Duas semanas depois.

Cinco tiros disparados, um depois do outro, fulminaram o homem da televisão. Mello e Matt assistiam aquela tela iluminada interessados, embora parecessem estar mais atentos aos movimentos um do outro. Não que estivessem se agarrando, pelo contrário, ainda nem estavam se tocando. Parecia uma espécie de ritual, onde iniciava-se com joguinhos e provocações.

- Hey, Mello... – Matt disse, enquanto colocava o copo de coca em cima de uma mesinha ao lado do sofá.

- Hnm?

- Posso deitar no seu ombro? – Ele perguntou, já escorando seu braço no dele.

- ...Não.

Matt deitou-se mesmo com a resposta. Mello sorriu, passando a mão pelo seu pescoço carinhosamente.

- Melhor não me desobedecer sempre...Posso fazer igual o cara. – Disse acenando para o bandido da televisão.

- Eu não duvido. – ele respondeu sombriamente. – Mas...hoje estou carente.

Mello riu.

- Ah, meu caro Mail...você tem mãos.

- E também tenho Mihael... – murmurou roucamente no ouvido do loiro, lambendo-o lentamente em seguida. Ele arrepiou-se bruscamente.

- Tio Mello...está ocupado...vendo filme. – ele tentou falar o mais seriamente possível.

- Haha...tenho certeza que prefere ocupar-se com outra coisa. – Continuou o ruivo calmamente no ouvido do loiro.

- Matt, seu pervertido idiota! Imagina se estivesse vendo um filme pornô! – Mello não conseguia achar resistência para empurra-lo pra longe, divertindo o ruivo que percebia isso.

- Eu posso dispensar totalmente esse tipo de coisa... – afastou os cabelos mais longos do pescoço do loiro, descendo seus beijos para ele – se tenho você ao meu lado.

- I-idiota...

- Haha... – e ele sorria, beijando toda a extensão do sensível pescoço de seu amante, deixando apenas um rastro de marcas por onde passava. – Bem, isso não combina com o momento... – murmurou, desligando a TV.

Mello o olhou, tentando forçar um olhar irritado. Mas, assim que seus lábios se uniram, toda a raiva se esvaiu como vapor, e logo estavam se beijando em uma disputa feroz de línguas e mordiscadas. Leves arfadas e gemidos saíam bruscamente entre um beijo e outro, enquanto suas mãos se ocupavam em acariciar o corpo do amante tão conhecido e desejado...

Matt puxou rapidamente a camisa negra de Mello para cima, deixando seu peito nu.

- Hey, espere um pouco...

- O quê...?

Ele tirou os óculos coloridos, jogando-os aleatoriamente para o lado.

- Assim posso vê-lo melhor. – Sorriu, passando a mão por todo o abdômen de Mello.

- Hey, não irei comprar outro óculos pra você... – O loiro riu, levemente corado.

- Não importa...

E então Matt puxou o amante para o seu colo, beijando-o com todo o ardor que podia transmitir, enquanto sentia sua camisa puxada por ele. Arranhavam-se como animais, absurdamente excitados, até que uma hora Matt não resistiu e o deitou novamente no sofá.

Sempre foi um erro de Mello usar roupas apertadas, uma vez que elas sempre denunciavam o quanto estava excitado. O ruivo meramente sorriu, parando um momento de beijar para admirar o corpo de Mello, que parecia dizer por si só o quanto o desejava...

Lentamente, somente para deixa-lo ansioso, puxou a calça apertada do amante, e a medida que essa caía, aproveitava a oportunidade para acariciar suas pernas. Logo voltou a subir para beijar os lábios de Mello, deliciosos demais para não serem tocados por um longo tempo...e então foi descendo...sentindo cada gosto e cheiro natural do corpo do amante...até chegar em uma pequena trilha de pêlos louros que descia do umbigo em direção á barra da cueca negra...Mas ele não parou, ele não conseguia parar...e com volúpia, tirou com os dentes a última peça dele, rasgando-a na barra.

O pênis do loiro já estava parcialmente molhado. Mello olhou-o, com os lábios entreabertos, a ansiedade o impedia de falar qualquer coisa. Simplesmente fitava os olhos descobertos de Matt, que não retribuía, olhando cada centímetro do membro do amante como se quisesse memoriza-lo.

E então, Matt tirou sua calça jeans e sua cueca juntamente, ficando nu como Mello. E se aproximou, ainda com a boca sensibilizada...Não deu tempo para Mello reconhecer o que ele faria.

- Matt, o qu...Aah...

O ruivo deitou-se e, em um segundo, tinha os lábios sobre o membro do amante. Primeiramente usou a língua pra fazer suaves movimentos circulares em volta de sua glande, sentindo sua umidade e sabor. Mello quase recuou, soltando um grunhido que denunciava uma respiração brusca. Puxou fortemente os cabelos do Matt quando este envolveu totalmente o membro dele com a boca, chupando-o com luxúria, cada vez mais rápido...

- Nnh...M-matt...Ah…

Matt segurou suas coxas com força, chupando-o com mais ardor.

- Matt...Hnm...P-pare...

- … - Matt retirou a boca do membro dele, porém continuou com seus lábios próximos. – Mello...algum problema?

- Rápido... – Ele tinha a voz trêmula e fraca – D-demais... – olhou para o membro de Matt, que parecia tão excitado quanto o de Mello embora ainda não tivesse sido tocado.

- Entendi... – e voltou a subir sobre o corpo dele, olhando-o agora face a face. – Mello, bem...você... – Sem aviso prévio, penetrou dois dedos no loiro, que arfou. - ...quer?

- E-eu...Sim...

Matt suava. Seu corpo ansiava por estar dentro do amante, não podia esperar muito mais...E então, ele retirou seus dedos, e o puxou rapidamente do sofá, pressionando-o contra a parede. O penetrou completamente, de uma vez. Mello ameaçou soltar um grito, mas ele tampou sua boca com os dedos que conseguiam alcança-la plenamente. E começou a se movimentar. Sentia seus dedos serem cada vez mais mordidos e machucados, mas isso só contribuía para a sua excitação, fazendo-o entrar ainda mais profundamente no corpo dele, mais forte...

- Mello...Nnh... – e lentamente, seus dedos saíram da boca do loiro e desceram até o seu membro, estimulando-o rapidamente.

Mello abaixou a cabeça bruscamente, gemendo o quanto sua respiração falha permitia.

- Aah...Matt...

O ruivo não parava, movimentando-se rapidamente dentro de Mello. De repente, sentiu algo sobre a mão que usava para apoiar-se sobre o corpo do amante: a mão de Mello se unia sobre a dele, tremendo compulsivamente.

O membro de Matt pulsou mais forte e, segundos depois, ele liberava seu sêmen dentro do amante. Mello fraquejou, arqueando na parede: acabava também de molhar a mão de Matt com seu jorro.

Sem pensar nem planejar nada, eles caíram lentamente sobre o chão exaustos. Matt o abraçava como se o defendesse com a própria vida.

- Mello, desculpe, eu sabia que você queria tentar também... – O ruivo disse roucamente. – Eu juro que d...

- Eu te amo.

Matt arregalou os olhos, achando que a visão ainda embaçada estava causando também falsa audição.

- Eu...o quê...??

- Não me faça repetir, idiota.

Com isso, o ruivo teve certeza que não se enganara. Seus olhos brilharam, realmente comovidos. Nunca tinha ouvido essas palavras. Nunca teve certeza dos sentimentos de Mello. Nunca...tinha sido amado assim...

- MELLO! – E pulou em cima dele. – Eu também te amo!!!! Realmente te am...

- Aaaaaaaargh! Sai de cima de mim! – Mello exclamou, tentando empurrá-lo.

- Aaaah, em outras horas você gosta que eu fique em cima de você! - Riu o ruivo, em extremo bom humor.

- IDIOOOOOOTA!

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17:51, em uma pequeno mercado.

- Quero dois ovos totalmente brancos, um com pedaços de chocolate preto, outros três meio-amargo, e um metade de cada um.

- Certo, senhor Mello! Puxa, com a chegada da páscoa os nossos filhos ficam tão exigentes, não é mesmo? Quantos o senhor tem?

- Filhos...? - Mello arqueou a sobrancelha. – É tudo pra mim.

O velho senhor arregalou os olhos.

- Ah...claro, claro...perfeitamente compreensível... – ele murmurou em um tom completamente amedrontado.

- Aqui. – Mello colocou o dinheiro sobre o balcão, e foi embora, com uma sacola de ovos de páscoa em direção ao apartamento de Matt. Tocou a campainha, mas ele não estava em casa.

- Darn...que dia pra esquecer a chave.

E tornou a tocar, novamente sem resposta. O peso dos ovos de páscoa já estava doendo. Frustrado, ele sentou-se do lado de fora, e só então notou um pequeno envelope embaixo da porta. Abriu-o desconfiado:

Descobrimos onde você está.

É melhor acertarmos a conta logo, ou daremos um jeito no seu ruivinho.

Essa é a sua única chance. Se tentar fugir, vai ser pior...Pois sabemos onde Mail Jeevas está andando nesse exato momento...

É melhor se apressar...os negócios esperam.

Encontre-nos no casarão da estrada.

Mello releu o bilhete, com os olhos cerrados. Compreendeu. E então, num clarão, lembrou-se da chave reserva embaixo do vaso. Abriu a porta do apartamento rapidamente, colocou os ovos em cima da cama, pegou o revólver totalmente munido na gaveta e um pequeno pacote embrulhado, colocando tudo no bolso.

No caminho de volta, viu um pedaço de papel. Rapidamente, escreveu em letras pequenas:

Matt, não se preocupe comigo, eu voltarei. Procure não ser visto.

Em poucos minutos, a moto de Mello corria velozmente pelas ruas, saindo da cidade...