VI

Közi pensou um pouco antes de responder. Caramba, o Mana de novo quando ele menos esperara! Porém, logo em seguida lhe deu algum "sinal de vida":

- Oi, cara.

- Tudo bem com você?

De novo, ele estava lhe tratando como se nada houvesse acontecido entre eles. E pior, depois de uma foda múltipla e espetacular no sofá de sua sala! Mas enfim... ao menos ainda queria falar consigo.

- Tudo! E com você?

- Também. Sabe, estou te ligando pra saber... você e sua nova banda vão entrar em turnê em breve, né?

- Vamos sim.

- Bem... eu gostaria de ver você se apresentando. Faz tanto tempo que não vejo...

Pronto. O cara queria ver ele tocando como se não houvesse nada! E depois, ia querer outra trepada apenas porque com ele, Közi, a química sexual já era garantida?

- Pode ser. Eh, cara, se me ofereceu convites de graça pro seu show, eu me sinto na obrigação de fazer o mesmo com você...

- Ahn, eu não exigiria isso você...

- Mas eu quero retribuir o que me fez.

- Eu lhe agradeço muito. Mas de qualquer modo... como eu faria pra buscá-los?

- Sei lá. Você pode vir aqui, ou ainda...

- Eu preferiria que você viesse aqui. Esse projeto novo que eu tenho me consome de tal forma o tempo, que eu mal saio de casa, somente quando preciso. Isso acontece porque sou eu que coordeno tudo praticamente sozinho, não é uma "banda dividida em vários integrantes", como era o Malice. Venha aqui, sim?

- OK, pode ser... que dia?

- Depois de amanhã, na hora do jantar, está bem pra você?

- Ah, sim.

- Eu posso fazer alguma coisa de diferente pra gente jantar, tá bem?

- Tudo bem...

- Então até daqui há dois dias.

- Até!

Assim que Közi desligou o telefone, as ideias começaram a fervilhar. Tá, o Mana estava interessado em seu trabalho - isso era o que ele dizia. Mas... o que, realmente estaria escondido por detrás daquela vontade de ver algum show dele?

E aquele jantar? Será que... que transariam depois do mesmo, como fizeram após o show de Mana mesmo? Bem... uma coisa era certa: Mana podia não estar nem um pouco disposto a voltar a ter um relacionamento consigo... mas havia ainda uma combinação sexual maravilhosa entre eles. Logo... Mana poderia, muito bem, tentar outro intercurso daquele tipo... portanto, Közi deveria se preparar.

Foi até uma cômoda que tinha em seu quarto de dormir, abriu uma das gavetas... e tomou algo que guardava ali há um ano, quase como se fosse uma relíquia.

Era o lubrificante que ele usava com o então namorado, há mais de um ano atrás.

Ora, como a validade do produto era de cerca de quatro anos, e apenas um havia se passado... era capaz de ainda estar na validade. Observou. Estava, sim. Então... levaria com ele, caso Mana quisesse algo a mais consigo. Sim... iria usar aquilo pra relembrar os bons tempos.

Guardou o objeto no fundo de sua bolsa - afinal, se Mana não quisesse intercurso sexual, Közi não queria que ele visse aquilo... afinal de contas, não tomaria a iniciativa caso Mana nada mais quisesse. Adorava transar com ele, mas aquilo poderia estragar tudo... e ele não queria que Mana virasse a cara para si novamente.

OoOoOoOoOoOoO

No dia combinado, Közi tomou a bolsa com os ingressos, as chaves do carro e demais coisas - incluindo aí o "místico" lubrificante - e foi para a casa de seu antigo amante. Chegando lá, novamente aquela atmosfera de "casa do Mana" o tomou - e ele se sentiu completamente tomado por um sentimento de nostalgia... porém, tentou reprimir isso dentro de si.

Mana havia feito algo novo outra vez - alguma coisa com lingua de vaca e arroz com curry. Közi adorou comer aquilo... o então ex namorado sabia bem como cozinhar. Até mesmo o tempero que ele usava parecia-lhe encantador...

Ele, aliás, estava vestido de maneira bastante convencional - para si. Na verdade, mal pusera alguma maquiagem no rosto, apenas o suficiente para se considerar "normal" a seus próprios olhos¹. E mesmo assim estava divino para Közi...

Mana não costumava sorrir muito, mas àquela noite estava bastante sorridente. No entanto, de maneira muito formal... ora, Közi ainda tinha aquelas cicatrizes de unhas de quando transaram poucos dias antes... e não entendia, simplesmente não entendia como Mana tratava aquilo com a maior naturalidade, como se nada houvesse ocorrido.

O ex amante nunca, nunca fora assim tão dado a "intercursos casuais". Era, em verdade, até mesmo bastante romântico e idealista no passado. Onde, então... onde estava aquela doce e amorosa Lolita que Közi um dia conhecera e namorara?

Ele sabia, em seu íntimo, muito bem da resposta...

A primeira decepção mais grave de Mana no amor fora, de fato, com Gackt. Mas logo em seguida ele superara aquilo, começando a sair e namorar com Közi. E entre eles havia um grande vínculo desde bem antes do namoro, logo...

...logo, a decepção com Gackt, a qual viera de um relacionamento bastante curto, não doera tanto assim. Mas consigo... foram oito anos de amizade e mais seis de namoro.

Aquilo... aquele término repentino, sem motivo aparente, apenas por um ciúme infantil... aquilo simplesmente apunhalara a Lolita que habitava em Mana de tal forma, que ele, o Mana mais masculino, simplesmente decidita vingá-la ao fechar seu coração para qualquer tipo de sentimento que pudesse ter.

Sim... a doce Lolita de Mana... ela fora gravemente ferida por ele mesmo, Közi.

"Mas que droga...!", pensou ele, enquanto terminava de comer e passava a beber o suco natural que Mana lhe oferecera.

- Gostou da comida? - perguntou Mana, da forma mais casual que poderia ter.

- Ah, sim... bastante! Você cozinha muito bem...

Teve ímpetos de chamar a Mana de "amorzinho", mas achou melhor não. "Engoliu" a vontade, tomou a bolsa, abriu-a e dela retirou o convite para seu show.

- Aqui está, Mana.

- Oh, obrigado... você foi realmente muito gentil ao dá-lo de graça pra mim.

- Você também foi ao fazer o mesmo com seu show.

- Aliás, em um mês tenho apresentação nova. Quer ir?

- Ah, quero sim! É um visual bem bonito... eu gostei bastante! E pra arrepiar todo esse cabelo pra cima, hein...! Haja laquê!

Ambos riram juntos. E aquela fora a primeira conexão mais profunda entre os dois durante a noite...

Közi olhou o relógio. Já eram quase dez da noite.

- Hum, Mana, acho que tá na minha hora de ir. Sabe como é, dez horas é o horário limite de ficar na casa dos outros, né...

- Ahn...? Quer dormir aqui?

Pronto. Lá vinha Mana com aquilo, e o pior é que Közi nem sabia se aquele convite se referia realmente a dormir, ou a algo mais. E pior ainda, se Mana quisesse transar consigo de novo... seria muito, muito constrangedor agir como a um amante tórrido durante a noite, e como uma formal visita durante o dia. Meu Deus, como sexo casual com o Mana era difícil...!

Mas aí lembrou do lubrificante. Lembrou que estava disposto a não mais usar mulheres como "holograma do Mana" na cama. Então... se fosse pra transar com alguém em casual, que fosse com o Mana. Isso poderia lhe ferir, mas bem, o que nessa vida é totalmente isento de dor?

- Tudo bem! No quarto de hóspedes, né?

- Sim.

Isso já dava a entender que provavelmente não haveria sexo durante a noite. Mas enfim... fosse o que fosse, ele acabaria ficando.

Ainda era cedo para ir dormir. Logo, Közi ajudou Mana a lavar a louça, foi escovar os dentes e depois se dirigiu até a sala de estar. Mana ligou a TV. Disse que não costumava assistir muito - o que era bem verdade - mas já que Közi estava lá, poderia acompanhá-lo nisto.

Közi não pôde deixar de reparar no sofá onde, naquela fatídica noite, haviam transado loucamente. Estava completamente limpo. Não sabia como Mana fizera para limpar aquilo, uma vez que a coisa fora tão "intensa", que Közi imaginava que aquele sofá ficaria imprestável pro uso após aquela noite... mas não. Mana o recuperara muito bem.

Sentou naquele sofá e não pôde deixar de pensar em tudo que passaram ali. Mas tentou, mais uma vez, disfarçar. No entanto, a TV, os programas, tudo... nada lhe deixava pensar direito.

Mana sentara a seu lado no sofá, e quando Közi percebeu, estava com uma vontade louca de deitá-lo novamente no mesmo, e fazer tudo aquilo que fizeram na outra noite... mas se conteve. Mana deveria tomar a iniciativa.

Cerca de duas horas se passaram. Mana, desta vez, se limitou a ficar com as pernas cruzadas - obviamente delimitando o espaço a que Közi poderia ter acesso a si - e os braços em torno do corpo, como usualmente fazia para se demonstrar inacessível fisicamente a alguém. Közi entendeu... e assistiu à TV em silêncio e angústia.

Quando deu meia-noite, Mana olhou ao relógio e decidiu ir dormir.

- Está tarde. Amanhã tenho coisas a fazer. Se não se importar, vou dormir...

- Ah, também vou... não tem importância não!

- Bem... o quarto de hóspedes é aquele mesmo. Você o conhece, não?

- Sim. Posso levar minhas coisas pra lá?

- Ah, claro! Pegue sua bolsa, fique à vontade.

Közi sorriu ao ex namorado, fez-lhe uma formal reverência e foi até o quarto, levando a bolsa consigo. Lá dentro, fechou a porta, retirou a roupa, ficando somente de cueca, e tomou a bolsa. Dela, retirou o lubrificante e o ficou observando.

- É, cara, não é hoje que uso você! O Mana, até pela ausência de álcool e tudo, nem quis nada... pois é. O que a cerveja não faz, né, meu bem? Mas é isso. Quem sabe eu use você pra uma punheta mais tarde... mas não agora.

Colocou o frasco embaixo do travesseiro, sentindo-se frustrado... e deitou a cabeça no mesmo. Ficou pensando... que Mana talvez se arrependera daquela noite passada de prazer... e por isso sequer encostara em si. Mas deixou pra lá...

Demorou um pouco pra conciliar o sono. Porém quando o fez, foi em definitivo... acordando apenas de madrugada, quando sentiu um corpo atrás de si... quente, macio, esbelto... era o Mana...!

- Mana...? Veio... dormir comigo?

Despertando do sono leve que o tomava, Mana mirou ao antigo amante... e desta vez seu tom era muito, mas muito mais terno do que a verve de "íncubus" que usara da última vez ao mandar Közi "calar a boca e comê-lo logo".

- Vim... sabe, Közi... eu pensei... que meus braços poderiam resistir a ficar sem você. Mas eles não podem. Não, ao menos por hoje não... minha mente não sossegava lá em cima, somente querendo você... e eu tive de obedecê-la.

Um sentimento terno tomou ao coração de Közi. A razão o alertava para que aquilo poderia ser uma mentira do Mana manipulador, masculino e vingativo - justamente intentando vingar a Lolita que fora apunhalada por si - porém sua racionalidade acabou no momento em que os lábios de Mana encostaram nos seus, iniciando um longo, doce e apaixonado ósculo. Közi pôde perceber que eles estavam com batom...

- Me ame hoje mais uma vez, Közi...!

No meio dos beijos e carícias, Közi não pôde mais resistir... e enfim tomou Mana em seus braços.

To be continued

OoOoOoOoOoOoO

¹Houve uma entrevista em que Mana disse que sem a maquiagem não sabe quem ele é. Imagino que ele se maqueie em casa só pra se sentir "normal"... rs!

No mais, aeeeee Maninha! Não resistiu a ter o Közi dormindo em casa! Rs!

Capitulo que vem, lemon com detalhes! **

Beijos a todos e todas!