

- Não, vocês não estão a uma hora em pé esperando pra entrar na merda dessa balada.- Mary disse, realmente brava. Normalmente ela dizia as coisas com esse tom, mas não estava realmente brava, era apenas o seu jeito. Dessa vez, ela estava falando sério.- Juro, pior ideia que essas babacas já tiveram.

- Hoje ainda vai ser bom! Eu JURO!- Lily tagarelou, sorridente. – E agora a gente ainda encontrou os meninos, vai dar tudo certo!

- Mundo meio pequeno, não?- Sirius comentou, enquanto encostava no alambrado, ao lado de Lily. A garota apoiou os braços em seu ombro e e a cabeça em cima da cabeça do maroto, pois era bem mais alta que ele. Ainda mais de salto.- Na casa de quem vocês estão?

- Na casa da Lan.- Lily disse, passando a mão pelos cabelos de Sirius. James sentiu seu estômago dar quatro mortais e finalizar com um twist duplo carpado. Olhou para o chão e despenteou os cabelos. – Na casa de quem vocês estão?

- Na minha. – James falou mais para o chão do que para a ruiva. Não queria olhar para os olhos dela, pois se sentiria milhões de vezes pior. John cutucou-o de novo, desta vez com um olhar fulminante. – Ah, e esse é o meu famoso primo que tanto falo. John, Lily. Lily, John.

- AH.- John entendeu do que se tratava a demora do primo. Abriu um de seus melhores sorrisos galanteadores e a puxou para um beijo na bochecha. – Você que é a tal Lily Evans que o James não para de falar, então? Finalmente a conheci!.- A ruiva adquiriu uma cor que era vários tons acima de seu cabelo na escala de vermelhos. – Bom, se não se importam, nós estamos com o nome na lista, então vamos entrar...

- NOME NA LISTA?- Mary engasgou com o próximo cuspe que preparava em sua boca. – Leva a gente com vocês! Diz que somos as acompanhantes!

- Não dá, somos em três e vocês são quatro.- Sirius falou, desvencilhando-se da ruiva e ficando ao lado do amigo novamente. – Nem que pagássemos de cafetões conseguiriamos entrar com todas vocês juntas.

- Não tem problema!- Mary falou, desencostando-se da parede e também se apoiando no alambrado para falar com os garotos. – A Lily fica, nós seríamos as próximas mesmo!

- Por que sempre eu que fico pra trás?- Lily bufou, cruzando os braços e fazendo beicinho. Mary lançou-lhe o típico olhar de despreso total.

- Por que será, Lils?

- Não quero ficar aqui sozinha!- Lily olhou para James, como se suplicasse que ele dissesse algo em sua defesa. O maroto olhou confuso para ela, e depois para Mary. Abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas Ilanna interrompeu.

- Acho que devemos ficar nós quatro aqui esperando. Nós seremos as próximas de qualquer jeito, não? Então. Já ficamos uma hora aqui mesmo, o que muda ficar mais alguns minutinhos? – Sorriu, colocando a mão nos ombros de Lily e Mary. As duas garotas olharam feio para ela, mas concordaram, baixando a guarda. – Ótimo.

- A gente se encontra lá dentro então, Jay?- Lily perguntou, com um sorriso doloridamente doce. James piscou todas as vezes possíveis, e ficou parado a encarando por alguns milênios. Poderia ter se perdido em qualquer lugar dela. No cabelo, nos olhos, no sorriso... Ela estava exepcionalmente bonita aquele dia. Sirius o puxou pela gola da polo e então percebeu que estava a encarando a tempo demais.

- Claro, Lils.- Ele sorriu de volta, piscando para ela e seguindo o primo e Sirius até o segurança. Ele os olhou de cima a baixo, conferiu os nomes e os deixou passar. Ao entrar no recinto, James perdeu todos os sentidos de normalidade, como sempre acontecia quando entrava nesse tipo de lugar. Talvez fosse a iluminação, ou o próprio cérebro que já tinha se acostumado com o fato que em alguns instantes ele ficaria completamente bêbado. Encaminhou-se até o bar, e encostou-se. – Vamos de Tequila?

- Claro que sim, Veadão. Acha que a gente é o que? – Sirius zombou, encostando-se ao seu lado. John fez o mesmo movimento, mas embutiu em uma cutucadela na atendende.

- Olá, moça bonita. – A garota sorriu de volta e colocou um pouco de cabelo atrás da orelha, enquanto mordia fortemente os lábios carnudos. James imediatamente ligou o fato à sua ruivinha, que o fazia discretamente. – Poderia nos trazer seis doses de tequila, por favor? – A moça concordou com a cabeça e abaixou-se no balcão, pegando a garrafa e os copos.

- SEIS?- James olhou para o primo, como se ele tivesse feito um crime.- Duas de uma vez, já?

- Não, as seis são pra mim. Vocês que peçam as suas. – John disse, sério, dando de ombros e voltando a paquerar a atendente. Mas os garotos sabiam que ele estava brincando. – E aí, doçura? Quanto fica tudo?

- Pra você é por conta da casa. – Ela respondeu, piscando para ele e passando-lhe um papelzinho quando terminou de cortar os limões. – Me liga quando precisar.

- Eu quero só ver o nosso estado amanhã. – Sirius riu enquanto pegava dois dos copinhos que tinham sido entregues a John. James o imitou, concordando com mais risadas. – Bom, eaí? Vamos beber assim mesmo?

- Claro que não, a gente tem que fazer um brinde!- John pegou um de seus copinhos e ergueu. – AO SIRIUS, O CARA MAIS CORAJOSO QUE EU CONHEÇO. POR TER FUGIDO DE CASA HOJE A TARDE.

- Opa opa. – Sirius retrucou, também erguendo um dos copos. – TAMBÉM AO JOHN E AO JAMES, OS MAIS CORAJOSOS, DE INVADIREM A MINHA CASA PARA BUSCAR MINHAS COISAS.

- E não vamos esquecer de uma coisa...- James adicionou, também levantando o seu copo.- AO MEU QUERIDO AMIGO JOSÉ CUERVO, PELA NOITE DE HOJE!

- ARRIBA, ABAJO, MÁS ABAJO, A CENTRO, ADIENTRO!- Os três gritaram aos mesmo tempo, seguindo as instruções do próprio grito e logo em seguida virando o primeiro copo. Lamberam o sal e morderam o limão. Assim que terminaram, emendaram o segundo copo e a segunda rodada de sal e limão.

- Eu NUNCA vou me esquecer de hoje!- Sirius disse, abraçando os dois. – O dia mais memorável de TODOS.

- Eu também!- James riu, virando-se para o balcão e pedindo mais seis doses de tequila.- Nunca vou me esquecer dessa noite.

O sol estava casualmente mais forte. Enchia os seus olhos de uma maneira que não poderia mais mantê-los fechados por muito tempo. Tentou colocar o braço à frente de seu rosto para evitar os raios solares incidirem em sua face e atrapalharem seu sono, (como já estavam fazendo), mas estranhamente bateu um um outro braço. Respirou torto com o susto, e assim percebeu um peso sobre seu peito. Não só sobre seu peito, como sobre ele por completo. Percebeu também que não estava deitado em sua cama. Era duro, gelado e ligeiramente úmido. Respirou outra vez e sentiu suas costas roçarem na grama. Não aguentou mais de curiosidade. Abrius os olhos.

A primeira coisa com que se deparou foi com uma cabeleira ruiva jogada em seu seio, espalhado não só pelo mesmo como também no chão. Seu estômago se aqueceu ligeiramente e as borboletas se sentiram livres para voarem novamente. Sentiu as esquinas dos lábios se curvarem inconscientemente. O perfume floral que normalmente exalava da ruiva estava presente, mas também marcavam presença o odor forte de cigarro e bebida que chegavam às narinas de James. E não apenas vindas de Lily, mas também dele mesmo. Percebeu que uma das mãos da garota pousava em seus cabelos, como se fizesse uma carícia. Ela estava completamente deitada sobre ele, com a cabeça apoiada entre o seu abdômem e sua caixa toráxica. Como ela era muitíssimas vezes mais alta que ele, as pernas da garota estavam nuas no chão, que James logo descobriu ser a grama da garagem.

Da garagem? O que diabos ele estava fazendo dormindo na garagem? Por que Lily estava deitada sobre ele? Por que os dois estavam dormindo na garagem? Por que diabos ele não conseguia lembrar de absolutamente nada depois do brinde da noite passada? Levou uma das mãos à têmpora e a massageou, tentando aliviar a dor que agora surgira. Sentiu a ruiva se remexer em seu lugar, e começou a pensar em por que não havia a acordado ainda. Passou a mão em seus cabelos, pousando-a em sua bochecha que estava virada para cima. Massageou a mesma com o polegar, enquanto sussurrou.

- Lils... Lils...- A garota remexeu-se um pouco mais, porém sem sair do lugar. – Lily Evans, acorde. Você sabe onde você está?- Sem perder o tom doce da voz, James tentou ser um pouco mais direto. Lily pareceu perceber que algo estava errado, então finalmente abriu os olhos. Olhou assustada e ao mesmo tempo confusa para James, que sorria lindamente para ela. – Bom dia, como dormiu?

- AH!- Ela gritou, levantando-se e levando uma das mãos à boca. James sentou-se onde estava e bagunçou os cabelos, desajeitado. Ela olhou em volta e viu que não havia nenhum conhecido por perto, muito menos um lugar conhecido. Baixou a guarda e se sentou junto ao garoto. Encostou sua cabeça no ombro do mesmo, enquanto olhava para ele. – O que aconteceu?

- Sinceramente? Eu não sei. – Ele deu de ombros, abraçando ela de lado, enquanto ela se aproximava mais dele. – Eu acordei faz alguns segundos e a gente tava assim.

- Sério?- Ela tinha um tom risonho na voz, e não duvidoso ou quem sabe amendrotado. – Que engraçado... Só espero que não tenha acontecido nada. Quer dizer... você sabe.

- Sei, Lils. Sei.- Desarrumou o cabelo com a mão livre. Mal tinha se acostumado a chamá-la de Lily, e agora já estava usando diminutivos.- Também espero que não tenha acontecido nada. – Com toda a certeza isso não era a maior verdade do dia.

- Jay, você viu as meninas? – Sentiu seu rosto enrubrescer. Por que ela tinha que chamá-lo daquele jeito?

- Não, como te disse, acabei de acordar, como você.

- Você pelo menos sabe onde a gente tá?

- Em casa, pelo que parece. – Ele disse, olhando em volta. Reconheceria aquele lugar mesmo que tivessem o mudado de todas as formas possíveis.

- Ah.- Ela exclamou, finalmente chegando perto o suficiente dele, fazendo parecer que iriam voltar a posição de minutos atrás. – Vamos entrar, comer alguma coisa, e depois procurar todo mundo?

- Pode ser. – Ele concordou enquanto coçava o nariz. Pelas barbas de Merlin, o que diabo tinha acontecido aquela noite? Será que Lily lembrava? Não custava nada perguntar... – Lils, você lembra de alguma coisa de ontem?

- Por quê? Você não lembra?- Lily riu, enquanto olhava para ele, zombeteira. Pela cara do rapaz, ela percebeu que estava falando sério. – Oh, você realmente não lembra, né?- Ele fez que não com a cabeça.- Bom, quando entramos, vocês já estavam na quinta tequila cada um, ou coisa parecida. Dançamos um pouco, você pegou algumas meninas perdidas lá. – Lily corou ligeiramente e olhou para os pés ao dizer a última parte. James riu fracamente, não lembrava nem te ter encontrado com as meninas lá dentro, quem dera essas tais garotas que tinha 'pego'. – Daí a Mary comprou um maço de cigarros e fomos todos pro fumódromo esperar ela e a Ilanna terminarem de fumar. E como elas foram emendando um cigarro no outro, isso ficou lá pelas três ou quatro da manhã.

- Ah. – Ele levou a mão livre ao rosto e o esfregou, como se para finalmente acordar por completo. – E como viemos parar na minha casa?

- Aí você tá querendo saber demais.- Ela riu, voltando a olhar pra ele. – Lembro de termos parado em uma padaria enquanto a Ilanna usava a cabine telefônica pra avisar a mãe dela sobre alguma coisa. Daí o Sirius brigou com a atendente da padaria e fomos expulsos.- Ela parou um pouco e riu novamente, com uma lembrança.- A Mary ficou injuriada e disse que ia processar a padaria. Tirando isso, não lembro de mais nada.

- Pelo menos lembra mais do que eu.

- Também, o quanto você bebeu...

- Bebi demais mesmo?

- Demais acho que é ser bem boazinha contigo.

- Foi feio então?

- Claro que foi.

- Dei algum vexame? – Ele perguntou, sério. A garota enrubresceu na mesma hora, voltando a olhar para os pés. O garoto percebeu, mas ficou na dele. O que poderia ter sido? – Iiih, foi grave?

- Não, foi de boa.- Ela tentou consertar, colocando o cabelo atrás da orelha. – Só que...

- Só que?

- Você subiu na cabine do DJ e queria que ele te desse o microfone pra você poder falar uma coisa pra alguma menina presente. Mas os seguranças te tiraram de lá. A Mary quis te arrebentar, mas o resto do pessoal tava te dando corda.

- Sério? Que babaca!

- A Mary?

- Não, eu! Até parece... pedir pro DJ parar a música pra dar algum anúncio... Qual o meu problema?

- Álcool, James Potter. Álcool.

- Não, agora é sério. Qual o meu problema?- Ele disse sério, tirando a cabeça da garota de seu ombro e virando-se para ela. – Qual o meu problema? Nenhuma garota me quer, Lils! O que eu tenho de errado?

- Não te diria que nenhuma garota não te quer, quer dizer... – Ela adquiriu uma leve coloração rosada. – Aquelas cinco garotas ontem provaram justamente o contrário.

- Eu peguei cinco ontem?- Ele perguntou, abismado.- Não me admira que a única que eu queira não me quer...

- Deixa de ser bobo, todas as garotas te querem. – Ela despistou o olhar, para não dar tanta pala.

- Não a mais importante.- Ele também desviou o olhar, se jogando novamente na grama. Resolveu mudar de assunto. – O que vocês vão fazer hoje?

- Vamos no show da Caldeirão. – Lily comentou, dando de ombros enquanto desamassava a saia. James voltou a se sentar, olhando abismado para ela.

- Não acredito! Quer dizer, eu imaginei que era isso que vocês tinham vindo fazer aqui, já que é a banda preferida da Mary e tudo, mas... Sei lá. É meio coincidência, não?

- Você vai?

- Com certeza!

- Que legal.

- Não pareceu tão legal assim com você concordando desse jeito.

- Que jeito? Tá louco, Jay?- Ele sorriu de um jeito diferente. Lá ia ela chamando ele daquele jeito de novo. Aonde eles iriam parar nesse ritmo? Dentro de alguns meses estariam namorando, e dentro de um ano ele a pediria em casamento. Em pouco tempo estariam esperando o primeiro filho... Como podia o plano estar dando tão certo?

- Nada, coisa da minha cabeça.

- Que bom. Vamos entrar?

- Tá se achando a dona da casa agora?

- Ei! Só estou falando... Quero achar as meninas logo, só isso.

- Tá, te perdoo. – Ele concluiu, levantando. Estendeu a mão para ajudar a ruiva a também se levantar. Os dois desamassaram as roupas e seguiram em direção à casa. James foi a frente, e Lily o seguiu de perto. Mesmo sendo a primeira vez que estava ali, sentia como se já conhecesse a casa.

Alguns minutos de espera. Um homem corpulento já havia anunciado que a banda estava por entrar no palco. Algumas garotas com cartazes e faixas se espremiam entre negros fortes e cheios de dreads, tentando um bom lugar próximo ao palco. Não muitos metros atrás desse grupo completamente heterogêneo, estava uma massa grande de pessoas, separadas em pequenas rodinhas, de onde saíam grandes nuvens de fumaça branca e com um cheiro levemente natural. Havia todo tipo de gente. Hippies de raíz, que não tomavam banho a, no mínimo, algumas semanas. Alguns garotos com camisetas de bandas de rock, com barbas tão compridas que poderiam confeccionar um suéter de lã de cada uma delas. Alguns Playboys que 'pagavam' de hippies, com roupas caras de seda pura e legítima. E então, pessoas que pareciam não se adequar em nenhum desses últimos grupos, apenas fazendo parte da grande lenha de fãs da 'banda' que agora iria se apresentar.

Em uma dessas rodinhas, se encontravam quatro garotas que são muito bem conhecidas nossas. Uma indiana simpática sorria e passava a mão pelo cabelo enquanto uma garotinha branca de cabelos completamente negros tentava enrolar um pedaço de papel de pão. Uma loira de traços arredondados esfregava uma mão na outra, enquanto dizia palavras de animação para a pequenina que realizava todo o trabalho duro. Uma ruiva alta e magra coçava o nariz comprido enquanto observava as pessoas ao redor. Alguma dessas pessoas podia muito bem parar e ajudá-las nesse momento crítico.

- Vai logo, Mary! Os caras já estão entrando!- Chiara repetia, pulando alegremente ao lado da pequenina, que ainda não conseguira fechar o baseado.

- CALMAÍ, CARALHO.- Ela respondeu, enquanto passava saliva pelo corpo do 'cigarro'. – Aí, acho que agora tá bom...

- Acende aí, acende aí!- Chiara continou insistindo, aumentando a frequência dos pulinhos.

- Acho que alguém aqui tá viciada já.- Ilanna riu, passando o isqueiro para Mary.

- Que mané isqueiro o que, Ilanna! Somos bruxas ou não somos?- Mary explodiu, dando um tapa no isqueiro da morena, que voou alguns metros para longe delas.

- Não sei se você lembra, mas não podemos fazer magia fora da escola. – Ela respondeu, fechando seu sorriso e indo buscar o isqueiro.

- Não sei se você percebeu mas estamos no meio de, no mínimo, uns dois mil bruxos. – A pequena disse, cerrando os olhos e pegando a varinha de dentro do bolso do shorts. – O traço não sabe se fui eu ou esse bando de maconheiro aqui do lado.

- Eu fico aqui pensando, como existe tanto bruxo maconheiro, só nessa cidade? Será que não é ilegal pra gente?- Lily comentou, enquanto via a rodinha ao lado acender um baseado tão grande que daria para todos dentro do show darem um peguinha.

- Eu sei lá, eu achei que os bruxos nem conheciam a maconha... – Chiara disse, também olhando para a vela que passava de mão em mão ao lado delas.

- Pra você ver.- Mary disse, apontando a varinha para a ponta do seu próprio baseado. – Certeza que o velho Dumbie também faz uso. Só isso explica as brisadas que ele tem diariamente...

- Sem falar na fome que ele sente constantemente.- Ilanna adicionou.

- E aqueles olinhos caídos...- Chiara também apontou.

- Verdade, né velho? Certeza que o Dumbledore dá um tapa na pantera!- Lily completou, como se tivessem descoberto as américas.

- Incendio!- Mary bravejou, logo antes de levar o baseado à boca e puxar o ar levemente para acendê-lo. – Pronto, acendeu. Quem é a próxima?- Ilanna apenas fez um aceno de cabeça, e a pequenina passou o utencilho para sua mão logo após dar uma longa tragada. Quando finalmente soltou a fumaça, virou-se para Lily. – Eai, me explica. O que aconteceu com você e o Potter ontem?

- Eu sei lá...- A ruiva olhou para o chão e coçou a nuca, ao mesmo tempo que fingia dar chutinhos invisivéis em Chiara que estava ao seu lado. Voltou o olhar para Mary e colocou uma pequena quantidade de cabelo atrás da orelha. – Simplesmente acordei em cima dele. Eu perguntei se tinha acontecido alguma coisa, mas ele disse que não se lembra. E bom, eu não me lembro também.

- E você acha mesmo que ele não se lembra? Ele nunca esquece nenhum momento que passa com você!- Mary riu, enquanto pegava o baseado da mão de Chiara para poder passar a goma novamente.

- É verdade, Li. Certeza que ele se lembra de tudo e aconteceu algo tipo, muito louco e ele não quer te contar pra você não voltar a ficar estranha com ele. – Ilanna comentou enquanto Chiara se engasgava mais uma vez com a fumaça.

- Sei lá... Ele disse que não lembrava nada de ontem, e ficou maior surpreso quando eu contei as coisas que fizemos ou não. Pareceu sincero.- A ruiva pontuou, pegando o cigarro da mão de Chiara. – Além do mais, acho que se tivesse acontecido mesmo alguma coisa, e ele se lembrasse, estaria com vergonha de falar comigo.

- É, tem isso também.- Chiara finalmente conseguiu dizer entre as tossidas fulminantes.

- Eai, Veadão, o que rolou ontem? – Sirius cutucou, enquanto os três garotos passavam pela portaria do evento. James rolou os olhos e se distanciou um pouco do amigo, ao mesmo tempo que levava as mãos às temporas.

- Eu não sei e já te disse isso, Padfoot. Eu fico com dor de cabeça toda vez que eu tento me lembrar de ontem, então, por favor... Pare de insistir. – Ele completou, calmamente, enquanto John entrava na fila para ser revistado. Os dois outros o seguiram e também encostaram perto ao grande segurança que olhava feio para as pessoas enquanto passava a varinha por entre as pernas e braços dos que passavam.

- É, Sirius. Deixe o moleque em paz. Ele tá numa ressaca daquelas, tá meio fraquinho pra bebida. – John riu enquanto dava um passo à frente na fila.

- Eu não tô fraco pra bebida. – James fez um biquinho altamente ridículo, enquanto os outros dois caíam na risada.

- Não, eu que estou. – John riu, dando um belo tapa nas costas do primo, que andou alguns passos para frente com o impulso.

- Veadão do céu, você perdeu a memória depois de duas tequilas. Quer que eu diga mais alguma coisa?- Sirius adicionou, ainda entre suas gargalhadas que mais pareciam latidos.

- Não perdi a memória depois de duas tequilas. Eu só não me lembro do que aconteceu depois dessas tais duas tequilas. – Ele tentou se explicar, mas os outros dois só riram ainda mais. – Qual a graça?

- Você é muito babaca, Prongs. Como consegue?- Sirius riu, abraçando o amigo.

- Sei lá eu. – O maroto deu de ombros, fechando a cara e virando o olhar para algum lugar dentro da arena onde estava ocorrendo o show.

- Vamos, somos os próximos. – John disse, enquanto se colocava em frente ao segurança que não hesitou em enfiar-lhe a varinha bem no meio das 'bolas'

- E essa vai pra todos os casais complicados hoje aqui presentes! Quero que ergam suas varinhas bem alto e acendam as pontas! Isso, isso! Bonito!- O grande negro na ponta do palco pedia, com a sua voz aumentada magicalmente. A noite havia chegado tão rápido que ninguém havia tido a chance de parar para ver ou comentar sobre o pôr-do-sol. A maioria dos bruxos presentes seguiram suas instruções, deixando o local apenas mais mágico (no sentido sentimental da palavra) do que já estava. O próprio vocalista que havia incentivado o ato que acabara de ocorrer estava lacrimejando ao ver a cena que estava se montando à sua frente. – Pessoal, vocês não tem a menor ideia de como está bonito aqui de cima! Mas vamos lá... Vamos começar! Ao meu sinal, percussão...

James havia acabado de sair do banheiro. Pediu para que Sirius e John o esperassem na saída, mas sabia que teria sido uma tentativa falha. Percebeu que nenhum dos dois estava por perto, então resolveu entrar por entre a multidão que estava perto ao palco. Era melhor ficar sozinho por entre várias pessoas desconhecidas do que ficar vagando pelas partes vazias, procurando alguém. Ele podia pelo menos fingir que não estava completamente sozinho entre a multidão que o cercava agora. Percebeu que estava perto suficientemente do palco que poderia tentar arriscar se aproximar mais e tentar se pendurar no alambrado logo antes do limite entre a banda e a platéia. Foi se esgueirando, empurrando quem quer que fosse para o lado, quando pisou acidentalmente num pequeno pé rechonchudo que lhe apareceu no caminho. A dona do pé gritou estridentemente, e foi o suficiente para James parar seu percurso e olhar para a garota em quem pisara. Já imaginava quem era, mas ver seu rosto avermelhado de ódio foi impagável.

- POTTER, SEU BOSTA, O QUE VOCÊ PENSA QUE TÁ FAZENDO PISANDO NO PÉ DE QUALQUER UM ASSIM NO MEIO DE UM SHOW? TÁ MALUCO? - Mary esbravejava, dando murros relativamente fortes no braço do maroto. Ilanna, ao seu lado, ria loucamente da cena.

- Desculpa aí, Mary!- Ele tentou se defender, mas como estava rindo, sua desculpa não teve efeito. A garota continou vermelha e gritando, porém não o esmurrava mais.

- Você veio com o Sirius e o John?- Ilanna perguntou, colocando-se ao lado dele. Ele simplesmente fez que sim com a cabeça. – E cadê eles?

- Boa pergunta. Fui no banheiro e eles sumiram, como sempre. – Ele respondeu dando de ombros e rolando os olhos. – E cadê a Lily e a Chiara?

- IIIIIH, QUER REPETIR A DOSE DE ONTEM ENTÃO?- Mary brincou, cutucando-o logo abaixo das costelas, o fazendo dobrar e levar a mão ao lugar afetado enquanto ria. – HMM, NÃO DISSE QUE NÃO!

- Mas eu nem sei o que aconteceu ontem!- Ele tentou falar por entre os soluços da risada que o afetara enquanto Mary o cutucava. – De verdade, mesmo mesmo!

- E você pensa que a gente acredita nisso?- Foi a vez de Ilanna o cutucar, o fazendo curvar-se ainda mais. – A Lily você engana, não a gente!

- De... verdade... garotas! PAREM!- Ele tentou responder, mas as cócegas estavam cada vez mais rápidas e pesadas. – Eu não estou mentindo! Eu realmente não me lembro!

- Eu duvido muito. Mas tudo bem.- Ilanna riu junto, parando de cutucá-lo. Mary a seguiu instantaneamente. – Suspende o assunto que a fênix está pousando no ninho.

- A fênix fez o quê?- James perguntou, talvez um pouco alto demais. Mas logo percebeu do que as garotas estavam falando. Sentiu uma cutucadela em seu ombro, vindo do alto. Virou-se e se encontrou diretamente com as costelas da ruiva. Levantou os olhos e conseguiu ver o par de olhos verdes brilhantes que contornavam um nariz comprido. Seu estômago deu alguns mortais enquanto as borboletas do mesmo voavam marotamente de um lado para o outro, rapidamente. Provavelmente aquelas malditas borboletas estavam apostando algum tipo de racha marginal e ilegal, pois chegavam a machucar as paredes estomacais do maroto. – Ei, eai, Lily?

- Eai, Jay?- Ela sorriu, colocando uma das mãos no ombro do garoto. Abaixou-se e deu um pequeno beijo estalado em sua bochecha. – Cadê o Sirius e o John?

- É uma boa pergunta. – Ele jogou os ombros enquanto cumprimentava Chiara. A mesma olhou cúmplice para as amigas, enquanto o vocalista da banda chegava perto da beirada do palco para fazer um pedido.

- Hey, Mary, Ilanna... Vamos comigo comprar um salgado ? Eu estou morrendo de fome!- A loira soltou, piscando disfarçadamente para as amigas. As duas entenderam e colocaram um sorriso tão maroto quanto o que surgia na loira em seus próprios rostos. – Lily, fica aqui com o Potter pra ele não se perder.

- Ah é, eu que vou me perder, né.- Ele brigou, virando os olhos. Lily fez que sim com a cabeça e se virou para o palco, querendo ouvir o que o cantor queria tanto dizer. As três garotas se afastaram dos dois em questão de milissegundos. – Ué, estranho você ter concordado.

- É, eu não queria ir de novo com a Chiara até o outro lado da arena só pra ela dizer que não queria mais nada. – Lily deu de ombros e continuou fitando o palco, mesmo que a visão estivesse dificultada pela massa de varinhas levantadas à sua frente.

O vocalista pediu para que levantassem as varinhas, pois ele iria lançar uma música para os casais. Lily continuou do mesmo jeito que estava. Fingia profundo interesse no show em si, enquanto James olhava indiscretamente para ela. Trazia consigo o melhor sorriso apaixonado que seus lábios conseguiam formar. Provavelmente, estava perto de babar. Um bruxo alto e corpulento esbarrou no garoto, enquanto tentava se manter em pé depois que sua mulher havia o empurrado no meio de uma brincadeira entre os dois. O maroto não só acordou do transe como também desequilibrou-se, tendo que pegar na mão da ruiva para não parar no chão. A mesma, percebendo a confusão, teve reflexos rápidos o suficiente para abraçá-lo, evitando o "acidente".

- E se não fosse eu aqui, ein?- Ela riu, enquanto o garoto arrumava sua postura, mas ainda sem saírem do abraço.

- Eu não sei o que seria de mim sem você, Lily Evans. – Ele respondeu, olhando fundo nos olhos dela e enlaçando-a pela cintura. – De verdade mesmo.

- Deixe de ser bobo, James Potter. – O sorriso que ela deu foi um dos mais bonitos da sua coleção. Sua altura não parecia nada naquele momento. Sentiu-se perto o suficiente daqueles lábios para tomá-los para si. A música ao fundo ajudava, e muito. Chegou com seu corpo o mais perto possível da garota, e sentiu as batidas do coração acelerado da ruiva por todo seu corpo. Era agora, a vida estava te dando outra chance. Era estranho o seu plano estar dando tão certo e tão rápido, mas ele não ligava. Ele queria ela ali e naquele momento.

- Lily, eu quero você. – Ele disse sem pensar, já chegando com os lábios para perto dos lábios da garota. Por um momento, pareceu que ela se curvou igualmente para o beijo. Mas apenas deitou sua cabeça no ombro do garoto.

- Jay, me promete que fica comigo pra sempre? – Ela sussurrou em seu ouvido, enquanto ele percebia o que estava acontecendo. Piscou algumas vezes, enquanto levava uma das mãos à cabeleira ruiva da garota. Murmurou um 'Claro, por que não?' no ouvido dela. Não tinha compreendido ainda a situação. – Sabe, pode fazer pouco tempo que estamos, sabe... amigos.- Ela tirou a cabeça do ombro dele e o encarou. Olhos nos olhos. Aquilo era perigoso, mas parecia que estava indo na direção que James queria. Ele balançou a cabeça, como se dissesse para ela continuar. A garota sorriu. – Mas eu já posso dizer, com certeza, que você é o meu melhor amigo.- Ele sorriu de volta. Ok, realmente o plano estava indo como desejara.- Sabe, não nos falamos muito, mas eu sinto que, quando a gente tá junto, tá tudo certo! É muito estranho... Parece que eu sei o que você vai falar antes de você falar e isso é, sei lá. Acho que isso é 'melhor amizade', se é que você me entende. – Ele balançou a cabeça. Era exatamente assim que ele se sentia com ela. A garota tinha razão. Ele sentia que eles tinham uma ligação estranha e bizarra, mesmo sem se falarem muito. – E é exatamente por isso que eu não quero ficar com você.

O mundo de James desmoronou no mesmo instante. Não sabia se chorava, se gritava ou se dava um soco bem no meio do nariz comprido de Lily Evans. Ela soltou do abraço e coçou a nuca, enquanto olhava para os pés. James continuava a fitando com a mesma expressão atônita. Como podia? O tiro tinha saído totalmente pela culatra!

- Quer dizer... – Ela tentou consertar, ainda olhando para o chão. – Se a gente ficar de novo, no pé que nós estamos... Nós vamos acabar namorando, e ficando pra sempre juntos... E bom, eu ainda quero aproveitar meu tempo solteira, sabe?

Mary tinha razão. Ela falava aquilo sempre. Era a desculpa mais comum de Lily Evans para dispensar um garoto. E ela estava usando justo nele.

- Eu sei, eu sei.- Ela virou seu olhar para ele, com a cara triste mais sincera que James a vira expressar. – Eu sei que eu uso essa merda de desculpa com todos os garotos... Mas dessa maldita vez é verdade. Juro por Merlin!

- Tudo bem, Lils. – James balbulciou, se aproximando dela novamente. Tentou alinhar a voz e não tremer. – Sabe, eu consigo viver só como seu amigo, de verdade. Até a hora que você decidir que tá pronta ou sei lá... – Ele sorriu docemente enquanto colocava um bocado de cabelo atrás da orelha da ruiva. Ela sorriu e deu a famosa mordiscada no lábio, e assim James soube que o acordo estava feito.

Se eu soubesse que iria levar um fora desse nipe hoje, teria ficado em casa com o Sirius jogando stop... Mas pelo menos agora eu tenho esperança que um dia essa ruivinha desgraçada vai ser minha.

N/A: UFA!

Bom, gente...

Esse capítulo ficou um lixo total, pois ficou UA demais pro meu gosto. De verdade. Ficou meio forçado e tals, mas eu juro que gostei de escrever ele.

(Aliás, eu adoro escrever essas malditas cenas que acontecem na vida real, me sinto maior A DONA DA VIDA QUE VALE UMA FIC hehe)

Não sei se consegui fazer com que os personagens ficassem mais parecidos com a vida real sem sair muito do Canon de verdade deles. Eu queria que fosse, mas enfim...

Espero que tenham gostado e também espero que eu consiga postar um capítulo novo antes da minha viagem de formatura, porque se não conseguir, nunca terminarei essa fic.

(Porque minha viagem de formatura é aqui a duas semanas, depois tem ENEM, baile de formatura, vestibular e BOOOOOM minha vida escolar acaba e não terei mais inspiração.)

ISSO ME LEMBRA QUE EU NUNCA MAIS VOU VER "A SIRIUS", "A REMUS", "A PETER", "O ILANNA", "O MARY", "O CHIARA", "O ALICE" (maldito aparece no próximo capítulo. Diogão ) E PRINCIPALMENTE O BOSTA "DO LILY"

Ok vou parar de lamentação aqui.

Obrigada por todos que lêem e chegaram até aqui. Parabéns por terem paciência comigo!

E obrigada por todos que deixam reviews, realmente fico feliz.

Enfim, agora sim vou-me embora. Já escrevi demais dessa vez. Beijos e até a próxima!

(POR FAVOR DEIXEM UMA REVIEW E FAÇAM UMA AUTORA FELIZ. Obrigada.)