Capítulo 5– Descontrolados
O homem alto de cabelos castanhos preso em um rabo olhava através do vidro a sala de computadores. Vestia camisa social branca, calça social preta com suspensórios.
_ Então... – suspirou-se- Você acha que isto seria possível? – virou-se para mulher de cabelos longos negros sentados à frente de sua mesa. – O que você está me relatando, Retsu?
_ Claro, senhor Shunsui. – respondeu calma e firme – Tudo que indica que seja ele próprio.
_ Mas o que você sugere que fazemos? – sentou-se recostando na cadeira – Você, assim como eu, conhece muito bem seus métodos: ele é impecável e dificilmente deixa rastros.
_ Oras, Shunsui. – deu um leve sorriso sarcástico e cruzou a perna elegante, que o homem acompanhava com olhar – Temos uma boa artilharia e podemos encontrar-lo facilmente.
_ Artilharia!? - cruzou os braços - Então me diga seu plano.
_ Usaremos aqueles dois prodígios Hackers. Os dois são melhores que todos técnicos temos aqui.
_ Acha que os dois irão nós ajudarmos? – a questionou
_ Tudo nessa vida tem um preço e tenho uma ótima oferta para eles. – concluiu com sorriso mais doce e venenoso.
O rapaz de cabelos laranja abriu a porta do apartamento com cuidado e fechou a porta atrás de si trancando. Estava um silencio, as cortinas da sala bloqueava qualquer iluminação. Não se limitou abrir as cortinas ou acender alguma luz, caminhou-se para seu quarto. O silencio da casa foi quebrado com o barulho das chaves sendo colocado na comada e o miado da gata aos pés do rapaz.
Tirou a camisa e a jogou na cadeira próxima da cama.
_ Acho que este mundo está cheia de loucos! – falou olhando para gata – Nunca ouvi uma conversa tão estranha como hoje! Aquela maluca! – riu – Eu também estou ficando por está conversando com uma gata.
Rangiku entrou na cafetaria apressada. Caminhou até na mesa que encontrara o rapaz de cabelos negros curtos, que estava na mesa próxima a janela do café:
_ Desculpa Hisagi por chamar assim rapidamente. – disse ainda em pé próxima a mesa.
_ Não tem que desculpar Rangiku. – olhou para loira – Que posso ajudá-la?
_ É sobre divorcio – propôs falar sem rodeios – Gin não quer aceitar amigavelmente. – passou a mão nos cabelos – Isso já está me tirando do sério.
_ Mas você tem certeza disso? – questionou-se o rapaz – Daqui pra frente as coisas irão se complicar: o juiz ainda vai tentar reatar vocês.
A garçonete aproximou-se da mesa para pegar os pedidos.
_ Um café. – respondeu o Hisagi
_ Também quero um café, só que coloca um pouco de sakê nele.
Tanta a garçonete tanto o Hisagi olharam com espanto para loira, que apenas recostou-se na cadeira e olhou para os dois:
_ As pessoas mistura suco de laranja com vodca ? Então quero meu café com sakê
_ Mas senhora...
_ Mas nada garota. – olhou com olhar de poucos amigos para garçonete – Esse é meu pedido, tá difícil?
A garçonete retirou-se preparando os pedidos.
_ Ran, você está muita nervosa. Não é apropriado você beber sakê e depois dirigir...
_ Vendi meu carro.
_ Como!?
_ Agora mesmo. Passei na concessionária e vendi. Com contrato de compra e venda e com tudo. Pra que essa cara que "não entendo"? O carro era meu, eu pagava o imposto e fui que o comprei. Então tenho esse direito, não é?
_ Er...tem. Se tiver alguma emergência no hospi—
_ Não tem nenhum parto hoje e nem amanhã. As mulheres agora preferem a cesariana. Escolha a data quer ganhar e pronto. Simples assim. Além do mais estou de folga posso tanto que eu quiser.
_ Sinto que você não está nada bem.
_ E estou mesmo. Estou completamente fora de mim e não sei que posso cometer até fim do dia.
_ Olha Ran – o rapaz pegou a mão da loira – Antes de ser o seu advogado, sou seu amigo. E que você precisar estarei com você.
_ Eu sei disso.
O rapaz acordou assustado com o barulho vindo da sala que foi direto ao local.
_ Oh, desculpa! – diz aquela voz suavemente – Não queria lhe acordar.
_ Hime!? – o rapaz confuso - Dormir um dia!? - coçava a parte trás do pescoço.
_ Não, ainda são 7 da noite. – disse sorrindo. – Eu não tinha intenção de acordá-lo
_ Não precisa desculpar, eu que agradeço por me acordar– disse abobado olhando para moça, que simplesmente usava uma camisa longa que deixava uma boa parte das coxas à mostra.
A moça percebeu o modo que o rapaz a observava, deixando a sem jeito. Para fugir da situação recorreu sentar no sofá colocando uma almofada em cima das pernas na tentativa de tampar um pouco.
_ Então, Hime – o rapaz foi caminhando até no sofá – Você não iria fazer plantão hoje?
_ Ah! Não era plantão - desviando o olhar – Eu ia que sair com Uryuu hoje. Mas ele surgiu com outro compromisso novamente... – falou com ar pesaroso – Tem um bom tempo não saímos, somente encontramos no hospital.
A moça quase ficou sem ar vendo o rapaz sem camisa perto dela. Aqueles músculos do peitoral, bíceps, abdômen bem definido e o seu jeito meio largado com "beiradinha" da roupa de baixo aparecendo.
_ Que desperdício! - o rapaz de cabelos laranja se jogou no sofá, sentando ao lado da moça deixando ela mais ainda vermelha.
_ Hã!? Desperdício!? - olhou para o rapaz
_ É dele não aproveitar a namorada que tem. - olhou diretamente nos olhos dela, com dorso na mão fez um pequeno carinho no rosto da garota.
_ Er... – sentiu o seu rosto ferver com comentário e o carinho do rapaz. – Ele deve ter suas razões...
_ Será!? – questionou o rapaz – Sabe, deste que eu o vi pela primeira vez eu não o confio.
_ Deve ser impressão sua. – falou com um sorriso – Estamos juntos quase seis anos, eu confio nele.
_ Cinco anos!?
_ Por que a supressa?
_ Até hoje sem nenhum pedido de casamento? Nem de morar juntos pelo menos?
_ Não.
_ Isso por que você não quis ou ele?
_ Não me lembro dele fazer nenhum pedido desses. – pousou o dedo indicador no queixo. – Mas Ichi, por que essas perguntas agora?
_ Oras, você não acha muito tempo de ficar só no namoro e sem nenhuma perspectiva? Eu teria lhe pedido em casamento em três meses.
_ Três meses é muito pouco para conhecer as pessoas. Isso acontece só em filmes. – diz convencida
_ E quando tempo que nós conhecemos?
_ Quase três se contar deste dia do acidente.
Ichigo pega a mão de Orihime e olha para seu rosto angelical.
_ Orihime Inoue quer casar comigo? – diz com mais belo sorriso sedutor nos lábios.
Orihime arregalou os olhos, piscou por algumas vezes. Não estava entendo o comportamento do Ichigo, deveria ser o efeito do medicamento, a "memoria limpa"... buscava na sua mente alguma resposta racional para aquilo tudo.
_ Ichi... isso não aconteceria na realidade – procurava as palavras corretas – Talvez o seu sentimento por mim seja apenas gratidão por ter ajudado. E se você me conhecesse melhor você não teria dito isso. – seu rosto endureceu, seus olhos alegres deu lugar olhos tristes.
_ Todo mundo tem uma história triste, Orihime. – demonstrou a sua carranca – Que sinto por você não é gratidão, é muito mais que isso.
Um silencio pesado reinou no ambiente, aquelas palavras acertaram a ruiva. Não sabia como reagir naquela situação. Talvez nem o Ishida fosse tão sincero quando a pediu em namoro. Isso seria uma pequena confusão estava por vim.
_ Vou fazer o jantar! – levantou de "supetão" do sofá que acabou tropeçando em si mesma e caído em cima do rapaz.
_ Ai Orihime! – agonizava o rapaz – Foi bem cima da feriada!
_ Foi sem querer. – preocupou a ruiva – Deixa me ver.
A ruiva levantou o pequeno curativo no lateral abdome do rapaz, olhou bem para ela.
_ Humm...
_ E aí!?
_ Vai ficar uma cicatriz linda! – exclamou a garota
_ Linda!? Isso que você fala? Por que vocês acham cicatrizes, feriadas, tudo lindo? O paciente tá morrendo e vocês acham lindos! – indignou o rapaz
A moça apenas riu do Ichigo.
_ Pelo menos vai ser mais lindas de todas que você tem! – riu mais ainda – Mas como será que você adquiriu as outras? - passou dedo suavemente em uma próxima.
_ Eu não sei... – prendendo a respiração vendo a ruiva "passear" com dedos no seu abdome. Aquilo já estava virando uma tortura, tão suave... os cílios grandes tampando o ambares cinza. Ela estava tão próxima que sentia o seu perfume.
A ruiva parou o seu passeio no tórax, no meio da junção das costelas. Tudo que sentia era o pulsar do coração do rapaz.
_ Talvez a minha maior cicatriz esteja aí. – sibilou o rapaz – Na espera de alguém que possa cura-lo.
_ Que você faria em troca? – falou baixo e suave.
_ Eu a protegeria com minha vida e não deixaria nada machucar
_ Se a pessoa tivesse também cicatrizes... – sussurrou a ruiva
_ Iremos curar e proteger um ao outro juntos – falou calmo.
Os olhos encontram simultaneamente, uma breve conversa silenciosa. O rapaz a puxa mais próxima de si, segurando a cintura. Apenas uns pequenos centímetros separam os seus rostos...
Uma música ecoa na casa quebrando o silencio.
_ É meu celular... – fala ainda bem próximo do rapaz – Tenho que atender.
_ Tem certeza!? – segura firme pela cintura com uma mão e enquanto a outra retira uma mecha do cabelo da moça do rosto.
Ela não responde nada, apenas levanta deixando o rapaz sozinho na sala.
Continua...
