Você é um amor quase impossível, só não é totalmente porque ainda te amo. Sabe bem que te amo e que faria qualquer coisa para te fazer feliz e ao meu lado, como um home comum aos outros. Sei que você também sente algo por mim, apesar da sua vida de padre e seus votos te impedirem disso. Estamos recebendo justamente de Deus uma vida que simboliza a nossa união. Uma vida que merece ser amada e respeitada.
Se já temos esse filho a caminho, então porque não admite para si mesmo que não é mais um padre como os outros, Corazon? Sei que é difícil você enxergar com naturalidade o que está acontecendo conosco, mas fomos feito um para o outro desde o nosso princípio e só agora o destino resolveu nos unir dessa forma: um laço único. Se entregue a esse amor, e vamos ser felizes. Queria poder provar a todos que eu te amo. Queria te fazer feliz como homem, assim como você me fez como mulher um dia. Queria poder amar você sem nenhuma proibição, poder ouvir você suspirar, falar meu nome como sua amada, não como aquela filhinha que você tanto quer cuidar e proteger.
Queria ser sua para sempre...
...
As últimas semanas antes do padre chegar haviam sido de muita ansiedade para |Seu nome|; com o barrigão grande e pesado, |você| só contava as horas para a chegada do filho. A cada mudança de Lua |você| acreditava que tudo daria certo. E o momento havia sido aquele. A Dra. Kureha havia sido chamada e Roger também havia sido avisado, indo para onde estava a filha junto com Ace.
O momento foi tenso quando Roger e Corazon, de muletas, estiveram frente a frente.
– Então, você está aqui. – disse Roger.
– Por que não estaria?
Roger continha o resto de poucas e boas que queria dizer ali para ele, mas tinha que fazer de conta que Corazon não tinha relação alguma com a criança. Estavam ali as duas freiras de confiança de Big Mom e o homem de longo bigode queria evitar escândalos maiores.
– Você poderá entrar depois que nascer a criança, Sr. Roger. – disse Violet.
– ...tudo bem. – ele se sentou em um canto distante de Corazon, que apenas ajeitou a gola da batina e foi até a janela. Olhava o lindo céu azulado. Ace ficou ao lado do pai, sem se sentar, olhando bem para aquele padre que era o pai do seu sobrinho. Não havia nada de ruim que envolvesse Pe. Corazon. Ele apenas era... um padre. Um pobre homem que não soube ser resistente a um voto o qual Ace achava o pior deles. O moreno entendia bem aquele homem. E ele estava ali, para protegê-la.
Assim que chegou, Kureha |te| examinou desde a pressão arterial até os batimentos fetais. |Você| quase não conseguia gritar; sentindo apenas contrações apertadas, só soltava alguns gemidos e mantinha o pensamento firme, mentalizando que o útero estava se abrindo, permitindo passagem para o |seu| filho, fruto de um amor proibido e não de um pecado, saísse do seu ventre.
Depois da cabecinha, o corpo veio rapidamente. E a cria nasceu chorando alto! |Você| não sabia descrever esse momento... mas sabia que era algo divino, abençoado! A doutora passou-o pelo meio de |suas| pernas, e |você| tremia. Kureha deu o corpinho ainda nu em |seus| braços e a primeira coisa que |você| fez foi abraçar aos choros.
Ao ouvir da janela, do quarto ao lado, o choro de um recém-nascido, Corazon olhou para o lado, apertando os lábios. Estava se contendo de ansiedade e preocupação. Respirou fundo e sorriu, ainda sem sair da janela.
– Então isso aconteceu... – disse baixinho para isso mesmo. Ele jamais imaginou na vida em ouvir o choro de um filho nascendo.
– Padre! – Ace o chamou, fazendo virar e acertar a cabeça na grade acima da janela e soltar uma das muletas.
– Aiii! – o loiro, com a mão na testa.
– Está tudo bem? – Ace entregou a muleta caída.
– Sim... acho que sim.
– Estão te chamando lá dentro.
– É o cúmulo! – Roger exclamava, enquanto era contido pela Monet.
– Ela quer vê-lo, padre. – disse Ace, batendo no ombro do homem bem mais alto.
– ...eu?
– Sim, tem outro padre aqui? – disse em um tom de brincadeira.
Ele foi em direção ao quarto. Ace foi até o pai, que estava irritado ao ver a filha pedir apenas que ele entrasse. Ele tirou a mão da testa, entrando calmamente no quarto. Sorriu ao ver |você| na cama, com um "embrulho" na mão. Foi até você e sentou ao seu lado, deixando as muletas encostadas na cama.
– |Seu nome|...
– ...padre... quero muito que veja seu filho antes de todos...
|Você| deu a criança para ele tomar nos braços, mas ele a manteve em suas enormes mãos. E suas mãos pareciam tremer e aquele pedaço de gente parecia ser feito de gelatina. Uma carinha tão miúda, com os cabelos ralos e escuros e os olhos semiabertos, porém pareciam ter a cor acinzentada.
– ...tão pequeno... pensei que fosse maior, por causa da sua barriga... – disse o homem, atrevendo-se a beijar a cabecinha da criança quieta.
– Ele vai crescer logo... – comentou |você|.
– Vai, sim... – desajeitado, Corazon colocou o "embrulho" no braço. |Você| nem ligava para os riscos que ofereciam um pai desajeitado.
– Padre... não permita que meu pai desfaça dele... por favor! – |você| implora.
– Não, ele não vai tirar de você! – com o indicador, afastava o paninho que cobria o rosto dele, deslizando a ponta dele pela bochechinha do bebê menino. Pelo instinto, o recém-nascido abocanhou o indicador querendo amar – ei, ei... não, meu dedo, não! Sua mãe vai te dar de comer... – ele entregou o bebezinho para |você|.
– Ele quer amamentar?
– Acho que sim.
– Certo. – a jovem de |cor dos seus| cabelos desceu a alça do vestido longo e Corazon, já de pé e com as muletas, deu as costas, mas ainda estando perto.
– ...|Seu nome|... acredito eu que seu pai não deixará retornar com seu filho... mas eu ficarei com ele e farei vê-lo todos os dias, se for possível.
|Você| quase fez um beicinho quando ouviu isso. Agora, parecia doloroso deixa-lo até mesmo nas mãos de Corazon. Mas era o único jeito de poder ver o filho crescer.
– Padre... com o nascimento de um filho... nunca pensou em deixar sua vida de padre e poder se casar comigo? Seria o fim disso tudo!
– Não posso! – ele se virou, tentando não olhar para seu seio |tamanho dele| sendo amamentado pelo garotinho.
– Mas há alguma punição para o padre que abandona a batina para cuidar de sua família?
– ...pode haver. É um juramento que fiz para uma vida inteira, |Seu apelido|. Foi uma falha minha e quero sim, corrigir meu erro e poder cuidar dele.
– ...não acredito que Deus seja tão cruel... para castigar um servo que abandonou a vida religiosa para assumir uma família.
Rocinante se calou, diante daquelas palavras. Por vezes as palavras de |Seu nome| eram verdadeiramente esmagadoras, e embora compreendesse o que ela queria dizer, havia uma parte dele que queria pegá-la para si e juntos viverem para sempre, criando o filho juntos e felizes e longe daquela sociedade opressora. Mas como se desfazer da batina e dos votos? Da promessa feita a Sengoku até o escândalo que seria se abandonasse a vida de padre, Padre Corazon não queria principalmente o sofrimento de |Seu nome|.
– ...isso tem um sentido. Mas é tudo muito complicado, |Seu nome|.
– ...não vejo tantos problemas... seria um silêncio obrigatório para meu pai se você assumisse a mim...
– Seu pai... não vai querer casá-la com um homem de vida miserável.
– Que importa isso?! – olhou rapidamente para ver como estava o bebê – O que ele não quer é uma filha solteira e com um bebê a tiracolo, sem um pai.
– ...o que ele quer... é vê-la casada com um homem rico, |Seu nome|. Seu pai é ambicioso demais... a ponto de pensar no que te dói.
Agora foi a vez de |você| calar diante daquilo.
– Fico feliz por Deus tê-la colocado em minha vida. Eu precisei de você... e você precisou de mim... aliás, precisa.
– Mais um motivo, Corazon... vamos assumir essa criança juntos! Eu já sou sua... isso ninguém mudará.
Ele sorriu, voltando até ela e acariciando a cabeça. |Você| pegou a mão dele e beija longamente, devotamente. Ele fechou os olhos, apenas abrindo ao ouvir a voz do pequeno que parecia estar cansado de mamar. |Você| tirou a boquinha do bebê do seio e o loiro novamente voltou a desviar os olhos educadamente. Inconscientemente – embora quisesse lutar contra isso – ainda sentia um desejo pela |sua| carne. |Seus| seios de bico |cor deles| eriçados agora eram fonte de alimento para o seu filhinho.
– Como vai chama-lo?
– Queria que fosse Law o nome dele.
Corazon fez um careta.
– Por que Law? – ele perguntou.
– Por causa do significado do nome... e eu também acho bonito.
– Hmm... e o que o direito tem a ver com isso?
– Porque eu lutei pelo direito dele nascer... quer dizer, nós lutamos pelo direito dele nascer... e ele representa esse direito!
Corazon sorriu, ainda estranhando aquele nome. Mas achou bonito o significado que |você| apresentou para ele.
...
Naquela noite, |você| pode descansar ao lado do bercinho improvisado que as freiras arranjaram. Enquanto isso Rocinante conversava com Roger e Ace.
– E então, Sr. Gold D. Roger... o que me diz da minha proposta?
– Insignificante, meu caro padre. – Roger colocou a xícara de café na mesa – se quiser abandonar sua vida de padre, isso é problema seu! Mas minha filha você não vai desposar.
– Pai... leva me conta que ele é o pai do filho...
– Calado. – Roger cortou a fala do filho.
– Por isso mesmo... que estou disposto a perdoar tudo o que me fez... – Corazon encarou Roger propositalmente, desconfiado mesmo que ele estava envolvido na emboscada em que levou um tiro. Roger balançou um pouco os olhos, procurando firmeza no olhar dele. – para dar a sua filha um marido e ao seu neto um pai que possa cria-lo.
– Oras... – ele se levantou e foi até uma cadeira mais distante, apertando as mãos na beirada do encosto. Estava suando.
– Não adianta procurar um marido mais rico e intolerante a um enteado... se eu posso garantir todo o necessário para sua filha.
– Acha que continuará como mestre de Teologia quando abandonar sua vida de padre? Acha que será apoiado quando todos virem você largando tudo por causa de um... descuido, digamos assim?!
– Tenho toda a certeza de que serei apoiado... como sempre fui em toda a minha vida! – levantando-se, a voz grave do homem parecia ganhar força na defesa do seu amor.
– Ai, ai... parece que eu falo outro idioma, não é?
– Sua filha é quase maior de idade...
– E me deverá obediência para sempre, não deixarei de ser pai depois que |Seu nome| completar dezoito anos! – articulou as palavras em tom alto, apontando o dedo em riste para o padre, que nem se abalou com o descontrole do possível sogro.
– Pai, para com isso! E não me manda calar a boca agora! – disse Ace, entrando na frente do pai.
A porta do gabinete de Big Mom era batida seguidamente. A própria indicava que o som deveria ser controlado (principalmente por Roger).
– Seu miserável destruidor de famílias! – Roger continuava discutindo em tom alto.
– Eu não destruí família alguma! Mas você quer destruir uma, tirando o filho de uma pobre mãe inocente! – revidou Corazon, alterando a voz também – mas eu não vou permitir.
– Já ouvi demais! – Roger puxou uma pederneira e apontou para Corazon, que ergueu o queixo e encarou-o.
– Pode atirar. Tenho aqueles que farão o que eu não poderei fazer, se eu morrer agora! – ele sentiu um pouco de dor pelo corpo, ainda convalescente do tiro que levou, mas agiu como se estivesse mais forte que nunca.
Ace entrou na frente do padre.
– Vai atirar em mim primeiro. – disse o rapaz de rosto levemente sardento.
– Ace... Ace! Vai me trair?
– Vou abrir seus olhos com a minha morte, aqui... agora.
A mão de Roger tremia. Corazon pôs a mão no ombro do moreno.
– Ele não vai atirar. A não ser que ele queira fazer a maior estupidez.
Roger abaixou a arma.
– Vou dar uma chance para você ficar com seu filho, Padre Corazon. Mas você vai leva-lo consigo!
– ... vai levar |Seu nome| para sua casa sem o bebê? ...não tem a ideia do quanto seu neto precisa da mãe para tudo, mais que eu, até? – Rocinante falava calmamente agora.
– Então ele vai pra adoção.
– Para a adoção ele não vai, mesmo! – voltou a gritar.
Outra vez batem a porta.
– Quero entrar! – a Madre Superiora reclamava.
Corazon abriu a porta.
– Perdão, Reverenda Madre... – beijou a mão estendida pela Big Mom.
– Acho que devo me meter nessa conversa.
– Veio defendê-lo também, madre?
– Vim apenas confirmar umas coisinhas... pelo bem de todos aqui... sejam sinceros. – e trancou a porta. – esse bebê... da |Seu apelido|... é filho seu, Corazon?
Ele engoliu seco, enquanto Roger mudava de vista e Ace apenas abaixava a cabeça com um sorriso nos lábios.
– ...é sim.
– Então, confirmo todas as suspeitas aqui... desde aquele caso há anos atrás.
– Aquele caso foi armação de uma aluna... quando mais menina, jamais tive envolvimento algum com ela. Falo a mais pura verdade.
– Mas você a ama, não é?
– chega disso, vou sair daqui! – Roger se dirigiu até a porta.
– Onde vai?
– Vou embora! Façam o que quiser com ela! Ela não entra mais em minha casa se eu sair daqui!
E ele saiu, batendo a porta. Ace pediu licença e foi atrás do pai. Big Mom se sentou em sua cadeira e acomodou-se bem.
– Bem... e o que pretende fazer o padre?
– ...largar tudo. Para me casar e formar uma família digna.
– Sério?!
– Sério. Estou vivendo em pecado vestindo essas roupas! – com os olhos cheios de lágrimas, puxava a sua batina pelo tronco, como se quisesse arrancar as roupas.
– Calma, calma! Não vai ficar nu aqui, não é?
– ...já não sou mais um padre! Sou um homem profanador que quer se redimir de tudo de ruim que fiz a |Seu nome|... quero sofrer com ela... não deixa-la mais sozinha nisso tudo! – aos choros, começou a rasgar a batina. Big Mom se movia na cadeira, sem saber se desviava os olhos ou...
– Padre! Tenha mais postura! Vá fazer isso no seu quarto! – reclamou a mulher, vendo o homem sem a camisa, expondo o tronco cheio de cicatrizes, o que a fez sossegar um pouco em sua cadeira, meio boquiaberta.
Ele pediu licença e saiu furioso, indo até seu quarto daquele jeito, fazendo Purin levar um susto e sair correndo dali. Em seu quarto, ele despiu-se totalmente. Fechou os olhos, respirava fundo.
– Mas antes, Frei Sengoku deve saber de minha decisão. – disse, parando o choro aos poucos.
...
No dia seguinte, as freiras olharam espantadas para o padre vestido como um homem totalmente comum aos outros: usando um capuz vermelho escuro, um par de jeans de cor bege, e uma camisa branca com corações de tonalidade clara de rosa impressa toda nela. Ele também estava usando sapatos meio inadequados aquele visual. Seu cabelo loiro dourado meio assanhado. E usando óculos escuros.
– Aquele... é o... Pe. Corazon? – comentou Violet.
– Acho que sim... mas estou sem entender essas roupas dele. – comentou Monet.
Mais atrás, vinha |você| com o pequeno Law nos braços. Big Mom os esperava na saída do internato. Ele voltaria com ela para o centro de Dressrosa.
– Liguei para o padre que me ofereceu hospedagem quando tive que sair da casa dela. Ele disse que nos acolherá.
– Tudo bem, mas... tem certeza que quer fazer isso, Padre Cora...
Ele fez com a mão o gesto de parar.
– ...não me chama mais de padre. O Padre Corazon deixou essa vida na tarde que nasceu o pequeno Law.
– Ah, não! Recuso! Pra mim, será sempre meu doce Padre Corazon! – ela apertou as bochechas dele, finalizando sua declaração emocionada.
|Você| riu daquilo. Rocinante também, tentando sair daquele apertão, rindo sem jeito.
– ...mas voltei a ser o Rocinante cheio de sonhos e expectativas para o futuro!
