Chapter 9

Jared mesmo contrariado chegou ao apartamento de Mark. Chamou o loiro pelo interfone, e logo o viu descer apressado em sua direção, segurou-se para não rir da marca, agora amarelada que contornava um dos olhos, sabia do soco que o amigo tinha lhe dado, e achou mais que merecido.

_Aconteceu algo com o Jensen? – perguntou preocupado.

_Não ele está bem. – disse fazendo Mark soltar um suspiro de alivio. – Ele me pediu pra ir juntar as coisas dele no antigo apartamento, e como ele perdeu a chave no acidente... Bom, eu pensei que...

_Você quer a chave que eu tenho? – o moreno alto acenou positivamente para o outro. – Tudo bem, eu vou pegar. Você... Quer ajuda com as coisas dele?

Jared pensou que ajuda nunca era demais e acabou aceitando que Mark fosse com ele encaixotar os pertences do amigo.

_Tudo bem. – sorriu.

Mark não demorou e logo os dois estavam no carro. Não conversavam sobre nada, Jared se sentia cada vez mais desconfortável com aquele silencio todo, já que, na maioria do tempo, tagarelava sem parar.

_Você... Pretende voltar com o Jensen? – perguntou, mais pra puxar assunto do que qualquer outra coisa.

_Eu não sei. – respondeu sincero. – Eu nunca o deixei, foi ele quem decidiu se afastar de mim. Se ele me quiser... – deu de ombros. – Eu estou aqui, basta ele querer ficar ao meu lado.

_Hmm. – respondeu. – Eu acho que... Bom, ele precisa de um tempo, afinal não é nada fácil saber que a pessoa que você ama, só quis se divertir com você. – Jared o olhou de esgoela, dando a entender que falava de Misha.

_É. – respondeu apenas, sem sentir remorso por saber a verdade, e a verdade era que Misha nunca quis deixar o loiro.

O silencio novamente pareceu ensurdecedor para o moreno, e em uma atitude desesperada para não ouvir o nada, ligou o rádio.

Assim que o carro parou em frente ao prédio, o porteiro viu o moreno abaixar o vidro, sorriu para Jared, já tinha vis to o moreno entrar várias vezes ali para visitar o amigo.

_Olá, Jared! – cumprimentou. – Faz tempo que não aparecia por aqui. – comentou vendo o moreno dentro do carro, sorrir.

_É, eu ando meio ocupado com a loja e a namorada. – disse e o homem sorriu.

_Oras, o que essas mulheres não fazem conosco não é mesmo? – Jared riu do comentário. – Veio visitar o Jensen? – perguntou, mas logo continuou sem esperar resposta. – Porque perdeu a viajem, faz dois meses, mais ou menos que ele não vem pra casa, acho que ainda deve estar viajando. – comentou o fofoqueiro. – O senhor Collins já voltou, será que ele deixou seu amigo sozinho? Quero dizer... Ele tem entrado várias vezes com uma moça muito loira aqui. – disse baixo, para que só Jared ouvisse. – Ela vem sozinha algumas vezes, mas o menino, West, disse não gostar dela. Você acha que eles não estão mais juntos?

Jared queria rir da curiosidade daquele senhor, mas resolveu dar de ombros, logo falando:

_Jensen está no hospital. – viu o velho arregalar os olhos, - Ele sofreu um acidente, agora... Sobre namoro dele como Misha, eu não sei de nada.

_Coitado... – comentou o velho senhor, escorando-se na pequena janela da guarita. – Manda lembranças a ele. – disse logo apertando um botão, para que o portão de ferro se abrisse.

Mark revirou os olhos, não gostava nada daquele velho fofoqueiro, mas Jared ria divertido, de um modo que fez o loiro sorrir das covinhas que surgiram na face do homem ao seu lado.

_Você tem covinhas. – apontou e Jared parou de rir, achando estranha a constatação daquele fato apenas agora, já que conhecia Mark desde a faculdade.

_É eu tenho. – confirmou, logo voltando a rir do loiro que parecia embaraçado por ter feito o comentário em voz alta.

Saíram do carro e se encaminharam ao elevador.

Diferente do desconforto que sentiu no carro, Jared não se sentiu daquele jeito ao entrar apenas com Mark naquele cubículo fechado e com uma musica irritante, estava mais perdido em pensamentos.

Mark passava a palma das mãos, que estavam suadas, na calça jeans escura, visivelmente nervoso, já que os movimentos não paravam. Jared notou, mas não comentou nada.

O loiro remexia-se, o andar que estava o apartamento de Jensen, parecia nunca chegar. Olhou para Jared, via nos olhos do gigante que ele acompanhava os números dos andares que iam acendendo e passavam para o próximo. Estava tão perdido na face do outro que não percebeu quando as portas abriram-se.

_Vamos? – aqueles olhos verdes musgos lhe encaravam.

_Eu... – engoliu em seco, a garganta coçava. – Claro! – respondeu baixando a cabeça e empurrando-se para fora do elevador, antes que o outro perguntasse algo.

Mark fechou os olhos enquanto Jared abria a porta com a chave que Jensen tinha lhe dado quando começaram a namorar.

'Jensen', suspirou. Será que o amava como achava?

Sempre leu sobre o amor, sobre como ele deixava as pessoas bobas e sentimentalistas. Não se sentia assim com Jensen.

Os livros descreviam o amor como uma vontade de ficar o tempo todo com uma pessoa, diziam que as pernas ficavam bambas quando a pessoa amada chegava, diziam que o coração batia descompassado em um ritmo alucinado e que poderia morrer de encarte. Mark achava aquilo uma bobagem.

Sabia que sentia um enorme carinho por Jensen, o loiro era lindo, bondoso, meigo e um companheiro leal, mas Mark não sentia vontade de ficar o tempo todo com Jensen.

Lembrou-se da pergunta que o ex-namorado fez quando estavam indo para a casa do mesmo. 'Onde você se imagina daqui a uns vinte anos, Mark?', podia ouvir a voz do loiro gritar dentro de seu cérebro, tinha-lhe respondido que queria estar com ele, mas não era verdade. Achava que aquela era a resposta que o outro queria, mas não, nunca conseguiria se imaginar com Jensen.

Era engraçado perceber isso só agora.

Gargalhou chamando atenção do moreno a sua frente, que se virou para ver Pellegrino de uma forma que nunca tinha imaginado que veria. O loiro ria descontrolado, segurando a barriga, pela possível fumigação, já ria tão descontraído.

_O que foi? – perguntou, curioso.

_Eu não sei. – respondeu simplesmente.

Jared se deixou cativar pela risada do outro, logo misturando seu riso ao dele. Nunca foi intimo de Mark, conversava com ele apenas quando ele vinha falar com Jensen na faculdade em que estudavam, e depois quando ia buscar o namorado na loja.

Estava, definitivamente, encantado com aquele lado oculto de Pellegrino.

Pegou-se pensando o porquê de Jensen tê-lo trocado por Misha. Não que o moreno de olhos azuis não fosse bonito, não era isso, mas Mark era divertido e parecia rir com facilidade, diferente de Misha, que o máximo que vira, apenas sorria corado.

Afastou aqueles pensamentos da cabeça.

_Vem, vamos entrar senhor risadinha. – disse divertido. – Temos muitas coisas para encaixotar.

Entraram, logo arrumando algumas coisas que estavam espalhadas.

Misha chegou cedo do trabalho. Viu uma movimentação no apartamento ao lado, mas não podia simplesmente aparecer lá e perguntar o que estava acontecendo.

Lembrou-se da conversa com Katie.

_É você tem razão, amiga. – disse para a sala vazia. – Mas quem disse que é fácil quebrar uma promessa? – suspirou pesado.

A voz da loira parecia encher sua mente com mil motivos para ele jogar tudo pra cima e ir procurar o loiro, mas Misha sabia que seu orgulho nunca permitiria que ela ganhasse essa batalha.

Se assustou quando o filho entrou, a mochila nos ombros, que logo foi jogada no chão.

_Oi. – disse o menino indo até o pai e beijando-lhe o rosto com carinho.

_Oi, querido. – respondeu, sentando-se no sofá macio. – Tudo bem na escola hoje?

_Eu beijei uma menina. – disse o menino olhando o pai.

Misha virou-se rápido em direção a ele, os olhos esbugalhados.

_Como?

_Eu beijei a Jéssica. – disse as bochechas ganhando o tom de seus cabelos vermelhos.

_Por que fez isso? – Misha, não sabia como reagir.

_Porque ela me pediu. – respondeu.

_Mas... Vocês... Vocês beijaram na boca?

O menino acenou que sim com a cabeça.

_E você gostou? – perguntou, erguendo a face do filho, para olhar em seus olhos.

_Eu... Eu gostei. – disse sincero. – Mas eu não quero mais beijar nenhuma menina.

_Por quê? – perguntou o pai, um pouco mais confortável com a situação.

_Porque eu só gosto da Jéssica. E o Jens disse que a gente só pode beijar quem a gente gosta.

Misha deu um sorrisinho, lembrando do loiro.

_Isso é verdade. – concordou, espreguiçando-se, os músculos tensos pela última conversa que tivera com Katie, onde ela disse a mesma coisa, só com palavras diferentes.

_Então... – esperou o pai encarar seus olhos para continuar. – Por que o senhor beija aquela moça loira?

Misha sentiu o olhar de West entrar em sua mente, a pergunta repetindo-se insistente em sua cabeça. Ele não sabia a resposta.

_Eu não a beijo mais. – respondeu.

_Mas beijava. - o pai concordou. – Por quê?

Suspirou, procurando uma resposta pronta em sua mente, mas não conseguia encontrá-la, ou melhor, a encontrou, mas nunca a diria em voz alta. Olhou o filho com os grandes olhos azuis esperando a resposta do pai, eram tão parecidos fisicamente, se relevasse o cabelo, mas como podiam ser tão diferentes internamente?

West era corajoso, sempre foi. Falava o que queria, o que pensava não se deixava intimidar por situações novas, era exatamente como Vicky. Suspirou, pensando que talvez devesse ser sincero pelo menos com o próprio filho.

_Porque... Porque eu sinto falta do Jensen. – disse.

West tombou a cabeça para o lado, franziu as sobrancelhas como se apenas aquelas palavras não fizessem sentido.

_Se sente falta dele... Não é a boca dele que tem que beijar? – perguntou, fazendo o pai avermelhar.

_Não é tão fácil assim... – disse. – Eu não sei se ele vai me aceitar agora, afinal... O que eu pedi para o professor falar não é algo que ele vai perdoar. – sorriu triste para o filho.

_Porque não vai falar com ele?

_eu não saberia o que dizer. – respondeu.

_Diga a ele, o que disse para mim. – retrucou sorrindo.

Misha balançou a cabeça de um lado para o outro, negando. West sabia que o pai tinha admitido a derrota sem ao menos lutar, não podia acreditar que aquele homem, seu pai, estava desistindo de algo que lhe trouxe tanta alegria.

Teria que fazer alguma coisa, já que o pai não era capaz de lutar, ele seria o bom soldado que lutaria pela felicidade daquele lar, porque, era só com Jensen e por Jensen que eles realmente se tornaram uma família.

_Tudo bem, então. – disse, dando a entender que não tocaria mais no assunto.

Misha subiu as escadas, disse que ia tomar um banho longe e iria dormir. Era tudo o que West precisava, sorriu travesso ao ver que o pai lhe virava as costas para ir ao quarto.

Entrou no escritório de Misha, mexeu em alguns papeis que repousavam arrumados em um canto, pegou a pequena agenda, folheando rápido procurando com desespero o nome que desejava. Sorriu grande.

_Isso! – deu um soco no ar, comemorando a primeira vitória.

Em pé na cadeira do pai, pegou o telefone e discou com rapidez os números escritos no papel que segurava.

"_Oi, Misha... Eu disse que não precisava fazer os cálculos hoje..." – disse a voz rouca do homem, denunciando que ele estava dormindo.

_Ahn... Aqui é o West, Jimmy. – disse o menino.

Beaver tossiu do outro lado.

"_West? Filho seu pai está e casa? Está tudo bem? O que aconteceu?" – a voz do homem ganhava um tom acima a cada nova pergunta que fazia, West sorriu carinhoso com a preocupação do seu quase avô.

_Está tudo bem... E o papai está dormindo. – o tranqüilizou, logo ouvindo o suspiro de alivio do outro.

"_Então... Você precisa de algo?" – perguntou.

_Eu quero que o senhor me ajude a contar ao Jensen que o meu pai quer ele de volta. – disse rápido, torcendo para que o homem lhe ajudasse.

"_West, isso... Filho escute... Isso não é tão simples... Quer dizer..." – o homem enrolava-se com as palavras diante do pedido do menino.

_Não vai me ajudar? – perguntou com a voz triste, o coração de Beaver batendo forte no peito, pensando na possibilidade de fazer o menino chorar, com certeza não podia fazê-lo chorar.

"_Claro que vou ajudá-lo." – respondeu por fim. "– Mas isso não é tão simples. Entenda, para algumas pessoas é fácil expressar os sentimentos, as emoções, mas você sabe que seu pai não é uma dessas pessoas não é?"

West girou os olhos, mesmo que o homem não pudesse vê-lo. Sabia melhor que qualquer um o quanto o pai era fechado, mas Jensen conseguiu mudá-lo, então porque o pai não conseguia dizer ao loiro que o amava? Era tão simples! Pelo menos para si parecia ser totalmente descomplicado.

_Meu pai disse que sente falta dele. – disse triste, fazendo Beaver passar a mão pelo rosto cansado.

"_É, ele sente sim." – respondeu apenas.

_Então por que é tão difícil para ele dizer isso para o Jens?

"_Por que ele tem medo."

_Mas... Medo do que? – o menino fazia gestos com as mãos como se o outro pudesse vê-lo, estava totalmente descontente com as atitudes que o pai havia tomado.

"_Ele tem medo que Jensen não o ame mais..." – respondeu.

_Mas o Jensen ama o meu pai, não é? – perguntou, e de repente passou a sentir o mesmo medo que assolava o pai, por Deus será que o loiro não queria mais ser da família deles?

"_Eu não sei, West." – disse o mais velho. "– Mas de uma coisa eu tenho certeza, um amor como o deles, não se esquece em uma semana ou em alguns meses."

_West! – ouviu o pai gritar seu nome.

_Eu tenho que ir Jimmy. – disse e desligou sem esperar uma resposta.

Subiu as escadas correndo, quando entrou no quarto do pai, o viu sentado na cama, estava com uma calça de moletom e uma pantufa verde nos pés. Achou engraçado o mais velho com os pés cobertos por aquela cor berrante, mas a vontade de rir passou quando olhou a face abatida do pai.

_Me chamou? – perguntou, sentando ao lado dele.

_Você sabe onde eu coloquei meus remédios?

West engoliu em seco, sabia o que aquilo significava.

_O senhor jogou fora, uns quatro meses atrás. – mentiu.

_Oh... – disse e deitou-se com as pernas encolhidas, enquanto puxava a coberta. – Me lembre de comprar amanhã.

_Claro. – sorriu e beijou-lhe a testa, assim como o mais velho fazia consigo. – Dorme bem, pai e boa noite.

_Boa noite. – respondeu, fechando os olhos, mesmo sabendo que não conseguiria dormir sem os remédios.

West voltou ao escritório do pai sorrateiramente. Abriu a segunda gaveta da escrivaninha e pegou o potinho alaranjado que continha os comprimidos dentro.

_Você jogou fora, papai. – disse para o cômodo vazio, enquanto saia de lá.

Chegou à cozinha e abriu o potinho, jogou as pequenas bolinhas brancas na pia e em seguida abriu a torneira, vendo os remédios do pai irem embora com a água que caia.

Saiu de casa depois de ouvir vozes no apartamento do lado, onde Jensen morava.

_Será que ele já voltou? – perguntou-se esperançoso.

Correu até lá e bateu na porta, mas para sua surpresa não foi o loiro que escancarou a porta para que ele entrasse.

_Oi, carinha! – disse o moreno.

_Oi. – respondeu, olhando o apartamento praticamente vazio, apenas algumas caixas ainda repousavam no chão. – O Jensen não está aqui?

Jared abaixou-se para tentar ficar na altura do pequeno.

_Não, ele não vai mais morar aqui, West. – disse com pesar, o coração parecer doer ao ver os olhões azuis se encherem de água. – Eu sinto muito.

_Não. – disse vendo todo seu plano de tentar juntar o pai a ele novamente quebrar-se. – Por que ele quer ir embora?

Jared engoliu em seco, esperava aquela pergunta, mas sabia que se respondesse com sinceridade iria machucar o menino com as palavras

_Eu não sei. – disse por fim.

_Está mentindo. – disse apontando o dedo comprido para seu rosto. – Por que está mentindo? Por que não quer me dizer a verdade?

_Porque a verdade machuca pequeno. – disse Jared, as lágrimas do menino fazendo seus olhos arderem.

West escutou passos na sala, mas não pode ver a pessoa que lá estava, pois as lágrimas borravam sua visão.

_West? – a voz parecia surpresa. – O que está fazendo aqui? Onde está o seu pai?

Mark viu o menino soluçar alto.

_Ele está dormindo. – respondeu, e então olhou para Jared novamente. – O meu pai precisa do Jensen, você tem que me ajudar... Meu pai sente muita falta dele.

Jared engoliu em seco e olhou para o loiro, que com os olhos arregalados ouvia atentamente o menino.

_Ele queria tomar os remédios que fazem dormir, mas eu joguei fora. – enxugou as lagrimas que caiam com as costas das mãos. – Ele não pode mais tomar aquilo...

_Por quê? – Jared pegou o menino no colo.

_A última vez que ele tomou... – soluçou forte antes de continuar. – O médico disse que ele quase morreu, foi o Jimmy que me ajudou. É que meu pai tomou muitos, e eu não conseguia fazê-lo acordar... Ele parou de tomar os remédios por causa do Jensen.

Mark sentiu o coração se apertar. Ele nunca foi bom o suficiente para o loiro, na verdade ninguém nunca seria bom o suficiente para Jensen, mas Misha precisava dele.

_Eu ajudo você. – disse surpreendendo a si próprio.

_Você? – as vozes de Jared e West se misturaram naquela palavra, e mesmo que o momento não fosse propício pra uma crise de risos, Mark gargalhou com o assombro que se mostrou no rosto dos dois a sua frente.

_Sim, eu. – disse por fim, os dois ainda lhe encarando de forma indecifrável.

West não sabia naquele momento, mas tinha ganhado um grande aliado para sua causa. Descobriu naquela noite que algumas coisas inesperadas, quando acontecem fazem com que a esperança se renove.

Mark gostava de Jensen sim, mas não o amava, conseguiria viver sem ele, mas pelo que pode perceber Misha não poderia.

Desejou que algum dia pudesse encontrar alguém que despertasse esse sentimento nele, esse que Misha sentia por Jensen e vice-versa, mas nunca admitiria para ninguém que invejava aquele sentimento. Por toda sua vida buscara por ele, mas o maldito amor sempre o recusara.

Sempre lhe diziam que estava procurando nos lugares errados, e sim, talvez estivesse, mas onde é que se ia para encontrar esse sentimento?

Ninguém lhe saberia responder, pois o amor acontece em qualquer lugar, em qualquer hora, em qualquer tempo, pois o amor simplesmente acontece.

Estava voltando tranqüilo para casa, pensando em inúmeras coisas, mas sempre que se deixava levar por algum pensamento, se pegava novamente pensando nas lindas covinhas do rosto de Jared.

_Por Deus! – bufou consigo, irritado.

Enfiou as mãos no bolso do casaco, o ar quente saia de sua boca fazendo uma nuvem branca ao entrar em contato com o ar gelado da noite. Parou no meio do caminho, fechou os olhos e ergueu a cabeça em direção ao céu.

_Por favor... Não me faça conhecer a dor de um amor não-correspondido. – implorou ainda com os olhos fechados.

Foi quando a maldita imagem das covinhas de Jared tomaram sua mente de novo, praguejou baixo voltando a andar. Tinha absoluta certeza que não dormiria aquela noite.