|Você| e seu amado assistiam ao casamento do irmão juntos, com o pequeno Law em seus braços. Nunca imaginaria reencontrar aquela colega dos tempos do internato, agora uma moça decente que estava se casando. |Você| ficou horrorizada ao saber que, antes, Bonney havia sido uma cortesã e experimentando uma vida mundana.
– Não imaginava que a reencontraria. – |Você| comentou.
– Eu também não... e então... realmente você nasceu para ser daquele padre, não é? – Bonney comentou com um leve sorriso torto, porém sem aquela ironia. E por um lado, |você| não podia discordar dela, afinal... não foi |Seu nome| quem amava aquele ex-padre e agora estava ali junto com ele? E com um filho dele nos braços?
– ...acho que sim. – comentou |você|, sorrindo.
– Cá entre nós... você também fez um bem a ele! – comentou a mulher de cabelos rosados, rindo – ele parece muito mais feliz que antes, não acha?
Agora aquela família estava completa. |Você| não poderia ter tomado outra decisão melhor. Precisava retornar à casa.
– Por favor... venha morar comigo, filha! – Roger pediu a |você|. – Ace decidiu viver com a minha nora longe daqui do centro e isso já estava me incomodando... como viver nessa casa sozinho? Embora meu amigo me faça companhia aqui por causa disso, eu...
– Eu aceito, papai.
– ...sim?
– Sim. Assim, poderemos recuperar os anos que vivi longe do senhor.
O homem abraçou |você| bem forte.
– Espero que o padre não se incomode...
– Ora, ainda insiste em me chamar assim? Está me vendo de batina, por acaso? – perguntou Rocinante ao Roger, rindo daquilo.
– Perdão... é o hábito.
– Desde já, aceito agora morar definitivamente aqui. – disse com toda a sinceridade. E com o perdão pelos maus entendimentos entre os dois. Apesar de não ser mais padre, ele ainda era um cristão e fiel aos preceitos de sua igreja.
A partir daquele dia, |você| e sua família estavam juntas novamente sob o mesmo teto. E parecia que os dias correriam melhores naquela casa.
...
Parecia um sonho, mas não era. Meu pai e ele juntos, morando pacificamente. O que era diferente há uns anos atrás. Podia andar em cada canto daquela casa com as mãos dadas a ele, poderia até beijá-lo se quisesse. Não havia mais medos, nem segredos, nem votos a obedecer. Que alívio. Os únicos votos a que obedecíamos eram os votos do nosso amor. Era a nossa fidelidade e o nosso respeito.
Meu pai sempre dizia que não se pode ter muitos amigos nessa vida. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem deseja ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Assim como acontece com os amantes, eles também têm de ser bem escolhidos. E a vida pareceu me privilegiar, quando achava que esta havia me maculado: pois me deu em uma única pessoa um amigo que valia por cinco pessoas e um amante que era como pai, irmão, marido e amigo para mim. Realmente, eu não precisava de muitos amigos. O único que sempre foi e é mais próximo valia por cem.
Agradeço aos céus por ter permitido que ele abandonasse tudo para ter uma vida digna ao meu lado. E como uma boa esposa, dedicava-me inteiramente a ele e ao meu filho, que crescia bem dentro do seu meio, e não longe como quase foi, na época em que meu pai queria que eu o abandonasse. Foram tempos cruéis, mas agora... só serviam como uma lição de vida. Não os tenho como um fardo em meu passado. Como a lealdade é uma das qualidades mais importantes de um relacionamento, o perdão também o é. E meu relacionamento com meu pai até então nunca tinha sido tão bom e tão forte. Parece que ele teve uma lição dos erros dele. Queria que tivesse sido assim desde quando era pequena, mas não adiantaria chorar o leite derramado. O importante é que tive a oportunidade uma vez de me relacionar bem com o velho Roger.
Como disse Rayleigh, ele já estava enfermo de uma doença incurável e precisava mesmo que alguém que cuidasse dele e fizesse do resto dos dias dele feliz. Parece que senti isso ainda lá no monastério, onde fiquei refugiada. Resolvi arriscar vi pra cá e sinto como que fui guiada por Deus... o mesmo o qual Rocinante foi dedicado quase a vida toda e ainda o é, mas agora como um cristão comum. Mas ainda tinha aquele mesmo jeito do Pe. Corazon, no andar, no olhar, no sorrir. Tinha horas em que me via naquela menina inquieta e revoltada de doze anos, fugindo pelos muros daquele internato. Foi ali que fui salva por ele. Mais do que o da em que confessei diante do meu pai e irmão que o amava, aquele momento foi o mais especial em minha vida, chegando a ser mais marcante até mesmo que o nascimento do Law. Pois todo um percurso precisava de um começo. E ali foi o grande começo dele.
...
O tempo passou. Law já tinha seus dez anos. |Você| e Rocinante viviam somente com o filho e os empregados, visto que Roger havia morrido. Ace vivia com Bonney em outro lugar da cidade e visitavam poucas vezes. |Você| estava na janela observando o loiro e o filho brincando com uma bola no pátio do casarão. Mais madura, |você| vivia feliz apesar de ter sofrido algumas perdas. Agora, |você| se dedicava inteiramente ao seu filho de cabelos castanhos bem escuros e de uma pele levemente morena. Tinha olhos profundamente cinzas e uma séria feição em seu rosto de menino. E era bonito. Crescia muito bem naquela casa.
Tudo seguia muito bem... até um dia em que o pequeno havia contraído uma doença estranha, que o fez cair em uma intensa febre e adquirir manchas extremamente brancas pelo corpo. |Você| não saia do lado do filho de jeito algum, sem se importar se aquilo pudesse ser contagioso. O ex-padre resolveu levar o filho aos hospitais mais próximos, mas nenhum quis atende-lo, descrevendo que aquela doença era incurável e perigosamente contagiosa.
– Eu prometo, |Seu nome|! Que saio dessa cidade em busca de um hospital decente que fará nosso filho ser curado.
– Eu... tenho medo... dele não aguentar! – |Você| falava entre soluços, pois aquela estranha epidemia já havia atingido outras famílias e o país estava em alerta.
O loiro pegou em suas mãozinhas e jurou.
– Confia em mim... vou retornar a Dressrosa com nosso filho curado! Pare com essas lágrimas! Onde está sua fé, mulher? – ele aumentou um pouco a voz, tentando animá-la. No fundo, sofria pelo filho e por |você|, mas jamais deveria se desanimar. Sentia-se o responsável pelos dois.
Ao se despedir de Law, |você| se ajoelhou e colocou a mão sobre a cabeça dele suavemente.
– Eu estarei aqui, meu Law. Você tem que ser forte. Vai dar tudo certo.
– ...sei que tem que ficar em casa cuidando de tudo... mas promete ao menos ligar para mim?
|Você| o abraçou sem poder conter as lágrimas.
– Como é difícil me separar de você, meu amor! ...é claro que vou ligar para saber... eu precisarei disso para me acalmar.
Rocinante observava sério aquela despedida. Também tinha que se conter.
– Vamos, Law. – pediu o pai.
Depois de um longo beijo, o garoto deixou a mãe e foi até o pai, que o esperava no portão. Cruzaram mares para encontrar os hospitais mais especializados. Mas parecia que os médicos eram todos medíocres, temiam cuidar do menino. O pai, furioso, chegou a agredir alguns médicos.
– Vocês são realmente médicos?! – ele gritava.
– Pai... chega. Já aceitei meu destino...
– Não, seu destino não é morrer antes de seus pais!
Ele olhou para o pai com certa preocupação, medo. Grandes gotas de lágrimas formavam-se em seus olhos e jogou os seus braços ao redor dele. Rocinante, com os olhos úmidos, levantou-se com ele em seus braços. Como sempre fez desde que sequer sabia andar.
– Não... não vamos nos render... vamos até o fim. Pois é lá que espera a nossa vitória.
Com ele em seus braços, dirigiu-se de volta para o navio o qual havia saído de Dressrosa, esfregando suas enormes mãos nas costas do Law, que chorava baixinho enroscado em seu pescoço. Ele ia murmurando baixinho no ouvido dele para acalmá-lo, lembrando que logo estaria bom nos braços da mãe. Ele se sentia aliviado com aquele zeloso pai. De repente, uma pessoa encapuzada misteriosa o chama. O loiro olhou para trás.
– Sou aquela médica daquele hospital...
– Você... o que quer agora? – perguntou ele com ar zangado. Lembrou-se da tal mulher que teve que se calar diante da decisão do hospital em relação ao Law.
– Vim às escondidas do meu patrão... eu... estou penalizada com o menino... permita-me ajuda-lo!
Ele parou diante da mulher.
– Vou lhe dar essa chance. Mas seja infalível.
– Prometo, prometo! – disse ela, quase se ajoelhando.
De repente, aquele padre lhe veio novamente à cabeça para perguntar onde estava o espírito cristão dele. Diante do desespero em ver o filho quase morrendo, ele se perdeu um pouco no desespero e, vendo a sinceridade nos olhos daquela médica, ele mudou o tom grosso de voz e resolveu acolhê-la.
– Guardo comigo uma fruta especializada em curar todos os tipos de doenças. Mas peguei uma às escondidas, estou me arriscando demais! ...ouvi falar que essa doença é muito perigosa.
– Convivo direto com meu filho, e nem eu e nem mesmo minha mulher não pegamos essa doença.
– Que bom! Olha... está aqui. – ela tirou de um embrulho uma fruta de formato engraçado – são frutas que estão sob o controle do governo... peguei uma delas escondida de meu chefe... toma. Breve, ele ficará bom.
Rocinante olhou bem a mulher, desconfiando no início. Mas ela parecia convicta em seu discurso e em sua preocupação. E de fato era verdade.
– Dê o mais rápido possível para seu filho.
Ele colocou Law no chão e explicou ao filho o que deveria fazer. No início, Law recusou, mas a médica pôs a mão em seu ombro, encorajando-o. No mesmo instante, ali mesmo, apareceu o tal médico que era chefe dela, junto com outros policiais, prontos para captura-la.
– É aquela mesma! Capturem-na e recuperem a fruta!
– Fujam! – ela avisou aos dois e saiu correndo. Foi quando Rocinante viu que ela falava a verdade. Agarrou Law ainda debilitado e saiu correndo até o navio de volta para Dressrosa. Foi dramático vê-la ser atingida com um tiro e não poder socorrê-la de volta. Law assistiu tudo também, comendo a tal fruta. Ambos ficaram chocados. Distanciando-se do porto, os dois viram o rebuliço daquele lugar.
– Pai... eu comi a fruta.
Ele abraçou o garoto.
– Vai ficar tudo bem... e ela também. – falava assim para não assustar o menino. Mas já imaginava que ela poderia estar morta. Ela arriscou tudo pelo bem do menino – uma verdadeira médica que merecia sobreviver...
– Mas ela não vai, pai?
– Vai, vai sim! – ele acariciava os cabelos meio arrepiados do garoto. Por um momento, lembrou-se da própria mãe e sorriu saudoso dela. Ela possuía aquele mesmo perfil altruísta e elevado. Também como seu pai. E tão diferente do irmão mais velho que nem sabia se estava vivo ou não.
E seguiram de volta para Dressrosa. Foi gratificante para Rocinante voltar com o menino milagrosamente saudável e vê-lo correr até os |seus| braços, feliz e curado. |Você| foi com Law até o seu encontro e, soltando as mãos do filho, jogou-se nos braços do loiro em um forte abraço bem correspondido, com direito a um beijo tão apaixonado nos lábios.
...
Quando perdoamos de verdade, aceitando e deixando as pessoas serem como são, sem cobranças pelo que fizeram no passado, o maior beneficiado disso tudo somos nós mesmos. Foi a
forma que encontrei como um servo de Deus para entender o mundo exterior. E que procuro levar mesmo não sendo mais um padre. E a vida parece retribuir da mesma forma, permitindo milagres em minha vida e na vida das pessoas que amo.
Vi uma pessoa se sacrificar para salvar meu filho às escondidas. Uma única médica que encarou a doença de Law e resolveu ir contra seu trabalho e seu chefe. Lamento tanto por ela, pelo sacrifício que custou sua vida... mas tenho certeza que ela agora é o anjo mais bem-sucedido dos céus.
Como foi bom trazer Law saudável e cheio de vigor até os braços de |Seu nome|. Mesmo que isso tenha custado o sacrifício da vida de alguém. E lamentava pelos outros doentes que não tinham acesso aquelas frutas milagrosas, por causa de um governo egoísta e impiedoso. Era por isso que deveria existir a religião, deveriam existir seus servos, pois mantinham um certo controle naquele povo tão pecaminoso, egocêntrico e ambicioso. Como padre, quantas pessoas eu ajudei a guiá-las para um caminho melhor? Muitas. Quantas crianças tirei da miséria e infortúnio das ruas? Muitas. Quantos jovens consegui guiar para um caminho mais justo? Muitos. Eu e muitos dos outros servos de Deus. Servos do amor. Do verdadeiro amor, que não se resume apenas ao romantismo entre um casal e sim de um amor que abrange todas as pessoas.
Sim, fui fraco em desobedecer meus votos por causa de um amor que se resumia entre dois. Mas compenso em um relacionamento fiel e devoto, o qual eu dedico minha vida por eles dois. E por todos que um dia ajudei.
Lembro-me quando mais jovem, em meus anos antes de começar meu serviço com Deus, quando passava tanto tempo procurando respostas e explicações para as teorias filosóficas e teológicas; olhava o infinito, não te via e pensava comigo mesmo: "Será que existe mesmo um Deus para servir?". Tentava encontrar as respostas nos templos, nos sacerdotes, nos livros. E Frei Sengoku já me instruía para isso, esperava isso me mim: um sacerdote a serviço de Deus. Um dia, cheguei a questionar essas minhas dúvidas. Sorrindo, o frei mencionou o seguinte: Nas ofensas, nas quedas, nas fraquezas, nos desafios... eu encontraria mais que um Deus: encontraria a necessidade de ajudar as pessoas que precisariam de apoio. E é nesse embalo que veria nascer o amor. E nesse amor, veria um mundo novo. Onde aprenderia a orar, doar, ajudar. E seria feliz, encontrando a paz interior. E com paz, foi que te enxergaria quem queria conhecer e ver que existia de fato, pois estava mais próximo de mim que imaginava. Estava dentro de mim, independente do caminho que seguisse. E foi assim que quis ser um padre.
E foi por esse caminho que, sem querer, conheci um outro tipo de amor. Tentei resistir e seguir aos votos que jurei em pleno altar quando vesti a batina pela primeira vez, mas lembrei dessas mesmas palavras do frei. Assim como queria encontrar Deus, deveria encontrar a mim mesmo e as minhas limitações. Eu fui capaz de sentir desejo, de cair em tentação. Mas entreguei-me de corpo e alma aquela bela jovem de cabelos |cor dos seus| e olhos |cor dos seus|. É um prazer e obrigação para eu amar |Seu nome| para sempre. Temos um lindo laço do nosso amor. E podia vir todas as tempestades, nós seguiríamos em frente.
FIM
