Chapter 8
As sirenes se faziam ouvir em uma distancia assustadora. West olhou pra cima, as luzes giratórias refletiam em cima da ponte, e logo ele pode ver um bote aproximar-se deles.
Olhou para o pai a fim de avisar que estavam salvos, mas seu coração quebrou-se ao ver as lágrimas de Misha se misturarem com a água. O loiro, que o pai segurava firmemente em seus braços, tinha a cabeça jogada para trás e West viu os lábios, que antes eram tão vermelhos, tornarem-se roxos pelo frio que a água causava.
Misha passou a mão pelos cabelos amarelos, que molhados, espetavam para todas as direções. Beijou os lábios frios de Jensen, inconformado. Não conseguia desgrudar-se dele, não podia imaginar sua vida sem ele. Soluçou forte, o coração descompassado, imaginando a vida miserável que levaria.
Sentiu uma mão forte segura-lo, e duas outras , mãos lhe tiraram Jensen dos braços. O homem negro que lhe segurava, falava com ele, mas Misha não conseguia ouvir, os lábios grossos dele moviam-se com desespero e o homem vestido de branco entendeu o que ele dizia assim que conseguiu colocá-lo no bote.
_Jensen... Jensen... – era tudo o que ele dizia.
Viu quando outro homem colocava pressão sobre o peito do loiro, a água que estava nos pulmões saiu pelo canto dos lábios, mas Jensen ainda estava inconsciente.
_Ele está respirando, mas o batimento cardíaco está fraco demais... – dizia. – Vamos ter que levá-lo imediatamente ou ele não vai resistir.
Foi à última coisa que o moreno ouviu antes de desmaiar.
A noticia do acidente já estava em todos os jornais, Mark que estava em frente a uma vitrine de televisores, arregalou os olhos ao reconhecer o corpo de Jensen na maca, enquanto os paramédicos o levavam em direção a ambulância.
_Jensen!
Correu até o carro, desesperado. Quase bateu em uma caminhonete que passava, mas ele simplesmente não conseguia prestar atenção em nada que não fosse algo relacionado ao Jensen.
Não foi difícil achar o hospital em que ele estava sendo atendido, quando chegou lá, Jared e Genevieve estavam na sala de espera. O moreno muito alto parecia uma criança, dos olhos caiam lágrimas incessantes.
_Jared! – chamou e o moreno virou-se para ele. – Você tem noticias? Como ele está?
Genevieve passou a mão pelo braço de Jared, em um gesto de conforto.
_Nós ainda não sabemos de nada, a única coisa que disseram quando chegamos, é que ele ainda tinha muita água nos pulmões, e que o batimento cardíaco estava fraco demais. – foi ela quem respondeu a voz diminuindo gradativamente.
Mark colocou as mãos na cabeça, as lágrimas começavam a inundar os olhos claros, a dor atingindo em cheio seu coração e o medo de perder o loiro era o pior sentimento que já tinha provado.
_Professor...
A voz fraca de West fez o loiro olhar para baixo, o menino parado ao seu lado tinha as mãozinhas nos olhos tentando, inutilmente, fazer cessar as lágrimas que escorriam livremente pela face inocente.
_Oi, West... – disse agachando-se. – Você está bem?
O ruivo acenou que sim e logo se jogou nos braços dele, soluçando forte.
_Meu papai... – disse com a voz angustiada. – Eu não posso viver sem o meu papai e o Jensen!
_Eu sei. – o coração dolorido pelo sofrimento alheio. – Eu sei, mas tudo vai ficar bem. – disse tentando acreditar nas próprias palavras.
Foi quando um moreno fraco, de olhos extremamente azuis entrou na sala. A roupa denunciava que era um paciente, Misha andou até o filho que o abraçou ao ver que ele estava bem. O mais velho passou as mãos machucadas pelos cabelos vermelhos do filho, e dessa vez West não reclamou ao ter o cabelo bagunçado.
Os olhos azuis tristes de Misha encontraram os desesperados de Jared.
_O... Jensen... Ele está... Bem? – perguntou com a voz fraca, uma tontura constante lhe fazendo ver a sala girar.
_ Ele está sim. – mentiu, preocupado com Misha, que ainda estava fraco demais para receber qualquer noticia.
_Você é um péssimo mentiroso, Padalecki. – disse encarando o moreno alto, que sentiu as bochechas avermelharem-se ao ser pego na mentira.
_Nós ainda não temos nenhuma noticia. – disse Genevieve.
Misha baixou a cabeça, e então o sangue começou a escorrer por seu braço e ele caiu no chão branco do hospital, tingindo-o de vermelho. Dois enfermeiros que estavam preenchendo alguns documentos na bancada correram para socorrer o moreno, que estava perdendo sangue por ter tirado a agulha do soro que deveria estar recebendo.
_Ele é muito teimoso! – comentou um dos rapazes.
Levaram-no para o quarto e quando o moreno abriu os olhos novamente perguntou para eles se sabiam algo do homem que estava com ele no acidente. Os dois enfermeiros olharam-se e antes de falarem qualquer coisa Mark entrou batendo a porta, uma fúria escandalosa em suas íris claras.
_Misha! Eu nunca vou te perdoar se ele morrer! – gritou, apontando o dedo para onde estava o moreno. – Não se contentou em matar a sua esposa?
Os olhos de Misha arregalaram-se, as lágrimas tomando conta de seus olhos extremamente azuis.
_Hein? – os enfermeiros olhavam assustados de um para outro, sem saber ao certo o que fazer naquela situação. – Você não o merece, sempre soube desde o começo disso tudo que você ia acabar com ele! – dizia rancoroso. – Mas ele não me ouviu! O melhor para todos era que ele continuasse sendo feliz comigo, eu nunca faria o que você fez! – os olhos de Misha arregalaram-se mais. – Você com certeza matou sua esposa e agora matou o Jensen! – acusou o outro, possesso.
Misha mordeu o lábio inferior até sentir o gosto ferroso de sangue invadir sua boca.
_Você tem razão. – disse e Mark se desarmou porque aquela era a única atitude que não esperava dele. – Mas se eu matei o Jensen... – baixou os olhos. – Então eu não quero mais viver.
_Chega! – um dos enfermeiros interveio. – O homem que estava o acompanhando... Jensen não é? – perguntou olhando uma ficha que estava nas mãos, Misha acenou positivamente. – Ele está bem, está em observação agora, mas provavelmente vai ter alta em um ou dois meses, por precaução.
_Senhor, por favor, se retire, o Sr. Collins precisa descansar. – disse o outro, agradecendo pela discussão ter findado.
Antes de Mark virar as costas para ir contar a Jared a noticia a voz rouca e quebrada de Misha se fez ouvir no cômodo muito branco.
_Espere! – viu quando o loiro se virou, a expressão aliviada depois de ter recebido a noticia do estado de Jensen. – Você ainda tem razão. – e olhou os dois enfermeiros em um pedido mudo para deixá-los a sós, que foi prontamente atendido.
_Como? – perguntou incerto. – Razão do que?
_Eu matei minha esposa... – disse com os olhos baixos. – Indiretamente, mas matei. Eu nunca me perdoei por isso, Mark, e sei que nunca vou me perdoar. – O loiro estava constrangido, nunca pensou que teria aquele tipo de conversa com Misha. – Mas eu sei que eu morreria todos os dias se Jensen morresse por um descuido meu, porque ele é a pessoa que eu mais amo, depois do meu filho. – as lágrimas encharcavam o rosto pálido.
_O que quer com tudo isso?
_Eu quero que você fale para Jensen que eu não o quero mais. – Misha sentiu o coração morrer ao pronunciar aquelas palavras, mas era preciso. Isso deixaria Jensen longe dele, e em segurança. – Diga a ele que não desejo mais ficar ao lado dele, diga que eu pensei que o amava, mas que agora percebo que tudo não passou de uma atração. Diga que para mim, foi apenas diversão.
_Está me pedindo para magoá-lo? – perguntou incrédulo.
_Não... – disse e encarou os olhos de Mark Pellegrino. – Estou te pedindo para consolá-lo, estou te pedindo para ficar com ele, porque você... É a melhor escolha para Jensen, você pode fazê-lo feliz.
_Então prometa que não vai mais procurá-lo quando ele receber alta.
_Eu prometo. – disse.
Mark sorriu grande ao ver o moreno admitindo a derrota, ao vê-lo tão destruído ao notar que ele, Mark, era o melhor. Acenou positivamente e saiu do quarto sem despedir-se, Misha apenas virou-se de lado em direção a janela, a vontade de morrer assolando seu corpo, mas ele precisava ficar bem, porque West precisava dele.
Mesmo assim uma lágrima solitária escorreu pela bochecha dele, mas tudo o que não podia era destruir tudo, como já tinha feito antes com Vicky.
_Por que tinha que ser assim? – perguntou para si mesmo, a sonolência tomando seus sentidos, talvez se não tivesse tão frustrado e amargurado com si mesmo, tivesse ouvido seu coração dizer que não tinha que ser daquele jeito.
Adormeceu, mas não sonhou com nada, não tinha mais nada que pudesse fazê-lo sonhar, pois a única pessoa que podia, ele tinha deixado escapar.
Acordou no dia seguinte e West lhe encarava, como todas as manhãs. Sorriu para o filho e o menino retribui o sorriso.
_O senhor vai poder sair hoje. – disse risonho, feliz pelo pai estar bem, pois a cena que viu na sala de espera o deixou chocado, afinal o pai tinha caído banhado em sangue, isso assusta qualquer um.
_Isso é bom. – comentou, mas não tinha vontade nenhuma de deixar o hospital em que o loiro estava, precisava lutar contra si mesmo, porque a vontade de ver os olhos verdes em si outra vez era sufocante.
_Eu vou chamar o médico, e então, depois que ele te examinar, podemos pedir para ele deixar a gente ver o Jen. – disse risonho, saindo pela porta sem esperar resposta.
_Desculpe, West. – disse baixo para o cômodo vazio. – Acho que nunca mais vamos vê-lo outra vez. – e suspirou pesado, amaldiçoando a escolha que tinha feito. Tinha escolhido viver sem o loiro, mas sabia que esta escolha era a mesma que escolher não viver.
Foram embora no fim da tarde, West não quis falar com o pai o resto do caminho, depois de saber da decisão que o moreno tinha tomado. Tinha dito ao pequeno que ele e Jensen não estavam mais namorando, o que queria dizer que muito provavelmente, não seriam nem mesmo amigos dali para frente.
Chegaram em casa e West trancou-se no quarto, Misha foi levar vitamina para ele, mas o menino não abriu a porta, tentou de todos os modos convencê-lo a sair do quarto, mas a única resposta que ouvia era para deixá-lo em paz, e então depois de algum tempo desistiu, afinal conhecia muito bem seu filho, para continuar insistindo.
Os dias foram se passando, West e Misha voltaram a ser como antes, estranhos completos, um para o outro. O ruivo sentia falta de Jensen e um dia tentou visitá-lo no hospital, faltou aula para isso, mas os médicos disseram que só podia entrar acompanhado por alguém mais velho. West não tinha ninguém. Ninguém para levá-lo até o seu segundo pai, a quem ele tanto amava.
Chorou inconsolável no caminho para casa, amaldiçoando o pai por ser tão covarde, a ponto de ter medo de ser feliz.
Misha passava os dias no escritório, chegava tarde demais, a ponto de não ver West acordado. Começou a trabalhar no sábado, mesmo a empresa não precisando de tanto empenho, já que crescia cada vez mais.
Jim Beaver, que era como um segundo pai para o moreno, tentava lhe dar conselhos, tentava fazê-lo voltar atrás na decisão que tinha tomado, mas nada conseguia fazer Misha mudar de idéia, e também nada conseguia afastar o loiro de sua mente.
Começou a sair com Katie, e cada vez que iam para a cama, Misha pensava que conseguiria esquecer Jensen, mas quando Katie gemia, envolvida pelo prazer que o moreno lhe proporcionava, eram os gemidos do loiro que ele desejava ouvir.
Quando os lábios finos e avermelhados pelo batom o beijavam, com gosto artificial de morango, era o gosto de Jensen que ele desejava sentir, eram os beijos de Jensen que ele queria, eram as mãos grandes e firmes de Jensen que ele desejava em seu quadril.
A loira fazia de tudo por ele, não podia estar mais feliz e realizada, mesmo que às vezes a tristeza dele a contagiasse também, o beijava com intensidade e paixão, mas sabia que ele não retribuía com a mesma vontade que ela.
Sempre que via West, lhe dava presentes tentava agradá-lo, mas o menino simplesmente pegava os presentes jogava no quarto e nunca mais tocava neles, sentia-se uma intrusa naquela casa. Estava namorando Misha há três semanas e nunca teve uma conversa com West.
Teve a idéia de passar na casa do moreno, um pouco depois de West sair da escola. Sabia que Misha não estaria em casa, pois ultimamente ele tinha se tornado obcecado com o trabalho, então ficou esperando o menino, a frente do apartamento deles.
West saiu do elevador e entrou em casa sem se importar com a loira que estava parada na porta.
_Será que eu posso entrar? – perguntou ela, vendo a indiferença do menino.
O ruivo deu de ombros enquanto se jogava no sofá e ligava a TV.
_Eu... – começou ela sem saber ao certo o que dizer, enquanto se sentava no mesmo sofá que ele. – Bem... Eu...
_Quer me perguntar o porquê de não gostar de você? – perguntou ele, sem desviar os olhos da tela.
_Eu... – ela pigarreou, a forma direta como ele falava, lembrava muito o pai. – Na verdade eu tinha esperança que você gostasse de mim pelo menos um pouco. – disse constrangida.
West desviou os olhos azuis para encará-la e ela sentiu o coração parar, toda a tristeza do menino podia ser vista pelos olhos extremamente expressivos dele.
_Entenda... – disse ele. – Não é que eu não goste de você, na verdade eu não me importo muito com isso. Se o meu pai está feliz, eu estou feliz. – disse se voltando para frente.
_Você não parece feliz. – comentou.
_É porque eu não estou. – respondeu.
_Mas, você disse que se...
_Ele também não está feliz... E você sabe disso, o que me intriga é o porquê de você ficar com ele sabendo que ele ama o Jensen. – viu a loira arregalar os olhos claros.
_Eu estou com ele... Porque ele me pediu para tentar fazê-lo feliz. – respondeu sincera e West acenou positivamente, calando-se.
Ela suspirou pesado e saiu do apartamento sem se despedir. Ligou para Misha, mas só caia na caixa postal, deixou uma mensagem e pegou um taxi, indo para casa.
Misha chegou em casa e foi até o quarto do filho. A porta estava trancada como em todas as noites anteriores, foi para o próprio quarto, tirou a roupa e jogou-se na cama, ligou o celular que tinha desligado por causa da reunião e viu que tinha uma nova mensagem de voz.
Logo a voz de Katie encheu o cômodo.
"_Oi, Misha." – ele estranhou o modo como ela disse seu nome, afinal ela sempre o chamava de querido ou amor, mas continuou a escutar a voz agradável da secretária de Jim. – "Eu... Eu estive pensando... Eu... Eu não estou conseguindo te fazer feliz, e você é quem está sofrendo com isso... Eu estou acabando, o quer que tenha sido isso tudo. Precisamos ser honestos um com o outro, eu estou sendo honesta com você agora, você precisa parar de pensar que ficará bem sem o Jensen, porque você não vai. Até amanhã no escritório, chefe."
Misha afundou a cabeça no travesseiro, sabia que ela tinha razão, mas não podia admitir. Sentiu as lágrimas voltarem e o desespero que sentiu quando o coração de Jensen não batia, adormeceu com as imagens do acidente em sua mente, podia ver com nitidez Mark lhe apontando o dedo, dizendo que tinha matado o loiro.
Debatia-se na cama, acordou assustado e com os olhos molhados, West lhe encarava, os olhos azuis como os seus também marejados, refletiam a dor que o pai sentia.
_Eu sinto tanta falta dele! – disse com angústia e sentiu o filho abraçá-lo.
_Vai ficar tudo bem... Não se preocupe. – disse toda a mágoa que sentia sendo esvaziada nas lágrimas que deixava cair. – O que tem que acontecer, acontece, pai. O Jensen vai voltar...
Dormiram juntos, pai e filho, sentiam-se como se os laços estivessem se renovando, e pela primeira vez desde o acidente, Misha se sentiu em paz. Estava com seu filho, e isso era tudo o que importava.
Amaldiçoou-se por ter feito aquela promessa para o professor, mas como sempre mantinha sua palavra, não se aproximaria mais de Jensen. Nunca mais.
Já fazia um mês e duas semanas que Jensen dormia profundamente, entorpecido pelos remédios, mas quando os médicos reduziram as quantidades o loiro começou a reagir melhor.
Jared perguntou o porquê de demorarem tanto para acordar o amigo, e lhe explicaram que precisavam trazer Jensen de volta aos poucos, por causa do cérebro, que tinha se acostumado com o estado de inconsciência.
Se o trouxessem novamente de uma hora para outra ele sofreria uma convulsão e as chances de Jensen não sobreviver eram de 85% para mais.
Foi em dia ensolarado que o loiro abriu os olhos devagar, pela primeira vez depois do acidente, seu corpo inteiro doía, não podia se quer mexer-se, mas quando viu Mark dormindo na cadeira decepcionou-se por não ser quem desejava. Só então se lembrou do acidente, desesperou-se, e se algo tivesse acontecido com West e Misha?
_Misha! – gritou, a voz rouca pela falta constante de água.
Sentou-se na cama macia do hospital, arrancou as agulhas do braço que teimavam em prendê-lo naquele lugar, levantou e antes que pudesse alcançar a porta, Mark lhe segurou os punhos. O loiro tinha acordado quando o outro gritou o nome que não queria mais ouvir pelo resto da vida.
_Me solta!
Jensen estapeava o outro, e foi com assombro que notou a área perto do olho esquerdo de Mark ficar arroxeada pelo soco que deu em seu rosto. Os enfermeiros logo chegaram, o levando para a cama novamente. Colocaram algo em sua veia e logo tudo escureceu.
Acordou novamente um tempo depois, Mark continuava lá, a marca do soco mais evidente.
_Boa noite. – cumprimentou.
_Mark... – disse com dificuldade, a boca seca demais.
O mais velho lhe deu um copo com a água e ele bebeu rápido, a sede sendo saciada à medida que o liquido descia pela garganta.
_Mark... – chamou de novo, desça vez a voz normalizada, o loiro mais velho o olhou com atenção, sabendo a pergunta que viria. – O Misha... Ele e o West estão bem?
_Bem até demais. – disse sarcástico, e o loiro não entendeu.
_O que quer dizer com isso?
_Se você quer mesmo saber, Jens... O Misha não veio te ver nenhum dia em que você ficou aqui.
_Ele tem que cuidar da empresa dele, Mark. – disse sentindo os olhos arderem.
_Você já esta aqui há quase dois meses... Acha mesmo que se ele não poderia vir?
_Dois meses? – perguntou baixando os olhos.
Mas Mark não lhe ouviu e continuou a falar.
_Ele até está namorando, pelo que eu sei... Parece que você não era tão especial assim para ele não é, Jens?
_Namorando? – o mundo parecia rodar e Jensen levou a mão na cabeça que começava a latejar.
_Sim, uma garota... Katie... Esse nome te lembra alguém? – perguntou cínico. – Ele parece estar muito feliz com ela. E você quer saber o que ele me disse quando saiu daqui?
_O que... Ele... Disse? – segurava as lagrimas para não chorar na frente de Mark.
_Ele disse que não te queria mais, ele disse que não tinha mais nenhum interesse em você... Que não tinha passado de uma diversão, e ele agradeceu por você diverti-lo por tanto tempo.
Jensen baixou os olhos chorando, virou-se de lado, para que Mark não pudesse ver o quanto estava magoado.
_Saia, Mark. – disse e sua voz estava quebrada, assim como seu coração, porque ele não podia acreditar que tudo não passou de uma mentira, uma diversão.
O loiro mais velho saiu com um sorriso vitorioso na face. Avisou Jared que Jensen tinha cordado e o moreno alto foi ver o amigo. Entrou no quarto como um furacão, abraçou o loiro com desespero.
_Eu senti tanto a sua falta, Jen. Bem-vindo de volta. – disse sorrindo enquanto as lágrimas desciam por sua face.
_Jay, eu quero que faça uma coisa por mim...
Jared o olhou, viu os olhos verdes magoados, e praguejou o maldito Collins.
_Tudo o que você quiser meu irmão...
_Eu quero ir embora...
_Mas para onde? – perguntou.
Jensen pareceu pensar um pouco, antes de responder, decidido.
_Você ainda tem aquela casa no Kansas? – Jared acenou que sim. – Então é para lá que eu vou.
_Quanto tempo vai ficar? – perguntou esperançoso que ele dissesse alguns dias.
_Até eu conseguir uma casa mais longe. – respondeu. – Você busca as minhas coisas e manda pra lá, eu vou assim que sair desse hospital.
_Vai sozinho?
_Eu não tenho mais ninguém, Jay. – respondeu, e Jared engoliu a vontade de gritar que ele estava ali, porque eram amigos, eram irmãos, nunca poderiam se separar.
_Certo. – assentiu. – Eu vou buscar as suas coisas o mais rápido possível.
Jensen suspirou. Iria partir e nunca mais se entregaria a ninguém, porque mesmo que quisesse negar, não tinha como pegar seu coração novamente, ele ficaria para sempre com Misha e West.
Jared saiu, e então ele se entregou as lágrimas, soluçando forte.
_O que eu faço? – perguntou-se, mas a resposta não veio.
