–Parabéns... Você está grávida!

Kushina ficou alguns segundos encarando o rosto sorridente da médica. Piscou várias vezes, atônita.

–Huh?

–Kushina-san... Você vai ser mãe.

Ela piscou uma, duas vezes.

–Eu? Mãe?

A médica assentiu, rindo baixinho da surpresa da moça.

Kushina olhou para baixo, fitou suas mãos e, lentamente, pousou-as em seu ventre. Estava tão eufórica com a notícia que ainda não conseguia acreditar. Queria ver, queria uma prova que havia uma criaturinha crescendo na barriga.

–Kushina-san?

A chunnin se concentrou, conduzindo seu chakra para o ventre. Foi então que, usando sua habilidade de percepção, percebeu que havia uma minúscula fonte de chakra pulsando ali.

Lágrimas inundaram seus olhos.

–Eu vou ser mãe-ttebane!

Ela saltou da cadeira, pegou a médica pelas mãos e saltitou alegremente, girando dentro do consultório.

–K-kushina-san! – a médica não sabia como reagir. Porém, a alegria da Uzumaki era contagiante e quente. Não teve coragem de interromper seu pequeno momento de vibração pela gravidez.

–Ai meus deuses! – exclamou Kushina, parando de pular repentinamente. – Eu preciso contar pro Minato-ttebane!

Ela olhou novamente para a médica, e, emocionada, disse:

–Arigatogozaimasu dattebane!

Saiu correndo do consultório, deixando a médica piscando, confusa.

–Eu...Pai? Eu vou ser pai?

–Siiim! E eu vou ser mãe!

–Pai? Eu vou ser pai... Eu... Vou ser pai!

–E eu, mãe!

Kushina correu e pulou em cima do marido, que acabara de chegar em casa após uma missão. Ele a abraçou forte.

Ia ser pai.

Fizera Kushina mãe.

Iam formar uma família.

–Kushina, é imprescindível que você mantenha sua gravidez em segredo o máximo que conseguir. Quando sua barriga começar a crescer, evite sair muito de casa. Caso saia, use o Henge no jutsu para disfarçar sua gravidez.

–H-hai...

–Lembre-se, Kushina. O que está em jogo não é apenas a sua vida e a vida dessa criança. Toda Konoha está condenada se essa informação cair em mãos erradas.

–Jiraya-sensei, eu queria que você soubesse de algo especial.

Jiraya pousou a xícara com chá e olhou atento para o aluno. Minato tinha um pequeno sorriso nos lábios e seus olhos brilhavam.

–Nani-oh?

–Kushina, poderia entrar, por favor?

O eremita dos sapos virou-se devagar para trás, enquanto a shinobi ruiva entrava na sala. Tinha um sorriso tenro no rosto e olhos calorosos. Porém, logo seus olhos pousaram no seu ventre inchado.

–...!

Minato riu, e sua esposa o acompanhou. Deu a volta na mesa e parou ao lado dele.

–A gravidez de Kushina é secreta – explicou o quarto. – Porém eu queria muito contar à você, sensei.

Jiraya fitou o casal longamente. Primeiro seus olhos analisaram o aluno. Nunca o vira tão alegre. E depois, pousou o olhar sobre sua companheira. Realmente...

–Você tem sorte. Acho que encontrou a mulher certa que o dará uma família. E eu tenho certeza... que serão muito felizes.

O yondaime sorriu e beijou a barriga de sua mulher. Kushina riu.

–É menino?

–Menina. – sorriu ela - Jiraya-sensei – disse. – Tem mais uma coisa que queríamos te contar. Na verdade, pedir sua opinião.

–Hm?

–Queria homenagear minha avó dando o nome dela para minha filha. O que acha?

Ele parou um pouco e refletiu.

–Uzumaki Kairina é...?

–Vamos rápido Kushina! – disse mulher do Sandaime. – Quanto menos pessoas te virem, melhor!

Ela apressou o passo para seguir a anciã, mas a barriga lhe pesava muito.

E ventava. Frio.

Kailina se remexeu em seu ventre.

–Calma, querida. Já estamos quase lá.

–Ela vai ficar bem? – perguntou Minato.

Já estavam no local combinado. Kushina estava deitada numa mesa de pedra com pequenas estacas laterais. A esposa do Sandaime e mais três ajudantes preparavam as coisas para a hora do parto.

–Claro que vai! – exaltou-se a velha. – Você acha que ela é fraca? Mulheres foram feitas pra passar por isso!

Mesmo assim, o hokage olhou preocupado para os olhos cinzentos da esposa. Ela sorriu, meio ofegante.

–Minato, eu vou ficar bem. A dor do parto incomoda, mas logo passa-ttebane.

Ela estava nervosa. Era notável a tremedeira dos braços.

–Você não vai ajudar sua mulher ficando preocupado. – disse subitamente a anciã. – concentre-se em manter a Kyuubi no devido lugar dela.

O Yondaime Hokage assentiu.

Nesse mesmo instante, Kushina se contorceu e gritou.

–Está na hora! Minato!

Ele correu para a mesa e colocou as mãos sobre o selo da bijuu.

Kushina gemeu. Em sua mente, ela viu a Kyuubi batendo com as patas nas grades da jaula, enquanto urrava assustadoramente.

Fique quieta, raposa maldita!

As dores das contrações vieram.

–Aaaaaaaaaaaaaaaah!

–Respire fundo!

–Ugh!

–Força Kushina!

Kyuubi, fique quieta!

ROAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!

–Droga! Essa raposa... É persistente.

–Aaaaaaaaaaaaaaaaaaai, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

–A cabeça já saiu. Vamos!

–Está doendo... AAAAAH!

–Ugh! Kyuuubii... Fique onde está!

Volte pro seu lugar! Quieta!

–KUSHINA!

–Força!

–Ugh!

–Aaaaaaaah... AAAAAAAAAAAAAAAH... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

–BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

O choro de criança encheu o ar do ambiente. Kushina arfava. Minato tremia e suava pelo esforço.

–É uma menina linda!

–Buáááááááá! Uááááá!

A bolha que se formara no selo da jinchuuriki aos poucos diminuía. A Kyuubi ainda se debatia dentro da jaula, mas aos poucos, o selo se fortalecia novamente. Por precaução, o hokage colocou a mão sobre esse e girou-o, fechando-o com mais força.

Yondaime Hokageeee!

Ele fechou os olhos.

Estava terminado.

–Uáááááá!

A esposa do Terceiro lavava a menina numa bacia de água morna. Enrolaram-na numa toalha. Minato ainda estava fraco por causa do esforço, mas foi cambaleante para onde se encontrava a filha.

–Posso vê-la?

As três se viraram para ele. No colo de uma das ajudantes havia um bolo de toalhas brancas. Ela o estendeu para o shinobi, que o segurou ansioso. Aninhou o montinho de pano nos braços e fitou sua filha.

Era linda.

Tinha a pele rosada, o rostinho redondo e rechonchudo como os da mãe quando mais nova. O queixinho delicado, o nariz e as sobrancelhas lembravam as do pai.

Só que eram vermelhas.

Fios ruivos grossos e lustrosos enfeitavam o topo da cabeça da bebê.

–Ahaha, que linda...! Que linda!

Minato não conseguia conter a felicidade. A criança agora parecia mais calma. Chorava baixinho, mas parecia mais confortável no colo do pai.

Algo transparente caiu no rostinho da garota, que recomeçou a chorar.

Foi aí que o Yondaime Hokage percebeu que estava chorando.

–Minato! Traga ela aqui! Quero ver minha Kairina-ttebane.

Minato limpou os olhos com uma mão enquanto aninhava a filha no outro braço. Andou até Kushina, que continuava deitada, e fitou a mulher.

–Ela é tão linda. Tem os mesmos cabelos que você...

Os olhos da Uzumaki brilharam.

Seu marido pousou a filha de leve ao lado de seu rosto, e ela virou para fitá-la.

–Ah...! – lágrimas inundaram seus olhos cinzentos. – Que bonita-ttebane!

Ela passou os dedos pelo cabelinho ruivo da menina.

–São realmente ruivos... Igual aos meus cabelos dattebane...

–Os mesmos cabelos que me trouxeram até você. – o hokage fitou a mulher, emocionado.

–Minato...

Ele se abaixou e beijou de leve sua esposa, envolvendo as duas num meio abraço depois.

Nunca estivera tão feliz.

–Vamos falar com os ANBUs lá fora para ver se o caminho está seguro. Fique aqui com ela.

O ninja assentiu.

Assim que as três ninjas se viraram para a saída, dois vultos surgiram nas sombras.

–Quem vem lá? – vociferou a Sarutobi.

–Viemos em paz. Sou Uzumaki Shinichi e esta é Uzumaki Mai.

Kushina arregalou os olhos.

–Sensei-ttebane!?

Shinichi inclinou o corpo para o lado e encarou a antiga aluna.

–Oooh... Como você está crescida, Kushina-chan... Se tornou uma linda mulher...

Kushina tentou se levantar, mas ainda estava fraca. Minato a segurou, impedindo que saísse da mesa.

–O que vocês querem? – a anciã ainda não confiava neles.

O rosto do velho Uzumaki adquiriu um tom sombrio.

–Viemos cumprindo ordens de nosso ancião. – ele ergueu os olhos e fixou sua aluna com um olhar triste. – O contrato que Kushina fez conosco quando deixou nosso vilarejo.

Minato encarava os dois com desconfiança, mas assim que ele disse isso, seus olhos buscaram automaticamente sua mulher. Ela estava mais pálida ainda, suava e tremia.

–Não... Não! NÃO!

Shinichi abaixou a cabeça.

–Gomenasai, Kushina-chan. Entretanto, você sabe que é fundamental que se cumpra o contrato.

Ela chorava agora. Envolvia a filha com os braços como se tentasse protegê-la dos dois estranhos ali.

–Vocês não vão levar a minha filha!

Minato sentiu seu peito apertar.

–O quê? Que história é essa?

A shinobi ruiva pareceu lembrar-se da presença de seu esposo. Olhou para ele em desespero, e mais lágrimas rolaram pelos olhos.

–Gomen, Minato... Eu nunca imaginei que eles realmente viriam...Fazia tanto tempo que não entravam em contato comigo que achei que... – ela engoliu um soluço.

–Hokage-sama. – Mai se adiantou – Kushina-san assinou um contrato quando deixou a vila dos sobreviventes do nosso clã. Ela veio para Konohagakure para cumprir um acordo entre o Hokage-sama e nosso chefe. A amizade entre os nossos povos é antiga, e então, é costume fazermos esse tipo de acordo. Concedendo uma de nossas melhores integrantes para se tornar jinchuuriki da Kyuubi, esperávamos uma retribuição do Hokage... E da própria Kushina-san.

Minato estava começando a ficar tenso. Sua mulher estava agarrada à filha, e chorava alto.

Mai olhou tristemente para os três e então levou o polegar aos lábios.

–Kuchiyose no Jutsu!

Ela invocou um pergaminho vermelho e amarelo enorme e entregou-o ao Quarto Hokage. Ele o abriu e leu.

"Eu, Uzumaki Kushina, estando em sã consciência e ciente dos meus atos, declaro que caso eu venha ter descendentes, o/a meu/minha primogênito(a) será concedida à Uzushiogakure e será levada para a mesma logo após seu nascimento. Juro em nome de Uzushiogakure e de Uzu no Kuni."

E logo embaixo havia a assinatura escrita de Kushina e a marca de sua mão, provavelmente marcada com sangue.

Porém, parece que Kushina não havia sido a única a fazer esse contrato...

–Então está aí, Yondaime Hokage.

Minato permaneceu em silêncio, enquanto Kushina choramingava.

–Quantos anos ela tinha quando assinou isso? – perguntou o Relâmpago Amarelo.

Os dois Uzumakis se entreolharam.

Provavelmente o contrato foi feito antes de Kushina vir para Konoha. Se ela veio quando tinha aproximadamente oito anos, assinar isso com menos dessa idade...

–Eu tinha seis anos. – a jinchuuriki limpou as lágrimas, que logo foram substituídas por outras.

–Assinar um contrato desse... Com essa idade... – a esposa de Sarutobi finalmente quebrou seu silêncio.

–Era necessário...

–E eu nem sabia que viria pra Konoha. Logo depois, fui escolhida como a próxima jinchuuriki da Kyuubi. A Mito-sama... Na época a única coisa que eu pensava era em proteger o futuro do meu clã e me tornar a líder. Queria guiar os Uzumaki para um futuro de paz e prosperidade, demo...

Minato ergueu os olhos para os dois shinobis estrangeiros à sua frente.

–Se está assinado, não há o que fazer. Porém, exijo saber o que farão com a minha filha.

Mai engoliu um seco e Shinichi pigarreou:

–Isso é uma informação ultra-secreta. Mas, como você é o Quarto Hokage, herdeiro da Vontade do Fogo, creio que também respeite a amizade entre Konohagakure e Uzushiogakure. Então, não fará mal contar. Mas friso novamente: isso é ultra-secreto.

O Relâmpago franziu a testa e as três outras shinobis ficaram bastante apreensivas.

–Há muito tempo, os Uzumaki, ameaçados pela iminência de uma guerra entre as Cinco Grandes Nações e cientes de sua fragilidade diante dessas potências, decidiram criar uma arma própria. Você muito bem sabe que as armas mais poderosas dos Cinco Países são as bijuus.

Um estalo de compreensão ressoou na mente do shinobi.

–Decidimos, então, criar a nossa própria bijuu. Ela foi inspirada no antigo deus lobo guardião de Izanagi e Izanami, o Kaze no Okami. Entretanto, assim como qualquer outra bijuu, ele é uma arma poderosa... E uma arma assim deve ser controlada.

Kushina agarrava-se à filha, já compreendendo o destino reservado a ela.

–Não podíamos deixar que ela se voltasse contra nós mesmos, então seguimos o exemplo de todas as nações que possuíam uma bijuu. Selamo-la num shinobi digno, que seria capaz de controlá-la. O primeiro deles foi Uzumaki Ichigo.

Minato percebeu sua esposa se encolhendo.

–E Uzumaki Ichigo era esposo de Uzumaki Minako, a shinobi que tornou possível a criação do nosso próprio Nanabi. Os dois são trisavôs de Kushina.

Novas lágrimas mancharam o rosto pálido da jinchuuriki.

–A linhagem deles sempre produziu shinobis com forças vitais inacreditavelmente monstruosas... o que os tornavam ideais para serem transformados em receptáculos para grandes massas de chakra. Tirando os pormenores, a mãe de Kushina, Nanatsuki, era a antiga jinchuuriki do Kaze no Okami. Como era dona de uma vitalidade imensa, não esperávamos que morresse tão cedo (para uma Uzumaki). Porém, quando ela morreu, Kushina já havia sido escolhida como a jinchuuriki da Kyuubi. Então, tivemos que escolher outra pessoa que a substituísse. A linhagem escolhida não é tão compatível assim com o chakra do Nanabi. O atual está em suas últimas forças e precisamos urgente de um novo receptáculo. Por isso fizemos questão que pelo menos um dos descendentes de Kushina fosse reservado para dar sequência à linhagem de jinchuurikis estáveis do Nanabi. Afinal, são eles que protegem os sobreviventes do clã Uzumaki.

–NÃO! – gritou a shinobi ruiva. – Minha filha não vai ser receptáculo de bijuu nenhuma-ttebane! Eu não vou permitir que ela passe pelo que eu passei dattebane!

O Relâmpago Amarelo ponderou. O contrato estava assinado, não havia remédio.

–Kushina, está tudo bem. Vamos deixar que eles levem a Kairina...

–Minato...!

–O contrato está assinado, não tem jeito. Como eles estão em poder dela, poderão transformá-la em jinchuuriki mesmo sem o nosso consentimento. Além disso, a tradição da sua linhagem é forte demais. Porém... – ele encarou os dois que estavam próximos à porta. – Queremos ter o direito de ir vê-la.

Eles se entreolharam novamente.

–Sim, será concedido a vocês esse direito. Mas as visitas não poderão ser tão freqüentes para não chamar a atenção. Inimigos dos Uzumaki e de Konoha dariam qualquer coisa para colocar as mãos na filha de uma Uzumaki e do Relâmpago Amarelo de Konoha. Além disso, terão de ser altamente sutis. – Mai suspirou. – E há um acordo que necessita ser feito. Para a segurança da criança e de vocês, para quem quer que saiba de sua gravidez que não seja o Hokage e pessoas de sua confiança, digam que Kairina nasceu morta.

Kushina abraçou com força a filha, sentindo um aperto no peito só de pensar em vê-la morta.

–Agora... a criança.

Minato se aproximou da esposa. Passou levemente os dedos pela testa da filha e a beijou.

–Vamos, Kushina.

–Minato...

–Se me permite uma palavra – a Sarutobi interviu – Eu acho melhor levar Kushina junto com a criança para que ela possa amamentá-la. Porém para não criar alarde, vamos esperar alguns dias e aí a mandaremos para a vila de vocês.

O nó que se formara na garganta da jinchuuriki aliviou um pouco. Levantou-se e, devagar, caminhou até seu antigo mestre.

–Sensei... Cuide bem da minha querida-ttebane.

Ela abraçou a filha uma última vez e sussurrou:

–Não se esqueça da gente, Kairina. Nós te amamos. A mamãe daqui uns dias vai te visitar.

Ela entregou a filha ao seu sensei.

–Uma última coisa. – acrescentou Shinichi. – Para assegurar que a criança não seja associada a vocês, que sobrenome devemos dar a ela?

Os casal de folhas se entreolhou. E por fim, o Relâmpago Amarelo sorriu.

–Jyuu. Jyuu no Kairina.

Os dois anciões Uzumaki sorriram.

–É um belo nome.

–Era o sobrenome da minha mãe antes de se casar com meu pai. – acrescentou Minato. – Ah, eu poderia ter uma palavrinha em particular com você, Shinichi-sama?

O ancião o encarou, piscou atônito, mas passou a criança para Mai e dirigiu-se para fora do recinto, seguindo o Hokage.

Voltaram alguns minutos depois, com Shinichi carregando dois pergaminhos pequenos.

–Pode fazer isso por mim?

–Hai, Hokage-sama.

Eles acompanharam os shinobis até a entrada do esconderijo.

–Bom, estamos indo. Kushina-chan, em três dias vá à Vila. Inicialmente, vá apenas você. Depois, Minato poderá ir junto. E chamem o mínimo de atenção possível.

–Hai.

Os quatro shinobis se encararam por um instante. Kushina e Minato pousaram os olhos sobre sua filha. O pai disse:

–Não se preocupe filha. O papai e a mamãe logo irão estar com você.

E então, em silêncio, os dois Uzumaki desapareceram na noite.

Os dois folhas encararam o céu por alguns minutos e por fim, Minato virou as costas e encaminhou-se para dentro.

–Vou avisar o Saindaime do que aconteceu. Você deve ir pra casa. Me espere lá.

–Hai... – sussurrou Kushina, ainda perdida nas estrelas que cintilavam no céu.

Antes que o Relâmpago Amarelo entrasse, sua esposa o chamou de novo:

–Minato?

–Hm?

–Será que eles já vão selar a bijuu nela?

Ele voltou os olhos para o chão. Virou as costas novamente para o céu estrelado e, entrando, disse:

–Não sei.

Antes de se encontrar com o Terceiro Hokage, Minato precisava falar com alguém.

Kushina foi escoltada até em casa pelas três shinobis, que se conservaram em silêncio durante todo o trajeto.

–Durma bem, Kushina. – disse a esposa de Sarutobi quando se despediam.

–Hai...

A anciã fitou tristemente a jovem por um instante sem saber o que dizer. Por fim, com um suspiro, desapareceu numa nuvem de fumaça.

Kushina abriu a porta de casa. Tudo escuro.

Levou instintivamente a mão ao ventre.

Não estava mais inchado.

Kailina não estava mais em sua barriga.

Estava sozinha

–Sensei, preciso te contar uma coisa.

–Nani-oh, Minato?

Ele parecia muito abatido.

–Nossa filha foi levada para a vila dos Uzumaki.

–Nani!?

–Ah entendo, entendo...

Minato estava com olheiras roxas evidentes e parecia até que estava doente.

–Sensei, quero te pedir um favor.

–Diga...

Kushina estava deitada na cama há um tempo. Minato chegou fazendo o mínimo de barulho, entrou no quarto, tomou uma rápida ducha, vestiu o pijama e deitou-se ao lado de Kushina. Envolveu-a com um abraço, e ela se encolheu em seus braços, chorando.

Ficaram assim por longos minutos e, quando Minato achou que Kushina já havia adormecido, ela ergueu a cabeça, sobressaltando-o.

–Que barulho é esse-ttebane? – perguntou ela, olhando para os lados.

Ele não ouvira nada, mas parou por um instante e prestou atenção. Por fim, suspirou e disse:

–Pode ficar tranqüila. É só o vento.