Comprando Tempo

In my place, in my place
Were lines that I couldn't change
I was lost, oh yeah
I was lost, I was lost
Crossed lines I shouldn't have crossed
I was lost, oh yeah

Ele se levantou bem cedo. A despeito do pouco sono, Zuko sentia-se mais disposto do que nunca. Olhou-a dormindo serenamente ao seu lado, os cabelos desgrenhados e o semblante relaxado. Poderia se acostumar com aquilo.

Zuko deslizou para fora da cama com cuidado. Pegou seu manto no chão e se vestiu rapidamente. Encarou-a uma última vez, reparando na mancha de sangue vívido que havia arruinado o lençol branco. Vermelho, uma cor muito apropriada para começar o dia.

Saiu do quarto e voltou para seus próprios aposentos. Tomou banho, vestiu roupas apropriadas e pediu para que as criadas providenciassem mais roupas para Katara e a ajudassem a se vestir assim que ela estivesse de pé. Com tudo resolvido, ele finalmente podia se ocupar dos assuntos do Estado.

A chuva havia dado uma trégua, mas o céu ainda estava coberto de nuvens que davam a certeza de que o dia seria de tempo incerto. Isso deveria atrasar o retorno de Aang e Sokka em pelo menos mais um dia. Assim ele poderia conversar com Katara uma última vez para que eles decidissem a melhor maneira de esclarecer as coisas com o Avatar.

Ele não queria magoar o amigo, ou dificultar mais as coisas para Katara, mas tinha a impressão de que não havia muitas opções no assunto. Com tudo, ele devia acelerar o aspecto prático das coisas e começar a providenciar tudo o que fosse necessário para uma oficialização rápida.

Um casamento real requeria certas formalidades e rituais. Seus ministros e embaixadores tinham de se encarregar de transmitir a notícia e enfatizar o aspecto benéfico da união com alguém de uma nação estrangeira. Aquilo provaria para o mundo a boa vontade da Nação do Fogo e poderia melhorar as relações com as Tribos da Água. Ele também precisava fazer uma proposta formal pela mão de Katara ao pai dela, providenciar um bom dote, de modo que a oferta se tornasse irresistível. Mas antes de mais nada, ele precisava de um ourives o mais rápido possível.

O ourives da corte foi levado à presença do Senhor do Fogo ainda naquela manhã. O homem havia sido o responsável por criar a maioria das jóias de Lady Ursa. Ninguém poderia ser mais adequado para criar o colar de noivado que Katara usaria. Ouro e cobre formando a insígnia da Nação do Fogo, substituiriam o pingente entalhado que pertencia à família dela. Aquilo poderia mais tarde se tornar uma relíquia para suas filhas.

Além do colar, outro assunto de primeira necessidade era convocar seu tio de volta à capital. Se o Senhor do Fogo estava realmente disposto a dar um passo tão grande, queria a presença de seu conselheiro mais fiel, queria o homem que o tratou como um filho a vida inteira estivesse presente quando Zuko tomasse a dobradora de água como esposa.

Pediu que uma reunião com os ministros fosse providenciada para o fim da tarde e enquanto nenhum outro assunto mais urgente se apresentava diante dele, Zuko se ocupou de tentar escrever uma carta a Hakoda, algo que parecesse mais com algo que um bom rapaz diria ao tentar impressionar o pai de sua prometida, do que algo que o Senhor do Fogo escreveria, mas o resultado não era muito promissor.

Ao longo do dia, a única coisa que ele sentiu falta foi a ausência de notícias de Katara. Apesar de ter mandado as criadas para atendê-la, nenhuma novidade, ou uma nota de agradecimento pelas roupas, um comentário, nada! Katara parecia ter desaparecido entre as sombras do palácio.

No fim da tarde o ourives entregou a encomenda. Ter o colar em mãos levaria semanas se o artesão não fosse um dobrador de fogo. Zuko sentiu a textura e os contornos do metal moldado em forma de chama, preso em tiras de seda trançada. Simples, mas era um presente com significado. A Nação do Fogo tinha rituais distintos para propor casamento, mas Katara era da Tribo da Água e Zuko considerava aquela tradição particularmente bonita.

Com o colar em mãos, era hora de vê-la e acertar os últimos detalhes, principalmente no que dizia respeito ao Avatar.

Caminhou pelos corredores que levavam aos aposentos dela sentindo o coração batendo na garganta. Nunca pensou que depois da noite anterior pudesse ficar mais nervoso, mas aparentemente ele estava errado.

Havia soldados na entrada do quarto montando guarda. Ele não havia dado tais ordens, mas então se lembrou que na noite anterior havia dito aos soldados que Katara não tinha permissão pra sair do palácio. Aquilo era um mau sinal, mas Zuko só pode avaliar a dimensão do estrago quando ele entrou nos domínios dela.

Yeah, how long must you wait for it?
Yeah, how long must you pay for it?
Yeah, how long must you wait for it?
For it

Ela estava de pé junto à janela, encarando a chuva cair mais uma vez naquele dia. O cabelo solto caía como uma cascata sobre suas costas. Ela vestia roupas da Nação do Fogo, mas as várias camadas de tecido pareciam amassadas. Ela era única coisa composta dentro do quarto. Todo o resto estava parcialmente destruído, ou encharcado. O lençol manchado da cama estava rasgado no meio.

Ele respirou fundo e deu passos firmes em direção a ela.

- O que aconteceu aqui? – ele perguntou.

- Uma loucura, foi isso o que aconteceu. – a voz embargada denunciava o choro – Dê ordens aos soldados para me deixarem sair.

- A julgar pelo estado do quarto, acho que eles devem ter bons motivos para estarem fazendo isso. – ele disse sério – Eu gostaria de saber o motivo disso. Por que está tudo encharcado ou destruído?

- Vem ao quarto no meio da noite, com palavras macias e quentes até conseguir o que queria. Me manda presentes no dia seguinte, damas de companhia pra me banhar, pentear meus cabelos e me deixar ao seu gosto como se eu fosse algum tipo de boneca viva! Você estragou tudo, Zuko! – ela disse se virando para ele com os olhos vermelhos – Eu sou comprometida! Aang vai chegar a qualquer minuto e como eu vou poder encará-lo? Não devia ter acontecido, Zuko! Nada daquilo devia ter acontecido! Eu tenho deveres, tenho uma família esperando por mim, tenho minha Tribo e tenho Aang! Pare de me confundir! Pare de tentar me desviar do meu caminho! Eu não sou o seu fogo para que me manipule ao seu bel prazer! Agora mande esses guardas embora para que eu possa partir e encontrar meu irmão e o Aang!

A resposta foi um jorro de chamas que transformou a cama numa fogueira.

- O que você disse? – ele rugiu.

- O que você ouviu! – ela retrucou – Eu vou embora! Vou voltar para a minha família, pra minha tribo e pro Aang! – aquilo o atingiu como um soco na boca do estômago. Então era assim que acabava? Ele sozinho enquanto Katara corria para o Pólo Sul, fugindo dele como se Zuko fosse a face do próprio demônio?

Num movimento rápido de mãos, Zuko traçou um circulo de fogo ao redor deles. As chamas altas deixavam Katara tonta e faziam seus olhos arderem ao ponto de senti-los lacrimejando.

- Não vai a lugar nenhum. Você não vai deixar este palácio, não vai voltar para a Tribo da Água e principalmente, não vai voltar pro Aang! – Zuko vociferou.

- Eu não sou súdita da Nação do Fogo e você não pode me manter prisioneira se eu não infringi nenhuma lei, a menos que me defender das investidas do Senhor do Fogo seja crime! – ela retrucou. Sem paciência, Zuko a agarrou pelos pulsos com força.

- Não se defendeu rápido o bastante. – ele disse firme – Não pode ir a menos que queira causar outra guerra.

- O que? – ela arregalou os olhos, ainda sentindo a ardência provocada pela fumaça.

- O que ouviu. Pode até tentar voltar pra sua casa, pode até se refugiar de baixo das asas do planador de Aang, mas cada homem, mulher e criança, daqui até os Pólos, saberá o que aconteceu aqui e que eu a quero de volta. A recompensa será tentadora o bastante para que até os seus compatriotas se sintam tentados a entregá-la.

- Minha Tribo não me entregaria! – ela disse convicta.

- Tem certeza disso? – Zuko soltou os pulsos dela, encarando-a diretamente nos olhos – E se por um acaso conseguir chegar a sua Tribo e descobrir que está carregando um filho meu? Acha que sua família vai ficar satisfeita com isso? Acha que receberá alguma gentileza por estar no meio do Pólo Sul, com um filho da Nação do Fogo na barriga? Acha que seu precioso Aang vai perdoar essa traição? Você vai se ver vagando sozinha no meio da neve, sem ter pra onde ir, ou a quem recorrer, a menos que alguém tenha o bom senso de mandá-la de volta pra cá. – Zuko respirou fundo.

- E por causa de uma possibilidade, você quer me manter prisioneira aqui. – ela retrucou.

- Não tenho qualquer intenção de aprisioná-la. Você não é minha prisioneira, mas eu não posso correr o risco de que suma daqui enquanto há a possibilidade de estar gerando meu herdeiro. – Zuko respondeu ponderadamente – Três meses...

- O que? – ela o encarou confusa.

- Vai permanecer sob minha guarda por três meses. Uma espécie de quarentena apenas pra ter certeza de que essa possibilidade não existe. Se ao final destes três meses você estiver decidida a voltar para o Pólo Sul, então estará livre para ir e eu não a importunarei mais. Até este dia, vai ficar no palácio, sob o status de minha protegida. – ele disse sereno – Imagino que não quer que Aang tenha conhecimento disso. Esteja à vontade para dizer a ele o que quiser.

- O que acontece se eu estiver mesmo grávida? – a voz dela parecia incerta.

- Eu não terei bastardos. – ele disse sério, encarando-a nos olhos – Farei de você a nova Senhora do Fogo antes que a criança nasça. Se a noite passada não trouxer mais conseqüências e isso ficar provado durante estes três meses, então está livre para fazer da sua vida o que quiser, mas... – ele estendeu a mão a ela, mostrando o colar que havia encomendado – Caso pense melhor durante este tempo, eu não estava mentindo quando disse que queria escrever o meu destino para que você estivesse nele. Quero que fique por sua livre vontade, que me aceite, que seja minha esposa, minha Senhora do Fogo, que me ajude a governar essa nação e a manter a paz que nós dois lutamos pra conquistar.

I was scared, I was scared
Tired and underprepared
But I waited for it
If you go, if you go
Then Leave me down here on my own
Then I'll wait for you, yeah

Katara encarou o colar e o pingente como se fosse algum tipo de assombração. Ele viu as lágrimas traçarem o contorno do rosto dela e molharem a gola do vestido. Não era assim que as coisas deviam acontecer. Não era para ela estar chorando quando ele propunha casamento. Por um instante ele imaginou se aquela havia sido a reação de Ursa, quando recebeu o pedido de Ozai.

- O que eu direi ao Aang? – a voz dela soou fraca – O que eu posso dizer depois de tudo isso? Ele nunca vai acreditar, ou me perdoar pelo que eu fiz. – ela levou a mão aos olhos.

- Talvez possa dizer que não tem certeza do que sente por ele. – a voz de Zuko saiu amarga e ressentida – Aparentemente você é muito boa nisso.

- Não adianta ficar falando desse jeito. O que aconteceu foi errado. – ela disse seca.

- Errado ou não, você disse sim e eu não teria avançado se não fosse pela sua palavra. – ele disse virando as costas a ela e dissipando o circulo de chamas – Achei que me conhecesse o bastante para saber que eu jamais me desonraria ao ponto de obrigar uma mulher a se deitar comigo. Não me arrependo do que aconteceu e se você pensa diferente, só posso dizer que isso tudo é uma conseqüência lamentável. – ele se virou pra ela mais uma vez – Se precisa de uma desculpa, diga que eu fiz uma proposta política para selar a paz. Um casamento entre o Senhor do Fogo e a filha de Hakoda, chefe da Tribo da Água do Sul. Pode colocar a culpa nos ministros do Conselho.

Depois disso ele saiu do quarto disposto a reduzir tudo em seu caminho a cinzas, mas não podia perder o controle agora. Deu ordens para que ela fosse mudada para outros aposentos, uma parte da ala que era restrita às mulheres da família real.

Agora a situação era de fato delicada. Teria que se precaver para que aqueles três meses não se tornassem um motivo para outro conflito. Precisava de uma maneira de comunicar à Tribo da Água que Katara não voltaria junto com o Avatar, sem dar pistas do que havia acontecido.

Além disso, teria que lidar com o Conselho para apresentar a situação. Katara não era exatamente o tipo de mulher que seria considerada pelos burocratas do governo como uma candidata ideal para ocupar o trono ao lado dele, tão pouco podia colocar as coisas de forma que o casamento parecesse certo. Não podia correr o risco de ser desmoralizado mais uma vez se ao fim do prazo ela decidisse partir.

Neste meio tempo, Zuko conseguiu terminar a carta que mandaria a Hakoda com a proposta. Tinha certeza de que Katara ficaria furiosa ao saber que ele estava adiantando toda parte burocrática quanto a um casamento que poderia nem acontecer. Tempo era um luxo ao qual ele não podia se dar.

A chuva continuava caindo fina e insistente. Ele não gostava da chuva, mas naquele momento era como se ela fosse sua maior aliada. Queria que o tio estivesse ali para aconselhá-lo ou pelo menos oferecer-lhe uma xícara de chá. O céu cinzento e coberto por nuvens pesadas não traziam qualquer prognostico de boa sorte naquele assunto, mesmo assim a carta estava selada com o emblema da Nação do Fogo, pronta para voar atada às costas de um falcão.

Ele se dirigiu até a sala do Conselho para ouvir durante longas horas a respeito de economia, organização administrativa, melhorias no judiciário e, finalmente, sobre formas de melhorar as relações exteriores com a Nação da Terra e as Tribos da Água.

Yeah, how long must you wait for it?
Yeah, how long must you pay for it?
Yeah, how long must you wait for it?
For it, yeah

- Mesmo que Vossa Majestade tenha posto fim à guerra, muitos ainda vêem com desconfiança suas promessas. – disse o Ministro da Guerra.

- De fato. Há quem diga que Vossa Majestade se aproveitou da situação para manipular a Nação da Terra e as Tribos da Água. Ousam dizer quem meu senhor deu um golpe de Estado sem ter que sujar as próprias mãos e será apenas uma questão de tempo até que comece a traçar planos de conquista, tal qual o senhor seu pai fez. – completou o Ministro do Interior.

- Mesmo com o apoio do Avatar, a desconfiança ainda é persistente. Estamos trabalhando em alguns tratados e acordos comerciais para amenizar a situação, mas temo que isso possa levar muito mais tempo do que se imagina. – o Ministro do Interior falava com semblante consternado. Zuko respirou fundo.

- Estou ciente de que nossa Nação não é bem vista, ainda que nossos esforços sejam louváveis. – Zuko disse firme – Temo que meros acordos não trarão os resultados esperados. É preciso conquistar a simpatia dos povos que antes nos viam como inimigos. O armistício com a Nação da Terra já foi assinado. As Tribos da Água serão as próximas signatárias e há resistência principalmente no Norte. Por isso redigi esta carta e espero obter a aprovação deste Conselho para levar o plano adiante.

Zuko entregou ao escrivão a cópia da carta que havia preparado para Hakoda para que a proposta fosse lida em voz alta para todos os Ministros Presentes. Enquanto a carta era lida, o jovem Senhor do Fogo avaliava o semblante de todos os presentes. Desagrado, espanto e, surpreendentemente, aceitação.

Quando a leitura terminou houve um longo minuto de silêncio antes que o burburinho começasse. Era quase impossível distinguir o que cada um falava. Ele se levantou e vociferou para que todos fizessem silêncio.

- Em ordem, gostaria de ouvir a opinião dos honoráveis ministros quanto à proposta. – ele disse voltando a ocupar o trono.

- Com todo respeito, isso é um disparate, meu senhor. Uma garota da Tribo da Água do Sul, sem qualquer vínculo com a nobreza, ou conhecimento de nossas tradições, dificilmente seria adequada ao posto de Senhora do Fogo. – era a opinião do Ministro do Interior.

- A menina é filha do chefe da Tribo. – o Ministro das Relações Exteriores argumentou – Isso a torna parte da nobreza, de certa forma. Quanto aos nossos costumes e tradições, isso pode ser aprendido. Confesso, Majestade, que a idéia tem seu mérito. Um casamento deste tipo poderia provar às demais Nações nossa boa vontade e respeito.

- Daqui a pouco teremos um Senhor do Fogo que dobra água. Isso é absurdo! – outro retrucou – Absolutamente não!

- Essa seria apenas mais uma garantia de paz. As Tribos da Água pensariam duas vezes antes de se virarem contra um soberano cuja mãe é dobradora de água. A linhagem poderia seguir pelos herdeiros que demonstrem habilidade na dobra de fogo, sendo aqueles dotados no domínio da água retirados da linha de sucessão, mas mantendo as honras de membro da família real. Isso pode assentar as bases para uma série de alianças por casamento que acabaria por minar as possibilidades de uma nova guerra surgir. – o Ministro da Guerra falou – Vossa Majestade demonstra ser um jovem de visão, mais do que isso, um líder disposto a fazer mudanças necessárias.

- A família real viveu isolada por muito tempo. – Zuko afirmou – Depois de tantos conflitos, é necessário que mudanças sejam feitas para que guerras como essa acabem definitivamente. Lady Katara é uma dominadora poderosa, com influência até mesmo na Tribo do Norte. Possui caráter, inteligência e é perfeitamente capaz de se adaptar aos nossos costumes. – Zuko respirou fundo – Estou determinado a levar este plano adiante, mas até que as negociações com Hakoda estejam terminadas ela permanecerá no palácio, como emissária das Tribos da Água.

- Meu senhor, talvez seja melhor avaliar a situação com mais cuidado. – um dos ministros mais inexpressivos falou – Há boatos de que a garota estava envolvida com o Avatar. Um pedido tão repentino pode levantar questionamentos quanto às virtudes da jovem que pode vir a ser a nova Senhora do Fogo.

- Apenas boatos, e eu acredito que não preciso lembrá-los de que o Avatra, fisicamente, permanece uma criança. O que o senhor ministro sugere é no mínimo risível. Além do mais, já providenciei para que Lady Katara seja acomodada na ala do antigo harém, onde ficará sob os cuidados de damas de companhia e vigiada por guardas até que as negociações tenham terminado. Além disso, tenho certeza de que o Avatar não vai permanecer na Nação do Fogo por muito tempo.

- Meu senhor, pense com calma.

- Eu não traria o assunto a esta reunião se não tivesse analisado a questão friamente. – Zuko se levantou – Honoráveis ministros, até que as negociações estejam finalizadas, este assunto será tratado como segredo de Estado. Se chegar ao meu conhecimento que estas informações deixaram o palácio, o responsável será julgado de alta traição. – o tom usado por ele não deixava margem para discussões – Esta reunião está encerrada.

Sing it please, please, please
Come back and sing to me
To me, me
Come on and sing it out, now, now
Come on and sing it out, to me, me
Come back and sing it.

Ele deixou a sala de reuniões sentindo-se asfixiado. Era como se no espaço de vinte e quatro horas, todas as suas vitórias, toda estabilidade recém adquirida, sua própria paz de espírito tivesse se transformado num grande e incontrolável caos, tal qual um incêndio grande de mais para ser controlado.

Três meses...Ele tinha três meses para resolver aquela desordem, sem ter certeza se Katara aceitaria sua proposta, ou se seu palpite quanto aos resultados na noite anterior estaria certo ou não.

Se ela tivesse concebido, então a situação estaria resolvida, mesmo que Zuko estivesse seriamente convencido de que Katara não teria qualquer razão para ter afeição por ele, ou ver o casamento com bons olhos, se este fosse o caso.

A única esperança dele era que durante estes três meses, Katara percebesse o que tinha nas mãos. Ele não era o Avatar, não tinha a paciência dos monges ou o dom de Aang para otimismo e alegria, mas ele podia ser a escolha certa. Afinal, ele era um dominador poderoso, não podia oferecer muita paciência, mas podia oferecer paixão, segurança, estabilidade...Ele podia fazê-la feliz. Ela seria a Senhora da Nação do Fogo e do coração dele.

Ao longo destes três meses, sua primeira dificuldade seria se ver livre de Aang de uma forma pacífica. Enquanto o Avatar e Sokka estivessem por perto, a consciência de Katara não permitiria que ela permanecesse na Nação do Fogo.

A chuva era providencial, mas não ia durar pra sempre.

In my place, in my place
Were lines that I couldn't change
I was lost, oh yeah
Oh Yeah

Nota da Autora: Obrigada às meninas que comentaram. Fico feliz de ver que tem mais gente que gosta do casal e que eu não estou só no mundo. Esse capítulo eu odiei escrever porque...Sabe como é, o dia seguinte é sempre meio tenso e a Katara resolveu ter uma crise pitiática em level épico e tudo mais. Odeio personagem que dá piti. Espero que gostem do capítulo, no próximo eu prometo momentos viadinhos e um encontro com o Avatar XD. Música do capítulo é In My Place, do Coldplay. SINTAM A DEPRESSÃO DO ZUKO (pq nada no mundo pode ser mais depressivo do que esse capítulo ao som de Coldplay).

Bjux

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