E muitas semanas se passaram desde aquele dia, sem serem descobertos. Mello obviamente não aguentara muito mais tempo sem o gesso, e também adquiriu uma pequena infecção em um braço cortado, o que resultou em horas seguidas de ralhação do Matt:
- Te disse, te disse!
Mas ele simplesmente sorria, sabendo que ele não se arrependia nem um pouco dos momentos em que não se medicavam. Mello já não temia o toque de Matt, se entregara á aquela experiência tão gratificante, e cada vez mais tinha mais afeição por aquele ruivo que não se mostrava só um amante, mas também uma família que ele nunca teve.
O ruivo ás vezes exagerava tanto na atenciosidade de ambos que Mello brincava.
- Só está faltando uma fantasia de enfermeira. O que acha?
- Vai te catar.
E riam.
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21:35, Sala do apartamento de Mail Jeevas.
Naquela tarde chuvosa, em que os pingos grossos só davam espaços á trovões enormes e barulhentos, Matt aparecera á porta do apartamento com dois pacotes de sopa. Ia deixando-os na cozinha, á medida que Mello o cumprimentava com o seu "humor mal-humorado":
- Depois sou eu né, você está prestes a pegar uma pneumonia!
- É por uma causa! – Matt virou-se pra ele sorrindo. – Trouxe sopas de carne e legumes, uma delícia.
- Sei não, faz tempo que eu não experimento. Desde o orfanato.
- Aquelas sopas eram de vomitar! – Matt fez uma careta. – Mas você faz o tipo de pessoa que não reclama de nada, desde que tenha um chocolate do lado, não? – sorriu, fervendo água pra preparar a sopa.
- Pode-se dizer que sim. – Mello riu. – Mas vamos com calma, vá tomar banho, você está ensopado.
- Está se importando comigo? – Os olhos de Matt brilharam esperançosos por baixo dos novos óculos coloridos-laranja.
- Não, é que senão não terei ninguém pra cozinhar. – o loiro fez um tom propositalmente frio, só pra ver a expressão que Matt assumiria. E ele ficou realmente cabisbaixo. – Não seja bobo, ruivo! – disse rindo - Vai lá, pode deixar que eu preparo, minha perna está bem melhor. – Disse, andando um pouco pra demonstrar.
- Eeh, está mesmo. Bom, vou lá então.
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11 minutos depois.
Passou-se um tempo em que Matt tomava banho quente com precaução aos trovões, e Mello cozinhava silenciosamente as sopas.
Pensou no seu futuro. O que faria, quando sarasse completamente? Seria realmente ótimo se pudesse ficar ali e morar com o ruivo...Mas sabia que isso não daria certo. Ele sem dúvida daria continuidade ao trabalho sujo das ruas, tinha talento pra isso e era a única coisa em que era reconhecido...Enquanto Matt agora trabalhava de forma mais honesta...Sim, sem dúvida teriam que ser separados de novo, seria perigoso ficar, pra ambos. Mas não o deixaria, não mais. Ele tinha sido tão atencioso e carinhoso...Mello, por mais que chiasse no começo, nunca tinha sido acostumado á um tratamento daqueles, e sabia que não o via mais como um amigo nesses dias em que passaram juntos. Definitivamente o visitaria sempre que pudesse. E esperava que o ruivo compreendesse sua decisão...mas doía deixá-lo sozinho nessa casa...
A sopa borbulhou perigosamente, avisando que estava mais do que pronta. Alarmado, Mello abaixou o fogo e serviu os dois pratos, mas no momento que virou-se pra coloca-los sobre a mesa, quase deixou-os cair no chão.
Matt já tinha acabado o banho e já estava sentado na mesa, sorrindo ansioso. Usava um roupão de seda preto, que produzia um contraste assustador com sua pele alva e seus cabelos ruivos.
- E então, deixou o tempo que te falei? Parece estar meio queimado...
- Eu...não, está ótimo. – ele disse boquiaberto.
- Hnm... – Matt pousou os lábios bem devagar na colher, aparentemente sem reparar na expressão de Mello – Está bom.
O vapor do banho, juntando com o da panela, aquecia o ambiente em contraste com a pesada chuva ao lado de fora. Não demoraram a comer aquela reconfortante sopa, e logo se recolheram á sua cama, com o abajur iluminando fracamente o ambiente. Como sempre, Matt tinha envolvido o outro com os braços, calmamente.
Em um movimento malicioso, Mello passou sua perna recém curada sobre as costas de Matt, puxando-o mais para perto de si.
- Mello...? – o ruivo ficou aturdido, aparentemente sem saber porquê ele fez aquilo.
Mello calou-o com um beijo. Um olhar de compreensão se instalou no olhar do ruivo, e logo se beijavam vorazmente. Haviam reprimido seu desejo enquanto não podiam se movimentar completamente, mas agora Mello queria sentir cada pedaço do corpo em pressão com o de Matt...Era um impulso irresistível, impossível de impedir... Matt deitou-se sobre ele, usando somente os ombros como apoio, e beijava-o em toda a extensão do rosto, ás vezes mordiscando seus lábios e seu queixo.
E em volúpia total, ocasionalmente Mello inclinava-se um pouco para alcançar o pescoço de Matt, beijando-o e mordendo-o com uma agressividade incomum, parando somente para lamber o lóbulo da orelha do amigo, o que ele fazia com luxúria, sorrindo ao ver a expressão desordenada dele.
O ruivo estava visivelmente ansioso, mas também tinha receio de avançar mais. Timidamente, colocou a mão no fecho da camisa do ruivo, e a puxou vagarosamente como se temesse que Mello reclamasse. Mas nada aconteceu. Incentivado, ele se abaixou e começou a beijar toda a extensão de seu peito, mordiscando e passando a língua devagar em seus mamilos.
- Nnh...Matt... – Mello arranhou a nuca do amigo. Matt desceu seu beijo até sua barriga, lambendo a região próxima ao umbigo até alcançar a barra da calça dele, onde já se expunha um volume apertado sobre a calça de couro do loiro.
Mello olhou ansiosamente pra ele, mas o ruivo meramente sorriu provocante, tirando a sua própria camisa. Se era divertido ver Mello irritado, nada se comparava á sua expressão de vontade que ele mal conseguia disfarçar...O loiro olhou aturdido o abdômen magro do outro. Matt não deitou novamente sobre ele; o puxou para seu colo ferozmente pelas costas.
Mello afastou-se um pouco pra conseguir alcançar o zíper da calça do ruivo enquanto se beijavam; abaixou a calça o máximo que conseguiu. Parte da glande dele já aparecia por cima da cueca.
Matt se levantou, fazendo com que o resto da calça caísse junto com a cueca. Mello olhava fixamente o pênis do ruivo pela primeira vez, absorto. Levantou-se também, e abraçou Matt com um braço, e a mão desocupada envolveu o membro dele, estimulando-o calmamente.
- Aahn...Mello...
Matt estava muito excitado somente com aquele toque. Desatou o nó e tirou rapidamente a calça negra do Mello, deixando-o igualmente nu. Se beijaram de forma longa e significativa, e quando viram estavam novamente na cama.
Matt aproximou o pênis da entrada de Mello. Já suava. Olhou-o demoradamente, em uma pergunta silenciosa, em que o loiro consentiu.
Um segundo depois, seus olhos lacrimejaram. Mello mordeu os lábios em uma tentativa muito brutal de reprimir um gemido de dor. Matt olhou-o preocupado e logo beijou-o para que não machucasse os lábios, se mais gemidos viessem, morreriam em sua garganta...e então, o penetrou por completo, mas não deu tempo para Mello sentir dor, imediatamente começou a se movimentar.
O beijo estava cada vez mais impreciso, era freqüentemente interrompido por ambas as respirações ofegantes e gemidos. Mello arranhava as costas do ruivo de forma violenta que chegava a ficar vermelho, mas só serviam para Matt ficar ainda mais excitado, penetrando-o com cada vez mais ardor.
Os olhos azuis de Mello estavam entreabertos, olhando Matt dominá-lo com pulsações tão grandes de prazer que achou que explodiria.
"Matt...é...terrivelmente bom..."
Arregalou os olhos ao sentir que Matt tinha envolvido seu membro com uma mão, e agora o estimulava rapidamente a medida que o penetrava.
- Matt..aah...nnh...
- M-mello… - Matt ficava completamente desordenado ao ouvir o loiro chamando por ele, e o penetrava mais fundo ainda, movimentando tao rápido sua mão sobre o pênis de Mello que ás vezes ela escorregava.
- ...Aaah...
A respiração de Mello falhou completamente, e ele espalhou seu sêmen sobre as mãos de Matt. Não demorou mais que alguns segundos, sentiu um jorro quase igual, rápido e morno, dentro de si. Ambos ainda ofegantes, porem eternamente sedentos um pelo outro, pelo corpo, pela voz, pelo cheiro natural da pele...Se amavam.
Matt deitou-se completamente exausto sobre Mello. Esse o acolheu com os braços.
- Sabe...acho que me apaixonei por você de novo... - Mello murmurou fracamente, sorrindo e passando a mão sobre os cabelos do ruivo.
- Hey...eu sei que você gostou. Seu corpo, por assim dizer, me agradou... - Matt sorriu, lambendo vulgarmente a bochecha do loiro.
- ...Não fale assim! Eu também vou querer...ficar em cima alguma vez!
O ruivo não aguentou e riu da cara aborrecida e orgulhosa dele. Nunca estiveram tão bem.
- Yare yare, como quiser...
"Te amo, Mello."
"Te amo, Matt."
