Capitulo 03
Hal sentiu a vodka descer rasgando sua garganta, o calor invadindo o corpo. Depois ficou brincando com o copo, os pensamentos correndo soltos. Até que ouviu a porta do bar abrindo e percebeu que Cisco e Iris entravam.
-Não sabia que já tinha voltado, Jordan. –o engenheiro latino levantou as sobrancelhas em surpresa.
-Pois é. –ele deu de ombros.
-Pretende ficar quanto tempo dessa vez? –a mulher cruzou os braços. –Alguns dias?
-Os Guardiões me mandaram por tempo indefinido. –Hal levantou-se e foi até os outros. –Por que esse interesse todo? Esperando eu virar as costas pra dar em cima do Barry de novo?
-É porque toda vez que você vai embora, ele fica muito mal. –Iris franziu as sobrancelhas, falando com desprezo evidente. –Enquanto você pode encontrar conforto em qualquer coisa.
–Também sofro por estar no espaço longe dele. Não é porque ninguém testemunha minha dor que ela não existe. –o aviador gesticulou.
Cisco percebeu que o clima começou a pesar e foi até o balcão, deixando os dois mais sozinhos.
-Esse é meu único aviso, Iris. Aceite o fato de que Barry é gay e está comigo. E que apesar dos problemas, somos felizes. –ele pegou sua jaqueta do banco. –Não dê em cima dele de novo, ou minha paciência pode se esgotar.
Hal deixou o bar antes que a jornalista pudesse vir com alguma resposta. O aviador não era do tipo de pessoa ciumenta, mas admitia seu comportamento territorialista. Poderia ser pansexual, mas simplesmente odiava quando alguém usava sua sexualidade e o fato de ser menos agarrado a convenções sociais como algo ruim.
Ventava muito naquela noite. A primavera ia aproximando-se lentamente do final, dando espaço para o calor do verão. Antes de ir diretamente para casa, parou numa loja e comprou uma garrafa pequena de Bourbon. A bebida era barata e gosto péssimo, mas ele não ligava.
Hal andou pelas ruas matando a saudade de estar finalmente em seu planeta natal. Durante todo o caminho até em casa ficou pensando se iria ligar para sua família ou não. Eles continuavam morando em Coast City na Califórnia, porém só de pensar na enxurrada de perguntar que teria de enfrentar, decidiu continuar quieto.
Assim que chegou em casa, foi arrancando a roupa, deixando tudo espalhado pelo chão até jogar-se no sofá de cueca. Ligou a televisão em algum canal e terminou com a bebida. Algumas horas depois Barry chegou do seu turno louco na delegacia.
-Você está bêbado e nem me chamou? –o loiro comentou, puxando as pernas do outro pro lado e também sentando no sofá.
-Mas você num fica louco, num vale! –o moreno já falava enrolado e tentou endireitar-se.
-É uma merda ter metabolismo acelerado. –suspirou cansado, passando a mão no rosto. –Eu bem que tava precisando de um porre.
-Porre mesmo é ter que agüentar a Iris. –Hal levantou a sobrancelha. –Ela me irrita profundamente.
-E você irrita profundamente a todos ao seu redor. –Barry disse, com leve sorriso nos lábios. –Não precisa se preocupar, ela sabe que não tem chance.
-Olha Bear... –ele ficou sério, ou o máximo que conseguia. –Sei que não tenho sido o melhor parceiro ultimamente, mas eu prometo melhorar.
-Harold... –o investigador forense encarou-o. –Não prometa aquilo que não possa cumprir.
-Eu posso estar bêbado, mas falo sério! Eu te amo demais e não quero te perder. Você é a única pessoa que consegue enxergar algo bom em mim... mesmo eu sendo um babaca escroto. –o aviador fazia carinho no rosto do outro.
-Você é um babaca escroto sim. –Barry parecia se divertir com a situação. –Você não presta. Deixa as roupas no chão, esquece de pagar as contas e sempre rouba a última fatia de pizza.
-É verdade.
-Arranja briga com estranhos na rua, tem excesso de auto-confiança, é incapaz de lembrar datas importantes... –ele foi levantando os dedos conforme foi enunciando.
-Já entendi.
-Adora se gabar de qualquer coisa, é espaçoso, odeia que roubem seu protagonismo e ama ouvir fofocas sobre meus amigos.
-Ok, ok! –Hal levantou as mãos em rendição.
-Mas mesmo com todos os seus defeitos, eu te amo. –Barry sorriu ainda mais e aproximou-se. –Seu bobo.
Eles se beijaram e todos os problemas, os aborrecimentos do dia ficaram para trás. Eram sempre assim quando estavam juntos, formava-se uma bolha de felicidade nada de ruim poderia estragar o momento.
Ao longo do tempo, depois de todos os problemas que enfrentaram juntos, aprenderam a se refugiar um no outro, mesmo estando distantes. O amor que sentiam os tornavam mais corajosos para enfrentar as dificuldades.
Barry deitou no sofá e deixando o outro por cima. Ele poderia ser o homem mais rápido do mundo, mas adorava prolongar alguns momentos o máximo que conseguia. As mãos do moreno passeavam por seu corpo, deixando-o cada vez mais excitado.
Tirou a roupa e então Hal engoliu seu membro, primeiramente devagar, depois aumentando o ritmo. Ficava impressionado como ele conseguia combater seu reflexo de vômito e por isso engolia praticamente o pênis inteiro de Barry. O loiro afundou os dedos nos cabelos fartos do parceiro, sentindo-se completamente tomado pelo prazer. Hal era maravilhoso com o sexo oral.
Sentindo que o outro estava quase chegando ao limite, ele tirou o membro da boca com um barulho molhado e pegou o lubrificante que estava guardado no hack de televisão em frente ao sofá.
Como tinham uma vida sexual muito ativa, eles guardavam tubos no quarto, na sala e na cozinha, afim de sempre ter por perto quando precisassem. Hal lambuzou seu pênis e a entrada de Barry.
Mantendo contato visual, ele então penetrou devagar. Gemeu ao sentir como outro estava apertado ainda, mas adorava aquela sensação. Conforme lambia e mordiscava a orelha do loiro, ele começou a mover-se.
Não demorou muito para que as estocadas ficassem mais rápidas e fundas, Barry enlaçando as pernas na sua cintura e gemendo no seu ouvido. Hal mudou de posição, ficando sentado no sofá e Barry no seu colo. Sentiu sua razão esvaindo-se por completo ao vê-lo subir e descer, rebolando.
As pelves chocavam-se com força, até chegarem ao orgasmo, ambos tremendo juntos, abraçados. O suor brotava, mas eles não se sentiram incomodados. Ficaram naquela posição até suas respirações finalmente voltarem ao normal.
Agora estavam deitados no sofá, encarando o teto.
-Pensei em chamar Batman e Superman, precisamos decidir o que fazer com os androides. –Barry comentou, enquanto desenhava linhas imaginárias no peito do parceiro.
-Está trabalhando com o Alien-Bombado e o Vampiro-Gótico? –seu tom de voz era irônico.
-Sim. E você também vai entrar pra equipe.
-Como assim? –Hal franziu as sobrancelhas.
-Olha, toda essa coisa de metagenes, androides... Isso afeta a todos nós que temos poderes. Nada mais justo do que trabalharmos juntos para acharmos uma solução pra isso. As pessoas não precisam nos temer. –Barry sentou-se, respirando fundo.
-Você sabe que não sou bom com trabalho em equipe. –o moreno revirou os olhos, bufando.
-Ah qual é... – o loiro mordeu o lábio inferior e fez uma carinha fofa. –Por favor, isso é importante pra mim.
-Tá bom, você venceu! –Hal acabou sorrindo. –Não consigo negar quando me pede desse jeito...
(...)
A reunião aconteceu dois dias depois, no esconderijo de Flash, no laboratório antigo da STARLabs. O corredor tentou deixar todos à vontade, mas o clima de desconfiança permanecia.
-Como assim você é um alien que não sabe nada sobre outros aliens?! –Lanterna Verde fez um gesto exagerado.
-Eu por acaso deveria fazer desenhos nas plantações e abduzir vacas também? –Superman deu de ombros.
-Sei lá cara! –o Lanterna passou a mão nos cabelos. –Eu convivo com aliens há alguns anos e nunca encontrei um caso como o seu.
-Depois encontramos uma lista de coisas tipicamente alienígenas que o Superman pode fazer. –Batman deu um passo à frente. –Agora precisamos focar na questão dos androides. Flash, você disse que tinha uma informação importante...
-Ah sim, é verdade. –o velocista limpou a garganta. –Há alguns dias eu e Lanterna fomos resgatar vítimas numa fábrica em chamas, após esvaziar o local, encontramos um androide muito danificado. O mais bizarro de tudo foi perceber que saía sangue com os fluídos de máquina, músculos e...que... quando ele explodiu, tinha restos de massa encefálica e pedaços da coluna vertebral.
-Então os androides possuem componentes orgânicos humanos. –o morcego colocou a mão queixo, pensativo. –O governo está produzindo ciborgues, na verdade.
-Coletei amostras e realizei alguns testes... –Flash começou a andar de um lado outro, nervoso. –O resultado mostrou que pertencia a uma detenta em Oklahoma. Eles estão usando prisioneiros.
-Minha visão de raio-x não funciona com eles, porque possuem chumbo junto ao metal que são feitos. –Superman cruzou os braços. –Será que todos os ciborgues possuem partes humanas? E de onde veio esse nível de tecnologia?
-Sim, acredito que é necessário que possuam um sistema nervoso central humano completo para que funcionem. –o corredor continuava divagando. –Mas eles precisariam passar uma reprogramação mental para perder os traços de personalidade e a vontade própria.
-E usar uma população marginalizada é fácil, porque ninguém se preocupa. –Lanterna sentiu um arrepio ruim percorrendo seu corpo.
-Precisamos capturar um ciborgue para entendermos melhor seu funcionamento. –Batman mantinha a calma, apesar da realidade chocante. –Talvez se pudermos examiná-lo, é possível descobrir onde eles são reprogramados e fecharmos o local.
O celular de Flash vibrou, mostrando que havia uma situação crítica com reféns perto da ponte principal da cidade.
-Eu preciso atender essa chamada. –ele voltou-se para os outros. –Vão elaborando o plano que já volto.
Ele saiu correndo sem olhar para trás, precisava confiar nos seus companheiros de equipe e que aquilo daria certo. Chegou ao local em questão de segundos, os carros de polícia haviam cercado um ônibus escolar cheio de crianças.
Elas choramingavam e se abraçavam lá dentro, completamente aterrorizadas. Havia um homem do lado de fora, encostado na lataria segurando um adolescente com um dos braços, enquanto na outra mão segurava algo.
Flash percebeu que se tratava de um colete cheio de explosivos e que ele ameaçava explodir as crianças. O adolescente que estava com ele olhava ao redor, parecendo assustado e ao mesmo tempo pensativo. Sem dar muito tempo para a situação complicar, o velocista foi de encontro ao criminoso, retirando o detonador de sua mão, enquanto soltava o adolescente.
Ele tentou reagir, mas foi lerdo demais. Foi arremessado ao chão depois de um soco e teve seu colete arrancado do tórax, os fios todos desplugados. Em dois minutos a situação inteira estava sobre controle. As crianças no ônibus gritaram de felicidade e começaram a sair, os policiais indo de encontro a eles.
Foi quando Flash percebeu que havia algo errado. O refém estava caído no chão, inconsciente. Ele aproximou-se e verificou, não estava respirando e sem batimentos cardíacos. Mesmo não fazendo sentido um adolescente ter uma parada cardíaca tão súbita, ele começou a massagem.
Dois ciclos e nenhuma resposta. O velocista respirou fundo, precisava salvar a vida dele, não poderia terminar desse jeito.
-Por favor, todos se afastem! –ele pediu com voz alta e as pessoas obedeceram, observando ansiosas a cena.
Ele então começou a vibrar e produzir energia elétrica com suas células. Tomando cuidado para não usar uma voltagem alta demais, ele disparou a energia no adolescente, bem acima do coração, como se fosse um desfibrilador. A vítima encolheu-se e depois relaxou num tranco, o coração voltando a bater em seguida. Flash respirou fundo aliviado e segurou o adolescente no colo, levando-o ao hospital mais próximo.
A equipe da emergência agiu prontamente e tratou de começar os procedimentos de monitorização quando perceberam a gravidade da situação. Após ver que tudo estava sob controle, o velocista voltou para sua reunião com os outros heróis.
-Me desculpem, onde estávamos mesmo? –ele continuou como se nada tivesse acontecido.
-Bom, estávamos terminando os últimos detalhes do plano. –Lanterna debruçou-se sobre a mesa, mexendo no tablet.
-Ficou acertado que eu iria encurralar o ciborgue usando minha força, enquanto Lanterna faz um escudo protetor em volta afim de evitar possíveis danos e Batman fica de apoio observando a movimentação da polícia e possíveis agentes do governo. –Superman parecia confiante.
-Não podemos simplesmente arrastá-lo pra cá, ou pra qualquer lugar que for. Provavelmente eles possuem sistemas de rastreamento que irão alertar as autoridades. Isso custou muito dinheiro. –Flash observava o mapa da cidade.
-É por isso que vamos usar uma pequena carga de pulso eletromagnético, que irá deixá-lo apagado por algum tempo. –Batman mostrava o percurso no mapa. –Acredito que seja arriscado levarmos essa operação para grandes centros urbanos.
-Acho que sei um local perfeito onde podemos trabalhar nessa carcaça em paz. –Lanterna exibiu um largo sorriso. –Isso é por minha conta, fiquem tranquilos.
-E quando será o grande dia? –o velocista tirou uma barrinha protéica e começou a comer.
-Amanhã ao final da tarde. –o alien levantou as sobrancelhas.
-Por mim está perfeito. –Flash tirou a máscara. –Vocês já tem onde ficar na cidade? Se quiserem, podem dormir lá em casa.
-É que... –o morcego pareceu desconfortável.
-Ah, se estão preocupado com a sua identidade, podem sossegar. –o Lanterna tirou a máscara também. –Meu trabalho é no espaço, e lá fora não dão a mínima pra quem vocês são.
(...)
Por sorte, a casa tinha um quarto de visitas, com uma cama de casal que dividia espaço com uma pequena biblioteca e o computador. Não era nada luxuoso, mas Clark e Bruce se sentiram acolhidos naquela casa.
Claro que ninguém precisava saber dos problemas pessoais que enfrentavam no momento, por isso por uma noite resolveram ceder e dormir juntos na mesma cama. Barry estava animado por recebê-los, afinal não tinha muitos amigos. Suas habilidades culinárias até que davam conta do recado e ele preparou uma excelente lasanha.
O quarteto ficou na cozinha conversando e comendo, até acabarem com as três travessas de comida. Estavam preocupados com o que iria acontecer, mas no momento eram apenas civis tendo uma noite muito agradável. O sono começou a bater e as visitas foram deitar, após tomarem banho.
-Você realmente gosta deles né... –Hal comentou, enquanto lavava a louça.
-Descobrir que não estou sozinho nessa coisa de herói é realmente muito bom. –Barry secava e guardava, com um sorriso bobo nos lábios. –E ainda ganhei amigos.
-Eles são mais legais do que a Iris e o Cisco. –o aviador franziu as sobrancelhas.
-Não fale assim deles! –o loiro jogou o pano de prato no outro. –E eu que nem conheço seus amigos?!
-Aliens tem medo de vir pra Terra sabia? Somos considerados um planeta muito hostil e violento pra eles...
-Só estou ouvindo desculpas e mais desculpas... –Barry terminou de arrumar as coisas. –Enfim, vamos dormir?
(...)
No dia seguinte, todos acordaram com tarefas especificas para realizar. Sendo assim, Flash e Superman estavam juntos calculando a rota de fuga e preparando o laboratório para as análises, não podiam perder tempo depois da captura.
-Aconteceu alguma coisa? –o alien perguntou, levantando os olhos azuis do maquinário.
-É que ontem salvei um grupo de crianças e estou preocupado com a condição de um deles... –o loiro deixou as coisas na bancada. –Ele teve uma parada cardíaca, mas consegui reverter.
-Por que você então não vai visitá-lo? Eu consigo dar contar aqui. –ele sorriu.
-Ah, muito obrigado. Prometo não demorar.
E assim Barry foi correndo até o Central Hospital, onde havia deixado o adolescente no dia anterior.
-Bom dia, eu trabalho para a polícia e gostaria de saber informações sobre um paciente que deu entrada ontem. –mostrou o distintivo.
-Qual o nome? –a enfermeira perguntou, sem tirar os olhos do computador.
-Eu não sei exatamente, é um adolescente do sexo masculino, pele negra, por volta de 1,75m de altura e 15 anos mais ou menos. Chegou na emergência com parada cardíaca, foi trazido pelo Flash.
-Ah sim, sei quem é. Wallis West, quarto 405.
Ele seguiu para o quarto indicado e bateu na porta antes de entrar. Encontrou o adolescente deitado na cama, zapeando nos canais de televisão parecendo estar morrendo de tédio.
Em seu peito haviam alguns eletrodos colados, monitorizando seu coração, que apresentava frequências normais. Aliás, a própria aparência dele estava saudável demais para quem havia sofrido uma parada.
-Com licença, me chamo Bartholomew Allen e trabalho para a polícia. –o loiro fez um gesto com a mão, sentindo-se nervoso. –Vim checar seu estado de saúde.
-Isso por acaso é uma nova política? –ele resmungou, largando o controle e prestando atenção no outro. –Por que está aqui?
-Flash me mandou. –Barry coçou a nuca. –Ele trabalha junto com a policia e queria saber como você estava.
-E por que ele mesmo não veio? – o mais novo franziu as sobrancelhas.
-Ah, sabe como é... ele é muito ocupado.
-Então diga a ele que obrigado por me salvar e que estou bem. Não vejo a hora de deixar esse hospital.
-Seu recado será dado, Wallis. –ele já estava abrindo a porta do quarto.
-Wally, me chame de Wally. –e então ele sorriu levemente.
Barry então pode voltar ao laboratório e trabalhar mais focado.
