Chapter 7

Foi com extrema alegria que Misha voltou do trabalho, eram 21hrs quando chegou, Jensen e West sentados como duas crianças no sofá, olhavam hipnotizados a tela brilhante da TV.

_Oi. – cumprimentou, mas nenhum deles lhe deu atenção, na verdade nenhum notou sua presença.

Sentou-se no meio deles enquanto afrouxava a gravata, só então os dois pareceram notá-lo, West lhe deu um beijo no rosto, já o namorado o abraçou dando um beijo que poderia ser demorado, mas foi interrompido quando o menino ruivo gritou.

_Oh, meu Deus! – as mãos indo parar nos cabelos vermelhos, puxando-os com desespero. – Ele vai morrer Jen!

_Não! – gritou o loiro soltando-se de Misha, que pela primeira vez olhou para a tela brilhante. – Ele era o mais bonito não podia morrer! – Jensen completou, logo olhando de canto para o namorado que bufou revirando os olhos.

_Rei Arthur? – viu Jensen colocar o dedo em frente aos lábios, um sinal claro para ele não falar nada, ainda sem tirar os olhos da tela onde um arqueiro cabeludo morria. – Sério?

_Shhh! – foi a vez de West repreende-lo e Misha se calou, começando a prestar atenção no filme.

Jensen sorriu ao vê-lo compenetrado, esgueirou sua mão até tocar a dele, foi quando o moreno olhou para ele, sorrindo, entrelaçando suas mãos. O loiro sentiu borboletas no estômago, e ali, apenas olhando o sorriso aberto de Misha, as pernas perderam as forças e ele agradeceu por estar sentado, pois do contrário teria caído.

_Eu te amo. – disse.

Simples assim. Já tinha dito mil vezes que o amava, mas algo dentro dele dizia que dessa vez tinha sido diferente, colocou todo o seu sentimento nas palavras, porque uma angústia de repente tomou conta de seu peito, e ele pensou que a qualquer momento se dissolveria em lágrimas.

Apertou sua mão na dele, logo se aconchegando mais ao moreno, a sensação estranha de que iria perdê-lo não abandonava sua mente, mas pensou que talvez só estivesse um pouco inseguro.

O filme acabou e eles foram colocar West para dormir, subiram as escadas, o menino segurando nas mãos de cada um. Abriu a porta do quarto logo se jogando na cama, agarrou-se nas cobertas enquanto o pai lhe dava um beijo de boa noite. Jensen lhe beijou a testa também, lhe desejando boa noite, e o garoto coçou um dos olhos, sinal claro de que o sono havia chegado.

Saíram do quarto de West, fechando a porta, já que, assim como o pai, ele não gostava de portas abertas. Jensen ia comentar sobre o filme, mas Misha o prensou contra a parede, sugando-lhe os lábios com paixão. Perdeu o ar, pensou que explodiria, provavelmente deixaria de existir, porque os beijos do moreno o deixavam assim, neste estado de semi consciência, e sem ar para respirar.

Sentiu o moreno se prensar ainda mais em seu corpo e suspirou, ainda sem conseguir se afastar daqueles lábios que pareciam querer roubar os seus. Colocou uma das mãos por dentro da camisa social que Misha usava, viu quando ele jogou a cabeça para trás contendo um gemido, quando lhe arranhou a pele devagar.

_J-jens-sen... – disse com dificuldade para formar o nome do namorado.

_O que? – perguntou, passando a língua marota pela pele nua do pescoço do outro.

_Vamos para... O quarto... Agora. – disse, enquanto lamentava ter que se afastar dele, mesmo que só por alguns segundos.

Entraram rapidamente, e logo se agarraram novamente, enquanto Misha tentava trancar a porta, para ficarem mais a vontade.

Não demorou a ficarem sem roupa alguma, Misha deitou-se, o loiro por cima dele, beijando-lhe toda a pele exposta que podia. Sentia o corpo convulsionar, não tinha nada no mundo que pudesse afastá-lo do moreno.

Jensen lhe beijou a boca com sofreguidão, enquanto o moreno trocava as posições, colocando o loiro por baixo. Os corpos encaixavam-se perfeitamente. O mais novo enlaçou as pernas no quadril do parceiro, e Misha aproveitou para passar as mãos fortes pela pele desprotegida, enquanto lhe beijava os ombros sardentos.

_Mi-sha! – pediu por ele com desespero.

O moreno não demorou muito para prepará-lo, estavam necessitados demais, e logo se sentiu completo enquanto entrava naquele corpo quente e macio, que o acolhia tão bem.

Jensen não se agüentava, pedia cada vez mais para que o moreno fosse mais rápido, mais forte, o que sempre era atendido. Mas apenas aquilo não era suficiente, começou a empurrar-se contra ele também, sentindo o moreno entrar mais fundo em seu corpo, e então gritou enquanto o corpo convulsionava em um orgasmo enlouquecedor.

Misha com mais algumas estocadas também se sentiu explodir, e logo se retirou do corpo do outro, que ainda com os olhos fechados, apreciava aquele momento com o moreno.

Tomaram banho juntos, e depois voltaram para o quarto. Deitaram-se um de frente para o outro, agarrados por baixo dos lençóis, e enquanto o loiro passava uma das mãos pela face bonita do outro, Misha o surpreendeu.

_Eu quero que você conheça os meus pais! – disse direto.

_O quê? – e sentou-se rapidamente, um leve temor passando por seu corpo. – Mas...

Misha baixou os olhos, talvez estivesse sendo precipitado demais, achando que o namorado estava pronto para assumir uma relação com ele diante da família.

_Me desculpe Jensen... – disse arrependido por ter se adiantado. – Eu não quero...

_Eu não sei, Misha... Talvez os seus pais não aceitem você comigo. – disse inseguro sem ouvir nenhuma palavra do namorado. – E se eles não gostarem de mim? – os olhos arregalaram-se pensando na possibilidade. – Eles vão mandar você se afastar de mim! – disse agora apavorado. – Eu não posso ficar sem você, Mish!

_Ninguém vai te afastar de mim. – disse aconchegando o namorado em seu peito. – Eu nunca me afastaria de você, sem falar que o West morreria se alguém separasse a gente. Ele se afeiçoou muito a você.

Jensen sorriu, erguendo-se até o pescoço do namorado, para depositar um beijo ali.

_Eu só espero que sua família goste de mim. – disse ainda temeroso, mas aliviado, sabendo que Misha nunca o deixaria.

_Não tem como alguém não gostar de você, meu amor. – disse sorrindo.

Dormiram abraçados, sentindo o conforto que é estar nos braços da pessoa amada. O relógio marcava 2hrs da manhã, quando Jensen sentiu algo caminhando em cima dele, abriu os olhos assustado, dando de cara com um menino ruivo que segurava um polvo roxo na mão.

_Desculpe... – disse, ajeitando-se no meio do loiro e do pai, que agora acordado o olhava com cara de sono. – É que... Eu tive um pesadelo. – baixou os olhos, envergonhado.

Jensen sorriu, pegando no queixo do pequeno.

_Tudo bem, querido.

Beijou-lhe a testa, e deu um pouco mais de espaço para que ele pudesse se aconchegar melhor. Não demorou para que dormissem novamente, mas nenhum outro pesadelo os fez perder o sono, agora estavam juntos, e nada os assustava quando estavam juntos.

Jensen abriu os olhos e passou a mão pela cama, sentou-se rapidamente ao ver que estava sozinho no meio daqueles lençóis amarrotados.

_Misha? West? – chamou, mas logo escutou o assovio do moreno.

Foi até o banheiro e não segurou a risada ao ver pai e filho com creme de barbear, o mais velho segurava um barbeador, enquanto West olhava com atenção o pai, o creme espalhado por toda a bochecha.

O menino olhou para o loiro ao ouvir a risada, e Misha o encarou pelo espelho, um sorriso brincando em seus lábios enquanto via o brilho nos olhos verdes do outro.

_Sentiu nossa falta, Jens?

O menino passou a mão pelo rosto, tentando tirar o creme enquanto perguntava.

_Por que vocês não me acordaram? – perguntou.

_Porque meu pai disse: 'Oh não, ele é tão fofo dormindo, não podemos acordá-lo!' – o menino ria escandaloso e Jensen o acompanhou ao ouvir Misha resmungar baixinho.

_Eu não. – disse o moreno de cara emburrada, terminando de se barbear.

Jensen e West riram ainda mais.

Desceram logo em seguida para tomar café, foi quando Misha disse que eles poderiam ir no fim de semana visitar os avós de West. O menino ruivo adorou a idéia, fazia muito tempo que não os via, era a única família que tinha lhe sobrado, já que os pais de sua mãe tinham morrido muito antes dele nascer.

Combinaram tudo, ficariam por lá o final de semana inteiro. Misha sabia que os pais não iriam se opor ao relacionamento dele e Jensen, mas não tinha tanta certeza quanto a sua irmã.

Ela era a mais difícil, mas a amava do mesmo jeito, só esperava que ela o amasse o suficiente para aceita-lo.

Quando a sexta-feira chegou, Jensen mal se mantinha em pé. O nervosismo de conhecer a família do moreno o deixava totalmente desatento.

_Jensen!

Virou-se na direção de Jared que o chamava insistentemente, mas o gigante já tinha desistido de falar com ele. Foi quando o garoto entrou correndo e puxou a barra da camisa dele.

O loiro olhou para baixo encontrando a face rosada e sorridente de West, pegou-o no colo e o menino agarrou-se ao seu pescoço.

_É hoje, Jen! – dizia alto. – Meus avôs vão adorar você! Eu nem acredito que a gente vai mesmo visitá-los.

Jensen sorriu para ele, a insegurança de que os pais de Misha não os aceitassem tomando conta dele, o deixando ainda mais nervoso do que estava anteriormente.

_Ah... – Jared se pronunciou pela primeira vez. – Agora eu sei o porquê de você estar tão fora de orbita. – riu apertando a mão do menino enquanto tirava sarro de Jensen. – Eu também ficaria assim, se tivesse que ir conhecer os meus sogros.

_Não pense que você vai escapar disso, Jared!

Os três olharam na direção de Genevieve, e Jensen olhou para o amigo com uma interrogação enorme no rosto, mas o moreno estava mais preocupado em responder à namorada.

_Oh, meu amor, tenha certeza que eu estou muito ansioso por conhecê-los... – disse com um sorriso torto. – É só você marcar a data e a gente vai.

Jensen levantou uma sobrancelha e franziu a testa.

_Desde quando você está com a Gene?

_E você disse que eu não tinha chance, hein? – disse risonho. – Já faz uma semana, mais ou menos.

_Não é muito cedo para conhecer os pais dela?

_Não. – disse convicto, olhando a namorada de longe. – Eu a amo, ela é a mulher da minha vida, eu iria para o inferno se ela me pedisse para buscar algo lá.

Jensen sorriu, feliz pelo amigo.

_Eca! – e os dois olharam para o menino. – Eu não gosto de garotas, elas são muito chatas! – e fez uma careta.

Jensen e Jared sorriram.

_Vai por mim, todos os garotos da sua idade pensam assim. – disse o gigante. – Mas isso vai mudar depois dos quinze anos. – completou.

West fez uma careta.

_Eu nunca vou gostar delas! Só a Jéssica é legal.

_Jéssica? – o loiro perguntou, olhando o ruivo que agora descia de seu colo.

_É, mas eu só gosto dela. – disse.

_E por que você só gosta dela?

_Porque ela gosta dos mesmos filmes que eu, assiste Pokémon, Naruto e ela sabe jogar vídeo game.

Jensen e Jared gargalharam, enquanto um homem com um cigarro na boca entrava na loja.

_Jensen! Oi. – disse simpático.

O loiro virou-se para encarar o rosto de Mark Pellegrino, e não viu a careta feia que West fez ao ver o professor, que abraçou Jensen, cumprimentando-o.

Jared arregalou os olhos e West puxou os fios de cabelo ao ver pelo vidro, que o pai estava chegando à loja. O gigante olhou para o menino e quando o ruivo pensou em dizer algo, o pai já tinha entrado e encarava os dois homens abraçando-se.

_Jensen?

O loiro afastou-se rapidamente do ex-namorado e não viu a face risonha de Mark, mas isso não passou despercebido pelo moreno de olhos azuis. Misha manteve o controle de suas ações, mas se tivesse cedido à tentação de bater em Mark que não tirava aquele sorriso do rosto, com certeza o loiro mais velho ficaria desfigurado.

_Oi, Misha...

Jensen usou o tom de voz mais manso que tinha, a expressão do moreno mostrava claramente qual era o desejo que ele tinha, sabia que ele mataria Mark se pudesse.

Foi até ele e o beijou nos lábios, Misha viu com satisfação quando o sorriso na face de Mark desmanchou. West, que estava atrás do professor, cutucou Jared que também sorriu para o pequeno. Não é que Jared não gostasse de Mark, mas falando sinceramente, achava que o loiro mais velho não merecia alguém como o amigo, e Jensen estava muito melhor com o moreno.

_Jay, fecha tudo pra mim? – perguntou o loiro.

_Claro. Pode ir viajar com o seu amor.

Jared fez uma expressão engraçada e todos riram, menos Mark, que surpreso com a noticia viu seus planos irem por água abaixo.

_Você vai viajar? – perguntou, como se não tivesse ouvido direito.

_Eu vou levá-lo para conhecer os meus pais. – foi Misha quem respondeu e Jensen apenas confirmou.

_Ah, é que eu estava pensando em levá-lo a uma exposição de arte que está tendo na cidade. – disse, pensando que talvez pudesse fazê-lo mudar de idéia.

_Me desculpe. Mark. – disse o loiro, e completou ao ver a expressão raivosa do namorado. – Eu não vou sair com você, então não me peça para acompanhá-lo nem mesmo até a padaria. Eu estou com o Misha agora, e você me conhece o bastante para saber que eu não sou o tipo de cara que fica com outro, sendo que já tem um perfeito lhe esperando.

Misha olhou para o loiro com um sorriso, as bochechas vermelhas de vergonha pela declaração pública, porque mesmo sem querer as palavras de Jensen atraíram olhares curiosos para o pequeno gripo ali formado.

_Então vocês estão juntos de verdade? – perguntou depois de um tempo com os olhos arregalados. – Quero dizer... É sério mesmo?

_Bom... – Misha puxou o loiro ainda mais para si. – Eu acabei de dizer que vou apresentá-lo aos meus pais, não tem como ser mais sério que isso não é mesmo?

Mark não respondeu, apenas pegou um CD qualquer e levou até o caixa, pagou e foi embora, como se tivesse ido ali, apenas para comprar aquele inútil CD, que jogou fora assim que viu a primeira lata de lixo.

Jensen despediu-se de Jared e de Genevieve, pedindo para a moça cuidar bem do amigo que era muito cabeça-oca, ela riu enquanto Jared fazia uma careta emburrada.

Jared desejou ao loiro uma boa viajem, abraçou Misha e disse para ele cuidar bem do amigo, bagunçou o cabelo de West e logo se desculpou ao ver a cara de bravo que ele fez, mas o menino agarrou em seu quadril, porque Jared era alto demais para ser abraçado pelos ombros.

Entraram no carro do moreno e foram para casa, colocaram todas as bagagens que usariam, e logo partiram, não demorou a chegaram na estrada lisa, o movimento era quase nulo.

Jensen dormiu por toda a viajem sendo acompanhado por West.

Misha olhava de um para outro, mas sempre prestando atenção na estrada. Lembrou do acidente que sofreu com a esposa e pensou que nunca se perdoaria se deixasse aquilo acontecer novamente.

Agradeceu aos céus quando chegou a casa dos pais, pois não houve nenhum tipo de empecilho na viajem. Acordou o loiro com um beijo e viu os olhos verdes abrirem-se, sentiu Jensen sorrir, enquanto ainda o beijava.

_Já chegamos? – o loiro perguntou apreensivo.

Misha sorriu, passou uma das mãos pela face do amado e assentiu. Jensen respirou fundo e olhou para trás onde West ainda dormia profundamente.

_Então vamos lá. – disse tentando sorrir, mas falhando miseravelmente, o nervosismo e a tensão não o deixando relaxar.

_Vai ficar tudo bem, e não se preocupe, eu já contei aos meus pais que você é homem.

_Oh, meu Deus! O que eles disseram? Você me trouxe aqui mesmo eles dizendo que não aceitavam? – as perguntas saiam da boca do loiro sem pausas nenhuma, e o único modo que Misha achou para calá-lo e mantê-lo calmo foi colar seus lábios aos dele.

Jensen ainda manteve os olhos fechados quando a boca foi abandonada pela de Misha.

_Pronto? Está calmo agora? – perguntou.

_Não, eu preciso de mais calmante. – disse, logo puxando o moreno para si.

Beijaram-se mais algumas vezes até o loiro sair do carro, as pernas bambas de nervosismo. O moreno pegou o filho no colo, porque o ruivo ainda dormia. Foi com alegria que viu a mãe acenar para ele, logo vindo em seu encontro e ao do loiro, que nervoso pensou que desmaiaria a qualquer momento.

_Misha! – a mulher sorria grande, e tinha os mesmos olhos do filho extremamente azuis e brilhantes. – West! Como ele cresceu

O menino acordou assim que ouviu a voz da avó lhe chamando. Esfregou os olhos tentando afastar o sono, praticamente pulou no colo dela, beijando-lhe a face cansada.

O avô veio logo atrás, cumprimentou o filho com um abraço apertado e quando viu o loiro o puxou para um abraço também.

_Então você é o homem que conseguiu salvar o meu filho? – o avô de West tinha lágrimas nos olhos.

_Bem, eu diria que foi ele quem me salvou, senhor.

O homem sorriu para Jensen e lhe deu tapinhas amigáveis no ombro, logo dando espaço para a esposa vir cumprimentar o genro.

_Obrigado, meu filho. – disse ela, tão emocionada quanto o marido. – Nem mesmo eu conseguia fazê-lo viver novamente, e agora, até dirigindo até aqui ele veio!

Jensen sorriu para todos, logo sentindo os braços de Misha enlaçarem seu corpo. Entraram e jantaram juntos, conversaram na sala por um tempo e logo foram dormir.

Jensen olhava o moreno pela luz fraca que entrava no quarto pela janela. Sentiu-se feliz.

_Eu adorei os seus pais, e agora eu sei de quem você puxou esse sorriso lindo. – comentou, acariciando a face sonolenta dele.

_E eles amaram você... – disse sorrindo. – A minha mãe disse que você foi uma escolha perfeita, porque além de ser gentil e bondoso, é muito bonito também. – disse tentando imitar o tom de voz sonhador que a mãe tinha usado.

Jensen riu, e o moreno sentiu o coração bater mais rápido. Aquela era à hora perfeita para pedir que o loiro se casasse com ele, amaldiçoou-se por ter deixado a caixinha com a aliança em casa. Iria fazer o pedido assim que chegassem lá.

Jensen dormiu logo, Misha ficou aliviado ao saber que a irmã não era mais preconceituosa, mas não pode deixar de pensar que ela poderia ter se transformado sem precisar sofrer tanto.

A irmã tinha um filho que não sabia ser homossexual, foi um choque para ela ao receber a noticia de que o filho tinha sido morto por um grupo de skinhead, por puro preconceito.

Lamentou não estar presente quando aconteceu, poderia ter ajudado a irmã, claro que não podia devolver-lhe o filho, mas estaria lá para ela se a irmã precisasse.

Dormiu um tempo depois, pensando que agora viveria o presente, porque o passado não lhe era muito feliz para ficar lembrando-se. O fim de semana passou muito rápido, e logo eles tiveram que tomar a estrada novamente.

Jensen conversava animadamente com West, Misha tentava o máximo prestar atenção na estrada, pois desde cedo acordara com uma estranha sensação. A estrada não estava lisa ou escorregadia, mas foi quando Jensen o olhou com desespero que ele soube que não era apenas uma sensação.

A carreta que veio na direção de seu carro estava descontrolada, e ele como em uma última reação jogou o carro na direção contrária, desviando da carreta, mas caindo da ponte.

A água engoliu o carro rapidamente.

Foi com desespero que ele tirou o cinto e tentou soltar o de Jensen, mas o do loiro estava emperrado. Com o coração doendo desistiu do loiro por um momento a fim de tirar o cinto do filho, conseguiu.

West tentava desesperadamente alcançar o bolso da calça, e assim que conseguiu tirou dele um canivete. Misha pegou o objeto e cortou o cinto que prendia o loiro, empurrou a porta enquanto West saia por uma das janelas.

Pegou Jensen, beijou seus lábios a fim de soprar o ar que ainda restava em seus pulmões para dentro dele, porque não suportaria perder aquele homem que o tinha salvado de si mesmo, que o havia feito querer uma família novamente.

Emergiu com o loiro nos braços, West logo veio à superfície também, mas foi com total desespero que não sentiu o pulsar do coração do loiro.