Chapter 2

_Jens...

Chegou à loja de CDs e não ouviu quando o amigo o chamou, estava tão mergulhado em pensamento s sobre aquele homem, que simplesmente tudo passava despercebido sobre seus olhos.

_Jens... – chamou novamente.

O loiro estava entretido com alguns dos CDs que tinham chegado, estava os separando por categoria quando o moreno alto chegou perto dele.

_Terra chamando Jensen. – o moreno alto cutucou as costelas do loiro.

_Ai, Jay. – reclamou ao sentir as costelas doerem.

_Desculpe! – disse o moreno. – É que você nem estava me escutando.

Jensen girou os olhos, mas deu razão ao moreno, afinal estava tão fora de seu corpo que não conseguia prestar atenção em nada, nem ao menos tinha conseguido dormir a noite, apenas pensando naqueles lindos e tristes olhos azuis.

_Então... Vai me contar?

_Contar o que? – perguntou indo para outro corredor, colocando os CDs de Jon Bon Jovi no lugar, lembrou de West ao ver o novo lançamento do cantor. – Será que você pode guardar um desses pra mim? – perguntou antes que o amigo pudesse responder à anterior.

Jared arqueou as sobrancelhas, antes de falar:

_Mas você já tem um desse!

_Não é pra mim. – respondeu, voltando-se para o moreno.

_E pra quem é? Eu sei que o Mark não gosta desse tipo de música! – perguntou curioso, e viu as bochechas do amigo avermelhar-se.

_É pra um menino que mora no mesmo prédio que eu, ele segurou aporta do elevador pra mim, hoje.

_Ta, e porque ele segurou a porta pra você... – ele encarou o rosto de Bon Jovi na capa do cd.

_Ele é um bom garoto, mas não o pai dele... – disse o loiro arrumando agora os DVDs.

_O pai? – Jared encarava o amigo, agora. – Qual é Jen?

_O quê? – perguntou voltando-se para o moreno alto.

_Eu... Você sabe que eu só quero o teu bem não é?

_Jay... – fez uma careta. – Eu só quero ser gentil com o garoto... Ele tem dez ou onze anos, e gosta de Bon Jovi, você sabe quantas crianças têm gosto musical tão bom assim, hoje em dia? A gente tem que incentivar!

Jared girou os olhos e bufou.

_Jen... Eu sinceramente não me importo de você sair por ai conversando com crianças, o problema é que você sempre acaba se apaixonando pelos homens errados, o que eu estou percebendo aqui é o pai... – disse olhando fundo nos olhos do amigo.

_Jay, você está confundindo as coisas, eu achei o menino simpático e eu posso dar um CD pra ele se eu quiser não se preocupe, eu amo o Mark, e estou com ele, se não o amasse não estaria, não é mesmo?

_Hmm... Talvez você pense que o ama. – e saiu deixando Jensen com os próprios pensamentos.

Passou a tarde inteira arrumando os CDs apenas para o tempo passar mais rápido. Não conversou mais com Jared, o moreno estava mais ocupado tentando convidar Genevieve para sair, o que a morena sempre recusava.

_Ela nunca vai aceitar, Jared. – disse quando estavam fechando a loja, Genevieve tinha saído mais cedo, então estavam apenas os dois.

_Mas por quê? – perguntou enquanto via o namorado do amigo entrar, fumando um dos cigarros que sempre carregava no bolso da frente. – Eu sou um cara legal e bonitão.

_Aham... Claro que é. – disse o loiro girando os olhos.

Jared bufou e se afastou, porque Mark tinha abraçado Jensen por trás depositando um beijo no pescoço, fazendo a pele arrepiar-se.

_Mark... – gemeu baixinho. – Eu estou trabalhando... – reclamou.

_Não, você não está... – disse olhando o relógio de pulso. – Seu expediente acabou a meia hora. – disse ainda acariciando de leve o pescoço muito branco.

_É, talvez você tenha razão.

Virou-se para o mais velho, mas antes que conseguisse capturar os lábios do outro, uma voz conhecida ecoou na loja.

_Oi, Jensen!

O loiro afastou-se de Mark rápido demais, e quase caiu quando esbarrou em uma estante, o que o surpreendeu não foi o fato da voz de West ecoar em seus ouvidos, mas sim o pensamento que lhe ocorreu.

"E se o pai dele me vir assim com o Mark?"

Balançou de leve a cabeça, como se assim pudesse reprimir esse pensamento, mas seus olhos logo se focaram no homem alto de olhos azuis que entrava, logo atrás do filho.

_Oi... – respondeu ao menino, mas ainda encarando a face pálida do homem, que lhe retribuía o olhar com mais intensidade.

_Olá, West... – Mark roubou a atenção de todos ao se fazer notar.

_Olá, professor. – Mark levantou as sobrancelhas e o ruivo sorriu. – Mark. – corrigiu-se e o loiro mais velho sorriu abertamente.

Jared apareceu em meio aos vários CDs ao fundo e sorriu para o menino.

_Puxa... – West arregalou os olhos quando o moreno se juntou a eles. – Você é tão grande!

_Obrigado. – Jared gargalhou.

_Hmm, desculpem, vocês já estão fechando não é? – perguntou enquanto se aproximava do filho, e mesmo perguntando para todos não desviava o olhar do loiro, que agora tinha as bochechas tingidas de vermelho.

_Oh, nós podemos abrir uma exceção para você. – respondeu e Jared olhou esquisito para Jensen. – Quero dizer... Para o West, sabe...

_Obrigado. – e sorriu.

West tinha os olhos brilhantes, enquanto estava parado em frente a uma prateleira inteira com os mais variados tipos de CDs e DVDs do seu artista favorito.

_Puxa! – West sorria.

_Ah, não você também gosta desse cara? – perguntou apontando o rosto de Bon Jovi.

_Sim, ele sem dúvida é muito bom. – respondeu sem desgrudar os olhos da prateleira. – As músicas dele sempre falam sobre coisas que as pessoas sentem.

_Hmm...

_Tem uma música dele que é a trilha sonora da vida do meu pai. – comentou e Mark o olhou surpreso.

Jared endireitou-se e voltou toda a sua atenção para o menino, que logo abaixou a cabeça. Misha fingiu não ouvir o que o filho falou, e continuou olhando uns discos, que ele não fazia idéia de quem eram.

West não falou mais nada, o que aguçou a curiosidade de Jensen, mas ele conteve-se.

_E qual é essa música? – Jared perguntou, mesmo recebendo um cutucão de Jensen em seguida.

_Lonely Is The Night. – respondeu apontando a música em um dos CDs que Mark nunca se interessou em ouvir.

_E por quê? – dessa vez, Mark é quem estava interessado.

_Vamos, West. – a voz fria de Misha fez todos olharem pra ele de repente, o semblante sério do homem os fazendo perceber o quanto tinham ido longe demais. – Eles precisam fechar, e você ainda não fez a sua tarefa.

Não esperou resposta, apenas se dirigiu a porta, o filho correu atrás dele, mas antes que ele passasse pela porta a voz de Jensen soou insegura.

_West. – chamou, o menino se virou pra ele. – Eu guardei isso pra você.

Jensen pegou o CD que estava embaixo do balcão e foi até os dois que esperavam na entrada. O menino pegou o objeto da mão do loiro e sorriu.

_Eu não sabia que já tinha saído esse CD. – os olhos se voltaram agradecidos para o olhar verde do loiro. – Obrigado, Jensen.

Jensen sorriu e bagunçou o cabelo do menino, que fez bico.

_Você também tem essa mania?

_Que mania? – perguntou olhando atentamente o menino que tentava, em vão, arrumar o cabelo que ele tinha bagunçado.

_De ficar passando a mão no meu cabelo! – respondeu. – Meu pai também é assim.

Jensen olhou o moreno que passou a mão pelos próprios cabelos ao sentir o olhar verde queimar em sua pele. West saiu, e parou ao lado do carro do pai.

_Obrigado, e volte sempre. – disse o loiro.

_Não, obrigado você, Jensen.

Surpreendeu-se, de todas as pessoas do mundo, jamais esperava ouvir aquilo do pai de West, afinal o moreno não era muito comunicativo, e falava o menos possível.

_Por quê? – perguntou, tentando ouvir mais daquela voz rouca e prazerosa.

Misha sorriu.

_Por ontem, na rua... – respondeu. – E também por nos atender agora, quando o seu expediente já tinha acabado.

_Como...?

_Eu vi o seu turno no quadro, do lado esquerdo das prateleiras... – respondeu. – São 18hrs00min, você deveria ter saído há quarenta minutos. – sorriu.

_Ah... Bem, tudo acontece por algum motivo, não é? – e ele logo se recriminou.

_É... Pode ser. – respondeu e deu as costas indo para o carro.

Jensen encostou-se na porta vendo o homem entrar no Audi A8.

_Jens... – ouviu quando West chamou e voltou sua atenção ao menino. – Será que você pode me ajudar com as tarefas mais tarde?

_Claro. – e sorriu.

_Então eu vou te esperar. – disse, e Jensen imaginou se Misha estaria pensando a mesma coisa. – A gente pode colocar Bon Jovi pra tocar bem alto. – disse sorridente.

_Mas o seu pai vai...

_Meu pai não vai estar em casa, não se preocupe Jens. – disse.

_Tudo bem, então. – respondeu, e ninguém além de Jared foi capaz de notar o tom de desapontamento que aquela frase tinha.

_Vamos, West. – a voz de Misha estava abafada, por ele estar dentro do carro e o filho ainda estar com a porta aberta conversando com o loiro.

_Então, tchau Jens. – acenou com a mão e fechou a porta.

Misha não demorou em dar a partida, mas o que Jensen não viu, foi o moreno olhá-lo através do retrovisor. Suspirou e entrou na loja, onde Mark e Jared comentavam sobre quem Misha era.

_... empresário daquela... Collins&Beaver. – disse o moreno alto. – Parece que eles trabalham com comércio exterior.

_Ah, mas ele não parece ser comunicativo... Eu quero dizer... Sabe, você viu. – Mark encolheu os ombros ao falar.

_É... Nisso você tem razão. – foi à vez de Jared opinar.

Jensen passou por eles, mas não deu atenção ao que falavam, apenas pegou sua mochila e disse que já estava indo.

_Hey, eu vim aqui para te ver... – Mark disse deixando Jared e indo atrás do loiro. – Você vai pra casa? A gente combinou que ia namorar um pouco hoje. – sussurrou a última parte.

_Me desculpe, Mark... Eu não estou com cabeça pra isso, hoje.

_Jens... – falava baixo, para que o moreno que fechava o caixa não escutasse. – Já faz quase um mês que a gente não...

_Mark, você está comigo só por causa disso?

_Não, eu estou com você porque eu gosto da sua companhia e gosto de você... – respondeu.

_Então você pode esperar mais um pouco... – disse pegando a chave para fechar a porta da loja. – Você não vai morrer por causa disso.

E Mark ficou lá embasbacado, enquanto Jensen saia pela porta dos fundos, sendo acompanhado por Jared.

_Tudo bem, então. – disse para si mesmo.

Chegou perto dos dois que estavam na frente e enlaçou sua mão com a de Jensen que olhou pra ele. Apenas sorriu, e viu o loiro dar um sorrisinho e encostar a cabeça em seu ombro.

_Eu vou te levar em casa. – disse Mark.

_Tudo bem, eu vou adorar passar esse tempo com você... – disse para o namorado. – E... Mark?

_Sim?

_Amanhã eu estou livre o dia inteiro, é minha folga. – disse e o sorriso que estava na face do outro dobrou de tamanho.

_Então eu passo na sua casa amanhã.

_Eu vou esperar.

Alguns minutos depois, Jared despediu-se, pegando o caminho que o levava para casa. Apenas os dois continuaram. Mark contava como tinha sido o dia, quantas crianças tinham feito novos desenhos, quantas tinham ficado de castigo, Jensen ouvia tudo atentamente.

_E o West? – perguntou de súbito.

_O que tem ele?

_Como ele é na sala de aula?

_Ele é um ótimo aluno, muito esperto pra idade, mas ele é responsável demais... – disse. – Ele não brinca muito, então... Como as outras crianças ficam correndo e brincando, ele quase não faz amizade. – suspirou.

_É uma pena, ele é muito inteligente, e conversa bem... – disse. – Ele é um amor.

Mark sorriu.

_Eu confesso que fiquei embasbacado quando ele perguntou se nós éramos namorados... – comentou.

_Eu também. – lembrou-se o loiro. – Pareceu tão natural, eu pensei que ele faria perguntas, como qualquer outra criança faria, mas ele apenas disse: 'Oh, então ta, eu pensei que eram mesmo...' – Jensen tinha os olhos verdes voltados para um casal em um dos bancos da pracinha que estavam passando na frente.

Mark ria, lembrando da cara de espanto do namorado ao ouvir a resposta do pequeno.

_Onde você se imagina daqui a uns vinte anos, Mark?

A pergunta pegou o mais velho de surpresa, e ele coçou a cabeça como se estivesse pensando naquilo apenas agora.

_Eu não sei. – respondeu. – Mas eu espero poder estar do seu lado.

Jensen sorriu para ele, tentando esconder como achava que ele estava errado.

_Eu não consigo me ver com você daqui vinte anos... – sussurrou para si mesmo. – Parece não combinar.

_O que parece não combinar? – perguntou já que não tinha ouvido a primeira parte.

_Hmm? – recriminou-se por ter falado alto. – Ah, uns CDs novos que chegaram... – Mark fez uma cara esquisita como se não tivesse entendido. – Tipo o cantor mudou o ritmo das musicas dele, e não combinou, porque eu acho que o outro estilo era melhor... – disse tentando se livrar do olhar do outro.

_Ah...

Não conversaram sobre mais nada, chegaram à frente do prédio e Mark disse que levaria Jensen até a porta, ele concordou.

No elevador o silencio era esmagador, como se não tivessem nada pra falar, e de fato Jensen estava mais perdido em pensamentos do que interessado em conversar com o homem ao seu lado.

A porta do elevador se abriu e Jensen arregalou os olhos ao ver o moreno entrar, o cheiro dele inundando todo o ar dentro do cubículo.

_Vai subir? – perguntou Mark.

_Sim. – respondeu sério.

Mark apertou o botão que levava ao andar do apartamento de Jensen, que coincidentemente era o mesmo de Misha.

_Você trabalha na Collins&Beaver? – perguntou Mark tentando puxar assunto, pois já sabia a resposta.

_Na verdade... – respondeu. – Eu sou dono de setenta por cento, dela.

Mark engoliu em seco e deu um sorrisinho amarelo.

_O seu filho está sozinho senhor Collins?

Misha virou-se para Jensen, que só agora tinha conseguido coragem para se dirigir ao moreno.

_Sim, ele disse que estava esperando por você. – respondeu. – Me chame de Misha, por favor, Jensen.

O loiro sorriu.

Mark contraiu o maxilar, mas controlou-se para não acertar o rosto bonitinho de Misha. Jensen viu a expressão do namorado e agradeceu quando as portas se abriram, revelando que já tinham chegado ao destino.

Misha foi o primeiro a sair, nem ao menos se despediu dos dois. Jensen foi logo atrás com Mark o seguindo. O moreno parou em frente à porta e fingiu procurar a chave nos bolsos, queria saber se eles eram mesmo namorados.

Jensen parou na porta ao lado, e Mark o segurou pelo quadril enquanto colava seu corpo ao do loiro que encostou-se na porta fechada. Quando o loiro mais velho ia colar sua boca na de Jensen, Misha deixou a chave cair propositalmente.

Os olhos verdes de Jensen foram parar em Misha e ele viu que o moreno o olhava também, mas logo se virou para o chão pegando a chave. Levantou-se rápido e destrancou a porta, logo entrando no apartamento.

Não sabia o porquê de ter feito aquilo. Oras o que ele tinha a ver se o seu vizinho namorava o professor do seu filho?

Bufou.

_O que foi pai?

_Nada, West. – e subiu as escadas deixando o filho com uma expressão confusa no rosto.

Tomou um banho demorado, se arrumou e passou o melhor perfume que tinha. Talvez ele só precisasse sair um pouco. Desceu as escadas e sorriu ao ver o filho tentar alcançar um copo no armário alto.

_Deixa que eu pego. – disse.

O menino agradeceu enquanto pegava o suco na geladeira, Misha sorriu.

_Você tem razão, West. – disse de repente e o menino voltou sua atenção para o pai.

_Como? – perguntou, pensando que provavelmente estava escutando coisas.

_Eu vou... Sair com uma amiga lá da empresa.

West ergueu uma das sobrancelhas.

_Você vai?

_Sim. – respondeu, mas antes que pudesse contar quem era a campainha tocou e West correu para atender.

_Oi, Jens... Você veio mesmo! – os olhos brilhavam.

_Você me pediu, então eu vim... – disse sorrindo.

West puxou Jensen até a cozinha e o loiro não conseguiu pensar direito quando viu Misha, bem vestido e perfumado. Lembrou-se que West tinha dito que o pai iria sair e pensou que talvez ele fosse para alguma reunião.

'Quem eu quero enganar afinal? Ninguém se arrumaria tão bem apenas para ir a uma reunião de negócios!'

_Jensen?

A voz rouca de Misha entrou por seus ouvidos, e ele pareceu acordar.

_Ah, oi, senhor Collins. – disse envergonhado.

_Misha, me chame de Misha. – disse ele pegando a chave que repousava em cima da mesa.

West olhava de um para outro, mas talvez só estivesse fantasiando que seu pai ficava com um brilho a mais no olhar quando via o seu novo melhor amigo.

_Hey, Jens... – chamou e só tornou a falar quando os olhos grandes e verdes estavam encarando os seus. – O meu pai vai para um encontro! É uma mulher lá do trabalho dele!

_Encontro? – e talvez sua voz tenha saído alta demais, porque de repente os dois olhares extremamente azuis estavam lhe encarando, e ele sentiu suas bochechas avermelharem-se.

'Meu Deus, o que eu digo agora?'