Temperamentos Explosivos

I let it fall, my heart,
And as it fell you rose to claim it.
It was dark and I was over,
Until you kissed my lips and you saved me.
My hands they were strong, but my knees were far too weak,
To stand into your arms without falling to your feet.

Por um instante, eles quase perderam a noção do tempo, como se o mundo ao redor deles tivesse congelado. Ao menos era assim que ele se sentia, com aquela torrente de pensamentos desconexos e o frenesi que tomou conta de sua racionalidade. Tudo o que ele conseguia registrar era o perfume, os lábios macios contra os dele, a sensação do corpo dela colado ao seu e o calor...Ela não era fria, ela não era feita de água, ela era a essência de todas as chamas.

Era o que ele pensava até sentir pedras de gelo atingirem suas costas, como uma estranha chuva de granizo que caía na horizontal. Não chegava a doer, mas era um incômodo que o fez perceber que talvez aquele beijo não estivesse provocando nela as mesmas coisas que ele sentia. Zuko separou o beijo e quando se deu conta, Katara o empurrou com força, se livrando de seus braços e se afastando dele o mais rápido que suas pernas e a longa saia de seda permitiam.

Aquilo era um péssimo sinal.

Não iria se conformar com uma fuga como aquela, não quando esteve tão perto de dizer o que queria, o que sentia por ela. Não podia correr o risco de apressar a separação apenas por um descuido provocado por sua impaciência.

Zuko foi atrás dela, chamou pelo nome dela, mas Katara nem mesmo olhava pra trás para encará-lo. Ele acelerou seus passos, usou de sua voz autoritária e o que ganhou em troca foi um chicote de água pra retardá-lo. Ela não o queria por perto, mas não ia impedir que ele dissesse seus motivos para agir daquela maneira usando golpes tão baixos. Ele queria conversar e ela o estava atacando com sua dobra de água. Aquilo havia se tornado ainda mais pessoal.

Num movimento ágil de braços, ele lançou chamas que cortaram o caminho dela, impedindo-a de seguir pelo corredor que levava aos aposentos que ela ocupava. Queria saber onde estava com a cabeça quando ordenou que ela se hospedasse na mesma ala que ele. Não importava agora, Katara não chegaria ao quarto se ele tivesse alguma voz naquele assunto e como Senhor do Fogo, ele tinha.

Ela se virou para encará-lo nos olhos. A água ondulava ao redor dela, esperando seu comando, quase como se fosse um escudo líquido. Por algum motivo que Zuko não compreendia, ela parecia à beira das lágrimas, ou de um ataque de nervos sem precedentes.

- Me deixe em paz! – ela esbravejou num tom que pouquíssimas pessoas teriam a coragem de usar na presença dele. Fosse qualquer outra pessoa, Zuko teria demonstrado porque era o Senhor do Fogo, mas ele não queria piorar suas chances com ela, se é que tais chances existiam,

- Me deixe explicar, pelo menos! Katara, saia da defensiva. Eu não quero atacar você. – ele pediu num tom dividido entre a educação e o desespero.

- Eu sei que o rompimento com a Mai é ressente, que isso está mexendo muito com a sua cabeça, mas eu não sou seu prêmio de consolação, muito menos algo que pode usar para driblar sua carência. – ela disse firme – Eu estou com Aang! Por todos os espíritos, vocês são amigos! Isso não deveria significar alguma coisa? Ao menos que deve me respeitar.

- Isso não tem nada há ver com Mai, ou com o rompimento do noivado! – ele retrucou – Se me der ao menos a oportunidade de falar, eu posso explicar o que está acontecendo, ou pelo menos o que eu acho que está acontecendo.

- Não há o que falar. – ela disse séria.

- Está tão nervosa por causa do beijo, ou toda essa reação é por que sua consciência está pesada de mais por saber que aquilo era o que você também queria? – aquilo sim era brincar com fogo – Talvez o que esteja pesando seja o seu senso de dever e lealdade em relação ao Aang, porque pelo o que acabei de ver, acho que você já não sente por ele outra coisa se não amizade. – aquilo foi a gota d'água e Katara lançou o chicote de água mais uma vez contra ele, obrigando Zuko a erguer as chamas para formar um bloqueio.

Ela tinha pouca água para manipular, o que tornava seus golpes bem menos potentes do que o usual. Bastava que ele a desarmasse, bastava evaporar aquela água. Restava saber o que ela faria quando estivesse encurralada. Aquela, definitivamente, não era a melhor maneira de conquistar uma garota.

As chamas formaram um circulo ao redor dela, evaporando a água rapidamente. A fumaça provocou tosse nela e ardência nos olhos. Não havia como lutar de mãos vazias, ou fugir dele. Por um momento, ela quase desejou ser uma dobradora de fogo como ele, ao menos estariam em pé de igualdade.

- Vai me ouvir agora? – ele perguntou e diante do silêncio ele entendeu que era seguro extinguir as chamas.

- Já disse para me deixar em paz! – ela virou as costas e correu para longe dele mais uma vez. Talvez aquilo fosse um sinal de que qualquer tentativa de conversa naquela noite não traria qualquer benefício. Zuko abaixou os braços e deixou que ela se escondesse onde quer que fosse.

Que ela tivesse um tempo para se acalmar e refletir. Ele respeitaria isso, mas aquele não era um assunto encerrado. Só por via das dúvidas, o Senhor do Fogo deu ordens para que a saída dela do palácio não fosse permitida. A tempestade compraria a ele um pouco mais de tempo. Aang não voltaria no dia seguinte e cedo ou tarde Katara teria que ouvir o que Zuko tinha a dizer.

But there's a side to you that I never knew, I never knew.
All the things you'd say they were never true, never true,
And the games you'd play, you would always win, always win.

Ele se recolheu aos próprios aposentos, sentando-se diante de seu altar numa tentativa de buscar um pouco de paz e recupera a calma. É claro que o resultado estava bem a quem do esperado.

Tinha certeza de que ela não sentia nada se não amizade por Aang. Podia sentir a relutância dela em tocar no nome dele, ou até mesmo em voltar pra casa. Katara tinha até mesmo decidido permanecer no palácio para fazer companhia a ele porque estava preocupada.

Ela tentou consolá-lo! Segurou a mão dele ao dizer que ele estava sendo severo de mais com seu próprio comportamento! Aquilo significava alguma coisa. Tinha que significar.

Tentou imaginar o que seu tio diria a respeito daquela situação. Provavelmente recitaria um provérbio e tentaria convencê-lo que o melhor remédio era uma boa xícara de chá. Zuko duvidava que encontraria uma resposta em folhas de chá, talvez água ardente ajudasse mais.

Seu pai, por outro lado, torceria o nariz pelo simples fato de que a mulher que ele queria era uma dobradora de água, mas se ele se desse ao trabalho de aconselhar Zuko, provavelmente diria para que o filho agisse como um príncipe da Nação do Fogo e conquistasse aquilo que queria, sem pensar nos obstáculos, sem levar em consideração as vontades de Katara.

Ele tinha que admitir que àquela altura, esse pensamento era perigosamente tentador.

Não devia dar ouvidos ao fantasma cruel e sádico de seu pai. Ozai nunca o aconselhou ou demonstrou pelo filho qualquer afeição. Sua mãe teria sido uma conselheira melhor. Na pior das hipóteses, Lady Ursa o teria abraçado e dito que qualquer moça que o recusasse não era nada se não uma pobre coitada que não fazia idéia do tesouro que tinha nas mãos.

Pensar naquelas coisas o entristecia e definitivamente aquelas lembranças não trariam qualquer solução para o problema dele. Além disso, ficar trancado dentro daquele quarto o estava deixando ainda mais incomodado.

Vestiu seu manto e caminhou até a varanda de seu quarto. A chuva ainda caía de forma impiedosa, enquanto raios cortavam o céu. Água parecia cercá-lo por todos os lados e tudo o que ele queria sentir era os braços e pernas daquela dobradora de água ao redor dele.

A despeito da visibilidade ruim, ele podia ver que a luz do quarto dela ainda estava acesa e a figura de Katara andava de um lado a outro, como um bicho enjaulado. Ele fechou os olhos e passou a mão pelo rosto. Com um sobressalto, ele sentiu a pele queimada contra seus dedos, tornando-se subitamente consciente de sua aparência. Quão desagradável era a visão de seu rosto parcialmente queimado? Quanto aquilo poderia incomodá-la?

Talvez fosse isso...Talvez o que ela sentia em relação a ele não passasse de pena. Pena por ele ter sido renegado pelo pai, pela falta de uma família e por aquela marca horrenda que jamais o deixaria esquecer de tudo o que havia sofrido até então. Zuko sentiu-se tolo por ter tido esperanças de que ela pudesse sentir algo por ele, algo parecido com atração, ou amor.

A luz do quarto dela se apagou e ele perdeu mais alguns longos minutos encarando a chuva e sentindo pena de si. O quão ridículo aquilo era? Muito, provavelmente.

Decidiu caminhar um pouco, já que o sono ainda não o havia atingido. Apagou a luz do quarto e saiu caminhando pelos corredores escuros do palácio, sem prestar grande atenção ao caminho. Mesmo naquelas condições, não chegou a ser uma surpresa quando ele se pegou encarando a porta entre aberta do quarto dela.

Pensou em dar meia volta, mas a fresta parecia convidativa de mais. Podia pelo menos sondar e ver se ela já estava mesmo dormindo e verificar se estava bem em seu sono. Era uma péssima idéia. Até ele tinha que admitir isso, mas o Senhor do Fogo já não estava em seu juízo perfeito a algum tempo.

Abriu a porta e deslizou para dentro da escuridão dos aposentos dela, tão silencioso quanto uma sombra. Fechou a porta atrás de sim sem fazer barulho e com uma faísca o pequeno candeeiro foi aceso.

O vestido que havia dado a ela estava no chão do quarto. A seda e os brocados rasgados como se não passassem de trapos. Era assim que sua hospitalidade era agradecida. Ele devia se sentir ultrajado e ofendido, mas Zuko sabia que Katara não era a pessoa mais sensata do mundo quando estava nervosa. Mesmo assim...Mesmo assim ela não tinha o direito de se desfazer de um presente como aquele.

Não havia nenhuma serva lá dentro, tão pouco nos corredores. Ao menos era esperado que houvessem soldados na porta, mas o lugar estava tão silencioso quanto um templo. Ela estava deitada em sua cama, cabelos soltos e vestindo pouco mais do que uma longa túnica que deixava muito pouco para a imaginação.

Dormindo ela parecia um espírito sereno, parecia de fato uma dobradora de água.

But I set fire to the rain,
Watched it pour as I touched your face,
Well, it burned while I cried,
Cause I heard it screaming out your name, your name!

When laying with you I could stay there,
Close my eyes, feel you here forever,
You and me together, nothing is better!

Aquela situação fez com que ele se lembrasse de uma história que sua mãe lhe contava quando criança. Algo sobre o Sol e a Lua terem se apaixonado, mas todo firmamento os mantinha separados até que o Sol driblou o arco celeste e finalmente encontrou a Lua. Aquele encontro se chamava eclipse e era o derradeiro ato de amor de um casal condenado a viver separado. Daqueles encontros surgiam as estrelas cadentes e cometas...Filhos do Sol e da Lua.

Ela era sua Lua e ele driblaria o firmamento inteiro se preciso fosse.

Pela fresta da janela ele viu o relâmpago cortar o céu e o trovão rugiu impiedoso. Com um sobressalto ela se ergueu da cama assustada e seus olhos se arregalaram quando a luz iluminou o rosto parcialmente queimado. Aquilo era um pesadelo.

Ela encheu os pulmões de ar, mas antes que pudesse gritar, Zuko tapou-lhe a boca. Katara o mordeu algumas vezes, mas ele resistiu até que ela se desse por vencida e parasse de tentar acordar o palácio inteiro.

- Solto você se prometer não gritar. – ele disse num sussurro apressado – Posso confiar em você? – ele recebeu um aceno de cabeça em resposta. Zuko soltou os braços dela e destapou a boca, deixando suas mãos posicionadas ao lado do corpo de Katara, enquanto a olhava de cima. Aquilo era uma posição bem mais do que apenas comprometedora.

- O que está fazendo aqui no meio da noite? – ela perguntou afoita.

- Eu...Não consegui dormir, quis saber se estava bem. – ele respondeu sem jeito.

- E pra isso tem que entrar de fininho no meu quarto e montar em cima de mim? Saia daqui! – ela disse autoritária.

- Caso não tenha reparado, eu sou o Senhor do Fogo e este é o meu palácio. Não têm autoridade pra me dar ordens. – Zuko retrucou – Em todo caso, eu não conseguiria dormir, não se esclarecer as coisas.

- Não há o que ser esclarecido! – ela se debateu de baixo dele, obrigando Zuko a imobilizá-la mais uma vez.

- Há sim. – ele disse num sussurro a milímetros do rosto dela – Olhe pra mim e me diga o que eu preciso saber. É pena o que você sente por mim? É piedade e desgosto o que eu vejo nos seus olhos toda vez que você encara meu rosto? O que levou você a corresponder o beijo? Diga de uma vez!

- Eu não correspondi coisa nenhuma! – Katara respondeu enquanto sentia os dedos de Zuko apertando seus pulsos ainda mais.

- Correspondeu, ainda que depois sua consciência tenha obrigado você a me tratar com tanta hostilidade. – ele disse sério – Responda de uma vez!

- Eu não sinto pena de você! Eu poderia sentir raiva, ódio, medo, até mesmo afeição, mas pena nunca! Por que diabos está perguntando isso?

- Pra não correr o risco de fazer um papel ainda mais ridículo do que já estou fazendo. – ele disse sério – Eu sei que pensa que o que aconteceu foi por causa do término com Mai, ou por que acha que eu estou carente, mas não é nada disso. – ele podia ouvir o som da tempestade e do coração acelerado dela batendo – Mai desmanchou o noivado não porque estava apaixonada por outro, mas porque percebeu que eu não me interessava mais por ela. Fui eu quem me apaixonei por outra pessoa e ela teve a elegância de se retirar antes que não sobrasse nada se não rancor entre nós.

- Não... – a voz dela saiu num fio.

- Sim. – ele respondeu firme – Eu não suporto vê-la com Aang, por mais que ele seja meu amigo. Eu venho lutando contra a idéia de me aproximar, de tentar alguma coisa, mas se tornou impossível! Eu não quero que vá embora, não quero vê-la voltando pra Tribo da Água! Quero que fique aqui, que use o vermelho e o negro da Nação do Fogo. Quero reescrever o seu destino para que você escolha a mim e não ao Aang.

- Não...Não posso. – ela disse enquanto desviava o rosto para não ter que encará-lo. Sentiu o beijo dele sobre sua bochecha e o calor do corpo dele sobre o seu.

- Avatar ou não, Aang ainda é só uma criança. – Zuko sussurrou com a voz rouca – Você é uma mulher feita, você precisa de mais do que aquilo que ele pode oferecer. Precisa de um homem, não um garoto.

- E você se acha a melhor escolha? Você acha que é esse homem? – ela o desafiou.

- Tenho certeza que sou. – ela voltou a encará-lo – Uma palavra e eu posso te provar isso. Basta um sim.

- E o que acontece se eu disser esse sim? – os olhos azuis dela se refletiam nos olhos cor de âmbar dele. Não ousavam quebrar o contato visual. Aquele era um caminho sem volta.

- Vou escrever meu próprio destino e você estará nele. – ele disse firme – Mudarei o curso de rios, congelarei lagos, dispersarei nuvens...Atearei fogo à chuva.

- Aang não tem mais ninguém nessa vida. – ela respondeu com a voz tímida – Eu e meu irmão somos a única família que ele tem.

- Meu pai me deu essa queimadura e me exilou, agora está preso. Minha irmã enlouqueceu e vive num hospital psiquiátrico. Minha mãe...Não sei nem se estava viva ou morta. – Zuko respondeu – Com uma família assim eu invejo o fato de Aang não ter uma.

- E quanto à minha família? Minha tribo? Está querendo que eu abra mão de tudo, que eu vire as costas para eles e por que? – ela era mais difícil do que ele havia imaginado.

- Acho que não entendeu o que eu disse. – Zuko respondeu – Não há mais uma guerra, eu não sou mais o inimigo. Não estou pedindo para escolher entre mim e sua família. Estou pedindo pra me aceitar, aceitar o que eu sou e sinto por você. – ele relaxou o aperto sobre os braços dela e levou a mão ao rosto de Katara para acariciá-lo.

- Isso é loucura, não é? – ela levou a mão à cicatriz dele, acariciando-o também – Me diga que isso é uma loucura.

Cause there's a side to you that I never knew, never knew,
All the things you'd say they were never true, never true,
And the games you'd play, you would always win, always win
But I set fire to the rain,
Watched it pour as I touched your face,
Well, it burned while I cried,
'Cause I heard it screaming out your name, your name!

- Talvez seja. – ele respondeu – Ou talvez seja o único momento na minha vida em que eu consigo pensar com clareza e ter a mente em paz.

- Você dificulta tanto as coisas... – ela sussurrou.

- É uma pergunta simples. Basta dizer sim ou não. – ele disse enquanto afastava uma mecha do cabelo dela – Você me aceita?

Ela o encarou sem qualquer sinal de temor nos olhos. Seu semblante estava sereno enquanto seus lábios se mexiam, mas Zuko não ouviu som algum por causa do poderoso trovão que rugia em meio a tempestade. Ele se inclinou sobre ela mais uma vez e beijou-lhe a boca como se o mundo estivesse prestes a acabar.

Katara não resistiu ao beijo, ou demonstrou qualquer hostilidade. Seus dedos incertos tocaram o tórax de Zuko, sentindo os músculos delineados, deslizando até atingir os braços dele. O manto que ele usava escorregou para um dos lados da cama e em resposta às mãos dela, as mãos dele pousaram sobre a cintura de Katara, enquanto ele aprofundava o beijo ainda mais.

As mãos dele estavam insatisfeitas, precisavam sentir a textura da pele dela e não do algodão fino que Katara vestia. Os laços foram queimados permitindo que ele arrancasse a túnica dela, deixando-a totalmente exposta. Não estava com paciência para se importar com coisas menores. Tudo o que ele queria estava bem ali, de baixo dele.

Deslizou as mãos sobre as coxas morenas dela, sem parar de beijá-la um minuto se quer. Separou as pernas e se posicionou entre elas. Suas mãos afoitas pousaram sobres os seios de Katara, apertando-os e brincando com a ponta dos mamilos, um pouco antes de Zuko cobri-los com sua boca e provocá-los com seus dentes e língua.

Ela fechou os olhos com força, enquanto ele se ocupava de mapear cada contorno do corpo dela com a palma das mãos e a boca. Katara o arranhou nas costas, mas Zuko estava tão concentrado no que estava fazendo que não reparou nisso.

Cada toque era feito de fogo, incendiando o corpo dela à medida que se rendia à habilidade de Zuko. Ele era um dominador poderoso, ele a estava dominando sem grande esforço.

I set fire to the rain
And I feel lost into the flames,
Well, I felt something died
Cause I knew that that was the last time, the last time!

Sometimes I wake up by the door,
And heard you calling, must be waiting for you
Even that when we're already over
I can't help myself from looking for you

Ele desatou a faixa que prendia a calça que usava, permitindo que a última peça de roupa deslizasse por suas pernas, deixando-o livre para sentir o corpo de Katara junto ao seu. Ele desceu sua mão até atingir os fios escuros que escondiam o prazer dela. Tocou-a, massageando e provocando sons de deleite, sentindo a umidade crescer, sentindo-a se desfazer em água pelo poder de suas mãos, até se entregar num gemido prolongado enquanto seus olhos azuis perdiam o foco.

Os pingos de chuva colidiam uns com os outros e voltavam a buscar o céu. Relâmpagos cortavam o céu. Ondas imergiam dos pequenos lagos no jardim. No prazer não havia equilíbrio.

Ele a puxou pelo quadril enquanto lhe beijava fervorosamente, sentindo-se completamente envolvido por ela. Quente como o inferno...Ele era um dobrador de fogo, o calor era um velho amigo.

As pernas dela se fecharam ao redor dele, levando-o mais fundo. Suas mãos a puxavam, apertavam, arranhavam de forma possessiva, deixando marcas avermelhadas, mesmo na pele morena. Sua racionalidade e consciência eram um borrão difuso. Seu controle enfraquecido fazia a chama do candeeiro oscilar e subir como as chamas de uma fogueira.

Mergulhava dentro dela, cada vez mais fundo, com mais força, com mais ritmo, mais rápido. Sentia-se poderoso, sentia-se invencível. Era um espírito do fogo, era um dragão, era o próprio Sol, queimando tudo a sua volta, enquanto sua Lua estava entregue e tão próxima do prazer quanto ele.

Sentiu sua mente se desconectando completamente do corpo e se rendeu ao orgasmo arrastando-a junto com ele. A chuva era furiosa e as chamas do candeeiro subiam tão alto que por muito pouco não ateavam fogo ao teto do quarto. Nenhum deles viu, nenhum deles tinha controle de seus atos, ou dons. O único talento reminiscente era dominar o prazer um do outro.

À medida que a consciência voltava, a chuva diminuía. Zuko saiu de cima dela e extinguiu o fogo descontrolado do candeeiro. Da próxima vez teria que se contentar com as luzes apagadas, ou repetir a dose em plena luz do dia.

Logo o sol despertaria e ele teria que deixá-la para se ocupar de seus deveres como Senhor do Fogo, mas iria feliz. Ela o havia aceitado, partilhado a cama com ele, deixando de lado Aang e todo resto. Quando o sol nascesse, ele seria um novo homem, um que tomou o destino em suas mãos e desta vez ele a teria ao seu lado. Ele faria dela a Senhora do Fogo.

I set fire to the rain,
Watched it pour as I touched your face,
Well, it burned when I cried,
'Cause I heard it screaming out you name, your name!

I set fire to the rain
And I feel lost into the flames,
Well, I felt something died
Cause I knew that that was the last time, the last time!

Oh, no,
Let it burn, oh
Let it burn,
Let it burn!

Nota da autora: Eeeeeeeeeeeeeeeee…Notei uma coisa. O fandom de Avatar quase não tem fic em português e aparentemente os leitores que lêem no idioma também são escassos. É uma pena, pq é um universo incrível de se trabalhar. Pois é, Zuko todo poderoso, todo Senhor do Fogo. Confesso que toda vez que ele se descontrola na dobra de fogo por causa do temperamento dele no desenho, eu pensava na cena dele com a Katara no quarto XD. Any way, espero que gostem e comentem. O nome da música do capítulo é o mesmo da fic. Musica da Adele (sua diva!).

Bjux

Bee