VIII

Közi abriu os olhos, devagar, ainda sonolento. Aquele cheiro não lhe deixava dúvidas... havia dormido com Mana.

- Un... Maninha...

Apalpou a cama, e nada sentiu. Olhou naquela direção, e... nada. Vazia.

- Sabia. Sabia! Apesar de todo aquele "amour" de ontem à noite... não passa de casual! É isso. É, cara, parece que tou pagando por todos os pecados... por todas as vezes em que deixei uma mulher na cama e fui fumar na janela... pois é! O mundo dá voltas...

Levantou da cama, tomou o maço de cigarros que trazia em suas coisas e foi fumar na varanda. Não teria coragem de ir lá pra baixo ver o Mana, e o mesmo lhe tratar como "amiguinho", sem fumar antes.

Antes que acabasse o segundo cigarro, no entanto, ouviu a voz de Mana a lhe chamar:

- Közi, está acordado?

- Hun...? Estou sim!

- Então venha comer!

"Hum... dessa vez pelo menos ele vai me oferecer comida! E da outra, que ele praticamente me expulsou de casa mal eu acabei o banho...? É, dessa vez ele tá melhorzinho!"

Vestiu-se, desceu e foi ao encontro do ex namorado (ou atual amante ex namorado? Aquilo estava a lhe dar um nó de cuca...). Lá, viu Mana sentado à mesa com seu kimono azul, os longos cabelos negros impecavelmente penteados... parecia uma linda gueixa, à exceção de que dava pra ver certos traços masculinos nele, os quais Közi já conhecia bem, porém talvez uma pessoa de fora deixasse passar batido.

- Ohayou¹, Mana-sama!

Közi fez uma profunda reverência ao companheiro, e Mana riu.

- Sem essa, Közi!

- "Com essa" sim senhor! Vamos lá, o que temos de gostoso nessa mesa... além de você, claro?

Mais risadas. Mana nada disse, apenas apontou as coisas que havia na mesa. Közi foi pra trás dele, afastando-lhe os cabelos e beijando-lhe a nuca².

- Era brincadeira, meu benzinho. Eu aceito o que me oferecer.

Sorrindo, o outro lhe indicou uma cadeira, ao que Közi se sentou e se serviu. Na meia hora seguinte, eles comeram em silêncio, sem quase se falarem. Közi o fazia porque realmente estava com fome, mas Mana... Mana o fazia porque seus pensamentos passeavam por algumas ideias.

Após comerem, Közi se ofereceu pra lavar a louça. Mana assentiu. O amante foi até a pia, e reparou em duas coisas... uma, Mana parecia paralisado na mesa. Outra, tinha olheiras fundas de falta de sono, as quais ele não reparara antes.

"Por que ele não dormiu...? Eu dormi tão bem no calor de seu corpo...! De um modo que não dormia faz tempo!"

Lavou os pratos e talheres, ainda meio preocupado com aquilo... quando Mana enfim se manifestou:

- Közi...

- Sim?

- Lembra do que você me disse da outra vez?

- O que...?

- Que, por você, a gente voltava...?

Közi teve um sobressalto. Mas que assunto praquela hora...! Enfim, não podia perder a oportunidade:

- É... eu disse que a gente voltava, sim. Era só você querer.

- Eu quero.

Mana disse aquilo de uma única vez, sem pensar muito, e em seguida escondeu o rosto. Mas Közi se enterneceu...

- Oh, Mana...

- É. Eu quero, e você devia ter percebido isso desde o começo...

- Mas como, meu benzinho...? Como, se no primeiro dia você agiu de uma maneira tão louca?

- Era a raiva por ter perdido você! Será que não entende...?

Közi viu o companheiro fazer um movimento de limpar lágrima, e foi até ele, as mãos ainda molhadas de lavar a louça.

- Maninha...

Fez menção de encostar em seu ombro, quando... foi repelido de forma quase brutal.

- Não encoste em mim...!

Ele estranhou, mas deixou pra lá... respeitou a dor e a confusão do coração de Mana.

- Eu entendo que tivesse raiva...

- Não. Não entende. Nunca entenderá, até ter sido deixado da forma como eu fui...

- E eu não fui? Hein, quando depois eu quis voltar com você, e você não quis... e quando eu pensei que você tinha ido pra cama comigo por amor, e foi só casual...?

- E você acha mesmo que foi só casual...?

- Não foi...?

- Se fosse, eu ia ligar de novo chamando você pra dormir aqui? Hein?

- E eu lá sabia que isso era símbolo de que não queria casual...!

- Não...! Közi, eu não gosto de casual...! Eu apenas... queria te dar o devido castigo pelo que me fez! Queria que sentisse a dor que eu senti!

- Pois saiba que já fez. E já fez bem mais do que você sofreu, pelo visto.

- Eu acho que você não me merece...! Por isso tive tanta dúvida!

- Eu sei que não mereço. Por isso mesmo... jamais achei que você estava sendo cruel em demasia. Eu em seu lugar faria o mesmo...

- Mas... é, é isso, eu ainda gosto de você... eu gosto. E tenho vontade de voltar com você, mas... não tenho confiança! Não... é difícil, Közi... é difícil, porque antes de a gente terminar eu tinha uma confiança inabalável em você... e agora não! Agora é uma coisa completamente estranha, porque quando eu me sinto bem e seguro ao estar em seus braços de novo... vem o pensamento de que, se você foi capaz de me deixar um dia, pode fazê-lo de novo...!

- É, eu sei... bem, o que eu vivi nesse ano me mostrou que, caso eu tivesse a oportunidade de sermos um casal de novo, eu jamais o abandonaria... não sou bobo de cometer o mesmo erro duas vezes! Mas também sei que tudo que eu te disser neste aspecto não vai te convencer, e você tem razões pra não confiar, logo... é, eu acho que devemos dar tempo ao tempo, pra você ver se deve ou não confiar em mim.

Mana baixou as pestanas e ficou pensativo. Közi aproveitou que ele estava daquele modo para enxugar e guardar a louça. Porém, assim que o fez... sentiu Mana vir com tudo e o agarrar por trás.

- Közi...! Se você me deixar de novo, eu não sei o que eu faço com você...!

- Mana, eu não vou deixar...!

Antes que Közi pudesse dar por si, se viu agarrado, beijado, "amassado"... e então ambos foram ao chão, já quase sem as roupas, as quais Mana, em seu repentino furor, passara a retirar dele e de si sem sequer pensar muito.

- Uhn... Mana...!

Közi pensou que o amante estava descarregando, mais uma vez, suas frustrações passadas nele e no sexo, como fizera daquela vez no sofá... mas dessa vez seria um pouco "mais embaixo".

Deitaram-se ali mesmo no chão da cozinha, Közi lembrando daquela época em que se amavam de forma "improvisada" lá mesmo... quando namoravam. Mas Mana parecia menos "romântico" de novo...

Quando deu por si, Mana estava totalmente nu em cima de si, e então... molhou a seus próprios dedos da mão direita na saliva e, sem que Közi esperasse, os direcionou para a entradinha do companheiro.

- Mana...!

Közi gemeu de surpresa ao sentir-se invadido com tanta veemência. Não sabia o que fazer... como costumava ser o ativo, precisava sempre de muita preparação para quando, eventualmente, fosse ser passivo... mas Mana parecia esquecer disso momentaneamente...

E de resto, o medo de perdê-lo foi mais forte do que de fazer "daquela forma"... portanto, não objetou as ações do amante.

Mana respirava em grandes haustos, como se sentisse algo entre a raiva e o tesão. Se havia ali algum amor, Közi não sabia...

Logo, antes que o amante pudesse dar conta, Mana se encaixou no meio das pernas dele... e o penetrou sem muito cuidado ou delicadeza, como costumava fazer.

- Ohn, Mana...!

O semblante de Közi se estorceu de dor. Além de não estar acostumado a fazer daquela forma, também Mana não tinha o costume de ser "bruto" quando o tomava a si. Mas... parecia que ele estava "alterado" novamente.

Para comprovar isto, ele tomou os cabelos de Közi com a mão direita e o fez olhar direto em seus olhos:

- Você merece isto...! E sabe muito bem que merece!

Antes mesmo que Közi pudesse responder, Mana se arremeteu para dentro dele. Com vigor, com raiva... seu lado homem aflorando mais do que nunca.

A Közi, nada restou senão gemer... e segurar nos braços do amante enquanto ele continuava a lhe penetrar daquela forma. E, por mais que Mana estivesse sendo bruto, ele começou a se excitar... sim, era o Mana consigo acima de tudo... então era como se não tivesse outra opção a não ser gostar...!

- Mana...!

- Isso...! Diga o meu nome... o meu, entendeu...? Você é meu, Közi...!

- Oh Mana...!

- Diga que é meu...!

- Sou teu... somente teu, Mana...!

Em meio a sua loucura, o crossdresser mordeu o pescoço do amante, como se fosse um vampiro e quisesse lhe sugar o sangue. Közi fechou os olhos de tontura... já não sabia mais a medida de sua própria dor, de seu próprio prazer... já não sabia mais nada.

Nos momentos seguintes, Mana arranhou ao amante, penetrou-o com mais força... até mesmo lhe mordeu os lábios e a língua enquanto o beijava. Tudo isto sem largar seus cabelos. No final, quando viu que já havia "maltratado" bastante a ele, resolveu masturbá-lo afinal... quase por uma "caridade".

Közi, mesmo em meio àquele delírio, abraçou ao parceiro... e ainda ensandecidamente, gozou em sua mão... sentindo que poderia praticamente desmaiar em seguida, tamanha a energia utilizada no ato.

Mais algumas estocadas firmes e fortes, e Mana também gozou. Após isto, foi como se o delírio de posse do crossdresser também acabasse, e ele enfim se deitou ao lado de Közi, já mais calmo.

O outro teve de parar e raciocinar um pouco. Céus, que havia sido aquilo...? Que dubiedade de sentimentos, de ações, de tudo...! Que coisa de louco!

- Mana...

O crossdresser não respondeu. Közi chamou de novo, mas viu... que ele estava chorando.

"Mas que coisa, eu que vou ficar um tempão sem conseguir sentar e quem chora é ele?", Közi pensou de si para si, mas nada externou.

- Mana...?

- Me desculpe pelo arroubo, Közi. Mas...! Você estava merecendo!

- É, eu sei...

- Közi, você me traiu...

- Não, Mana...!

- Você me deixou... nós poderíamos ainda estar juntos, o Malice ainda poderia existir...

- Mas Mana, o Moi dix Mois precisava disso pra existir...! Uma das melhores bandas de gótico no Japão não existiria caso o Malice não entrasse em hiatus!

- Não importa. Você me traiu.

- Me desculpe, Mana...

- E eu ainda quero você. Mas... não tenho certeza de que decisão tomar.

"Caralho, eu tomei bonito no fiofó pra ele ainda ficar indeciso? Que merda!"

Közi pensou em bufar de impaciência, mas achou melhor não... Mana poderia lhe rechaçar de maneira ainda mais agressiva do que fora a transa anterior.

- Tudo bem... você quem sabe.

Közi ia levantar do chão pra pegar suas roupas e se banhar, quando se surpreendeu com um abraço vindo do amante.

- Közi... eu amo tanto você...! Apenas ainda não consigo confiar!

Mesmo estando todo "ardido" em decorrência do que ocorrera momentos antes, Közi não conseguia sentir rancor de Mana... acariciou a seus longos cabelos negros e o beijou no rosto.

- Eu entendo. Deixarei isso a seu cargo, OK?

Enfim, ele se levantou e foi ao banho. Mana ainda permaneceu na cozinha, sem muita coragem de se banhar junto com o outro... muito, muito confuso e sem saber o que fazer.

Mas Közi, no banho... esse sim, já sabia perfeitamente o que ia fazer. E isto, dado que Mana dissera que o amava mas não tinha confiança, lhe daria a vantagem integral de ter a Mana de volta - e em definitivo.

To be continued

OoOoOoOoOoOoO

¹Ohayou = bom dia em japonês.

²Li que japonês adora nuca e a acha mto sexy! oO Isso viria da época das gueixas, que andariam cobertas mas só mostrariam a nuca por causa de seus penteados complicados... logo, a nuca seria algo mto sensual pra eles. RS!

Mana detonou co Közi! oO Acham que apelei demais? Rs!

De qqr forma, parece que no verão japonês (inverno nosso -q) o Közi e o Mana tocam juntos de novo! EEEEEEE, mais e mais plot pra yaoi!

(kkkkkkkkkkkkk)

Beijos a todos e todas!