-Kazuma, quem é a dona do Angelus!?

-Já disse Heleonor, eu não sabia que ela existia.-Kazuma falava com dificuldade. A surra que havia tomado dos capangas de Heleonor havia danificado suas costelas e estava passando por dificuldades em respirar.

Heleonor pegou na cabeça de Kazu e lhe deu um soco. Sangue voou na parede ao lado:

-Olhe aqui seu desgraçado, eu quero respostas.-Heleonor estava tendo um acesso de fúria.

-Mestre, ele não sabe.-Disse uma mulher no fundo-Chequei a mente dele inúmeras vezes e ele não sabe a resposta.

-Nesse caso, garotos, joguem ele no mar.

Misa esta enxugando suas lágrimas no carro enquanto Akira dormia do seu lado:

-Dois anos, como você consegue Michiyo...?

Imari dançava ao redor do corpo doente de Michiyo, que estava começando a alucinar de dor. Parecia que seu coração iria explodir:

-Deuses de tudo que tem vida nesse planeta, cedam um pouco de sua vitalidade a um corpo que está perdendo sua jovialidade.

E a dança continuava, até que Michiyo desmaiou. Seu corpo começou a esquentar de novo: ele não corria mais risco de morte:

-Pobre rapaz, não sei até quando você vai aguentar...

Sexta-feira finalmente. Misa não via a hora de sair com Yumi e Reika no sábado. Tentava esquecer tudo que descobriu ontem.

Na sala de aula, viu Michiyo no fundo como sempre, olhando para a janela. Foi até ele e disse:

-Bom dia Mih-kun!

-Ah, bom dia!Que apelido é esse?-Disse Michiyo.

-Já que vamos passar tanto tempo juntos, devíamos ser mais carinhosos um com o outro!-Disse ela sorrindo. Estava mentindo. Estava sendo assim com ele por pena. Não queria ser dura com alguém na situação dele-Vamos almoçar juntos no terraço hoje!-E com isso, sentou-se em sua carteira.

Michiyo sorriu enquanto via ela indo sentar. Ela fazia com que ele se sentisse eterno, como se eles fossem passar uma eternidade se conhecendo melhor, e como se já se conhecessem a muito tempo.

No almoço ficou no terraço com ela. Adorava lá encima, a vista da cidade inteira era perfeita:

-Como vão as coisas com a Miharu?-Perguntou Misa sorrindo.

-Ela terminou comigo ontem. Me mandou uma mensagem no celular e hoje não queria falar comigo-Respondeu com um olhar distante.

-Ah, me desculpe, eu não sabia-Disse ela triste.

Michiyo virou para Misa, e seus rostos ficaram bem próximos. Ele sorriu para ela e disse:

-No problem!

O inglês de Michiyo não era muito bom, mas foi descontraído quando falou isso. Misa depois de um minuto se assustou com a distância dos rostos e caiu no chão em um impulso:

-Ai ai, meu bumbum!

-Calma, vamos na enfermaria!

-Tá doendo, tá doendo!

-Misa, se acalme!Tá tudo bem?

Saito era um velho pescador. Em seus 87 anos vivia ainda da pesca. Era muito bom nisso, e toda manhã as cinco horas ia com seu barco ao alto mar. Algo lhe chamou a atenção. Parecia uma pessoa boiando.

Kazuma é uma pessoa de sorte. Conseguiu sobreviver a uma sessão de tortura e a uma noite inteira boiando no mar. Cirurgias e mais cirurgias foram necessárias para mante-lo estável depois de tanto maltrato.

Akira estava na sala de espera junto a Misa. Michiyo tinha combinado de encontrar com alguns amigos no fliperama, então Akira resolveu não avisar para não preocupa-lo:

-Kazuma é um dos usuários, não é?-Perguntou Misa.

-Sim, ele é um velho amigo de Michiyo. Eles se conhecem desde que eram bebês. Ambos moravam em um orfanato. Foram lá que viraram amigos.

-Não devia avisar para ele já que ele é tão importante?

-É melhor não preocupar Michiyo. Ele já tem muito na cabeça pra cuidar.

Um médico parou na frente dos dois e disse:

-O Senhor Kenta está estável, mas só irá acordar amanhã. Sugiro que voltem amanhã.

-Ok, Obrigado doutor pelo trabalho. Fico grato.

Os dois saíram do hospital e foram em direção a mansão. Foi uma noite longa, tendo que contar a Michiyo que Kazuma estava no hospital, e impedir que ele fosse até lá. Demorou algumas horas para que ele se acalmasse e ouvisse eles direito. Concordou em vê-lo no dia seguinte. Não via a hora de rever seu companheiro de infância.