House M.D. e suas personagens são propriedades da Fox e de David Shore. O propósito aqui é apenas para leitura, diversão e para aumentar o fanatismo da mulherada da comunidade Chase e Cameron do Orkut.
CORAÇÕES EM CONFLITO
By Ligya Ford
CAPITULO 3
Quinta Feira
Cinco dias antes…
Cameron demorou muito pra dormir. Ficou pensando nas possibilidades e nas loucuras da veracidade do que tinha acontecido.
Ele disse que os Giants iam vencer.
Ele adivinhou, Cameron.
Ele acertou o placar.
Um monte de gente acerta o placar.
Por volta das três da manhã, acordou ouvindo uma trovoada.
Chuva... era chuva...
Se sentou na cama para observar pela janela, e viu o terraço do seu quarto inundado. Branco de granizo.
XxLFxX
- Respire fundo.
Cameron inspirou profundamente. Ela vestia uma túnica branca e tinha os cabelos amarrados na nuca. Andréa, a frente dela, usava um estetoscópio:
- Respire fundo de novo.
- Ta ouvindo alguma coisa estranha? – Cameron se apavorou com a insistência de Andréa em ouvir varias vezes.
- Tipo o quê?
- Algo que possa me dar um infarto na próxima terça.
- Ally, você só come alface. Vai morrer de fome antes de ter um infarto.
- Talvez seja algo... como pressão alta...
Andy levanta o dedo diante dos olhos de Cameron, que o segue sem mexer a cabeça.
- Sente dores de cabeça? – Andréa perguntou.
- Não.
- Problemas de vista?
- Não. Talvez eu deva fazer uma ressonância.
- Pressão boa. Pulmões limpos. Não há caroços nos seios. Deve ser a pessoal mais saudável de New Jersey.
Cameron suspirou.
- É.
XxLFxX
No Princeton, Cameron passou a manhã em silêncio. Tinha que saber. Precisava ouvir da boca dele. Aproveitou que o laboratório estava vazio para perguntar-lhe.
- Foi você?
Chase olhou para trás e encarou Cameron, na porta.
- Não. – ele murmurou, se voltando para os exames.
- Foi você? – ela repetiu, sem acreditar na resposta anterior.
- Não. – ele falou um pouco mais alto.
- Chase... – ela pediu.
- Não, Cameron, não fui eu, okay? – ele se virou para ela. – Eu não penso tanto em você assim.
- Não pense tanto assim em nada... vai acabar se machucando. – ela odiava aquilo.
- Entendo porque está irritada. – ele se levantou do banco. – Se eu tivesse uma semana de vida e percebesse que minha vida é uma insignificante busca por aprovação, eu também estaria.
Cameron suspirou. De novo?
- Minha vida não é insignificante. Ao contrário da sua, de hedonista. Uma vazia sucessão de encontros banais físicos e carnais.
Chase riu.
- Olha só quem fala!
- Por que vocês não arranjam um quarto? – uma voz saiu da porta.
Os dois, no susto, se viram para a porta.
- Sabia que há uma linha tênue entre o amor e o ódio? – se intrometeu House.
- Deu negativo, House. VDRL. – Chase ignorou a piada.
- Mas na sífilis terciária, frequentemente o resultado dá negativo. – emendou Cameron.
- Ou... pode ser lúpus. – disse Chase.
- Nunca é lúpus. – House suspirou. – Com a hipótese de ser um falso negativo... ou um falso positivo, faça um...
-... FTA-ABS. – concluiu Chase.
- Exato. Ajude o empregado do mês, Cameron. Aprenda com ele.
- Aprender sobre sífilis com ele? Deve ser expert nisso.
- Azar seu. Poderia ter aprendido na prática.
House gargalhou. Chase riu, orgulhoso. Adorou fazer House rir.
- Isso é engraçado?– Cameron não acha.
- Uma tentativa de humor. Procure em H.
- Chase, se você tivesse uma semana de vida, não seria tão engraçado.
Chase suspirou, e balançou a cabeça. Entendeu a preocupação dela.
- Cam... – ele falou suavemente. - ... ele é um mendigo, certo? Ele mora numa caixa de papelão num beco da Elm com Rosedale. Ele é só um louco com verborréia.
- Defina verborréia.
- Diarréia da boca. Ele não para de falar. Geralmente é esportes e tempo. Umas vezes, ele acerta, outras, não. Mas vida e morte estão fora da área dele.
- Mesmo? – ela baixou a guarda, esboçando um meio sorriso.
- Mesmo. – ele sorriu de volta.
XxLFxX
Cameron logo que saiu do hospital, dirigiu até um bairro residencial, próximo ao Round Valley State Park. Cameron lembra de quando sua mãe levava ela e a irmã para nadarem no lago. Foi o melhor da sua infância. Logo depois a mãe havia ficado doente, e nem saia da cama.
Como sentia falta dela...
Ashley estava lá. Sabia por causa do carro caríssimo estacionado na calçada.
Vivia em pé de guerra com a irmã. Ashley havia casado cedo com o namorado rico. Vivia numa casa enorme num bairro elegante e tinha filhos estudando em colégios caros e fazendo esportes finos.
Cameron chacoalhou a cabeça, achando aquilo tudo absurdo. Ashley achava que sua vida era perfeita. Que todo o dinheiro, pompa e circunstancia era tudo. Que ela era superior por ser esposa e mãe.
Será que isso era felicidade?
Entrou lentamente. A porta estava aberta. Podia sentir o cheiro de boa comida. Ashley devia ter preparado o jantar.
Entrou na sala. O pai sentado numa velha poltrona sorriu.
- Oi, pai. – ela se aproximou. – Feliz aniversário!
O pai de Cameron tinha uma caixa média no colo. O presente de Ashley: um aparelho de som.
- Oi, filhinha. – ele disse suavemente para Cameron. Se virou para Ashley: - Obrigada, Ashley.
Ela orgulhosa pelo elogio, sorriu.
- Trouxe presente, pudim? – provocou Ashley.
- Trouxe sim. – Cameron não quis entrar na arrogância da irmã, e esticou um envelope. – Claro que trouxe.
- Entrada para os Devils! – o pai exclamou.
- Como no ano passado! – exclamou Ashley, desdenhosa.
- Por que disse que as crianças não podiam vir? – o pai interrompeu Ashley.
Ashley encheu o peito de orgulho.
- O time de futebol de Conrad está no campeonato. E Chloe tem ensaio. Na Orquestra Infantil Internacional.
Cameron ignorando, se sentou perto do pai.
- Pai, devo conseguir um emprego no Smithsonian. – ela disse, feliz.
- Mesmo? – ele ficou surpreso. – Aquele lugar ainda existe?
- Existe. – ela riu. No fundo, se sentia triste pela falta de entusiasmo dele.
- Ele trabalhou no turno das 5hs no hospital por 25 anos, Allison. Pode lhe dar uma folga? – espezinhou ela, e saiu para a cozinha.
Cameron esticou o pescoço e viu um monte de porta-retratos de si. Gordinha e de óculos, e de Ashley, líder de torcida.
- Como está o Cal? – o pai perguntou.
- Está bem. Está em Los Angeles.
- Fora de temporada?
- Fazendo um comercial.
- Gosto do Cal. É um bom menino. Acho que o próximo ano será bom para os Devils.
- Pai, posso fazer uma pergunta? – Cameron tentou.
- Claro.
Cameron abriu a boca, quando Ashley invadiu a sala, com um prato com um enorme pedaço de bolo colorido.
- Mais bolo, pai? Como a mamãe fazia. – ela disse, e entregou o prato ao pai.
- Talvez Ally queira.
- Não. – ela recusou. – Eu preciso ir.
- Não, meu amor. Coma bolo.
- Pai, ela tem que ir embora. Ela tem coisa mais importante afazer. – Ashley se intrometeu.
Cameron se levantou.
- Feliz aniversário, pai. – disse baixinho, lhe dando um beijo no rosto.
- Obrigado, Allison.
Em segundos estava sentada no carro. Bufando de ódio da irmã.
Olhou para o porta-luvas. E desviou para o volante, ligando o carro.
Fechou os olhos, suspirou alto, em seguida, abriu os olhos, e voou na direção do porta luvas. Com dedos ágeis, acendeu um cigarro e o tragou profundamente.
Chacoalhou a cabeça, se censurando.
- Ótimo. – murmurou.
XxLFxX
- Alô? – Cameron ouviu.
- Cal, é a Allison. – ela disse, com o telefone na orelha, sentada na sua cama king size forrada de lençóis de linho.
- Algum problema? – ele perguntou.
- Não. Nenhum.
- Por que me ligou?
- Porque você é o meu noivo? – ela ironizou.
- Meu bem, está tarde. Não quero sexo por telefone hoje.
- Não, Cal, eu só... eu tive uma noite bizarra e apenas... eu só queria fazer uma pergunta. – ela respirou fundo. – O que você faria se soubesse que eu morreria em uma semana?
O telefone fica mudo.
- Alô? – ela tenta.
- Você ta menstruada?
- Não! Não estou, Cal. Um mendigo teve uma visão.
- Tipo ESPN?
- Não, ele tinha ESP. Não tem "N", querido.
- Eu sei, Allison. Mas é tarde, e eu preciso acordar cedo. Não existe ESP.
- Desculpe. Tem razão. – ela suspirou alto.
- Não entendo qual é o problema.
- Okay, meu bem, tenha um bom dia amanhã.
- Okay, boa noite.
- Tchau. – ela desligou. – Bem... ajudou muito.
Olhou pela janela, e teve uma idéia. Se levantou da cama, e correu para o closet.
XxLFxX
Cameron andava com saltos altos no chão esburacado da Elm Street. Já passava da meia noite e poucos carros passavam por ali. Uma viatura da policia passou lentamente em frente a um bar lotado mas não parou. Cameron continuou o caminho andando até o lugar onde Chase tinha dito. Ela desviava de várias coisas que eram consideradas lixo pra ela. Mas que para um mendigo, talvez não fosse.
Encontrou o beco, fechado com um portão a cadeado. Empurrou o portão e percebeu que as correntes que fechavam ambos os lados davam uma fresta enorme pra ela passar.
- Jack? – ela chamou esperançosa.
O lugar estava fracamente iluminado por poucas lâmpadas que haviam ali. Haviam coisas entulhadas em todos os cantos e pessoas dormindo em vários lugares. E em canto viu um homem dormindo no chão.
- Jack?
Ela sentiu alguém tocar seu ombro e pulou de susto.
Era Jack.
- Ele ainda espera a nave voltar.
- Oi. – ela suspirou aliviada. – Se lembra de mim?
- Não. Eu sou psicótico demais pra lembrar o que aconteceu ontem.
- Eu lhe trouxe um presente. – ela esticou um embrulho pardo.
Ele pegou a sacola de papel, e de dentro tirou uma garrafa.
- Vinho fortificado de morango. – ele leu. – Junho de 2006. Boa safra.
Ele devolveu a garrafa a ela.
- O que prefere então? – ela perguntou, ingênua.
- Um paletó. Botas texanas de crocodilo. Uma bela casa em Florida Keys.
- Quanto o Chase lhe pagou? – cortou o papo. – Eu lhe pago o dobro pra me dizer a verdade.
- Já está barganhando?
- Não entendi.
- Raiva. Negação. Barganha. Depressão. Aceitação. Os cinco estágios da morte. Está indo depressa, mas... só tem uma semana pra todos.
Ele andou até uma barraca, e indicou um banco. Cameron olhou. Estava imundo. Não queria declinar da gentileza, mas voltou ao assunto.
- Alguma vez errou?
- Acho que não. Não tenho certeza. Não tenho Tv, nem rádio.
- Certo, então...
Jack lhe esticou uma caneca com um liquido dentro. Ela continuou:
- A verdade é que você não sabe, certo? Você daria o palpite. A pessoa não ia querer saber, e não lhe dariam esmola.
- O que você quer? – ele vociferou. – Preferia ver os números da loteria. Não escolho o que eu vejo. São imagens aleatórias. Por acaso, vi algo sobre você. Eu vejo e digo. Se puder provar que estou errado... se provar um erro meu, mesmo uma vez só, ótimo. Não sou um profeta. Sou um cara normal que tem um palpite uma vez ou outra. Posso procurar uma cama macia e viver minha vida em paz.
- Negócio fechado. Provo um erro seu, e você retira a sentença de morte. – ela concluiu.
- Voltou a barganhar.
- Faça outra previsão. – ela pediu. Ele parou estático. – Anda!
- Eu vejo, eu digo. Você paga.
- Okay, eu posso fazer isto. Certo, então.
Ela procura algo na bolsa e entrega a Jack uma nota. Jack pega e olha par a cima, com se estivesse procurando alto. Murmura coisas incompreensíveis, e Cameron fica ali, aguardando ansiosa.
- Já sei! - Jack gritou.
- Conseguiu?
- Consegui. – ele sorriu pra ela. – Amanha de manhã, haverá um pequeno terremoto em São Francisco.
- A que horas?
- Hora específica é mais cara. – ele riu, e Cameron lhe deu mais dinheiro. – 9:06 da manhã.
Cameron sorriu satisfeita.
- Agora, - Jack começou. – preciso do meu sono de beleza. Cuidado onde pisa ao sair.
- Okay, tchau! – ela se despediu.
Jack se virou, e Cameron seguiu o caminho da saída. Tentando desviar do chão esburacado, tropeçou num buraco, e se apoiou numa parede pra não cair. Deu uma risadinha.
- Então, você previu isso?
- Não. – respondeu Jack. – Sempre tropeço nesse buraco o tempo todo.
- Boa noite! – ela desejou, balançando a cabeça.
Que dia!
XxLFxX
N/A: Hey, Pipol. Gostaram?
Antes de tudo, preciso agradecer a Consultora Médica Dra. Poli, por ter me dado um help fenomenal com a sífilis terciária. Logo vou estar aprendendo tudo sobre medicina. Hihi. Ta vendo Poli, num disse que você é foda! (vide agradecimentos do capitulo 9 de Segunda Chance).
AGRADECIMENTOS – relativos ao episódio anterior:
Lalá – Não sofra, muié. Ainda tem muito pela frente.
Mona – Pois é, Andréa é minha truta. É um pouco meu alter-ego. Assim como Lucca, de Black é o homem dos meus sonhos.
Naiky – Pois é, o Chase de manguinhas de fora, é muito bom.
Cii – Obrigada pelo "lindo".
E AGRADECIMENTOS AO RESTO DA MULHERADA DA COMU CHAM: Nessa, Nayla, Mai, Ni, Lais, Flora, e a maldita da Lis – que o lê o capitulo 1 mas não lê o 2!!
NOTAS:
Uma ressalva: Smithsonian não é invenção minha. De por ele como nome de um hospital centenário, sim. Mas na verdade, ele é uma instituição, que possui 19 museus e 9 centros de pesquisa. Já ouviram falar no Museu de Historia Natural de Nova Yorque? Então, faz parte do grupo.
- O Round Valley State Park realmente existe. É um parque. Uma reserva com uns 5.000 acres de mata virgem e um enorme lago de água cristalina que chega a ter quase 6 metros de profundidade e uma infinidade gigantesca de peixes. E lá, você pode pescar, andar de barco (mas sem motor) e pode andar de canoa e caiaque. Você pode também caminhar, andar de bicicleta, andar de cavalo e acampar. É um lugar lindo.
- Ashley, irmã da Cam, pra mim, é Keri Russel. Lembram dela? A "Felicity"?
- Os "New Jersey Devils" são um time de hóquei. Só por que eu adoro hóquei. A temporada 2007-08 tá muita boa pra eles. Foram 13 vitorias em 20 jogos. Tem jogo amanha dia 21 contra os "Pinguins de Pittsburg". E o campeonato vai até abril. "Go Devils!!"
- ESP - extrasensory perception - é como é comumente chamado de "Sexto Sentido". Abrange telepatia, clarividência, precognição e psicocinese. E ESPN é um canal da tv paga voltado a esportes. Somente esportes.
- Florida Keys é um arquipélago de quase 1700 ilhas na península da Florida. Possui resorts, mansões e belíssimas praias.
- O endereço Elm com Rosedale, realmente existe e fica no bairro de Princeton, em New Jersey.
- E Elm Street é uma brincadeira, já que tem uma Avenida em Jersey chamada Elm. E coloquei Elm Street. Que é o lugar onde o assassino Freddy Kruger, quando vivo, abusava e matava crianças. Ah, não estou dizendo que a Elm Street do Freddy Krueger é a mesma Elm Street da historia.
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