Dias, meses... anos. Eu sempre soube resistir aos desejos e vícios da juventude. Nunca achei que cairia na tentação de violar um dos meus votos. Tinha decidido que nenhuma mulher, ou até mesmo um homem, mandaria em meus pensamentos. Mas |seu nome| havia mudado isso. Eu precisava dela, precisava ouvir sua voz, ela fazendo de mim o que quisesse. Inconscientemente, estava torcendo pra que ela se tornasse minha e não aceitava. Estava desesperado e apaixonado. Fervendo de desejo por ela... por que eu cheguei a esse ponto?

Ali não era mais eu. Ao menos, não aquele padre que era tão fiel a sua missão e aos seus votos. Eu não tinha mais a minha própria voz, apenas seguia obedecendo aos instintos. Não acredito ainda que uma mulher tão pura, virgem e inocente, diferente das outras moças de sua idade, tem um controle tão rígido em meu coração e eu apenas obedecendo ao seu amor. Aquele ser que a tomava por mulher simplesmente não era eu. Queria voltar a ter o mesmo autocontrole como tive perante outras mulheres que me tentaram, mas não consegui mais naquela noite. Apenas obedecia as suas palavras, aos seus pedidos, as suas declarações de amor... a sua total entrega a mim. |Seu nome|... por que consegue me controlar mais que a mim mesmo?

Começamos a nos beijar ali naquele quarto tão silencioso o qual eu dormia enquanto estava hospedado naquela casa. Eu abusando da hospitalidade do pai dela... e nem pensando nisso no momento que apiedei-me daquela criatura que, num momento de meu desespero, havia sido maltratada por mim. Ela me beijava com a paixão e desejo que demonstrava por mim. Ela era ainda mais inocente em seus sentimentos que eu.

|Seu nome| era anjo e demônio ao mesmo tempo. Eu estava não acreditando nas minhas respostas, nos meus gestos, nas minhas atitudes ali naquela cama, com ela ao meu lado. Eu que sempre tive controle de mim mesmo... era como um fantoche nas mãos dela. Estava entregue naquela noite. Ainda após aquilo tudo estava muito excitado, ao mesmo tempo me culpando pelo que fiz. Estou em débito com meus votos e a minha vida de servo de Deus. Será que voltei a ser o Rocinante de antes? Ou sempre fui, mas na pele de um padre devoto e fiel ao seu serviço para com a igreja?

...

O jovem padre se encontrava perdido e disposto naquele momento que jamais esperou viver. |Você| estava totalmente entregue, frágil, pequena perante as mãos que tocavam o corpo despido de cor |seu tom de pele| que enlouquecia o loiro. O Padre Corazon que |você| sempre viu antes, sério, firme e casto agora era outro. Ou talvez o homem que ele guardava para si por causa daqueles votos. |Você| amava conhecer o outro aos poucos, um homem tão maravilhoso que sabia confortar até daquele jeito... pecaminoso. Mas |você| não julgou aquela atitude do padre pecaminosa, afinal ele mostrava sinceridade em seus atos. Sim, ele |te| amava. Ele |te| desejava. |Você| se sentia mal em imaginar o quão difícil era passar anos resistindo aos impulsos da carne por alguém. Por algum ser celestial. Por uma criatura metafísica. |Você| teve pena de Corazon. E também |se| culpava por desviá-lo da vida que ele levou anos para construir para si. Porém, a chama que os acendia ali não te impedia de reagir e sair correndo, pelo contrário... |você| se entregava mais, submissa, frágil, apaixonada, aos toques, beijos e abraços daquele homem que possuía diversas cicatrizes que eram frutos de uma vida árdua em plena infância.

Era a primeira vez para ambos. Porém, os instintos de ambos os corpos agiam como se já tinham feito isso antes. Ele veio até a mim, começou a lamber os |tipo dos seus| seios como se fosse uma apetitosa fruta. |Você| já estava em delírios, as |suas| aureolas já estavam duras de tesão. O loiro começou a descer sua língua pela minha barriga até minhas partes intimas e começou a lamber |seu| clitóris entre gemidos, e parte do pênis rijo dele roçava em |sua| perna. |Você| podia sentir sua língua quente e úmida |te| tocando. |Você| estava tão excitada, ao mesmo tempo em que temia o futuro após aquela noite. Mas |suas| inseguranças não |te| deixavam acuada diante dele. Contra a fraca luz dos abajures, dava para ver suas costas largas e musculosas, movendo-se enquanto se movia entre as pernas dela, ajeitando-se para aliviar a tensão entre suas enormes e largas pernas.

|Você| conhecia o gozo. Várias ondas de prazer |te| faziam revirar os olhos e quase encravar as unhas nas costas daquele home, e ele continuava |te| chupando. |Você| estava muito sensível já, mas ele era lento e não parava de me chupar e de fazer gozar superficialmente. Nunca ambos haviam experimentado o prazer de satisfazer a si e ao parceiro ao mesmo tempo. |Você| foi colocada de quatro, ele começou a posicionar a ponta de seu pênis em |suas| regiões íntimas, enquanto acariciava-|lhe| os cabelos |cor e forma dos seus|.

– ...isso pode doer um pouco no início... e se quiser parar... me avisa.

– Eu confio em você... – do pouco que já tinha ouvido falar, |você| teve uma ideia do que poderia acontecer (a dor da penetração), mas nada |te| intimidava ali. Nada. |Você| queria ele mais e mais, tomada por tantos gozos de antes, quando ele lhe estimulava as partes íntimas com a boca.

E Corazon começou a introduzir devagarzinho em |você|. Sim, doeu demais quando ele introduziu o começo do comprimento, mas |você| apertou os lábios. Apesar da dor, um calor agradável correu pelo |seu| corpo e tudo que |você| queria era mais, sentir Corazon se satisfazer, vê-lo gozar da mesma forma que |você| gozou com seu clitóris. E aos poucos, ele começava a colocar com mais forca e mais rapidamente, puxando levemente |seus| cabelos.

– Está tudo... bem? – ele perguntou, entre suspiros controlados.

– ...sim... – |você| concordou, enlouquecendo-se ao ouvir a voz dele perto do seu ouvido. Uma voz alterada pela respiração mais intensa. Quente.

O prazer era maior, bem maior que aquela típica dor. Logo o padre gozou dentro de |você| e foi a sensação mais deliciosa que |você| sentiu. Também chegava ao orgasmo interno junto com ele. Oh Deus... que delícia era aquilo. Por isso que era considerável tão pecaminoso, tão luxurioso para ser feito por um servo de Deus? E outras perguntas desse tipo |lhe| tomavam a cabeça, enquanto um sorriso satisfeito e sincero aparecia em ambos os rostos.

– Padre... – |você| disse sem querer, fazendo-o voltar a realidade que seu transe havia lhe tirado com aquela cópula. Ele parou, ainda com o sexo fálico dentro dela.

– |Seu nome|... está tudo bem? – ele |lhe| acariciava a testa suada, beijando-lhe a nuca – parece um pouco febril... bom, eu também...

– Está tudo bem... eu te amo.

Ele tirou a mão de sua testa. Devagarinho ele se retirou de dentro de |seu| corpo. |Você| sentiu um leve choque na entrada de sua vagina, mas nada que doesse. Foi até prazeroso, mesmo depois de ter satisfeito |seu| corpo. Ele estava mais calmo, aliviado. Olhou assustado seu próprio membro, com alguns filetes de sangue. Sentiu certa culpa. Ele ajeitou |seu| corpo, colocando-|te| deitada de barriga para cima. |Você| parecia hipnotizada ainda, olhando longamente e apaixonadamente para o corpo dele.

– |Seu nome|... descansa aí, enquanto eu cuido disso. – ele se referia ao sangue que brotava de |seu| interior. |você| se espantou com aquilo, ao tocar-se ali e ver o dedo com uma mancha de sangue.

– Padre... estou realmente bem com isso? – de repente, bateu um pânico em |você|.

– Sim, é normal isso em vocês. Mas é melhor que limpe isso. – ele saiu da cama e vestiu-se rapidamente. |Você| ficou olhando aquele belo corpo nu se vestir, esquecendo-se do pânico de segundos atrás.

– Vou até a cozinha e já volto, fica quietinha aí! – Corazon saiu, fechando a porta.

Quando o loiro chegou até a cozinha, levou um susto ao ver Baby 5 sozinha comendo uma maçã em plena madrugada.

– Olá, Padre Corazon. – disse a criada em um tom levemente provocativo.

– ...olá... vim só pegar água fresca... não se preocupe comigo.

Ela se curvou na cadeira para se aproximar um pouco mais dele.

– ...parece nervoso. O que foi?

– Tenho um pouco de febre e vou preparar uns panos umedecidos com água.

– Quer ajuda? – ela pôs atrás de si, insinuante.

Ele fechou os olhos, agora se irritando com aquilo.

– Por favor, deixa-me sozinho.

– Tudo bem, padre... vejo que se sente inseguro com uma mulher.

Ele deixou a outra falar sozinha e preparou os panos umedecidos. Saiu dali imediatamente. Ao chegar no seu quarto, pediu para que |você| deixasse ele limpar seu corpo daquele sangue. Era costume daquele povo (homens em geral) limpar as partes íntimas de uma virgem que acabara de ter sua primeira vez. Geralmente, eram os homens quem faziam isso em vez das mulheres, como uma forma de pedir desculpas por maculá-las. Ele explicou tudo para |você| e então o loiro começou a rir baixinho, pois nunca imaginou que faria isso um dia com uma mulher.

– Por que ri, padre?

– ...padre... não me chama mais assim enquanto estivermos a sós... – ele afastou as pernas dela enquanto passava o pano limpo cuidadosamente pela região sexual de sua amada – apenas ri porque jamais imaginei que...

– Faria sexo com uma mulher?

– E logo com você... que é minha menina...

– Eu não sou mais sua menina...

Ele parou de |te| limpar, olhando para você com uma expressão indefinida.

– Eu sou sua mulher agora, padre... digo, Corazon.

– Rocinante. Corazon é meu nome após a conversão. – ele decidiu falar seu verdadeiro nome.

– É mesmo?

– Sim, |seu apelido|.

– Rocinante... que bonito nome.

– Eu achava que não existia mais esse homem leigo... até hoje.

De repente, ele lhe olhou desejoso novamente. |Você| apertou os lábios, sendo contagiada por aqueles olhos, aquele fogo que acendia o amor entre vocês. Ele aproximou-se de você e lhe deu um beijo profundo, quase sufocador. Mas |você| correspondeu apaixonadamente, segurando-lhe a cabeça. De repente, alguém bateu a porta e ambos cortaram os beijos meio ofegantes.

– Quem deve ser?

– ...fica aí... acho que sei quem é.

Rocinante foi até a porta e abriu só um pouco.

– Baby 5!

– Vim saber se está melhor da febre... – a tentadora mulher queria sabe como estava e padre e talvez... ajuda-lo com os panos na testa.

– Um pouco agora. Deixa-me dormir, pois você me cortou o sono!

– Ah... desculpa, padre... recolher-me-ei então. Tenha uma boa melhora!

Ela saiu, andando cheia de insinuação. Ele fechou a porta. Ficou mais um tempo encostado ali para ver se ela voltaria para espiar pelo lado de fora.

– Rocinante... acho melhor eu te chamar de Corazon mesmo, vai que eu esqueça e te chame assim na frente dos outros!

– Tudo bem...

Ele voltou para si e terminou de limpá-la. Após isso, ele pediu para |você| colocar suas roupas e voltar para seu quarto com cuidado, pois Baby 5 poderia estar por perto.

– Vou te ajudar a sair daqui sem ser vista.

– Certo, Corazon. – |você| concordou.

Com sorte, Baby 5 já estava lá na cozinha novamente, sem sono e comendo outra maçã. |Você| entrou tranquilamente em seu quarto, jogando-se em sua cama tão satisfeita e tão realizada por ter conhecido o homem que amava de verdade. Seu interior ainda doía um pouquinho, mas aquilo não era de importância para |você|.

– Meu Rocinante... – |você| disse para o teto.

...

Bem cedinho, antes mesmo do pai e irmão de |seu nome| chegarem da farra à noite, Corazon correu até a igreja à procura de um dos padres que viviam ali. Decidiu que confessaria sobre seu pecado, porém escondeu-se em seu capuz, sem revelar quem era. Poderia ser reconhecido pelo padre que lhe atenderia na confissão.

O loiro chorou em sua confissão, pesando pela culpa do seu pecado. De dois pecados, por desobedecer a seus votos e de usar de um corpo virgem para satisfazer seus impulsos sexuais. Confessou que a amava acima de tudo, ao mesmo tempo em que havia se entregado. E a resposta do padre que lhe atendia a confissão lhe surpreendeu.

– Se esse fosse o maior pecado... meu filho, manterei o sigilo e sua confissão. Contudo, precioso eu lhe confessar algo: muitos servos de Deus já cederam lugar para tudo que contraria os votos que fazemos, mas isso não nos torna tão pecador, principalmente aos que admitem com a pureza do coração suas quedas. Sim, é a ruptura de um compromisso... mas se somos sinceros para nós mesmos... voltamos a ter nossa pureza de volta.

– Mas não quero mais nada com essa mulher! Ao mesmo tempo em que... todo meu corpo ferve ao tê-la perto de mim. Não quero voltar a romper esse compromisso que tenho com Deus!

– ...tudo dependerá de você. Mas siga esse conselho: siga seu coração, e não a sua vocação.

– O quê?

– Ouviu mal, meu amigo? Repito novamente: siga seu coração, e não a sua vocação. Sendo sincero consigo mesmo, agradará mais a Deus que fingir o que não pode mais ter.

Corazon silenciou-se, abaixando a cabeça.

– Mas... eu também prometi ao frei que me introduziu essa vocação tão maravilhosa a fidelidade aos meus votos.

– Se ele for teu amigo de verdade, vai te compreender em qualquer situação em que estiver! Tenha fé, este frei provavelmente estará contigo em qualquer decisão sua. – afirmava o padre, encorajando aquele que se confessava tão perdido em suas decisões.

– ...isso eu sei que ele faria por mim.

– Então, meu rapaz... novamente repito: siga seu coração antes de tudo! Vá e que a paz esteja com você!

– ...e minha penitência?

– Reza o terço, apenas. E reflita sobre si mesmo durante isso. De mim não terá o julgamento que espera, o qual eu acho injusto. Mas sou obediente aos preceitos da Mãe Igreja.

Com a permissão do padre, Corazon pode voltar para a casa mais calmo. E refletia em cada palavra ouvida.

...

Roger havia voltado mais cedo que o filho, que se deleitou em uma longa farra naquela primeira madrugada do ano.

– Espero que ele esteja aqui antes do meio-dia. Combinamos todos almoçarem juntos em comemoração ao aniversário dele.

– Ele virá, papai! – |você| disse, esperançosa. Roger |te| olhou de cima para baixo, como se estivesse analisando.

– Parece diferente, minha filha... mais... mulher... não sei.

|Você| abaixou a cabeça, meio encabulada ao ouvir isso.

– Cada vez mais vejo sua mãe em você... agora, lembrou-me dela quando passamos nossa lua-de-mel.

– É?

– Sim.

Você sorriu discretamente. No fundo, só imaginando as mil possibilidades caso seu pai e irmãos viessem descobrir o que havia se passado entre Corazon e |você|.

Ace chegava nesse momento. |Você| foi até seu irmão, abraçando-o.

– Pensei que não chegaria! – disse o velho, dando uns tapinhas no ombro do filho.

– Não falto com a promessa, meu velho pai.

– Estamos juntos, agora podemos almoçar! – |você| cortou aquele clima meio pesado entre os dois.

|Você| foi na frente, arrumando as coisas junto com as criadas. Os outros dois vinham atrás.

– Divertiu-se bem com a cortesã, não é? – Roger perguntou para Ace.

– Sim... e mais. Tenho que te contar algumas coisas acerca desse padre que está conosco hospedado, meu pai...