Capítulo 6 – Velhos e Novos Amigos
Aquele dia Dave acordara mais apreensivo do que no dia anterior, quando ganhara sua primeira insígnia. Se naquela ocasião ele nem se lembrava do maior evento do dia, dessa vez ele sabia muito bem o que deveria acontecer. Assim que recebesse alta, Pidgey e ele travariam uma batalha e, caso Dave conseguisse vencê-lo, ele seria o mais novo membro de seu time. O menino se lembrava mentalmente da conversa que tivera com o Pokémon no dia anterior, e de como ele se recusara a entrar em sua Pokebola sem antes travar uma batalha. Aquele passarinho é invocado.
O menino abriu os olhos de uma só vez, como se já estivesse acordado há bastante tempo e se levantou sorrateiramente para não acordar Eevee. Desceu as escadas do beliche com todo o cuidado do mundo, pois não queria nem imaginar o que poderia lhe acontecer se interrompesse o calmo sono de Mindy. Acho que ela corta minha cabeça fora se eu a acordar, ria-se o menino enquanto vestia sua jaqueta verde costumeira e se esgueirava para fora do quarto.
O sol parecia estar em seus primeiros movimentos do lado de fora, se levantando aos poucos e iluminando a cidade. Depois de lavar o rosto, ele se encaminhou para o hall de entrada do Centro Pokemon e percebeu que não estava sozinho como imaginara. A enfermeira Joy já se encontrava no balcão, e veio sorrindo ao encontro do menino.
- Bom dia, Dave. Sabia que você ia acordar cedo. – Disse ela enquanto se aproximava – O Pidgey também acordou a pouco, e posso te dizer que ele esta 100% mais uma vez. Ele está agitadíssimo com a batalha!
- Bom dia enfermeira. Ele já acordou? – disse o menino, entusiasmado – Então já podemos batalhar?
- Claro – disse ela, rindo um pouco – imaginei que você não fosse querer esperar nem um minuto.
Joy se encaminhou imediatamente para a enfermaria onde Pidgey descansava, mas Dave ficou ali, parado, ansiando pela batalha. Eevee ainda dormia no quarto, mas o menino não se importava muito, já que, desde o dia anterior, havia se decidido por lutar com Sandshrew, na tentativa de surpreender o seu adversário. Pidgey se mostrara destemido, determinado e com uma grande necessidade de se testar. Ele tinha vigor e seria uma grande adição ao time de Dave, mas era exatamente por isso que ele não podia aceitar o convite do menino de cara. Ele tinha mais do que provar o valor do seu possível treinador. E era nisso que Dave apostava. Ele queria ver até que ponto aquele Pidgey, por enquanto selvagem, podia ir com seu vigor. E para isso ele precisava de estratégia.
Dave resolvera esperar no hall enquanto a enfermeira traria seu adversário, e foi uma surpresa quando a porta automática se abriu e o pássaro passou voando rapidamente por ele, saindo para a cidade pela porta principal do centro. Uow, ele é rápido... pensou o menino, enquanto se encaminhava para onde o Pokémon tinha saído. Joy veio um pouco atrás, explicando que oferecera um local para batalhas, mas Pidgey queria lutar em uma ambiente natural, como um Pokémon selvagem de fato.
- Tudo bem, assim é melhor... – respondeu o menino, mal ouvindo a explicação da mulher devido à ansiedade.
Ao sair, ele viu seu adversário esperando voando bem no meio da rua. Devido ao horário, decidiram lutar ali mesmo, já que o movimento de carros e pessoas era nulo. O sol recortava os altos prédios e casas e desenhava um horizonte diferente do que Dave estava acostumado, mas ele não tinha tempo para apreciar a vista. Ficara repentinamente nervoso ao reparar que ali, no meio do asfalto, Sandshrew iria ter dificuldades para cavar. O ataque de areia também estava fora de cogitação. Pelo visto sua estratégia fazia parte do passado e agora ele teria que lutar apenas usando seu instinto.
Ele sacou sua pokebola enquanto tinha seu olhar fixo em Pidgey. O Pokémon retribuía sem piscar e Dave pensara ver um breve sorriso surgir no rosto dele. Aparentemente ele gostava daquilo.
- Vai Sandshrew!
- Pidge! – O Pokémon não esperou nem Sandshrew entender o que estava acontecendo e mergulhou para um ataque rápido. O ataque o atingiu em cheio e Sandshrew deu uma cambalhota para trás, mas caiu em pé, enquanto seu atacante retomava altura do vôo.
Rápido e impetuoso, como eu imaginava... concluiu o treinador se ao menos eu pudesse cavar...Enquanto Dave lamentava sua estratégia inutil, Pidgey preparava para um novo ataque rápido. Sacudindo a cabeça, ele voltou a se focar.
- Cuidado com a velocidade dele Sandshrew. Espere sempre o meu comando.
Pidgey mergulhou e, bem na hora, Dave ordenou a evasiva. O movimento foi bem executado, e o pássaro errou o ataque por muito. Ele tentou mais uma vez, mas Dave também repetiu o procedimento. Na terceira vez, entretanto, o treinador ousou mais. Esperou o adversário ganhar velocidade, e logo em seguida deu uma ordem diferente.
- Giro rápido, agora!
Sandshrew tomou formato de bola imediatamente e começou a girar incrivelmente rápido, pegando impulso no chão e indo contra o ataque rápido de Pidgey. Os dois se chocaram no meio do caminho, mas o pássaro havia levado a pior. Sofrera o ataque diretamente no rosto, e em velocidade dobrada, já que estava indo de encontro à Sandshrew. Para completar, seu ataque ainda acertar a parte da casca dura do Pokémon terrestre, o que, alem de aliviar o impacto para o adversário, aumentava o impacto para o pássaro.
Dave por sua vez ficará surpreso com a rapidez em que Sandshrew entenderá e executará suas ordens. Ele já havia visto reações rápidas com Eevee, mas não como aquelas. Era como se o Pokémon já soubesse o que teria que fazer desde o ínico.
- Ótimo trabalho Sandshrew! Agora, vamos acabar com isso com a investida.
Pidgey se recuperara a tempo de escapar do ataque, mas estava visivelmente abalado. Seus movimentos já não tinham a mesma graça e fluidez, e, por isso, Dave insistiu no ataque.
Cansado, o pássaro ganhou altura e tentou se aproveitar da vantagem de possuir suas asas. Rapidamente ele começou a batê-las mais rápido, criando um pequeno tornado que vinha na direção de Sandshrew. Dave percebeu que não tinha tempo para se desviar.
- Cuidado! Entre em formação defensiva!
O Pokémon se encolheu em seu formato de bola mais uma vez, sendo carregado para o centro do pequeno furacão. Ele girou umas duas ou três vezes em alta velocidade, e foi jogado para o alto quando este perdeu força.
- Use o giro rápido no ar Sandshrew! Gire para diminuir o impacto!
O Pokémon utilizou o ataque mesmo sem esperanças de atingir Pidgey, e quando caiu no chão, a velocidade em que girava diminuiu consideravelmente o impacto da queda. Ele rapidamente voltou a forma normal, para a surpresa do pequeno Pokémon voador, que julgava ter vencido a batalha. Dave sorriu.
- Você vai ter que fazer melhor do que isso!
- Pidge! – disse o pokemon, mergulhando em ataque de novo. Dessa vez porém ele vinha mais devagar, no que parecia ser um ataque investida em vez de um ataque rápido. Ele estava claramente cansado e afetado.
- Sandshrew, use desvie e use o arranhão!
A velocidade de Pidgey permitiu que o Pokémon de terra pulasse para o lado justamente o suficiente para atingir sua asa com o ataque arranhão. Ele gemeu de dor e parecia ter perdido o controle do vôo se dirigindo ao duro e áspero asfalto. Mas antes que ele atingisse o chão, Dave jogara a pokebola.
A esfera capturou o Pokémon no ar, e caiu com um ponto vermelho vivo no centro, se agitando freneticamente. Pidgey ainda resistia bravamente ali dentro e Dave perdera as contas de quantas vezes ela balançou antes que finalmente parasse. Só então o menino abriu o largo sorriso de satisfação.
- ISSO! Até que enfim, capturei você Pidgey! Bem vindo! – Disse o menino, pegando a pokebola no chão e dando um soco no ar, com a mão que a segurava.
- Muito bem Dave – disse a enfermeira Joy, que observava a batalha em frente a porta de entrada do Centro Pokemon.
- Obrigado! – disse ele se virando para a enfermeira
- Isso ai! Grande batalha Dave!
Dave se surpreendeu com o segundo parabéns, dado por uma voz que ele não viu de onde viera. Virando-se rapidamente para a estrada, ele viu uma silhueta recortada pela luz solar caminhando levianamente em sua direção. Pelo desenho do corpo e o tom da voz, Dave percebeu ser uma menina, mas só depois de ver a cor vermelha dos curtos cabelos que se balançavam ele a reconheceu.
- Mary Jane? – perguntou ele, apertando os olhos para garantir que era ela mesma.
A menina caminhava de óculos escuros e fones de ouvido, com um aspecto relaxado e feliz. Ela tirou apenas um dos fones, o do ouvido direito, e cumprimentou o amigo.
- Dave! Não acreditei quando vi que era você... – disse ela, abrindo um largo sorriso enquanto se aproximava
- Eu podia jurar que você já tinha passado por aqui. – disse o menino, abraçando a amiga e rival
- Pois é eu sei que estou atrasada, mas não me importo muito com isso... – disse a menina, sem deixar o sorriso diminuir – Grande batalha! Um Pidgey é uma grande captura. Tudo bem que eu sou um pouco suspeita para falar, mas...
- Obrigado – disse o menino, rindo – Quem sabe um dia ele não evolui para um Pidgeotto como seu?
- Ou então um Pidgeot – Disse ela animada – Você deveria pensar mais alto menino...
- Um passo de cada vez Mary – disse Dave, recolhendo seu Sandshrew.
- Onde está o Eevee? Queria muito vê-lo – disse a menina, começando a caminhar para dentro do Centro e cumprimentando a enfermeira Joy no caminho.
- Está dormindo no quarto com a Mindy, preferi lutar com o Sandshrew.
- A Mindy também ta com você? – disse a menina, com uma expressão estranha no rosto – Como é que está sendo viajar com uma rival?
- Ah, nós temos nossos altos e baixos, mas acho que está dando certo – Disse Dave, sorrindo. Mary Jane ficou calada, olhando para ele, e ele entendeu que ela precisaria de uma explicação um pouco melhor.
– É que a gente é meio assim – começou ele, tentando achara as palavras certas - Ela é meio... "aaah"...mas eu não ligo tanto sabe...eu sou meio... "ehhh"...
Percebendo que o amigo estava deixando de fazer sentido na mesma proporção em que sua bochecha ficava mais vermelha, Mary Jane, que sempre parecia estar um passo a frente, cortou o menino, passou um braço pelo seu ombro e o conduziu para o sofá do hall de entrada
- Tudo bem Dave, eu entendo, as mulheres tem mesmo esse efeito nos homens...
-Então, é isso... Ei! Espera ai, o que você quer dizer? – disse o menino, sem entender.
- Nada, deixa para lá. – riu-se ela – mas me conta, como tem sido a viagem?
Os dois ficaram ali sentados conversando por um bom tempo . Dave lhe contou da insígnia, e de como Apis, a líder do ginásio, era arrogante. Contou-lhe sobre a Equipe Rocket e seu quase sucesso na ultima tentativa de capturar o Eevee, e também lhe contou detalhe por detalhe da aventura entre Pidgeys e Spearows, o que deixou a treinadora interessada, afinal, ela treinava um Pidgeotto. Mary, por sua vez, contou tudo sobre como havia sido passar por Cardo. Ela relatou que tentara sair da cidade as seis da manhã do dia seguinte ao torneio, mas fora surpreendida pela quantidade de repórteres que estavam acampados em frente a pequena pousada onde ficara. Após dois dias inteiros entre entrevistas e participações especiais em programas de televisão, ela finalmente conseguiu fugir de madrugada, passando sorrateira pelas barracas dos repórteres adormecidos.
- Nossa, teve um menino que me pediu para casar com ele quando eu fosse campeã da liga, acredita? – disse a menina, rindo junto com o amigo – Eu nunca tinha visto ele na vida! Mas ele disse que só casa mesmo se eu for campeã.
- Sério? Não acredito...- Disse Dave, ainda rindo.
- Sério! Me faz até pensar duas vezes se quero mesmo ganhar a taça. Vai que ele estava falando sério... – Disse a menina.
Nesse instante, Eevee pulou em seu colo, cumprimentando a menina.
- Eevee! Como você está?
- Ue, ueev... – respondeu o Pokémon sorrindo.
Ela continuou a acariciar o Pokémon até que ouviu um forte tossido atrás dela, que parecia forçado. Ela se virou e avistou Mindy parada na saída do corredor que levava aos quartos. A menina estava parada de braços cruzados, em uma mistura de surpresa e raiva por ver Dave ali, dividindo risadas com a menina que lhe havia vencido em frente a toda sua cidade natal.
- Vocês estão rindo tão alto, que daqui a pouco vão acordar o centro Pokémon inteiro. – Disse ela, emburrada.
- Ah, desculpe – disse Mary Jane, se levantando – São só amigos botando o papo em dia. Como vai você Mindy?
- Vou bem obrigada – respondeu a morena, ríspida – O que você esta fazendo aqui?
- Acabei de chegar – disse Mary, tentando ignorar a falta de simpatia da menina – Fiquei presa em Cardo por dias...
- Bem feito, se fosse mais esperta tinha se desviado, como nós – Disse Mindy, forçando um sorriso – Nós já ganhamos nossa insígnia e já estamos de saída, não é Dave?
- Bom, é... – Disse o menino se levantando – Mas, eu ainda queria tomar café e tudo mais sabe... – O estomago de Dave roncou – E olha só Mindy, eu peguei o Pidgey.
Mindy lançou a Dave um olhar desaprovação e desprezo pelo comentário, e ignorou a pokebola que o amigo mostrava.
- Nossa, parabéns pela insígnia – respondeu Mary, mais uma vez sorrindo e fingindo não perceber o destrato da menina – Espero ter a mesma sorte de vocês. Para onde estão pensando em ir?
- Para Etton, é claro! É o ginásio mais próximo – Disse ela, como se aquela fosse a única alternativa possível no mundo.
- Direto no ponto não é? Imaginei – Disse a treinadora recém chegada - Eu acho que vou conhecer um pouco a cidade, e procurar um caminho diferente.
Aquilo deixou Mindy chocada. Como ela não iria diretamente para o próximo ginásio? Que tipo de treinadora era ela? Será mesmo que ela queria ir para a Liga ainda este ano?
Diante da perplexidade da amiga, Dave resolveu dar continuidade a conversa. - Nossa! Você sempre me deixando surpreso MJ...
- MJ? – Mindy deixou escapar. Percebendo o deslize, ela rapidamente continuou a falar, abafando seu ato falho – Bom, eu, como quero ir para a liga e ganhar a taça pela cidade que EU represento, vou direto para o próximo ginásio. Se você quiser, pode ir explorar com a "MJ", Dave.
- Mas eu...- começou o menino, mas a menina já estava falando novamente.
- E ai, quantos Pokemons você já tem "MJ"?
Parecia cada vez mais difícil para a ruiva ignorar os diversos ataques de Mindy, mas ela parecia estar lidando com tudo aquilo excepcionalmente bem, como se ela já esperasse que fosse receber esse tipo de tratamento.
- Só o Pidgeotto mesmo – respondeu ela sem titubear – Sabe, eu ainda não decidi se vou colecionar todos os Pokemons que eu achar pelo caminho. Acho que um time forte é mais valido do que um time grande.
Outra vez Mindy parecia em choque, como se o que a menina falasse não fizesse o menor sentido. Isso é mesmo sério? Se recuperando mais rápido dessa vez, ela esboçou um sorriso e disse o que vinha esperando dizer desde que perdera a batalha em Cardo.
- Você fala cada coisa... Que tal irmos lá fora testar essa sua teoria em? Seu time contra o meu, sem limite de tempo – desafiou a morena, surpreendendo seu amigo.
- Claro, não vejo por que não – respondeu Mary, que parecia estar ansiando uma oportunidade de extravasar tudo aquilo que não vinha respondendo a Mindy por respeito e educação.
- Ei, mas espera, não briguem vocês duas. Somos todos amigos, certo? – disse Dave, tentando conter os ânimos das amigas.
- Ueee – lamentou Eevee, com suplica nos olhos.
- Essa será uma batalha entre amigas, não se preocupem – Disse Mary Jane.
Por algum motivo, Dave e Eevee não conseguiam acreditar inteiramente em suas palavras.
As duas se encaminharam lado a lado para os fundos do Centro Pokémon, onde em meio a um circulo de altos arbustos verdes, ficava um campo aberto designado a treinos e batalhas amistosas. A uma distancia segura do prédio do Centro e das ruas da cidade, naquele local poderiam ser travadas violentas lutas, sem por em risco nada ou ninguém ao redor.
Mindy foi a primeira a começar. Ela parecia ansiosa com a chance que tinha para conseguir uma revanche contra sua rival, enquanto Dave e Eevee observavam um pouco afastados.
- Vai Nidoran! – Disse a menina, enquanto Mary Jane ainda sacava sua única pokebola.
Antes, porém, que Pidgeotto pudesse ser liberado, o Pokémon de Mindy teve uma reação inesperada. Olhando para a rua, ao longe, atrás da treinadora que ele deveria enfrentar, o Pokémon venenoso partiu em disparada, atravessando o arbusto que delineava a área de batalhas. Os três treinadores ficaram estáticos de surpresa, observando o pequeno vulto rosa escuro correr na direção do que parecia ser uma moto vermelha parada na calçada.
Assim que o Pokémon chegou perto, a moto arrancou. Seu motorista, porém fez questão de levantar no alto alguma coisa azul que carregava na mão antes de sumir pela rua em alta velocidade. De longe, nenhum dos três conseguiu identificar o que era, mas tinha ficado claro que o gesto tinha sido direcionado ao grupo de treinadores, as únicas pessoas presentes ali àquela hora.
- O que é que acabou de acontecer? – perguntou Dave, surpreso.
Enquanto isso, Mindy partia em disparada em direção ao seu Pokémon, parecendo preocupada.
- Nidoran! Volta aqui! O que é que houve?
Mary Jane, rápida em compreender o que acontecia, liberou seu Pidgeotto imediatamente.
- Pidgeotto siga a moto vermelha. O motoqueiro tem alguma coisa com ele que parece ser importante. Quando ele parar, volte e nos informe de sua localização – Ordenou a menina, séria.
Dave também liberara seu recém capturado Pidgey para sua primeira missão.
- Vá com Pidgeotto e nos diga o que descobrirem!- Disse ele, enquanto corria para alcançar Mindy.
Com Eevee no omrbo, o menino viu que a amiga já havia alcançado o seu Pokémon, que tinha parado de correr no local onde a moto parecia ter feito uma curva e desaparecido da vista dos meninos. Pidgeotto e Pidgey também já tinham sumido no céu, em perseguição.
Ao alcançar a companheira, que estava agachada falando com seu Pokémon, ele se abaixou ao seu lado, enquanto Mary Jane guardava alguns passos de distancia, observando tudo a sua volta.
- O que houve Mindy? Que é que ele tem?
- Não sei – disse a menina, em uma mistura de preocupação e desconsolo – Eu não sei o que deu nele. Ele parece com raiva e está muito agitado.
Eevee estava agora falando com Nidoran, que gesticulava nervosamente, enquanto apontava com a pata para a direção em que o misterioso motoqueiro havia sumido. Eevee parecia entender tudo e concordar ele. Em instantes ele também estava gesticulando e apontando para que os meninos seguissem naquela direção.
- Tudo bem Eevee, calma. O Pidgeotto e o Pidgey já vão voltar e dizer onde ele está. – disse Dave, enquanto Eevee o puxava pela borda da calça.
Assim que ouviu o nome do Pokémon de sua rival, porém, Mindy não se conteve.
- Olha só, que é você pensa que está fazendo? – Disse ela, se levantando rápido e se virando para encarar a ruiva.
Dave rapidamente se colocou na frente da amiga, tentando acalmá-la. A ansiedade pela batalha com a rival misturada com o comportamento estranho de seu Pokémon estavam deixando ela sem controle sobre si mesma.
- Olha, se você não quiser minha ajuda, eu não ajudo. – Disse Mary Jane, pela primeira vez se mostrando ofendida. – Eu só queria ajudar seu Pokémon.
-É Mindy, olha para a cara do Nidoran. Você não vai negar ajuda não é? – completou Dave, antes que a menina pudesse dar uma resposta mal criada.
Olhando o desconsolo no rosto do pequeno Pokémon de chifres, ela viu que qualquer ajuda seria bem vinda, e não teve coragem de fazer o que queria de verdade. Apesar de não suportar a idéia de ser superada mais uma vez por Mary Jane, ela teve que admitir que ela era a mais capacitada naquele instante a localizar o que quer que estivesse afligindo tanto seu Nidoran. Ela fechou a cara e se virou, sem dizer mais nada.
Eles ficaram naquele local por cerca de dez minutos, esperando qualquer sinal dos passaros, e tentando aclamar os nervos de Nidoran, que não conseguia ficar parado. Mindy chegou a tentar recolhe-lo, mas ele se desviou duas vezes do raio vermelho da Pokebola, deixando claro que ele queria participar ativamente da busca. Em pouco tempo, os pássaros voltaram a aparecer no céu, chamando os treinadores. Pelo que parecia, o motoqueiro tinha finalmente parado, e Pidgeotto tinha feito, mais uma vez, um bom trabalho para localizá-lo, dessa vez auxiliada por um Pokémon de sua espécie.
- Ótimo trabalho! Agora nos leve até ele – Disse Mary Jane.
O grupo saiu em disparada atrás dos pássaros que guiavam o caminho. Eles seguiram até o final da rua em que estavam e viraram a direita em um pequeno beco que eles não tinham notado que existia. Pelo visto os guias conheciam até alguns atalhos para o destino dos meninos. Eles correram pelo corredor estreito entre dois altos prédios, que daria em uma rua mais a frente, mas quando Nidoran, que liderava o grupo, saiu do beco em disparada pela calçada, um menino de cabelos castanhos tropeçou nele, caindo bem em frente à saída pela qual eles passavam. O efeito dominó foi inevitável, e antes que pudessem entender alguma coisa, todos estavam caídos, confusos.
- Mas o que...? – começou Mindy enquanto tentava respirar.
Eevee se espremia para sair de baixo da menina, que tinha Dave em cima dela, seguido por Mary Jane. Abaixo de todos só estava o pobre do menino que tropeçara.
- Será que da pra vocês saírem de cima? – gritou ele.
Todos se assustaram com o menino, e, um a um, levantaram pedindo muitas desculpas ao pobre garoto, que limpava os óculos e os ajeitava no rosto enquanto se levantava e sacudia a poeira de seus joelhos e cotovelos, onde alguns arranhões vermelhos podiam ser facilmente identificados. Ele era baixo, e aparentava ter pouco menos de dez anos de idade. Sua camisa branca, antes limpa, também continha vestígios de poeira da calçada contra qual ele estava esmagado, menos de um minuto atrás.
- Tudo bem, tentem só olh... – dizia ele acariciando o cotovelo esquerdo, um pouco mais machucado. Ele ainda não havia reparado nos rostos das pessoas que haviam caído em cima dele, mas, ao levantar o rosto, o menino parou de falar. Isso é muita sorte pensou ele, enquanto seus olhos começavam a brilhar intensamente.
Dave, assim que se recompôs, reconheceu o menino que o havia direcionado a líder de ginásio na manhã anterior.
- Ei! Você é aquele menino que estava lá no ginásio ontem não é?
- Sim sou eu! Eu não acredito que você se lembre de mim! – disse o menino, com brilho nos olhos – Meu nome é Jacob, mas pode me chamar de Jake. Eu sou aluno da Apis, mas sabe, ela não trata tão bem os alunos assim. Tudo bem, que ela é linda, mas sabe, depois de um tempo você perde o encanto e... – Era incrível como o menino começara a falar sem parar. Todos ficaram olhando boquiabertos enquanto ele dava continuidade ao seu discurso aparentemente infinito sobre como a líder do ginásio era linda e estranha ao mesmo tempo e sobre como era treinar com ela todo dia - ... ai eu pensei, sabe, fiquei muito, muito, muito impressionado ontem, sabe, então eu...
Mindy foi a primeira a perder a paciência – Sabe Jake, estamos com um pouco de pressa aqui, e se você nos permite, temos que continuar correndo. – Ela disse isso séria, quase grossa, cortando o menino no meio do discurso e deixando ele um pouco sem ação. Seu Nidoran já estava puxando a barra de sua calça e ela precisava descobrir o que o deixava assim, então, sem dizer mais nada, ela partiu em disparada. Seus amigos partiram em seguida, enquanto se despediam e se desculpavam com o menino.
- Desculpe...temos que ir...tchau! – disse Dave, o ultimo a sair correndo.
Jake ficou ali, parado, observando enquanto olhava o grupo corria pela rua pouco movimentada, guiados pela dupla de pássaros. Então, sem mais explicações, ele acordou de seu devaneio. O que é que eu to fazendo aqui parado?
- Ei! Espera por mim! Para onde vocês estão indo? – e partiu em disparada atrás deles.
Eles foram guiados por entre outros becos e ruas e, à medida que corriam, a cidade ficava mais estranha. Os prédios altos começavam a ficar para trás, dando lugar a pequenas edificações de no máximo três andares, mal pintadas e, em alguns casos, sem pintura nenhuma, em tijolos descobertos. As paredes eram todas, sem exceção, cobertas de piche. As ruas, antes bem asfaltadas, ali apresentavam buracos, e a calçada chegava a ser de terra em alguns pontos. O grupo mal percebera que estava sendo perseguido por Jake, que, por ser menor, se esforçava para não perdê-los de vista. Para onde eles estão indo? Se perguntava o menino, enquanto se esforçava na perseguição. Esse não é um dos lugares mais seguros da cidade...
Em cerca de vinte minutos eles chegaram a um beco largo, quase como um corredor, que dava em uma única porta de madeira velha e gasta. Além de tampar a visão do lado de dentro do edifício de tijolo, ao qual ela servia de entrada, a porta não tinha nenhuma outra serventia, uma vez que, de tão velha, mesmo que trancada não seria capaz de impedir a entrada de ninguém. Na entrada do beco, parada, estava a moto vermelha, estacionada.
- É ali! –gritou Mindy para os amigos que corriam atrás dela, enquanto apontava na direção da porta. A menina nem ao menos parou de correr, entrando no beco e escancarando a porta, que surpreendentemente não se desprendeu das dobradiças.
- Ótimo trabalho! – disseram Mary Jane e Dave, juntos, recolhendo seus pokemons. Mindy não pode deixar de notar a sincronia dos dois, e revirou os olhos com desprezo.
O grupo todo entrou no aposento escuro que tinha como única fonte de iluminação a luz que entrava pela porta escancarada. Eles não sabiam muito bem definir o que era aquele espaço mal construído, ou que serventia ele tinha para a construção toda em si. O chão de terra, as paredes cinza, ainda diretamente no concreto, e os tubos e fios que se penduravam do teto denunciavam que aquilo era uma antiga construção abandonada, de uma área pobre da cidade. Portas inacabadas pareciam levar a outros aposentos, iguais ao de entrada, o que denunciava que o local ainda se estendia para dentro. Espalhados pelo largo cômodo estavam pilhas de sacas de cimento, uma em cima da outra, completamente imundas.
Nidoran correu imediatamente para uma dessas pilhas, do lado esquerdo da sala, e a contornou. De trás dela os meninos ouviam um choro agudo e baixo do que parecia ser uma criatura triste. Quando Mindy correu para ver o que seu Pokémon perseguia tão desesperadamente, ela não pôde conter um sorriso.
- Uma Nidoran fêmea! – se surpreendeu a menina com brilho nos olhos – Coitada! Quem é que fez isso com você?
A resposta para a pergunta de Mindy não demorou a ser respondida. Do outro lado do aposento, de trás de uma pilha maior de sacas, saiu um pequeno Cubone, que lançou seu osso na direção da cabeça de Dave, que foi pego de surpresa. Enquanto isso, um homem de cabelos brancos saia de trás de outra pilha, bem na frente dos meninos. Ele empurrou Mary Jane que também caíra e agarrou o surpreso Eevee, que não sabia mais para que lado olhar.
- Ei! Volta aqui! Devolve meu Eevee! – Disse Dave, enquanto tropeçava e caia no chão, tonto pela pancada.
- UE! – gritou o Pokemon, enquanto tentava morder as mãos de seu raptor. Ele, entretanto, já havia ajeitado seu aperto, e suas mãos estavam fora do alcance da boca de Eevee.
Jack passou pela soleira da porta em altíssima velocidade, e se dirigiu para a saída do beco, onde sua moto estava estacionada. Ele estava com um grande sorriso nos olhos. Seu plano havia dado certo. Logo ele partiria em disparada pelas ruas e, com certeza, os meninos tentariam segui-lo de novo. Dessa vez, porém ele não se deixaria seguir. Ai era só tomar um caminho diferente e voltar para esse mesmo lugar, onde Jody estava escondida. Eles nunca pensariam em voltar para aquela antiga construção abandonada. Para ele nada o impediria, e era incrível como a sorte o tinha favorecido.
Pelo menos até aquele momento.
A poucos passos da saída do beco, com um grande sorriso estampado na cara e tentando ignorar a luta de Eevee para se libertar, Jack se virou para chamar seu Pokémon de volta para a Pokebola. Ele estendeu a pequena esfera branca e vermelha e começou a falar, mas, de repente sentiu alguma coisa que não esperava. Ele esbarrou em algo que, a menos de um segundo, não estava ali, e, antes que pudesse tomar ciência, o homem estava dando cambalhotas no chão juntamente com seu obstáculo. A Pokebola voou de sua mão, e obviamente, Eevee se libertou. Ele não estava entendendo nada, até que ouviu um grito.
- SERÁ QUE DA PRA SAIR DE CIMA DE MIM! - Jake estava, de novo, esmagado contra o chão, com alguém que ele não conhecia em cima dele. Ele mal entrara no beco atrás de Dave e Mindy quando se deparou com alguém correndo e olhando para trás. – Será que ninguém ensinou que você tem que olhar por onde você corre?
Tonto e sem entender, Jack tentou se recompor o mais rápido possível, mas já era tarde de mais. Eevee havia se soltado de seu braço e corria de volta para a velha porta escancarada. Antes que entrasse por ela, porém, Dave saiu com a mão na cabeça recebendo o amigo, que pulou diretamente para o seu ombro. Mary Jane vinha logo atrás e Mindy veio por ultimo, com a gaiola aberta nos braços, enquanto os dois Nidorans caminhavam um ao lado do outro.
- Onde é que você pensa que vai? – disse a morena, séria.
- Eu vou onde eu bem entender – disse Jack – e vou levar esse Eevee comigo!
- Ah não vai não! – disseram Dave e Mindy instintivamente juntos. Eles trocaram um breve sorriso.
Vendo que o companheiro estava em uma situação difícil, Jody finalmente se revelou, saindo dos aposentos mais adentro da antiga construção e aparecendo pela mesma porta que os meninos tinham acabado de sair. Antes que eles pudessem mostrar qualquer reação, a dupla começou.
- Prepare-se para encrenca!
- Pois quando chegamos o clima esquenta!
- Para trazer ao mundo a devastação,
- Para mostrar a força de nossa nação,
- Para provar que nada que é bom tem valor,
- E rir na cara da verdade e do amor.
- Jody!
- Jack!
- Equipe Rocket está pronta para decolar!
-Então apertem os cintos e preparem-se para lutar!
Ela liberou seu Doduo e, de repente, o grupo de Dave é que estava cercado. Jake encarava perplexo enquanto se postava ao lado de Dave, que estava confuso com sua presença, mas preocupado de mais para perguntar o que o menino estava fazendo ali. O grupo deu dois passos atrás instintivamente, até se chocarem com uma das paredes do apertado beco e perceberem que estavam encurralados.
Essa batalha é minha... pensou Mindy, determinada, dando então um passo à frente. Aqueles dois haviam passado do limite de novo, e ela estava se cansando. – Por que vocês estavam maltratando essa Nidoran? O que é que ela fez para vocês?
- Nós não lhe devemos satisfações menina, mas o encontramos perto da cabana onde estávamos em nosso último encontro. – disse Jody – Foi essa criaturinha ridícula que estragou os nossos planos da última vez. Mas não importa, ela serviu o seu novo propósito bem. – A mulher estava confiante, e decidida a ignorar que a luta que estava prestes a ocorrer também se decorria de mais um plano que não dera certo.
A lembrança do ocorrido veio como um filme tanto na cabeça de Dave e de Mindy. A libertação misteriosa do Nidoran macho de Mindy e a doença repentina de Jack que impediram que Eevee fosse de fato levado a seu antigo dono finalmente fez sentido. Mindy parecia confusa. –Quer dizer que foi essa Nidoran que libertou o meu Nidoran? Por quê?
- Ora, por que ela gosta dele sua menina tola – Disse Jack, rindo – E é por isso que ela foi a isca perfeita para atrair vocês.
De repente tudo fez sentido e todos conseguiram compreender o que estava acontecendo. A equipe rocket estava se vingando da pequena Nidoran e a usando como isca para capturar Eevee.
- Dois coelhos com uma cajadada só...- comentou Jack, com um sorriso forçado.
A morena estava agora ainda mais furiosa e seu Nidoran estava ao seu lado, inquieto e ansioso pela chance de vingar sua amada mal tratada e usada.
- Depois de tudo que vocês fizeram ainda tem a coragem de se aproveitar do sentimento desses Pokemons? Vocês não têm coração? - disparou.
- Não – responderam os rockets em uníssono.
- Então está na hora de vocês aprenderem a não mexer com quem tem! – Disse a menina, apontando para o Doduo de Jody – Nidoran, ataque chute duplo!
A atitude rápida de menina pegou a mulher de surpresa, e, naquele espaço pequeno, ela não teve reação. O pequeno Pokémon venenoso pulou e acertou uma das cabeças de Doduo com as patas. Pegando impulso nessa mesma cabeça, ele chutou também a outra, pegando mais impulso e pulando metros no ar. Mindy já ordenava o próximo ataque.
-Agora, espinhos venenosos!
- Doduo! – disse Jody, enquanto olhava seu cambaleante Pokémon. Jack, entretanto, já estava pronto para rebater.
- Cubone, acerte ele com seu osso bumerangue!
Antes, porém, que o ataque fosse desferido, a Nidoran fêmea se lançou contra o Pokémon terrestre, derrubando o osso que estava prestes a ser lançado de sua mão. Mindy se surpreendeu com a reação daquela pequena, mas brava Nidoran, enquanto cumprimentava ela pela ajuda.
- Ótimo trabalho! Obrigada!
O ataque do Pokémon de Mindy atingiu o confuso alvo, que cambaleou na direção da sua treinadora, antes de tropeçar nas próprias pernas e cair por cima dela, em uma cena comica. Enquanto isso, Cubone havia recuperado o seu osso.
- Cubone, agora ataque!
Mindy se virou, pronta para a segunda batalha, mas logo percebeu que não precisaria se preocupar. Assim que Jack ordenou mais uma vez o ataque, a Nidoran mais uma vez interveio, dessa vez com um forte ataque de chifres que acertou o alvo bem no meio da barriga, enquanto este tentava mirar o osso em seu amado.
- Nossa! Você é incrível!
Cubone se levantou e mirou no pequeno Pokémon azul, mas novamente foi pego de surpresa antes de atacar. O Nidoran de Mindy, mesmo sem ordens, lançou uma chuva de espinhos venenosos no pequeno Pokémon, que dessa vez, caiu tonto e atordoado, completamente fora de combate.
- Nido, Nidooo – disse a Pokémon, pega de surpresa pelo ataque de seu salvador e indo correndo para o lado do macho de Mindy. Os dois se acariciavam como namorados.
Antes que alguém pudesse fazer outra coisa, os rockets rapidamente se levantaram, recolhendo seus Pokemons, e correndo em direções opostas, enquanto cuspiam injurias e diziam que iriam se vingar. Jack subiu em sua moto e disparou, enquanto Jody voltou para dentro da construção abandonada. Dave fez menção de segui-la, mas Mary Jane o segurou.
- Não Dave, isso deve ser imenso, e ela deve ter uma rota de fuga. Você só vai se perder.
Mindy também havia pensado em fazê-lo, mas, apesar de não admitir isso, o comentário de Mary Jane a convenceu de que era inútil. Em vez disso, ela disfarçou o já dado passo para frente indo parabenizar seu Pokémon pela batalha, e agradecer a ajuda da pequena Nidoran fêmea.
- Você foi de mais Nidoran! – disse a menina, acariciando o Pokémon rosa – e você também foi incrível! – dessa vez ela se referia ao pequeno Pokémon azul.
A menina pegou a Pokebola do seu Nidoran, pensando em chamá-lo de volta, mas, assim que a mostrou a ele, ele deu um passo atrás, enquanto seus olhos se enchiam de lagrimas. Sua amada rapidamente se postou entre ele e a treinadora, com um semblante de suplica estampado no rosto. Eles não queriam se separar.
- Eles não querem se separar – Disse Dave, observando a cena.
- Isso não vai ser um problema - disse a sorridente menina – por que eu vou levar essa nidoran comigo também.
Os olhos de Dave se arregalaram ao mesmo tempo em que as expressões dos dois pokemons apaixonados se transformavam em uma de enorme felicidade. Os dois pularam para o colo de Mindy, abraçando a treinadora.
- Bom, acho que isso quer dizer que você aceita... - disse a menina, rindo.
- Nossa, que legal! Você capturou um Pokémon – disse Jake.
De repente, todos ali se lembraram da presença do menino desconhecido. Ninguém ali sabia quem ele era, ou o porquê estava ali. Eles se viraram e olharam para o rosto redondo do menino de oculos, cheios de duvida.
- O que foi? – Disse ele, olhando para os lados como se não entendesse o que estavam olhando.
- Quem é você e o que você está fazendo aqui? – perguntaram Dave, Mindy e Mary Jane, ao mesmo tempo.
- Eu já disse gente, meu nome é Jake, e eu estudava com a Apis, líder do ginásio de Auburn. – disse o menino, também confuso.
- Disso eu sei, mas o que você quer? Por que você seguiu a gente...- começou Dave confuso, procurando as palavras certas – ...afinal, que é que você esta fazendo aqui?
- Sabe o que é – começou o menino, enquanto suas bochechas ficavam mais quentes e seu coração começava a bater mais rápido – é que desde pequeno, sabe, quando eu era bem pequenininho mesmo, eu sempre gostei muito dos Pokemons e sempre quis estudar eles. Minha mãe sempre dizia que eu era muito inteligente para estudar Pokemons, mas eu sempre fui apaixonado por eles, mas paixão de verdade sabe, daquelas que você não larga seus bichos de pelúcia Pokémon. Eu tinha um metapod de travesseiro, por que, sabe, aqui tem tudo de insetos Pokémon, mas eu não gosto só deles não, gosto de todos, não tenho preferência sabe. Minha mãe não gosta disso, mas eu disse pra ela que...- Rapidamente Dave se arrependeu de ter dado a chance do menino falar. Aparentemente ele tinha a habilidade de não parar nunca. Mais uma vez foi Mindy que perdeu a paciência primeiro.
- Direto no ponto, amiguinho... direto no ponto... – pediu ela, fazendo uma careta de tédio e impaciência.
- Ah... é , bem me desculpem, é que eu tenho tendência a falar muito quando eu fico nervoso sabe, por que meu pai disse que... - o menino viu o tédio de Mindy se transformando em raiva lentamente no rosto da menina, e finalmente disse o que queria dizer -...é, desculpe, eu estava mesmo querendo saber se eu posso viajar com vocês...
- Viajar com a gente? – Disse Mindy, incrédula.
- Sim. Eu não quero mais estudar com a Apis sabe, ela é arrogante e metida, apesar de muito bonita, nossa como ela é bonita. E como eu disse, eu não gosto só de Pokemons insetos sabe, e aqui é só o que a gente estuda. As propriedades da casca de Metapod, o que faz o Kakuna ser amarelo, as diferenças entre o veneno da Beedrill e da Buterfree... Mas o mundo Pokémon vai muito alem disso. Quando vi a batalha de vocês com a Apis, fiquei impressionado. Ninguem nunca tinha humilhado ela daquele jeito. Ai eu falei com a minha mãe e ela disse que eu já estou chegando mesmo na idade de sair de casa em uma jornada, claro, isso se eu quisesse ser um treinador, o que eu não quero. Nada contra treinadores, mas é que não é pra mim sabe, eu me dou muito melhor com os livros. Uma vez eu tava lendo um de um Professor Carvalho que era fantástico, ele falava de...
- OK, OK JÁ ENTENDI! – explodiu Mindy
- OK? Isso quer dizer que eu posso ir com vocês? Oba! Olha, eu juro que vocês não vão se arrepender! – disse o menino, pulando de alegria. Rapidamente Dave e Mindy, abriram os olhos arregalados. Não fora bem isso que eles queriam dizer – Eu não acredito, podia jurar que vocês iam rir de mim! Muito Obrigado mesmo, mesmo! Mal posso esperar pelas aventuras que a gente vai viver. Dormir em campo aberto, escalar montanhas, atravessar rios, ver inúmeros Pokemons. E vocês devem ter suas pokedex...
O menino continuou falando tão animadamente que Dave não teve coragem de interrompê-lo, e resolveu aceitar que ganhara mais um companheiro de viagem. Mindy parecia prestes a explodir de raiva, mas o menino olhou significativamente para ela e, surpreendentemente, ela entendeu que era melhor deixar essa passar. E assim, eles se encaminharam de volta para o Centro Pokémon.
Sem demoras, Dave e Mindy pegaram suas coisas e se preparam para partir. Jake ficara na entrada com Mary Jane e a enfermeira Joy, ainda muito animado. Em poucos minutos eles estavam prontos e começaram a se despedir.
- Obrigado Enfermeira, por tudo – disse Dave.
- Eu que deveria estar te agradecendo Dave. Você está fazendo um favor para toda a cidade.
Rindo, o menino se virou para Mary Jane lhe dando um apertado abraço, enquanto Jake se despedia da enfermeira.
- A gente se vê por ai MJ! Boa sorte com a Apis.
Mindy abaixara a cabeça ao ver Dave e Mary Jane com tanta intimidade e ela sentiu uma raiva repentina, uma vontade imensa de colocar as mãos no meio dos dois e empurrar uma para cada lado.
- Bom, chega de despedidas não é? – disse ela, puxando Dave bruscamente pelo braço assim que o menino soltou a ruiva. – Mary Jane riu.
- Tchau para você também Mindy. Acho que nossa batalha ficará para depois.
- Sorte sua! – disse ela, se virando em direção a saida, junto com Dave e Jake, seu novo companheiro de viagem.
- Ué, ela não vai com a gente? – perguntou Jake, confuso. – Podia jurar que ela ia com a gente... Por que ela vai ficar? Sabe, uma vez eu também achei que minha família toda fosse viajar junta, mas no final, fui só eu e meus pais, a gente foi para um lugar tão legal, mas tão legal, que...
- Ahh cala a boca! – disse Mindy, pegando o pequeno rapaz pelo braço e carregando ele para a porta automática enquanto todos dividiam altas risadas. Dave e Eevee os seguiram logo depois. Antes, porém de sair para a estrada, Mindy se virou para Mary Jane, dizendo algo que ninguém ali esperava, nem mesmo ela.
- Ei, Mary... Obrigada...
