N/A: Olá, galera! Esse capítulo será curto pois fiz ele às pressas para ficar pronto antes da minha viagem de formatura. Talvez ele não fique tão bom pois estou escrevendo uma one-shot sobre o casamento dos dois, e estou usando as mesmas personagens dessa fic aqui. Portanto estou, tipo, canalizando todas as minhas forças pra imaginar uma Mary um pouco mais madura. Na verdade os mais difíceis de se fazer são os próprios Lily e James. Tá impossível! Enfim, vamos lá!
Cap 7. Plataforma 9 ¾
Acordar aos berros de caminhões trouxas passando na rua. Levantar, tomar banho e se trocar. Acordar Sirius Black. Esperar o mesmo tomar banho e se trocar. Descer com ele para tomar café. Ouvir as mesmas brincadeirinhas que o Sr. e a Sra. Potter faziam todos os dias de manhã. Rir das mesmas brincadeirinhas. Ir até a casa da frente apenas para se constatar da ausência de John. Ouvir Sirius reclamar de alguma garota do sétimo ano não parar de mandar corujas apaixonadas para ele. Ouvir Sirius dizer o quanto era bom poder estar perto do melhor amigo. Ouvir Sirius reclamar que o maroto não desistia de Lily nunca, e que aquilo iria acabar com a sua vida. Ouvir Sirius roncar escandalosamente alto durante as tardes que passavam dormindo na sala.
Esse era o resumo das maravilhosas férias que James tinha passado com o seu melhor amigo. O começo das mesmas tinha sido maravilhoso. Visitara Lily em sua casa, John ficou alguns dias na casa da mãe, foram à uma balada onde encontraram as garotas, e foram a um show. Mas, como alegria de pobre dura pouco, essas três ou quatro semanas que vieram logo após o recesso das aulas, tinham valido pelas férias inteiras. A coisa mais legal que tinha feito era ter dado uma volta no parque com suas vizinhas gêmeas e Sirius. Cada um tinha ficado com uma, mas elas eram grudentas e chatas demais para durarem mais de uma tarde.
Eram lá pelos dias 14 ou 15 de Agosto quando uma coruja entrou pela janela da cozinha dos Potter, estendendo a perna para Sirius e James. Os mesmos pegaram as suas respectivas correspondências e voltaram a comer normalmente. Porém, o Sr. Potter os interrompeu.
- Filho, acho melhor você abrir essa carta na mesa. – Ele disse, sério, entre um gole de café e outro. A mãe também parou de bebericar seu chá e fitou o filho seriamente.
- Por quê? – James estranhou, parando de comer seu cereal. Pegou a carta na mão e viu o seu remetente. Deu um grito forçado e largou a carta na mesa rapidamente, como se ela tivesse queimado sua mão. Sirius gargalhou deliciosamente, e quando se controlou perguntou o que era. – Os resultados dos N.O.M's chegaram!
- AH!- Sirius imitou o amigo e também jogou sua carta para longe na mesa. – TIRA ESSE TRECO DE PERTO DE MIM!
- James, abra o seu envelope, agora. Na nossa frente, sem gracinhas. – A Sra. Potter disse, pegando a carta do filho e estendendo-a para ele. – Agora, James.
- Tá, mãe. Tá!- Ele se conformou e pegou a carta, abrindo-a lentamente. Fez uma careta tão forçada que Sirius lhe deu um tapa nas costas dizendo 'abre logo, seu merda!' . Quando finalmente pegou a folha em mãos e viu seus resultados, soltou um grande suspiro enquanto se deixava cair na cadeira. – Tó, mãe. Sem gracinhas dessa vez.
A mulher puxou a carta com certa verocidade, e arqueou as sobrancelhas para ler os resultados do filho. Leu em voz alta para seu marido também poder saber. Os dois olhavam superiores para ambos os marotos presentes.
RESULTADOS NOS NÍVEIS ORDINÁRIOS EM MAGIA
Notas de aprovação: Notas de reprovação:
Ótimo (O) Péssimo (P)
Excede Expectativas (E) Deplorável (D)
Aceitável (A) Trasgo (T)
RESULTADOS OBTIDOS POR JAMES POTTER
Adivinhação A
Defesa contra as Artes das Trevas O
Estudo dos Trouxas E
Feitiços E
Herbologia A
História da Magia E
Poções E
Runas P
Transfiguração O
- Eu disse que não tinha ido mal!- James disse, sorridente, enquanto seus pais olhavam perplexos para ele.
- Mas também não nos disse que tinha ido tão bem!- O pai falou, o orgulho transbordando em suas palavras. – Parabéns, Filho! Se conseguir repetir a mesma média nos N.I.E.M's... Nós teremos um pequenino Auror! – As orelhas do maroto tornaram-se tão rubras que provavelmente estavam doendo.
- Opa, fizeram a piada errada dessa vez. – Sirius resmungou, se escondendo sobre os braços. Chamar James de pequeno era a pior ofensa que poderiam fazer ao garoto.
- Não vai abrir a sua carta, Sirius?- A Sra. Potter perguntou, agora com um sorriso Ilannístico no rosto, voltando a tomar seu chá. Mudar de assunto nessa hora talvez fizesse James se acalmar. Sirius fez que não com a cabeça e olhou feio para a carta, que jazia do outro lado da mesa. – Por que não?
- Tô suave de ver minha nota em herbologia. Eu só respondi umas três ou quatro perguntas, e mesmo as que eu respondi eu não sabia do que se tratava. – Ele deu de ombros, enquanto James fazia gestos para mãe tentar esquecer sobre aquele assunto.
- Bom, já que chegaram as cartas, a gente podia dar um pulo no Beco Diagonal para fazermos as compras de vocês, não acham? – O Sr. Potter disse, alegre, enquanto preparava o segundo pão com manteiga da manhã. Era de lei. Os dois marotos deram de ombros e foram para o quarto, para conversarem sobre absolutamente nada, como sempre.
Os dias que se correram entre a entrega dos N.O.M's e a ida à estação King Cross passaram tão lentamente quanto o resto das férias. Tanto James quanto Sirius não aguentavam mais esperar para ver os outros marotos, e agora também ansiosos para encontrarem com as garotas. Mas, com certeza, a maior apreensão de todas se devia à tranformação de Peter Pettigrew. Será que teria dado certo? Os garotos pareciam tão animados para ver algum rosto familiar, que passaram o dia no Beco Diagonal olhando sobre os ombros, procurando sempre alguém com quem trocar ao menos um ligeiro cumprimento à distância.
Na manhã do dia primeiro de Setembro, como era esperado, ambos os marotos estavam acordados antes do horário previsto. Haviam se arrumado faziam horas. Provavelmente não tinham nem ao menos dormido, pois as olheiras transpareciam fortemente sobre os olhos cheios de bolsas d'água. Sirius roubou a maquiagem da Sra. Potter para tentar disfarçar o máximo que pôde, mas James disse que daria um certo charme chegar naquele estado à estação.
- Você está louco? O que as novatas vão pensar da gente? Tá maluco? E as garotas do sétimo ano? PELAS BARBICHAS DE MERLIN, TENHO QUE PASSAR MAIS DESSE PÓ MÁGICO!- Sirius repetia, todas as vezes que James negava o uso do pó compacto de sua mãe.
Nada teria deixado James mais feliz do que, ao chegar à estação, ver um grupo de quatro pessoas altas e magras caminharem por entre a multidão. A cabeça mais alta, ruiva e brilhante, se destacava maravilhosamente entre a massa de pessoas que corriam de um lado ao outro de King Cross. Reconheceu também Petúnia, com uma cara emburrada ao lado de um casal que acompanhava as duas garotas. Sentiu seu coração dar certos saltos ornamentais. Aquela era a família ao qual ele sempre sonhara em pertencer. Sirius lhe cutucou, tirando-o de seus devaneios, apontando Remus não muito longe dali.
Remus esperava encostado no muro que separava as plataformas 9 e 10. Um malão grande e robusto se encontrava largado ao seu lado, e logo em cima dele, um gato repousava confortavelmente. Sirius parou defronte para o felino, e ficou observando-o por alguns instantes, enquanto James cumprimentava o amigo afetuosamente.
- MOONY ! QUANTO TEMPO!- O garoto dizia, enquanto levantava Remus pelas costelas, fazendo o maroto urrar de dor, mesmo que durante uma gargalhada.
- Muito tempo, Prongs!- O garoto respondeu, bagunçando mais o cabelo do amigo. – Por que você não me escreveu?
- Como não te escrevi? Escrevi várias vezes! Por que você não foi me visitar?- James tagarelava com Remus, sobre como foram negligentes para com a amizade um do outro durante as férias. Sirius continuava a fitar o gato, que agora estava acordado, encarando-o de volta. – Sirius! SIRIUS! – O outro maroto apenas olhou para os amigos pelo canto dos olhos e murmurou um 'O que foi?' , enquanto parecia se tornar ainda mais furioso em relação ao gato. – O que você está fazendo?
- O que eu estou fazendo?- Ele perguntou, virando apenas o olhar para os amigos, sem sair da mesma posição anterior. – O que o Moony pensava que estava fazendo quando comprou esse maldito gato?
- Ah. – Remus riu e abraçou o amigo, mais para tentar tirá-lo de perto de seu animal do que para realmente cumprimentá-lo depois de tanto tempo sem o ver. – Eu não o comprei, eu o ganhei. Também estava com saudades, Padfoot, como tem andado?
- Com as pernas. – Ele respondeu, grosso, olhando feio para o gato novamente. – Quem foi que te deu, a Bruna? Eu mato aquela vadia...
- Ei, vamos parar?- James se interferiu, ficando entre os amigos. Remus arqueou uma das sobrancelhas enquanto arrumava o cabelo para trás. Sirius abaixou as orelhas como um cachorro que acabou de levar uma surra de jornal. – Bom, muito bom. Por que não entrou na plataforma ainda, Moony?
- Eu estava esperando vocês, cheguei aqui sozinho e... Olha, a Lily!- Remus parou completamente seu discurso para cumprimentar a ruiva que chegava lentamente empurrando seu pesado malão, com sua irmã pescoçuda logo atrás. A garota sorriu docemente quando avistou os amigos, colocando um pouco de cabelo atrás da orelha.
- Ei! Oi meninos!- Ela soltou o malão onde estava e correu ao encontro dos três, abraçando-os ao mesmo tempo. – Que saudade de vocês!
- Não faz muito tempo que a gente se viu. – Sirius comentou, rindo e apertando a amiga em um abraço único.
- Lógico que faz! – Ela riu de volta, soltando do abraço e arrumando o cabelo. – Ahn, não sei se vocês conhecem, essa é a minha irmã Petúnia. – A irmã, que até agora estava olhando para o chão e murmurando algumas palavras como 'bizarros' e 'problemáticos', levantou o rosto, com um sorriso amarelo. Ao encontrar o olhar de James, seu sorriso mudou completamente.- O James você já conhece, né, Tuney? Esse aqui é o Remus e esse é o Sirius.
- Prazer. – Ela cumprimentou mais o ar do que os outros dois marotos presentes. Seus olhos estavam completamente vidrados em James, que sorria simpaticamente para ela. Seus olhos percorreram seu corpo de cima à baixo, com um olhar que dizia exatamente o que ela estava pensando. Desejo seu corpo nu junto ao meu sobre um mar de folhas secas. – James, parece que está mais forte desde a última vez que o vi... Andou malhando?- Sirius e Remus caíram na risada. James fechou a cara e cruzou os braços, enquanto Lily pareceu não entender a situação. Não mais do que minha irmã está dando em cima do Potter de novo, como pode?
- O PRONGS? MALHAR? FAÇA-ME O FAVOR!- Remus ria tanto que tinha que segurar sua barriga, tanta era a força que fazia contra ela.
- O ÚNICO EXERCÍCIO QUE EU VI ESSE CANALHA FAZER AS FÉRIAS INTEIRAS ERA LEVANTAR DE MANHÃ PRA MIJAR, E OLHE LÁ!- Sirius acompanhava Remus, segurando não só a barriga, como também se apoiando no ombro do amigo para não cair.
- Ai que mentira, a gente jogou Quadribol!- James tentou consertar, enquanto passava a mão pelo cabelo, visivelmente encabulado.
- UMA VEZ. – Sirius gritou, tentando parar a risada. – E você desistiu depois de 15 minutos, alegando que algum vizinho iria ver...
- Mas iam mesmo, o pomo tava indo muito alto... A gente ia dar a maior pala...- James agora conversava com o chão, e não mais com os amigos. Lily havia se juntado ao coro de risadas, mesmo que muito mais moderada que seus colegas.
- Aham, Veadão, aham. É, iam ver a gente jogando Quadribol às 4 da manhã, naquele breu. – Sirius brigou, jogando o cabelo para trás.
- Ah. – Foi a única coisa que saiu daquela boca encabulada. Nunca conseguiria convencer o amigo sobre algo que fosse contra o que ele pensava. A palavra de Sirius era lei. Pelo menos para o próprio, era. Teimosia era a palavra chave da relação dos dois marotos.
Petúnia provavelmente estava odiando estar ali, porém continou na 'roda' apenas para continuar perto de James. Ficava fitando-o o tempo todo, com um sorriso forçado em seus lábios. Remus reparou e fez uma bela de uma nota mental, para lembrar-se de zuar o amigo quando tivesse a oportunidade.
- Tuney, o pai não está chamando você não? – Lily disfarçou, depois que sua paciência com a irmã esgotou. Apontou o pai com a cabeça, que estava do outro lado da estação, comprando alguns hotdogs. Petúnia abriu a boca pra falar alguma coisa, mas resolveu deixar pra lá. Era uma boa desculpa para sair daquela roda de pessoas estranhas, e também se despedir de James.
- Tchauzinho, James. Irei te mandar cartas, já que a minha queridíssima irmã não o faz por mim. Espero que você me responda!- Ela disse, com a voz mais fina e irritante possível, dando um abraço apertado no maroto.
- Ah, pode deixar... Tuney. – Ele respondeu, dentro do abraço, com um tom de questionamento. Talvez a pergunta fosse para ele mesmo. Será que ele iria mesmo responder as cartas dela? Veremos.
- Essa hipogrifa manca dos infernos me irrita de um jeito que eu não sei explicar!- Lily bufou, quando a irmã já estava longe o suficiente para não escutá-la.
- Relaxa, sei bem como é ter um irmão irritante. – Sirius disse, dando de ombros, e voltando a encarar o gato.
- Eu acho que já dava pra gente passar o portal, não acham? – Remus comentou, apontando a parede de tijolos atrás de si. Os outros três concordaram com a cabeça.
- Eu só vou dar tchau pros meus pais. – Lily disse, correndo em direção ao casal alto e magro que lhe esperava à frente do carrinho de hotdog.
- Falando em pais, onde estão os seus, Prongs?- Remus perguntou, ao ver que os outros dois marotos haviam chego sozinhos.
- Tinham uma reunião importante. – James disse, calmamente, balançando os ombros. Era a primeira vez que seus pais não iam deixá-lo dentro do trem e depositar um beijo em sua testa. Mas para ele, dessa vez, era como se sempre tivesse sido assim. – Não me olhe desse jeito, Moony. Eu vou sentir falta deles. A gente já se despediu o suficiente no carro, e eu vou voltar pra casa nesse natal.
- Vai mesmo? Você sempre fala pra eles que volta mas nunca volta. – Remus ralhou, cruzando os braços e encarando o amigo.
- Ah, mas na maioria das vezes eu tenho um motivo pra não voltar... – James tentou consertar, passando a mão pelo cabelo.
- Só espero que esse ano não tenha nenhuma desculpa esfarrapada. – O lobisomem virou os olhos . O amigo desviou o olhar e deu um tapa em Sirius, que parecia a ponto de atacar o maldito gato. Lily chegou logo em seguida, alegremente dizendo um 'Vamos!', abraçando Sirius e James ao mesmo tempo, enquanto os dois empurravam seu malão junto ao deles. O que fez James parar um instante para pensar. O que aquela maldita garota pensava que estava fazendo andando com eles? Ela não iria esperar as próprias amigas? Dane-se. Ele estava feliz por estar ao lado dela, ao menos. Virou o olhar para ela, que emanava felicidade de um jeito que chegava a ser sufocante. Seus olhares se cruzaram, e o sorriso da ruiva apenas cresceu mais. Como podia aquela garota mecher tanto com ele?
Cruzaram o portal tão rápido que James não conseguira nem piscar antes de ver os tijolinhos da estação passarem por si rapidamente, enquanto empurrava o seu malão, o malão de Lily e a própria Lily contra a passagem. Deslumbrou a grande maria-fumaça preta e vermelha que esperava os estudantes para adentrarem-se nela, enquanto defumava o ambiente deliciosamente. Respirou fundo, enquanto olhava os pequenos e grandes bruxos correndo de um lado ao outro da estação. Alguns carregavam gatos, outros corujas, uns sapos e havia um pequenino moleque que puxava a mãe pelo braço, para mostrar a grande aranha que seu amigo escondia dentro de uma caixa de papelão azulado. Como o maroto sentira falta disso tudo. Três meses trancafiado em sua casa, na companhia de Sirius Irritantemente Entrometido Black, tinham feito do seu cérebro um grande e mole pudim de passas.
Remus o acordou de seus devaneios, dando-lhe uma cutucada e apontando uma garota indiana não muito longe deles. Por mais incrível que parecesse, Ilanna estava ainda mais bonita do que a última vez que eles a viram.
- Nossa, Lily. Não conta pra Ilanna não, mas ela tá uma delícia, ein?- Remus suspirou, ainda olhando na direção da garota, que acenava animadamente para eles. Lily soltou uma pequena risada leve, virando os olhos.
- Relaxa, Remus. Não vou contar. – Ela disse, pegando o seu malão e indo em direção da amiga. Parou e virou-se para os garotos. – Se eu fosse você, ficava de olho aberto. Até onde eu sei você continua namorando!
- Infelizmente. – O lobisomem entregou, suspirando ainda mais fortemente, deixando todo o peso do problema cair sobre seus ombros.
- Vejo vocês mais tarde. – Ela terminou, voltando-se ao caminho até Ilanna. James passou a mão pelo cabelo e exalou o máximo de ar que conseguiu, completamente apaixonado.
- Eu ainda caso com essa mulher! Escrevam o que eu estou falando!- As esquinas de seus lábios nunca estiveram tão distantes umas das outras. Seu sorriso era grande e ao mesmo tempo, apaixonado.
- Duvido muito. – Sirius comentou, monotonamente, enquanto largava uma mochila que levava nas costas em cima de seu malão. – Não sei se você percebeu, mas ela me deseja.
- É, Padfoot, claro. – Foi a vez de Remus virar os olhos e jogar algo em cima da malão. Mas ao contrário do amigo, não jogou a mochila, e sim a si mesmo. – Onde será que o Wormtail se meteu? Não tive a menor informação sobre ele nas férias...
- Nem eu. – James jogou os ombros e ficou olhando sua ruivinha cumprimentar as amigas do outro lado da estação, sobre seu ombro. Portanto não percebeu quando o capitão do time de Quadribol da Corvinal chegou perto deles e o cutucou fortemente nas costelas.
- POTTER!- Deveria ser a décima sexta vez que o grande garoto parado à sua frente o chamava. Finalmente o escutou e virou-se para ele, com o rosto inexpressivamente com sono. Se é que isso existe. – Reunião dos capitães no vagão dos monitores, JÁ.
- Agora? – Ele perguntou mais para a santidade de Merlin do que para o garoto à sua frente, mas foi respondido por uma bela olhada mortífera.
- Até onde eu sei, é o que 'Já' significa. – O garoto, de olhos cerrados, puxou-o pelo braço. Não teve tempo nem de perguntar aos seus amigos onde encontrá-los depois da reunião, mas já tinha ideia de onde. Virou o olhar para Sirius e Remus, e eles entenderam o recado. Ou deveriam ter entendido.
James caminhava no longo corredor do trem que os levavam para Hogwarts. Acabara de sair de uma massante reunião com outros capitães dos times de Quadribol. Estavam decidindo se deveriam criar um novo modelo de uniforme, como iriam pedir ao Dumbledore o tal equipamento novo de que tanto precisavam, e fizeram um sorteio da sequência dos jogos. O primeiro deles seria contra a Lufa-Lufa, que não era lá GRANDE adversária. Porém, era bom começar a temporada com todo o gás. O garoto pretendia abrir os testes para o time logo nas primeiras semanas, para dar tempo do time treinar adequadamente e poder se entrosar o suficiente. Ficou pensando em quais posições deveria abrir vagas para os tais testes. Ele e Remus eram bons Artilheiros, mas faltavam-lhe mais um, pois o seu antigo companheiro de equipe acabara de se formar. De Batedores, já bastavam as gêmeas malucas que agora cursavam o sétimo ano. Aliás, substituí-las seria um grande problema no ano seguinte. O goleiro era razoável, mas não custava nada abrir testes para essa posição também. Talvez isso lhe desse incentivo para melhorar. Apanhador era outro problema grave. O seu antigo, um garoto magrelo e pequeno do quarto ano, quebrara gravemente o pulso no ano anterior, e seus pais haviam o proibido de voltar a jogar.
E foi com esses pensamentos rondando em sua cabeça que ele entrou no vagão de sempre, se sentando no primeiro lugar vago que avistou. Não percebeu que quem estava sentado ali não era Sirius. Nem Remus. Muito menos o novo e melhorado Peter. James não percebeu pois estava mais do que acostumado em encontrá-los lá. A única pessoa que se encontrava no vagão, lia um livro calmamente, ao mesmo tempo que dilacerava um bom-bom de abóbora. Ao ver o garoto entrar e se sentar, fechou o livro e levantou uma das sobrancelhas.
- Oi? – A voz feminina soou pelo vagão vazio. Seus cabelos cacheados e volumosos, tão negros quantos seus olhos, caindo sobre seus ombros nus de pele amorenada. Sua voz era doce, mesmo que muito grave para uma voz de garota. James pulou no próprio lugar com o susto, e só então percebeu que não estava na companhia dos marotos. – Ei, Potter, você tá legal?
- Como você sabe meu nome? – Mesmo sendo uma coisa mal educada a se dizer, foi a única que veio à sua cabeça.
- Talvez porque eu seja do mesmo ano que você, e tenha feito todas as malditas aulas de Herbologia na sua presença, desde o primeiro ano? – A garota riu, cruzando os braços.
- Ah, de novo não...- O maroto sussurrou para si mesmo, relembrando-se do dia em que conhecera Lily e as garotas.- Ai, desculpa. Eu sou muito desligado pra essas fitas. Mas, qual seu nome mesmo?
- É, isso eu já sabia também. – A garota riu de novo, rolando os olhos. Ela parecia divertida. – Eu sou a Alice, da Lufa-Lufa, lembrou agora?
- AAH! A Alice! – O garoto deu um tapa na própria testa. Durante seu terceiro ano inteiro tinha sido a sua dupla nas malditas aulas de Herbologia. Lembrou-se até de um dia ter feito apostas com a garota, sobre quem venceria o jogo da final. Ele se divertira com ela em tempos passados, como conseguira esquecê-la? – Mas era Alice do que, mesmo?
- Desde quando esse negócio de sobrenome importa? – Ela jogou os ombros e virou o olhar para a janela. O tempo lá fora estava nublado, e o sol começava a se pôr.
- Ué, você que começou a conversa me chamando de Potter .
- Eu não sou tão íntima sua pra chegar te chamando pelo primeiro nome, sem mais nem menos. – Continuava a olhar pela janela, como se o assunto a machucasse.
- Mas eu posso te chamar de Alice?
- Deve.
- Então me chame de James, e ficamos quites.
- Certo.
O silêncio tomou conta do lugar, pois Alice acabara por voltar sua leitura. James olhou para os lados, como que se esperasse mais um pouco, seus amigos aparatariam ali a qualquer instante.
- E cadê suas amigas, Alice?- Ele começou um assunto, deslizando sobre a poltrona, para ficar frente a frente com a garota.
- Se formaram ano passado. – Ela respondeu, com certa secura, sem tirar os olhos do livro.
- Ah, entendo.
- E onde estão os seus amigos?- Ela perguntou, tirando os olhos do livro e arqueando as sobrancelhas.
- Deviam estar por aqui. Tipo, aqui mesmo.
- AHAM, James. – A garota riu e fechou o livro novamente. Nesse ritmo de leitura, ela nunca terminaria de lê-lo antes do baile de formatura no ano seguinte. – Seus amigos te abandonaram porque você é desligado e você nem percebeu.
- Como assim?
- Eles passaram por aqui mais cedo e falaram para eu te destrair, pra você não ir atrás deles. Pronto, agora contei.
- AAAAH! Não creio... – Ele se largou na poltrona e deitou. – Isso é tão Mary e Sirius...
- Ei. – Ela chamou, fazendo-o parar de choramingar. – É brincadeira. Não vi nenhum dos malucos dos seus amigos ainda. Só vi a Lily saindo do vagão dos monitores mais cedo. Mas ela não é lá a sua "amiga", né? Só o amor da sua vida, então não conta. – James não reclamou, nem muito menos estranhou o que a garota acabara de lhe falar. Seu amor incondicional pela ruiva era de conhecimento nacional, e já estava mais do que acostumado em ouvir coisas como aquela que acabara de o fazer.
- Bem engraçada você.
- E você acha que você que é bem engraçado, né? – Ela riu, voltando a abrir o livro.
- Vou me trocar e procurar os meninos. – Ele se levantou e ela apenas fez que sim com a cabeça. - Te vejo mais tarde?
- Você tem olhos? – Ele fez uma careta de incompreensão, mas concordou com a cabeça. – Então vai me ver.
- Nossa, que bosta, sem maldade.
- Eu sei, mas combinou bastante com a nossa conversa.
Quando James terminou de se trocar e voltou ao vagão, não encontrou Alice. Pelo contrário, encontrou Ilanna e Mary. As duas discutiam sobre alguma besteira, mas pararam instantaneamente ao ver o amigo se aproximar. O mesmo percebeu que as garotas estavam evitando falar sobre aquele assunto na sua frente, portanto permaneceu à porta, apenas com a cabeça para dentro do recinto.
- Vocês viram os meninos por aí? – Ele perguntou, fingindo não estar nenhum pouco interessado no assunto anterior. As duas balançaram a cabeça negativamente. James virou os olhos e fez menção de fechar a porta, quando Ilanna abriu a boca.
- A Chiara tá te procurando. – Foi a única coisa que a garota disse. Virou-se rapidamente para Mary, constatando que a reação da garota era exatamente a esperada. Seus olinhos estavam esbugalhados, e seus lábios, crispados, segurando fortemente uma gargalhada. Ao ver o resultado positivo de sua fala, Ilanna imitou a amiga na expressão. O garoto deu de ombros e fechou a porta do vagão, voltando ao corredor.
Mal virou-se em direção ao fundo do trem, e viu Sirius correndo em sua direção, com um sorriso de orelha a orelha. Trazia consigo uma caixinha de feijõezinhos de todos os sabores, que estava no final. Parecia ter vestido o uniforme a séculos, pois estava completamente amassado. Quando chegou perto de James, abraçou-o fortemente e começou a gargalhar perdidamente.
- AAAAAH VEADÃO, MEU AMIGO!- Gritava, por entre as gargalhadas agudas que soltava ao ouvido do amigo. – Vamos, todos estão te esperando!
- Aonde vocês estavam? – Ele perguntou, um tanto quanto seco. Por dentro, talvez estivesse rindo tanto quanto o amigo, mesmo sem saber o motivo. Mas por fora, aparentava uma seriedade que não era dele mesmo.
- No último vagão do trem. – Sirius respondeu dando de ombros, como se fosse a coisa mais normal a se fazer. Percebeu a linha que se formou entre as sobrancelhas do amigo, então explicou-se. – Era maior, daí dava pra enfiar todo mundo.
- Mas no nosso vagão cabia perfeitamente a gente e as meninas, e ainda sobrava um espaço... – James retrucou, cerrando os olhos. Não sabia onde Sirius queria chegar.
- É. Cabia a gente e as nossas meninas. Mas precisávamos de um vagão maior, pra caber as meninas do Peter.
- As meninas do Peter?
- Sim, Veadão. As meninas do Wormtail.- Sirius voltou a gargalhada inicial, esperando que o amigo o acompanhasse. Como não o fez, voltou ao normal. – Metade do primeiro ano feminino está naquele vagão, você não iria acreditar. Tem garota uma no colo da outra, garota no chão, montanhas de garotas. Literalmente.
- Juro que não acredito. – As esquinas dos lábios do maroto se curvaram lentamente, imaginando a cena. – Ele está tão bonito assim?
- Acho que alguém aqui perdeu o segundo lugar na lista dos mais gatos de Hogwarts esse ano. – Sirius riu, abraçando o amigo pelo ombro e levando-o em direção do dito cujo vagão. James estava tão feliz por Peter que relevou a brincadeira idiota de Sirius na mesma hora.
Chiara ainda puxava Lily pelo braço, corredor acima e abaixo, dizendo estar a procura de alguém em especial que a garota precisava conhecer. A ruiva continuava a reclamar, mas não importava o quanto ela resmungava, a loira a puxava mais fortemente a cada vez que ela abrira a boca. Foi quando finalmente Lily conseguiu brecar, segurando-se fortemente na beira de madeira que separava um vagão de outro. Chiara caiu de boca no chão, devido ao fato da incércia que ainda agiu sobre seu corpo.
- Chiara Hubner, o que está acontecendo? – A ruiva bravejou, batendo o pé impacientemente no chão, arqueando uma das sobrancelhas.
- Nada, Lily, eu só queria te apresentar para um amigo meu e...
- Eu tenho cara de palhaça? Tem algum motivo importante? – Chiara corou instantaneamente. Abriu e fechou a boca algumas vezes, tentando achar as palavras para explicar-se para a ruiva.
- Eu queria que você tivesse um caso com um amigo meu, poque daí o Potter viria perguntar pra mim todos os detalhes, e aí eu poderia ficar mais próxima dele, e quem sabe me tornaria amiga dele, e daí nós ficaríamos horas falando sobre você e então ele perceberia que amava a mim e não a você, então poderia casar com ele e ser feliz pra sempre. – Ela disse, de uma única vez, sem respirar. Lily ficou parada na sua última posição até conseguir entender o que tinha acabado de ser pronunciado por sua amiga. Tentou forçar um sorriso, mas apenas piorou a careta que começara a se formar em seu rosto. Por que ela não tinha dito a suas amigas o que sentia pelo maroto antes? Ela devia ter previsto que talvez isso acontecece. Mas já era tarde. Ela teria que seguir com o personagem até o fim.
- Que legal, Chiara. Mas você devia ter me avisado antes... – Ela tentou ser o mais simpática possível. – Quer dizer, eu teria te ajudado no plano todo!
- Sério mesmo? – O sorriso que surgiu no rosto da loira, não podia ser medido com uma régua escolar. – Pensei que você gostasse que ele te amasse e ficasse te seguindo pra baixo e para cima.
- Não, eu não ligo, na verdade. – A ruiva engoliu algumas vezes para ter coragem de dizer o que veio em seguida em voz alta. – Ele é o meu melhor amigo, eu não deveria ligar, certo?
- É, certo. – A loira concordou, sem saber do que estavam falando. Voltou a puxar a amiga, que levou a mão novamente para o puxador de madeira. – Pensei que fosse me ajudar no plano!
- E me arrastar pelo trem faz parte dele? – A ruiva ralhou, deixando o rosto formar uma careta completa desta vez. A loira apenas respondeu com um balanço da cabeça, em tom afirmativo. – Oh, Merlin...
Se eu soubesse que guardar segredo dos meus sentimentos iam dar nessas cacas, teria contado na hora! Por que eu tenho que ser tão burra e cabeça oca? Espero que esses malditos sentimentos desapareçam logo, não vou aguentar de ciúmes de o tal plano da Chiara der certo...
N/A: Desculpem pelo capítulo curto e horrível, mas foi necessário.
Obrigada por todos que estão acompanhando a fic! Tomara que estejam gostando.
Minha viagem é agora nesse domingo, e eu volto só no outro domingo. Já comecei a esboçar algumas linhas do próximo capítulo, mas não prometo nada antes do dia 30. De verdade.
Não sei se estou fugindo muito dos personagens originais, se eu estiver, por favor me avisem. Obrigada, obrigada.
E não liguem pela Chiara "apaixonada" pelo James. Daqui a pouco vocês vão perceber que isso aqui vai virar mais louco que o Glee, em se tratando de 'casais'. Ilanna principalmente, vai ser a mais 'rodadinha' da história.
Enfim, era isso.
Mais uma vez obrigada por lerem até aqui! E até a próxima!
