Transcendendo os Mortais
Para algumas culturas, a morte é apenas um começo para uma nova vida. Pessoas com experiência de quase morte, a descrevem com uma luz branca, atraente, no fim de um túnel escuro. A morte para os midigarianos é bem mais poética, segundo eles, para os guerreiros valorosos, uma cavalaria de Valkyrias, guerreiras angelicais lindas e imortais, levam os guerreiros para os esplendidos jardins de Valhalla onde eles esperarão a vez para lutar com Odin, o deus dos deuses nórdicos. Em parte isso era verdade, o Templário Douglas nunca gostou muito de cavalos, mas o doce cheiro dos longos cabelos morenos da valkyria que o carregava nem fazia-o notar tal desconforto.
Logo após a morte em combate, ele ouviu o som de uma cavalaria e a mais bela mulher que já viu na vida, o içou em seu cavalo. Não era só ele, havia uma ruiva que pegou Arthur e uma loira que carregava Arthemis, eles cavalgavam no céu em cavalos alados, filhos de Sleipnir, o cavalo de oito patas de Odin. Douglas ainda estava meio tonto, ser trespassado por uma lança de cavalaria não é o melhor dos sentimentos.
Os cavalos desceram a terra de novo, mas não qualquer terra, era parte dos jardins esplendorosos de Valhala, sua grama era verde azulada, as árvores tinha folhas em tons verdes esmeralda com frutos dourados, fontes de mármores extremamente detalhadas com runas nórdicas e gravura de feitos gloriosos jorravam água cristalina, animais celestiais brincavam livremente e muito guerreiros e guerreiras descansavam no jardim. Quando chegaram tiveram uma enorme surpresa ao ver Vitor esperando eles.
Arthur: Mano!
O Ferreiro desceu e abraçou o irmão tão forte que lhe estalou uma ou duas costelas.
Vitor: Bom ver vocês de novo, mas estou chateado, afinal queria que tivessem sobrevivido.
Douglas desceu e se despediu da valkyria. E evitou encarar seu amigo, estava muito envergonhado. Arthemis desceu meio enjoada da viajem, mas foi abraçar Vitor assim que o viu. O mercenário caminhou até o seu amigo e lhe deu um abraço, Douglas ficou surpreso e mais envergonhado ainda.
Vitor: Eu ouvi o que você disse, irmão!
Ele olhou para os lados, como se procurasse algo.
Vitor: A Ariel, ela sobreviveu?
Douglas: Sim antes de morremos, eu mandei ela pelo portal.
Vitor: Er... Acontece que nós não morremos.
Arthemis: Como assim?
Vitor: Bom eu estou a mais tempo aqui que vocês, a um ano pra dizer a verdade e descobri que nos estamos em uma espécie de animação suspensa.
Arthur: UM ano? Mas nos morremos logo após você!
Vitor: Poisé, aqui o tempo é diferente de Rune-Midgard, segundos pra vocês foi um ano pra mim.
Douglas: Mas explica direito! Eu senti uma lança me atravessar, o Arthur foi fatiado por uma espada gigante e a Arthemis fulminada por um raio. Como podemos estar vivos?
Vitor: Assim...
Vitor socou Douglas que saiu do chão e foi parar em uma das fontes próximas, sentia uma dor lancinante no maxilar, prova de que estava vivo.
Vitor: Desculpa, mas sei que você sentiu dor. Aqui respiramos, comemos, dormimos. Estamos vivos. E é aqui que vamos morar, pelo ao menos até sermos chamados a Valhala.
Douglas: Podia apenas ter me beliscado...Ai...
Arthur notou que o irmão parecia exagerar no que estava dizendo, ele analisou o jardim e viu que este não comportaria mil pessoas.
Arthur: Mano se ta dizendo que vamos viver aqui a partir de hoje? Não é muito pequeno para abrigar toda essa gente?
Vitor: Não, aqui não... Aqui é só o "saguão de embarque". Venham conhecer os jardins de Valhala.
Eles foram conduzidos pelo Mercenário até uma enorme porta de madeira vermelha, Arthemis leu as inscrições que diziam.
Aos valorosos Einherjars que entram nesta terra sagrada, sejam bem vindos e descansem, pois a sua batalha com Odin está marcada.
Arthemis: Vamos ter que lutar contra um deus?
Vitor: Sim, mas não se assuste, um guerreiro me disse que é como uma audiência. É uma batalha de palavras e não de espadas. É que Odin é muito versado e ávido por conhecimento. Ele nos contará uma história de combate e nos fará contar uma nossa, os deuses julgarão a melhor.
Douglas: E se ganharmos?
Vitor: Se ganharmos, transcenderemos os limites mortais.
Arthur: Mas para quê?
Vitor: Irmão, nós achávamos que aquela batalha era o Ragnarök. Na verdade, aquilo era apenas o prelúdio da tempestade que está por vir.
Todos sentiram um arrepio na espinha ao ouvirem aquelas palavras, ate´mesmo quem as pronunciou.
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As muralhas de Prontera eram constantemente golpeadas por magias poderosas e resistia à duras penas. Estava rachada em sua entrada principal e os portões estavam se afrouxando. A Queda da cidade de mármore era breve e evidente . Um soldado chegou esbaforido para o general Bacerllard, Lorde cavaleiro da Ordem de Prontera.
Soldado: Meu Lorde, o portão só irá agüentar mais meia hora no máximo! O que faremos?
Bacellard: A prioridade é a evacuação dos moradores e recolhimento dos corpos em condições para a ressurreição.
Soldado: Sim senhor, já recolhemos os corpos em condição, mas os sacerdotes dizem que apenas 38 dos corpos serão ressuscitados, muitas almas não voltam.
Bacellard: Drogra, é muito pouco... E os reforços paras as cidades aliadas?
Soldado: Morroc está isolada por monstros, Payon está resistindo igual a nós, Geffen Aldebaran, Lightalzen e Noghaltz foram completamente destruídos, não temos noticias das cidades restantes.
Bacerlard: Que Odin nos ajude... Reúna todos os soldados que puder vamos segurar aquele portão até todos evacuarem a cidade.
Distante do fulgor da batalha, em uma sala na capela da cidade Ariel gastava toda sua energia na vã esperança de restaurar seus amigos a vida.
Oh, Frigga rainha dos deuses, empresta e o poder das suas mãos. Os meus amigos se foram em batalhas e injustamente perderam suas vidas em vão.
Oh mãe dos deuses conceda-nos a Ressurreição!
Um lindo anjo apareceu na sala com seu cajado estranho, mas olhou para os corpos e fez que não para a sacerdotisa que caiu exausta em uma das macas. Olhou os 4 corpos que jaziam serenamente, como se dormissem um longo e profundo sono. Suas feridas estavam curadas, mas eram corpos somente, logo iriam ser queimados como muito outros que não ressuscitaram.
Ariel: Oh amigos, o que faz vocês não quererem voltar para cá? Por que me abandonaram?
Mal sabia ela que os deuses tinham planos diferentes para cada um deles, inclusive para ela.
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Quando o mercenário avisou seus amigos que estavam prestes a ver uma coisa inacreditavelmente grande, eles acharam que seriam grandes como obras humanas. Mas o que viram era tão descomunal que alguns deles tiveram uma vertigem apenas de olhar. O Jardim era tão extenso, que seu horizonte era inconcebível de se ver. Árvores gigantescas e miúdas, cataratas, rios entrecortado por serras e pradarias extensas.
Douglas: Ai meu DEUS, se isso é o jardim eu nem quero saber do quintal!
Arthur: Cara se você acha isso grande olha só esse palácio!
A mente humana do templário tinha ignorado o que estava atrás dele porque era tão cabulosamente grande que se confundiam com o céu.
Vitor: Dizem que tudo isso foi construído pelos elfos de luz. Por dentro é ainda maior. Cada quarto de um deus é uma espécie de mundo diferente. É lá que espero que aconteça nosso treinamento.
O Ferreiro percebeu que ao redor deles não haviam muitos heróis, na verdade, eles saiam aos montes de Valhala enquanto outra leva entrava.
Arthur: Mano o que é aquilo?- Disse apontando.
Vitor: Ah, eu estava esperando você justamente para explicar. Aquilo ali é a preparação para guerra, os deuses estão treinando os Einherjars para guerra.
Arthemis: Mais guerra?
Vitor: Não, "A" Guerra. São todos transcendentais.
Douglas: Como assim?
Vitor: No jogo é o que chamamos de Transclasses.
Os três amigos brilharam os olhos, as transclasses eram os últimos níveis que um personagem atinge em jogo.
Arthur: Vamos ficar mais fortes, há!
Vitor: Eu não comemoraria se fosse você. Eu falei com um deles, ele disse que não é fácil, o treinamento é duro e extremamente longo e extenuante. E é esse ponto que gostaria de discutir com vocês. Não quero colocar ninguém em outra guerra de novo. Podemos viver muito bem aqui pela eternidade, com conforto e felicidade, tendo todo tempo do universo para nos aperfeiçoar e achar outro jeito de voltar pra casa.
Arthemis: Sim e até lá nossos pais e entes queridos viraram fósseis.
Vitor: Não é bem assim, aqui não apenas o tempo passa mais devagar como também podemos passear pela linha temporal e voltar para nossa casa na época em que saímos de lá. E com conhecimento e juventude divinas.
Arthur: Mas a guerra não irá nos atingir?
Vitor: Não, a guerra aconteçerá em Rune-Midgard destruindo-a. Não afetara esse mundo nem outros.
Douglas: Isso é muito tentador, pense só no conhecimento, nos segredos a serem desvendados. Poderíamos percorrer outros mundos, viajar pela história, ver tudo aquilo que estudamos anos, na nossa frente. Isso tudo sem envelhecer um ano sequer. E com pesar que não aceito...
Arthur: Eu também não a eternidade é uma chatice e eu vivi muito bem e feliz só com o que sei...
Arthemis: Rune-midgard foi nossa casa, mesmo que por pouco tempo, e não vamos deixarem que a destruam.
Vitor ficou um tempo em silencio depois sorriu e conduziu eles até a fila.
Arthemis: Não vai reclamar? Espernear e argumentar como sempre faz?
Vitor: Não. Nunca foi essa minha intenção, apenas achei que seria o único louco do grupo a não aceitar esse tipo de vida.
Todos riram e esperaram nas extensas escadarias de Valhala serem chamados pelo velho Odin para um duelo de Trovas e Rimas.
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Nota do Autor: Os pedidos de continuação ficaram incessantes então tive que cortar boa parte do treinamento deles. Assim como o desafio de Valhala. Mas não fiquem chateados. Assim que acabar a história lanço uma paralela para os fans não ficarem na mão.
No próximo e último capitulo: A maior guerra jamais cantada.
