Chapter 3

_Eu pensei que... – West estava debruçado na mesa escrevendo. – Esquece... – balançou a cabeça com se o que tivesse pensado fosse impossível de acontecer.

_O que? – perguntou o loiro.

Fazia 47min que Misha tinha saído, e o moreno não abandonava sua mente. Ficava pensando se ele passaria a noite fora, ou se por algum acaso ele iria dormir com a mulher com quem tinha saído.

_O que? – repetiu a perguntou e então West levantou aquelas iris azuladas encarando a face do loiro.

_Eu não sei por quê... Mas o meu pai fica... Eu não sei explicar... – disse colocando a mão na cabeça.

_Como assim? Explicar o que?– o coração pareceu dar um salto em seu peito.

_Jens... Você acha que o meu pai... Algum dia, sei lá... Se apaixonaria por outro homem? – perguntou. – Igual você e o professor Pellegrino?

_Por que está me perguntando isso? – não era uma pergunta que ele estava esperando.

_É que... Ele nunca voltou a sair com ninguém depois da mamãe...

Jensen respirou fundo, sabia que a esposa de Misha tinha morrido em um acidente, West tinha lhe contado, mas aquilo definitivamente não era um assunto muito fácil de tratar.

_Ele não saiu com ninguém até agora, porque ele ainda ama muito a sua mãe... E eu não sei se algum dia ele vai deixar de amá-la. – olhou nos olhos azuis e pode ver a mesma intensidade que via nos olhos do pai. – Entendeu? – West acenou que sim e ele continuou. – Talvez, agora ele queira alguém do lado dele... Eu quero dizer... Sabe? Para compartilhar a vida. – sorriu, mesmo que a idéia de Misha com alguém ao lado não o agradasse. – Mas eu não acho que ele escolheria um homem... Quero dizer... Sabe, o seu pai não parece ser como eu e o Mark.

_Ah... Eu sei que ele precisa de alguém, mas eu não quero que ele fique com uma pessoa que eu não goste... Eu acho que, então, ele devia convidar você para sair. – disse colocando o lápis na boca.

_C-como? – engasgou-se com o suco que estava tomando.

Os dois estavam no meio da sala, sentados em cima do tapete felpudo, West apoiando apenas um cotovelo na mesa de centro, enquanto Jensen ao seu lado abraçava uma almofada. Instalou-se um silencio, os olhos verdes e grandes do loiro encarando os azuis de West, apenas a TV se fazia ouvir naquele lugar.

_Você pode vir aqui amanhã também? – o menino perguntou, desviando a atenção de Jensen daquele comentário que tinha feito anteriormente.

_Por quê? – o loiro sorria agora. – Você nem ao menos precisa de mim pra fazer as tarefas!

West tocou a face de Jensen com as mãos pequeninas, fez o loiro encará-lo, e como se fosse um grande segredo sussurrou.

_Eu não gosto de ficar sozinho.

Jensen baixou o olhar, lembrando que tinha prometido para Mark que passariam o dia seguinte namorando, mas sorriu, ligaria para o namorado mais tarde, e explicaria que passaria o dia com o West e que a noite ele poderia aparecer com um bom vinho para eles ficarem um pouco juntos. Mark entenderia.

_Então você é muito sortudo! Eu estou de folga amanhã, vai ser um prazer vir vê-lo novamente amanhã.

West gargalhou quando Jensen começou a fazer cócegas em sua barriga, o menino logo terminou a tarefa, então o loiro foi tentar fazer pipoca para eles assistirem a algum filme.

_Até que não está tão torrada, Jens. – West gargalhava enquanto Jensen tentava conter a tampa da panela que agora, aprecia ter criado vida própria.

O loiro olhou para o menino que examinava uma das pipocas que tinham sido estouradas anteriormente, e sorriu ao constatar, que era verdade, elas não estavam tão queimadas com ele imaginou que ficariam.

Foram pra sala com duas bacias enormes de pipoca, West pegou refrigerante e eles fizeram guerrinhas enquanto o filme passava na enorme TV.

Eram 2hrs16min quando o loiro escutou a chave girar na fechadura. Misha colocou a cabeça pra dentro e a primeira coisa que viu foi Jensen sentado com West apoiando a cabeça em suas pernas. O menino dormia.

_Desculpe. – sussurrou.

Jensen sorriu, e tentou controlar a respiração que de repente pareceu ser insuficiente para sua sobrevivência. Levantou-se com cuidado para não acordar o garoto. Arrumou algumas almofadas e colocou as bacias na cozinha, junto com a garrafa de Coca-Cola.

Voltou e viu o moreno dar um beijo no filho, não pode evitar sorrir ao vê-lo tão carinhoso, mas então os olhos azuis de Misha encontraram os seus, e sentiu suas bochechas avermelharem.

_Obrigado por ficar com ele hoje, Jensen. – a voz arrastada do moreno denunciava que ele tinha bebido um pouco além do que era permitido.

_Você veio dirigindo? – perguntou, sem se importar com a cara de confusão que surgiu na face do mais velho.

_Não, eu... – limpou a garganta. – Eu vim de carona... Katie me trouxe.

_Ah... – Jensen olhou para o menino, que em nenhum momento tinha acordado, mesmo eles voltando a falar em um tom mais alto. – Se você quiser... Eu posso colocá-lo lá em cima.

_Obrigado. – Jensen sorriu e pegou o garoto no colo. – Primeira porta a direita.

O loiro subiu as escadas, o olhar de Misha acompanhando cada movimento seu. O moreno resolveu segui-lo, e pôs se a ir atrás deles. Jensen colocou o menino na cama macia e tirou alguns fios de cabelo que lhe caiam nos olhos fechados. Misha observava encantado, o loiro beijar a testa de seu filho e lhe desejar bons sonhos, mesmo que West não pudesse ouvi-lo.

Jensen virou-se sorrindo, dando de cara com Misha que percorria seu corpo com olhos escuros. Achou que provavelmente estava fantasiando coisas, mas o que aconteceu a seguir não poderia ser fruto de sua mente, por mais fértil que ela fosse.

Os lábios macios do moreno colaram-se aos seus, encarou os olhos fechados do homem a sua frente e só o que pensou foi que não queria que aquilo acabasse. Foi quando abriu os lábios para que Misha aprofundasse o beijo que o moreno se afastou, como se em um acesso de lucidez, ele tivesse percebido o que estava fazendo.

Jensen sentiu os olhos arderem e saiu sem despedir-se, correu pelas escadas e agradeceu logo que alcançou a porta, nem ao menos a fechou. Chegou ao seu apartamento, os olhos marejados, as pernas bambas e o coração descompassado. O gosto dele ainda em sua boca. Tocou com a ponta dos dedos os lábios que a pouco estavam sendo beijados por Misha.

Foi em direção ao próprio quarto, deixando as peças de roupa cair pelo caminho. Jogou-se na grande cama de casal, e que agora parecia grande demais apenas para ele, adormeceu depois de algum tempo, o beijo que trocou com o moreno embalando seus sonhos.

No apartamento ao lado, Misha estava parado em baixo do chuveiro, deixando que a água tirasse todo o torpor que ainda se alastrava em seu corpo.

_Meu Deus... – sussurrou passando os dedos pelos próprios lábios.

Nada parecia conseguir tirar aquele delicioso gosto doce de sua boca. Socou a parede do banheiro, o remorso entrando em sua alma. Saiu do box e parou em frente ao balcão, enquanto enrolava a toalha branca no quadril, as gotas de água ainda escorrendo pelo corpo bonito.

_Desculpe... Não vai mais acontecer... – levantou os olhos, encarando a própria imagem no espelho. – Eu prometo Vicky.

Foi para o quarto e não demorou a se acomodar na cama, e inconscientemente, mais uma vez procurou o corpo da esposa em meio ao vazio do espaço ao lado. Fechou os olhos, mas diferentes de todos os dias dos últimos três anos, não foi sua esposa que se apossou de seus sonhos, neles apareciam apenas olhos incrivelmente verdes lhe encarando.

Abriu os olhos e a claridade lhe feriu a visão.

_O Jensen vai me levar no parque hoje, eu posso?

_Você não tem aula? – falou, ainda sonolento.

_Hoje é sábado pai!

A palavra sábado ecoou em sua cabeça e ele levantou, indo em direção ao banheiro, West o seguiu.

_Por que não vai com a gente?

_Eu? – perguntou, mesmo que estivessem apenas os dois ali.

West levantou as sobrancelhas, do mesmo modo que ele costumava fazer.

_É né! – respondeu, achando que aquela manhã em particular o pai estava mais estranho que o normal.

_Eu não acho que vai ser uma boa idéia. – disse quando as imagens do que aconteceu na noite anterior lhe veio à memória.

_Por quê?

_Você parece mais falante hoje. – comentou.

West deu um risinho e um pouco antes de sair disse ao pai que Jensen o estava ajudando a fazer panquecas.

_Jensen está lá embaixo? – perguntou, mas o filho já não estava mais no quarto.

Tomou um banho rápido, vestiu uma calça jeans escura e uma camisa branca, afinal ficaria em casa, não pretendia sair, de jeito nenhum. Desceu as escadas correndo, os pés descalços não faziam barulho.

_Eu não acho uma boa idéia... – a voz de Jensen entrou por seus ouvidos e ele encostou-se na parede, de um modo que os dois não pudessem vê-lo. – Vai ficar muito bom assim...

_Não, acho que vai salgar muito! – a voz de West fez o moreno sorrir.

Colocou a cabeça para dentro da cozinha a ponto de vê-los misturando uma massa em uma bacia laranja.

_Puxa... Panquecas logo cedo? – os olhos do loiro arregalaram-se, mas ele não disse nada. – Eu acho que posso me acostumar com isso. – brincou, enquanto chegava perto deles.

_Ai, pai... Não vai ser todo dia... E o Jens só veio porque eu pedi... – disse o menino tentando alcançar um dos copos que ficavam no armário.

Misha e Jensen levaram a mão até o armário ao mesmo tempo, o toque das mãos fez os pelos do loiro arrepiar-se, mas o moreno logo puxou a mão e saiu dali dizendo que tinha que fazer algumas anotações para o trabalho.

_Ele está sempre trabalhando... – West reclamou depois que o pai saiu. – Ele bem que podia ir com a gente, ia ser legal se vocês conversassem porque você seria um bom amigo para o meu pai, Jens.

_Está tudo bem, West... – disse, pensando que talvez, não quisesse ser amigo de Misha. – Vamos terminar de fazer essas panquecas?

_Aham.

Misha estava sentado na confortável cadeira de seu escritório, podia ouvir dali as risadas de West e Jensen. O loiro estava muito bonito aquela manhã, reparou, os cabelos estavam molhados, e o perfume que sentiu quando foi pegar o copo parecia ter se impregnado em suas narinas.

Fechou os olhos, deixando que a cena da noite anterior repetisse em sua cabeça. A boca carnuda colada na sua, aquele gosto doce invadindo seus lábios, arrependeu-se por ter se afastado.

Pegou o retrato da esposa que repousava na mesa de mogno, sorriu triste para ela.

_Eu não sei se vou conseguir cumprir minha promessa de ontem. – suspirou pesado. – O que está acontecendo comigo?

Precisava conversar com alguém sobre isso, porque tirar conclusões por si mesmo nunca foi uma boa opção. Pegou o telefone e digitou o número da casa de Jim, talvez o amigo não achasse esquisito ele ligar para tirar algumas duvidas.

"_Beaver falando." – a voz rouca de Jim fez o moreno arrumar-se na cadeira, sentindo-se ligeiramente desconfortável.

_Jim... Eu preciso conversar com você. – disse inseguro. – Quer tomar um café?

"_Tudo bem, Misha. Eu já passo aí, mas está tudo bem?" – perguntou, o timbre preocupado se fazendo notar.

_Eu... Ainda não sei. – respondeu sincero, antes de desligar. Levantou-se dali e correu até o quarto, pegou um tênis qualquer embaixo da cama e um casaco.

Desceu as escadas correndo, chamando a atenção de Jensen e West que agora comiam as panquecas.

_Quer uma, pai? – West perguntou com a boca cheia. – Está muito boa... O Jens colocou queijo derretido dentro. – ele apontava a massa que repousava no pires a sua frente.

_Não, obrigado. – sorriu para eles, e viu quando o loiro abaixou os olhos, visivelmente desconfortável, o pior de tudo é que sabia o motivo pelo qual o loiro estava assim, o motivo era ele próprio, Misha. – Eu vou sair com o Jim, eu não sei que horas vou voltar, mas eu prometo que vou tentar não demorar, e Jensen... – o loiro levantou o olhar até encontrar a face do moreno. – Se você... Tiver algo pra fazer... West sabe se cuidar, mesmo que não pareça e...

_Eu não tenho nada pra fazer hoje, Sr. Collins. – disse.

_Misha. – corrigiu e as bochechas do loiro tingiram-se rapidamente da cor rubra.

_Misha. – repetiu mais para si mesmo, que para qualquer outra pessoa que estivesse ali.

O moreno sorriu, mas antes que pudesse fazer qualquer tipo de comentário que começara a se formar em sua mente a campainha tocou. West foi mais rápido que o pai, e logo Jim entrava na cozinha, acompanhado pelo pequeno.

_Oi, Misha. – o homem cumprimentou.

_Oi, Jim... – viu os olhos do mais velho encontrarem Jensen, que permanecia sentado. – Ah... Esse é o Jensen.

_Oi. – cumprimentou o loiro. – É um prazer conhecê-lo senhor.

_O prazer é meu, Jensen. – disse, sorrindo. – E me chame de Jim, por favor.

_Certo. – concordou.

Conversavam animados. West mais falante que qualquer outro dia, contava a Jim como conheceu o loiro, e tudo o que tinham feito até então, contou até mesmo que ele namorava o seu professor.

O loiro avermelhou-se imaginando se Jim seria preconceituoso, a ponto de pedir a Misha que afastasse o filho dele, não queria ficar longe do menino, porque tinha se afeiçoado muito a ele, mesmo o conhecendo a pouco mais de três dias.

_Ah, então você é o namorado do Mark!

_O senhor o conhecesse?

_Bem... Digamos que... Pra ser sincero, ele foi namorado do meu filho, mas não deu certo. – disse. – O que é uma pena, Mark é muito bem educado e honesto, mas eu fico feliz que ele tenha encontrado alguém como você.

_Obrigado. – sorriu sentindo-se mais a vontade agora.

_Vamos, Jim? – perguntou enquanto tateava os bolsos a procura da chave, mas antes que pudesse perguntar ao filho onde estava West estendeu pra ele o chaveiro. – Obrigado.

O loiro sorriu, tinha visto essa cena tantas vezes, mas nunca deixava de ser engraçada. A habilidade de Misha de perder as coisas era com certeza, algo que o menino já havia se acostumado.

Jensen observou Misha e Jim saírem, e antes que fosse fechar a porta, o moreno voltou e disse-lhe:

_Me desculpe, Jensen.

_Por quê? – perguntou com a voz falha, porque o moreno estava perto demais.

_Por ter te ofendido de alguma forma, ontem à noite. – respondeu. – Eu espero que me desculpe, eu não quero, de forma alguma fazê-lo se afastar de nós... Eu quero dizer, do West, sabe? Ele gosta muito de você e também eu não quero prejudicar sua relação com o professor Pellegrino.

_Tudo bem, Misha. Não me ofendeu, e não vai prejudicar eu ou o Mark. – respondeu e logo viu um sorriso diferente se apossar dos lábios do moreno, não era como se ele estivesse sorrindo espontaneamente, pensou que talvez tivesse dito algo que não devia.

_Vamos, Misha? – a voz de Jim ecoou pelo corredor, e o moreno virou-se na direção dele.

_Estou indo. – respondeu, e então sorriu mais uma vez para o loiro antes de correr em direção ao elevador que começara a se fechar.

Foram no carro de Jim, embora Misha insistisse em pegar o seu. Não demorou em chegarem à pequena cafeteria, que apesar de não ser muito conhecida era a preferida de Misha. Sentaram em uma mesa perto da janela, e antes que Misha pudesse pensar em como começaria o assunto, Jim pegou em sua mão e olhou fundo em seus olhos, deixando o moreno desconfortável, aqueles olhos pareciam ler sua alma.

_Eu sei sobre o que você quer conversar.

_Sabe? – perguntou, puxando a mão de repente.

_Está se sentindo culpado por estar se apaixonando de novo, e quer saber se eu acho que é errado você estar se apaixonado justamente pelo babá do seu filho. – disse convicto de sua teoria.

_Ele não é o babá. – disse, olhando para qualquer ponto que não fosse o homem em sua frente. – Ele é amigo do West.

_Misha, olhe pra mim... – Jim sorriu e pegou na mão do homem, o moreno obedeceu, encarando aquele senhor sábio, que ouvira por toda a sua vida. – Eu não acho que seja errado... Tudo tem uma razão para acontecer, talvez ele seja a pessoa que vai te fazer feliz de novo, meu amigo!

_Ele já tem um parceiro, Jim, e eu não saio com uma pessoa a mais de treze anos. Você acha que ele vai querer alguém que não sabe conversar? Alguém que é tão... Quebrado? – perguntou, vendo o olhar de Jim se fixar em algum ponto da mesa. – E também tem o West... Eu quero dizer... Ele pode até gostar do meu filho, mas ele tem o quê? Vinte e seis ou vinte e sete anos, não está preparado pra ficar com alguém que já tem um filho.

_Misha...

_Não importa o que você diga Jim, sabe que é verdade. É melhor ele ficar com o professor Pellegrino, assim ele vai construir a família que ele quiser.

_Misha você não...

_Jim, e se ele não quiser um filho? Já pensou nisso? Eu não vou abandonar o meu filho só porque estou apaixonado por ele...

_Ele nunca te pediria isso Misha! Será que não percebe o modo como ele te olha, como ele olha para West? – perguntou. – Por Deus, meu amigo, você está vendo tantos problemas, onde há apenas um...

_Um? O Pellegrino? – perguntou.

_Não. – Jim sorriu. – O seu medo, é o único problema.

Longe dali, Jensen corria atrás de West. O sol tinha começado a aparecer e o menino corria entre os brinquedos, o loiro o acompanhando. Sobre os olhares atentos de várias mulheres, eles jogavam bola com outras crianças, quando Mark viu que era o seu loiro que estava ali.

_Jens. – acenou se aproximando.

O loiro olhou na direção em que ouviu chamarem o seu nome, foi quando a bola bateu com força em sua cabeça e ele caiu. Mark correu ajoelhando-se ao lado do namorado. As crianças formaram um circulo em torno do loiro caído, e as mulheres que antes observavam foram até lá ver o que acontecera.

_Jens, está tudo bem? – Mark passava as mãos pelos cabelos, desesperado.

Jensen abriu os olhos e assustou-se ao ver tantas pessoas em volta de si, sentiu a cabeça latejar e colocou uma mão no lugar onde bola tinha acertado.

_Puxa... Conseguiram me acertar em cheio! – brincou, ainda sentindo a cabeça doer.

Algumas mulheres sorriram e Mark passou os dedos pelo rosto do loiro que olhou para o namorado, notando só agora que era ele quem estava ali, por um momento pensou ter ouvido Misha chamar seu nome.

Quando Jensen, Mark e West chegaram ao apartamento, Misha estava sentado, assistindo. Tinha conversado com Jim a tarde inteira e resolveu que contaria ao loiro o que estava sentindo, mas ao deparar-se com Mark e ele de mãos dadas na sua porta enquanto o filho entrava toda a coragem e vontade de falar sobre aquilo deixou o seu corpo instantaneamente.

_Boa noite, Sr. Collins. – Mark cumprimentou sempre gentil.

_Boa noite, professor. – respondeu. – Boa noite Jensen. – disse ao ver que o loiro não lhe dirigira a palavra.

Ficaram alguns minutos conversando, mas logo se despediram, Mark e Jensen encaminhando-se ao apartamento ao lado. Misha fechou a porta e afundou-se no sofá.

_Eu estou velho demais para competir com alguém como ele. – disse alto e não percebeu que o filho escutou.

_Pai...

_Ah... Você estava ai...

_Porque o senhor não foi ao encontro com aquela mulher do seu trabalho?

_O que? Como sabe que eu não...

_Ela ligou hoje, perguntando se estava tudo bem, e porque o senhor não tinha avisado que não ia... – respondeu. – O senhor não gosta dela?

_Não, eu... É difícil explicar. – disse olhando fundo nos olhos do filho.

_Eu entendo... – disse e aproximou-se do pai, beijando-lhe a face. – Durma bem, e não fique até tarde assistindo... Afeta a visão.

Misha sorriu e beijou a testa de West.

_Tudo bem, eu prometo.

West subiu as escadas e como já estava de pijama, subiu na cama e logo caiu no sono. O pai que estava no andar de baixo, dormiu esparramado no sofá, pensando que talvez ele devesse seguir em frente, e dessa vez comparecer ao encontro que marcaria com Katie.

_Jensen... – sussurrou para o vazio da sala.

No sonho o loiro segurava sua mão e dizia que tudo ficaria bem, que não importava o que acontecesse, sempre estaria ali para ele, e mesmo não sabendo o porquê, acreditava em cada palavra que saia da boca daquele anjo.