Chapter 4
Mark enlaçou o quadril do loiro com as mãos, puxou-o mais para si e enfiou o nariz nos cabelos aloirados. Os raios de sol iluminavam parcialmente os corpos enroscados, mas o que aconteceu a seguir Mark nunca poderia esperar.
_Misha...
A voz rouca do loiro se fez ouvir no cômodo, ele gemeu baixinho e Mark se afastou, sentando no colchão macio, pensando que talvez aquilo fosse um pesadelo.
_Jensen? – chamou.
_Mish... – viu as bochechas do homem loiro afoguearem-se, e ainda de olhos fechados o loiro gemeu longamente, dando a entender que seu sonho não podia ser nada além de um sonho erótico.
Mark levantou, não acordou o outro. Enfiou-se embaixo do chuveiro, e deixou que a água gelada tirasse de si a voz de Jensen gemendo o nome de outro homem.
Saiu do apartamento antes que ele acordasse, deixou um bilhete dizendo que ligaria mais tarde, e de fato ligaria, quando estivesse mais calmo. Acima de tudo queria que o loiro fosse feliz, mas Misha estava enganado se pensava que Mark não iria lutar por Jensen.
Estava indo em direção ao elevador quando esta se abriu revelando a figura morena de olhos azuis.
_Bom dia. – cumprimentou, tentando ao máximo não demonstrar o quanto estava machucado por dentro.
_Bom dia, professor. – respondeu o outro.
O moreno passou por ele, indo pra casa, Mark apenas entrou no pequeno cubículo e apertou o botão para poder descer e ir embora. Misha abriu a porta e deu de cara com West lhe encarando, o garoto estava de pijama e segurava um sapo de pelúcia em uma das mãos.
_O que está fazendo acordado? São 9hrs00min ainda... – disse.
_Não consegui mais dormir. – respondeu.
Seguiu o pai até a cozinha e sentou-se em uma das banquetas. Misha tentou cortar algumas frutas para fazer vitamina, mas não conseguia fazer certo. West riu quando o pai, desajeitado, derrubou leite na camiseta.
_Droga!
_Pai, não pode xingar. – disse os olhos arregalados.
_Desculpe. – West sorriu e empurrou o pai para que ele fosse trocar de roupa. – Deixa que eu faço!
O moreno obedeceu, mas prometeu que faria as torradas, West concordou. Quando Misha desceu o filho falava ao telefone.
_Então ta, eu to esperando... – disse agora olhando o pai, que estava com uma camisa branca. – Ele disse que vai fazer torrada, vem rápido!
Misha ergueu uma sobrancelha e antes que pudesse perguntar com quem ele estava falando West apontou na direção da casa de Jensen, e o pai seguiu o dedo do filho, logo arregalando os olhos e pensando que talvez West gostasse de vê-lo atrapalhado, porque era como ele ficava na presença do loiro.
A campainha não demorou a tocar e o menino correu para atender. Jensen entrou na cozinha um tempo depois, a tempo de ver Misha tentando pegar a torrada que provavelmente estava quente demais para se pegar sem as luvas.
_Não vai conseguir pegá-la assim. – disse.
Misha levantou o olhar para o loiro e sentiu a garganta secar, o loiro estava com uma calça jeans justa e uma camisa verde, que na opinião do moreno, ressaltavam os braços do dele.
_Eu não sei se conseguiria pegá-las de qualquer jeito. – disse, logo sorrindo.
_West, vai colocar uma roupa, pode deixar que eu ajudo o seu pai. – o loiro deu uma piscadinha para o menino que subiu as escadas correndo.
Jensen virou-se para Misha e sentiu a face afoguear-se.
_Eu vi o Mark logo mais cedo... – comentou.
_Ah...
Chegou perto da torradeira e pegou as luvas que estavam ali ao lado. Misha observava o loiro pegar as torradas com cuidado e colocar no prato. Foi quando ele virou-se para entregar o prato a Misha que viu como eles estavam perto, podia sentir o hálito de menta do moreno soprar em seus lábios.
Fechou os olhos prevendo o que aconteceria, Misha colocou as mãos fortes no quadril do loiro, prensou-o de encontro ao balcão e Jensen sentiu uma das mãos dele apertar sua pele, por dentro da camisa, então colocou o prato com as torradas de lado.
_Mish... – gemeu baixinho e logo os lábios do moreno fecharam-se nos seus, o fazendo sentir as pernas amolecerem e o chão embaixo de si desaparecer.
Abriu os lábios para que a língua atrevida de Misha pudesse entrar e explorar sua boca. O gosto dele misturando-se ao seu, as línguas entrelaçando-se e os corpos moldando-se, encaixando-se perfeitamente. Era como se tivessem sido feitos um para o outro.
As mãos do loiro foram parar na face do moreno, empurrava-se para frente buscando um contato maior como se apenas um beijo não fosse o suficiente. Misha levantou o loiro para que este se sentasse no balcão, o beijo começava a ficar mais urgente, as mãos de Misha apertavam as costas largas dele e Jensen ronronava baixinho.
O moreno pressionou-se entre as pernas do loiro que deixou um gemido mais alto escapar, enquanto jogava a cabeça para trás, Misha aproveitou para chupar-lhe o pescoço, mas logo voltou-se para a boca carnuda beijando-a com vontade.
_Pai? – soltaram-se ao ouvir a voz do menino ecoar pela cozinha. – O que estão fazendo? – perguntou, já sabendo a resposta.
_West!
Misha afastou-se rapidamente do loiro, que assustado com a aparição repentina quase caiu do balcão que estava sentado. Desceu ao chão, as pernas ainda amolecidas lhe fazendo segurar firme na bancada.
_Pai... – West olhava de um para outro, os lábios avermelhados e inchados dos dois delatando o que estavam fazendo. – O senhor está namorando o Jens?
O moreno arregalou os olhos e Jensen sentiu a garganta secar.
_Não... Nós não estamos namorando. – foi Jensen quem respondeu.
Misha virou-se para o loiro e depois olhou o filho, confirmando o que o mais novo tinha dito.
_Então vocês não podiam se beijar... Eu quero dizer... Só namorados que beijam na boca.
Os dois homens não sabiam o que fazer.
_Ah não ser que... – West encarou o pai e sorriu ao perguntar. – O senhor está apaixonado pelo Jensen, pai?
Misha teve um acesso de tosse repentino e Jensen deu tapas leves em suas costas, West correu até eles e deu um pouco de vitamina para o pai, já que era o único liquido que estava ao seu alcance.
_Puxa está muito boa... – comentou, tentando descaradamente se esquivar do assunto. – Eu vou subir... Ah... Tudo bem? – e foi em direção a escada, mas antes que subisse o primeiro degrau a voz do filho fez com que se voltasse para encará-lo.
_O senhor não vai convidar o Jensen para sair?
_Ele tem namorado, West. – disse e subiu antes de escutar a resposta.
_Mas o senhor estava beijando ele. – e então seu olhar encontrou os do loiro que até aquele momento se mantinha parado no mesmo lugar. – Puxa Jens... Viu? O meu pai é como você e o professor Pellegrino!
_Não, West... Talvez o seu pai esteja apenas confuso. – respondeu e logo empurrou o prato com torradas para o menino.
Misha ainda não tinha saído do quarto, Jensen e West estavam na sala vendo o último show de Jon Bon Jovi quando o loiro perguntou algo que estava lhe incomodando.
_West... – chamou.
_Sim? – olhou para a face do loiro.
_Você... Não achou esquisito ver o seu pai me... Você sabe... Me...
_Beijando?
_É.
_Não... Se for você que vai fazer o meu pai feliz eu vou gostar, porque você é meu amigo e... Bom, sabe aquela vez que eu não sabia explicar como meu pai ficava quando via você? – o loiro acenou que sim, lembrando da conversa anterior que teve com o menino. – Então... É como se os olhos dele ficassem mais azuis e brilhantes, e quando ele sorri pra você... O sorriso dele alcança os olhos... Pode até não significar nada pra você, mas eu conheço meu pai e eu só o vi ficar assim perto da minha mãe e de mim.
_O que você quer dizer com isso?
_Quero dizer que meu pai gosta de você, ele está apaixonado. Só que ele é orgulhoso e medroso demais para admitir. – e sorriu se voltando para a tela onde Jon Bon Jovi começava a cantar outra música.
Jensen pensou que talvez West tivesse razão, mas ele não podia fingir que Misha era o único medroso ali. Sentiu as borboletas se alvoroçarem em seu estomago. Talvez aquela fosse a hora de falar com Mark, e explicar tudo o que vinha sentindo nessas duas últimas semanas.
Não estava apaixonado por Mark, mas isso até mesmo seu melhor amigo, Jared, tinha percebido.
Despediu-se de West, e ligou para o namorado assim que entrou em casa, pediu pra ele encontrá-lo mais tarde, e ouviu Mark responder que iria com uma animação fora do comum. Agradeceu internamente por ser domingo e por não precisar trabalhar, a conversa com Mark seria longa demais.
Estava sentado, completamente encolhido no enorme sofá quando ouviu a porta se abrir, não se levantou, sabia que ele tinha chegado, apenas aconchegou-se melhor e quando Mark chegou perto o bastante para lhe dar um pequeno beijo, desviou a face, deixando que Mark encostasse os lábios em sua bochecha.
O outro loiro suspirou e sentou ao seu lado, apoiou o cotovelo nos joelhos e segurou a cabeça entre as mãos. Ele sabia o que viria pela frente.
_Mark, eu...
_Eu sei... Eu notei. – disse sem deixar o outro acabar de falar. – Mas eu espero que você saiba que eu não vou deixar ele te roubar de mim assim.
Jensen arregalou os olhos.
_Eu não...
_Jensen... – encarou os olhos verdes. – Eu vou lutar por você. Eu sei que a gente pode dar certo... E você deve saber que o Misha nunca teve nenhum envolvimento com outro homem antes...
_Você não sabe, Mark...
_Talvez ele esteja apenas te usando para descobrir novos prazeres... E é claro que você vai se deixar levar por ele... – Jensen tinha os olhos marejados agora e o coração doía. – Até o dia em que ele achar uma mulher mais interessante que você, ou um outro homem!
Mark não media as palavras, machucava o loiro sem se importar, porque achava que a sua dor era maior. Jensen não merecia aquelas palavras, e sua mente lhe acusava constantemente, mas a sua boca não parava de falar.
_Saia da minha casa, Mark! – o loiro tinha se levantado e apontava a porta para o outro. – Agora!
_Boa noite, Jensen! – disse antes de tomar o caminho que lhe era apontado.
_Não é uma boa noite... – sussurrou para si mesmo no vazio. – Você conseguiu acabar com ela.
Afundou-se novamente no sofá. Sabia que tudo estava indo muito rápido, rápido demais, mas ele simplesmente não podia evitar, o seu corpo não obedecia aos seus comandos quando aquele moreno irresistível chegava perto demais.
Amaldiçoou-se por ser tão sensível. E se Mark estivesse certo? E se Misha quisesse somente experimentar e depois jogá-lo fora? Mesmo que West tivesse falado que o pai ficava com um brilho a mais no olhar, como poderia saber?
Misha não parecia o tipo de homem que enganava as pessoas, mas as aparências enganam, e também West era pequeno demais para que ele acreditasse nas palavras do menino, não que ele não merecesse algum crédito, afinal era filho de Misha e o conhecia melhor do que qualquer outra pessoa que tinha contato com o moreno.
Mesmo assim, não podia se deixar levar pelo brilho daqueles olhos, e nem pelo calor gostoso daqueles lábios.
_Oh meu Deus, me dá força! – disse para o cômodo vazio, olhando para cima.
Do lado de fora Mark seguia a pé para casa, no caminho ficava pensando que talvez devesse pedir desculpas, afinal não era assim que teria o loiro novamente. Não deixaria Misha tirá-lo de si, Jensen era seu e de mais ninguém.
Tirou um cigarro da cartela e acendeu com o isqueiro que o ex-namorado tinha lhe dado, nunca em toda sua vida tinha encontrado uma pessoa tão surpreendente como Jensen. O loiro parecia ser uma exceção em um mundo onde as pessoas eram fúteis, egoístas e prepotentes, sabia que o loiro era capaz de tudo para fazer a pessoa que amava ser feliz e realizada.
E ele mesmo já tinha chegado à conclusão de que, o que quer que estivesse acontecendo entre seu loiro e o Misha, não duraria muito tempo. Tinha absoluta certeza que o moreno não era o tipo de homem que ficaria com outro em uma relação séria, o natural de Misha era que ele ficasse com uma mulher.
Pelo menos era o que ele achava, mas não podia estar mais enganado.
Misha era completamente heterossexual, gostava de mulheres, até alguns dias atrás não pensava que poderia sentir o que estava sentindo agora, quando via Jensen, outro homem, mas não se sentia menos homem por estar loucamente apaixonado por uma pessoa fisicamente igual a ele, sempre manteve fixa a idéia de que se apaixonava pelas qualidades e defeitos de suas parceiras, nunca por seus corpos, mesmo sabendo que todas as mulheres com quem tinha se relacionado, eram muito bonitas.
_Oh meu Deus... – sussurrou para si mesmo. – O que eu faço?
Não tinha nenhum problema em estar apaixonado por Jensen, o que o fazia questionar era o fato de estar sozinho tanto tempo. E se ele estivesse apenas carente? Jensen apareceu de um modo inesperado, foi amável com seu filho. Talvez só estivesse confundindo as coisas.
_Não. – respondeu ao próprio pensamento, ele era experiente demais pra saber que não se tratava de carência, sabia até mesmo que não se tratava de paixão, era algo mais forte, algo que estava dominando seu corpo e suas vontades.
Já era tarde, mas mesmo saiu e suspirou quando o ar gelado bateu em sua face, pegou um taxi e deu o endereço do bar que costumava freqüentar com a esposa, ou melhor, com a falecida esposa. No dia do encontro com Katie, preferiu beber sozinho ali, a ir encontrar a moça em um restaurante luxuoso, sentia-se mal por tê-la deixado esperando.
_Eu quero uma dose dupla! – disse ao se escorar no balcão.
_Sim, senhor Collins.
Ficou ali, pensando em tudo que tinha lhe acontecido, era mais de três horas, e ele teria que trabalhar ainda naquele dia. Levantou da banqueta e deu alguns passos vacilantes de encontro à porta, foi quando esbarrou na última pessoa que queria encontrar ali, ainda mais porque se encontrava meio bêbado, porque é o que acontece quando você perde a conta de quantos copos de uísque entornou.
_Misha?
Ela parecia surpresa, mas sorriu radiante para ele, os olhos azuis buscando os dele a todo o momento.
_Olá, Katie. – respondeu, fazendo menção de sair.
A mão pequenina que segurou seu ombro o fez voltar-se para encará-la.
_Você não parece capaz de se guiar para casa... Sozinho.
Ele sentiu o olhar dela percorrer seu corpo, e ficou constrangido.
_Eu... Vou pegar um taxi.
Tinha uma razão para ele não querer encontrar-se com ela, o fato de ficar a sós com aquela mulher lhe dava arrepios, mas de longe eram aqueles arrepios agradáveis, que sentia quando estava no mesmo cômodo de Jensen.
Repreendeu-se por pensar nele, quando nesse exato momento ele poderia estar em uma cama com o professor de seu filho.
_Não se incomode. – a voz dela soava como uma canção aos seus ouvidos, como se ela quisesse enfeitiçá-lo. – Eu posso levá-lo, eu também já estou indo embora.
_Você acabou de chegar, Katie. – disse ele.
_Eu não me importo de ir embora, se for para te deixar bem na sua casa. – ela retrucou. – Eu não vou conseguir dormir, vou ficar preocupada se você sair por essa porta, desacompanhado e desse jeito. – a voz dela ficava cada vez mais mansa.
_É... Você tem razão... Mas eu não quero estragar sua noite, por favor, não se incomode eu sei me cuidar. – disse e virou-se novamente saindo.
Tentava chamar um taxi a todo custo, mas nenhum daqueles malditos carros amarelos parecia vê-lo ali.
_Taxi!
A voz de Kate encheu seus ouvidos e enquanto desviava sua atenção para admirá-la sobre as luzes da estrada, um carro amarelo parou a frente de ambos. Ela sorriu ao notar que ele lhe olhava, meio embasbacado por ela conseguir aquilo tão facilmente.
_Eu tenho facilidade porque ando neles praticamente o dia inteiro, Mis.
O moreno levantou as sobrancelhas ao ouvir o nome ser diminuído, mas nada falou. Ela entrou no carro e o chamou.
_Vamos rachar. – disse com um sorriso que alcançava seus olhos.
_Tudo bem. – disse antes de enfiar-se no taxi.
O caminho inteiro foi marcado pelo silencio de ambos, nem mesmo uma palavra foi trocada. Depois de alguns minutos o taxi parou, mas Misha sabia que não era a sua parada, Katie sorriu e abriu à bolsa pegando algumas notas, Misha colocou a mão sobre a dela.
_Não. – ela olhou fundo em seus olhos. – Eu pago, Katie.
_Mas, eu...
_Eu pago. – sorriu. – Me deixe ser um cavalheiro, sim?
_Tudo bem, mas ainda assim eu te devo uma. – ela disse risonha.
O taxista olhava a movimentação no banco de trás com pouco caso, como se quisesse que a moça loira saísse logo, para que ele pudesse terminar aquilo e receber. Não foi surpresa para ele quando a moça, que ele sabia, chamava-se Katie, debruçou-se inteiramente sobre o moreno capturando seus lábios em um beijo de tirar o fôlego.
Misha assustou-se ao sentir os lábios macios dela contra os seus, e não teve como não compará-lo ao beijo de Jensen. Os lábios dela eram macios e cheios, Katie o beijava com fúria e desejo, mas ainda que fosse bom, não sentia as mesmas sensações que o beijo do loiro lhe causara.
O beijo de Jensen era calmo, sôfrego, como se por toda a eternidade ele tivesse esperado para tocar seus lábios, como se os seus lábios tivessem sido feitos para beijar a boca de Jensen, pois era apenas com o loiro que ele sentia a boca encaixar-se perfeitamente.
Afastou-se dela, olhando para baixo, com vergonha de encará-la. Ela viu que tinha cometido um erro e arrumou a saia justa que vestia antes de sair do carro e acenar para ele, que agora sim tinha coragem de olhar em seus olhos.
_Boa noite, Misha. – mas não ouviu a resposta do moreno, o taxi logo arrancou, deixando-a sozinha para trás. Ela suspirou entrando no prédio que morava.
Demorou mais alguns minutos para ele finalmente chegar em casa, pagou o homem que tinha um ar malicioso agora, muito provavelmente pela cena que presenciara minutos atrás. Misha ignorou-o e entrou no edifício, ainda meio cambaleante.
O elevador não parecia estar se movimentando, parecia-lhe que já estava dentro daquele cubículo por uma eternidade. Suspirou quando as portas finalmente abriram-se no andar em que morava, saiu e parou em frente à porta de casa, logo tateando os bolsos a procura da chave, que ele sabia, devia estar perdida em algum dos bolsos.
Foi quando colocou a chave na fechadura que percebeu que a porta já estava aberta. Entrou desesperado, a lucidez voltando com uma velocidade espantosa. Correu até o quarto de West e viu a cama desarrumada, mas vazia.
_West! – chamou, mas não ouviu nada como resposta, sentiu o peito apertar e seus olhos começaram a arder. – West! – gritou. – Filho!
Foi ao banheiro, ao próprio quarto, à cozinha, revirou todos os cômodos da casa, mas o menino não se encontrava em nenhum deles.
_Jensen! – exclamou de súbito, correndo para a porta e saindo desesperado.
O loiro ria enquanto via o leão e a leoa brincarem na grande tela da sua TV. Ouviu batidas rápidas na porta e correu para atender. Olhou para o relógio e espantou-se, eram quase quatro da manhã, quem poderia ser a essa hora?
Abriu a porta e arregalou os olhos ao ver Misha a sua frente, os olhos marejados. O moreno aproximou-se dele e segurou sua face, sentiu o coração parar naquele momento, teria sorrido se não tivesse percebido o desespero e angustia no olhar azul.
_Jen... Você sabe onde está o West? Ele sumiu!
_Ele está aqui, acordou agora a pouco e me ligou, disse que você não estava em casa. – o loiro deu passagem para o outro. – Ele só não queria ficar sozinho, Misha.
O moreno agachou-se em frente ao filho que dormia no sofá, passou a mão pelos cabelos ruivos do filho, a calma inundando seu coração.
_Eu nunca mais vou deixá-lo sozinho, filho me desculpe. – disse e depois se virou ao outro que de pé observava a cena. – Obrigado.
_Não se preocupe, Misha. – respondeu com um sorriso.
_Não... Por favor, me desculpe eu não deveria tê-lo deixado sozinho e você precisa trabalhar...
_Não foi nenhum incomodo, se é o que te preocupa. – sorriu genuinamente.
Misha levantou e parou em frente a ele, puxou o loiro para si, segurou-o firme em seus braços como se nada no mundo pudesse fazê-lo soltar de Jensen.
_Obrigado... – sussurrou em seu ouvido, fazendo a pele do loiro arrepiar-se. – Muito obrigado por ter entrado na nossa vida.
_Sou eu quem agradece. – retrucou, segurando a face de Misha com as duas mãos. – Por ter me deixado fazer parte da vida de vocês.
Então sentiu a boca de Misha colar-se na sua, e daquela vez ele não fugiu. Oh, não... Ele nunca mais fugiria dos braços daquele moreno.
