Capitulo 11 – Hiashi..
O velocímetro marcava a máxima velocidade permitida por lei naquela estrada, 120 k/h. Sete horas e seis minutos, há quase quarenta minutos atrás ela estava deitada em um tranquilo sono abraçada ao único homem que amou em sua vida. Não, Naruto não era o único e nem o primeiro. Um homem maduro, de essência fina e elegante, traços afetuosos e marcantes. Hiashi, o homem que sempre amou, desde pequenina. Um amor puro e verdadeiro, um amor de pai e filha. As lágrimas rolaram... Como poderia ter acontecido? Será que tudo não passava de uma brincadeira de um humor negro, mas simplesmente uma brincadeira? Não, tal alternativa era uma ilusão, as palavras do primo não eram fantasia, infelizmente.
FlashBack on:
- Neji? - Naruto que estava ainda sonolento, sentava-se ao lado de Hinata estranhando a ligação do primo de sua ex-namorada. O que será que Neji queria?
- Hina, calma, mas eu tenho uma notícia pra você. - disse Neji que não sabia como dar uma notícia como a que tinha para Hinata, ainda mais pelo telefone.
- O que houve, Neji? - perguntou rápida, sentiu um aperto no peito, uma angustia, um leve desespero.
- O tio Hiashi... - Hinata ao ouvir o nome do pai gelou, sentindo o aperto aumentar.
- O q-que houve com o m-meu p-pai, Neji?
- "Hiashi." - Naruto franziu a testa ao ver o nervosismo de Hinata, e depois ouvir o nome do pai da mesma. Algo não estava certo.
- Calma, Hina. - respirou fundo antes de dizer tudo de uma só vez, tentando assim não prolongar aquele sofrimento, mesmo sabendo que causaria outro pior. - Seu pai sofreu um acidente de automóvel e está no hospital. Ele está... mal, Hina.
- C-como? Meu p-pai! - Hinata deixou o celular cair no colchão ao seu lado, estava tomada pelo choque da notícia. Naruto preocupou-se ainda mais. Hinata estava mais pálida que de costume, lágrimas banhavam seu rosto, ele abraçou-a tentando repelir qualquer mal que estivesse lhe causando aquela dor. Hinata apertou-se mais ao abraço. Com os pensamentos em um replay contínuo das últimas palavras do primo. Naruto pegou o celular, Neji ainda estava na linha.
- Prima? Hinata? - Neji estava aflito, sua voz transmitia essa sensação.
- Neji?
- Naruto? - reconheceu a voz do amigo.
- Sim. O que houve com Hiashi?
- Tio Hiashi sofreu um acidente de automóvel enquanto ia buscar Yu na casa de uma amiguinha.
- A menina estava com ele? – o loiro indagou rapidamente.
- "Yurika?" - o coração de Hinata apertou-se como sua alma. Yurika, assim como seu pai, estava no hospital?
- Não! Ele não chegou a buscá-la. - disse o Hyuuga para o alívio de Naruto e de Hinata.
- Graças! - suspirou de alívio. - Neji, eu e Hina, estamos indo para aí.
- Ele está no hospital do Centro de Boston. - informou.
- Certo. Até mais.
FlashBack of.
Agora, estavam no carro do Uzumaki a caminho do hospital. Os orbes perolados destacavam marcas de medo, angustia por ter a possibilidade de perder o pai.
Naruto sentia-se mal, ver sua pérola triste o condenava ao mesmo sentimento. E Hiashi? Ah, aquele homem, grande homem. Tinha um carinho especial pelo ex-sogro. Também estava preocupado com a saúde do mesmo.
- Vai dar tudo certo, Hina. - disse o loiro, mas ele mesmo queria acreditar nisso.
- Eu não posso perdê-lo. - disse a Hyuuga entre soluços.
- Já estamos próximos, logo estaremos no hospital. - de fato, eles já estavam próximos, mais meia hora e eles já estariam chegando ao Centro de Boston.
…
Hospital Central de Boston era um hospital público e muito respeitado em todo o estado, como também no país. Equipamentos modernos com o objetivo de produzir melhorias os tratamentos de todos os pacientes. A qualidade do empenho dos médicos era traduzida pelos aumentos de cura dos pacientes, porém nem todos tinham essa sorte.
Eles adentraram correndo o corredor do hospital, Hinata estava nervosa, mais que isso, ela estava desesperada para obter notícias do pai. Queria saber como estava o pai, queria vê-lo. Chegaram à recepção, Neji estava em pé, também parecia está nervoso, devido estar andando de um lado a outro.
- Neji? - chamou Hinata aproximando-se rapidamente do primo, abraçando-o. - Como ele está? - chorava.
- Hina. – Neji afrouxou o abraço, os olhos percorreram o chão frio e branco. - Eu não sei, mas acho que ele está mal.
- Não. Meu PAI! - Hinata desesperou-se. Algumas pessoas a fitaram ao ouvirem seu grito. Uma enfermeira, já acostumada com aquele tipo de reação entre os familiares e amigos dos hospitalizados, foi pegar um copo de água e um calmante bem fraquinho, mas o suficiente para a Hyuuga.
- Hina, acalma-se. - disse Naruto abraçando-a.
- NÃO... NARUTO, EU QUERO MEU PAI! - soluçou. - Eu quero meu pai, Naruto.
- Eu sei, mas você tem que ficar calma, você precisa ficar calma. - disse o loiro ainda abraçando-a. Logo em seguida a enfermeira chegou com a água e o comprimido, que mesmo relutante Hinata tomou.
- Ele está certo, prima. - disse Neji concordando com o Uzumaki.
- Eu quero ver ele. - disse a Hyuuga decidida, um pouco mais calma, mas algumas lágrimas ainda rolavam sua face alva.
- O médico ainda não autorizou visitas. - disse o moreno. - Ele deseja falar conosco, primeiro. Onde está a Hana? - indagou sentindo a falta da presença da prima.
- Ela... - foi interrompida, já que ela havia ido ao seu apartamento após a ligação para trocar rapidamente a sua roupa, fizera em menos de cinco minutos, nos quais nem vira ou procurara a irmã. Nem ao menos tinha certeza do que estava vestindo.
- Já está vindo. - disse Naruto. - Eu avisei a Konohamaru e ele trá-la-á aqui. – explicou.
- Certo.
…
Quarenta minutos passaram-se, Hinata não sabia o que fazer, o desespero parecia querer tomá-la, por sorte ele estava ali ao seu lado, abraçando-a. Naruto. Por mais que estivesse sofrendo, os braços másculos lhe protegiam, aninhando-a a ele.
- Hina! Neji! - uma voz soou pelo corredor chamando a atenção dos três presentes ali. Olharam em direção a voz, viram Hanabi ofegante e Konohamaru logo atrás da jovem. Eles corriam como Hinata e Naruto fizeram ao chegarem. - Onde está o papai? – indagou em soluços.
- Calma, Hana. - disse Neji. - Não sabemos direito, o médico quer conversar com nós três, primeiro.
- E onde está esse médico? - indagou a mais jovem, o desespero era nítido nas irmãs Hyuuga.
- Eu vou perguntar à recepcionista. - disse o Hyuuga, logo em seguida fitou o loiro. - Naruto?
- Eu e Konohamaru cuidamos delas. - disse o Uzumaki, Neji assentiu com um meneio de cabeça e caminhou até a recepção.
- H-Hina, o q-que houve? - indagou Hanabi, a mais jovem sentou-se ao lado de Hinata e segurou-lhe as mãos.
- Eu n-não sei, Hanabi. - duas lágrimas rolaram. - Mas eu preciso v-vê-lo. - as duas se abraçaram, ambas choravam.
- Hina, vai dar tudo certo. - disse Naruto que acariciou os cabelos de Hinata.
- Eu também acredito nisso. - Konohamaru concordou, o rapaz também estava triste em ver a namorada daquele jeito tão angustiado.
Passados uns oito minutos aproximadamente, Neji voltara chamando as Hyuuga, pois o médico as esperava em sua sala. Hinata e Hanabi seguiram junto com Neji o restante do corredor daquele hospital, subiram uma escada onde encontraram após andar mais um pouco a porta da sala do Doutor. Pararam em frente à mesma, Hinata e Hanabi estavam de braços entrelaçados, tentando apoiar uma à outra. Enquanto Neji as olhara e em seguida abrira a porta. O Doutor estava sentado lendo algumas fichas médicas, ele os olhou e pediu para que sentassem nas cadeiras em frente a sua mesa. As irmãs sentaram, enquanto Neji permaneceu em pé ao lado das mesmas.
- Doutor, por favor, me diga como está o meu pai? - indagou Hinata, assim que pôde, precisava obter alguma notícia.
- Vejamos. O Sr. Hyuuga está em um estado bastante delicado. Sofreu um acidente de carro, onde tudo indica que ele teve um mal-estar no veículo que decorreu a perda do controle sobre o carro. Seu pai sofreu alguns ferimentos na perna esquerda, onde houve uma perda de sangue.
- Mas uma transfusão de sangue pode ajudar, não é mesmo? - indagou Hanabi esperançosa.
- Claro, mas infelizmente o caso o paciente é mais complexo do que parece. Estamos fazendo todo o nosso possível, mas...
- Doutor, há mais alguma coisa com o meu tio? - indagou Neji.
- Sim, nossa equipe conseguiu entrar em contato com o médico do Sr. Hyuuga, que vem atendendo e acompanhando a saúde do paciente nos últimos meses, infelizmente uma suspeita minha foi confirmada, o que agrava a situação do seu tio.
- O q-que o Sr. d-descobriu? - perguntou Hinata hesitante, cada vez mais nervosa, como se ainda fosse pouco o que sentia até o momento para o seu sistema nervoso.
- O Sr. Hiashi sofre de um tumor cerebral, infelizmente maligno. - informou o médico, em sua carreira, notícias consideradas trágicas eram de fato normais em sua rotina, mas ele inda era um ser humano.
- NÃO! - a voz de Hinata soou como um grito fino, ela estava em choque, assim como a irmã mais nova e o primo.
- Tio Hiashi. - murmurou Neji.
- Não! Meu pai não. - Hanabi já estava como Hinata, angustiada, desesperada.
- Se acalmem, por favor. Eu lamento dar-lhes essa notícia, pois ao que tudo indica o paciente não queria que os familiares soubessem.
- Não pode ser verdade. - soluçou Hinata. - Doutor, meu pai sempre foi um homem forte, sadio, isso deve ser algum engano. - não podia, não queria acreditar naquilo.
- Infelizmente não, Srta. Saibam que nossa equipe está fazendo todo o possível, mas devido à idade do paciente, seu histórico clinico, devo informar-lhes que as chances dele são poucas.
- Não. - Hanabi chorava sendo abraçada por Neji.
- Eu quero ver meu pai. - disse Hinata secando as lágrimas e insistiam em cair, rolando por sua face. Precisava urgentemente ver Hiashi. Aquele homem ao qual o doutor se referia deveria ser outro, não poderia ser o seu pai. Não poderia!
- Isso não será possível. Seu pai está na UTI, pois permanece inconsciente. E visitas não são permitidas aos quartos dessa ala.
- Por favor, Doutor. - pediu Neji.
- Está bem. -suspirou o médico. – Apesar de recomendar isso. Mas vocês só poderão vê-lo pelo vidro, é o máximo que posso permitir. Vocês serão acompanhados por uma enfermeira. Depois eu recomendo irem para casa, qualquer notícia nós os avisaremos.
…
O lugar era silencioso, às vezes ouviam-se sons dos passos rápidos dos médicos e enfermeiros. Ou dos soluços das Hyuuga. Os rostos estavam colados no vidro, olhando atentamente para o homem deitado em uma cama no centro de um quarto, ao redor vários equipamentos médicos.
- Pai. - chamou baixinho, para Hinata ver o pai naquela cena, era simplesmente um pesadelo. - Pai. Eu estou aqui. - fechou os punhos com força. - Na verdade nós estamos aqui. Você nos deixou muito preocupados. - soluçou. - Pai, por favor, eu sei que o Sr. é forte, então, por favor,.. não nos deixe. - as pernas fraquejaram diante a tanta dor, mas ela não caiu, pois antes disso, ela foi rapidamente segurada pelo loiro.
- Eu tenho certeza que ele vai lutar, afinal ele é um Hyuuga. Eu sei o quanto dói, mas você não vai cair, eu não vou deixar.
- Hina, vá para casa. - disse Neji.
- Não! Eu quero ficar aqui. - exclamou. Não queria se afastar do pai nem por um segundo.
- Por favor, vá. Yu está em casa com a tia Kenia, ela não sabe sobre o tio Hiashi, mas ela é esperta. - argumentou o Hyuuga.
- Eu sei. - murmurou. Esse era um dos motivos porque queria ficar ali, pois o que diria a uma menininha de 7 anos?
- Não precisa ter medo. - disse o Uzumaki. Hinata fitou-o, realmente ela estava com medo. - Eu imagino o quanto é difícil, mas me lembro que para Yu você é muito importante, você é a pessoa na qual ela mais confia.
- É verdade, Hina. - disse Hanabi.
- Eu.. - balbuciou. Será que Yurika está certa em confiar tanto nela? Justamente nela? - era o que pensava, na verdade era o que invadia seus pensamentos confusos.
- Então vamos? - indagou o loiro.
- V-vamos. - respirou fundo antes de responder, ao mesmo tempo no qual sentia o Uzumaki apertar carinhosamente sua mão.
Despediram-se de Hinata, Neji e Konohamaru, porém Hinata, antes de ir, fitou o pai mais uma vez pelo vidro do corredor com o quarto. Uma cena daquelas, ela certamente nunca esqueceria. Foram para o estacionamento, Hinata estava encolhida, abraçando Naruto e sendo guiada pelo mesmo. Entraram dentro carro em silêncio, assim como ficaram em silêncio durante os quinze minutos até os portões da grande residência dos Hyuuga.
- Calma, eu estou aqui com você, sempre. - disse Naruto assim que saíram do carro. Para Hinata, a voz do loiro ativava a confiança e a fé dentro de si. Justamente o que ela precisava. Para Naruto, aquilo era o mínimo que poderia fazer por ela. Se pudesse curaria Hiashi para não ver mais tanta tristeza no rosto antes suave de Hinata. Como uma noite tão maravilhosa ao lado dela se transformaria num amanhecer tão conturbado?
…
- Oi, Hina. - disse uma menina de olhos perolados, certamente uma Hyuuga. Os cabelos eram negro-azulados, curtos, um pouco acima do ombro. Pele clara, um corpo delicado, perfeita para uma menina de sete anos.
- Yurika, meu anjinho. - disse Hinata carinhosamente, sorriu delicadamente sentindo o abraço da irmã. Seu coração perturbou-se com tantas emoções, e agradecia baixinho que sua pequena não estivesse também naquele carro.
- Senti saudades, Hina. – disse a menina numa voz doce, intensamente alegre com a presença da Hyuuga mais velha.
- Eu também, meu anjo. - a menina sorriu, e em seguida reparou que um pouco atrás de Hinata estava um homem loiro que fitava as Hyuuga com um sorriso de canto, enquanto vagava por muitos pensamentos.
- Naruto! - o sorriso se alargou ainda mais, e assim como fez com Hinata, ela correu para os braços do loiro que também a retribuiu carinhosamente.
