Eu fiquei passado. |Você| grávida?!

Quando a Madre Superiora me contou o ocorrido, pude entender tudo sem falar nada que levantasse suspeita. Pobre |seu nome|! Levar uma gravidez diante sem poder ter o pai ao lado... jamais poderia assumir esse filho! Meu filho... e eu que jamais poderia assumi-lo. Era horrível aquilo... embora eu já estivesse preocupado com a criança que |você| estava esperando. Então, o velho Roger mandou as freiras do internato cuidarem de você longe da sociedade, hein?! ...sempre mais preocupado com a sua reputação diante da sociedade que com a própria filha!

Como vou ficar diante de |você|? Tenho medo em |te| reencontrar e as coisas se complicarem. Ao mesmo tempo... quero te ver novamente e saber como está passando |sua| gravidez. E o que Roger planeja fazer com a filha depois que nascer o neto – ou neta?! Isso me atemoriza. Temo que ele queira retirar o filho dos |seus| braços e dar para alguma instituição, para fazê-la parecer virgem perante a sociedade. Eu precisava agir... não, pensar antes... pensar muito... eu não queria ver nosso filho tomar um rumo tão distante e tão indeciso quando nascesse.

...

– Ei, padre... está me ouvindo?! – Big Mom estalava os dedos bem na cara de Corazon, que despertava de seus pensamentos – o que acha disso? E não sei, não... parece que o pai dele não vai querer o neto... e deve deixar conosco. Vai ser horrível para a pobrezinha se ela tiver que abandonar o filho à força.

– Ela não vai abandonar o filho! – disse Corazon subitamente.

– ...o que pensa em fazer?

– ...se... o pai dessa criança pudesse descobrir que ela espera um filho... – no fundo, ele se sentia mal em falar assim, mas deveria despistar qualquer suspeita envolvendo os dois.

– Duvido! Duvido que isso aconteça! – ela comentou, devorando uns doces em sua mão enorme – o homem lá é bem rigoroso... e teme pela reputação da família.

– Vou convencê-lo a deixar conosco, então.

– ...e se ele não quiser que a filha tenha uma aproximação assim tão fácil?

– Não importa, ele vai ter que ouvir!

– Hehe... à propósito, quer rever sua ex-pupila?

– Gostaria... – seus olhos brilharam – e, além disso, ainda sinto-me como tutor dela... agora mais que nunca!

– Venha comigo! – disse a Madre Superiora, limpando as mãos em um pano mais próximo e levando-o até o quarto de hóspedes onde estava |você|, que estava deitada na cama lendo a Bíblia. |Você| largou o livro pequeno e grosso na cama ao deparar-se com quem entrava no quarto com um belo sorriso estampado. Era tudo que |você| mais queria, se jogar nos braços dele a apertá-lo bem forte – e foi o que realmente fez.

– Nossa... você está bem forte!

– É?

– Sim... estava preocupado quando me informaram que chegou meio abatida.

– Mas estou bem... melhor agora!

– Vocês querem conversar a sós um pouco? Mas tem que ser breve, Pe. Corazon. – avisou Big Mom, depois se dirigindo a |você| – |Seu apelido|! Eu trouxe uns doces para você, quer?

– Ah, quero sim!

– Mas isso não substitui as refeições, |seu nome|! Espero que esteja comendo comidas mais saudáveis também! – Rocinante falava como se fosse um pai.

– Claro, padre!

– E quanto tempo vai ficar aqui? – Big Mom perguntou ao enorme homem loiro.

– Terei que ser breve, madre...

– Por que?

– Não recebeu minha carta, |seu nome|?

– Não... não ainda.

– ...entendo. Vou fazer uma jornada peregrina, mas antes vim trazer os doces que estava devendo para a Sra. Big Mom.

– Senhorita! – a própria o corrigiu.

– Heh... perdão, madre.

– Certo, certo! Sejam breves nessa conversa, com licença. – Big Mom fechou a porta. Rocinante guiou |você| pelas mãos e a levou para se sentar na cama. Ele se sentou no chão, em frente à |você|.

– Tem uma cadeira ali perto da cortina.

– Prefiro admirá-la como uma bela imagem no altar...

|Você| não pode evitar um sorriso involuntário. Mas a surpresa na mudança de humor dele lhe fez fechar o sorriso.

– Sei de tudo, |Seu nome|... sei que está grávida e que esse filho é nosso... mas escuta bem: farei o possível para que seu pai não faça nenhuma besteira.

E do sorriso de antes, um choro entre soluços, acudida no colo e nos braços dele. |Você| não pode segurar a preocupação e a emoção de vê-lo se preocupar com a criança.

– Está tudo bem... fica calma. – ele |te| acariciava os cabelos, aninhando |você| nos braços dele como uma criança insegura.

– Temo meu pai... sinto que ele vai querer que eu abandone meu filho, para me fazer passar por solteira e virgem digna de um matrimônio! – |você| falava entre soluços.

Ambos se apertaram em um forte abraço. Depois, ele a olhou bem nos olhos |cor dos seus| da amada e prometeu.

– Faremos de tudo por ele... – e apontou a barriga dela, tocando levemente com o indicador e o médio. |Você| sentiu alívio ao vê-lo tocar a barriga, para poder sentir algum vestígio da presença do bebê que estava sendo formado.

– Mas... você não pode assumi-lo como pai...

– Mas você pode assumir como mãe! É isso que importa!

– ...uma mãe solteira?

Corazon calou-se. Mas continuava |te| confortando com carícias em seus cabelos |tipo e cor deles|.

– ...confia em mim. Tenho certeza que Deus jamais nos perdoaria se algo de errado e injusto acontecesse com ele... ou ela.

– ...apenas queria... que você pudesse vê-lo crescer...

– E verei. Prometo a você, |seu apelido|.

...

Ace olhava a carta em suas mãos. Drake tinha ido embora e ele estava na dúvida: entregar a carta para a irmã às escondidas de Roger ou não. Não costumava desobedecer ao pai, mas tinha pena da irmã. Ao ver o pai chegando, Ace tratou de esconder a carta.

– E então? |Seu nome| voltou a morar lá...

– Sim, por pouco tempo. Até o bebê nascer.

– E o meu sobrinho? Vamos cria-lo?

– Vou pensar muito sobre isso... mas creio que isso comprometa a reputação de moça solteira de sua irmã... talvez...

– O padre já sabe que...

– Nem tem que saber! – cortou o homem.

Ace suspirou.

– Então |Seu apelido| não poderá assumir o filho que é...

– Já chega, Ace! Vou me recolher, até daqui a pouco.

– Até, meu pai...

Ao ver o pai sair, Ace voltou a brincar com a carta em sua mão. De repente, teve uma ideia: esperou o dia seguinte, quando o pai mandaria mais coisas dela para o internato. Colocaria a carta entre as roupas com cuidado para que tudo fosse junto no embarque. E assim fez.

Ao perceber a carta entre suas roupas, |você| abriu. Leu as doces palavras do seu amado padre, que também contava sobre essa peregrinação.

– Como essa certa veio parar aqui? – |você| perguntou.

Então, |você| pensou em Baby 5 ou Ace. Independente de quem fosse, |você| era grata demais aos dois por isso. Os meses foram passando, e |você| pode ter um pouquinho de contato, amor e proteção do homem que amava proibidamente. Secretamente, amaldiçoava seu destino por fazer amar quem não poderia amar. Mas a espera do filho que era o laço único entre os dois |te| dava conformidade e esperança.

Mas ainda viviam distantes dentro do internato. Por mais que ambos quisessem se grudar e nunca mais se separarem, não podiam. Só se encontravam em momentos de confissões ou da reza do terço. Ou às vezes no refeitório. Tudo tão discreto e tão secreto... apenas em seus olhares poderiam se comunicar como quisessem – ainda com os cuidados.

Depois de algumas semanas, Rocinante teve que partir, despedindo-se tão emocionado de |você|, que também fez o mesmo. Irmã Viola e Irmã Monet se olharam rapidamente, achando aquilo tão curioso e estranho. Não maliciaram nada... mas sentiram algo "químico" entre os dois, que estavam abraçados e chorando.

– Prometo a você que vai dar tudo certo... – disse ele ao pé do ouvido.

– Não importa o que vai acontecer... eu te amo... confio em você! – |você| fez o mesmo.

– Tentarei voltar antes do nascimento dele.

– Tudo bem...

Olharam-se. Não podiam selar a despedida com um beijo nos lábios, mas ele ousou em beijar |você| longamente na testa. Rapidamente, |você| pensou nas duas freiras atrás, mas agiu ali naturalmente. Ele ficou diante de |você|, gravando sua imagem para depois partir. |Você| limpou as lágrimas, voltando para as freiras que estavam distantes, apenas acompanhando |te| acompanhando.

– Vamos, |Seu nome|? – Monet a abraçou, acompanhando-a junto a outra irmã.

– Quer comer alguma coisa? – perguntou Violet.

Durante todo esse tempo no internato, |você| não podia se sentir melhor em outro lugar a não ser ali. Desde as remotas lembranças que tinha dele até aquele momento mágico que vivenciava, |você| se sentiu tão bem consigo mesmo que até havia se esquecido do pai furioso que tinha planos opostos ao seu em relação ao neto que estava para nascer.

...

Os meses se passaram. Padre Corazon voltava da peregrinação, direto a casa de Roger, onde teria uma conversa íntima e firme. Estava decidido a enfrentar o homem. Quando Baby 5 foi comunicar a Roger quem estava à porta, o ex-pirata quase se engasgou com o licor que bebericava.

– O que ele quer agora?!

– Falar com você.

– Nada vai adiantar... ele tem que esquecer minha filha! E jamais saber desse bebê que ela espera!

– Mas... eu o deixo entrar?

– Claro que não!

– Tarde demais. Já estou aqui! – Corazon estava na sala principal, diante dele. Baby 5 se sentiu intimidada, retirando-se dali sem pedir licença. Roger olhava-o seriamente.

– ...o que quer com |Seu nome|?

– Eu sei de tudo envolvendo ela, Sr. Roger.

O homem de longo bigode arregalou os olhos.

– E quero resolver isso de forma pacífica e ajuizada. Se a obrigar a dar o filho, terá que dar a mim. Eu sou o pai dele e tenho esse direito.

– Quer assumir a criança... sendo padre? – comentou entre risadinhas de deboche.

– Sim... não preciso contar as reais circunstâncias... já criei muitos órfãos, sei bem lidar com crianças. – e ele se aproximou mais um pouco do homem – e estou disposto a largar toda essa minha vida... por sua filha. Se a forçar a fazer alguma besteira... você... será o vilão maior dessa história.

– Não se atreva a me ameaçar, padre! – Roger jogou a taça de licor no chão, quebrando-a – Eu sou um homem influente na sociedade e...

– Pouco me importa isso! Estou avisando... que serei tanto um pai para ela como serei para meu filho que vai nascer! – ele alterou um pouco a voz calma e grossa – meu filho tem todo o direito de nascer e de ter sua família... mesmo que seja parte dela.

– Saia daqui agora! Senão, vou atravessar minha espada nessa sua barriga seca!

– Vou sair mesmo... mas já sabe. Sua filha jamais sofrerá a dor de ter um filho arrancado dos braços! Não permitirei! Até mais, Sr. Gold D. Roger!

E ele saiu. Roger caiu sentado numa cadeira mais próxima, mais preocupado com o que o padre podia fazer em relação a sua reputação que com a filha em si. Ace observou tudo atrás da porta da sala e nem se moveu para falar com o velho pai. No fundo, sentiu-se bem em ver aquele padre proteger a irmã que não via há meses. E não se arrependia em ter feito a carta de Corazon chegar entre as trouxas de roupa dela. Baby 5 chegou por trás do Ace, que se assustou.

– Ai, garota!

– Desculpa... mas é que...

– Ouviu a conversa, não?

– ...não deu para evitar... mas você também ouviu!

– ...é. – o outro suspirou.

– Mas eu... queria muito pedir desculpas.

– Desculpas? Por quê?

– Sinto que fui a culpada de tudo... descobri tudo antes e, em vez de ficar quieta...

– Já sei, já sei! Espalhou para Dressrosa toda! – Ace comentou aborrecido.

Baby 5 parou de falar, abaixando a cabeça.

– Vou tomar um banho... mas vê se não espalha isso para todo mundo. – Ace comentou debochadamente, fazendo a outra se recolher em seu quarto e começar a chorar arrependida.

...

Há alguns meses atrás, antes mesmo de |seu nome| descobrir a gravidez, Roger havia combinado acertar um possível encontro com um rico homem que havia um filho solteiro e estava à procura de casá-lo. O homem pensava nisso frustrado. Quem e como passou para Corazon a informação sobre |você|?

Agora, nada importava... mas a ideia de casá-la brevemente não lhe saía da cabeça. Era só uma questão de poucos meses até nascer a criatura. O padre estava como que engasgado em sua garganta. Tinha medo que ele fizesse algo que toda a Dressrosa viesse saber. Então... uma ideia perversa veio em mente. Jamais havia se deixado levar por tais ideias, nem mesmo quando era um pirata. Mais que uma ambição... era pessoal. E envolvendo sua preciosa filha. Um pedaço de sua mulher que não estava mais ali.

Foi então que percebeu a falha em ter sido distante de sua filha. Não podia voltar ao passado para resolver o que não pode antes.

– Ei, velho! Estou chamando aqui! – Ace chamava pelo pai que estava distraído em seus pensamentos.

– Velho?!

– Deixa para lá, pai! Queria saber de uma coisa.

– Fala.

– Faltam poucos meses para a |Seu nome| ter o bebê dela... e o que você decidiu, meu pai?

– ...o que você acha que eu devo fazer?

– Sinceramente... deixa-la escolher o melhor para ela.

– Ah!... – resmungou Roger.

– Sério mesmo... sendo bonita e dona de um considerável dote, não faltará padastros! E o Padre Corazon, mesmo sem saber, vai sempre protegê-la. Acredito que ele jamais vai abandonar o celibato por causa desse deslize, mas se ele soubesse... certeza que protegeria sem falar a verdade para o filho quando crescesse.

– ...mas esse Padre Corazon... não me sai da cabeça. Hoje mesmo, veio me afrontar achando que vou desfazer do filho que sua irmã espera.

– Ah, ele sabe?! – Ace se fez de inocente.

– Sabe...

– E ele veio... para garantir a proteção do filho dele? Achando que ela vai abandonar o filho por sua causa?

Roger se levantou da cadeira, indo até a janela.

– Ace... preciso fazer uma coisa. Posso contar com sua ajuda?