Lawless Hearts
Por: Kracken
Tradução: Aryam
Corações Sem Lei
Capítulo 13 – Dois era bom...
"Tudo bem?" Heero perguntou quando sentei na cadeira atrás da mesa do escritório e delicadamente toquei no meu ombro dolorido. Ele estava ao meu lado, ansioso; mas Wufei, de braços cruzados no batente da porta, fulminava-me com seu pior olhar frio.
Encarei-o de volta e resmunguei, "Poderia pelo menos ficar feliz por estar vivo, Wu-man. Ficamos bem perto de ter nossos passaportes carimbados para o Inferno lá fora."
O chinês grunhiu. Ele nunca gostou de meus apelidos durante a guerra e com toda a certeza não gostava deles agora.
Heero começou a puxar minha camisa. Resisti, irritado. Não queria ficar seminu e vulnerável na frente daquele cara. Ele persistiu e batalhamos pela minha camisa. Apenas parei o cabo-de-guerra quando de repente percebi que parecia muito mais ridículo do que deixá-lo simplesmente examinar meus 'ferimentos'. Deixei-o levantar a camisa, e assobiou em choque ao ver as marcas vermelhas e escuras que suas mãos deixaram na minha pele.
"Não sabia..." Heero começou, mas o cortei.
"Você evitou que eu e Wufei despencássemos com o resto da sucata, não foi?" adivinhei. Quando ele assentiu, bufei, "Bem, então por que está se desculpando?" Tinha cicatrizes o suficiente para provar que sofri de coisas bem piores que hematomas no passado, assim como o próprio Heero. Não precisava que fizesse drama.
Puxei minha camisa para baixo estremecendo de dor e para esconder a vergonha da preocupação do meu namorado, confrontei Wufei. "Certo, agora que estamos todos acomodados e seguros, o que diabos VOCÊ está fazendo aqui escalando uma pilha de sucata, o que diabos te dá o direito de julgar a mim e ao meu estilo de vida, e o que diabos você está fazendo se intrometendo na operação e gritando para todo mundo, um pessoal facilmente impressionável que adoraria espalhar a notícia por toda a L2?"
"A operação já está comprometida," o agente recém-chegado replicou naquele tom irritante e arrogante característico. "Foi o que adivinhei quando liguei para Yuy e o informei que viria para checar eu mesmo o andamento."
Olhei espantado para Heero que, confuso, perguntou a Wufei, "Quando ligou?"
O chinês ergueu uma sobrancelha negra. Seu olhar irritadiço quase arruinado pelas manchas de graxa no rosto. "Não se lembra da minha ligação?"
Bufei para meu assistente. "Você estava sonolento quando atendeu, não estava?"
Heero piscou e pareceu envergonhado. "Acho que sim."
Wufei deu um passo em nossa direção, ficando ainda mais nervoso. "Você perdeu completamente seu profissionalismo desde que encontrou Maxwell," reclamou com o seu parceiro Preventer, "Sua dedicação para essa missão é seriamente questionável. Sua fraternização com um homem, que é também um operante e sob suspeita, é uma grave quebra no protocolo. É uma indicação que você deixou seus interesses pessoais se tornarem preferência ao invés do trabalho. Vou solicitar que essa missão seja terminada imediatamente."
Vi Heero assentir com a cabeça, obediente. Por mais que quisesse esmurrar a cara de Wufei por dizer aquelas coisas para ele... Bem, estava certo. Teria terminado uma missão com 01 também, se estivéssemos no rala e rola durante a guerra. Entretanto, pensei sobre o que era toda aquela armadilha e o quanto seria importante para as vidas de meus camaradas cidadãos de L2 se livrar de pelo menos um oficial corrupto. Também pensei na chance do china – ou qualquer outro – encontrar um sucateiro que aceitasse participar dessa armadilha com as autoridades. Homens do ferro-velho são bem difíceis quando se trata de negociar e a população de L2 é incrivelmente desconfiada, e por boas razões. Não confiariam em não ser presos junto com o oficial corrupto e, caramba, nem eu tinha certeza se seria preso depois que tudo terminasse.
Arranhei o canto desgastado da minha mesa com a unha, pensativo. Heero parecia ainda não ter encontrado o canto da culpa. Eu já conhecia o caminho de cor. Não estive olhando para a situação como um todo, apenas reagia querendo ativamente me aproximar de um tal moreno de olhos azuis. Estive morrendo de medo, medo de parar a aproximação entre nós dois, colocar de lado para por a mão na massa, como se o que vínhamos explorando não fosse a lugar nenhum se deixássemos quieto.
No fim da guerra, quando falei algo para Quatre sobre todo mundo tomar seu caminho e, talvez, não ter mais aquela camaradagem, ele respondeu, 'Se for real, sobreviverá o teste da separação. ' Estando seriamente bêbado e pensando em apenas um piloto Gundam em particular na hora, não me fez muito sentido. Agora ouvia as palavras novamente como se Quatre me sussurrasse no pé do ouvido. Sim, se Heero fosse verdadeiro para mim, se fosse mais do que apenas querer transar e dar as costas, então poderia esperar.
Ouvi Heero começar a falar sobre algo como ligar para o quartel-general, oferecer uma explicação e pedir transferência. Estava grato por ele não estar falando em ir embora imediatamente. Interrompi. "Que se dane isso, Yuy. Ainda podemos ir adiante."
Wufei grunhiu e fez menção de se virar, puxando o celular do bolso. "Acho que não."
Levantei-me da cadeira, ignorando minhas dores enquanto contornei a mesa e ousei colocar uma mão pesadamente no braço do chinês. "Você veio aqui para avaliar a operação, então avalie, idiota! Pelo menos tente perceber que nós temos tudo sobre controle, que as pessoas confiam em nós e nos aceitam."
Wufei mudou para aquele tom de voz arrastado, irritado e entediado que sempre odiei, aquele dando a entender que ele tomava todas as decisões e não dava a mínima para a opinião alheia. "Aceitação não faz dessa missão sólida. Essa armadilha é perigosa. Ficar distraído por relações pessoais e fraternização fará com que percam o foco. Também pode causar erro de julgamento em situações críticas."
Tradução: Se eu acabasse por ser um dos bandidos, então Heero pode não perceber ou não querer me dedurar porque estamos envolvidos.
Queria estrangular aquele chinês até a morte, mas não achava que me faria sentir melhor. Ele ainda morreria achando que eu era um criminoso e, percebi de supetão, mudar essa imagem era muito importante para mim. Posso ter feito coisas terríveis em minha curta vida, mas traição e trabalhar com os figurões corruptos de L2, não tinham sido parte disso.
"Não desista ainda," falei enraivecido. "Podemos mudar as coisas. É muito importante para jogar tudo no lixo agora e você sabe. Tenho um barraco nos fundos. Vamos limpar e Heero pode ficar lá. Damos um tempo em ficar juntos até nosso alvo estar em cana, beleza?"
"Inaceitável," Wufei declarou e se soltou de meu aperto.
"Então troque com Heero!" gritei para ele. "Você trabalha para mim e continuamos daí. Desse jeito, você pode ter certeza que as coisas não saiam de controle."
Isso apelou para a filosofia de Wufei de fazer tudo ele mesmo para que saísse bem feito. Parou e considerou. "O que diria aos outros para justificar minha presença aqui?"
Minhas idéias se embaralharam e então sorri, sabendo que bolaria algo quando chegasse o momento. "Deixe comigo."
Wufei fez uma careta. "Você não demonstra confiança."
Rebati nervoso, "O que você tem a perder? Se a missão já foi terminada na sua cabeça, não vai piorar se eu não souber lidar com as situações direito. Espere e verá, 'tá?"
O chinês ainda hesitou.
"Tenha dó!" gritei. "Você sabe como isso é importante o suficiente para pelo menos tentar!"
O arrogante agente Preventer pareceu muito amargo e assentiu levemente com a cabeça. "É importante." Seus olhos escuros me perfuraram, "Importante o bastante para salvar, se possível."
Soltei o ar que prendia, aliviado, e me virei para Heero, perdido em pensamento. Olhei em seu rosto, desconfortável e sem saber o que se passava na sua cabeça. "Desculpe," pedi ríspido. "Não estava pensando no quanto essa armadilha significa para todo mundo aqui. Me deixei levar... Bem... Nós... E os negócios decolando." Revelei, olhando para o chão empoeirado, "Acho que sou apenas um idiota, dando uma de mártir mesmo depois da guerra."
Heero ficou quieto. Finalmente me atrevi a olhá-lo e ele concordava com a cabeça colocando as mãos nos bolsos sem me dirigir o olhar. O que aquele gesto significava, eu não sabia. Ele concordava comigo ou não? Será que ele me acha um merda por concordar com Wufei que somos dois bobocas? Era possível que ele me odiasse por 'nos' colocar de lado e insistir em continuar com a missão armadilha. Não conseguia lê-lo, não o quanto eu queria naquele momento, e ficar ali mais um pouco confirmaria para Wufei que ele deveria cancelar a missão.
"Certo," falei para esconder o clima tenso. "Acho que quero evitar a sucata agora, até estar convencido que não vai cair mais, então vamos pegar as peças para a escavadeira. Será a chance de apresentar Wufei para todo mundo e ver o que acontece."
O chinês gostou da idéia. Ele queria resultados e não queria esperar pela conclusão. Ele sabia, tão bem quanto eu, que meus negócios estavam muito quebrados para explicar ter DOIS empregados. Heero e Wufei não tinham aquela cara desleixada e arruinada pelo álcool como minha última equipe, portanto, dizer que estava trabalhando por um teto não colaria. Heero tinha a desculpa de amigo com benefícios, mas ninguém acreditaria que eu tinha duas amizades coloridas de uma vez. Afinal, tinha a reputação de ser seletivo e quase celibato. Entretanto, uma lâmpada se acendia na minha cabeça, enquanto colocava meu chapéu e os guiava para fora. Estava bem certo de que nem Wufei nem Heero gostariam do que estava por vir, mas era a única explicação plausível que conseguia pensar.
Uma vez disse a Heero que ser visto e escandaloso era um disfarce melhor do que ser comum e discreto. Bem, estava prestes a testar essa teoria.
"Apenas me sigam," comandei.
Levei-os para o mercado. A poeira secava e começava a cobrir tudo outra vez. Fazia cócegas no meu nariz e encobria minha pele. Cocei onde irritava e subi minha bandana para proteger o nariz. Heero, a um passo atrás, fez o mesmo. Wufei nos seguia, mãos nos bolsos e postura ereta, ignorando qualquer desconforto. Dava a tudo um olhar desdenhoso. Perfeito. Ele deixava tudo mais fácil para mim.
Quando alcançamos os estandes, parei os dois. "Vão dar uma olhada na Mudhopper e eu vou pegar as peças." Decidi que precisava revelar a última parte de meu plano. "Wufei, caso alguém pergunte, você é o primo desempregado de Heero que veio de L3. Entendeu?" o chinês estreitou os olhos. Sorri. "Continue com essa atitude também."
Ele olhou feio para Heero, que parecia confuso, mas me dava apoio. O que fez com que me sentisse muito bem. Estava confiando em mim. Deixei-os à sua própria sorte e encontrei a tenda que tinha as peças da escavadeira.
Bati no balcão para chamar a atenção do dono e um homem saiu de trás limpando graxa de suas mãos em um avental de couro. Careca e grande feito um touro, exibia cerca de doze brincos em uma orelha e tinha uma tatuagem circular na bochecha.
Ele não falou o costumeiro 'Eu não dou créditos'. Se tinha algo para se saber, ele sabia. O cara devia ter um espião em todos os lugares. Tinha certeza que já estava ciente da venda do perdedor Maxwell.
"Preciso de umas peças para minha escavadeira, Seiffer," informei e fiz minha voz soar com um tom irritado, como se estivesse a beira de perder o controle. Passei uma mão distraidamente pela franja e tombei no balcão quando passei a lista. Sabia que ele não resistiria perguntar e não me desapontei.
"Achei que estaria feliz," comentou devagar, pegando a lista e passando o olhar por ela. "Você fez aquela venda..."
"Negócios estão bons. A vida não..."
"É?" continuou entediado, como se não desse a mínima enquanto pegava o arquivo de estoque, sujo com terra e óleo, e começou a folheá-lo por um modelo de garra de escavadeira. Porque ele não usava um computador... Talvez a poeira de L2 e a graxa de máquina fossem demais.
Cruzei os braços e descansei o queixo neles, inclinando-me na bancada como se afundasse em uma depressão profunda. "Não vai querer saber..."
Seiffer colocou uma nota fiscal ao lado do livro e começou a rabiscar com seus dedos rechonchudos, calosos e sujos de graxa. "Problemas como o cara novo?"
Grunhi em resposta. Seiffer era bom. Ele fazia com que parecesse que estava jogando conversa fora; sem ofensas, sem invadir.
"Tire alguém da rua, ingratidão é o que recebe em troca," o grandalhão reprovou. "Nada bom. Sem confiança... Ficou íntimo ainda com esse aí... Deve ser um saco."
Ri comigo mesmo. Ele queria tanto a conversa que estava disposto a alfinetar, trazer o assunto mais para a superfície. Era muito estranho esse cara fortão ser o maior fofoqueiro de L2, ele agia como comadres de portão comentando a novela...
Endireitei-me e surtei, como se não conseguisse mais segurar, "O maldito primo dele apareceu e ele disse que podia ficar na casa, sem mais nem menos, nem me perguntou! Esse cara é um babaca de primeira e nunca viu um minuto de trabalho na vida!"
Seiffer grunhiu. "Ouvi que teve gritaria no seu terreno. Acho que foi isso."
Não consegui evitar piscar, pensando no pouco tempo que passara. Continuei irritado quando respondi, "Você ouviu, é? Uma pilha de sucata desmoronou e quase nos esmagou. Ninguém ouviu isso?"
Isso não era muito justo. Pilhas de sucata caiam o tempo todo, ainda mais durante tremores, e é cada um por si. Se tivéssemos morrido, alguém viria investigar quando o cheiro ficasse ruim, mas do contrário... Ei, é um lugar complicado, essa L2, e eu não tenho nenhuma ilusão de ser de outro jeito.
Seiffer deu de ombros terminando o que escrevia e colocou a lista de lado. "Pelo jeito vai ter que se livrar dos dois,"ignorou meu comentário das pilhas. Afinal, não era o que queria saber. "Pena. Não pode tocar pra frente aquilo sozinho. Alguma perspectiva ou vai se conformar em abrir mão?"
Vi vermelho, não tinha outro modo de descrever. Minha atuação de repente se tornou verdadeira ao me inclinar para o balcão e golpear um dedo no peito coberto de couro do homem. "Nem pensar!" gritei. "Ninguém fica com meu lote! Enquanto meu ajudante trabalhar, seu primo desgraçado pode ficar na porcaria do barraco e morrer de fome, não 'to nem aí. Ele que não vai arrancar nenhuma esmola de mim!"
Seiffer grunhiu outra vez, de modo significativo e satisfeito. "Eh, calma Maxwell. Sem ofensa."
Fui para trás até meus pés estarem completamente no chão novamente e parecia quase encabulado enquanto arrumava minha camisa. "Desculpa cara," falei baixo. "Meus problemas são da minha conta, 'tá? Só preciso dessas peças."
"Claro," respondeu, e foi procurar pela sua lista de inventário. Logo, espalharia sua nova fofoca por toda a colônia. O empregado 'barra' amante de Duo Maxwell ainda trabalhava, mas empurrou um primo imprestável para o estúpido sucateiro de trança. Fique ligado para o próximo capítulo.
Seiffer me entregou as peças em várias caixas pesadas. Carreguei-as para onde Heero e Wufei encaravam o campo de terra, agora seco, e minha Mudhopper meio soterrada. Entreguei um pouco da minha carga para o namorado e proclamei orgulhosamente, "Missão cumprida."
Continua...
Nota da Leitora Condessa Oluha:
Isso aí minha gente, vamos colaborar, vc gosta de yaoi?
Gosta de GW?
Gosta de ver lemons maravilhosamente escritos,
traduções quentinhas e criações fenomenais?
Gosta, gosta, gosta?
Então levante essas suas mãos obesas e ociosas e mande um REVIEW! Ò_ó
Yeah, sabe, cometário, crítica construtiva, elogio, sinal de fumaça, código morse, mensagem telepática, vale qq coisa!
Não dói nada e ainda faz a autora/tradutora feliz e mais incentivada pra continuar!
Eu pessoalmente AMOOOO mandar reviews! Tem coisa melhor?
Tu faz amizade com uma pessoa que curte a mesma coisa que você, tem alguém pra comentar aquele cap phodástico e de quebra, vai incentivar a tradutora de sua fic favorita a prosseguir mais rápido!
Não dá moleza não! ^_~
