Uma vida cercada de mistérios envolvendo a origem de seu clã. Minha família sempre vivendo em fuga por causa da perseguição por causa de um sobrenome misterioso que carregam por anos. Os "D". Gold D. |seu nome|. Filha de Gold D. Roger e de Portgas D. Rouge. Frutos de uma paixão vista por ambas as famílias de nossos pais, crescemos com o sobrenome de nossa mãe, que mal pode viver para nos ver crescer. Alguns anos após a tragédia, assumimos o sobrenome de nosso pai, que sempre fez de tudo para que nada faltasse para nós, Gold D. Ace e eu.

Recentemente, mudamos para Dressrosa. Viemos de Loguetown. Meu pai era um pirata que se converteu para um cidadão civil, porém ainda tem o mesmo espírito ousado e bravio que sempre carregou, fugindo da Lei e vencendo batalhas no mar. E ao deixar toda essa vida, disse: "Minha riqueza e tesouros? Se você quiser, eu vou deixar você tê-lo... procurá-lo! Deixei tudo naquele lugar". Tudo que ele fez (abandonar a vida pirata) foi por amor a minha mãe. Mas nada adiantou, pois ele não ficou tanto tempo com ela. E vê como nós como seus verdadeiros tesourinhos. Meu irmão tem o gênio parecido e sempre vivem em atritos. Só não se colidem totalmente por minha causa. Sou até paparicada demais pelos dois. Isso me irrita um pouco, mas sei que é totalmente normal.

Meu pai me colocou em um colégio e internato de sacerdotes, achei horrível. Mas eles dois querem prosperar em negócios por aqui, e minha presença vai atrapalhar em casa. É horrível viver num internato onde todos parecem tão cheios de frescuras. Já tive problemas com algumas freiras apenas por fazer perguntas que expressam minhas dúvidas. Gosto de participar de debates, mas eles não gostam de ouvir opiniões diferentes. Qualquer coisa estranha que eu falo é blasfêmia. E eles aplicam castigos corporais. Já mandei uma carta para meu pai relatando isso, mas nunca teve retorno.

Depois de um ano, esse lugar me parece interessante agora. Esse novo professor que chegou é um padre culto e de boas maneiras, despertou-me o interesse nas aulas as quais eu matava. O único que tratava os alunos da forma mais paternal o possível – nem meu pai me trata assim! É quase como um amigo. Aos poucos, gostaria que ele fosse um de verdade, seria um consolo aqui nesse internato religiosamente infernal.

...

Com o passar dos dias, Corazon ia se afeiçoando por |você|, que era bastante próxima a ele. Uma colega da turma dela começou a observar a mudança no |seu| comportamento. Jewelry Bonney. Era uma aluna com mais ou menos a mesma personalidade, porém mais reservada e maliciosa. Começou a espalhar discretamente o que achava em relação à |você| e ao padre. Mas nada de mais ousado existiam entre |vocês|, era simplesmente uma afinidade melhor. E ambos não suspeitavam e agora estavam mais próximos quando Corazon começou a dar aulas particulares para alguns alunos que tinham menos tempo e mais dificuldade em diversas disciplinas. Como um internato, todos os funcionários tinham contato direto com todos os jovens, e vice-versa.

|Você| dividia o quarto com algumas meninas no internato, uma delas era Bonney. A área das meninas era estritamente separada dos meninos, e só eram misturados apenas nas salas de aula, que começavam de manhã bem cedo e ia até às duas horas da tarde.

– Bom, vejo você amanhã. – disse o loiro, despedindo-se de |você| após deixa-la na porta da área do internato exclusiva a das meninas.

– Até amanhã padre. – respondeu a garota, entrando.

Foi um dia longo cheio de atividades. Tudo que precisava era dormir bem cedo para recarregar as energias para acordar às cinco da manhã. Foi a primeira a entrar no quarto coletivo para dormir. Caiu em um sono profundo.

Durante a madrugada, |você| desperta. Um certo calor incomoda |seus| ouvidos e então, virando-se na cama, |você| percebe alguém por trás de si, sentada ao seu lado.

– E então... ainda somos amigas de segredo? – Bonney relembra que, algum tempo atrás, elas eram até próximas e trocavam segredos típicos entre as amigas.

– ...nunca disse que tinha deixado de ser... – esfregando os |seus| olhos e ficando sentada na cama, |você| dá atenção a ela.

– Eu sei... que você gosta desse nosso professor.

– Ué, gosto dele pelo professor que é... ele é diferente das irmãs que dão aulas...acho que você também destacou ele entre elas.

Bonney sacudiu a cabeça negativamente. |Você| era realmente inocente e não tinha entendido o real sentido da garota de treze anos.

– ...eu falo como homem, |seu nome|! – ela falou ainda mais baixo para não acordar as outras meninas que dormiam – ou você não notou como algumas outras garotas tem uma atração por ele?

|Você| entendeu melhor o que a garota de cabelos rosados queria insinuar.

– Mas eu o respeito. Se está insinuando que estou apaixonada por ele, esqueça-se disso! E se você está apaixonada por ele, sinto em lhe dizer que ele nunca poderá corresponder ao seu amor. Padres não podem se casar!

– Eu sei disso, sua boba! Confesso que sim... é interessante ficar admirando ele enquanto nos ensina os preceitos religiosos... mas eu sei que ele não é um homem comum. Uma pena, não é, |você|?

|Você| olha rapidamente para a janela aberta, a Lua iluminava bem a sua cama. Esperava que ninguém ali acordasse e as vissem juntas.

– ...mas notei que ele parece ser muito próximo a você, |você|. Será que está levando-o a beira do pecado?

– Não diga bobagens! – |você| alterou um pouco a voz antes mais baixa.

– Shhhh! Fala baixo! ...só apenas gostaria de confirmar isso. Não vou sair espalhando. Você está roubando um pouco mais a atenção dele. E você também está diferente de antes...

– ...impressão sua. Apenas sou mais tolerante a ele porque não é de aplicar castigos corporais ao repreender. Ele é bastante evoluído em comparação aos outros professores.

Bonney deu um sorriso meio moleque para |você|. Ela dois tapinhas no ombro da colega e deu boa noite, indo dormir. Assim, a garota pode fechar os olhos |cor dos seus| e deixar-se levar pelo sono. Mas antes disso, ficou pensando naquela conversa. E deu-se de conta nessas possibilidades. |Você| nunca faria uma coisa dessas e ele jamais se prestaria a isso. Jewelry Bonney era uma mocinha muito sonhadora e maliciosa, era o que |você| pensava.

Mas... havia a possibilidade de apaixonar-se... por aquele padre?

...

|Você| passava os dias pensando no que Bonney havia lhe dito. Porém, passou a ser mais observadora com as próprias atitudes. Tentava não olhar tanto o padre ou lhe perguntar muitas coisas quando ele estava quieto. Apenas lhe dirigia a palavra se ele lhe falasse. Também ficava de olho de Bonney e nas outras meninas. Realmente, muitas ali pareciam suspirar. Sem querer, aquilo lhe deixou chateada. E não entendia por que aquilo lhe deixava nervosa por dentro.

Todos os domingos, os alunos e alunas do internato iam às missas matinais. Corazon celebrava as missas a partir de então. Como era prazeroso assistir uma missa tão calma e quase silenciosa. A fala baixa e levemente rouca era tão agradável de ouvir. Ela sentia os olhos tremerem ao receber a Hóstia Sagrada pela mão dele que evitava encará-lo. Por que sentia tais coisas? Será que aquilo era medo de passar má impressão? Realmente, não queria que Padre Corazon tivesse a mesma impressão que Bonney tinha dela. Seria o fim. Sua reputação, que estava melhorando, ficaria pior de uma vez só.

Ao sair da missa, Corazon a chama.

– Ei, |você|! Poderia me fazer um favor?

– Er... claro, padre! Do que se trata?

– Gostaria de arrumar a igreja agora, já que todos saíram. Poderia ajudar sua colega Bonney?

– ...Bonney?

– Sim, ela está na sacristia agora. Vá até ela, logo voltarei e distribuirei as tarefas.

– Sim... sim, senhor.

Ambas ficaram para arrumar a igreja. Enquanto arrumavam o altar, Bonney retornou com aquela conversa estranha.

– ...ele parece um anjo de verdade, não é?

– Sim, parece. – respondeu naturalmente a garota de |cor dos seus| cabelos.

– Vai, não me diga que não observa com "calor" – ela destacou a última palavra.

– Eu o observo com respeito! – |você| parou tudo que fazia para impor-se diante das insinuações dela. Porém não pode evitar nem observar as faces levemente coradas, o que fez a outra rir.

– Eu não estou dizendo que você tem alguma coisa com ele, presta atenção!

– E nem meninas de nossa fase deve ter desse tipo de ideias na cabeça! – cortou |você|. Voltou a arrumar as toalhas de mesa usadas na mesa do altar e a guarda todo o resto. Deixou o resto com Bonney, saindo dali para não conversar mais com ela.

– Mas já acabou? – Corazon apareceu à sua frente, vendo que ela já saía.

– Eu... de repente, não me senti bem. Gostaria que o padre me liberasse antes.

– Bom... tudo bem. Então, nos vemos amanhã na aula. Até amanhã!

– Até amanhã, padre! – |você| retirou-se dali.

...

|Você| enterrou a cabeça no livro didático que estava lendo e estava com outros livros bagunçados em cima de sua mesa. Não quis passar o recreio no pátio. A Irmã Violet passava pelas salas e viu |você| sozinha e foi até.

– |Seu nome|!

– Hã... oi, Irmã Violet... – a garota acorda meio sobressaltada.

– Estava dormindo?

– Sim.

– Não vai comer alguma coisa no recreio?

– Estou sem fome... sinto-me um pouco indisposta.

– Se continuar assim, vamos ter que chamar um médico. Se quiser, peço a Jora para que lhe faça um chazinho. Quer?

– Se for dela, aceito! – disse ela, respondendo mais animadamente. Das freiras, Jora era menos rigorosa. Era até brincalhona.

– Venha, vamos até o ambulatório.

No meio do caminho, deparam-se com Padre Corazon.

– Ué, não está no pátio com seus colegas?

– A |você| não se sente bem. Noto-a meio caída nesses dias.

– Anteontem ela me parecia um pouco indisposta depois da missa, enquanto me ajudava a arrumar a igreja. – virou-se para a menina, apoiando a mão no ombro dela – se quiser, eu te libero da próxima aula.

– Vai dar aula para a turma dela depois do recreio?

– Sim. Ela está muito bem na matéria que estou dando.

– É mesmo, |você|? – surpreendeu-se a freira morena.

– ...se ele diz. – respondeu a garota naturalmente.

Elas riram. Ele seguiu o caminho dele e as duas foram para o ambulatório. Lá, ela tomou um chá fraco e calmante de ervas e pode até tirar um cochilo rápido. Acordou melhor, mas foi dispensada para ficar no quarto coletivo. Aquele quarto coletivo a incomodava muito. Era sem privacidade e tinha cheiros diversos e estranhos que não lhe eram familiares. Como tinha saudades de casa! Mas pelo visto, o pai e irmão a abandonaram ali. Talvez, para sempre.

Corazon andava um pouco preocupado com |você|. Acreditava que aquelas alterações de humor fossem típicas de uma época de transições. Estaria disposto a ajudar a garota no que precisasse.

– Madre Superiora, gostaria de saber algumas informações em relação à |seu nome|.

– Pois diga. – respondeu a Madre Charlotte, também conhecida popularmente ali por Big Mom.

– Ela tem uma família, certo?

– Tem, o pai que é um magnata e ex-pirata. Deixou aqui a filha, pois tem negócios a resolver pelo mundo e não tem como cuidar dela. – disse ela, comendo doces enquanto conversava.

– Somente o pai?

– Acho que sim... só veio ele aqui com ela, há um ano atrás. Parece que, no fundo, ela ficou revoltada. Mas estão dizendo que está mais disciplinada com sua chegada.

– Bom... tendo paciência com ela, deu mais confiança para si. Assim devemos fazer com os outros também.

– É, é verdade... ah, aceita uns doces? – ela ofereceu o pote cheio de doces de aspecto "baboso". Ele recusou gentilmente. Também, ele não apreciava doces.

– Mas, voltando ao assunto: não tem como comunicarmos com o pai? Talvez... a necessidade de vê-lo esteja deixando-a emocionalmente abalada.

– Talvez o padre esteja certo. Vou ver se comunico com ele. Está sempre aí perdido pelo mundo...

– Eu mesmo faço questão de conversar com ele. Se a Madre Superiora me permitir.

– Claro que permito! Tenho muitos assuntos a resolver aqui nesse lugar! – disse ela, pegando um pano meio sujo e limpando as mãos engorduradas.

De madrugada em sua cama, |você| dormia profundamente. Tinha sonhos indecifráveis. Mas podia ver o padre deles. Desde o perfil até o sorriso cativante. As dóceis palavras que saíam de sua boca. O terno olhar. A energia positiva que passava. Mas era tudo confuso, misturado às sensações que sentia. De conforto... de prazer. Por um breve momento, pode vê-lo quase sem a batina preta e queria mudar de vista, mas não conseguia – isso tudo dentro do sonho. E acordou subitamente. Respirava profundamente, tentando se acalmar.

Ficou silenciosa o máximo que podia. Começou a mover os lábios sem pronunciar nada, apenas rezando. Acalmando-se, pode sentir algo diferente no corpo. Era como se estivesse úmida por baixo. Meteu a mão por debaixo da camisola, tocando a calcinha. Estava muito úmida. Será que havia voltado a molhar as calças depois de tantos anos? Ela se levantou com cuidado, verificando se as outras estavam dormindo. Arrumou sua cama e foi até o banheiro que tinha no fundo do quarto. Quase gritou ao verificar sua calcinha: estava totalmente machada de sangue. Entrou em pânico. Mantendo controle para não gritar e assustar as meninas do quarto, foi devagar até o guarda-roupa e trocar-se, indo até o quarto de freira e enfermeira Jora, que ficava ali ao lado justamente para alguma necessidade.

– Jora... por favor... abra a porta. – |você| falava baixinho, enquanto batia a porta sem fazer tanto barulho.

– Huh... oh, o que houve? São duas horas da manhã!

– Estou com problemas!

– Mas o que houve, entra!

A menina mostrou a calcinha e contou que estava perdendo muito sangue e estava desesperada. Ao ver aquilo, Jora riu e |você| ficou confusa.

– Isso é apenas o ciclo de fertilidade da mulher! Então deve ser por isso que estava meio incômoda... seu corpo está se preparando para formar uma mulher fértil!

– ...sério que não estou morrendo?

Jora abraçou a garota de |seu tipo de| corpo, acalmando-a.

– Venha, vou te ajudar a se limpar e a se cuidar nesses dias. Sempre me vem ao ambulatório meninas nessa idade desesperadas por verem sangue saindo entre as pernas. Mas é muito normal isso!

– Todas vocês passaram por isso?

– Eu já estou no final dessa fase. Logo, não sangrarei mais.

– ...irmã, por que vocês que são servos de Deus fazem esses votos onde envolve a castidade?

– Ora, mas por que essa pergunta repentina?

– É... só por curiosidade. Vocês passam por esse ciclo fértil como mulheres comuns, mas sequer podem ter filhos. Passam por dias assim em vão, no caso.

– Porque escolhemos abdicar de todos os privilégios da vida para servirmos a Deus e cuidar exclusivamente de seus filhos. Quem sabe, no futuro, você não pode ser uma serva de Deus, assim como a "mama" Jora?

– Não sei... não me imagino a vida inteira sem família, sem filhos... tenho medo de morrer sozinha.

– Não, sozinha você não vai ficar. Encontrando-se com Deus e com as outras irmãs e irmãos que também escolheram esse caminho, sentirá tão firme e forte que não trocará Deus por nada. E mais... riqueza, luxo, satisfação, instintos... são coisas que corrompem o ser humano. Não são todos que devem abrir mão de tudo isso para seguir Deus. Mas os escolhidos devem abrir mão disso para orientar os leigos a viver uma vida mais pura e menos pecaminosa.

|Você| prestava atenção, compreendendo e associando tudo. Era então esse caminho que Corazon escolheu. E pelo jeito dele, não era somente um servo de Deus. Era um anjo imaculado. Rezaria muito para que esse mesmo Deus a purificasse de qualquer pensamento pecaminoso que tenha passado em sua mente envolvendo aquele padre.