Lawless Hearts
Autora: Kracken
Tradução: Aryam
N/T: Capítulo (espontaneamente) dedicado para a Illy-chan! Yay! Que adora o "super-Duo" da Kracken tanto quanto eu, e ainda está em fase de recuperação depois de ter dado a luz ao terceiro capítulo do Ciclo de Memórias! Esse capítulo é uma perfeita metáfora para o seu sofrimento XD E Lawless Hearts está de volta!
Corações sem Lei
Capítulo 12 - Mistura
Levar uma cotovelada no rosto e uma joelhada no estômago não é melhor maneira de se acordar. Gritei... na verdade, arfei o que pude com o diafragma pulverizado e com um nariz que doía como se estivesse quebrado, enquanto Heero rolava por cima de mim. O que percebi em seguida foi a batida na porta e então meu objetivo passou de conseguir respirar para salvar meu cliente matinal do agente disfarçado.
Ele estava agachado e procurando a arma que não tinha, enquanto eu sentava e me livrava do cobertor. Heero ainda estava atordoado, olhos piscando fora de foco e cabelo ainda mais bagunçado sobre o rosto. Vestido apenas com roupa de baixo, braços movendo-se em arcos tentando se orientar, finalmente caiu para trás e sentou no chão. Ótimo, acordou o suficiente para lembrar em que ano estamos e que não há mais uma guerra.
Não consegui nem dar um suspiro de alívio com as contínuas batidas na porta. Um abafado "Maxwell!" enfatizou a urgência. Segurei meu nariz sangrando e peguei um short com a mão livre, pulando desequilibrado saindo do quarto, para a porta da frente. Tirei a cadeira debaixo da maçaneta e abri.
Meu cliente estava indo embora raivoso. "Polk!" gritei. Ele se virou e pareceu chocado.
"O que diabos aconteceu com você, Maxwell?"
"Cai da cama e dei de cara com o chão," menti sem esforço. "Tenho novidades. Me dê um minuto para me vestir e já volto."
Polk, sendo um homem corpulento vestindo macacão, grunhiu e me deu as costas. Porém, não foi embora e comemorei internamente.
Voltei para dentro e fui direto para o banheiro. Peguei um pano e limpei o rosto. Heero apareceu no batente da porta segurando meu jeans. Ainda parecia sonolento, mas muito culpado também. "Duo, eu..."
"Depois," murmurei pegando a calça, descartei o short e comecei a colocá-las. "Temos uma venda garantida aí fora. Deixa que eu cuido disso. Você..." olhei-o de cima a baixo "Volta logo pra cama. Lembrava que você acordava cedo e tinha sono leve, sempre alerta durante a guerra. O que aconteceu?"
Ele passou uma mão pelos cabelos e não conteve um bocejo, "Muitos estimulantes."
Grunhi. Eu mesmo lembrava ter tomado remédios pesados pra conseguir aturar os piores dias. Não queria pensar nisso agora, ou em qualquer outra hora na verdade. Deixei o banheiro e procurei uma camisa no chão. Jogando-a por cima da cabeça, enfiei-me nela procurando minhas botas. Heero sentou na ponta do sofá e puxou a etiqueta para esquentar o café. Segurou com as duas mãos e bebericou cautelosamente, observou quando encontrei meus calçados debaixo das roupas descartadas e sentei no chão para colocá-los.
Senti meu nariz o dobro do tamanho e ainda escorrendo sangue. Meu estômago palpitava em dor. Estava com raiva. Cansado. Finalmente, com minhas botas nos pés, fechei os olhos. Recomponha-se, disse a mim mesmo, tinha que estar calmo e não poderia me dar ao luxo de deixar meu humor reinar.
Heero se moveu. Abri os olhos e o vi colocar roupas. Quando me levantei, ele anunciou, "Vou com você."
Sei que ele se sentia bem culpado e queria se desculpar. Ficando ao meu lado era seu jeito de reparar o dano, mas dava pra ver que ainda piscava constantemente e tentava acordar. Coloquei uma mão no centro de seu peitoral e empurrei. Voltou a se sentar, calças pela metade.
"Você me acertou e me feriu. Foi acidente, agora esqueça", fui em direção a porta. "Sou um ex-soldado também, lembra? Também tenho meus flashbacks."
Heero recostou-se na cama, parcialmente reclinado no cotovelo em derrota. Mesmo com cara de sono, ele parecia um modelo de revista. Meu cérebro me atormentou com a memória do quão delicioso ele era e sua pele em minhas mãos enquanto me juntei ao cliente do lado de fora.
Tinha feito uma pequena divulgação no dia anterior, para avisar que remontei partes e tinha máquinas para vender. Liguei especialmente para esse homem. Quando informei a Heero 'venda garantida' não exagerei. Porém, custaria um pouco e não em créditos, mas não me arrependeria.
"Que bom que veio Polk!" ele havia encontrado as peças e já fuçava entre elas concentrado.
"Tudo com garantia," assegurei, amarrando a bandana no pescoço e ficando ao seu lado.
"Bom mesmo," resmungou.
O jogo começou. Discutimos. Tomou tempo. Ele encontrava todos os defeitos, explorava todos os meus pontos fracos para conseguir abaixar o preço. Por minha vez, ressaltava as vantagens e seus pontos fracos. Ele tinha um ponto fraco enorme e óbvio. Era minha arma secreta para conseguir o preço que queria. No fim, concordou e fechamos o acordo.
Eu praticamente andava com os pés sem tocar o chão, com a conta bancária finalmente ganhando alguns créditos, vendo o cliente carregar metade das peças com a ajuda de um assistente e se mandar no caminhão com uma nuvem de poeira o seguindo.
Viva eu!
Estava transando com Heero Yuy, meus negócios não estavam mais a beira do colapso, conseguiria pagar para o agente disfarçado cada centavo que devia, e estava transando com Heero... Hei, era bom repetir. Ainda mal conseguia acreditar.
Levei um bom tempo pra restaurar minha confiança para perceber que tinha vendido aquelas peças sozinho. Não precisava de Heero ou dos Preventers desgraçados para virem me salvar. Não precisava de ninguém mais além de Duo Maxwell para ajeitar as coisas. Consegui sozinho as partes substitutas e as vendi sozinho... Tudo bem, Heero me ajudou a reconstruir as máquinas, mas eu conseguiria fazer isso também... Com tempo... Oras, quando se falava em restaurar um ego, poderia pular esses detalhes.
Acho, quando voltei para o barraco, que Heero estivera observando pela janela. Não estava quando entrei, mas emanava 'satisfeito' mesmo estando largado na cama comendo café-da-manhã.
O computador estava aberto ao seu lado; esperando, acredito, por mim, com a venda. Peguei-o e acessei as contas bancárias, enquanto me sentava na beirada da cama. Em primeiro lugar, assegurei-me que o dinheiro fora transferido, depois me assegurei que parte fosse transferida para a conta de Heero para encerrar minha dívida. Quando vi a dívida zerada... Tive um momento emocional. Podia ser idiota, mas era importante para mim. Virei para me recompor e falei, bruscamente para disfarçar, "Polk conhece um contato que pode pegar o resto das peças."
Heero pegou o computador depois de eu tê-lo largado e revirou os registros de Polk enquanto mastigava e engolia sua comida. Sabia o que vinha por aí. Esquentei meu próprio desjejum e sentei virado de costas para o agente, ombros tensos esperando sua reação. Não me desapontei.
"Duo, ele não é licenciado."
"É, eu sei."
"Vender pra ele é ilegal."
"Mas não muito ilegal, apenas um delito leve," respondi sem virar. "Ele vende partes legítimas, reconstruídas e paga suas contas em dia."
"Duo, eu sou da força policial. Não posso..."
Virei para poder encará-lo enfurecido. "Lembra do que eu disse quando fui arrastado para a prisão dos Preventers? Que não ajudaria nessa armadilha se estivesse atrás de caras sem importância. Polk não faz mal a ninguém. Ele fez umas coisas ruins quando era jovem, como nós, mas agora é casado, tem seis filhos, uma hipoteca, e contas pra pagar. O governo não vai dar outra chance. Não querem dar a licença. Para nós, nos foi dado absolvição, tratamento especial, status de heróis ainda. Polk e pessoas como ele não ganham nada, Heero. Eles têm que viver fora do radar."
Ele pareceu perturbado. O Heero que eu conhecia não escutaria meu raciocínio, não recuaria e não sacrificaria a lei por um indivíduo que precisava de um direito social. Tinha uma impressão de que o que construímos nesse curto tempo juntos, repentinamente era escorregadio como óleo deslizando por entre minhas mãos. Queria agarrar, evitar que escapasse, mas sabia que havia certas coisas que não estava disposto a comprometer, mesmo para meu próprio bem. Não deduraria Polk e nem deixaria Heero o fazer. Se tivesse que cancelar a venda para salvá-lo, estaria preparado.
"Eu não estava presente durante a venda," por fim, pronunciou, continuando a comer. "Sem testemunhas, sem nota fiscal e sem rastro. Uma transferência bancária não é o suficiente para processar. Se conseguir me dar uma razão convincente de como as peças desapareceram e por que um homem te daria tantos créditos de repente..."
"Malditos ladrões me roubaram ontem à noite," senti um sorriso se espalhando pelo meu rosto dolorido. "Não posso investir em equipamento de segurança. Acontece muito. Os créditos, Polk está me fazendo um empréstimo."
"Sem comprovante e sem contrato assinado?" perguntou como se realmente acreditasse. "Não é muito inteligente."
Bufei. "Somos amigos. Ele sabe que sou confiável."
O agente puxou um pacotinho de primeiros socorros de sua mochila. Encontrou a bolsa de gelo, apertou no lugar indicado e me entregou. "Seu nariz... Está...?"
Toquei o dito cujo e o pressionei contra a bolsa gelada. Não gostava da sensação, mas sabia que era para melhorar o inchaço. "Não, não está quebrado." Minha voz soava estranha, nasal. "Pessoas dormindo com você devem mesmo adorar esses surtos matinais." Começava a ficar irritadiço e acabei por usar um pouco de sarcasmo. Podia até perdoar alguém por te machucar por acidente, mas não dava para me culpar por ficar com raiva da situação. As próximas palavras de Heero deram um banho de água fria nessa raiva.
"Eu nunca... Nunca dormi com alguém antes," admitiu suavemente.
Pisquei bobamente, encarei-o chocado por trás da bolsa de gelo. Meu cérebro travou. Não tinha ideia do que responder. Minha imagem do charmoso, confiante Heero com uma fila de amantes fogosos, estourou como um balão deixando um grande 'huh?' no lugar. Tentei me recuperar, tentei raciocinar apesar da minha surpresa. "Uhm, bem, com reflexos assim, não é grande surpresa que não durma com mais ninguém. Matou algum prévio namorado antes de mim?"
Certo, era a última coisa que queria dizer. Fiz minha cara de peixe morto novamente. Admitir tanto de uma relação... Assumir que eu era o namorado atual... Não estava pronto pra isso, não estava pronto para Heero parecer tão... feliz. Sua expressão envergonhada se transformou em um sorriso que fez meus dedos do pé se contorcerem. Era um sorriso que deveria ser empacotado e transformado em uma arma. Desarmaria qualquer um que tivesse um tiquinho de sentimento. Impediu que me retraísse, de transformar em uma piada estúpida, de QUERER desdizer.
Ele não pressionou. Podia ver que tentava controlar aquele sorriso enquanto se levantava, jogou fora o resto de sua refeição e se vestiu. "Vamos voltar ao trabalho," sugeriu de um jeito que era bem pior que o sorriso.
Levantei me sentindo estupefato enquanto o assistia sair do quarto, pegando seu chapéu no caminho. Agora, oficialmente eu tinha um namorado. "Droga," balbuciei e o segui para fora na manhã escaldante.
"Essa pilha tem muitos pedaços grandes de ferro-velho," comentou.
Fiquei ao seu lado e olhamos para cima até ver a pilha mais alta do meu quintal. Algumas peças eram tão grandes quanto móbile suits e outras tão pequenas quanto geladeiras. O sol brilhava na ferrugem, óleo e água escondidos em cantos e fendas.
Heero apontou para um espaço relativamente livre. Não dispunha de muitos. "Podemos colocar as partes úteis ali, catalogá-las e dar cabo do resto."
"Agora?" soei relutante, caramba, eu ESTAVA relutante. Deixei aquilo quieto por um bom tempo. Rebocar sucata tão grande era perigoso e tinha herdado a maioria quando comprei o lugar anos atrás. Meu cérebro catalogara aquilo como 'Caixa de Pandora' e deixara de lado. Era muito difícil vender qualquer coisa desse tamanho de qualquer jeito.
Heero me olhou de esguelha seriamente. Meu 'namorado' deu uma saidinha e deixou no lugar alguém que chamarei de 'Senhor Missão'. E não estava com cara que seria nada flexível ou condescendente. Esse cara não dava a mínima para o que não fossem números, resultados econômicos. Era o cara com quem lutei. O Heero que eu lembrava, só que não estava atrás de resultados econômicos naquela época, mas sim de corpos em sacos pretos e ganhar a guerra.
Nem precisava dizer nada. Sua postura falava por si só. Se eu quisesse sucesso, teria que lidar com meu estoque. Entretanto, eu daria as cartas, seus olhos azuis me diziam. Era minha decisão.
"Vamos lá," falei com falso entusiasmo.
Heero concordou, satisfeito e fui pegar a escavadeira. Sentado na suja cabine da grande máquina e girando a chave tentando fazer o motor antigo funcionar, não fiquei surpreso quando apenas resmungou, crepitou e morreu engasgado. Estava esperando pifar mesmo. Acontecia com frequência quase cronometrada.
Encostei a testa nos controles imundos e acidentalmente bati meu nariz dolorido. Estremeci e endireitei-me. Heero já abria o capô para olhar dentro. Antecipei seu diagnostico.
"Mangueira de combustível, compressor, radiador entupido," Heero ainda mexeu um pouco. Não deu em nada, claro. Fechou o capô e o olhei por sobre a máquina. "Vamos fazer o inventário da pilha o quanto conseguirmos," sugeriu, "identificar as boas partes e tentar consertar a escavadeira para mover as peças. Desse jeito, se precisarmos sair pra comprar outras partes, poderemos começar a trabalhar depois de consertado."
Acho que fazia sentido, mas acredito que era apenas um modo complicado de dizer 'Estamos putos com isso, então vamos ignorar até passar a vontade de bater na engrenagem com uma chave inglesa gigante'. Não sei Heero, mas eu com certeza queria.
Tínhamos que escalar a pilha, por mais que não quisesse. Não dava pra ver tudo do chão. Com a escavadeira poderíamos ter separado ao meio, mas agora... "Deixa que eu vou," prontifiquei-me, "Sou mais experiente. Te aviso do que encontrar lá em cima."
"Não," Heero suavizou um pouco o 'Sr. Missão', "Vamos terminar mais rápido se trabalharmos juntos. Melhor vigiar um ao outro em caso de problema."
Duvidei, mas dava pra ver que não iria dar pra trás. "Tá bom," foi tudo o que respondi ao começar a escalada cuidadosamente.
Era uma montanha de objetos muito pesados. Portanto, não deveria se mexer, mas pedaços enferrujados cederem, superfícies oleosas deslizarem em superfícies oleosas, e partes inclinadas precariamente decidirem parar de desafiar a leis da gravidade, eram possibilidades reais. Apenas esfregava na cara a minha desorganização. Deixar chegar a esse ponto colocava a ambos em perigo.
Tudo corria bem, a princípio, mas não me deixei iludir por uma falsa segurança. Fiquei atento, cauteloso; testando cada superfície antes de jogar todo meu peso para subir. Heero fazia o mesmo. Juntos, apalpamos, cutucamos, puxamos peças para a luz onde poderíamos analisá-las e cadastramos cada uma que conseguíamos identificar no computador.
Suamos e rapidamente estávamos cobertos por sujeira e graxa. Curvamo-nos sobre uma peça teimosa, cabeças juntas, de repente Heero acariciou meu rosto com o nariz. Assustei, mas ele já se inclinava e roubava um beijo.
Ok, então somos mesmo loucos. Acabei quase de lado com Heero reclinado em mim e me beijando como se não tivesse amanhã. Esquecemos o quão alto estávamos e como era perigoso ceder a uma batalha de línguas. Não estava nem aí, nem pensava, não registrava nada no resto do mundo todo exceto de como aquele beijo era gostoso até alguém nas proximidades soltou um palavrão... Em chinês.
Eu e Heero viramos os olhos, línguas ainda presas e vimos Chang Wufei em cima de uma peça de sucata, nos fulminando com o olhar, vestindo jeans, camisa branca e botinas de trabalho. Você entende o termo 'matar alguém com o olhar' quando se recebe um de Wufei. Ele elevou a prática a uma arte; orgulhoso, frio, arrogante e tão cheio de raiva que poderia arranhar Gundanium ou soltar carne dos ossos de dois homens fazendo algo que ele desaprovava totalmente.
"Yuy!" sibilou. "O que pensa que está fazendo? Sabia que não dava pra confiar em você para executar essa armadilha logo que vi que Maxwell seria parte dela. Conseguiu comprometer tudo deixando se tornar pessoal!"
Quebramos o beijo. Estava colocando minha língua de volta em funcionamento, pronto para deixar Wufei ouvir umas poucas e boas em resposta, quando Heero se pronunciou: "Desculpe. Eu... Eu não sabia que me... envolveria."
A arrogância do chinês subiu de elevador ao último andar e ele conseguiu nos olhar de cima a dois níveis de sucata abaixo. "Você compromete sua carreira, sua ficha, por permitir isso," apontou grosseiramente para mim "essa atração anormal. Colocou em perigo..."
"Hei!" interrompi. "Anormal? De que século você saiu?"
O olhar altivo de Wufei sobre mim me fez murchar. "Você é um criminoso, assumido. Vende sucata em uma estação colonial conhecida por ser um ninho de corrupção. Tem um círculo de contrabando e negocia à vista, fora da lei..."
"Wufei!" Heero repreendeu e eu olhei para sua expressão irada. Os olhos azuis pareciam quase brilhar por baixo de suas sobrancelhas grossas. Podia ver seus músculos tencionando, a mandíbula se movimentando. "Não planejei nada disso, mas aconteceu. Se quiser, posso me retirar da missão, mas já me estabeleci como assistente de Duo e seu..."
Ele não conseguiu terminar e fui forçado a resgatá-lo, mas com um tom perigoso na voz que avisou Wufei que eu não recuaria, não me desculparia nem arranjaria desculpas por ser quem sou, por fazer o que eu e meu... namorado fazíamos. "Não esperávamos que fosse assim, mas as pessoas não têm muito o que fazer além de fofocar. Todo mundo no mercado acha que Heero é meu amante, portanto, temos uma história sólida. Se arruinar isso agora, todos vão saber que tem alguma coisa errada."
Meu temperamento me guiava, mas no fundo, estava extasiado, tendo que assumir esse relacionamento de uma vez só e tendo que defendê-lo mesmo sem ainda entender. Acho que estava mesmo defendendo Heero e o resto sendo apenas consequência.
Wufei fitou Heero raivoso e levantou uma sobrancelha negra. "Parece que temos um problema."
Tínhamos mais do que um mero problema quando a colônia tremeu e o maquinário roncou. Heero estava seguro, não precisava nem checar. Wufei não. Observei-o oscilar... Para trás... Em direção a uma queda fatal. Não raciocinei além disso. Reagi com os reflexos treinados durante a guerra e uma velocidade e agilidade que algumas pessoas pensariam ser sobrenatural. Todos nós tínhamos. Fazia parte do porquê de termos sido escolhidos. Deu-me agilidade para descer, dançar sobre metal deslizante e pegar na mão de Wufei. Agarramos forte um no outro e firmei meus pés em qualquer que fosse a máquina que estávamos de pé. Usando a força das minhas pernas para nos puxar de volta em segurança, cai de costas dolorosamente com Wufei por cima, entre minhas pernas.
Ficamos assim durante o terremoto. Tive um longo minuto vergonhoso para sentir as genitais de Wufei pressionadas intimamente contra as minhas, seu torso contra o meu, e seu rosto em minha clavícula. Cheirava a incenso e a poeira de L2. Em seguida, a pilha de ferro desmoronou e ouvimos um barulho alto.
Poeira levantou em nuvens. Piscamos tentando enxergar através. Pensei em uma oração, uma confissão, e então me contentei com xingamentos.
"Heero!" gritei.
"Seguro!" gritou de volta, quase na minha orelha. Não tinha certeza de como aquilo era possível, especialmente quando a poeira baixou e pude ver que o topo da pilha tinha caído e agora eu estava em cima e não mais do lado dela. O calafrio que senti quando percebi o fato quase me fez fazer xixi nas calças e estava alheio que Heero tinha os dedos encravados em meus ombros tão forte que parecia chegar aos ossos.
Wufei tentou me empurrar, reclamando. O sentimento era mútuo. Não sentia a mínima atração sexual por ele e o desgostava o suficiente para nem querer que me tocasse, principalmente na posição em que estávamos. Contudo, fui forçado a enrolar as pernas nele e segurá-lo.
"Não se mexa, seu cretino!" sibilei em sua orelha. "Quer que o resto do monte vá abaixo?" ele congelou, mas todo seu corpo estava duro como se meu toque o poluísse e mal conseguisse aguentar. Seria mais reconfortante pensar que tivesse superado as diferenças no instante que salvei sua vida; coloque dois machos, de qualquer espécie, que não gostem um do outro, e faça-os esfregar as virilhas. Pelo menos não estávamos tentando nos matar... Ainda.
"Temos que descer, um de cada vez," Heero sugeriu. "É mais seguro."
Concordei. "Uh, você está amputando meus braços Heero, se importa...?" diminuiu a pressão nos ombros e grunhi em alívio. Quando tomei fôlego, disse a ele, "Você primeiro." Foda-se Wufei. A primeira pessoa a descer tinha a maior chance de conseguir. Quanto mais perturbação na pilha, mais provável de desmoronar completamente. O último estaria em maior perigo. Heero não precisava de um manual em montes de ferro-velho de L2 para saber disso. Não era burro.
"Duo..." protestou, mas o cortei na lata.
"Esse é o meu terreno, droga, e eu dou as ordens por aqui!" gritei. "Dá o fora daqui, agora!"
"Vou pedir para o vizinho a escavadeira," sugeriu.
Neguei com a cabeça, dando-lhe um olhar duro. "Estamos muito alto. É minha culpa Yuy, então me deixe assumir. Desça agora." Medi cada palavra da última frase.
Heero tateou, encarou nervosamente Wufei, que estava quieto, e tocou meu rosto. Parecia totalmente angustiado e aberto por um momento, depois se virou e seguiu minhas ordens, lentamente descendo a pilha instável de metal.
"Não se mova ou quebro seu pescoço," ameacei o chinês. Ele rosnou, mas obedeceu. Ouvimos Heero se mexer bem devagar. Vamos, rezei silenciosamente. Sei que consegue. Tem que chegar ao chão são e salvo... Todo o meu ser estava focado no som de seu progresso.
"Pronto!" Heero gritou finalmente e meu coração se comprimiu no peito.
Tinha vendido minha alma para ouvir isso, prometido um pedaço de mim a todas as divindades e demônios que conseguia pensar se Heero chegasse em segurança. Sim, estava caidinho por esse cara. Ele significava isso tudo na minha vida e me perguntei como consegui esconder tão bem esse fato de mim mesmo. Não era nada novo e sabia. Tinha mantido esse sentimento bem fundo e trancado a sete chaves, achando que nunca usaria, que nunca teria a oportunidade de libertá-lo e realmente SENTIR.
"Sua vez," informei a Wufei. "Certifique-se de que seu pé está seguro antes de colocar todo o peso. Procure pelos pedaços que estão enterrados fundo. Não confie nas placas grandes." Ele me olhava enquanto eu falava, pescoço virado em um ângulo estranho e corpo ainda mais tenso do que antes. Parecia raivoso e confuso. "Vai!" exclamei furioso, fazendo-o se contorcer e piscar quando acidentalmente cuspi a palavra.
A boca de Wufei ameaçou dizer algo, mas então anuiu. Tive a impressão de ser mais do que uma confirmação da minha ordem. Dei preferência a sua vida do que pela minha própria. Tinha certeza de que ele não me achava tão bom quanto ele próprio, e que pensava merecer viver mais do que eu, mas eu estar de acordo valia pelo menos um pouco de respeito.
Wufei levantou seu peso de mim, vagarosamente. Colocou-se para o lado e foi um tremendo alívio não ter mais suas malditas genitais em cima das minhas e sua essência sair das minhas narinas. Quando o metal ressoou e se remexeu abaixo de nós, ele congelou. Suamos frio até tudo ficar silencioso e parado novamente.
Começou a descer. Não me movi, estava com medo e observei o 'céu' no telhado da colônia quase coberto no mormaço acima. Quando os filtros descenderam, gemi. Não afetariam a pilha de sucata, mas era mais um estresse, ouvir o ruído e assistir a poeira subir girando, mudando de formas enquanto o ar era limpo.
"Pronto!" Wufei gritou, fechei os olhos e soltei ar que prendia.
"Sai de perto do monte!" gritei o máximo que consegui quando os filtros terminaram seu ciclo e suspenderam outra vez. "Não podem me ajudar a descer e a pilha pode cair de novo!"
Nem sei se ouviram. Lentamente sentei e comecei minha própria descida, toda a atenção nas mãos e pés tentando não puxar tudo pra cima de mim ou fazer deslizar de uma vez. Em certo ponto, senti algo ceder na minha mão e um pedaço de metal, do tamanho de um carro, veio na minha direção. Parou quase dois centímetros do meu nariz inchado e fiquei olhando paralisado, o cérebro calculando o tamanho, peso e o quão perto estive de ser uma mancha de sangue esmagada. Bem devagar, afastei-me e continuei a jornada, o coração batendo enlouquecido.
"Yuy!" ouvi Wufei exclamar quando toquei o chão e mãos firmes pegavam minha roupa e me arrastavam para longe da pilha.
Estava tão feliz por estar vivo que nem percebi que era Heero me olhando ansioso torcendo minha camisa quando finalmente foquei a visão. Sorri e dei uma batida em seu ombro. Ele sorriu de volta e me deu uma sacudida antes de me soltar.
"Vocês são dois imbecis!" o chinês fez questão de anunciar.
Viramos para olhá-lo e nos encaramos. Ri primeiro. A expressão culpada de Heero se transformou em alegre e começou a rir também. Quase morremos, mas dominamos a morte novamente, assim como fizemos em nossas vidas, durante a guerra. Dava um instante de adrenalina, uma forte compreensão de ter enfiado o dedo nos olhos do destino e ainda o mandado a merda. Talvez a carreira de Heero estivesse acabada? Talvez Wufei me prendesse, achando que eu seria inútil agora? Não importava, não naquele momento. Aproveitaríamos nossa vitória e pro inferno com tudo e todos, incluindo Chang Wufei.
Continua...
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GayMen!"
