IX

Logo, Közi terminou o banho. Mana foi logo em seguida, assim que ele saiu. Kozi vestiu-se, foi até o quarto de hóspedes tomar sua bolsa - e o lubrificante, o qual deixaram no banheiro de hóspedes na noite anterior - e esperou Mana acabar de se aprontar pra ir embora.

Quando Mana saiu do banheiro, já estava penteado e vestido. Nem parecia o "incubus" de momentos antes...

- Bem, Mana... é isso. Eu vou indo lá...

Surpreendentemente, quem acabou "quebrando um pouco o gelo" foi Mana, abraçando a Közi pelo pescoço... e o beijando em selinho de leve nos lábios.

- Közi... me desculpe pelo arroubo anterior.

- Ah, tudo bem... é legal fazer selvagem de vez em quando!

Mana sorriu, mas em seguida seu semblante ficou um pouco desanimado de novo... porém, ele ainda tinha algo a falar ao amante:

- Sabe, uma coisa de que gostei muito... foi você não vir pra cá cheirando a mulher. E nem a outro homem. Você veio somente cheirando a Közi...

-...e a Maninha. Eu disse a você que não ia mais vir cheirando a outras pessoas...

- Mas você... vai ser fiel a mim mesmo sem estarmos namorando...?

Aproveitando aquele ensejo, Közi se chegou no ouvido dele e sussurrou lá pra dentro:

- E que grande desperdício de tempo e energia seria transar com outra pessoa quando eu posso usufruir integralmente disso aqui...?

Atrevidamente, ele direcionou a mão para o traseiro do companheiro e o apertou com vigor. Um arrepio involuntário subiu pela espinha de Mana, e ele gemeu de surpresa e prazer...

- Até mais ver, Mana. Logo a gente se vê. No show.

- Tudo bem... au revoir¹!

Közi fez a ele a familiar reverência dos japoneses e saiu da casa de Mana... um sorriso de canto de lábio assinalando que ele tinha ideias a serem colocadas em prática muito, muito em breve.

OoOoOoOoOoOoO

Alguns dias depois, o show do Eve of Destiny iria acontecer. Mana resolveu se arrumar de maneira bem discreta, a fim de não ser reconhecido, assim como Közi fizera.

Fora com os cabelos soltos, óculos escuros, casaco e calça negros, sapatos também negros. Parecia que queria se "esconder" na roupa - e de certa forma era isso mesmo que desejava fazer.

Dirigiu até o local, ficou um pouco na parte das bebidas, tomou um drink de vodca e esperou mais um pouco. Logo, o público foi chegando. Ao contrário do seu, que era basicamente composto por "gothic lolitas" elegantes e mais calmas, o público da banda de Közi era mais composto por "headbangers" e metaleiros em geral. Bem mais masculino, por sinal...

"Por que é que estes caras não gostam de ir em show que tem homem vestido de mulher? Mas que preconceito!", pensou consigo próprio, mas nada disse.

Não muito depois, a banda já entrou. Após mais um pouco de preparação, enfim as luzes se acenderam e deu pra ver a todos os integrantes.

Mana não reparou muito nos demais. Seus olhos foram diretamente em direção a Közi. E para sua surpresa, o amante estava vestido... de mulher!

Sim, de mulher! Mas não da forma elegante que ele fazia... era de uma maneira bastante "maluca", meio punk e subversiva mesmo... ora, a maquiagem até mesmo estava borrada! Era um batom vermelho fortíssimo, um delineador mal colocado... e só! Além disso, usava uma saia negra e botas de coturno pesado.

Mana, que sabia bem como representar a uma mulher, e de forma tão convincente que muitos, sem conhecê-lo, achavam que era uma mulher de fato, achou diversos erros na "produção andrógina" de Közi. Mas de qualquer forma... parecia que o objetivo dele ali era mais "fazer graça" do que ficar bonito...!

Ao contrário de Mana, Közi sabia muito bem como se reportar em público sem vergonha alguma. Tomou o microfone e falou em alto e bom som, pra todo mundo escutar:

- Aeeeeee, galera! Se preparem pra pular a noite toda, porque o negócio vai começar!

Num inglês mal falado, ele fez a contagem regressiva de "three...two...one...now!" e a banda começou a tocar.

Közi pulava de um lado pro outro, dançava, sacudia a cabeça, de vez em quando tentava dar uns requebros pra parecer mulher - sem sucesso, claro... e Mana apenas riu. O que havia de elegante e bonito em seus shows - mesmo que num tom bastante obscuro - nos shows da nova banda de Közi só havia bagunça e irreverência. Algo bem punk mesmo...

Közi errava a letra da música, retomava, tocava a guitarra de qualquer jeito... enfim, sentia-se em casa praticamente. A vantagem de ser artista era aquela... a de poder fazer o que bem entendesse, desde que agradasse ao público.

Mana sentia-se tímido demais pra fazer "headbanging" com o resto dos homens. Quando saía com Közi ou algum outro amigo homem - o que não era muito frequente - ele até se arriscava. Mas ali? Cheio de desconhecidos? Não... preferia ficar quieto.

Mas por dentro... exultava. Adorava aquele som punk, o qual simplesmente lhe fazia lembrar dos bons e velhos anos da adolescência. E do período em que ele conhecera a Közi... e... de repente, ele se viu completamente louco por ele outra vez. Adorava aquele jeito dele, aquela coragem toda de se expressar em público que ele não tinha... e não pôde deixar de pensar que queria tanto que voltássem... mas ainda não tinha coragem.

Tinha de confiar no amante de novo... e isso era tão difícil a si, que era naturalmente tão desconfiado!

Mas o Közi... era o Közi. Que fazer a este respeito afinal...? Amava-o, e já não podia se eximir disso.

Tocaram várias músicas. Mana pediu mais alguns drinks, alguma cerveja... e com um pouco de álcool no sangue, conseguiu enfim reunir alguma coragem para balançar um pouco a cabeça. Mas não muito... ainda agia de maneira tímida.

No entanto, o mais constrangedor da noite ainda estava por vir...

Antes da última música, Közi se reportou ao pessoal de novo. Tomou o microfone em mãos. Deu um pouco de microfonia, e ele xingou o aparelho sem cerimônia alguma.

- Caralho de microfone fodido, funciona logo, porra! Ah, sim! E aí, galera, gostando do show?

O público japonês era um pouco mais acanhado que os demais... mas mesmo assim, algumas vozes masculinas responderam em alto e bom som que "sim". Közi continuou:

- Bem, povo! É isso aí, vamos nessa! Infelizmente o negócio tá acabando...! Mas... antes de tocar a última música, eu queria fazer uma homenagem a alguém...

Ao ouvir aquilo, Mana ficou estático. "Não... Não, Közi... não faça isso...", pensou ele, aflito.

Mas o amante continuou...

- Eu quero dizer a vocês... que tem uma pessoa aqui hoje... que é a pessoa que eu mais amo no mundo inteiro!

Todo mundo olhou em volta, pensando se tratar de alguma garota ou de algum parente de Közi. Mas que nada. De forma involuntária, Mana abraçou ao próprio corpo, se encolhendo no assento... pois seu sexto sentido já lhe dizia o que viria por aí...

E a verborragia de Közi não tinha fim...

- Esse cara... é um cara que me ajudou muito no começo, quando eu nem sonhava em ser músico profissional. A gente passou muita coisa junto... a gente trabalhou junto... e eu só posso dizer que adoro esse cara. Com a permissão dos demais membros da banda, eu gostaria de dedicar esse show de hoje pro MANAAAAAAAA SAMAAAAAAAAAAAA!

A platéia explodiu num EEEEEEEEEEEEHHHHHHHHHH generalizado. Muitos ali não sabiam quem era "Mana-sama"², mas alguns já sabiam, devido à carreira anterior que Közi tivera com ele no Malice Mizer.

De qualquer forma, sabendo ou não sabendo, todo o salão explodiu em ovação. Logo em seguida, a última música começou a tocar.

Mana, é claro, se encolheu todo e se enfiou num canto qualquer da casa de shows. Mas algumas pessoas o reconheceram - mesmo ele estando bem diferente do que costumava estar no palco - e vinham cumprimentar. Ele apenas acenava que "sim" com a cabeça e depois ia se encostar em outro canto. Para si, aquela última música demorou séculos para acabar... e quando enfim acabou, ele pensou em se retirar do local na hora, a fim de não ser interpelado por mais ninguém... e pensar em uma boa bronca pra dar no Közi... quando um dos seguranças do local se chegou a ele.

- Senhor Mana...?

Ele teve um sobressalto, mas atendeu ao homem.

- Sim...?

- Közi tem um recado pro senhor.

Mana tomou a um bilhete das mãos do outro, e leu:

"Meu benzinho,

Vem aqui pro meu camarim que tenho uma surpresinha bem gostosa pra você!

PS: Se não vier vou ficar triste!

Avec amour³

Teu Közi"

Mana bufou de impaciência. Mas que maluco...! Ainda tinha "surpresinha" depois daquele escândalo todo? Mais uma? De qualquer forma, decidiu ir - afinal de contas, estava doido pra dar uma bronca no Közi àquela hora mesmo...

- OK, muito obrigado!

O segurança guiou Mana até o camarim de Közi. Assim que Mana o adentrou, Közi fechou a porta e... apertou o amante entre os braços.

- Közi, seu sem noção...!

- Amour...! E aí, gostou da homenagem que fiz?

- Gostar? Gostar? Você está maluco? Eu não sabia onde enfiar a cara!

Ainda bastante irreverente e meio "tonto" por causa do show recente, Közi encostou a boca no ouvido do amante e sussurrou lá pra dentro:

- Ainda bem que sabe bem onde enfiar a pica, né?

- Közi, eu não estou de brincadeira...!

- Un... e nem eu...

Sem se controlar, Közi o abraçou e passou a beijar seu pescoço, seu colo e seu rosto.

- Közi, vai me deixar marcado com o batom...!

- Agora você sabe o que eu passo quando vem me beijar de boquinha pintada...!

- Aliás, você está horrível de mulher...! Não sabe se vestir de mulher, nem tem biotipo pra isso!

- E você também fica horrível de homem... eu prefiro muito mais a minha lolitinha obscura! Se bem que hoje eu quero mesmo ser a sua puta safada...

De maneira voluptuosa, Közi foi descendo e... abaixou as calças do companheiro, deixando-o apenas de roupas de baixo.

- Közi...! Pode entrar alguém...!

- Entra nada...! Eu tranquei a porta assim que o segurança saiu.

- Podem estranhar, podem suspeitar...!

- Ah, Maninha... deixa que eu faço rapidinho, vai...

- Fazer...?

- É... a surpresa gostosa que falei. Deixa eu chupar essa coisa bem devagarzinho, deixa...

Sem esperar resposta, o "doido" retirou o membro do amante das roupas de baixo - o qual ainda não apresentava ereção... mas logo começou a reagir, pois Közi passou a masturbá-lo e, assim que o viu endurecer um pouco, colocou a cabecinha na boca e começou a chupar...

- Huuuun, Közi...!

O "maluco" chupava com vontade, vez por outra retirando o membro da boca a fim de lamber a base, e enquanto o fazia, batia com o membro do outro, já ereto, em seu rosto.

- Isso... dá uma surra de pica na tua puta, vai, Mana...

O crossdresser, àquela hora, já esquecera da timidez... e apenas se deixou gemer e segurar nos cabelos do amante.

- Segura... vai, segura, puxa mesmo... puxa enquanto eu chupo a tua rola...

- Oh, Közi...!

De fato, ele continuava desempenhando o ato de forma bastante ávida... passando as mãos pelas coxas do companheiro e ao mesmo tempo segurando na base do membro, deixando nele o resto de batom que ainda lhe sobrava.

Após algum tempo, Mana começou a se mover pra dentro da boca dele, e Közi se sentiu feliz... por ver que ele reagia tão bem.

Vendo que ele ia gozar em breve, passou a estimular-lhe o membro somente com a língua, a fim de que ele gozasse direto nela... e assim foi. Tentando abafar os gemidos mais intensos que antecediam ao clímax, Mana derramou-se todo na boca do amante, o qual sorveu tudo sem titubear.

Após isso, Mana se sentiu cansado. Não só pela felação, mas pelo álcool ingerido anteriormente também... e por um estranho porém maravilhoso sentimento de conforto que sentia ao estar ao lado de Közi.

Foi aos poucos descendo pela parede e se abaixou na frente do amante, ainda com as calças arriadas. Não parecia disposto a levantá-las tão cedo...

Közi aproveitou aquela entrega dele e o abraçou, deitando a cabeça dele em seu ombro.

- Maninha... meu amorzinho... meu benzinho, como eu gosto de você...

Közi o abraçou e beijou seu rosto, Mana ainda sentindo os lábios dele meio "grudentos" de sêmen... mas não se importou. Descansou no colo dele, como uma criança descansa no colo da mãe... e nada disse. Mas em seu coração... já sabia o que sentia por ele. Não tinha mais bronca da "homenagem" espalhafatosa que ele lhe fizera... não. Era como se, com aquele ato, todo o rancor que poderia ainda sentir pelo que o ex lhe fizera no passado, se dissipasse completamente.

No entanto, o idílio deles pouco durou. Logo, um barulho foi ouvido na fechadura da porta - e Mana despertou na mesma hora. Voou feito um raio pro banheiro e lá se trancou, a fim de ninguém vê-lo nem de calças arriadas, nem com as marcas de batom de Közi no corpo.

O amante o entendeu. Olhou-se no espelho, ajeitou os cabelos e abriu a porta mesmo assim. Eram os outros membros da banda.

- Eh, Közi, que porra foi aquela?

- Porra? - Közi indagou, lembrando mais do gosto de Mana que ainda permanecia em sua boca, do que de outra coisa - Que porra?

- Aquilo, oras! De dedicar o show pro tal de Mana!

- Ah, caras... eu dei um convite pra ele vir me assistir, qual o problema?

- Nenhum. Mas aí, a banda não é só sua. Tinha que ter pedido permissão pra gente!

- Eu sei... mas me veio na cabeça de repente...

- Cara, você pode ser meio "pirado" e tal, mas aqui é trabalho! Não sei como você fazia na anterior banda do tal de Mana quando trabalhavam juntos, mas aqui é diferente!

- Até parece que eu brinco em serviço! Eh, só fiz uma homenagem pro cara...!

Logo, Mana, que havia escutado tudo do banheiro, saiu do mesmo e foi até os atuais companheiros de trabalho de Közi. Havia, naturalmente, limpado as marcas de batom e levantado as calças.

- Boa noite, senhores. Desculpem a intromissão, apenas utilizei o banheiro de vocês por um pouco. Logo, eu e Közi vamos embora. Eu peço desculpas por ele. Apenas gostaria de dizer, meus senhores, que eu e Közi nunca brincamos em serviço quando trabalhamos juntos...! Não. Foi apenas um deslize o que ele fez hoje, porém... eu sempre levei a música muito a sério, e nunca o deixei brincar.

Todos se surpreenderam ao ver que ele escutara tudo o que fora dito. Vexados, fizeram-lhe reverências e disseram que "não era aquilo que quiseram dizer", apenas não queriam que Közi fizesse coisas sem ordens deles... porém, não achavam-no indigno de homenagem.

- Tudo bem. Eu já entendi. Közi, eu o espero lá fora. Você pode se trocar e tomar seu banho.

Sendo assim, apenas fez uma breve reverência e saiu do camarim. Após aquele "tapa de luva de pelica", os demais membros do Eve of Destiny tiveram de calar a boca...

Közi banhou-se e demaquilou-se, bem como vestiu as roupas de homem. Na saída, efetivamente, Mana se encontrava esperando-o, encostado à parede ao lado do camarim. O amante lhe fez um sinal, e então eles foram embora - no carro de Mana, uma vez que Közi viera com o "staff" do evento.

Enquanto dirigia, Mana ficou completamente em silêncio - e Közi também. Apenas quando chegaram na casa dele e a adentraram, foi que ele disse alguma coisa.

- Közi... você fez mesmo essa homenagem sem avisar a ninguém? Assim, de última hora?

- "De última hora" não foi... eu já pensava bem nisso antes. Porém, não avisei ninguém...

- Você se arriscou... por mim?

- Sim, cara, você merece...

Mana se enterneceu, mas não demonstrou os sentimentos... apenas pediu licença para tomar um banho - uma vez que, após o boquete no camarim, não se lavara... apenas se limpara com papel - e Közi o esperou na sala de estar, vendo televisão.

Após algum tempo, Mana foi ao encontro dele... e dessa vez, completamente vestido de mulher. Uma mulher elegante, obscura... mas uma mulher. E Közi vestido de homem. Sim... agora as coisas estavam certas!

- Közi, meu bem... eu confesso que com o ato de hoje você atingiu meu coração. Anda... deixa essa TV... e venha se entreter comigo.

O "maluco" sorriu de orelha a orelha, não esperando que Mana fosse assim tão direto... mas enfim, tudo bem! Bem até demais!

Bem até além da conta do que Közi poderia esperar, uma vez que Mana já tinha a decisão tomada em seu coração... embora ainda não a houvesse comunicado.

Sim... ele havia decidido. Ia voltar com Közi.

To be continued

OoOoOoOoOoOoO

¹"Au revoir" = até a volta em francês

²Já ouvi dizer ke o Mana não é mto conhecido no Japão... então, coloquei o povo como não o conhecendo muito. Rs...

³"Avec amour" = com amor em francês

EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE, eles vão voltar!

Até o próximo cap!