O Mercador e O Gatuno
O deserto de Sograt é o maior, sendo talvez o único, deserto de areia de toda Rune-Midgard. Sua paisagem é bem diversa: Muitas dunas ondulantes entrecortadas por montanhas, com imensos coqueiros espalhados por regiões de cascalho e raríssimos oásis. No maior deles está localizada a cidade de Morroc, que dizem ser a mais antiga do continente, o oásis que uma vez foi lar do terrível Demônio-rei Morroc, agora abriga um intricada rede de comércio de gemas preciosas e comidas típicas da região.
Esse fato de um Demônio-rei ter sido enterrado na cidade cria um certo preconceito com os Morroquinos. A aura maligna do demônio-rei, transformou a vasta Floresta dos Deuses no Deserto sem fim de Sograt, e se uma aura corrompe a terra o que diria das criatura que ali vivem! Não que todo cidadão de Morroc seja desonesto, mas é que cada habitante de lá tem uma pontinha para o crime e a corrupção, não sendo a toa que Morroc concentre a Guilda dos Gatunos e dos Mercenários.
E o homem mais rico de Morroc é o bem sucedido shaike Abdulah Abadah, um fazendeiro de cogumelos que ganhou fama pela qualidade de seus produtos e por um chá feito com um cogumelo de origem "desconhecida", mas muito procurado por ricos comerciantes. É claro que manter uma fazenda de cogumelos lucrativa dá trabalho, principalmente quando aprendizes tentam invadi-la para roubar alguns! Então ele por vezes tinha que tomar medidas drásticas como por exemplo soltar a sua criação de esporos em cima dos infelizes!
Vitor: Mamãããããe! Sai bicho feio! Ahhh larga do meu pé!
Vitor corria com uma sacola de cogumelos na mão enquanto procurava, desesperado, a saída da fazenda subterrânea. Uma meia dúzia de esporos corria atrás dele e todos não comiam a mais de uma semana.
Vitor: Droga esse lugar é um labirinto! Onde mesmo que é a entrada...Ah é claro! Quando se está num labirinto coloque a mão na parede e corra, uma hora você sai!
Os esporos acharam seu rastro novamente e vieram pulando fazendo aquele barulho de bonequinho de borracha.
Vitor: Só espero que seja logo!
Alberta é a cidade portuária mais bem organizada de Rune-Midgard. Os estilo de suas construções, são similares aos encontrados em Veneza e possui um povo muito voltado ao comércio e a barganha. Um Albertano consegue vender geladeira para o Papai Noel em Lutie, no inverno mais bravo que existir! Não é por menos que aqui está localizado o Sindicato dos Mercadores do Porto, ou popularmente chamado de Guilda dos Mercadores. Essa Guilda era conhecida por ter um dos testes mais duros de admissão...
Arthur: Encomenda em Prontera está entregue, em Payon, em Morroc, em Geffen bem agora só voltar e pagar mil zenys! Vamos ver quanto tenho na minha bolsa de moedas...
Arthur abriu a bolsa e dela saíram duas mariposas incomodadas com o sol.
Arhtur: Ah que maravilha, eu gastei meu ultimo tostão pra teleportar pra cá! E agora o que eu faço?
Disse enquanto balançava o machado... Então parou o seu machado na mão olhou bem para ele e começou a pensar quanto valeria.
Arhtur: Machado...olha o machado...alguém está interessado num machado?
As pessoas o ignoravam, Albertanos tem faro para vendedores ruins.
Arthur: Assim eu não vendo... Hum já sei!
Ele limpou o machado, retirou um pano da sua bolsa estendeu na calçada. E o colocou de modo que ficasse brilhando conta o sol. Posicionou-se atrás da mercadoria e começou.
Arthur: Nas distantes terras de Payon existe um lobo incrível! Chamados por muitos de "o errante", este lobo aterrorizou milhares de pessoa, mas está aqui aquilo que botou fim na sua carreira! Eis, senhoras e senhores, o machado que ceifou a vida do temido Lobo Errante! E para sua sorte ele está custando nada mais nada menos que 1500z e eu estou aberto a negociações!
Então uma rodinha de pessoas foi se formando para ver o tal machado do lobo, e Arthur sabia que completaria seu teste naquela tarde.
O Encontro surpresa...
A trilha entre a capital Prontera e Alberta é chamada pelos locais de "trilha dos iniciantes". Por ser de pouca extensão e conter somente monstros relativamente fracos para um grupo médio de aventureiros que por ali passar, é também a principal rota de comercio entre Alberta e Prontera, sendo o caminho mais usado pelos mercadores ... E gatunos.
Um grupo de gatunos espiava a rota num bosque próximo, Vitor estava no meio deles e era o mais novo em termo de tempo de profissão, mas como tinha afanado a carteira do chefe do bando, ganhou uma vaga pela ousadia, ganhou uma surra também, mas isso não vem ao caso. Ele atirava as adaga numa arvore enquanto ouvia o plano do grupo.
Gatuno Denis: O plano é simples! Eu Kaled e Vitor nos escondemos, você Saphira finje que está machucada. Aí, quando um otário parar para te ajudar, nós o encurralamos e pegamos a trouxa de dinheiro dele.
Vitor: Escuta Denis, eu sei que precisamos de grana, mas eu não vou machucar ninguém.
Gatuna Saphira: Pode deixar que eu machuco pra você Vitinho...
A gatuna Saphira era quase sempre a isca, sua malicia e sagacidades superavam a de todos no grupo. Mas o que cama mais atenção era sua beleza, ela era a gatuna mais bela de Morroc e sabia disso, sedução era sua principal arma e ela à usava muito bem.
Gatuno Denis: Ah Vitor! Larga mão der ser um borra botas! Se você vacilar vai acabar perdendo a cabeça para um espadachim! Lembre-se do treinamento: a sua segurança pessoal vem em primeiro lugar! E eu também não quero machucar ninguém, mas serei mais "persuasivo" se não colaborarem...
Gatuno Kaled: Olha chefe, tem um mercador se aproximando!
Gatuno Denis: Todos em suas posições!
Vitor era um gatuno treinado para se esconder mesmo num campo aberto, sua habilidade de esconder era tão evoluída, que nos últimos níveis, chega a ser sobrenatural. Todos se esconderam em segundos, colocando também suas máscaras. Saphira se sentou na estrada e fez uma cara de choro. Em breve o golpe seria dado.
Arthur fazia uma rota comercial duas vezes por semana para comprar mercadoria em Alberta e revender em Prontera. Já estava muito bom no que fazia, já sabia avaliar mercadorias, conseguia barganhar nos melhores mercados e muitas vezes super faturava o preço dos seus insumos, tinha alugado a um preço baratinho, um carrinho de mão da Kafra Corp. Também estava forte, e sua habilidade com o machado era superior a de muitos mercadores da sua área.
No meio do caminho ele se deparou com a visão de um anjo. Era a ruiva mais linda que ele já tinha visto na vida. Sua pele era bronzeada, seus cabelos cor de cobre, seus olhos eram azuis como duas safiras e os deuses haviam sido muito generosos com seus volumes e curvas. Ela se queixava chorosa do pé que deveria ter torcido. Quase que como atraído por um imã, Arthur foi socorrer a mocinha.
Arthur: Você está bem senhorita?
Saphira: Ai... Ah, graças aos deuses você apareceu! E fui seriamente ferida no pé por um poporing e acho que fui envenenada...
Arthur olhou as pernas bem torneadas da mocinha que insistia em usar um traje justo.
Arthur: P-pode deixar que eu tenho uma poção verde! Deve está em algum lugar aqui no meu carrinho.
Arthur se virou para procurar a poção des cuidando da retaguarda. Era a deixa de Saphira, ela sacou sua adaga e quando iria apunhalar o incauto, sua mão foi golpeada por uma pedra!
Saphira: Ai...Mas que diabos você fez!
Arthur olhou de lado e viu um gatuno com uma mascara feliz e imediatamente entendeu a emboscada. Outro dois apareceram em seguida, e com certeza, a mocinha trabalhava para eles. Estava em séria desvantagem...
Denis: Entregue todo seu zeny, equipamento e mercadorias e nos deixaremos você ir embora em paz.
...Mas não estava vencido.
Arthur: Acho que não!
Denis: Então não temos escolha e teremos que tomá-lo a força! Peguem-no!
Os gatunos avançaram para o mercador que não se mecheu.
Arthur: Um, Dois, Três, Quatro mil zenys...Em bom que os equipamentos de vocês valham a pena...
Quando o primeiro gatuno se aproximou das costas para lhe aplicar o primeiro golpe, Athur sacou seu saco de zenys e girando no seu eixo, aplicou a única técnica ofensiva dos mercadores.
Arthur:Maaaaaaaaaaaamonita!
!Pouf!
Kaled vôou uns metro no ar ao levar o golpe, indo parar numa árvore.
Denis: Maldito! Morra!
Denis voou para cima do mercador. Arthur hesitou uns segundos, depois pegou no braço do carrinho e desferiu um golpe só ensinado a mercadores talentosos.
Arthur: Cavalo-de-pau!
!Stuf!
O chefe do bando caiu após voar muitos metros também, mas justo quando Arthur achava que a batalha seria fácil, foi pego de surpresa quando a moça chutou terra nos seus olhos.
Arthur: Argh!
Ele não via nada e sentia muita dor, apenas golpeava o ar em desespero. Quando achava que estava perdido começou a ouvir um dialogo estranho.
Safira: Ei sai da minha frente! Eu vou acabar com este miserável! Não me ameace com esta adaga! Ahhh!
!Plof!
Arthur ficou aliviado em ouvir outro corpo caindo, mas ainda havia um gatuno. Ele ouviu que o gatuno mexia em seu carrinho procurando algo, ele se sentiu aliviado em achar que seria roubado mas pelo ao menos ele não seria atacado. Foi então que ouviu uma voz familiar.
Vitor: Abra os olhos, deixa eu pingar a poção verde, ajuda contra cegueira também!
Arthur voltou a enxergar ligeiramente e viu um gatuno com a mascara feliz. Viu também o corpo inerte da moça no chão, estava todo rígido mas ela ainda respirava.
Arthur: Quem é você, porque me ajudou?
Vitor tirou a mascara.
Vitor: Ora! Eu nunca deixaria que roubassem meu irmão mais novo!
Foi à primeira vez que Arthur se sentiu feliz com um assalto!
Depois do encontro peculiar, os dois irmãos tomavam um gostoso suco de abacaxi num bistrô no porto de Alberta, eles tinham acabado de sentar quando Arthur puxou papo.
Arthur: Mano, não foi certo você roubar todos eles, foi?
Vitor: Se fosse comigo eles fariam a mesma coisa, se tem uma coisa que gatuno aprende é não se apegar demais as pessoas, mas sim as coisas que a pessoa carrega!
Arthur: Eles não virão atrás de você?
Vitor: Possivelmente, mas não vejo nenhum perigo, sou tão bom quanto à maioria deles e meu tempo de aprendizagem ali se foi faz décadas. Mas e você! Cheio da grana, forte como um touro!
Arthur: É trabalho duro desde o começo! Eu viajei tanto por esse continente, fui até em Morroc, mas não te achei lá!
Vitor: Eu só parava em Morroc pra vender mercadoria e comprar armas novas, mas conheço todas as passagens secretas de lá. Em todas as cidades tem passagens, as de Alberta eu decorei antes de vim para cá, tem tudo neste guia que eu afanei do Kaled.
Vitor mostrou o "Guia Do Gatuno Feliz" em edição especial com capa dura, um livro que só se comprava no mercado negro.
Arthur: Eu também tentei contactar o Douglas e a Arthemis, mas os dois estavam em excursões ou missões especiais... Então resolvi viajar para Prontera pra depois ver se descolava uma vaga no teleporte que vai para Einbroch.
Vitor: Hum...Vai ser Ferreiro heim?!
Arthur: Era a escolha mais lógica a ser feita já que eu não tenho saco, e nem conhecimentos o suficiente para me tornar um Alquimista! E você, já se decidiu?
Vitor: Tô juntando dinheiro para me tornar um Mercenário, mas ainda preciso de muita grana e muita experiência também. Ouvi dizer que Prontera ta tendo problemas com os Orcs, acho que vou para lá fazer algum dinheiro.
Arthur: Quanto que é para fazer o exame de admissão?
Vitor: Uns 50.000z e eu já tenho uns 10.000z, e antes que você me dê bronca por roubar eu já vou lhe dizendo que esse dinheiro era meu mas tive que dividir com meus queridos colegas para entrar no grupo!
Arthur puxou se carrinho para perto e retirou sua sacola de zenys, abriu e contou 25 Brasões, um outro tipo de moeda que não existia no jogo mas que valia mil zenys. Guardou numa mochila de couro e deu para seu irmão.
Vitor: Mano, eu não posso aceitar...Você deu um duro danado para juntar essa grana toda!
Arthur: É um investimento que eu estou fazendo! Digamos que estou pagando a metade do seu treinamento e quando virar um Mercenário se tornará meu guarda costas? Que tal?
Vitor: Tudo bem deixamos, assim então. Se bem que essa era para ser minha função desde sempre, afinal sou seu irmão mais velho mesmo não parecendo!
Arthur: Não acabou não...
Novamente Arthur mexeu no seu carrinho e retirou uma adaga de lâmina longa, plana e triangular. Ele tinha sua lâmina toda desenhada em forma de ondas verdes, como se tentáculos cor de jade saíssem do cabo e se espalhassem pela lamina em forma de gravuras.
Vitor: Um Estileto personalizado?
Arthur: Não é Um Estileto Capital!
Vitor: Caraca! È um estileto eslotado com uma carta Hidra? Como, onde você consegui essa raridade?
Arthur: A carta foi por acaso em Byalan, enqunto eu passava um sufoco naquelas cavernas frias. Fui pego por uma Hidra e achava que iria morrer, mas ai eu usei meu machado-de-duas-mãos pra acabar com a história.
Vitor: Oh! Você tem um machado-de-duas-mãos?
Arthur: Eu tinha... Fui roubado por outro mercador, e como a lei de ética dos merdores impede que um acuse o outro de roubo, tive que ficar na minha!
Vitor: Que injustiça!
Arthur: É, mas deixa quieto! E então vai passar a noite aqui? Nós podemos ir juntos para Pronteira!
Vitor: Claro! Ou garçom, traz mais uma rodada de suco aqui, e se tiver, traz também um copo de sangue de Muka para o meu irmão aqui!
Arthur: Sangue de Muka?
Vitor: É a bebida não-alcoólica mis embriagante que eu já vi!
O resultado foi os dois irmãos mamados no Bistrô cantando musicas sertanejas no karaokê do lugar, estilo de musica desconhecida até então pelos Alberanos, mas que foi muito aplaudida pelos mesmos. E aquela foi uma noite pra ficar na história.
Quando Arthur acordou na manhã seguinte, a cama do seu irmão estava vazia, no canto da sala tinha um carrinho de mão todo confeccionado de mogno vermelho, e dentro desse carrinho tinha um machado-de-duas-mãos e um bilhete escrito assim:
"Mano, é muito perigoso andar comigo agora que tenho um grupo atrás de mim, ainda sou seu irmão mais velho e tenho que te proteger. Vou honrar seu investimento e darei um bom fim ao seu presente. Por falar em presentes espero que tenha gostado dos meus, afinal "ladrão que rouba ladrão..." Boa sorte para você e te vejo daqui a três meses em Prontera!Let's Rock! Vitor"
Arthur olhou o carrinho novo e o machado e sorriu um sorriso triste, mas conformado.
Arthur: Boa sorte irmão, boa sorte meu melhor amigo!
Continua...
Eslote: Expresão que indica que uma arma tem uma espécie de vaga para cartas mágicas.
Roupas de gatuno e mercador podem ser achadas no banco de imagens do Google com os nomes THIEF e MERCHANT acompanhados da palavra ragnarok.
