O Último Tango

A gigantesca foice negra cortou o ar indo parar na espada de Douglas. A força era tanta que o Templário se ajoelhou para não ser cortado em dois pelo ceifero, atrás dele, sua capa foi estraçalhada devido ao impacto do golpe.

Douglas: AHHH...Demônio! Os deuses estão comigo e você será vencido!

Baphomet: Loki irá me recompensar por sua cabeça, cria de Odin!

Arthur atingiu o monstro de lado o fazendo-o desequilibrar. Douglas se recuperou rapidamente e partiu com fúria pra cima do Demônio. A batalha era dura contra o general, assim que ele alcançou o front, exterminou centenas de soldados sem esforço algum, parando somente nos nossos heróis devido à assistência mágica das cartas.

Arthur: Ele é muito forte, precisamos da ajuda dos outros.

Arthur se referia a Vitor, Arthemis e Ariel que ficaram cuidando da prole de Bafomés Jr. Enquanto eles dois atrasavam o general com a ajuda dos Buffs de Ariel.

Douglas: Só mais um pouco e eles chegarão.

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No outro canto do campo, Vitor continha ataques vindo de criaturas pequenininhas, caricaturas do general em tamanho, mas como em qualquer moob, tinham praticamente a mesma força.

Vitor: Arthemis! Para de enrolar e usa essa magia logo.

Arthemis rebuscava sua sacola cheia de pergaminhos de outras magias que ela não possuía. O som das espadas não ajudava em nada em sua concentração. Arthur e Douglas estavam levando uma surra e isso piorava as coisas, ela já havia passado por batalhas, mas o sangue manchando a planície começava assustar demais, ela estava com o medo da guerra. Um bafomé jr. caiu do lado dela fazendo assustar-se deixando cair à sacola de pergaminhos. O monstro olhou pra ela e preparou sua foice, a Sábia se achou perdida, o monstro poderia matá-la facilmente, o medo tomou conta dos seus músculos e os paralisou.

Arthemis: N-não...

Num flash, uma katar dourada viajou o ar e cravou no pequeno corpo do demoniozinho. Vitor levantou o corpo no ar e o usou para atingir em cheio mais um deles que investia, agora contra Ariel. O Mercenário chegou na Sábia e segurou a suas mãos com força, a dor do corte provocado por ele tempos atrás a trouxe de volta. Vitor estava suado e cansado, a cor tinha voltado a sua face e ele ofegava de fadiga e raiva.

Vitor: Arthemis, eu sei que você não gosta de mim, mas isso não me importa e nem por isso vou deixar você morrer, mas se eu não puder contar com você é melhor que saia daqui!

Arthemis entendeu o que ele dizia. Vitor não podia enrolar, seu irmão e seu melhor amigo lutavam com chances baixas de vitória e precisavam de auxilio, ela viu o desespero nos olhos do Mercenário que estava rechaçando os ataques das hordas do general incessantemente. Ela finalmente compreendeu e acenou com a cabeça, o Mercenário sumiu num desfocado.

Arthemis: Ariel! Vou precisar de proteção agora!

Ariel: Hay!

Do divino paraíso sacrossanto

Convoco agora a proteção suprema dos anjos!

KYRIE ELEYSION!

Anjos munido de escudos rodearam a Sábia. Ela fez levitar todos os pergaminhos caídos e passava os olhos por cada um até que achou o que estava procurando. Os monstros atacavam, mas eram impedidos pelos anjos. Ela abriu o pergaminho e começou a recitar fervorosamente suas palavras.

Infinito celeste

Que só aos deuses é permitido contemplar

Empreste-me sua cósmica força

Para que meus inimigos...

Ela deu um olhar sinistro, fazendo os Bafomés Jr. pararem.

Arthemis: ...eu possa fulminar!

CHUVA DE METEOROS!

Os céus ficaram claros, e rochas cadentes do tamanho de caminhões surgiram das estrelas. Nessa hora, os pequenos Bafomés jr. acharam que o mundo inferior não eram tão ruim assim e voltaram para lá um pouco...Chamuscados.

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Arthur nem percebeu a imensa explosão que atingiu o campo de batalha, estava ocupado demais segurando a foice do General, que agora estava bem próxima da cabeça dele. Os buffs haviam acabado e suas forças estavam se esvaindo. Ele era muito forte.

Técnica sombria das hordas de Morroc

LÂMINAS DESTRUIDORAS!

Arthur viu o que parecia ser uma chuva de golpes atingir o general em cheio. Viu seu irmão andar normalmente, mas não via seus braços, aquela era a lendária técnica dos Mercenários capaz de pegar gostas de chuva individualmente. O monstro levitou no ar impulsionado e mantido pelos golpes invisíveis a olho nu, o Mercenário finalizou o golpe pulando nas costas do monstro e arremessando ele pelos chifres com uma força sobre humana. Ele voou e rolou na terra levantando muita poeira, mas não havia sido nem mesmo arranhado pelos golpes.

Vitor: Você está bem irmão? Não deu tempo de usar a katar certa. Nem o arranhei.

Arthur que terminava de beber o segundo tubo de poção branca concentrada que tinha gosto de iogurte de coco com menta, se levantou e estalou os dedos.

Arthur: Eu to legal, os buffs acabaram e o Douglas desmaiou sem mana. Mas acho que já enfraquecemos muito ele.

Douglas chegava do lado dos dois totalmente recuperados depois de devorar duas sementes de yggdrasil.

Douglas: Alguma idéia?

Vitor: Voto por bater no capiroto a as armas quebrarem.

Arthur: É uma ótima idéia.

Douglas: Que tal a formação Delta?

Arthur: Desculpa mano, mas essa idéia é bem melhor.

Vitor: Mas não treinamos o bastante.

Arthur: Mano, não se preocupe. Somos os escolhidos e nada pode nos deter.

Douglas: Gostei da frase! Muito bem colocada.

Eles sacaram dos bolsos um frasco com um liquido vermelho alaranjado, desatarraxaram a rolha. Então simultaneamente eles começaram um estranho ritual.

Douglas: Ariba...

Vitor: Abajo...

Arthur: Assiento...

Vitor, Douglas e Arthur: Pra Dientro!

Os três beberam o liquido que tinha gosto de pimenta malagueta com pinga quente, todos fizeram uma força divina pra não chorar devido ao gosto horrível. Mesmo assim uma lágrima brotou dos seus rostos impassivos diante do inimigo. Um fogo tomou conta de cada centímetro do corpo deles, faíscas saltavam das partes metálicas de suas armaduras, a terra começava a tremer com o poder que estavam ganhando, a poção da Fúria Selvagem dobrava o poder de qualquer criatura, mais que o suficiente para dar cabo do demônio córneo.

Eles começaram a correr muito rápido, a distância era considerável e o Baphomet já tinha se recuperado do golpe. O demônio estava achando muito divertido, ceifara a vida de milhares sem resistência, mas aqueles três estavam dando trabalho, seria com muito orgulho que iria adornar com os crânios dos três suas vestes de Demônio-rei que Loki havia lhe prometido. Eles vinham diretamente contra o demônio, este apenas armou uma base e esperou que estivessem ao seu alcance para que sua foice profana pudesse retalhá-los sem chance de erro.

O grupo vinha em formação de triângulo invertido, com Vitor e Douglas nas pontas de base e Arthur na retaguarda. Um estrategista que olhasse de fora veria um ataque em carga desesperado, mas essa era a intenção! O Templário e o Mercenário cortaram simultaneamente o fecho mestre da armadura que vestiam e essas caíram com o peso afundando no chão. Nessa hora os dois viraram 90º e dispararam em velocidade absurdas que só puderam ser visto suas imagens translúcidas. O general achou que era uma fuga calculada, mas não desarmou a base, pois um deles ainda corria em sua direção... Ou melhor, pilotava! Arthur estava em cima do seu carrinho de metal, usando o machado para dar impulso, era a técnica do Impulso do Carrinho que dava uma velocidade absurda aos mercadores, muito útil pra viajar, mas útil ainda para ataques de carga.

Arthur: ATIVAR FORÇA VIOLENTA! MORREEE CHIFRUDO DO CAPETAAAAAA!

Arthur travou o carrinho no chão, surpreendendo o General, pois sua velocidade duplicou e ele voou, literalmente, com seu machado enorme no monstro, que só pode bloquear.

KLAAAPOW!

Uma onda de choque abriu uma loca na terra. O barulho só se igualava ao de um raio muito forte rachando uma árvore. O Golpe teve tanta força que a lâmina de ambas as armas entraram em brasa. O General arregalou os olhos, tanta força num humano? Como era possível? Arthur sorria insanamente enquanto o demônio arquejava andando para trás.

Nessa hora Vitor surgiu atrás do monstro usando duas katares brilhantes e douradas e passou-as "gentilmente" no tendão de Aquiles da criatura. A lâmina sagrada cortou a carne profana como manteiga e quando general urrou de dor e olhou para trás, encontrando Arthur e seu sorriso insano, ele segurava um machado peculiar, em forma de cruz. A falta de força nas pernas fez o General cair para trás, mas ele não iria atingir o chão, o Ferreiro rebateu o demônio com a Cruz Impiedosa como uma bola de bete. Ele voou uns 10 metros e quando alcançou altura máxima, viu o que seriam dois anjos, os anjos da morte. O Templário e o Mercenário, com as armas sagradas dividiram o corpo do bicho em três.

Baphometh, o grande general quedou três vezes no chão. Nos dez segundos de consciência restante de sua cabeça rolante ele finalmente entendia o por quê Loki o haviam mandado primeiro.

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O sons dos violinos, bandolins e violões viajavam pela planície de batalha. Pilhas de corpos de monstros queimavam em vários pontos deixando um cheiro desagradável no ar. Por isso os combatestes comemoravam contra o vento. Era noite e o céu brilhava com estrelas numerosas, muito dos que pereceram em batalha foram ressuscitados pelos sacerdotes da igreja de Odin, alguns que não voltaram foram enterrados com honrarias, mas no final todos estavam todos felizes, a batalha tinha sido vencida.

Nossos heróis se deliciavam de uma refeição oferecida aos vencedores pelo rei. Eram muitos heróis de elite ao redor de uma enorme fogueira que trepidava com o vento. Todos comemorando e dançando tradicionalmente ao redor da fogueira, os bardos tocavam em sincronia e as odaliscas puxavam os mais tímidos para dançar e se divertir, magos soltavam fogos para comemorar, o riso acalmava a alma e amenizava a perda de muitos naquele dia. Arthur comia ao lado do seu irmão Vitor e usava um adorno para cabeça bem peculiar, eram os chifres majestosos feitos com a carcaça do general.

Vitor: Qual a sensação de ser um corno, digo, córneo majestoso? Heim irmão? - Brincou o mercenário que usava uma capa feita com o couro do mesmo monstro.

Arthur: Há fale o que quiser! Não é todo mundo que pode dizer: --Enfrentei um Baphometh! E ter uma coisa para provar!

Vitor: Gosto não se discute!

Arthur: E saiba que em algumas tribos da Terra, os chifres eram sinal de fertilidade e virilidade entre os homens!

Vitor: Falou como um legítimo Douglas!

Arthur: É, foi ele mesmo que me disse isso...

Douglas dançava a intricada coreografia medieval com Ariel, no rosto dos dois havia um sorriso pleno.

Vitor: Eu to com medo do Douglas não querer voltar. – Disse enquanto olhava para os dois.

Arthur: Eu também, mas ele já é adulto e um guerreiro muito responsável, não podemos fazer nada se ele decidir ficar.

Vitor: Quero ver é a mãe dele entender que ele se casou com uma loirinha oriental, num mundo onde a espada é a lei.

Num canto quase escondido estava Arthemis olhando fixamente para a fogueira, seus temores recém descobertos com a guerra a abalara e como os meninos só falavam disso ela resolveu ficar só. Tinha comido pouco, perdera a fome ao ver o Templário tão feliz com sua Sacerdotisa, odiava admitir, mas eles formavam um belíssimo casal. Mesmo assim, havia uma esperança em seu coração de que voltando para a Terra ela pudesse ter uma chance uma chance. Porém a realidade era dura e talvez o Douglas nem voltasse para casa.

Vitor: Dói né, ver quem amamos nos braços de outras pessoas?

O coração de Arthemis disparou com o susto, o Mercenário havia chegado do nada.

Arthemis: Deixe-me em paz!

Vitor: Você participou de uma guerra mortal hoje e tem medo de falar o que sente pra ele!

Arthemis: Ele tem uma noiva!

Vitor: E você o conhece há mais tempo.

Arthemis abaixou a cabeça, suspirou, seu coração doía, era como se martelassem seu peito.

Arthemis: Ele não gosta de mim, nunca reparou e nunca vai reparar. O "anjo" dele sempre vai me ofuscar!

Vitor: Hum... – Vitor fez uma cara de pensador profundo, sua mente maquinava algo.

Arthemis: O que foi?

Vitor: Vamos tirar a prova.

O Mercenário se levantou e pediu silêncio para os Bardos, eles param de tocar e ouviram o que o mercenário tinha pra dizer. Vitor cochichou rápido e os Bardos apenas acenavam com a cabeça. A pista de dança tinha se esvaziado, ele caminhou por ela chamando atenção de todos.

Douglas: O que é que seu irmão tá aprontando? – Perguntou o Templário sentando do lado do Ferreiro que comia distraído.

Arthur: Sei lá, acho que é muito sangue de Muka na testa!

Vitor fez uma reverência aos espectadores e tirou uma rosa de uma das mangas. Um acorde violino começou a tocar uma musica sentida.

Vitor: Essa dança fez muito sucesso nos bares noturnos do Porto de Alberta. Vinda de países longínquos chegou a ser proibida por ser dançar com muito "sentimento".

Ele jogou a rosa para Arthemis que assim que percebeu o que estava acontecendo, viu a figura de Vitor parada diante dela com as mãos estendidas.

Arthemis: Ah...Não!

Vitor a olhava com olhos sagazes. Como se hipnotizada por uma cobra ela se levantou e caminhou até a pista com ele. O acorde do violino se juntou ao de um violancello e uma harpa. Ele colou sue corpo com o dela, colocou a mão direita dela sobre seu ombro enquanto segurava a esquerda com ternura. E começaram a dançar o tango albertano.

Eles dançavam como se fosse um, cada passo sincronizado, respiração regulada. Eles seguiram a música com passos, ora fortes, ora suaves, mas todos ousados e colados, corpos sincronizados e olhar fixo um no outro. Ninguém respirava, era só a música e os passos dos dois.

Arthur: Onde é que o Vitor aprendeu a dançar desse jeito?

Safira: Comigo em Morroc!

Arthur quase pulou do seu lugar ao ver a Arruaceira mais linda de Morroc e antiga companheira de grupo do seu irmão. Parece que todos descendentes da classe Gatuno tinham essa terrível mania de aparecer do nada.

Arthur: O-o q-que v-você...

Safira: Calma gatinho, aquilo são águas passadas...Já perdoei você e seu irmão.

Vitor passava pela pista como se seus pés não tivesse aderência com o solo e conduzia Arthemis como se os dois sempre dançassem. Os passos continuavam ousados e o contato visual marcava os espectadores.

Safira: Humpf! Nunca deu mole pra mim em 6 meses e tá ai dançando com a primeira que vê!

Arthur: Ele nunca deu mole pra VOCÊ?

Safira: Não, disse que o coração dele já havia sido ocupado. Foi por ela?

Arthur: Não... Acho que não é ela não.

A dança chegava no seu ápice, eles evoluíam pela pista majestosamente. Guerreiros de outros grupos de festa vieram pra fogueira só pra ver a dança. Moças se abanavam, os rapazes engoliam seco. A fogueira parecia estar mais quente.

Arthur olhou para Douglas que olhava fixo e impassivos. Um observador sem sangue de Muka no lombo teria visto as veias pulando na têmpora dele. O Templário apertava seu talher que já começava entortar.

A dança chegava ao seu ato final, a última coreografia foi feita. Vitor dobrou a Sábia em seu joelho e encostou seu nariz no dela, a platéia parou de respirar, Arthemis procurou palavras, forças para se esquivar, mas estava completamente a mercê. O Mercenário abriu um sorriso maroto e beijou a testa da moça, deixando ela de pé e terminando a dança. Uma explosão de aplausos ecoou pela planície. Arthemis estava ofegante e tonta, mal viu quando o Douglas passou violentamente entre os dois derrubando Vitor no processo e sumindo na multidão. Ele olhou confusa para o mercenário que sorria.

Vitor: Vai atrás ante que seja tarde.

A Sábia correu atrás do Templário pela multidão e logo atrás dela Ariel. Vitor riu mais um pouco da situação e sentou ao lado do seu irmão novamente, ficado muito surpreso em ver Safira na mesa.

Arthur: Ardiloso você! Provocar ciúmes no seu melhor amigo!

Vitor: Ele precisava se decidir, eu só dei uma forcinha.

Safira: Eu pensei que iria beijá-la.

O Mercenário sorriu mais uma vez, mas desta vez tinha um pouco de dor na sua expressão.

Vitor: Meus beijos estão guardados... Para uma pessoa especial.

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Ufaaaa! acabei o capitulo mais longo até agora! Isso tudo porque o próximo vai ser curtinho e digo... Surpreendente! A seguir umas coisinhas interessantes:

A música que Arthemis e Vitor dançaram chama-se "Por una Cabeza", e foi tema do filme Perfume de Mulher. Se quiserem conferir entrem no link abaixo:(o do youtube, mais esse sufixo: watch?v1eYH0YN2jE)

Me perguntaram se realmente o sangue de um monstro é usado como bebida. Queria enfatizar que o "Sangue de MUKA" não é literalmente sangue de muka, é uma bebida não-alcoólica, mas com o mesmo efeito do álcool, a cor dela é prateada e tem a consistência de sabonete liquido e gosto de frutas cítricas e que parece ser sangue de muka.

Fotos do Bafomé podem ser achadas no Banco de imagens do GOOGLE, ou no PHOTOBUCKET.