Dois meses se passaram desde o dia em que se foi. Sinto muita a falta dele. Mas sinto uma felicidade grande em ter aberto meu coração na frente do papai e do Pe. Corazon. Eu já estou pensando em seguir um caminho onde não possa trair jamais meu amor por ele. Talvez... eu siga a mesma jornada que Corazon.
Queria muito poder voltar a falar com ele... mas papai proibiu até as cartas. Achava que, se fossem desviadas, poderiam ser até alteradas e usadas para piorar a reputação do padre... quer dizer... a minha reputação. Ele não estava tão preocupado com o Pe. Corazon como estava comigo. Eu precisava conservar minha imagem de moça pura. Em Dressrosa, não haviam escândalos e ele não queria ver-me como a primeira da lista dos escândalos. Mas queria saber como ele estava...
Sinto-me vazia por dentro, como se um cansaço me tomasse sem fazer nada. Sinto que estou com uma fraqueza emocional muito grande. Mais uma vez, presa em casa. Sequer podia sair mais com as criadas. Uma tristeza e insegurança que me acompanha agora no lugar do padre. Por sorte, ninguém aqui suspeitou de nada entre nós e o que aconteceu conosco. Talvez por ele sair da hospitalidade dessa casa, isso não tenha acontecido. E como as pessoas eram maldosas! Por causa destas, não há como viver na mais secreta paz.
Rezo todos os dias para encontrar-me com ele um dia... mas acredito que ele não venha mais. Esperei anos para reencontrá-lo... agora esperarei uma eternidade para reencontrá-lo pela segunda vez. Choro na cama quando sempre vou dormir. Eu durmo com um terço em mãos, não exclusivamente porque busco conforto em Deus... e sim porque Corazon costumava rezar com ele nas mãos. Lembro-me das mãos dele envolvidas nesse terço. Assim, meu choro silencioso se transforma num sorriso de saudades. É bom lembrar-se dele quando esteve aqui... quando me tomou em seus braços... eu não me arrependo em ter deixado tomar a pureza... pois ele era o único a quem eu a entregaria. E ele ainda é mais casto e puro que eu... estive em boas mãos. Nunca fui tocada por mãos grosseiramente masculinas. Fui tocada por grandes mãos angelicais... e isso me conforta só de lembrar. O que me faz cessar as lágrimas.
E aqui novamente, em minha cama, esperando pelo sono noturno... pergunto-me se ele ainda pensa em mim... e se ele está bem.
...
Enquanto |você| se remexia na cama esperando pelo sono e pensando no Padre Corazon, uma pequena queimação por dentro começou a incomodar. E a queimação se transformava em desconforto abdominal. De repente, |você| quis ir até a cozinha pegar um copo d'água. Bebeu a água com uma sede que nem imaginava estar.
– Acordada nessas horas da madrugada?
– Ace! Não me espanta assim! – |você| disse com uma mão no coração e a outra segurando o copo – Eu... estou novamente sem sono... e acordei com uma queimação por dentro.
– Outra vez?
– Sim...
– Você está muito nervosa desde que aquele padre partiu... fala para mim... você o ama, mesmo?
– Eu enterrei esse amor! – |você| colocou o copo na pia – isso foi só uma pequena fase... já passou.
– E na época do internato... você já gostava dele?
– Não. Na época era muito menina. Não entendia dessas coisas!
– Pois eu soube de um caso em que ele também foi acusado em se envolver com uma aluna lá na Escola da Marinha...
|Você| se lembrou do escândalo que foi fruto de uma cilada preparada por Bonney e Nami.
– Eu... não me lembro disso. Sei que ele saiu para vir para Dressrosa dar aulas na universidade. Isso devem ser só boatos... – |você| passou a mão pelo estômago, como se este estivesse recusando a água que havia bebido.
– Que foi, |seu nome|?
– hmmm...
|Você| saiu correndo para o primeiro banheiro que encontrasse. No das criadas, |você| pôs tudo para fora. Ace foi atrás de você.
– |Seu nome|, minha irmãzinha! Você não está bem!
– ...eu vou ficar bem...
Ace passava a mão pela |sua| testa. Estava suada, como todo o rosto.
– Vou acordar o papai, ele tem que saber...
– Não, Ace! Não incomoda o papai!
– Incomodar ele é quando ele souber que a filha dele está doente e está sem saber! – Ace |te| ajudou a levantar e a se limpar, levando-a no colo até seu quarto e colocando na cama – agora, fica aí! Não levanta por nada até que papai venha te ver.
– ...tudo bem.
Piscando o olho para você para acalmá-la, Ace foi acordar o velho Roger e explicar sobre |sua| saúde. Imediatamente o homem de bigode longo e curvilíneo foi até você, medindo sua temperatura pela testa e pulsos.
– Como está suando!
– É que está calor...
– Calor... mal entramos no outono... e está bastante frio! – comentou Roger, que estava sentado na cama ao lado da jovem dos cabelos |cor dos seus|.
– Papai... chamo a Baby 5 para ajuda-la?
– Chama, sim! Eu vou chamar o doutor!
Dra. Kureha era uma doutora altamente habilidosa da Ilha de Drum. Ela era referida como uma "bruxa" por algumas pessoas ali em Dressrosa, porém era uma excelente médica. Estava a trabalho em Dressrosa. Roger mandou chama-la. Sorridente e energética, a experiente médica recebeu |você| com todo o carinho.
– Poderiam me deixar a sós com ela? – ela pediu ao pai e ao irmão.
– Claro... vem, Ace! – Roger disse.
Quando ficaram a sós, ela pegou em |seu| queixo e |te| fez mirá-la.
– Huuuummm... se não fosse por ser uma menina virgem, eu poderia dizer que está grávida de dois meses!
|Você| ficou boquiaberta. E ela riu.
– Hahaha... como você é inocente! Mas vamos fazer alguns exames... antes me fala dos sintomas que teve ainda pouco.
– Eu... sinto meu estômago queimar... leves enjoos... mas não tive isso antes, não...
– Ahhh... – disse a médica, vendo as pálpebras da paciente.
Então a doutora levantou |sua| camisola, pedindo licença antes, e usando uns aparelhos em formato de balões na barriga. Colocou o ouvido na ponta dos dois para ouvir |seu| ventre.
– E suas regras?
– Minhas regras? O que tem elas?
– Queria saber se elas vêm corretamente, de 28 em 28 dias... ou não sabe o que é isso?
– Claro que sei... claro que sei... mas eu não conto os dias.
– Deveria contar. Talvez, esteja com alguma disfunção no seu ciclo menstrual e eu achando aqui que está grávida!
|Você| riu encabulada. Nem passava pela sua cabeça a possibilidade de gravidez. Mas... um filho |seu| com Corazon... seria uma coisa maravilhosa... apesar de perigosa.
Foram dois dias de exames. E Kureha confirmou séria o que suspeitava. E estava pensando em falar a verdade da melhor forma para o pai, visto que ele se enfureceria. Mas resolveu falar primeiro para |você|.
– Minha querida... talvez eu esteja te metendo numa fria... mas é preciso falar a verdade.
– Diga.
– Bem... lembra que eu disse que suspeitei de sua gravidez?
– ...sim?
– Pois é... você está grávida.
|Você| ficou parada, olhando para o nada. Parecia que estava em outra órbita. A médica |te| pegou pelos ombros e sacudiu levemente.
– Oi! Está tudo bem! Você está em perfeita saúde, apenas com um pequeno desvio para a depressão por causa das alterações desse início de gravidez.
– Mas... você sabe... meu pai...
– Imagino, mas ele tem que saber a verdade. Eu sinto muito. Breve teremos mais um casamento precoce em Dressrosa!
E ela se levantou da cama. |Você|, deitada, pensativa. E perdida!
– ...Doutora Kureha...
– Sim?
– Tem como... evitar que meu pai saiba disso?
– Olha... a barriga vai crescer e seu pai vai descobrir... a não er que... queira interromper a gravidez... mas acho arris...
– Nunca! Nunca que vou tirar o filho dele!
– ...dele quem, mesmo?
– ...do pai.
A velha médica caiu na gargalhada.
– Claro que o filho é do pai, não é? Mas... acho que ele deve saber, também. Ele também está gerando esse filho.
– ...pior que ele nunca poderá saber!
A doutora sentou novamente na cama.
– É filho de uma aventura, não é?
– ...não de uma aventura... é simplesmente um fruto proibido.
– ...não entendo, por que proibido?
|Você| hesitou em contar a verdade por tantas vezes que acabou cedendo. Kureha parecia ser alguém confiável em guardar segredos.
– Eu... bom, se eu contar a verdade, você não sai falando?
– Posso fazer o juramento, se quiser.
– Pois bem... você conhece um padre de nome Corazon?
– Padre? Ah! Não tenho religião, logo não conheço padre algum! Mas... o que tem ele?
– ...nós tivemos um rápido relacionamento e...
A doutora deixou a boca se abrir de surpresa.
– Está esperando um filho de padre, menina? É isso que está me dizendo?
– Por favor! – |você| pegou nas mãos enrugadas, porém macias, da doutora. – guarda esse segredo entre nós.
– Está...bem... juro que não falarei nada dessa sua confissão. Só espero que... seu pai seja tolerante.
– Será que eu falo para ele?
– Deixa que eu fale... você não... pode ser que ele te ataque logo... eu vou prepara-lo antes.
– Mas, por favor, ó! – |você| fez sinal de silêncio para ela não falar nada do Corazon.
...
Corazon estava em um quarto pequeno, escuro e frio, olhando para a janela. Nuvens brancas cobriam o céu da noite. Caía neve aos poucos. Estava se sentindo menos atentado pela luxúria, mas não conseguia tirar da cabeça o amor que sentia pela |seu nome|.
Ele também queria sabe como |você| estava. De repente, resolveu escrever uma carta para |você|, mesmo que não pudesse responder de volta. Na manhãzinha, entregou a carta ao menino que trabalhava como entregador de cartas. E seguiu para mais uma rotina de aulas. Seus alunos o respeitavam. Bellamy pediu desculpas, dizendo que estava bêbado e que havia dito o que uma das criadas de |sua| casa havia lhe dito. Corazon o perdoou, causando sem querer uma frustração no aluno. Mas Kid não perdoava Bellamy por difamar |você|. Viviam distantes um do outro, para evitar um encontro mais "caloroso".
Ele estava ansioso para que ela lesse a carta e respondesse. Agora, só o tempo traria a resposta dela. Na carta, apenas queria saber como estava e que estava bem, morando na igreja principal de Dressrosa. Palavras inocentes de consolo e de esperança.
A paz que ele tanto desejava para ela estava longe de vir. Roger ficou louco ao saber a verdade. Associou tudo que passou.
– Aquele sacerdote de...
Não poupou palavras blasfemosas contra o padre e a Deus. A médica experiente guardou o segredo, mas Roger havia ligado os fatos. Ace havia contado do caso no internato onde |você| estudou.
– Vou acabar com a raça daquele sedutor de batas, juro que vou!
– Mas por favor... não deixa sua cólera atingir a |seu nome|. – pediu Kureha.
– Cale-se!
– Papai... fica calmo... – pediu Ace.
– Bom... – Dra. Kureha suspirou longo – posso continuar a cuidar da gravidez dela?
– Ela não pode ter esse filho!
– ...isso você terá que ver com ela.
– Ela vai me desobedecer? Já esqueceu quem sou e quem manda aqui, é? – ele chegava a afinar um pouco o tom de voz quando discutia. Ace sempre continha a risada quando ouvia o pai falar com essa voz. Inclusive naquela hora.
– Eu... eu vou ver a mana, posso? – disse Ace, querendo sair dali logo antes que começasse a rir.
– Vá! Pode ir... avisa a ela que as coisas ficarão sérias para ela de agora em diante!
A doutora apenas olhava preocupada para o homem que apertava os punhos. Depois de ter sido paga pelo serviço, ela se retirou. E Roger for imediatamente até |você| lhe dirigir palavras ríspidas.
– Então... a doutora contou?
– Contar? Nem precisa contar detalhes! Sou um homem vivido, menina! E saiba que não quero que tenha esse filho!
– Não quer? Eu quero!
– |Seu nome|! – Ace, pedindo que |se| controlasse.
– Está me desafiando? – Roger falou rangendo os dentes.
– Estou defendendo o direito de nascer de um ser que não tem culpa de nada! – |você| disse firme e calma.
– Ele não vai poder assumir essa criança! E nenhum rapaz vai querer ser padrasto de um bastardo! Pensa nas coisas, sua irresponsável.
– Então eu saio de casa!
Roger encarou |você| com fúria. |Você| ainda temia seu pai, mas jamais permitiria que tirassem o filho de |você|.
– Não diga o que eu tenho que fazer! Ainda é minha filha e depende de mim! Então, abaixa esse tom de voz e essa sua arrogância, pois não tolero desobediência!
– E eu não tolerarei que você interfira na vida do filho que não é seu! – |você| silenciou o velho com essa – e ele tem que saber! É dele também!
– Ace... fica com sua irmã... já sei o que vou fazer!
Roger deixou a filha com o outro e ligou para o internato onde |você| estudou e conheceu Rocinante. Pediu ajuda para a Madre Superiora, pedindo para que levassem-na de volta para lá, para que cuidassem dele em uma situação urgente. Ele contou que ela estava grávida devido a uma aventura amorosa, mas não explicou quem era.
– Oh, céus! Mas justo ela? – exclamou Big Mom.
– ...quero que arranjem um jeito de entregar esse filho para alguma pessoa que queira criar, talvez se vocês quiserem cria-los, pode. Vocês cuidam de minha filha até que ela dê a luz! Fariam isso por mim? Sou um pai perdido!
– Mas não sabe quem é o pai?
– Ela recusa a falar. Tem medo de mim!
– Não se preocupe. Vamos acolhê-la novamente como se ela ainda fosse aquela menininha levada e teimosa!
Após acertar com Big Mom, Roger voltou para a filha.
– Você voltará a ficar naquele internato. Aqui não quero que fique até dar a luz. Pelo menos lá você terá o que comer e vestir. Eu ainda estou sendo muito gentil, não?
– ...não poderia fazer o pior. Seria crueldade.
– Mas presta atenção... se contar quem é o pai dessa criatura... não agirei como um pai, |seu nome|. Elas pensam que é de um outro homem... nada falei em relação ao padre...
– ...mas e ele?
– Ninguém vai saber, |seu nome|... ou... já sabe? Terá que interromper essa gravidez!
– Isso nunca!
– Então faça o que mandei! Amanhã mesmo... já voltará para o internato.
...
Foi horrível sair dali meio fraca e decepcionada por não poder contar ao Pe. Corazon a verdade. Saiu com sua velha mala, cabisbaixa, preocupada. Roger ia ao |seu| lado, com a cara mais enfezada que podia fazer. As criadas olharam umas as outras. O que ela teria feito? O que passava?
Ace ficou em casa vigiando as coisas. Durante aquela tarde vazia, alguém bateu a porta dos fundos.
– Ué... quem quer entrar por lá?
– Posso atender? – perguntou Baby 5, servindo vinho para o rapaz.
– Eu vou com você! – ele se levantou, com a taça na mão.
Baby 5 atendeu. Era Drake, às escondidas, querendo entrar uma coisa para |seu nome|. Ace apareceu.
– Preciso entregar isso para a Srta. |seu nome|.
– ...presumo que é uma carta do Padre Corazon?
– ...sim. Ele precisa falar com ela, nem que seja por cartas. E avisa a ela se amanhã puder entregar uma resposta, seria melhor que esperar dias. Ele vai partir em uma jornada por alguns meses.
Ace olhou a carta e para Drake. Pensou nos fatos e no que aconteceria com sua irmã. Temos difíceis viriam.
– Eu entregarei a carta. – Ace tentou pegar a carta, mas Drake recolheu a mão.
– ...certo que fará isso?
– Farei. Tentarei enviar para ela escondido do meu pai.
– Enviar para ela, como?! Se ela mora aqui!
– Morava... – disse Baby 5 e Drake olhou confuso para ela.
– Ela passará fora de casa por meses também.
De repente, Drake resolveu não entregar a carta. Achou tudo muito suspeito. Guardou a carta no bolso da blusa que mostrava pequena parte do peitoral.
– Deixa, então... se não dá para entregar para ela... entregarei em uma outra ocasião.
– Eu tenho como enviar para onde ela está. – reafirmou Ace.
– ...não a desvia, por favor... – Drake olhou Ace de cima para baixo – é muito importante! – e confiou a carta, entregando-a para Ace – acredito que não dará para ela responder em tempo.
– Mas ela enviará a resposta por mim. E guardarei até que o padre retorne.
– Fará isso mesmo? Não posso decepcionar meu mestre!
Ace pôs a mão no ombro do homem mais alto.
– Por que não entra e toma alguma coisa? Poderemos conversar melhor sobre as coisas que estão acontecendo aqui...
Enquanto isso, Corazon arrumou as malas, pronto para sua jornada peregrina. Antes de sair, recebeu uma ligação do internato onde estava chegando |você| e Roger.
– Olá! Há quanto tempo!
– Madre Superiora... a que devo a honra em tê-la ligado para mim?
– Apenas querendo saber das novidades... ah e meus docinhos? Esqueceu-se de enviá-los?
– Não tive muito tempo... só agora que eles vão entrar em férias de uma semana... posso fazer minhas "caminhadas" – era como se referia as jornadas peregrinas.
– Hmmm... soube que estava hospedado temporariamente na casa de uma ex-aluna, não é?
– Até dois meses atrás, quando consegui um lugar mais privado para morar.
– Ahh... e ela voltará a ficar aqui por uma meses, você sabia disso antes?
– Hã?! Mas... o que houve? Nada sei...
– Acho que deveria vê-la... pois parece que se meteu em uma encrenca feia!
– Nossa! Ah... queria tanto vê-la! Mas quando puder, visitá-la-ei logo.
– E traga aqueles docinhos, hein?! Heheheh...
– Claro, claro! – ele comentou quase rindo da Big Mom, que parecia uma criança quando se falava em doces – mas ela em geral está bem?
– Sim, de saúde sim. Mas o resto você ficará sabendo quando vir. Vai se surpreender!
