Disclaimer: Naruto, como seus personagens infelizmente não me pertencem! São uma grande obra de arte genial do Tio Kishimoto! Apenas o enredo criado aqui é de minha autoria! Espero que gostem! Passa-se no Universo Naruto, um pouco antes de Sasuke sair em sua rendição, após a quarta guerra ninja.

Essa fanfic também será postada nos sites do Social Spirit, Wattpad e Nyah, através do login NaniSenpai.

N/A: ~*Yoooo! Como vai a sexta de vocês?!

Espero que melhor agora que trago mais um capítulo dessa fanfic que mexe com nosso psicológico! kkkkkkkkk

Gente do céu! Posso contar umas coisas pra vocês?

Bom, vou fingir que vocês disseram "Sim, Nani!"! kkkkkkkk

Seguinte, primeiro, quero agradecer muito, mas muito mesmo aos leitores que comentaram os capítulos anteriores e me mandaram mensagens! Poxa vida, fico tão feliz com essa entrega de vocês!

Segundo, eu recebi muitos pedidos para que eu estendesse essa fanfic e até xingamentos porque ia deixar ela curtinha (sim, xingamentos e devo dizer que isso só me motivou a ficar indignada. Ninguém gosta de ser xingado, né, Minna? Senpai não é diferente, então maneirem nisso ok? rsrs), mas sabe o que é? Pra quem acompanha meus trabalhos sabe que tenho outra KakaSaku! Não é com um Kaka Dark como esse aqui e a coisa lá é totalmente diferente da daqui, então eu não consigo escrever as duas KakaSaku simultaneamente! Eu preciso esperar acabar essa aqui pra dar continuidade na outra e esse é o motivo dessa aqui ser curtinha. Só que com tantos pedidos assim e mensagens maravilhosas que recebi por conta dessa fanfic, me sinto na obrigação de dar essa presente a vocês! Não vou estender muito tá? Talvez até 12 ou 15 capítulos e não vou enrolar ou encher linguiça, trarei lembranças e novos acontecimentos como esse capítulo aqui e deixarei um pouco mais curtinho para que vocês apreciem o capítulos inteiros! Tá bom assim, gente? Continuem conversando comigo, ok?

Terceiro, nesse capítulo eu arrisquei muito a qualidade dessa fanfic e vou explicar porquê. Trago agora lembranças de acontecimentos do anime/mangá. Sim! Vamos interagir com o original! E, como eu já havia dito algumas vezes, eu não assisti e nem li o anime/mangá inteiro, então... Bom... Mesmo depois de ter feito uma rápida pesquisa, posso ter deixado a fanfic melhor inserindo essas informações ou cagado nela toda com erros... Vocês precisarão me dizer, viu? Se ficar ruim e incoerente eu apago esse capítulo e refaço kkkkkk

Quarto, eu trago também uma surpresinha para vocês, envolvendo o SasukEmo e nosso KakaBad (desculpe aos fãs SasuSaku e aos fãs do Sasuke, mas eu não podia perder essa oportunidade kkkkkkkk). E é essa surpresinha que vai adiar um pouco o fim dessa fanfic! Ou seja, mesmo que tenha aparecido só um trecho nesse cap. fiquem tranquilos que vou trabalhar melhor isso nos próximos!

Quinto e último, espero sinceramente que vocês tenham gostado de tudo que eu disse e que a qualidade da fanfic apenas melhore com esses riscos que estou assumindo!

Boa leitura, Minna!*~

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Capítulo 7 - O começo

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"Chorava desconsolavelmente, depois de mais uma fase de chegada e saída da Vila pelo Uchiha. Desde que decidiu conhecer o mundo por seus próprios olhos isso havia virado rotina.

- Você já não deveria ter se acostumado com despedidas?

Levantou a cabeça e encontrou o dono daquela voz calma, que emanava tranquilidade por seu tom. Ele sentou-se ao seu lado no banco de madeira, que ficava próxima a entrada da Vila e que guardava inúmeras lembranças, inclusive a de que foi abandonada ali quando mais jovem por aquele que sempre foi responsável por suas lágrimas.

Fungou, enxugando com as costas da mão as lágrimas insistentes que escorriam por seu rosto - Acho que sim, Sensei... - sussurrou, envergonhada por tê-la visto naquele momento tão vulnerável. Lembrava-se vagamente de alguma vez ter prometido a si mesma de que não choraria mais, não em público pelo menos, mas era uma "missão" difícil quando se tratava de Sasuke e tudo que ele despertava em si. Era extremamente conflitante o que sentia e isso apenas piorava a situação, porque além de tudo, ficava frustrada e desse sentimento, despertava outros similares até terminar em raiva e choro.

Assustou-se com uma mão grande lhe fazendo um cafuné no topo de sua cabeça, tão gentilmente, que seu corpo correspondia de prontidão. Fechava os olhos e apreciava o carinho.

- Talvez esteja na hora de você se libertar disso. - ouviu no timbre rouco e abriu os olhos para fitá-lo.

Como sempre, o ônix estava escondido por trás das pálpebras, plissando o olho como se sorrisse. Segundos depois, o ônix aparecia novamente e mesmo que a maior parte da face estivesse escondida, era perceptível a mudança da feição. Tornara-se dura, repreensiva e acima de tudo, exigente. Era como se por trás daquelas palavras, ouvisse outras que se não fosse pela personalidade discreta e de certa forma omissa, porque dificilmente o ex-Sensei interferia na vida de qualquer um, ouvisse "Talvez já esteja na hora de você se libertar dele.". Passados alguns minutos, sua feição sofreu mais uma mudança, afrouxando a rigidez e de certa forma, demonstrando um carinho sutil por si, como se dissesse "Você é merecedora de algo melhor do que isso.".

Sempre foi assim com ele. Lia em suas parciais-expressões e em seus parciais-olhares o que nunca era dito em voz e mesmo que parecesse para todos que o julgavam que era um homem de meias palavras, para si era tão claro como água, que Hatake Kakashi nunca fora um homem de meias palavras e nem de meias verdades. Era só uma questão de atentar-se ao que ele deixava nas entrelinhas, porque ele sempre deixava, para perceber que era apenas um homem de poucas palavras e muitas ações.

Automaticamente a boca preparava-se para soltar lamentações de como aquilo era difícil e doloroso, mas no fundo sabia que era apenas porque era fraca e no amor, os fracos não tem vez, como ela nunca teve. Talvez esse fosse o motivo de Uchiha Sasuke nunca lhe dar a devida atenção, ou carinho, ou amor. E só talvez, realmente não fosse merecedora disso.

A mente passara a analisar e ponderar aquela descoberta. E se fosse o contrário?

Seu amor era tão entregue, tão genuíno e forte. Talvez ele que não era merecedor disso. O que havia lhe oferecido até ali? Sacrifícios, sofrimento e dor, da forma mais robusta e bruta possível.

Não era fácil perceber isso com tanta transparência. Na verdade, doía ainda mais que o próprio sentimento fazia doer. Porque se dar conta de que viveu até ali baseada naquilo era humilhante. Como pôde se cegar por tanto tempo?

Sentiu a mão que lhe afagava se afastar e olhou para o homem que mais uma vez a ensinou uma lição importante, que mudaria completamente sua vida.

- Acho que já fiz minha parte por aqui. - disse calmamente, enquanto seu olho exposto provou que sorriu mais uma vez.

Soltou um riso baixinho, com mais uma tradução de suas poucas palavras. "Espero que entenda e que melhore. Quero que fique bem.", foi o que compreendeu com a forma como ele reagiu.

- Obrigada, Sensei. - sorriu verdadeiramente para ele, o vendo se surpreender por alguns segundos, com o olho arregalado."

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Sakura acordou um pouco desnorteada, como se tivesse acordado precocemente. O que era aquilo, um sonho?

Levou uma das mãos à boca para esconder o pequeno sorriso que surgiu em seus lábios. Não era um sonho, era uma doce lembrança. A primeira vez que ele havia lhe presenteado com tanto afeto explicitamente daquele jeito e o primeiro dia da mudança que fez em sua vida e em seu coração. Depois daquela vez, foi cada vez mais fácil se despedir de Sasuke, até perceber que não precisava estar presente em sua saída da Vila e aquilo não a fazia se sentir culpada por ser ausente, simplesmente porque a "ausência" era recíproca.

Sentou-se, com certa dificuldade, pois todos os músculos de seu corpo doíam e estranhamente, na região das nádegas estava pior. Virou-se, o quanto a flexibilidade permitiu e viu que estava levemente arroxeado.

- Mas o que diabos...? - murmurou, voltando a sentar normalmente.

Os olhos perderam-se num ponto qualquer e se assustou com o que se lembrou. Teve uma noite selvagem e insana com Kakashi. Olhou para a cascata, ao fundo da caverna e se viu como numa alucinação, sentada lá enquanto Kakashi a pressionava contra o rochedo, estocando o mais profundo que podia.

Ruborizou completamente e se assustou com o eco de passos, ficando cada vez mais próximos. Olhou para si mesma e ao perceber que estava nua, puxou o cobertor para cima do busto.

- Bom dia. - ouviu a voz que sempre arrepiava todos os pelos do seu corpo e se virou, o vendo passar pela estreita passagem da caverna.

Enrubesceu ainda mais e se controlou para não sair correndo diante dele. Como ele podia agir com tanta naturalidade depois do que fizeram?

Entrelaçou as mãos e desviou do olhar dele - Bom dia... - sussurrou, ainda um pouco desnorteada.

- Trouxe o café da manhã... - se sentou ao seu lado, lhe entregando uma garrafa com suco e deixando sobre a cama uma sacola com algumas frutas. Quando as mãos ficaram livres, pousou uma delas no rosto delicado e a puxou para si, para depositar um suave e breve beijo nos lábios inchados e levemente avermelhados, vestígios da noite passada. Não houve aviso prévio, nem cerimônia. Ele apenas se aproximou e a beijou como se aquilo fosse normal - Suponho que esteja com fome. - disse em um tom malicioso, quando se afastou.

Sentiu o rosto inteiro queimar e sem pensar, lhe deu um tapa no ombro - Kakashi! - cruzou os braços irritada e desviou do olhar pervertido dele. O olhou de esguelha e o viu rir discretamente, aquele riso gutural que sempre mexia consigo. Quando caiu em si, havia sido contagiada por aquele riso e riu também, pensando se o que aconteceu naquele momento, era um momento espontâneo de um casal normal.

Ela nunca soube o que era uma relação normal. Nunca havia se relacionado com ninguém, mesmo antes da quarta guerra ninja. Via-se sempre como uma mulher incompleta, quebrada. Poupava-se e aos outros da possibilidade de falhar mais uma vez em sua vida amorosa, então focou-se em se tornar uma ninja melhor. Kunais e livros nunca a machucariam de forma que não pudesse se curar.

Kakashi levou uma das mãos em seu rosto e acariciou - Cansada?

Sorriu, mordendo o lábio inferior e baixou o olhar. Era estranho e um pouco vergonhoso tê-lo preocupado consigo e tão íntimo daquela forma - Não e você?

Negou com a cabeça e se manteve em silêncio, a olhando como se se perdesse no verde dos seus olhos e realmente ele se perdia. Sakura sempre o mantinha entre o presente, a mulher forte e madura que se tornou e o passado, a pequena flor que ainda estava desabrochando.

Havia acompanhado toda a trajetória de sua ex-aluna, desde sua entrada no time 7. Degrau por degrau até se tornar o que se tornou. A menina boba, sonhadora e superficial que se preocupava mais em obter a atenção de um Uchiha arrogante do que em sua própria segurança. A menina boba e sonhadora que cresceu interiormente depois do chunin Shiken, deixando superficialidades e Uchiha de lado, pelo menos enquanto estava em seu papel como ninja. A menina boba que deixou de sonhar quando fora abandonada pelo Uchiha e quase sofreu a perda de seu melhor amigo, depois que este tentou impedir o que a abandonou. A menina que deixou de ser boba, para se tornar forte. Corrigir os erros e conseguir por si mesma ficar ao lado do amigo para trazer o amor de sua vida de volta. A mulher que deixou de ser menina, quando priorizou tudo e todos que não fossem ela e seus sentimentos; que conquistou tudo o que tinha com muito esforço, dedicação e integridade; que conheceu e domou o coração, procurando o melhor para si e que acima de tudo, que preservou as qualidades de quando era apenas uma menina e se lapidou a mulher que hoje. A melhor mulher que Kakashi conhecera.

Ele sabia que havia sido doloroso e solitário para ela todo esse processo e ele havia tentado ser o mais presente possível. Quando soube que Naruto deixaria a vila com o Jiraya, naturalmente dispensou missões durante um mês, para que Sakura não sofresse ainda mais. O time 7 que ela tanto amava e prezava estava se desfazendo e não seria ele a completar aquele rombo no coração da rosada. Ele ficou, de longe a observou e sutilmente se aproximou.

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"Ela chorava em silêncio, sentada no chão do quarto, pela décima quinta noite consecutiva desde que Naruto havia partido. Ele a espionava pela janela do quarto, pois não se sentia no direito de abordá-la diretamente num momento tão vulnerável. Até porque havia acabado de voltar de uma missão de algumas horas fora da Vila e era por volta de três da madrugada. Ainda restava algo dos bons modos em si.

Vigiá-la, observá-la e protegê-la tornaram-se uma espécie de missão especial. Se via na obrigação de fazer ao menos isso pela sua pequena e frágil aluna.

Gostaria de ter entrado, de fazê-la esquecer o motivo pelo qual chorava e talvez tentar animá-la contando de forma distorcida suas missões, para que ficassem engraçadas o suficiente para lhe arrancar um mínimo sorriso que fosse, mas sabia que fracassaria vergonhosamente, porque ele não era nenhum pouco engraçado e tinha plena consciência disso.

Então ficou ali parado, observando-a se deitar em posição fetal, abraçada a um porta retratos com a foto do time 7, até ela dormir profundamente em meio as lágrimas. Quando teve certeza de tal fato, se aproximou. Invadiu sorrateiramente o quarto pela janela, a pegou no colo sutilmente e a deixou em sua cama, coberta pelo fino edredom.

Quando percebeu, suas noites se resumiam a isso. Observá-la cair no sono por cansaço, depois de horas chorando, colocá-la na cama e cobri-la, para que tivesse uma noite decente, torcendo para que não tivesse pesadelos.

Certo dia, a viu passar correndo distraidamente por ele com um livro em mãos. A solidão, fragilidade e vulnerabilidade noturnas pareciam ausentes e se viu curioso para saber o que havia ocorrido. A seguiu e a viu entrar na torre da Hokage. Sorriu por baixo da máscara e se viu retomando seu caminho. Dias depois soube que ela era a nova discípula da Godaime e que logo imaginou que talvez aqueles sentimentos que a corroíam todas as noites a deixaram em paz nessa nova fase.

Confirmou naquela noite. Ao chegar a sua janela, a encontrou dormindo sobre a cama. Não estava abraçada ao porta retratos, estava abraçada a um grande e grosso livro. Não usava a roupa de dormir habitual, usava ainda a roupa de treino, totalmente rasgada e suja, deixando explícito o quanto o treino fora rígido. Não chorava e soluçava em meio a respiração pesada do sono, dormia tranquilamente e talvez numa paz de espírito que não a via ter há tempos, mas ainda estava descoberta e como um ritual antigo, entrou no quarto e cautelosamente a cobriu. Depois desse dia ele não voltou mais, não via a necessidade. Ela havia superado aquilo e estava se fortalecendo cada vez mais.

Tudo estava normal novamente. Naruto voltou, o time 7 havia recebido um novo integrante substituto do Sasuke e um novo "Sensei". Ele ficou de fora dessa, mas não por muito tempo. Sem se dar conta, havia sido designado para testar as habilidades novas de Naruto e Sakura e ao aprová-las, estava em missão com o novo time 7, o time Kakashi. Não seria preciso ser um gênio para dizer o que houve nesse processo. Ele finalmente se deu conta do quanto Sakura havia mudado desde a noite em que parou de chorar, não só internamente, como também externamente. Ficara realmente impressionado com as habilidades que ela adquiriu, não porque a subestimava, mas porque ela conseguira superar todas as expectativas que se cria de uma discípula da Godaime, principalmente por não ter as facilidades que ter um clã como Sasuke ou um Jinchuuriki como o Naruto oferece. Sakura começou do zero e mesmo assim conseguiu se igualar aos dois, por seu próprio esforço e mérito.

Anunciar naquele momento de que ele não seria mais um "Sensei" deles e sim um companheiro de equipe, lhe tirou um peso das costas. Como Sensei, havia feito sua parte, inclusive com ela. Vira seu crescimento e decidira deixá-la desabrochar sozinha. Sua super proteção virou apenas admiração.

Com muito sofrimento e perdas, atingiram o objetivo. Sasuke estava de volta, a guerra havia acabado e o lar deles estava sendo reconstruído aos poucos. E aí aconteceu, o Uchiha decidira viajar em redenção, ver o mundo com os próprios olhos. Viu o quanto Sakura ficou abalada com aquilo, mas estava ao lado dela, inclusive na primeira despedida deles. Era sempre a mesma coisa, não que fosse cansativo ou entediante para si, mas era frustrante vê-la tão frágil quanto já foi um dia pelo mesmo motivo. Em sua mente, o coração deveria se acostumar com aquela dor, no entanto não era assim que funcionava para ela.

Era uma noite qualquer quando voltava de uma missão de Suna e passou por Sasuke no portão principal da Vila. Provavelmente ele tinha voltado para reportar a Godaime o que vira, repor seus itens, para retomar sua viagem. Não se falaram, muito pelo contrário. Passaram um pelo outro como se não se conhecessem e de fato não se conheciam. Aquele homem era completamente díspar do aluno que tentava ensinar as lições que a vida lhe ensinou e ele próprio, era diferente daquele "Sensei" ingênuo, que se via naquele garoto solitário. Ambos haviam aprendido algumas coisas que os afastavam do que um dia já tiveram como um "laço" e realmente aquilo não o incomodava. O que o incomodava, era o fato de Sakura estar possivelmente "quebrada" mais uma vez, depois de uma dolorosa despedida e ele odiava estar certo neste palpite.

Adentrou pouca coisa na Vila, para vê-la sentada sobre um banco, que por ironia havia sido deixada lá por Sasuke há anos atrás. Os olhos inchados, o rosto avermelhado, a roupa molhada pelas lágrimas que saíam incessantemente. Todas as provas de que estava certo em seu palpite infelizmente estavam ali.

Reduziu o ritmo e sem pensar se aproximou - Você já não deveria ter se acostumado com despedidas? - questionou, sentando-se ao lado dela.

A viu fungar, enxugando com as costas da mão as lágrimas insistentes que escorriam por seu rosto - Acho que sim, Sensei... - sussurrou, encolhendo-se e abaixando o rosto rubro, como se estivesse envergonhada por ter sido pega chorando, porém ele não via como algo vergonhoso, via como ela poderia ser tão forte ao mesmo tempo que frágil, tendo isso como uma característica adorável que somente ela tinha.

Uma de suas mãos foi em direção ao topo da cabeça dela e lhe fez um cafuné. Era a forma que tinha de se mostrar próximo, porém de modo respeitoso. Não havia intimidade ainda para um abraço, como realmente queria dar, mas ficou satisfeito quando a viu fechar os olhos e apreciar o carinho.

- Talvez esteja na hora de você se libertar disso. - sua boca expulsou as palavras de sua mente, sem ao menos filtrá-las. Poderia ser inconsequente, mas precisava dizer aquilo. Talvez como um antigo "Sensei", como ela mesma fazia questão de lembrá-lo sempre que o chamava, devesse lhe ensinar mais uma lição. Sorriu e segundos depois, a encarou. Tinha em mente algumas repreensões, sobre o modo como ela se entregava ao amor que sentia por uma pessoa que apenas a machucava ou sobre como ela ficava vulnerável descuidadosamente perto dele, mas se conteve em apenas encará-la. Passados alguns minutos, reprimiu um suspiro cansado e apenas afrouxou a rigidez de sua face, que lhe tomou sem seu consentimento. Sakura sempre fora sensível, não faria sentido repreendê-la por isso, tanto que se ser assim não a machucasse, acharia uma das características mais encantadoras dela.

Ele a observou entrar numa das suas batalhas internas. Parecia discutir consigo mesma o que lhe disse. Era interessante como a expressão facial sofria inúmeras alterações, de acordo com o que ela estava pensando, como se ela fosse um livro aberto. Discordava do que ele dissera, depois concordava, depois parecia sofrer com aquilo, para depois se conformar e em seguida, perceber a lógica e se decidir e optar por ser forte.

Se pegou sorrindo inconscientemente. Estava satisfeito por ter tentado lhe mostrar a verdade e no fundo de seu coração, aliviado, porque provavelmente não a veria sofrer mais, não por ele.

"Quem sabe você mesmo não a ensina o que é ser feliz?", uma voz ecoou no fundo de sua mente e se assustou com aquele pensamento.

A olhou novamente. Ela havia crescido, como havia. Esta madura, seu corpo estava se desenvolvendo e seu coração...

"O que estou pensando?!", repreendeu-se e retirou a mão que afagava os fios róseos - Acho que já fiz minha parte por aqui. - disse, tentando recuperar sua calma e normalidade. Sorriu, para disfarçar o embaraço que seu interior lhe causou e quase suspirou aliviado quando a ouviu rir baixinho.

- Obrigada, Sensei. - ela o olhou por alguns segundos, antes de sorrir. Um sorriso que não via naquele rosto alvo há muito tempo, o surpreendendo e mais, o cativando. O velho coração solitário acelerou e o peito aqueceu. Foi algo como ver o raio do sol depois de uma tempestade. Foi ver e sentir a esperança."

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Foi ali que tudo começou para Kakashi, começou não, intensificou. Não foi um amor a primeira vista, nem um amor de um homem para uma mulher. Foi um amor genuíno e ingênuo, simples e inocente que cresceu e se transformou naquele amor tão grandioso e verdadeiro, que escondê-lo ou arrebatá-lo era sufocante e inconcebível.

- Não vai comer? - ouviu a voz suave feminina e a olhou. Já estava na metade da maçã que comia, então percebeu que se perdeu naqueles pensamentos por muito tempo.

Sorriu, ciente de que estava sem máscara e assentiu, pegando uma maçã - O que acha de conhecer as redondezas hoje? Há um lago lá fora que você vai gostar de ver. - mordeu a fruta, a observando se surpreender pelo que disse. Levou alguns segundos para ganhar um sorriso generoso.

O que havia a surpreendido foi o convite para sair daquela caverna. Estava presa ali desde que acordou, mas se refletisse, perceberia que ele nunca sequer a proibiu de sair, apenas a proibiu de voltar.

- Será ótimo! - finalmente disse.

Eles terminaram de tomar café da manhã e Sakura se vestiu, com uma das regatas do Kakashi, já que suas roupas ainda estavam úmidas ou sujas.

Saíram da caverna e Kakashi se deleitou na alegria de Sakura ao sentir o calor do sol em sua pele. Ele sabia que ela não gostava muito de ficar muito tempo em um lugar fechado, porque amava o sol como amava viver, porém não havia outra escolha, não enquanto ela quisesse voltar para a Vila e para aquela farsa que amaldiçoava todo o tempo.

- Kakashi?! - a viu se virar para trás, para olhá-lo. Estava tão animada que parecia aquela Sakura de 12 anos que se impressionava com qualquer coisa, a diferença era que esta Sakura o chamava de Kakashi e a outra de Sensei. Ficou pensando se essa era uma evidência de que agora ela o via de forma diferente também. Ela apontou para o meio da mata - Não me diga que há uma cachoeira por ali! - exclamou e se aproximou para puxar seu braço e apressar seus passos preguiçosos.

- Ora, ora... Parece que você descobriu. - respondeu, se divertindo com a reação dela. A viu arregalar os olhos e sorrir, antes de puxá-lo para correr até lá. Tão apressada...

Ela soltou a mão dele e avançou mais alguns passos, porém devagar, pois queria apreciar o que via. A cascata tinha uma queda acima de vinte metros e era tão linda, forte. A enxurrada poderia facilmente afogar um civil. Abaixo dela, um lago, provavelmente o que Kakashi citara. Um pouco longe da queda, a água era calma e os raios solares a deixavam tão cristalina, num tom verde água para azul safira. Lindo. Simplesmente lindo.

Inconscientemente, ela retirou a única peça de roupa que usava, a camiseta regata dele que lhe batia um pouco acima do joelho, e a deixou no chão. Impressionada com tanta beleza, ela entrou no lago. Passo por passo lentamente. Estava hipnotizada.

Kakashi ficou ali a observando, até sentir uma presença indesejável se aproximando. Subiu a gola alta, que virava sua máscara e enrijeceu a expressão corporal para recebê-lo. Não demorou muito até que o viu no topo da cascata, o encarando. Não se surpreendeu quando Sasuke ocultou sua assinatura de chakra depois de ver Sakura nadando no lago. Não era a primeira vez que vinha, apesar de nunca ter tentado fazer nada. Na verdade, pelas contas de Kakashi, era sua quinta visita desde que trouxera Sakura para aquela caverna. Ele vinha, observava e ia embora, sem tentar resgatá-la ou abordá-lo. O antigo Sensei não conseguia nem imaginar o motivo daquelas "visitas", mas estava satisfeito de ele se manter longe.

- Kakashi! - ouviu Sakura chamá-lo e levou o olhar até ela - A água está maravilhosa! Você não vem? - ela questionou, antes de mergulhar. Estava nadando para a borda, em sua direção.

Aproximou-se dali, encarando Sasuke que ainda os observava e quando Sakura voltou a superfície, a olhou. Sorriu, plissando os olhos e abaixou-se. Acariciou sua tez molhada com uma mão, com a outra abaixou a máscara e a puxou para um beijo, sabendo de que estava sendo observado. Não perderia a chance de mostrar que ela era dele.

Ela levantou-se, ficando exposta da cintura para cima e o abraçou, retribuindo o beijo intenso que ele lhe deu. Já estava se acostumando com a forma como ele a tratava.

- Né? Você tem outras roupas? - perguntou sedutoramente, depois de finalizar o beijo. O encarou com um sorriso malicioso nos lábios e mordeu o lábio inferior, como se o alertasse de que estava prestes a aprontar alguma.

Ele soltou aquele riso gutural, a observando com curiosidade e se surpreendeu quando foi puxado para dentro da água. Se levasse em conta o quanto se surpreendeu com aquilo, teria se afogado. Por sorte era um ninja experiente e conseguiu recuperar o raciocínio logo, para voltar a superfície. A viu rir como há muito não via e inevitavelmente esqueceu a bronca que estava pronto para lhe dar.

Aproximou-se e a encurralou contra a margem. Avançou para a boca dela ferozmente, lhe beijando de surpresa. Demorou algum tempo para ela fechar os olhos e lhe corresponder, ela estava desconfiada, mas contornando isso, ele a pegou pela cintura, a ergueu e a jogou para o meio do lago.

Começou a rir do troco que deu, quando ela voltou para a superfície e começou a xingá-lo e de forma não intencional, aquilo se tornou um treinamento, de como sobreviver a ataques de afogamento.

A manhã passou rápido, logo os dois, que estavam abraçados agora e trocando carícias, ficaram com fome e decidiram voltar para a caverna. Kakashi saiu primeiro, para torcer sua roupa, ainda no corpo e retirar o excesso de água. Olhou para o alto e viu Sasuke ainda, na mesma posição de quando chegara, observando Sakura sair do lago, nua.

Kakashi a olhou, andando lentamente até sair do lago e foi em sua direção, levando sua regata que ela estava usando. A vestiu e lhe beijou brevemente. Pousou uma das mãos na cintura fina possessivamente e a guiou de volta para a caverna, não antes de olhar discretamente para onde o Uchiha estava e não encontrá-lo mais lá. Automaticamente os lábios formaram um pequeno sorriso de canto vitorioso.

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N/A:~*Aí aí aí... Gostaram das lembranças que inseri?!

Vamos falar primeiro da lembrança da Sakura... A do começo. O que acharam? Vocês também acham que o Kakashi é um homem de poucas palavras, mas muitas ações? '-'

E Kami, eu gostei de fazer um momento descontraído entre os dois, depois daquela foda selvagem toda kkkkkkkkk

Vocês gostaram deles saindo da caverna e depois no lago?

Ora, e quanto as lembranças do Kakashi? Vocês acham que seria assim entre eles? Kakashi cuidando da nossa Sakura sem ela saber '-'

Bom, vocês perceberam que mudei todo o planejamento da fanfic né? Aqui era pra ter mais hentais entre as lembranças, mas como vocês pediram para eu estender a fanfic, tive que distribuir e recomeçar o planejamento.

O fato de Sasuke aparecer e mostrar ele vendo Kakashi e Sakura naquela intimidade toda era a surpresa que preparei para vocês. Pois é, o Uchiha sabe de tudo e pelo que viram, está na moita. Vocês acham que ele deixará isso barato? Por que acham que ele não tentou "resgatar" a Sakura? O que vocês acham que vai acontecer daqui para frente?

Ahhhh eu preciso saber também se ficou coerente e natural a aproximação do começo do relacionamento do Kakashi e da Sakura. Se tiver algo errado ou faltou algo importante, me falem ok?

É isso, gente! Espero que apesar de tudo tenham gostado! Já sabem né? Conto com comentários e mensagens de vocês!

Até a próxima!*~