Lawless Hearts
Autora: Kracken
Tradução: Aryam
N/T: Desculpem pela demora imperdoável para postar mais capítulos dessa fic! Prometo atualizá-la com maior frequência agora que consegui recuperar o que já estava traduzido. Muito obrigada a aoi-tsukii (Heero e Duo = amor!), Asuka Maxwell (adorei seu comentário dinâmico enquanto lia os capítulos! Duo e suas frescuras são só para enlouquecer as leitoras...), Lis Martin (foi por força maior que negligenciei tanto essa fic, mas aqui está mais! E acredito que vai gostar do capítulo), Deiisoca (aqui está a continuação! E tem um suquinho cítrico como pediu ^_~) e DW03 (moça, obrigada por me cobrar mais de LH! Daqui para o capítulo 15 - onde estava no xyzyaoi - vai ser um pulo!). Muitos beijos, abraços e lemons para todas vocês, lindas leitoras!
Corações sem Lei
Capítulo 11 - Oscilação
Heero catalogou a sucata, enquanto eu insultava e pechinchava com Micky. Quando finalmente descarregamos e o liberamos tive a compulsão de limpar todo o lugar. O homem era realmente trabalhoso.
"Acho que temos partes suficientes para vinte e seis máquinas, onze delas vendáveis," o japonês me informou dando uma olhada na pequena tela de seu computador. Não precisava conferir para saber que ele calculava os preços. Estendi a mão e fechei o bendito aparelho.
Falei entre um bocejo, "Já chega por hoje. Podemos começar amanhã de manhã."
Heero estava pronto para discordar, mas de repente, ele também parecia muito cansado como se a explosão de adrenalina, que havia o mantido de pé até agora, tivesse se esgotado. Concordou e colocou o computador no bolso. Balancei a cabeça enquanto voltávamos para o barracão. Perguntou-me, "O quê?"
"Você ama números, não ama?" Era uma análise. Sempre pensei nele como o Sr. Certinho durante a guerra. Fazia sentido ele ser um nerd também.
"Gosto," admitiu, mas não elaborou. Finalmente me virei e o peguei encarando o nada, pensativo.
Boa Maxwell, pensei irritado comigo mesmo. Devo ter ferido seus sentimentos.
Voltamos ao barracão e tranquei a porta, colocando a cadeira debaixo da maçaneta outra vez. Precisava lembrar de consertar a fechadura. Estava exausto demais para me preocupar com uma porta essa noite ou com Heero e, além do mais, parecia que eu tinha estragado com o seu humor.
Quando fomos para o quarto, não estávamos desconcertados ou envergonhados. Não havia nenhuma pressão sobre o que aconteceria em seguida. Estávamos esgotados, imundos e famintos. A cama nos chamava e sexo, com certeza, era a última coisa em nossas mentes.
Tomei banho e quase dormi no chuveiro. Cabelo lavado meia-boca e de bermuda úmida, deixei o banheiro para Heero. Enquanto ele tomava banho, sentei no chão e esquentei nosso jantar. Quase fiz o mesmo que ele, caindo no sono. Quando meu ombro foi sacudido, pisquei sonolento. Heero estava vestindo calças largas e sem camisa. Seus mamilos amarronzados me encaravam, no mesmo nível da minha boca já que se inclinou para me chacoalhar. Foi a única coisa erótica que pensei antes que colocasse a comida esquentada em meu colo e um garfo em minhas mãos.
"Coma e vá dormir," comandou simplesmente ao se sentar no sofá e começar a comer.
Comi entorpecido. Ambos quietos. As bombas de água de L2 ainda escoando, coletando água de chuva e os respiradouros abertos no chão sopravam levemente, enquanto o ar saia das profundezas. O suave barulho preenchia o espaço entre nós. O que não camuflava o fato de ali ter um problema; a tensão naquele silêncio humano.
Acredito que, ter estado nas ruas grande parte da minha juventude, aprendi a ser cuidadoso com o humor das pessoas, a senti-los, percebê-los até com os mais discretos gestos. Pessoas podem ser bem más, psicopatas, se cruzar seu caminho na hora errada. As ruas estavam cheias de raiva, até mesmo loucos, alguns apenas esperando o pavio acabar de queimar, uma oportunidade, uma desculpa; um jovem garoto no lugar errado na hora errada. Heero estava disparando meu alarme. Era óbvio como um sinal em neon. Algo o irritava.
"Que foi?" finalmente perguntei após engolir minha última garfada e jogar o recipiente com uma perfeita cesta na lixeira.
Heero não disse nada, enquanto rastejei do chão para a cama; eu estava limitado a um ser de dor e cansaço. Estiquei-me de lado, ajeitando-me debaixo da coberta mesmo sem precisar.
Estava afundando na sensação de 'não dou a mínima', apesar do meu instinto de rua protestar. Estava simplesmente exausto. Falei, com um último enorme, "Desembucha."
"Não sou uma máquina," Heero afirmou e havia raiva em sua voz.
"Hnh?" tentei processar, enquanto meus olhos se fechavam. "Não disse que era," resmunguei sonolento.
"Você disse..." Heero pausou e tentou explicar, "As pessoas costumavam dizer que eu era... desumano, por causa do modo que fui treinado... Quando você disse... Você perguntou sobre os números... Pensei..."
Bufei e bocejei longamente. "Não uma máquina," consegui soltar. "Só um... geek."
"Oh..."
A raiva deixou o recinto. Meu instinto de rua se 'acalmou'. Tudo dentro de mim concordava: queríamos entrar em coma.
"'Noite, nerd dos números," murmurei e rapidamente comecei a ser levado pela inconsciência.
Houve uma pequena risada e um corpo quente se colocou próximo ao meu. "Boa noite," a voz rouca sussurrou e então desmaiei em sono.
Um telefone tocava. Encolhi-me e coloquei o travesseiro em cima da cabeça. Um corpo quente... Heero... Moveu-se ao meu lado. Percebi que tinha os braços envoltos em mim e que era uma sensação boa. Ele pegou o celular de algum lugar próximo e respondeu lentamente.
"Yuy."
Meu rosto estava encostado no peito de Heero. Sua voz vibrava em minha orelha juntamente com a batida de seu coração.
"Hn... Estamos progredindo," dizia. "Demos entrada em um carregamento... Isso foi providenciado... Ele foi roubado, não tem nenhum registro... Vai ter que acreditar na minha palavra... Pessoal?" Uma mão gentilmente me acariciou. "Sei o quão importante é esse caso Chang, tenha um pouco de confiança em mim... 'Tá certo... Amanhã".
O celular foi descartado. Ouvi-o quicar no colchão do sofá. Não conseguia fingir que dormia. As carícias de Heero faziam meus dedos dos pés se curvarem. Não tinha outra escolha senão encará-lo e... Decidir o que fazer, o que dizer agora.
Virei barriga para cima. Estávamos desajeitados. Não tínhamos muito espaço. Heero deitado de lado, apoiou-se no cotovelo, olhos azuis focados em mim. Ele ainda estava meio sonolento, cabelos nos olhos e expressão distante como se estivesse sonhando.
"Hei," falei e então me senti estúpido.
"Bom dia," retornou e bocejou. Com o cotovelo dobrado debaixo si, deixou o corpo tombar de volta para o colchão. Esperei alguma conversa... Talvez um flerte com um toque da temida conversa de relacionamento, a tal 'que diabos é tudo isso e até onde pretendemos ir'. O que não esperava era Heero virar e me dar as costas, pretendendo, acho eu, voltar a dormir.
"Muito cedo," murmurou.
Reprimi um suspiro de alívio e sorri, para então colocar um braço em sua cintura, puxei-o contra mim e deixei a cabeça descansar de leve em seu ombro. Heero, por sua vez, grunhiu e segurou minha mão. Depois de um tempo sua mão relaxou, soltando a minha, e ele adormeceu.
Sim, estávamos sendo íntimos; outro passo mais próximo para haver um 'nós dois', mas não um passo enorme e assustador. Era um pequeno e confortável engatinhar.
A segunda vez que acordamos, dei a Heero um aperto e o soltei, ainda querendo evitar olhar fundo nos olhos e tudo mais. Rolei da cama e vesti uma calça jeans. Enquanto colocava minha botina, ele já se levantava e ia ao banheiro. Escutei-o urinar e lavar as mãos, depois foi à cozinha esquentar o café-da-manhã. Terminado meu próprio turno no banheiro, sentamos ombro a ombro no sofá e comemos.
"Wufei está ficando impaciente?" perguntei de boca cheia.
Heero estava quieto, encarando feio sua comida, até finalmente responder, "Sim."
Abafei um riso. "Isso diz muito sem dizer nada. Tradução: 'Trate de colocar a mão na massa, Heero, ou vamos até aí 'ajudá-lo' a terminar o trabalho'. Acertei?"
"Na mosca," grunhiu. E mudou de assunto. "Precisamos arrumar sua papelada e também reconstruir aquelas peças. Você tem cópias dos arquivos em algum lugar?"
Apontei minha testa. "Aqui em cima."
Ele não pareceu muito contente com isso. "Não estou questionando sua memória," garantiu, "mas tudo aqui é tão desorganizado. Acho que precisamos organizar caixas e separar toda a sucata. Precisamos encontrar as partes que nunca iremos reconstruir e vender o metal".
Balancei a cabeça, "Não há mercado para isso aqui, Heero. Tem muita sucata sobrando na colônia."
"Então precisamos nos livrar de tudo nos incineradores," considerou. "Você não deveria ter sucata inútil no seu ferro-velho. Espaço é igual a dinheiro se usarmos o espaço para o que tem valor."
Tive essa imagem mental de sucata categorizada organizadamente em caixas arrumadas. Não parecia natural. Eu gostava de acumular coisas por uma boa razão e jogá-las fora, mesmo sendo inúteis, era contra tudo o que aprendi nas ruas, naquela existência de se consumir o que se tem e esconder o que sobra. Queria protestar, mas não o fiz. Ele estava certo e se conseguisse fazer acontecer, não seria o idiota para ficar em seu caminho.
Terminamos de comer e vesti uma camiseta. Peguei Heero me apreciando. Qualquer pensamento sobre sucata voou pela janela. Distraidamente amarrei minha bandana e peguei meu chapéu. Transaríamos outra vez, sem dúvida. Éramos dois caras, com tesão um pelo outro, com libido normal. Era apenas questão de 'quando' e não 'se'.
Com nosso novo acordo silencioso, sexo não era mais assustador como antes. Faríamos sem toda aquela busca espiritual, conversa sentimental e o peso da preocupação do nosso futuro romântico. Encontrei-me esperançoso e ansioso, apesar da ideia de fazer outro meia nove com Heero já me deixava sem graça. Era fácil quando estávamos respondendo ao desejo sexual e à sensação estarrecedora de 'pertencemos um ao outro para sempre', mas na luz do dia, era difícil tocar no assunto – sem acabar dizendo algo muito vergonhoso ou inadequado – que me levaria a abaixar as calças de Heero e levar a minha boca no seu... Bem, se pensasse nisso agora não chegaríamos a lugar nenhum ainda hoje.
Heero se vestiu também e se juntou a mim na varanda, passando os dedos por seus cabelos bagunçados e colocando o chapéu em seguida. Estava quente e seco, mas não a fornalha de antes. As bombas pararam e estava tão quieto quanto poderia estar em L2, o que não dizia muito.
"Você não tem que fazer isso por mim," ouvi alguém dizer abruptamente e percebi, espantado, que era eu. Meu instinto de rua nunca tira férias. Nunca deixava de lado pessimismo ou desconfiança.
Heero passou levemente os dedos em meu braço nu. Estremeci quando me falou, "Não é mais apenas um caso e você sabe," e então desceu os degraus para o terreno, aquele pedaço de honestidade sendo desconfortável para nós dois. Senti meu coração fazer algo engraçado. Juro que deu uma pirueta para trás e um salto triplo gritando em alegria. Quieto! Repreendi irritado, mas sorria e não conseguia parar nem mesmo quando me juntei a ele e começamos a trabalhar lado a lado.
Foi um trabalho pesado e cansativo. Ficamos cobertos de poeira e ferrugem, e exibíamos dedos ralados e queimados por nos enfiarmos debaixo das máquinas e lentamente montando peças e testar compressores, mangueiras de combustíveis e engrenagens. Trabalhávamos como uma máquina bem lubrificada e, mais de uma vez durante esse longo dia, fiquei maravilhado e com um grande bem estar. A caixa de ferramentas virou instrumento de médicos-cirurgiões. Éramos especialistas em nosso campo, sabendo exatamente o que deveria ser feito e fazendo como se fossemos uma mente com quatro braços. Era mesmo uma coisa linda, um pedaço de perfeição que eu não atingia em muito tempo.
Heero acabou acertando. Acabamos com a quantidade exata de máquinas funcionais que ele havia previsto. Eu o vi sorrindo, percebendo a mesma coisa. Sim, um completo nerd dos números. Não consegui evitar as risadas, enquanto limpava a sujeira e o suor do rosto com minha bandana.
"Quê?" Heero me olhou de esguelha inserindo números no computador. Estava fazendo o inventário das pilhas de peças mais próximas quando nos sentamos para descansar. Ele havia terminado as menores por hora, mas sabia que as pilhas maiores não seriam tão fáceis.
"Apenas pensando em como somos diferentes," admiti sentando no para-choque da escavadeira. Cheirava a combustível velho e óleo barato. "E tão parecidos".
Heero sorriu e assentiu com a cabeça. "Também estava pensando nisso."
Minhas sobrancelhas se levantaram até a raiz do cabelo. "Estava?"
"Trabalhamos tão bem juntos," respondeu terminando de digitar os registros. "Sempre fomos capazes disso. E sempre me perguntei como era possível quando nossas personalidades e métodos podem ser tão diferentes."
"Objetivos comuns?" aventurei e ele sorriu pra mim. Abaixei a cabeça e me escondi atrás da aba do chapéu.
Sabia no que ele estava pensando. Trabalhamos bem juntos por causa daquela palavra com 'A', aquela que eu guardava bem lá no fundo, mas que não deixava chegar nem perto da minha língua ainda, nem de longe. Ele não a diria também e abandonou o assunto em vez de seguir esse caminho. Sei que é besteira, mas é muito cedo. Mal nos conhecemos. Senso comum dizia que não podia acontecer assim, em um instante, portanto, estavamos dispostos a acreditar que era apenas atração sexual e amizade por enquanto... Bem, pelo menos eu estava. Não era um telepata, afinal. Não poderia saber o que o Preventer estava pensando com absoluta certeza.
Ele olhava para o pátio, talvez bolando planos para o dia seguinte. Os refletores escureciam devido ao entardecer. Ainda tínhamos um tempinho para trabalhar, mas eu já antecipava a noite e ficar logo a sós com um certo moreno. Não sentia mais o mesmo nervosismo, especialmente desde que observei seu peitoral pouco escondido por aquela regata o dia inteiro. Definitivamente eu tinha uma queda por braços e ombros definidos, e Heero tinha que ser referência quando se tratava de corpo em forma.
Acredito que fiquei semi-ereto por boa parte do dia, a libido a todo vapor. Isso me chamou a atenção para meu estado despreparado caso decidíssemos levar as coisas um pouco mais a fundo do que da última vez. Tenho vivido celibato como um monge por algum tempo, e sem comprar certas coisas como lubrificante e camisinhas, foi o meu jeito de manter meu desejo sexual sob controle. Precisava perguntar para Heero sobre seu atestado de saúde também, e não era a pergunta mais embaraçosa de se ter de fazer? Masturbações mútuas em banheiros ou atrás de prédios podem te dar algumas DSTs, mas o serviço completo poderia muito bem te levar a morte. Seria difícil iniciar uma conversa com 'posso ver sua carteira de saúde, porque pretendo te comer ou ser comido por você?' o que levantava outra questão. Ativo ou passivo? Sem perceber fiquei o encarando... Imaginando...
Heero levantou o olhar de seu trabalho e me encarou de volta. Piscou e então perguntou preocupado, "Fiz alguma coisa errada?"
Afastei aquela nuvem de testosterona e falei, antes que conseguisse pensar direito, "Preciso pegar emprestado um pouco mais de crédito. Preciso... Nós precisamos de mais suprimentos..."
Heero abriu a boca para dizer exatamente o que sabia que diria. Cortei.
"Eu NÃO recebo esmolas, Yuy!" recusei a sua oferta não dita. "Quero que conte cada crédito, até cada centavo."
Ele achou engraçado, mas aceitou e fez uma anotação. "Trinta créditos são suficientes?"
Mexi na bandana e a amarrei em volta do pescoço. "Mais que suficiente."
"Eu mesmo posso ir, enquanto você termina o trabalho por aqui," ofereceu. "Vai precisar ligar para seus contatos."
"Pode deixar," respondi rápido. A última coisa que precisava era pedir para Heero comprar facilitadores sexuais para mim. Nenhum cara gosta de admitir que não faz regularmente. É uma coisa de macho que provavelmente nunca sairia do subconsciente masculino.
"Tudo bem," O japonês respondeu, "Não me importo."
"Preciso conversar com algumas pessoas," reagi, "e tenho que checar a Mudhopper."
"Mais um motivo para que eu vá buscar os suprimentos," racionalizou. "Poderá conversar e checar na máquina mais fácil assim."
"Mas..." parei e nos fitamos. Dei um risinho. Não consegui evitar. Heero ficou confuso e, então, envergonhado quando revelei, "Também quer comprar camisinhas e lubrificante?"
Nunca vi alguém ficar tão vermelho. Ia até a ponta de suas orelhas. Ele olhou para suas botas e respondeu, "Desculpe. Eu..." em seguida olhou para cima, surpreso, quando minhas palavras finalmente fizeram sentido. "Você... Você ia comprar também?"
"É." Esfreguei minha nuca. "Olha, não estou insinuando que vamos precisar, mas não é algo que tenho à mão caso precise."
Não conseguia levantar o tópico do cartão de saúde agora. Realmente não queria que Heero pensasse que pretendia um sexo com penetração, porque não estava. Apenas queria estar pronto... caso quiséssemos... mais para frente. Fazia sentido, certo?
Heero guardou seu computador e ajeitou o chapéu. "Já que os suprimentos não são mais um segredo, deveríamos ir juntos. Eu compro o que precisamos e você cuida dos negócios."
"Uhm... Eu prefiro comprar tudo, Heero. Por que não fica aqui e continua com o inventário?" tentei soar casual, mas já pensava mesmo no que as pessoas do mercado pensariam se Heero fosse comprar esses itens. Não concluiriam que ele estaria se preparando para alguém diferente. É uma coisa as pessoas saberem que se é gay. É outra verem alguém se preparando para te dar um trato. Mexia com a masculinidade e um monte de intimidades que nem conseguia explicar. Tudo o que sabia era que me sentiria melhor em deixá-los achar que eu decidira comprar aquele tipo de coisa. Voltava ao assunto de ativo ou passivo e, por mais ridículo que parecesse, queria que todos acreditassem que eu era o ativo. Não, às vezes não havia nenhuma justificativa para o orgulho masculino.
Heero desistiu e assentiu. "'Tá certo. É muito importante terminar o inventário. Faz sentido não passarmos os dois o resto do dia por aí."
"Claro, foi o que pensei," menti. "E precisamos mesmo de suprimentos, não apenas... Aquelas coisas". Dei de ombros e coloquei as mãos nos bolsos. "Ok, volto logo." Comecei a andar, mas parei e olhei para trás. Senti de repente que ele precisava de algo mais de mim. Parecia pensativo.
"Heero..." esfreguei minha nuca novamente, um gesto nervoso de quando ficava encabulado. "Só quero que saiba que... Não sei bem com tudo isso aconteceu," significando 'nós', "mas, é bom, sabe? Só tenho que ir devagar. Não quer dizer que não gosto, que não quero. Apenas..."
Não pude continuar, não com aqueles olhos azuis me fitando tão intensamente.
"Eu não planejei e nunca pensei que aconteceria," Heero respondeu suavemente, "Mas também queria. Não sei se... Talvez depois da armadilha possamos dar um jeito nisso juntos."
Prendi-me nessas palavras com as duas mãos. "É, está certo. Não devemos lidar com isso agora..." Mentalmente me dei um chute bem forte. Soou muito ansioso. Foda-se todas as 'suspeitas', os 'não confio em ninguém', o 'instinto das ruas', pensei e botei pra fora, "Mas eu quero... Depois..." hesitei e continuei, "Acho melhor esquecer sobre essas coisas, por enquanto. Pra que gastar crédito que nem temos quando... Quando não estaremos..." virei. Era até onde conseguia chegar com o 'alívio' verbal. Dei um aceno e falei bruscamente, "Já volto. Cuidado com essas pilhas de sucata."
"Entendido," Heero grunhiu e aquele grunhido me deu muito no que pensar durante as compras. Tinha sido um grunhido triste? Um grunhido desapontado? Ou um grunhido irritado?
"Por Deus, Maxwell!" repreendi-me. "Devia ser apenas gases!"
Comprei o que precisávamos, conversei com alguns contatos e fui ver a Mudhopper. Tinha quase certeza de que conseguiria removê-la de lá na manhã seguinte. Tirei da cabeça a ideia de escalar a lama úmida para checá-la. Sabia o que encontraria e não seria nada bonito.
Retornando para o lote, vi que Heero começara a separar as peças e que as máquinas completas estavam debaixo de uma lona e brilhando com óleo novo. Podia até ver créditos dançando em volta da minha cabeça quando levantei a lona e sorria ao entrar no barraco. Heero estava no sofá, dedos voando sobre seu pequeno teclado.
"Tudo bem?" perguntou sem me olhar.
"Fui fazer compras, não a uma batalha com móbile suits", repliquei colocando as sacolas no chão.
Com os braços vazios, observei minha companhia. Estava usando meu short macio outra vez. Deve ter gostado dele. Não que eu achasse ruim. Ficava melhor nele do que em mim. Sentei ao seu lado e pude sentir o cheiro limpo de quem acabara de sair do banho e percebi que fizera a barba. O aroma do pós-barba provocava meus sentidos e minha libido. Como se apertasse um botão, aquele que desligava as inibições, o que dizia 'te quero tanto, nem vou pensar em mais nada, muito menos em consequências'. Era o que estava racionalizando, pois meu cérebro certamente não estava.
Acho que foi a veia pulsante em sua garganta que puxou o gatilho ou talvez aqueles mamilos salientes amarronzados dele ou ainda aquela curva dos músculos em seus ombros, talvez o modo que sua pele parecia dizer 'meu gosto é incrível'. Provavelmente foi toda aquela conversa de lubrificante, camisinhas e a reflexão sobre ativo ou passivo. Tudo o que sei é que de repente eu estava agarrando o cabelo de sua nuca e o puxando bruscamente para mim.
Meu braço livre envolveu sua cintura forte. Ele não era macio. Era duro como uma pedra e foi quase doloroso pressioná-lo contra mim para tomar seus lábios. Praticamente engoli sua boca, forcei-a a se abrir, enfiei a língua fundo e o empurrei contra o sofá ao mesmo tempo.
Talvez eu tenha sido bruto, pois parte de mim resistia ou talvez eu tenha agido assim porque culpava Heero por ter me feito perder o controle. De qualquer jeito, ele não parecia se importar. Abriu as pernas para mim e as envolveu ao meu redor, enquanto eu o pressionava para baixo com meu próprio corpo.
Era quase frenético, nosso sexo, ambos confusos, fora de controle e ambos desejando intensamente. Segurar o ato final era a última gota de frustração, mas nós não estávamos prontos mentalmente ainda. Convencer nossos corpos era algo totalmente diferente. Aumentava nossos impulsos furiosos, fazia o sexo quase parecer uma explosão de raiva. Afinal, tínhamos raiva. Queríamos ir até o fim, mas éramos muito teimosos, cabeças-duras, medrosos por demais do que viria a seguir como consequência.
Soltando-me um pouco, puxei o short para baixo e o tirei dele. Suas mãos abriram meu jeans e me arranharam a pele ao puxar a calça até meus joelhos. Quando estendeu sua mão larga e tirou minha ereção da minha roupa de baixo, quase gozei bem ali, especialmente quando deu uma esfregada com força. Sua própria ereção estava inchada, vermelha e levantada orgulhosamente quando me inclinei e a engoli inteira.
Tinha um gosto... salgado, de pré-gozo, sexo, Heero, endorfina, hormônios... Tinha gosto de 'meu'. Soa estranho, eu sei, mas é o único modo que conseguia descrever. Era um gosto de como se ele pertencesse a mim e o qual eu não conseguia enjoar.
Fizemos meia nove, mas Heero não foi de encontro a minha ereção de imediato. Ao invés disso, lambeu e me beijou por inteiro. Mordeu meu joelho, chupou e um pensamento muito passageiro registrou que eu estava suado, se não sujo, nas pernas. Pelo jeito, era um tipo de afrodisíaco para Heero. Quando enterrou seu rosto no meu quadril e começou a adoração, fiquei louco, enfiando até as unhas nele e dando o melhor de mim. Ele estocou minha boca e gozou com um grito. Segurou meu membro e me masturbou até o fim enquanto chupada e lambia minhas bolas.
Ficamos grudados assim por um bom tempo para então nos esticarmos e sentarmos. Trêmulos e suspirando pela tensão muscular, mordidas e corpos doloridos; tomamos banho outra vez e passamos o resto do entardecer sentados juntos e revisando o inventário de Heero. Não dissemos nada sobre o ato, mas nossos ombros se tocavam quando sentamos no sofá... Meio que de frente um pro outro de um jeito íntimo e reconfortante.
Certo, então engatinhamos mais um pouquinho... Talvez um pouco mais do que um passinho de bebê, mas não ligava nem um pouco. Lidaríamos com toda a situação no nosso próprio ritmo; e isso fazia toda a diferença.
Continua...
Nota da Illy-chan (que não está traduzindo ou revisando, mas indicou a fic e é fã assumida dela^~)
ÁGUAAAAAAAAAAAA!
ÁAAAAAAAAGUAAAAAAAAAAAAAA!
ou melhor...
FOGOOOOOOOOOO!
FOOOOOOOGOOOOOOOOOOO!
INCÊNDIOOOOOOOOOOOOOOOOOO! XD~~~~
~~ .O. ~~
*MENSAGEM DO NOSSO PATROCINADOR - SÃO YAOI*
Você já nos mandou comentários?
Já disse quais fics mais gosta, qual autora prefere, qual a melhor caracterização de personagem?
Quais os casais que você adora?
Qual roteiro te fez chorar, qual te fez roer as unhas de nervoso... e qual cena LEMON fez a sua tela de pc pegar fogo?
Já? Já? Já?
POIS MANDE MAIS \O/ FAÇA-NOS FELIZES!
Você já nos mandou comentários...
...e eu ainda não pude responder? NÃO DUVIDE - sua hora irá chegar, hohoho D
TENHA FÉ EM SÃO YAOI! \O/
Você NUNCA nos mandou comentários?
NÃO SEJA TÍMIDA! ARME-SE DA TARA POR TODAS AS VARIAÇÕES MATEMÁTICAS
... E MANDE, MANDE, MANDEEEEEEEEEE!
MANDEM MAIS EMAILS COM COMENTÁRIOS, POR FAVOR!
Illy-chan
